Quinn estava tendo um daqueles dias. Já era de noite quando viu uma cena interessante. Rachel conversando com Puck aos sorrisos e risos. Taí algo que definitivamente não se vê todo dia. Não só conversavam e riam, mas sem brigas. Ela poderia jurar que era um daqueles olhares que Rachel dava a Finn.

Rachel se agarrou ao braço de Puck quando a viu se aproximar, fechando a cara para a amiga.

_Rachel? O que está acontecendo? – Quinn se aproximou cruzando os braços.

_Estamos nos conhecendo, sabia que Noah é judeu? Não acredito que nunca percebi isso... – ela o olhou com doçura e passou os dedos no rosto dele como se estivesse encantada.

Quinn enrugou a testa. Aquela não era nem de longe a Rachel que ela conhecia. Ela lembrava muito bem quando conhecera Rachel no vagão a caminho de Hogwarts, Puck estava com elas quando ele começou a fazer piadinhas sobre o nariz dela. As implicâncias foram aumentando com o tempo até que os dois não podiam nem ficar no mesmo lugar por muito tempo. Rachel não era exatamente a pessoa mais fácil de lidar e, ainda que ambos fossem amigos dela, ela se recusava a escolher um lado.

Aquele momento nada fazia sentido. Por que os dois estavam daquele jeito? Puck já era normal pegar quem aparecesse, mas RACHEL BERRY? Finn parecia ter notado também, espiava os dois de maneira nada discreta.

_Puck acha meu nariz engraçado – ela riu e Puck apertou o nariz dela com o indicador, observando Quinn com aquele semblante irritante e metido que carregava sempre.

_Oi, Quinn, como está? – ela ouviu Finn perguntar, atrás dela, mas ele nem ao menos a olhou. Mantinha os olhos fixos de Puck para Rachel.

_Ora, ora, vejam quem está aqui... se não é o lodo de Hogwarts – Puck falou sem conter a voz e Rachel riu, achando graça.

_Ele é tão brincalhão! – ela falou e beijou a bochecha dele.

Puck não se contentou com todo aquele teatro, puxou Rachel para frente dele e a olhou com um sorriso torto. Antes de lançar um último olhar para Quinn e Finn, posicionou os lábios em cima dos de Rachel e depois puxou os lábios dela para os dele. Finn e Quinn se entreolharam desconfortáveis até Finn puxar Puck de perto da garota.

_O que está fazendo, não está ven... – Puck não terminara de falar quando um soco de Finn acertou-o em cheio no queixo e ele cambaleou para trás.

O pátio virou para olhar-los instantaneamente, enquanto o primeiro bolo de alunos se aproximou para incitar a briga, Quinn foi rápida quando tirou Rachel do meio antes que Finn a acertasse.

_FINN! PARA! ESTÁ LOUCO? – a loira gritou para ele enquanto Ryder tentava tira-lo de cima de Puckerman.

_ELE A ENFEITIÇOU? NÃO CONSEGUE VER? ESSA NÃO É ELA! COMO PODE SER TÃO BAIXO? EU VOU ACABAR COM VOCÊ!

_Petrificus Totalus! – falou uma vozinha fina atrás de Santana López.

O corpo de Finn empalideceu até ganhar um tom cinzento, de repente ele tinha virado pedra. Ryder o largou e o corpo empedrado do rapaz caiu no chão, afundando na grama engeada pela neve.

_Finn! – Marley Rose se ajoelhou, colocando as mãos no amigo _Está maluca, López? Não precisava disso!

_Desculpe, não temos muito tempo, quanto mais ela demorar, mas o efeito vai demorar a passar – a pequena Helena se adiantou frente aos lufanos que se reuniam para ajudar Finn - _Sabem como fazer o contra-feitiço, assim espero...

Santana segurou Rachel pelo braço enquanto ela chorava para Puck correr ao encalço dela. Quinn a arrastou junto a Santana, elas tinham que admitir, ela era bem forte para alguém tão baixa e magra.

_AAAAAhhh! – Quinn jogou a amiga na cama, Santana estava esgotada tal como ela.

_NÃO PODEM ME SEPARAR DO MEU VERDADEIRO AMOR! ESTÃO COM CIÚMES PORQUE ELE PREFERIU A MIM DO QUE A VOCÊS DUAS, NOSSO AMOR VAI PREVALECER NO FINAL – Santana não controlou-se ao dar um tapa bem dado na cara da garota. Pensou que seria melhor depois de tanto tempo querendo fazer aquilo, mas ela se sentiu apenas pior por ter uma parcela grande de culpa. E devia ter sido forte, porque Rachel parecia ter desmaiado depois dessa. Santana se apressou em tirar a poção das vestes e colocar na boca da amiga, Quinn ajudou-a a deita-la diagonalmente para a poção ser ingerida. Depois do feito, ambas se deitaram na king size, exaustas. Graças a Deus eram da Sonserina, aquele salão comunal era invejado por toda Hogwarts por um motivo. Santana e Quinn se entreolharam com Rachel desfalecida no meio delas. Elas arfavam e Quinn sentiu dois pingos de suor escorrendo pela sua testa. Tinha medo de perguntar, de ter certeza.

Santana a observou e manteve o olhar, até desviar. Quinn mordeu os lábios.

_Pode falar, eu estou escutando...

_Ele tentou te enfeitiçar de novo, Rachel estava certa. Foi ela quem descobriu. Ela confiou em você quando nem eu acreditei.

Quinn baixou a cabeça e puxou um travesseiro, enfiando o rosto, soltou um grito abafado.

_Eu quero matar ele! – Quinn falou se levantando de vez, mas os lábios dela tremeram assim que passaram pela latina, o que fez Santana duvidar da veracidade da informação.

_Espera, tem mais.

Santana se ajeitou na cama, ela tremia, olhou Rachel, como se esperasse alguma reação da amiga.

_Sei porque Sam não se lembra de você. Porque ele não te olhar. Não parece se preocupar com você do jeito que ele fazia antes. Mini Potter me deu todas as indicações, acha que ele usouObliviate.

Quinn olhou Santana e a morena sentiu os olhos da loira brilharem. Alguém teria muitos problemas. Não importava se Sam tinha ou não traído a garota, meter-se entre os dois era a pior coisa que Puckerman poderia ter feito.

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Sam Evans tinha tido um dia e tanto, estava se sobressaindo tanto no quadribol que chegou até a se perguntar o porquê de nunca ter se alistado para fazer os testes.

Ele se alongou quando saiu do banho, tinha o quarto só para ele, gostava de ficar só e refletir sobre o dia. Ele passava a goles de uma mão para a outra quando um filhote de gato branco persa se enroscou nas pernas dele e ficou encarando-o com olhos azuis cintilantes.

_Ei, gatinho, o que faz aqui? Aqui não é, tipo, muito alto pra você? – ele sentou sem movimentar as pernas e pegou o gatinho, que se aninhou no peitoral nu dele ronronando afetuosamente, Sam pode notar que ela tinha uma coleira vermelha onde lia-se Harmony. Harmony... não era um nome esquisito...

_Ok, Harmony, você é menina... então não vai revirar os olhos se eu conversar com você? Vai me achar muito feminino se eu te disser que tenho alguém especial? Ela é loira, sabe, tem um coração lindo, apesar de poucos poderem ver de verdade...

A gatinha olhou pra ele e passou a linguinha no queixo do garoto, que fez carinho na cabecinha dela. Seria um momento muito lindo, se Thor não tivesse entrado pela janela e dado bicadinhas na cabeça de Sam, que reclamou espantando ele da cabeça.

Era um bilhete bem simples, dizia "Me encontre na Torre de Astronomia as 21h". Só isso. Sem remetente. Sem mais delongas. Sam coçou a cabeça e abriu a gaveta para procurar a ração de sua coruja, que se aninhou no outro braço dele. Harmony esticou a patinha para toca-lo, mas ele recuou deixando Sam fazer carinho nele como se não houvesse outro ser no quarto.

Ainda que Sam adorasse ficar com as criaturas, sua curiosidade o chamava para a torre de astronomia. Pegou a primeira calça jeans que viu e sua camisa xadrez, pondo o moletom grosso da Grifinória por cima. Já estava quase dando o horário de dormir, Filch logo passaria com aquela gata fofoqueira para revistar a torre, ele foi o mais rápido possível para a torre de astronomia.

Uma cabeleira loira estava virada para a lua cheia, ela parecia estar em zoom de tão grande que parecia. Quinn virou rapidamente quando Sam chegou, levantando as sobrancelhas em dúvida. Ela mordeu os lábios e deu um passo, hesitando em dar o segundo. Que péssima ideia aquela, saira decidida a quebrar a cara de Puck mas seu corpo pareceu tomar conta e agir automaticamente. Agora ali ela estava.

_Sammy... como você está? – ela perguntou de uma maneira tão dócil que ela mesma não se reconheceu ao ouvir.

O coração de Sam deu um salto, por que Quinn Fabray da Sonserina fazia uma pergunta paraele? Eles nunca tinham se falado na vida. Não por falta de vontade. Mas da parte dele, ele sabia.

_Desculpe? – ele perguntou sem entender muito bem o objetivo de entender tudo aquilo.

_Eu... queria saber como você está, digo, não se lembra mesmo? – ela deu dois passos em direção a ele, sentiu as bochechas corando e foi só ali que ela percebeu o quanto sentia falta dele. Passar um dia sequer sem os mimos do menino Evans haviam deixado a garota mal acostumada, ela já estava adaptada a receber ao menos uma visita de Thor ao dia, cartinhas de amor dizendo como ela era bonita e maravilhosa de todas as maneiras possíveis e presentes de todo o jeito. Ele tinha até a mania de separar os bacons no café-da-manhã da mesa da Grifinória porque sabia que ela adorava. Sentia falta de ver a cabeleira loira do namorado a procura dela toda a manhã que ela adentrava o Grande Salão, dos sorrisos de bobo alegre dele toda vez que ela fazia um gracejo a mais. Aquele rapaz na frente dela parecia desconcertado e sem saber o que fazer, por mais que ele fosse respeitador, o Sam dela sempre se adiantava. Ele sempre sabia o que a faria melhor, sabia o que ela escolheria, sabia o que ela gostaria, sabia como agrada-la. Ela sabia que ele não lembrava de nada, sabia que ele a tinha traído com a nojenta Kitty Wilde e mesmo assim ali estava ela, morrendo pela mínima percepção e reconhecimento da parte dele. Ela não aceitava isso, não aceitava ele ter esquecido dela, de te-la traído, de te-la feito se apaixonar por ela, como ele ousava...COMO?

_VOCÊ É UM IDIOTA! POR QUÊ? POR QUÊ? - ela se surpreendeu quando se pegou dando socos e tapas nele, não se controlou até perceber que estava chorando e agitando o rapaz pelo casaco _ME PROMETEU TUDO, FALOU QUE EU NUNCA MAIS IA FRAQUEJAR, PROMETEU QUE IA ESTAR LÁ PRA ME SEGURAR E AGORA ESTÁ TUDO DESMORONANDO E VOCÊ NÃO ESTÁ AQUI PARA MIM, VOCÊ NÃO ESTÁ! POR QUE NÃO PODE ME AMAR DE VOLTA? EU ACREDITEI EM VOCÊ E VOCÊ ME APUNHALOU DE UMA MANEIRA QUE NUNCA NINGUÉM...

Sam tinha beijado Quinn. Sim, ele a estava beijando. Os lábios imensos dele puxavam os dela, a língua dele se enroscava na dela, os rostos deles estavam tão colados que ela sentiu as bochechas manchadas de lágrimas dela deslizando na pele dele. Ela correspondeu tão afoita aos beijos dele que tinha sentido a mandíbula abrir mais do que deveria, soltou um arfar abafado pelos beijos dele e deixou-o levantar o corpo dela contra o dele, fechando as pernas por traz do tronco dele. Os beijos prosseguiram com urgência até Quinn descer as mãos pela barra do casaco de moletom dele e passar os dedos pelo peitoral do ex namorado. Sam parou e deu um passo para trás, colocando a mão na boca.

_Eu não sei o que foi isso – ele falou, olhando ela embabascado.

Ela não se deu por vencida, se aproximou dele e ficou na ponta dos pés para beijar o pescoço de Sam. Ele não reagiu, ela insistiu. Pegou as mãos dele, entrelaçou os dedos em uma e carregou a outra por dentro das roupas dela, friccionou pela pele dela, desceu pela virilha. Ele abriu a boca para protestar, ela puxou os lábios dele devagar.

_Você sempre quis isso, Sam, você sempre me quis. Eu sei disso. Vem. É seu. – ela colocou os dedos para as costas e tirou o sutiã, jogando-o no chão, pegou as mãos dele e enfiou por dentro das vestes de frio dela.

Sam se afastou dela. Quinn podia ver nos olhos dele, o como estava assustado.

_Fabray, eu...

_NÃO ME CHAME ASSIM – ela falou mais alto do que pretendia - Você pode me chamar de Quinn, Quinnie, lembre-se por favor... – ela estava novamente a ponto de chorar, mas aperto os lábios e sugou-os para dentro da boca.

_Eu namoro com a Mercedes, eu não posso trai-la, eu não traio. Eu... não posso. – ele deu meia volta e saiu caminhando o mais depressa possível.

Mercedes? De novo? Sentia-se participando de um passado que não queria fazer parte. Aquela cena fora a coisa mais humilhante que ela tinha participado e, o pior, fora ela a protagonista daquele dramalhão mexicano ridículo. Nunca tinha se sentido tão mal em toda sua vida, nem mesmo Puck havia conseguido tal proesa. Ela olhou para o sutiã no chão da sala de astronomia e ajuntou. Queria evaporar o mais rápido possível dali. Saiu correndo de volta as masmorras, Filch fingiu não ve-la. Mais um ponto para a Sonserina, a mais amada casa dos carrascos de Hogwarts.

Não tinha condições de enfrentar Puck do jeito que ele merecia agora, só correu para o quarto querendo se jogar nos braços das amigas, mas quando abriu o quarto o que encontrou foi Genna roncando, enquanto Rachel estava enroscada em Santana, que dormia segurando um bezoar. Pelo pouco que ela sabia, bezoar também servia para algum tipo de reação ou envenenamento comuns a poções como aquela. E Santana adormecera do lado de Rachel, para estar certa que ela não teria convulsões. Aquilo merecia uma foto para ser um momento a ser lembrado constantemente quando as duas acordassem pela manhã puxando os cabelos um da outra e falando como se odiavam. Quinn só sorriu, ainda que sua garganta estivesse com contínuos nós. Ela se jogou na cama e sentiu os olhos pesarem, ela nem havia notado que estava com sono quando um borrão branco e peludo se enroscou nas pernas dela e se esfregou passando as patinhas sem unhas na pele dela.