Disclaimer:Nenhum dos personagens me pertence, são todos da Naoko Takeuchi. Nem mesmo o Kaitou/Saijou Ace que é personagem de Codiname wa Salior V. ^^
Nota da autora: Bom, depois de anos escrevendo este é o último capítulo. Confesso que não era bem este o final que tinha pensado quando comecei a escrever a fanfiction, mas ela teve tantos finais na minha cabeça que eu acredito que este seja o verdadeiro. Espero que gostem!
Eu não te amo
Minako saiu do apartamento de Mamoru sem nem ao menos se despedir direito dele. Deixou o rapaz sem entender o que havia acontecido e com um 'Obrigada por tudo'. Ela parecia visivelmente transtornada com algo, fato que Jadeite havia notado só pelo rápido vislumbre da garota.
"Você deveria ter deixado a gente escutar a conversa, príncipe..." – Jadeite reclamou com um tom que beirava o infantil – "Pelo menos a gente saberia do que se tratava."
"Jadeite tenha um pouco de respeito pela privacidade dos outros." – Zoicite falou enquanto Jadeite olhava para ele como se o aquela frase não fizesse nenhum sentido.
"A conversa não era de vocês, portanto não precisavam ouvir." – Mamoru respondeu com suavidade – "E sejam gentis... Não provoquem ou atazanem Kunzite com isso. Se ele quiser falar algo, escutem. Caso contrário não o perturbem."
"Mas aí eu vou perder toooooooda diversão!" – Jadeite respondeu em um muxoxo que foi devidamente respondido com um safanão de Neflite.
"Eiii! E o respeito para comigo?" – Jadeite reclamou.
"Uma frase que tenha 'respeito' e 'Jadeite' não pode ser levada a sério!" – Zoicite falou.
"Por favor, rapazes..." – Mamoru pediu.
Os generais acenaram com a cabeça em concordância enquanto Mamoru leva as outras pedrinhas para ao lugar de origem.
Minako estava agitada. Não tinha conseguido nenhuma resposta, mas já estava se acostumando com isso. Na verdade tinha conseguido algo melhor e apesar de ter prometido a Artemis que não iria fazer isso, era exatamente a única coisa que vinha a mente dela: ir à casa de Ace.
Quando teve noção do que estava fazendo estava batendo na porta do apartamento dele, mas estava tão decidida no que ia fazer que ter consciência do que acontecia era apenas um detalhe.
Ace abriu a porta assustado, o que fez Minako observar que deveria estar quase derrubando a porta. Ela entrou no apartamento sem dizer nada, logo após o empurrar para dentro com uma das mãos espalmadas sobre o peito dele e com a outra mão fechar a porta.
"Minako, você está bem?" – ele perguntou visivelmente surpreso com a atitude dela.
Minako ficou parada por algum tempo o olhando como se tentasse descobrir algo e não o respondeu. Estava irritada por ele não ter entrado em contato com ela, brava pela falta de consideração dele, estava borbulhando por dentro e nem por isso menos decidida no que ia fazer.
"Minako..." - Ele não conseguiu terminar a frase.
Antes de assimilar o que estava acontecendo, ele sentiu o corpo de Minako contra o seu ao mesmo tempo em que os lábios dela alcançam os dele. Apesar de não saber qual o motivo por trás daquele ataque repentino, ele não pensou duas vezes antes de retribuir na mesma intensidade. Minako estava nas pontas dos pés enquanto pousava os braços entorno do pescoço dele e o beijava com vontade. Ace colocou os braços na cintura dela e a puxou mais contra o seu corpo, tentando manter aquele momento por mais tempo, saboreando a vitória de finalmente tê-la nos seus braços.
Logo Minako estava sendo prensada entre a parede e o corpo dele. Ace beijava o rosto, pescoço e lábios dela, não necessariamente nesta mesma ordem, e ela o abraçava com força. Minako se perdeu em um turbilhão de sentimentos e sensações. Tudo aquilo era intenso e absurdamente novo.
Da mesma forma como tudo começou Minako o terminou. Quando Ace fez menção de se aproximar e beijá-la novamente, ela o fez parar colocando a mão sobre o peito dele. Ele tentou mais uma vez e ela afastou a cabeça.
"Minako..." – ele falou com a respiração acelerada –"Eu acho..."
"Eu não te amo." – Minako falou subitamente sem deixá-lo continuar a falar.
"Isso é algum tipo de brincadeira?" – um leve sorriso ainda restava no rosto dele, achando que aquilo era apenas uma piada dela.
"Não, não é." – Ela respondeu no mesmo tom com que tinha declarado o não amor dela por ele.
A expressão de alegria que estava estampada no rosto de Ace se transformou em algo que beirava a incredulidade mesclada com um leve desespero.
"Minako... Não estou entendendo o que você quer dizer..." – ele disse com cuidado.
"Na verdade, está entendendo sim." – Minako respondeu séria enquanto tirava os braços dele de sua cintura.
"Não, não estou." – ele falou sério pela primeira, percebendo que ela falava realmente sério.
"Eu juro que tentei... Era a minha incrível oportunidade, sabe?" – Minako começou a falar andando de um lado para o outro. – "Eu não estaria sozinha... Finalmente encontraria aquele que me tiraria da solidão que era minha vida. Como eu sou ingênua, não é?"
"Aonde você quer chegar com isso?" – Ace perguntou confuso – "Se o seu problema é estar sozinha, eu estou aqui para ficar ao seu lado por quanto tempo você me quiser."
"Eu não te amo, Saijou." – ela repetiu a declaração inicial.
"Mas eu te amo!" – ele retrucou exasperado.
"Não. Você não me ama também!" – Minako o corrigiu olhando nos olhos. – "Não ama..."
"Como você pode responder isso por mim?" – ele perguntou perplexo – "Sobre o que eu sinto? Como pode negar o que eu sinto por você?"
"Eu tenho propriedade suficiente para isso." – Minako declarou de forma dura.
"Baseado em que?" – Ace perguntou magoado – "Na aparição de Kunzite?"
Os olhos de Minako faiscaram de raiva. Ela andou perigosamente para perto de Ace e sussurrou de uma forma que ele nunca tinha visto. Naquele instante ele lembrou o quão perigosa ela poderia ser caso quisesse ser.
"Talvez seja o simples fato de você ter me amaldiçoado."
"Eu não te amaldiçoei..." – ele murmurou acariciando o rosto dela. Ele não conseguia não deixar de tocá-la a tendo tão perto. – "Eu te contei a sua fortuna de amor..."
"Você me contou com seria o destino da minha vida amorosa... Perdido na eternidade, não é?" – Minako falou com a voz tremendo, mas não afastando o contato dele.
"É tudo uma questão de escolha, Minako..." – ele respondeu enquanto colava a testa contra a dela. – "Só escolha..."
"Eu já escolhi..." – ela suspirou com os olhos cheios de lágrimas.
"Não... Vou está sendo induzida a isso!" – ele falou segurando o rosto dela entre as mãos. – "Não é possível que você prefira ficar sozinha! Eu estou aqui te esperando me escolher, Minako."
"Ace, estamos falando do destino de amor!" – ela explodiu em lágrimas – "Não me peça para te escolher se não posso te amar!"
"Não pode me amar porque ama o Kunzite?" – ele tentava arranjar algum argumento para convencê-la – "Ele nem ao menos tem uma forma física!"
"Isso é irrelevante."
"É irrelevante ele não ser físico?" – Ace perguntou surpreso – "Minako, observe o que você está falando!"
"O que é irrelevante é se eu o amo ou não porque o que importa é que eu não te amo." – Minako já estava cansada daquilo, no começo parecia ser simples falar e ser entendida, mas no momento não estava sendo nada simples – "O problema é nós dois. Não existe uma terceira pessoa aqui... É só nós... É eu te falando que não existe amor aqui e você não acreditando nisso porque está tão obcecado que não consegue perceber."
Ace pegou Minako em seus braços e a beijou de novo, da mesma forma com que ela havia o beijado antes. Minako começou a se debater contra ele, tentando se soltar e não conseguindo nenhum avanço. Antes que aquilo avançasse mais, ela mordeu o lábio inferior dele com tanta força que conseguiu sentir o gosto do sangue na boca. Ele a solta gemendo de do ao mesmo tempo em que ela se afastou dele com rapidez.
"Não faça mais isso!" – ela demandou com um tom urgente. –"Está tudo errado... Não me obrigue a fazer algo que possa me arrepender!"
Ace olhou para Minako com um olhar culpado. Sabia que tinha se excedido e que não deveria ter feito aquilo. Ele passou a mão pelo corte em seu lábio e viu o sangue sobre a pele. Tentava pensar em algo para contorna a decisão dela e fazê-la entender que os dois deveriam ficar juntos. Mas, no final dos segundos que tinha se dado para raciocinar sobre o que fazer, não tinha nada para falar.
"Tudo bem, Minako..." – ele falou contendo a voz – "Você fez a sua escolha... E, ao que tudo indica, não posso interferir mais, não é?"
"Não." – foi a única coisa que ela conseguiu falar entre os soluços que não conseguia mais conter. – "Eu tentei... Eu juro que tentei, mas não tem como... Não é certo..."
Minako sentiu as lágrimas, que estava segurando a muito tempo, exigirem passagem. Estava cansada demais para segurar e nem queria fazer isso mais. Evitou chorar na frente de Kunzite, não por causa dele, apenas não queria que Mamoru a visse assim. Não estava preocupada em parecer fraca na frente dele, apenas não queria causar mais problemas. E naquele momento, não importava mais com isso porque queria que Ace se preocupasse com ela. Queria que ele entendesse que ele estava fazendo mal para ela e se arrependeu de não ter aberto o berreiro na frente de Kunzite em vez de apenas de gritar que o Shitennou era um bastardo.
Ace entrou em pânico. Minako estava se desfazendo em lágrimas na frente dele e ele não sabia o que fazer. Tinha um medo bastante realístico de que ela provavelmente o espancasse caso se aproximasse mais. Apesar disso, ele se chegou mais perto dela de forma vagarosa e sussurrou com calma:
"Não chore, Minako..." – ele venceu a hesitação e pegou o rosto dela entre as mãos, tentando secar carinhosamente as bochechas dela – "Eu não vou fazer mais isso... Tudo bem? Me perdoe por isso... Não chore mais."
Minako fechou os olhos por alguns segundos e retirou as mãos dele do seu rosto.
"Acho que preciso ir embora..." – ela murmurou ainda com a voz chorosa.
"Eu te levo em casa..."
"Não precisa!" – Minako o cortou já abrindo a porta e parando para olhar para trás. – "Eu realmente sinto muito por isso..."
"Não mais do que eu." – ele completou em um tom miserável.
"Talvez sim... Ou talvez não..." – ela respondeu com suavidade – "Talvez, a gente nunca saiba."
E sem falar mais nenhuma palavra a loira saiu do apartamento e fechou a porta com suavidade. Desceu as escadas vagarosamente, não queria se cair rolando pela escada ou coisa parecida e no estado que estava era bem capaz de algo semelhante acontecesse. Quando finalmente saiu do prédio, olhou para cima, para uma das janelas do apartamento de Ace, e sentiu um aperto no peito.
Seria muito mais simples relevar tudo e ficar com ele. Pelo menos assim estaria com alguém que gostava dela apesar de tudo e, talvez, com o tempo conseguisse nutrir algum afeto por ele. Mas aquilo não seria digno. Nem com ela e nem com ele, seria viver uma mentira. Querendo ou não, Minako amava Kunzite, ele estando vivo ou não. A promessa implícita dele de um dia estarem juntos não aflorou nenhuma esperança romântica nela, apenas a tinha feito ver que não estava sendo ela mesma.
Pensando nisto, Minako começou a andar distraída pela rua e não notou que outra pessoa andava em direção a ela e os dois trombaram. Minako foi praticamente lançada para trás e sentiu seu corpo batendo contra o chão.
"Me desculpe, senhorita!" – uma voz masculina chegou aos ouvidos dela ao mesmo tempo que duas mãos a auxiliava a se levantar.
"Ah... Tudo bem, essas coisas acontecem..." – Minako respondeu ajeitando a saia enquanto levantava o rosto para ver com quem esbarrou.
No primeiro instante ficou paralisada, tentando lembrar-se de onde conhecia aquele homem alto e tão bonito, seria os cabelos claros ou os olhos esverdeados, mas logo sua concentração se esvaiu como se isso não fosse muito importante.
"A senhorita está bem?" – o homem perguntou levemente preocupado pela reação que ela estava tendo e quase se desesperou ao ver sangue nos lábios dela – "Acho que se machucou na queda, está sagrando!"
Minako sacudiu a cabeça entrando em orbita de novo e colocou a mão sobre os lábios sentindo o sangue.
"Ah, não! Não me machuquei não!" – respondeu quase que imediatamente –"Quer dizer... Não foi agora! Me desculpe pela falta de atenção e não precisa se preocupar, 'tá!"
"Mas..."
Antes de o homem conseguir concluir qualquer frase, outra garota tão loira quanto a que ele havia derrubado surgiu do nada gritando para a primeira.
"MIIIINAKOOOOOOOO!" – Usagi praticamente pulou em cima da amiga – "Te procurei em todo canto!"
"Não precisa gritar, Usa-chan!" – Minako respondeu fazendo uma careta como se tivesse ensurdecido naquele momento.
O homem piscou algumas vezes olhando para cena e depois sorriu.
"Suponho que vocês se conheçam, não é?" – ele perguntou calmamente, falando diretamente para Minako – "Então posso ir sem me preocupar. Está em boas mãos..."
"Ah sim..." – Minako respondeu se perdendo um pouco quando viu o sorriso dele – "Pode ir... Me desculpe de novo!"
"Tudo bem." – ele disse enquanto acenava para as duas garotas e se retirava.
"Quem é ele, Minako-chan?" – Usagi perguntou com curiosidade – "Tenho a impressão que já o vi em algum lugar..."
"Eu também tive essa impressão..." – Minako respondeu enquanto as duas começaram a andar na direção oposta –"E não sei quem é... Acabei de esbarrar com ele na rua e ele me jogou no chão, por isso estávamos conversando... Mas, por que estava me procurando?"
"O Mamo-chan me disse que você poderia precisar de mim hoje..." – Usagi respondeu de um jeito confuso – "Disse que você poderia estar triste e confusa, mas não me disse o porquê. Está tudo bem? Vocês não brigaram de novo, não é?"
"A gente brigou sim... E por isso mesmo que preciso pedir muuuuuuuuitas desculpas para ele." – Minako respondeu com uma suavidade absurda – "Confesso que não ando sendo muito fácil..."
Usagi a olhou por alguns segundos antes de perguntar com seriedade:
"Mas está tudo bem com você?"
"Honestamente?" – Minako a olhou para responder – "Não, não estou bem. Mas eu vou ficar."
E abriu um sorriso radiante daqueles que contagiam todos a volta. Usagi sorriu para a amiga e teceu comentários sobre coisas que as duas variam para tudo ficar melhor ainda. Minako estava tão entretida com a conversa que não notou o homem com quem tinha esbarrado olhando para trás mais uma vez para lembrar do rosto dela outras vezes.
