No capítulo anterior...

Kagome fechou os olhos, se preparando para o ataque do youkai. Nunca pensou que fosse morrer assim. Sempre imaginou que morreria de causas naturais, ao lado do homem com quem se casaria. Mas, as coisas desandaram de tal forma, que ela agora estav esperando um filho que não era humano... Seu filhote! Ela iria protegê-lo!

Então correu o máximo que suas pernas já gastas podiam aguentar, desviando quando ele saltava e parava a sua frente. Quando ele quase cortou sua cabeça fora, sua preocupação aumentou e ela teve mais medo por si mesma e pelo bebê. "Não! Inuyasha! Sou eu, Kagome! Liberte-se disso!"

Lágrimas começaram a se acumular nos olhos de Kagome. Seu InuYasha era um monstro incontrolável. E não havia nada que ela pudesse fazer.

Ele riu e saltou sobre ela. Kagome gritou e o instinto surgiu e ela se pôs a correr, desviando quando ele pousaria diante dela. Podia escutá-lo rindo e rosnando uma voz baixa,

"Você não pode fugir!"

Não sabia para onde ir. Ele realmente queria matá-la! Miroku e Sango não estavam mais lá e não podia mais ajudá-la e Kenichy estava preso. Kagome ficou horrorizada quando tropeçou em uma pedra e caiu.

"Droga!"

Levantou-se quando ele finalmente a derrubou, a pegou pelo cabelo e a girou de costas, prendendo-a no chão. Ela nunca teve tanto medo na vida. Iria morrer nas mãos do seu InuYasha.

"Inuyasha! Por favor, não! Sou Kago-"

Ele riu e a estapeou. Kagome se recusava a chorar, porém sentiu seu pescoço estalar. Olhou para dentro dos olhos dele. Não havia nada além de morte e maldade.

"Por que está fazendo isso...? Inuyasha... Você me ama..." Sim, disso ela sabia.

Ele zombou dela enquanto lambia o sangue que escorria da bochecha dela.

"Nunca matei uma mulher antes. Especialmente uma com um bebê."

Kagome rosnou para ele. "É o seu bebê!"

"E...?"

Ele riu de novo. Pensava que apenas o demônio poderia rir como ele, mas o demônio era tão atterrorizante quanto um mosquito perto de InuYasha, naquele momento. Ela rilhou os dentes e gritou no rosto dele, lágrimas caindo. "Pare! Você está me assustando! Mas..." Ela sorriu triste. "Mesmo se me matar... Eu ainda não o odiarei..."

A face maligna perdeu a malícia. Havia apenas uma coisa a fazer, ela pensou. Ergueu a cabeça, arriscando ser mordida, e o beijou e se aconcheguou em seu ombro.

"Não importa o que aconteça... Eu... Amarei... Vo..."

Kagome não conseguiu terminar a frase quando um soco em sua mandíbula a enviou pra longe, caindo poderosamente no chão.

'Úhhh... Essa doeu', InuYasha pensou.

Não. Ele não estava se referindo àquela garota. Estava se referindo ao seu lado esquerdo do peito... Por que doía? Bah! InuYasha ignorou. Ia passar.

XoXoXoX

Voltando ao quarto/cubículo, no castelo...

Kenichy não mais estava lá.

XoXoXoX

A dor queimava intensamente dentro de seu peito, mas aquilo ia passar. Sentia arrependimento, mas aquilo ia passar. Sentia-se vazio por dentro, mas aquilo ia passar. Não importava o que acontecesse aquilo ia passar.

InuYasha se aproximou da menina e olhou-a de baixo a cima. Que corpo. Era tão perfeito que InuYasha teve pensamentos tão maldosos quanto seu sorriso. Aproximou a mão até as coxas desnudas da garota, mas antes que o fizesse, seu olhar foi até o pescoço dela. Mais epecificamente, numa correntinha, e, por pura curiosidade, arrancou-a dela e abriu o pingente.

InuYasha arregalou os olhos ao ver o que tinha dentro: uma pintura (foto) sua junto com uma da menina desacordada. Sua cabeça girou nas lembranças que foram perdidas e sua cabeça doeu. Ele segurou a cabeça com as mãos, enquanto via as lembranças voltarem. A flecha em seu peito não havia sumido sozinha, essa garota a tinha tirado; E aquela vem em que estava em que estava humano, ele não esteve deitado em um travesseiro, estava no colo da garota cheirosa a sândalo... No colo de... De... Kagome. Sim, esse era o nome da garota.

Da garota que ele amava.

Com as lembranças, sua humanidade foi recuperada, tornando-se o Hanyou com estrias por ser um homem. InuYasha não se lembrava do que tinha acontecido até agora. Ele apenas se lembrava de ver Kagome apanhando do-Kagome!

InuYasha procurou-a com os olhos até que a viu a uns 10 metros, caída no chão.

O ódio começou a crescer.

XoXoXoX

Por que ele implesmente não tinha tentado isso antes?

Quase uma hora inteira procurando por uma passagem ou algo do tipo. Por que raios ele não pôs a parede abaixo logo de uma vez? Arre!

Kenichy viu InuYasha de longe. Parecia que ia explodir a qualquer segundo. Mas onde estava Kagome?

Derrapando com a parada brusca, Kenichy parou ao lado de InuYahsa e, quando ia perguntar sobre Kagome, seus olhos caíram sobre à própria. "Que diabos...?!"

Ela estava horrível.

O olho esquerdo estava roxo; inúmeras hematomas pelo corpo e– O estômago de Kenichy virou ao ver aquilo. Tinha um tronco, da grossura de um braço, atravessando a perna de Kagome. A outra perna parecia quebrada. Toda arranhada e suja. O que fizeram com ela...?

InuYasha e Kenichy tentavam, mas não conseguiam conter a raiva, o ódio que sentiam. Como e por quê? Qual o motivo que Zira tinha para fazer aquilo com Kagome?

'Seja o que for, nem a razão mais convincente a livrará da morte... Eu prometo, Kagome', InuYasha pensava melancólico.

Chegou um ponto em que a fúria e a loucura estouraram e os dois monstros gritaram o nome daquela que eles queriam, mas que não conseguiam enxergar.

"ZIRAAAAAAAAAAAAA!" Ao mesmo tempo em que gritavam, os olhos de InuYasha avermelharam, enquanto os de Kenichy enegreciam; Seus cabelos cresceram rebeldes, igualmente às suas garras que mais pareciam facas afiadas. Pareciam bestas sedentas de sangue fresco, não importando de quem fosse.

Zira apareceu sorrindo no céu, em sua forma gigantesca. Ela chegou a se arrepiar quando sentiu o ódio que aqueles youkais emanavam em ventos negros. Era tão emocionante. Adorava quando lutava com adversários de boa categoria. "Me chamaram?" Ela perguntou cínica.

"Sua maldita vaca! - Quer parar com a palhaçada e diz logo o que você fez com a Kagome!!" InuYasha berrou.

"Ora... Eu simplesmente fiz o que ela pediu: ressucitei você. Mas, alguém a atacou na floresta e não me pergunte quem, eu não sei." Ela se fez de desentendida.

Kenichy xiou. "Sua grande vadia! Você vai m-"

"Vá logo, Cão. Kagome está sozinha na floresta, morrendo. Ela precisa de você, mas chama por Kenichy... Tchau!" E desapareceu.

Nem um segundo depois de Zira desaparescer, InuYasha e Kenichy correram para Kagome. Kenichy chegou primeiro, mas não teve coragem de segura-la, com medo de fazê-la sentir dor, se é que podia sentir mais alguma coisa. Ao contrário de InuYasha...

Foi mais do que podia suportar.

"NÃO!" Gritou e caiu em um movimento violento de joelhos. Devia ser a loucura enevoando sua mente, ou alguma outra incrível e potente força... mas pelo menos uma vez... pela primeira vez em anos... décadas... sua dor e medo o consumiram em um único golpe. Ele desmoronou, cobrindo a face com as mãos enquanto soluços secos o chacoalhavam. "Não... Kagome... Deus não..."

InuYasha e a agarrou, acariciando os seus cabelos, com o pescoço afundado no de Kagome, tentado aspirar o máximo do cheiro dela, pois queria sentí-lo todos os dias. Ninguém sabe como sofreu durante aqueles dois torturantes anos sem ela.

0o0o0o0o Flash Back o0o0o0o0

( Narração de InuYasha)

Fazia quatro dias desde que a traidora foi embora. Puxa, jurava que era mais. O tamanho da falta que aquela traidora faz. Era desconhecido por mim, até agora. Não sabia que era tão grande a ponto de, em 4 dias, eu já estar tendo um colapso! Agora, que sei que nunca mais a verei, a saudade chega a doer.

Principalmente à noite.

Era madrugada do 7º dia quando mal caí no sono e aquela maldita traidora já me assombrava os malditos sonhos. Melhor dizendo, os piores pesadelos...

Pesadelo

"Quero ir pra casa, InuYasha."

InuYasha resmungou. Sempre que ela ia para a Era Atual, ela enrolava e ficava mais tempo do que o combinado. Ele odiava isso. Primeiro: porque tinham que procurar os fragmentos da shikon. Segundo: ele sentia a falta dela, às vezes.

"E quando pretende voltar?" Ele perguntou contra vontade.

Kagome já estava andando para o poço quando olhou por sobre o ombro e disse, sorrindo "Nunca."

Ele se confundiu, mas sentiu medo. "C-como assim 'nunca'?" Por que de repente sentiu sua garganta entalar? "Por que nunca mais irá voltar?" Ele perguntou, com desespero evidente na voz. E ele não sabia realmente se queria resposta para aquela pergunta.

Ela sorriu ainda mais. "Porque eu te odeio", piscou.

Por que seus olhos ardiam? Por que seu coração doía? O que era aquele bolo em sua garganta? O que era aquela falta de ar repentina?

Droga, o que estava acontecendo com ele?

Aquilo foi a última gota. Correu até ela e a abraçou forte, para que não fosse embora e o deixasse sozinho. "Não! - Para com isso! - Você não me odeia!"

Ela riu e InuYasha percebeu que aquela era a primeira vez que o riso de Kagome machucava seus ouvidos e ele quis morrer por isso. "Eu não o amo"

Sua visão ficou turva pelas lágrimas. Não se incomodava muito de chorar na frente dela, mas e aquele bolo em sua garganta? O que era aquilo? "Não fale isso pra mim. Nunca diga que não me ama!"

Mas era tarde demais... Ela havia se ido.

Lágrimas escorreram por seu rosto e ele soluçou. "Volta..."

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Quanto tempo ele ficou ali agachado? Minutos... horas? Finalmente conseguiu baiar as mãos do rosto para apoiá-las contra o chão, apesar dos trêmulos soluços que ameaçavam dominá-lo de novo, estremecendo seus ombros normalmente fortes. Era uma estranha sensação... chorar... sem lágrimas. Não chorava desde que era uma criança e derrubara uma faca em seu pé... através do pé. Chorara com lágrimas naquela vez... mas algo mudara enquanto crescia. Não conseguia mais chorar direito.

Porém a dor ainda conseguia trazê-lo à beira.

Inclinou-se para frente, e suas mãos escorregaram no sangue que cobria o chão. Olhou para baixo. Ele quase não suportava olhar para ela, mas também não suportava desviar o olhar.

"Kagome..."

Ele ainda se balançava, segurando o corpo dela, com os olhos fechados e apertados... Não queria chorar... Se chorasse, significaria que era verdade que sua garota estava partindo e ele não queria isso... Queria que ela ficasse... Por Deus! Como queria... Ele fungou no pescoço dela, sentndo o doce aroma que ela exalava. Como ia sentir falta daquele cheiro... Por que tinha que acabar desse jeito? Seus olhos abriram-se numa determinação implacável que parecia ser impossível de apagar. InuYasha não queria saber se estava sendo egoísta por não deixá-la ir para um lugar melhor, ele não deixaria que ela fosse embora e o deixasse sozinho naquele mundo que ia virar um inferno sem ela. Ele não ia permitir isso, de jeito algum.

"Kagome!" ele a segurou pelos ombros e a chacoalhou. "Olhe para mim – Kagome, olhe para mim!"

As pálpebras dela tremeluziram, mas ela encontrou seu olhar com uma fraca tentativa de sorriso. "Você está de volta."

"Você também..." A última vez em que vira aquele sorriso fora na floresta, antes de virem para cá. Nenhum dos dois vira o outro apropriadamente desde então.

O coração de Inuyasha quase partiu-se com as condições em que ela estava. Ela estava pálida e abatida, pesadamente ferida, e rígida de dor. Ele esticou uma mão para fechar-se sobre as dela, porém diante do sibilar dela, recuou. "Qual o problema?" ele olhou para as mãos de Kagome.

"Não é nada." Ela murmurou com um minúsculo abanar de cabeça.

Porém Inuyasha já tinha visto. Medo retorceu-se em seu coração tão violentamente que ele quase podia sentir o ataque de pânico se aproximar. Ela estava sem dois dedos "Kagome – você vai ficar bem agora. Eu vou levar você de volta pra casa, e então você vai descansar por algumas semanas e se recuperar..."

Ela estava abanando a cabeça.

"Por favor... volte comigo...?" Era penoso como sua voz falhava.

Se sua voz estava falha, a dela era pior. Lágrimas surgiram nos brilhantes olhos dela. "Não posso."

"Você pode, só agüente fir-"

"Estou morrendo," ela sussurrou, um aperto de emoção delineando sua voz. "Não consigo me mexer... mal consigo respirar... não peça mais nada de mim."

Fios de seu cabelo ergueram-se na leve brisa, passando sobre seu rosto e obscurecendo seus olhos. Inuyasha rapidamente puxou as mechas para o lado e as segurou com uma mão de cada lado do rosto dela. Ele estava tão confuso... sua mente havia sido derrubada e perdida tantas vezes ao longo dos últimos dias que ele mal sabia onde estava ou o que acontecera.

Tudo que sabia era que Kagome estava morrendo e ele falhara em protegê-la.

"Por favor me perdoe." Por favor não me deixe...!

Ela lhe deu um sorriso cheio de lágrimas. "Como... posso não...? Amo você..."

"Kagome...?" Por favor não vá...

Ela abriu os olhos e piscou lentamente algumas vezes antes de fecha-los novamente. "Está escuro..."

Era o meio do dia. Não estava nada escuro. "Temos que voltar ao vilarejo e tratar suas feridas."

"Não..." ela franziu levemente a testa. "Quero ficar aqui... apenas me abrace até..."

"Até...?"

"...eles virem..."

Inuyasha a observou, mudamente estudando sua tranqüilidade e calma, considerando a situação. Invejava aquela paz quando seu coração não era passava de turbilhão e desespero. Ele queria gritar com ela – dizer para parar de brincar, para se segurar nele... mas lá no fundo sabia que ela estava certa e ele não poderia fazer nada além de gentilmente puxa-la para o colo.

Ele escutou ao coração dela desacelerar, contando as fracas batidas e rezando pela próxima.

"Não... esqueça..."

Inuyasha olhou para a garota em seus braços. "Não esquecer o que...?" sussurrou.

A voz dela estava fraca demais para fazer som, mas ele viu os lábios mexerem-se. De mim...

"Nunca." Ele viu os olhos dela fecharem-se novamente e sentiu uma dor profunda instalar-se em seu peito. Tinha que haver um meio de salva-la... alguém deveria chegar logo e com isso, ajuda chegaria para ela. Ela sobreviveria e ele poderia levá-la para o vilarejo e idolatrá-la pelo resto de suas vidas.

O coração de Kagome parou de bater.

Inuyasha estava sozinho de novo.

InuYasha sentiu o corpo da menina pesar e viu a cabeça dela pender para trás, fechando seus olhos para nunca mais abrí-los de novo. Ele tentou engolir o bolo que se formou em sua garganta, mas antes que pudesse impedir, um soluço seco lhe escapou da boca. Um soluço sem lágrimas.

"Não! - Não! - Kagome! Kagome, acorda!" Ele começou a sacudí-la mas nada aconteceu. "Por favor... Por favor, não me deixa aqui...!" Ele a abraçou, afagando e soltando altos soluços secos, ainda sem lágrimas. "Deus, por que ela...?... Outra... Não Kagome..." Ele fungou, enquanto apertava os olhos para não olhá-la, mas não conseguiu. Abriu-os de novo, fitando a face manchada e pálida, que o fitava de volta, sem vida. Fechou os olhos e passou a mão sobre o rosto dela, fechando seus olhos mortos à força. "Não pode.. Não pode me deixar aqui, Kagome, o que vou fazer sem você, pra onde eu vou? - Eu-... Eu estou perdido sem você... Volta..." Ele a balançou mais um pouquinho, na esperança de que ela talvez acordasse. "Você não vai voltar...?" Quando ela o ignorou, não o respondendo, agora sim...

Ele chorou.

"Volta..."

Riachos desciam de seus olhos que, sem dó nem piedade, o faziam soluçar.

"Volta..."

Não importava se estavam vendo, não importava se estivesse sendo fraco por chorar e soluçar alto, tanto que suas orelhas doíam...

"Volta, por favor..."

O que importava era que ela... Não estava mais ali.

"Volta...!"

Não mais Kagome significa não mais InuYasha...

"Volta..."

Simples assim...

"KAGOMEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEE!"