- Eu vi tudo.

Ela ouviu uma voz familiar. Olhava para os lados a procura de seu dono.

- Acho que está na hora de tomarmos o que é nosso por direito.

E assim que olhou para cima, viu o ruivo de longos cabelos presos e olhos cor-de-mel. Usava suas vestes negras de shinigami e um sorriso convicto e malicioso cruzava seus lábios.

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Entre o Amor e a Razão

Capítulo 10: Ameaça

Escrito por: Mi Yuuki X

N.A.: Olá, gente. Capítulo passado não deu pra dar N.A., uffa, tive que decidir umas coisas meio em cima e manter isso aqui semanalmente tá sendo um desafio para mim junto com outros projetos que tenho pela net e meu trabalho de verdade também, além da pós, enfim. . Mas agradeço novamente os hits e as reviews, todos que lêem que me motivam a continuar isso aqui toda semana! ^^ Estamos num ponto chave da fic, a partir de agora vamos ter menos situações engraçadas e a fic começará uma parte bem mais séria. Se tiverem sugestões, algo que não gostarem, por favor, avisem. Estou sempre aberta a sugestões e críticas, claro! ^_^ Não odeiem o Renji nem a Inoue, por favor. XD

-X-X-X-

- Re... Renji-san?

Ela piscou, desconcertada.

O tenente saltou do alto da árvore e pousou ao seu lado, assustando Inoue que levou uma mão ao peito. Não entendia o súbito aparecimento do rapaz.

- Como vai? – cumprimentou ele meio que desinteressado.

- Ah... Bem. E você? – curiosa ela se curvou enquanto cruzava os braços atrás da cintura. – Que surpresa vê-lo aqui. – e tentou disfarçar o atual estado em um sorriso. - Algum hollow que veio eliminar ou uma missão do Byakuya-san? – perguntou.

- Não. – respondeu friamente Renji.

Ela o viu se recostar no tronco da árvore. Aquela situação estava muito estranha.

- Vim aqui porque ainda não acredito no que meus olhos viram. – revelou.

- Hm? – e confusa ela arregalou os olhos de tom cianeto.

Renji suspirou profundamente antes de abrir os olhos novamente e encarar Orihime que agora se sentava a sua frente. Por estar de saia, ela se ajoelhou cuidadosamente quando sentiu certo volume incomodar. Afundou a mão pelo bolso da saia de pregas e tirou de lá um pequeno bombom.

"- O intervalo tinha que ter no mínimo uma hora, não acha, Ishida-kun?"

Ela se lembrava de quando conversara com ele pela manhã.

" Ele a respondeu:

- Mas aí seria mais tempo de intervalo que de aula, Inoue-san. – ria o quincy da ingenuidade da menina, sempre tão cativante. – Mas por que queria tanto tempo assim de intervalo? – indagou.

- Porque comeríamos mais! – gulosa ela exclamou. – É muito tempo de aula. Sempre fico com uma fome... – comentou ela enquanto massageava o próprio estômago.

O quincy ficava admirado com o jeito meigo da ruiva. Ela ainda falava quando ele foi até a pasta que levava para as aulas e retirou de lá o pequeno bombom de embrulho dourado e detalhes prateados.

- Pegue.

E quando ele se aproximou, tomou a mão da menina tagarela e num gesto único, sem que ela nem visse o que lhe oferecia, ele encobriu a palma dela com sua mão e depositou ali o bombom, aproveitando para sentir a suave pele macia que a princesa tinha.

- Anh?

E quando Ishida soltou sua mão, ela encarou o que ele havia lhe dado. Corou no mesmo instante.

- Na-não, Ishida-kun! Não precisa me dar isso! E afinal, tenho que emagrecer, estou ficando enorme, veja o tamanho que estou! – e sem graça ela começou a argumentar.

- Quando estiver com fome na aula, pegue e coma, certo?

E um tanto quanto maroto, o quincy sorriu para ela, fazendo com que as bochechas já rosadas da menina corassem ainda mais.

Ishida era tão atencioso.

Era o tipo de rapaz que qualquer garota gostaria de ter como namorado.

Ele não era só bonito e elegante.

Ishida era sensível e carinhoso. Parecia prestar atenção a tudo, estar sempre disposto a auxiliar e prestar assistência as pessoas, em especial a quem ele parecia amar verdadeiramente. Ele não parecia amar, ele realmente amava. Talvez o erro de Inoue fosse se recusar a enxergar aquilo."

- O que está pensando? – Renji perguntou após Inoue passar tanto tempo calada e pensativa.

Ela piscou, tirando o olhar vago da sua expressão e corou sem graça.

- Me desculpe, Renji. – revelou ela mostrando a língua com um riso. – Estou viajando aqui. Mas... – e ela se lembrou do ponto que a conversa parara. – o que você viu que ainda não acredita?

- Você ainda não percebeu? Inoue, não seja falsa. – ele foi direto e aquilo a atingiu. – Eu vi o que aconteceu. Sei que está se mordendo de ciúmes da Rukia com... aquele canalha do Ichigo!

Inoue engoliu seco. Além de Renji ter lhe apontado algo que realmente a ofendera mas não deixava de ser verdade, notou um ódio tão grande naqueles olhos quando o viu referenciar Ichigo.

- Anh? Do que está falando, Renji-san? Não... Não fiz nada. – e um pouco envergonhada ela baixou a cabeça.

- Inoue. – e o ruivo inclinou-se para frente.

Agora ele estava em uma posição em que ela não podia esconder seu rosto e os olhos marejados.

- Não tem nada disso, Renji-san. – e entre alguns soluços ela foi falando. – Eu não tenho nada com o Kurosaki-kun, não tive ciúmes e... – ela ergueu a cabeça para mostrar um falso sorriso entre as lágrimas. – Por que eu teria ciúmes da Kuchiki-san? Mesmo se eu gostasse do Kurosaki-kun, eles não têm nada, né?

Renji suspirou pesado. Inoue era mais difícil de lidar do que pensava que era.

- Inoue. – Renji chamou, tentando pedir mais atenção. – Eu os vi se beijando na casa do tachou...

Ela encarou o ruivo que dessa vez foi quem desviou seus olhos. Sabia que aquilo a magoaria.

- Se... se beijando? – ela perguntou um tanto quanto incrédula. – Não... não é verdade. – riu.

- É sim. – confirmou o ruivo voltando a se recostar a árvore. – Eu sei que você está sabendo também. Se não soubesse, não estaria namorando o Ishida. Você nunca faria isso se não fosse por uma fuga. – concluiu. – Todos sabem o quanto você ama o Ichigo...

E Inoue se lembrou de quando viu Ichigo e Rukia se beijando na festa.

E dançando...

E a revelação de que ela e Ishida agora namoravam, trazendo com isso a expressão feliz da satisfação de Ichigo em vê-los juntos. Não havia ciúme.

E por fim, as mãos de Rukia e Ichigo dadas quando ele saía em sua defesa contra ela mesma.

E mais uma vez aquele silêncio foi interrompido. Dessa vez quando Renji a encarou, foi após ouvir o choro da garota. Renji estava certo. Havia dito tudo que ela estava sentindo, tudo que estava errando. Estava com Ishida meramente o usando para atrair ciúmes, mas não obtivera sucesso. Estava cheia de ciúmes, sabia que estavam juntos. Era um fato. Não dava pra negar mais.

- Renji-san... Você gosta da Kuchiki-san, não é? – e tentando se conter entre os soluços, ela perguntou.

Renji ficou um pouco apreensivo em revelar. Sentiu-se encabulado, mas era óbvio.

- É claro que sim. Se hoje sou tenente... é porque fui para a Seireitei porque queria dar uma boa vida para ela...

Inoue viu Renji corar, desconfortável em revelar seus sentimentos assim. Mas se queria conquistar a confiança da menina, teria de se abrir.

- Inoue! – ele chamou, segurando-a pelos ombros. - Eu vivo pela Rukia! – enfatizava. - Há anos! E você... você conhece o Ichigo também há muito tempo, você sempre o amou! Isso esta errado, não é justo!

Inoue se surpreendeu com o tom desesperado de Renji. Ele realmente parecia decidido a tomar uma atitude. Ele estava certo, mais que nunca, e ela estava disposta a fazer também o que ele a pedisse, que seria, decerto, o próximo passo.

- E o pior de tudo... ele é um humano e a Rukia é uma shinigami! A Soul Society jamais permitiria, Inoue.

Renji tinha as armas perfeitas e isso agora a convenceria caso ela tivesse alguma dúvida em relação a ser certo ou não o que fariam. Se ela entrasse em conflito, agir em defesa dos mesmos, defende-los da própria imprudência seria um fator que a faria se convencer. Renji estava certo disso. Tinha os meios certos caso a consciência de Inoue estivesse disposta a trai-la.

- Tem... tem razão. – ela assentiu, enxugando as lágrimas.

- Vamos impedir isso, Inoue. Temos que abrir os olhos do Kuchiki-taichou. A Rukia e o Ichigo estão loucos, imprudentes. – explicou.

- Mas... o que faríamos, Renji-san? – perguntou ela realmente sem saber como agir.

- Temos que mostrar ao Kuchiki-taichou. Ele impedirá essa loucura. – e se levantou. – Não sei quanto a você, Inoue... mas estou disposto a fazer tudo o que for possível... e até o impossível para ter a Rukia de volta! – revelou.

Inoue teve um mau pressentimento quando ouviu as palavras do fukutaichou do rokubantai, mas assentiu. Não podia negar que também estava disposta.

- E se der algo errado? – indagou temerosa.

- Não vai dar. – revelou. – A única coisa que tem de errado é esses dois estarem juntos.

Talvez Inoue não soubesse que as consequências daquele acordo com Renji pudesse trazer complicações tão sérias...

-X-X-X-

Já era tarde e Ichigo chegara exausto do colégio. Fazia tempo que não ia e a falta da rotina fazia com que tudo se tornasse mais cansativo. Pior era lembrar que no dia seguinte teria de ir treinar com a Onmitsu Kidou e Soi Fon.

Rukia vinha atrás dele. Afinal, continuavam agindo normalmente diante da sua família. Não queria que seu pai sequer desconfiasse de que estava se relacionando com a shinigami. Provavelmente Isshin sugeriria uma festa, soltasse fogos, organizasse um feriado, um pique-nique, ou outras coisas idiotas que só surgiriam unicamente da mente de seu pai.

Ele esperou Rukia entrar e, para sua surpresa, ela permanecia com aquela expressão desanimada que emoldurou seu rosto durante todo o dia. Apesar de tentar disfarçar, era evidente o quanto ela estava triste pela desfeita de Inoue.

" Não havia ninguém no terraço do colégio no intervalo e foi ideal para que os dois fossem aproveita-lo juntos. Ela tentava manter uma expressão alegre, mas parecia de imediato não conseguir conter o desânimo quando abriu a cestinha e viu os bolinhos de arroz.

Notando-a desconfortável, Ichigo, sem fazer cerimônias, pegou um deles e abocanhou.

- Hm... – e foi mastigando. – Está uma delícia. – disse com a boca cheia.

- Não precisa dizer isso para me agradar... – pontuou ela, um tanto quanto grosseira.

- Baka! Estou elogiando a comida que fez. Por que está dizendo isso? Se estou dizendo que está bom, é porque está. Está muito gostoso. – e terminou de comer, lambendo os dedos. – Vou pegar mais. – avisou.

Rukia permaneceu com o olhar distante. Não pegou nenhum bolinho de arroz, apenas observou Ichigo come-los. De certa forma aquilo havia lhe agradado, mas Rukia sentia-se incomodada. Se fosse dizer que era apenas pelo o que aconteceu pela manhã com Inoue, era mentira. Estava incomodada com tudo. Até quando teria que viver escondendo seu relacionamento com Ichigo? Aquilo era certo? E até quando aquelas questões iriam pairar em sua mente a ponto de não desfrutar seu tempo precioso ao lado do substituto que tanto amava?

- Baka! – ele a chamou, puxando-a para junto de si.

Rukia não teve tempo de reagir, mas não vendo muitas pessoas ao redor, não se importou e repousou a cabeça sobre o peito do rapaz que a abraçava.

- Não ligue para o que a Inoue fez. Ela não sabe valorizar sua amizade. Vamos levar o que sobrou para o Sado, ok? Ele também vai adorar. Você cozinha muito bem.

Aquele afago conseguiu confortar um pouco o coração de Rukia, mesmo que na visão de Ichigo ela estivesse preocupada apenas com Inoue... Ela sorriu, roçando a cabeça no peito do rapaz quando de repente os dois viram um clarão e um barulho diferente. Ichigo olhou por cima da cabeça de Rukia e viu Keigo com uma câmera fotográfica na mão.

- KEIGO! – gritou ele ao largar Rukia. - Que está fazendo?

- Tirando fotos, claro, ué. – ingenuamente ele respondia. – Mas...

E antes que Ichigo percebesse, chegara Mizuiro por trás do rapaz.

- ... Olha só de quem tirei fotos, Mizuiro. – e mostrou na câmera a foto.

O outro adolescente abriu um largo sorriso quando viu a foto.

Ichigo abraçando Rukia tão protetivamente enquanto ela sorria afagada em seu carinho.

- Que ótimo. Será ótimo para o trabalho de redação. – o jovem exclamava para o amigo. Um grande furo descobrir que o Ichigo e a Kuchiki-san estão... Mas peraí, Kuchiki-san está com o Ichigo? Como assim? E eu não sabia? – e ignorando o olhar de ódio de Ichigo, Keigo correu até o rapaz de cabelos alaranjados. – Ichigo, que amigo é esse que não conta para seu melhor amigo que está namorando e... Kuchiki-san, como foi entregar sua pureza a esse idiota?

Ele exclamava dando seus ataques histéricos enquanto Rukia parecia desconcertada.

- Parabéns, Ichigo e Kuchiki-san.

Mizuiro cumprimentou com discrição, porém um sincero sorriso.

- Não é isso... que estão pensando... – disse Rukia baixinho, quase que num tom inaudível.

- Deixa eu ver, Keigo. – e Ichigo pediu calmamente a câmera ao rapaz.

- Claro!

Keigo entregou a câmera profissional a Ichigo que ao invés de olhar a foto, abriu o compartimento da mesma e retirou o cartão de memória.

- Idiota!

E tirando forças não se sabe de onde, Ichigo tratou de partir o cartão de memória aonde estava contida a prova de seu crime com Rukia.

- Ichigoooooo ~~~ - grtou o rapaz desolado. – Por que fez issoooo?

- Vamos embora, Rukia. "

Ichigo lembrou, sentindo novamente o pânico que aquela foto havia gerado. Porém, estava tranquilizado ao saber que havia destruído qualquer prova que pudesse colocar o relacionamento entre Rukia e ele em risco. Talvez mais que relacionamento, talvez a vida deles... Decidiu dar de ombros.

- Oe, Rukia. – chamou. – Até quando vai ficar aí com essa cara, hein? – indagou o substituto após fechar a porta quando a garota entrou.

- Me desculpe.

Foi tudo o que ela disse antes de abrir o armário, adentrar o móvel e fechá-lo.

- Rukia! – Ichigo gritou, batendo a porta. – Não, fala sério. Você não vai ficar assim por causa da atitude estúpida da Inoue! – e não ouvindo resposta, ele tornou a gritar espancando a porta de madeira. – Rukia!

- Cala a boca, idiota! – ela gritou ao abrir a porta e encará-lo.

E quando ela tentou fechá-la de novo, Ichigo a impediu, segurando a superfície amadeirada e em seguida o braço de Rukia.

- Você não vai ficar aí dentro o resto da noite. – avisou.

Rukia não teve saída a não ser arrastada pelo rapaz para fora do armário. Ele tinha uma expressão séria e realmente parecia irritado quando a conduziu sem um pingo de delicadeza, segurando-a firmemente pelo braço até sua cama, onde a sentou.

- Fique bem aí. – e cruzou os braços, de pé.

Rukia ergueu o rosto para vê-lo. A luz apagada fazia com que a única iluminação existente ali fosse da lua através das cortinas que dançavam com a brisa noturna que invadia o ambiente.

- Rukia. – e tentando falar de forma mais amena, ele começou. – Por que está assim? O que a Inoue fez te chateou tanto? – perguntou, ajoelhando-se a frente dela.

- Não, Ichigo... – omitiu. – Não se preocupe.

E dando assunto por encerrado, ela sorriu se levantando quando o rapaz a puxou e a lançou de novo a cama.

- Já conversamos sobre isso de manhã, certo? – ele reforçara a idéia.

- Ichigo, me deixa sair daqui.

E ao tentar se levantar de novo, Ichigo não teve outra saída a não ser empurrá-la de volta a cama e se sobrepor ao corpo dela, segurando-a pelos pulsos.

- Você não vai sair daqui enquanto estiver com essa cara de anã retardada.

- Anã... re...tar... dada...? – Rukia silabava quando Ichigo sentiu talvez a pior dor da sua vida. Pior que qualquer corte de espada, que qualquer luta já passada. Ele sentiu o joelho de Rukia ir de encontro com a parte mais sensível do seu corpo. Não... Ela não tinha feito isso, ele não podia crer naquilo.

Ele despencou na cama, segurando a parte atingida enquanto gemia ao tentar xingá-la. Na verdade, mal conseguia abrir a boca, pois queria manter o pouco ar que havia nos seus pulmões.

- Sua...

- Baka!

Ela gritou ao voltar a se trancar no armário.

Ichigo levou um tempo para se recompor quando pensou em voltar a questioná-la sobre sua atitude. Talvez Rukia precisasse de um tempo sozinha para refletir, pensou. Não iria incomodá-la. No dia seguinte iriam a Soul Society e quem sabe conversariam no caminho. Ela ficara no armário aquela noite. Ele não interviu na decisão.

Foi cedo quando eles partiram para a Soul Society. O dia ainda estava amanhecendo e não trocaram muitas palavras. Ichigo estava realmente chateado por Rukia ignorar seu questionamento, mas não gostaria de pressioná-la pedindo para que revelasse seus sentimentos e, o mais importante, ela mesma passasse a se despreocupar com os problemas que talvez fossem grandes apenas na idéia deles.

O substituo estava decidido de que um dia teria de ir falar com Byakuya. Assumir Rukia era um fato e não iria demorar aquilo a acontecer. A única coisa que gostaria era de primeiramente se tornar capitão, assim Byakuya teria de aceita-lo de qualquer forma. Estavam com uma relação tão boa. O medo de Rukia parecia tão infundado, mas não podia ignorar as preocupações de Rukia, era o jeito dela.

Assim que chegaram ao juusanbantai, aonde Ichigo a deixou antes de ir ao nibantai, antes de chegarem próximos a entrada da área do esquadrão, Ichigo a parou e segurou as mãos da menina.

- Rukia. – chamou. – Fique tranquila, ok?

Parecia mais que Ichigo pedia para se tranquilizar, pois ver Rukia tensa daquele jeito o incomodava muito. A garota desviou o olhar, mas soltando sua mão, Ichigo pousou dois dedos ao queixo da menina, tornando a encará-lo.

- Não desvie seus olhos de mim também. – pediu. – Não se preocupe. Não estou nem aí se a Inoue, o Renji, qualquer um for contra a gente. Te amo, baixinha.

E como se Ichigo tivesse o mágico poder de eliminar todos os problemas da sua mente, ele a abraçou, envolvendo-a com aqueles fortes braços e a aninhando no calor do seu corpo. Ao se separarem, ele selou um beijinho suave em seus lábios que a fez rir.

- Vai trabalhar, vai. – mandou. – Mais tarde nos vemos.

- Bom treino. – disse ela.

Os dois se despediram e ela ainda ficou a observar a partida de Ichigo, que voltara pelo caminho por onde vieram. Assim que ele saiu de seu campo de visão, ela retomou seu caminho para entrar no esquadrão. Ainda estava chegando, dando a volta na área quando ao cruzar a última esquina antes da entrada, ela sentiu o corpo ser arremessado com força contra o muro.

Ela gemeu temerosa e mal podia recuperar o ar do impacto de suas costas com a parede quando reabriu os olhos após o impacto e viu o ruivo de olhos cor-de-mel. Ficou tão surpresa de forma que não conseguia falar. Gaguejou seu nome.

- Re... Renji?

Renji apertou com mais firmeza o shihakushou da garota. Sentia tanta raiva de tê-la visto com Ichigo. Aquilo já parecia tão comum, vê-la com seu rival, aquele que um dia chamara de amigo.

- Até quando você vai ficar com isso, hein, Rukia? – sussurrou ele chegando próximo em seu ouvido enquanto a segurava.

- Do... do que você tá... tá falando, Renji? – engasgava ela. – Você tá... me machucando...

- Rukia. Não vou te machucar. – prosseguiu ele. – Mas se você não acabar com essa palhaçada HOJE ainda com o Ichigo, eu vou contar para o taichou... e eu mesmo vou matar esse miserável!

- Quê? – Rukia exclamou, arregalando os já enormes olhos azuis.

- É o que ouviu, Rukia. Eu já sei de tudo. Você termina com ele HOJE ou eu mato o Ichigo e conto tudo para o capitão!

Continua...