Disclaimer:

O anime Naruto e seus personagens não me pertencem, mas estou pegando-os emprestado para escrever essa história. (só não sei se vou devolver... Principalmente o Gaara!)

N/A: Comentários/Agradecimentos/avisos/desculpas/recados inúteis da autora estarão no fim do capítulo, se tiver paciência, leia lá!

Boa leitura!


Capítulo Nove

"Muriçocas, predição de morte e videntes"

Ino só percebeu que cometera um erro quando ele subitamente abriu os olhos, azuis claríssimos, e num movimento numa velocidade inacreditável para sua condição, empurrou a jovem para o chão e cravou os dentes longos e afiados em seu pescoço desprotegido...

Tudo aconteceu tão rapidamente, que Ino levou alguns segundos para entender o que ocorria. Sentiu os lábios frios em seu pescoço e dentes afiados a lhe trespassar a carne, provocando uma dor suave e estranhamente prazerosa.

Debateu-se, mais aterrorizada por perceber que sentia certo prazer ao ter o sangue sugado, do que pelo fato de que tinha um vampiro com os caninos cravados em seu pescoço, embora isso fosse apavorante também. Deus, como poderia ser prazeroso bom ter seu sangue extraído gota a gota? Isso era insano!

Empurrou-o bruscamente, usando toda a força que tinha, mas ele não se moveu nem um centímetro do lugar. Lembrou-se vagamente que ouvira falar que vampiros tinham uma força sobrenatural. O que mais sabia sobre vampiros que poderia ajudá-la agora?

Tentou se concentrar, mas mal conseguia raciocinar. Seus pensamentos tornaram-se vagos e confusos em sua cabeça. Inebriada, viu-se tentando manter o fio de lucidez, mas uma estranha euforia tomava conta de seu corpo e deixava sua mente deliciosamente vazia. Virou os olhos para o céu, absorta. As estrelas brilhavam intensamente, iluminando a noite escura. Elas pareciam tão perto, mas estavam muito, muito longe...

Ele sentiu quando ela finalmente parou de debater-se e se entregou conformada ao seu destino. Obrigou-se a soltá-la, apesar do sangue dela ser delicioso. Já tomara mais do que necessitava. Ergueu-se um pouco e encarou-a. Os olhos dela, quase desfocados, retribuíram o olhar.

Ino sentiu aqueles olhos sondarem sua mente, destruindo todas as suas barreiras e desnudando sua alma. Sentiu-se devastada, como se ele quisesse destruí-la para enfim conhecê-la. Seu coração falhou uma batida, sua mente recusou-se a funcionar e seus olhos não conseguiam se desviar dos dele.

Foi apenas um instante, um momento que durou uma fração de segundo, mas suficiente para despedaçar sua alma inteira, deixando-a em pedaços. Ele por fim desviou o olhar, levantou-se e deixou-a largada no chão.

Ino não tinha força para mover um só músculo de seu corpo. Deitada no chão frio, sentiu a escuridão tomar conta de seus sentidos, e vagarosamente sua consciência foi se esvaindo.

Fechou os olhos.


- Está acordada?

Sakura abriu os olhos, sentindo uma dor de cabeça descomunal. Em seus lábios havia um gosto amargo que a fez franzir a testa. Piscou algumas vezes, tentando clarear a vista. Lentamente, o rosto de uma jovem de cabelos cor de chocolate presos em coque entrou em foque. Estaria sonhando?

- Oh, ela está acordada, Sasuke-san!

Sasuke? Levantou a cabeça bruscamente, procurando o moreno. Uma súbita tontura lhe fez voltar a posição inicial.

- Fique quieta, Sakura. – Oh, claro que ele não poderia ser meigo e preocupado, não é? Tinha que sair distribuindo ordens frias! Mas, pensando bem, gostaria dele se ele fosse diferente? Se ele fosse um daqueles apaixonados de olhos brilhantes e expressões um tanto aparvalhadas e estúpidas, que traz rosas, bombons e poesias para a amada? Tentou imaginar Sasuke com um buquê de rosas na mão, a expressão um tanto tola enquanto declamava uma poesia bem melosa. Não conseguiu. O que conseguiu pensar, na realidade, foi numa imagem tão cômica que a fez cair na risada.

- Ué? – Estranhou a jovem de cabelos cor de chocolate, com uma expressão confusa no rosto. – Normalmente o chá de ervas não dá essa reação colateral... Será que tem algo err...?

- Não. – Interrompeu Sasuke, revirando os olhos enquanto se afastava um pouco de Sakura. Se ela estava rindo daquele jeito, provavelmente já estava bem. Se tratando de Sakura, estranho seria se tivesse uma reação normal.

- Quer um pouco de água, Sakura-chan? – Sakura aceitou o copo, sorriu agradecida, bebeu um grande gole e só então se deu conta de uma coisa.

- Eu conheço você? – Tenten franziu a testa. Só agora ela tinha percebido?

- Oh, não. Meu nome é Mitsashi Tenten, eu ajudei o Sasuke-san a curá-la.

- Oh, verdade? Obrigada, então! – Sorriu. – Sabe, adorei esse seu modelito! Super vibe natureza, muito estilo!

- Obrigada... eu acho. – A outra estava desconcertada.

- Mas me diga, o que foi que eu tive?

- Ah, você comeu uns frutos chamados marungis, que são muito venenosos, eles...

Sasuke deixou de prestar atenção na conversa das duas jovens, absorto com pensamentos sombrios. Um nome em especial, entretanto, o fez voltar a atentar para o que as duas jovens – principalmente Sakura, que falava pelos cotovelos – diziam.

- Então, quem é Shoaran? – A ninfa perguntou, curiosa.

Sakura engasgou-se com o suco que agora tomava e corou até a raiz dos cabelos.

- Como você sabe...? – Sussurrou, olhando de relance para Sasuke. Ele não parecia prestar atenção na conversa das duas, o que era bom, pois ela não queria que ele ouvisse o que diziam. A relação deles já era difícil com ela sendo totalmente solteira, se ele achasse que ela ainda estava apaixonada por outro cara, ficaria ainda pior! Embora isso fosse interessante se ele ficasse com ciúmes ou algo assim; mas ela era Haruno Sakura, ou seja, não tinha tanta sorte.

- Você murmurava o nome dele sem parar. É seu namorado?

- Não! – Disse energicamente, sem ousar olhar para Sasuke. – Ele foi um colega de escola, e eu tive um sonho estranho com ele... – E tinha uma paixonite aguda também, completou em pensamento, corando levemente ao recordar-se. Fora uma época engraçada e ridícula. Devia ter uns oito anos, e Shoaran Li parecia-lhe o menino mais perfeito do mundo. Lembrou-se de uma vez em que caíra indo para a escola e ele pegara em sua mão para ajudá-la a levantar-se. Ficara três dias sem lavar a mão, até que a mãe descobrira e a obrigara a lavar.

- Ah, sei... – Tenten olhou para Sasuke, que fingia não escutar a conversa, mas levantara levemente a cabeça interessado ao ouvir o nome de Shoaran, ainda que a Haruno não tivesse dado conta disso. Além disso, ele parecera cada vez mais irritado cada vez que ela, delirando, murmurara o nome do outro. Hummmmmm. Ali tinha coisa, ah, se tinha.

Ansiosa para mudar o rumo da conversa, Sakura comentou a primeira coisa que lhe veio à mente:

- Então, você é presa a uma árvore, Tenten?

- Como??

- Presa a uma árvore, tipo, você não pode se afastar mais do que alguns metros da árvore, ou você morre e se destruírem ela você morre também, ou algo parecido. – Sakura colocou a mão no queixo, refletindo. – Lembro que tentei fazer um personagem assim uma vez, mas o mestre não deixou por que disse que eu não poderia levar a árvore comigo, aí eu disse que a árvore era tipo um bonsai que ia dentro da bolsa, mas ele não aceitou e eu acabei sendo uma sprite, feito a Hinata, e como tinha poucos pontos de vida eu morri no meio da campanha, e...

Tenten observava a outra de boca aberta, sem entender nada do que ela dizia.

- Ignore. – Murmurou Sasuke, vendo a consternação da ninfa. Não era incomum Sakura no meio de uma conversa falar coisas absolutamente incompreensíveis. Talvez fosse pelo fato de vir de outro mundo e todos de onde ela viera fossem assim como ela, embora ele duvidasse disso. Sakura era única. Linda, desastrada, medrosa, exasperante, faladeira e sem noção. Um mundo não suportaria muitas como ela.

Quando Sakura finalmente terminou de falar sobre a tal campanha, ficou olhando para Tenten, esperando uma resposta para sua pergunta. Tenten arriscou uma resposta, atendo-se à parte compreensível da conversa.

- Bem, acho que você quer saber se eu sou uma dríade, não é isso?

- Dríade?

- É, seres cujas almas residem em árvores, às quais são ligadas e não podem se afastar delas.

- É isso mesmo! Então... você não é uma dríade?

- Não. Sou uma ninfa. Minha espécie, assim como as dríades, foi criada pela grande deusa Etnna para zelar pelas suas obras, como florestas, campos e pastos. Entretanto, não somos ligadas a uma única árvore, mas à natureza como um todo.

- Ah, entendi. Que bonito. De onde eu vim, sua espécie está em falta. – Comentou, em tom melancólico. – Não há ninguém para zelar pela natureza. Todos só a depredam, mais e mais. Derrubam árvores, poluem rios e matam animais inocentes para virar casaco, sapato ou sabão. Tudo porque vivemos numa sociedade onde o capitalismo vigora e só se importam com o lucro, e...

- Que absurdo! – Tenten estava furiosa. Ninfas têm uma índole boa e passiva, mas tornam-se muito agressivas quando a natureza está em perigo. – Diga-me onde é este lugar para que eu possa ir para lá! Não sei por que a deusa ainda não puniu esse tal capitalismo, mas eu o farei!

- Bem... – Sakura se interrompeu, sem saber ao certo como começar a explicar, e tentando controlar a vontade de rir. Punir o capitalismo? Difícil... – É que eu não sou deste... – Sasuke puxou-a bruscamente pelo braço, impedindo-a de terminar de falar. – Droga, Sasuke, eu derramei todo o meu suco! – Lamentou-se, tentando limpar a roupa molhada. – O que deu em... – Interrompeu-se quando lembrou de uma conversa que tivera com Sasuke, poucos dias antes.

- Você não deve dizer a ninguém que é de outro mundo.

- Por que não?

- Por que não é seguro.

- E se a pessoa parecer confiável?

- Não até termos certeza das intenções dela.

- Mas e se eu intuir que a pessoa é boa? Tipo usando o meu sexto sentido?

- Não.

- E usando o meu instinto? Se o meu instinto disser que a pessoa é boa, ela deve ser, você não acha? – Ele lançou-lhe um olhar de "não discuta", enquanto pensava que se a jovem tivesse algum instinto, o que seriamente duvidava, devia ser o suicida, que não iria ajudá-la muito. – Poxa, você é tão chaaato!

- Então? – Tenten indagou, um tanto impaciente. – Onde é o tal lugar? Diga-me, por favor, Haruno-san!

- Ah! – Sakura olhou para a ninfa com um enorme sorriso falso no rosto. – É um lugar muito, muito longe!

- Não importa.

- Mas é muito longe mesmo! – Insistiu.

- Se a natureza está precisando de ajuda, não importa a distância. – Afirmou, resoluta. – Onde é?

- Bem... – Pensa, Sakura, pensa! Olhou para Sasuke. Ele mexia desinteressado no fogo. Desgraçado! Bem que podia ajudá-la agora, né? Afinal, a culpa de estar nesse aperto era dele! Fez mais uma tentativa para enrolar a outra. – Esse colar que você está usando é tão lindo! É simples, porém tão bonito...

- Sim, a deusa me deu ele quando... – Tenten começou a dizer com orgulho, mas se interrompeu ao perceber que a rosada cambaleava, o olhar fixo em seu pingente. – Ei, você está bem? – Correu até ela, que só se mantinha em pé porque Sasuke rapidamente se levantara e agora a sustentava por trás.

- Mais uma... – Sakura murmurou, fracamente, sorrindo, antes de desfalecer.


- Hei, Hinata-chan, você acha que falta muito para chegarmos no fim do labirinto?

- Cre-creio que não, Naruto-kun. – Hinata respondeu, voando pouco à frente dele. Estavam caminhando havia horas, tendo parado apenas para comer e dormir um pouco. Haviam conversado sobre muitas coisas. Quer dizer, Naruto tinha falado a maior parte do tempo, e a fada tinha gaguejado algumas respostas. Ainda assim, ela estava muito satisfeita, pois se sentia um pouco mais próxima a ele. De repente, um som estranho chamou-lhe a atenção. – Cuidado, Naruto-kun!

O jovem guerreiro, alertado pelo grito da fada, deu um pulo para trás. Uma grande tora de madeira caiu no lugar onde ele estivera poucos segundos antes. Naruto olhou da tora para Hinata e então sorriu.

- Obrigado, Hinata-chan! Nós formamos uma ótima dupla, dattebayo!

A fada ruborizou intensamente, contente. Mas percebeu que o perigo ainda não havia passado. Dentre as folhagens surgiu o responsável por atirar a tora em Naruto. Tinha no mínimo o dobro da altura do guardião do relâmpago. Muito magro, seus ombros eram curvados e seus braços e pernas, longos e desajeitados. Seu couro era uma mistura de cinza com verde musgo, e seu cabelo desgrenhado parecia se contorcer com vida própria. Um troll.

Apesar da aparência, era muito ágil. Avançou rapidamente para cima de Naruto para tentar dilacerá-lo com as garras. O guardião desviou e sacou a espada, desferindo um golpe que cortou o braço do troll fora.

- Isso! – Comemorou, mas sua alegria não durou muito. O troll pegou o braço partido e recolocou-o de volta no lugar. – Quê?

- Ele se regenera, Naruto-kun! – Hinata gritou, tão excitada com a batalha que nem percebeu que não estava gaguejando. – Temos de usar fogo ou ácido para matá-lo!

- Droga, quando precisamos daquele teme ele não está aqui! – Naruto berrou, desviando-se de mais um ataque do troll. – E agora?

- Eu... – Pensou furiosamente. – Já sei! Continue a distraí-lo! – Pediu, enquanto se concentrava para lançar uma magia. Respirou fundo e começou a recitar rapidamente o encantamento, apressada. Ao terminar de falar surgiu um ciclone de três metros de largura na base, nove metros no topo e nove metros de altura.

- Uau, sugoy, Hinata-chan! – Naruto gritou, admirado.

- Saia de perto dele, Naruto-kun! – Naruto prontamente obedeceu e saiu do caminho. Hinata lançou o ciclone na direção do troll, que foi sugado para dentro dele e ficou suspenso pelos ventos, girando furiosamente. Hinata fez um gesto e mandou o ciclone para longe, juntamente com o troll. Arfando, a fada virou-se para Naruto e sorriu timidamente. – A magia du-durará mais uns trin-trinta segundos, o suficiente para ma-mandar o troll para longe. Es-espero que não encontre ne-nenhum dos outros.

- Hinata-chan, você é incrível!


Sakura abriu os olhos. Estava em uma clareira dentro de um bosque. Era um lugar bonito, com muitas flores e sons de pássaros. Raios de luz transpassavam a copa das árvores aqui e ali, fazendo um efeito bonito sobre a grama. Sentou-se numa pedra e suspirou contente, estendendo o dedo para que uma borboleta multicolorida pousasse nele.

- Bonito, não?

Mais um fantasma. Já não tinha mais medo deles, talvez por não serem novidade. Virou-se bruscamente e lembrou-se do filme de Percy Jackson e o ladrão de raios. Lembrava-se que achara Pierce Brosnan muito bonito para ser metade cavalo, e tinha a mesma sensação agora. Da cintura para cima, o fantasma aparentava ser um belo humano, mas a parte inferior era de um cavalo branco. Seus cabelos eram longos e negros, e seus olhos, de um negro profundo, eram gentis. Era extremamente bonito, se você ignorasse o fato de ter quatro patas.

- Sou Ulfgar, último guardião da terra, Sakura-san.

- Ah, oi! – Murmurou meio abestalhada. Apesar de ser um centauro, ele continuava sendo tremendamente bonito. E geralmente perto de homens bonitos Sakura travava. – Muito prazer.

- Não temos muito tempo, então me diga as suas perguntas, jovem.

- Eu gostaria de saber... Hã... – Tentou pensar em algo inteligente para dizer diante daquele cara tão bonito.

- Não precisa ser inteligente, por mais estúpida que seja sua dúvida, será importante retirá-la. – Maldita habilidade de ler a mente alheia! Como diabo esquecera-se dela?!?

- Bem... Ah! – Lembrou-se de algo que queria indagar. – Me foi dito que cada guardião é de uma raça diferente e representa todas as demais criações de um deus específico, certo?

- Sim.

- Então, como Sasuke e Naruto podem ser meio-demônio e meio-dragão, respectivamente? Não deveriam ter sido escolhidos um demônio completo e um dragão completo?

- Sim, deveria. Acontece que a deusa dos humanos, Ehglenna, cobrou alguns favores.

- Como assim?

- Assim como seus filhos, Ehglenna é ambiciosa. Para ela é muito interessante ter além de sua representante, que é você, mais dois, mesmo que sejam só parcialmente humanos. Aumenta seu poder, entende?

- E isso pode? Quero dizer, não é trapaça?

- Não sei de nenhuma lei que impeça. A verdade é que não sabemos tanto assim sobre as leis, intenções dos deuses e desse desafio, Sakura. Apenas que temos de vencê-lo. – Começava a ficar transparente. – Eu alcancei a vitória, será que você fará o mesmo?


- Seja bem-vinda ao nosso grupo, Tenten. – Sakura anunciou, após contar toda a história para a ninfa. Era cansativo ter de contar toda a história do desafio e da sua chegada neste mundo para cada guardião novo. Os deuses deveriam ter confeccionado algo como um manual para iniciantes, para que ela não tivesse que repetir tudo outra vez. Tsc Tsc Tsc. Esses deuses de Konoha podiam ter criado várias e maravilhosas raças e coisas, mas não eram nada eficientes e pró-ativos. Se vivessem na sociedade capitalista dela, não durariam nem uma semana num emprego. A idéia dos deuses na fila de desempregados animou-a um pouco.

- Você disse que a sua deusa te deu este cordão? – Sasuke indagou, lembrando-se do que a jovem dissera antes.

- Sim. Ela apareceu-me em um sonho e me contou onde eu deveria encontrá-lo. – Tenten estava contente e emocionada. Olhou para o talismã, que agora era uma delicada corrente de ramos de planta entrelaçados, com miúdas flores intercaladas, até chegar ao pingente, de um verde-ágata bem suave.

– Fico feliz que ela tenha me escolhido para tão honrosa missão. Farei o melhor que puder.

- Tenho certeza que sim. Entretanto, temos que encontrar os outros logo. – Sakura levantou-se e começou a andar. – O pior é que nem sei como diabos vamos sair deste maldito labirinto! Ah, que falta do Google Maps! Ia ser tão útil agora! Era só digitar lá e dar um enter!

- Do que ela está falando? – Indagou Tenten para Sasuke, curiosa. Este deu de ombros.

- Eu aceitaria até um GPS agora, embora não saiba usar... E por que ninguém neste mundo criou o celular? É uma coisa tão básica e necessária! Eu podia ligar para a sereia oxigenada agora e perguntar onde ela está...

- Sakura...

- Nem precisava ter câmera e TV, embora fosse legal tirar umas fotinhas daqui para pôr no Orkut... Aposto que minhas amigas iam enlouquecer ao ver o Sasuke...

- Sakura...

- Eu aceitava até um sem display colorido, tipo aqueles que eram tão grandes que pareciam tijolos...

- Sakura! – Tenten chamou pela terceira vez, com mais energia.

- Que é? – Respondeu, percebendo que tinha começado a pensar alto.

- Eu sei sair deste labirinto.

- Sabe?

- Sim. Conheço-o como a palma de minha mão. Cresci aqui.

- E por que não disse antes?

Ai... Tenten levou a mão à testa. Ainda bem que tinha muita paciência... Entre a jovem tagarela e o guerreiro sério e desconfiado, com certeza iria precisar de muita. Tinha até medo de imaginar como seriam os outros guardiões.


Ino acordou desorientada, certa de que tudo não passara de um pesadelo. Imagine, ser mordida por um vampiro! Riu da idéia tola e a relegou para um canto da mente, enquanto se concentrava em coisas mais urgentes. Primeiro: por que se sentia tão fraca? Segundo: por que estava deitada? Não se lembrava de ter parado para dormir, ainda assim, estava deitada, o dia estava quase amanhecendo e tivera aquele pesadelo com o vampiro. Terceiro e mais importante: onde diabos estava?

Tentou levantar-se e olhar ao redor. Uma súbita fraqueza a fez cair de joelhos, e sentiu-se enjoada. Apesar dos sintomas, pensou, com uma ponta de humor fora de hora, tinha certeza absoluta de que não estava grávida, então o que diabos era aquilo?

Olhou ao redor, tentando encontrar respostas. À sua frente e esquerda, uma mata de altas árvores se estendia, imensa. À sua direita, viu um rio de águas caudalosas, enquanto que às suas costas, as altas paredes de pedra do labirinto se estendiam a perder de vista para o leste e oeste.

Lembrava do rio, no qual ela e Sasuke foram encher os cantis antes de entrarem no labirinto. Mas ele não estava tão perto assim antes, o que significava que aquela não era a mesma entrada pela qual entraram no labirinto! Isso só podia significar que... Saíra do labirinto! Mas como? Só se... Só se o vampiro fora real...

Sentiu o peso da descoberta cair sobre si. Aos poucos as recordações da noite anterior preencheram sua mente. Sufocou um gemido e olhou mais atentamente ao redor, com um misto de ansiedade e apreensão, enquanto o coração batia alucinadamente. Ele não estava mais ali.

Ino arrastou-se para o rio, onde poderia recuperar mais rápido as suas forças. Pouco tempo depois, observava os primeiros raios de sol surgirem timidamente no horizonte. Uma canção vinha naturalmente à sua mente o tempo todo, mas tentava ignorá-la. Mal podia acreditar que o vampiro fora real.

Ele estava ferido, e a mordera para se alimentar. Entretanto, não a tinha matado. Nem a transformado em vampira. Fora a fraqueza, não sentia nada de diferente, seu coração ainda batia e ela ainda respirava, de modo que tinha certeza que ainda estava viva. Por alguma razão, ele a levara para fora do labirinto. Talvez como recompensa por ter sugado uma parte de seu sangue.

- Ah, a pseudo-sereia, finalmente! – A voz de Sakura soou aliviada. Ino virou-se na direção do som e viu a rosada surgindo do meio da mata, juntamente com Naruto, Sasuke, Hinata e uma morena de cabelos presos em coque. – O que diabos faz aí parada?

- Não enche, testuda. – Ela resmungou, feliz por estarem todos bem. Planejara procurar os outros depois, assim que aquietasse sua mente e se sentisse menos fraca. – Como me achou?

- Magia. – Sakura murmurou, sorrindo orgulhosa. Aprendera com Maekara uma magia com a qual podia localizar os talismãs já transformados, ou seja, o de Ino, Sasuke, Naruto, Hinata e agora, o de Tenten. Fora graças a essa magia que ela encontrara Naruto e Hinata, perdidos dentro do labirinto, e com a ajuda de Tenten saíram dele. – À propósito, esta é nossa nova guardiã, Tenten. Ela é a guardiã da terra. – Disse, apontando para a jovem ninfa de cabelos cor de chocolate ao seu lado.

- Muito prazer, eu sou Yamanaka Ino. – Ino sorriu, com uma ponta de pena daquela pobre que nem sabia no que estava se metendo. – Sou a guardiã da água, e seja lá o que Sakura tenha dito ao meu respeito é mentira, pois ela tem inveja de mim.

- Inveja, eu? – Sakura repetiu, num tom agudo. – Até parece, sereia oxigenada!

As duas começaram a discutir, como sempre. Sasuke as ignorou e sentou-se numa pedra. Naruto olhava, sem decidir se interferia a favor de Sakura ou não, mas logo concluiu que para sua saúde o melhor seria ficar calado. Hinata olhou para Tenten, com um sorriso meigo nos lábios, e murmurou:

- Ahn... é sempre assim, mas não se preocupe... – A outra fez um aceno com a cabeça, divertida.

- Ei, Ino, o que é isso? – A voz de Naruto interrompeu a briga das duas. Foi o tom curioso na voz dele que lhes chamou atenção.

- Isso o que? – Ino indagou, gelando ao perceber que ele olhava para o seu pescoço. O lugar da mordida infeccionara e ela não conseguira curar. Esquecera-se dele na ânsia de brigar com Sakura.

- Essas marcas... parecem... – Ele chegou mais perto, para observá-las melhor. Ino recuou. Não queria que ninguém soubesse que fora mordida por um vampiro.

- Foi... Um mosquito! – Assim que terminou de falar, percebeu o quanto sua desculpa era fraca. Mas insistiu nela. – Sim, uma picada de mosquito!

- Minha nossa! Deve ter sido um mosquito enorme! Você tem certeza que foi um mosquito?

- Claro que tenho certeza, seu baka!

Sasuke não acreditou na desculpa, e percebeu que Hinata e a ninfa tampouco pareciam convencidas. Naruto, entretanto, tinha os olhos arregalados e murmurara um sugoy!, enquanto Sakura parecia pasma. Aqueles dois idiotas acreditavam em qualquer coisa mesmo...

- Argh! Odeio mosquitos!!! – Sakura franziu a testa, com nojo. – E pelo visto os daqui de Konoha são enormes! Que assustador! – Arregalou os olhos, ao lembrar-se de algo. – Ei!!!!! Eu tenho alergia a picada de muriçocas! Há muriçocas gigantes aqui também? Ah, meu Deus! – Sakura desatou a falar, ignorando as caras surpresas de "mas o que diabos ela está dizendo?" de seus colegas. – Isso quer dizer que se eu for picada por uma muriçoca eu morro? – Arregalou ainda mais os olhos. – Morrer por uma muriçoca! Mas que humilhante! Se é pra morrer, quero ser morta por um dragão!

- Não fala que invoca, sua doida! – Ino alertou, olhando pros lados. Do jeito que os deuses tinham um péssimo senso de humor, podia ser que algum deus achasse que seria engraçado enviar um dragão para atrapalhá-los. Era típico dos deuses divertirem-se usando os mortais. Toda essa história de guardiões não era uma prova disso? Nada mais era que a diversão de século em século dos deuses...

- Qual a diferença de morrer por um dragão ou uma moroçoca, Sakura-chan? Você não estaria morta mesmo? – Naruto indagou, curioso.

- Claro que é diferente! E é muriçoca, seu baka! – Sakura pôs as mãos na cintura e levantou o queixo. – Óbvio que prefiro um dragão!

- Pára de dizer isso! – Ino disse, ainda esquadrinhando o ambiente com os olhos.

- Não concorda comigo, Hinata? – Sakura indagou, tentando conseguir aliados. Todos olharam para a jovem fada, que corou fortemente.

- Eu... Eu...

- Viram? Ela concorda! – Comentou triunfante.

- Concorda coisa nenhuma! - Ino replicou. – Ao contrário de você, ela é inteligente e não vive dizendo besteiras. – Hinata ficou vermelha com o elogio. Já Sakura ficou vermelha de raiva com o insulto.

- O quê?!?!? Repita isso!

- Eu disse que...

Tenten observou o grupo de guardiões para o qual acabara de entrar. Por Etnna, onde foi que se metera?


Algumas horas mais tarde, enquanto fazia a primeira vigia, Tenten refletia sobre o grupo em que acabara de entrar. Andara durante todo o dia para o norte, pois Tenten sabia que havia uma pequena cidade ali. Poderia descansar e comprar mantimentos, enquanto não sabiam aonde ir a seguir.

Durante todo o dia Tenten tomara parte das conversas, porém dedicava a maior parte do tempo a simplesmente analisar seus novos colegas. O Uchiha era frio e fechado. Muito reservado, não costumava conversar a menos que fosse provocado pelo Uzumaki, ou pela divertida Haruno. Por esta última, aliás, ele realmente parecia possuir sentimentos diferentes dos que nutria pelos demais, como desconfiara mais cedo. Não podia afirmar com certeza, mas algo sutil, presente em seus olhos quando fitava a rosada distraído, denunciava ter mais ali do que ele permitia externar.

Já a guardiã da luz não conseguia esconder seus sentimentos pelo Uchiha de jeito nenhum. Estavam escancarados em seus olhos, em suas ações, em suas palavras. A garota expansiva, falastrona, divertida e um tanto tola era completamente apaixonada pelo frio e taciturno guardião do fogo.

Formariam um casal extremamente bonito, pois eram tão opostos que se completavam. Isso se o Uchiha o permitisse, o que parecia muito difícil de acontecer. Ele parecia ter um objetivo que excluía Sakura completamente.

O engraçado Uzumaki parecia ter uma quedinha pela Haruno, e era guiado por uma lógica completamente incompreensível para a Mitsashi. Tal qual Sakura. Nisso os dois eram muito parecidos, o que explicava certas conversas absurdas que os dois travavam de vez em quando. Naruto era muito divertido e sorridente, mas Tenten pressentia que por trás daquele sorriso se escondiam muitas mágoas e uma ferrenha força de determinação.

A tímida Hinata, mesmo sendo a herdeira de um trono, não possuía a firmeza, arrogância e autoridade naturais a quem nasce com um título. Era doce, meiga e preocupada com os demais. Visivelmente apaixonada pelo Uzumaki, provavelmente sofreria muito no futuro, já que o estabanado guerreiro a magoava sem nem ao menos perceber.

Já a exuberante Yamanaka continuava uma incógnita para a ninfa. Ela era agitada, sorridente, adorava irritar Sakura dando em cima de Sasuke e dava grandes indiretas sobre Hinata para Naruto, que invariavelmente o guerreiro loiro não pegava e faziam a fada corar intensamente. Ainda assim, Tenten sentia que havia algo estranho. Algo a mais oculto sobre a superfície.

Inclinou-se e atiçou mais o fogo, que começava a minguar. Era, apesar de tudo, um bom grupo. Estava feliz por pertencer a ele.


Seus olhos eram infinitamente belos

Tão próximos, tão distantes,

Arrebataram meus olhos

E, por um instante,

Quase pensei morrer

Eram um mar de sensações inexploradas

Um vento gélido a soprar

Minha alma aos braços da eterna escuridão...

Ino tentou forçar-se a tirar a música de sua cabeça. Ela surgira naturalmente, quando estivera no rio, pensando sobre o que acontecera. Era uma habilidade que Ino tinha desde pequena, a de compor músicas a partir de eventos ocorridos consigo. Desta vez nem pudera se controlar. A música surgira quase sozinha em sua mente. Agora se sentia atormentada por ela. Não queria lembrar o que acontecera. Não queria.

Se fechasse os olhos, ainda podia lembrar a sensação absurda de estar se destruindo ante a intensidade do olhar dele. Chacoalhou a cabeça e se obrigou a prestar atenção ao que acontecia ao seu redor. Estava de vigia, não podia perder o foco pensando em bobagens. Apesar de sentir que essa bobagem ruiva seria de algum modo muito importante em sua vida no futuro...


Hinata observava fixamente o fogo. Estava morrendo de sono. Usara energia para conjurar a magia para enfrentar o troll e não tinha dormido muito na noite anterior. Mas não se arrependia. Podia lembrar-se da sensação gostosa de ser alvo da admiração de Naruto. Normalmente recebia muitas críticas de seu pai, e um elogio lhe era muito precioso. Ainda mais um tão espontâneo.

Sorriu. Todo o seu esforço para ser merecedora de ser uma guardiã estava dando resultados. Aceitava melhor o fato de ser a escolhida da deusa para tão grandiosa tarefa, mas as dúvidas às vezes a assolava. Tinha medo de falhar. Era muita responsabilidade nas mãos de uma pessoa só.

Falara sobre aquilo com Naruto mais cedo...

- Na-naruto-kun...

- Sim?

- Você... você não a-acha di-difícil ser um guardião?

- Não. Por quê?

- Porque to-todo mundo de-depende de vo-você e...

- Hinata. – Naruto parou de caminhar e encarou-a. – Esqueça que todos dependem de você. Apenas faça o que tem que fazer. Se sua deusa a escolheu é por que ela acredita em você. – Hinata encarou-o, estupefata. Difícil imaginar que justamente Naruto diria algo tão sensato.

- Ce-certo. – Anuiu com um sorriso.

- E se você falhar... bem, vamos estar todos mortos mesmo, né? Não restará ninguém para condená-la.

O sorriso diminuiu um pouco. É claro que ele não poderia ser completamente sensato. Se fosse, não seria o Naruto que ela gostava, não é?

Hinata suspirou e balançou a cabeça, sentindo o sono contagiá-la. Não podia dormir. Precisar ficar de vigia.

- Hinata-chan? – Levantou a cabeça abruptamente.

- Si-sim, Naruto-kun?

- Não consigo dormir. Vá deitar-se um pouco, deve estar cansada. Começarei meu turno mais cedo.

- Ahn... certo. – Não gaguejara! Estava fazendo progressos! – Bo-boa noite. – Bem, não tão grandes assim. Avançara pouco, mas o primeiro passo fora, indiscutivelmente, dado.


A pequena guardiã do ar aceitou sua sugestão e foi se deitar, deixando-o sozinho. Ele observou-a acomodar-se num cantinho e enrolar-se para dormir. Lembrando-se da luta contra o troll, sentiu-se mais uma vez um tanto estupefato. Era inacreditável que um ser tão diminuto pudesse causar tanto dano. Hinata era mesmo surpreendente.

Sentou-se em frente ao fogo e esquentou uma xícara de chá. Tivera um sonho estranho naquela noite e após acordar não conseguira mais dormir.

Estava na pequena caverna onde morava desde que se entendia por gente. Estava com frio e faminto. Devia ter um seis anos de idade. Enrolou-se melhor no cobertor puído que pegara do lixo semanas antes. Uma tempestade de neve não permitia que saísse de onde estava para conseguir comida. Com alguma sorte, só teria que agüentar até o dia seguinte, quando o tempo estivesse bom o suficiente para caçar algo.

Sentiu vontade de chorar, mas não o fazia, por que sabia que não adiantaria. Ao invés disso, dedicou-se ao seu devaneio mais comum: imaginar sua mãe e seu pai. Ouvira aqui e ali que sua mãe morrera quando era muito pequeno. A única foto que tinha dela era o seu maior tesouro. Era uma mulher muito bonita, com um olhar bondoso no rosto. Já de seu pai não sabia muito. As pessoas não comentavam sobre ele. Imaginava-o alto, forte e sorridente. Tinha olhos azuis como os seus, e não vinha buscá-lo por que não podia agora, mas logo viria.

Estava quase cochilando quando viu um vulto entrar na caverna. Era alto e usava uma capa negra com capuz. Naruto levantou-se e pegou um pedaço de pau para se defender.

- Não precisa disso, meu filho. – O estranho tomou o pau e jogou-o para longe, para então puxar a criança para um abraço. Naruto abraçou-o de volta. Depois de laguns instantes, o estranho o soltou e começou a levantar o capuz. Naruto inclinou-se para frente. Finalmente iria vê-lo...

E então se acordara. Não era a primeira vez que sonhava se encontrando com o pai. Em cada sonho o encontrava de maneira diferente. Na caverna numa tempestade, na cidade num dia de feira, num campo numa tarde ensolarada. Vira-o milhares de vezes em seus sonhos, mas nunca conseguia enxergar sua face. Talvez fosse um sinal de que nunca o veria realmente.

Franziu o cenho. Fazia muito tempo que não tinha aquele tipo de sonho. Estranho tê-lo tido naquela noite. Talvez fosse porque conversara um pouco com Hinata sobre sua infância, enquanto ela contara a dela. Talvez. Mas não acreditava de todo nisso.


Sasuke esquadrinhava a noite escura, atento. Não era um lugar perigoso, mas não podiam se dar o luxo de dormirem todos desprotegidos. Um ou outro som noturno ecoava, mas no geral o silêncio e tranqüilidade imperavam. Entediada, a mente do guardião vagou para a noite anterior...

Sasuke voltava com alguns frutos para o jantar, ainda pensando no ótimo guisado de coelho que poderiam ter tido, quando viu Sakura cambalear. Deixou os frutos caírem aos seus pés, e correu até ela. Segurou-a. Ela estava muito pálida e tinha vários frutos vermelhos a seus pés. Ah, não!

- Sakura, o que você fez? – Chacoalhou-a, um tanto desesperado. Ele, após um visível esforço abriu um sorriso fraco, mera sombra dos sorrisos luminosos e sinceros que costumavam encantá-lo, embora ele não o demonstrasse.

- Nada, estou bem. – Sentiu vontade de chacoalhá-la mais ainda. Por que aquela tola tinha que ser tão teimosa? Sentia-a cada vez mais trêmula e fria.

- Quantos você comeu, Sakura? Quantos? – Era essencial saber. Se ela tivesse comido muitos... Tentou expulsar essa idéia da mente. Ela não ia morrer, porque ele simplesmente não iria permitir. Nem se tivesse que fazer um pacto com um demônio em troca de sua alma para mantê-la viva.

Sakura fechou os olhos e tentou afastar-se dele, mas mal tinha forças para se manter em pé. O esforço do gesto acabou por consumir a pouca energia que ainda tinha. Desmaiou.

Sasuke amparou-a e deitou-a no chão. Fez-lhe compressas de água fria para diminuir a febre e um chá de ervas, mas não adiantaram muito. Naquele lugar escasso, não eram muitas as opções que tinha para ajudá-la.

Tentou manter-se calmo, apesar de seu coração bater alucinadamente. Não cederia ao pânico e ao desespero, pois se permitisse que estes se apoderassem de sua mente, não poderia ajudá-la. Mas não iria perdê-la. Tinha de crer nisso, e tentar encontrar uma solução.

Franziu o rosto, enquanto passava novamente o pano molhado no rosto febril. Se não a tivesse deixado só, ela nunca teria comido aqueles frutos. Mas com poderia imaginar que ela os comeria enquanto estivesse fora? Se bem que deveria ter pensado, já que se tratando de Sakura, tudo era possível. Ela conseguia atrair desastres para si como um imã. Ela não conseguira nem entrar numa taverna sem provocar uma confusão dos diabos...

Sakura estava delirando havia cerca de duas horas. Parecia-lhe que se passaram muitas mais. E o que mais lhe irritava era o nome que saía sem parar dos lábios dela. Sentia ganas de matar o dono daquele nome, a quem ela chamava incessantemente. Pela primeira vez em sua vida, sentiu algo parecido com... ciúme.

Fora então que a ninfa aparecera. A princípio, desconfiara dela, e não queria entregar Sakura aos cuidados de alguém que poderia prejudicá-la. Mas como a ninfa – Tenten era seu nome – fez questão de lhe salientar, não havia mais ninguém que pudesse ajudá-la. Ainda assim, observara atentamente a ninfa trabalhar, e lhe informara que caso notasse que Sakura estivesse piorando a mataria sem pensar duas vezes.

- Você é um tanto ingrato, não acha? – A ninfa perguntou, num tom um tanto jocoso. – Ofereço-lhe ajuda e você em troca me ameaça de morte! – Sasuke deu de ombros. Ela sorriu levemente e murmurou: - Alguém me livre desses seres desconfiados...

Levaram a noite quase inteira cuidando de Sakura. Fora apenas faltando pouco para amanhecer que Sakura acordara. O alívio que sentia então foi tão grande que mal conseguiu mandá-la ficar quieta quando a jovem tentou se mover abruptamente.

O porquê do pânico imenso que sentira, e do ciúme amargo que lhe corroera o peito, Sasuke tentava ignorar heroicamente. Tinha certeza de que não iria gostar nem um pouco da resposta.


Sakura pegou o medalhão entre os dedos e ficou girando-o. Não estava com sono. Depois daquela conversa esdrúxula de Ino sobre mosquitos gigantes, sonhara que era perseguida por um montão de muriçocas do tamanho de urubus. Acordara tão assustada que abraçara Sasuke, que a sacudia de leve para acordá-la e informar que era hora do turno dela.

Sakura o soltara logo que percebia o que fazia, com as faces ardendo de vergonha. Como podia se meter em tantas situações vergonhosas era uma coisa que não entendia. O pior é que em quase todas elas Sasuke estava presente.

Sasuke... Não queria pensar nele. Era um amor impossível, completamente platônico. Ele era bonito demais para vir a gostar de alguém como ela. Além de responsável, íntegro, inteligente e leal. Obviamente não era perfeito. Às vezes era tão chato que ela tinha vontade de bater nele. Ignorá-la quando ela dizia algo era outra coisa que a irritava muito. Entretanto, gostava dele mesmo assim.

Mas sabia que era algo sem futuro. Pertenciam a mundos diferentes, culturas diferentes, até mesmo a raças diferentes, embora ela não se importasse por ele ser um meio-demônio. Eles até poderiam tentar ficar juntos, apesar de tudo isso, mas o maior obstáculo era algo que ela nunca poderia mudar, por mais que quisesse: a ausência de amor da parte dele. E por mais que o amor dela fosse enorme, ele tinha de ser correspondido, ou tal qual uma flor sem água, definharia lentamente.

Havia momentos em que acreditava que ele gostava dela, mas logo se convencia do contrário. Por que ele gostaria justamente dela, que nem era bonita, inteligente ou rica? Ao contrário, tinha uma testa enorme, cometia e dizia besteiras, era impulsiva e desastrada? Alguém como ele nunca ficaria com alguém como ela.

Chega, Sakura, pare imediatamente de sentir pena de si mesma! Disse seu eu interior, numa tentativa inútil de animá-la. Se Sasuke não gosta de você, problema dele! Ah, se fosse tão fácil assim...

Tentou parar de com a melancolia. Sakura e tristeza simplesmente não combinavam. Tentou pensar em alguma outra coisa. Inesperadamente, lembrou-se do dia em que fora pedir à Maekara que desse uma de vidente e lesse sua mão, para contar algo sobre seu futuro. Ingenuamente acreditara que a bruxa tinha poder para tanto.

- Eu vejo aqui... - A bruxa inclinou-se ainda mais sobre a mão de Sakura, franzindo a testa. –. Oh... Que pena...

- O que foi? O que você vê? – Perguntou, entre ansiosa e alarmada.

- Sakura. - A voz de Maekara era suave e sua expressão mostrava pena. – Você vai morrer.
- O quê? Aaaaaaaaaaaaaaaaahhh!!!! – Gritou, espantada. – Eu sabia!!! – Levantou-se e começou a andar de um lado para o outro, angustiada. – Por isso não quis aceitar esse cargo, mas nãããããão, Tsunade-sama tinha que me obrigar! Oh, Deus, eu sou tão jovem para morrer, nunca nem vi um homem pelado! – Parou quando se deu conta de algo. – Ai, meu Deus! Eu vou morrer virgem e sem nunca ter tido um namorado?!? - Arregalou os olhos, para então voltar-se para a feiticeira, com um olhar suplicante no rosto. – Por favor, Maekara-san, diga-me, quando é que eu vou morrer?

- Pode ser hoje, amanhã ou daqui a vinte anos...Ou talvez sessenta anos...

- Como? - Indagou espantada. - Você não sabe a data?

- Claro que não, como eu iria saber? Sei apenas que você vai morrer um dia, afinal não é imortal, é? - Então acrescentou, com um sorriso malicioso: - Nunca viu um homem pelado, hein???

- Ora sua... - Sakura ficou rubra de tanta raiva. - Feiticeira de araque!!!!!"

Sorriu. Maekara era uma figura. Aprendera muita coisa com ela, porém. Continuou a brincar o talismã, distraída. Pensava agora em sua casa, em seus pais e em sua escola, quando de repente o talismã começou a brilhar.

Soltou-o. Tal qual como da outra vez, a luz expandiu-se, envolvendo-a e então uma imagem foi projetada na escuridão. Sakura viu um grande e imenso oceano de águas turbulentas e em seguida, como se a cena avançasse, uma cidade na qual em seu centro havia uma grande fonte com a estátua de um jovem montado num dragão. Então a cena avançou e viu uma nova cidade, diferente da anterior. Esta flutuava inteira nos céus. Os edifícios eram muito brancos e brilhantes, de arquitetura extremamente bonita. Aqui e ali seres alados circulavam, suas asas eram longas e formadas por penas, como as de um pássaro. Suas feições eram finas e belas, semelhantes as de um elfo, e também possuíam orelhas pontudas. A visão avançou para dentro de um dos edifícios, o mais belo e majestoso de todos. Sentado ao trono estava um jovem de longos cabelos escuros presos num rabo de cavalo. Seus olhos, tal qual os de Hinata, eram perolados. Absorto, observava a pedra de um azul claríssimo que tinha nas mãos...


- E então? – O homem pálido de longos cabelos negros e olhos rasgados e de íris amarelas inquiriu, inclinando-se sobre a jovem pálida de cabelos arroxeados, cujos olhos sem retina estavam fixos num ponto vazio à frente.

Ao ouvir a voz do senhor, a vidente piscou, saindo do transe. Começou a falar, sem entonação:

- A garota do outro mundo é forte e determinada, apesar de tola e inconseqüente. É muito mais forte que os humanos comuns, apesar de não ter ciência disso. Ehglenna não a escolheu por acaso. Estava predestinada a assumir essa missão desde antes de seu nascimento.

- O que quer dizer com isso?

- Foi tudo que me foi revelado, Orochimaru-sama. – A vidente respondeu, ignorando a frustração de seu senhor diante de suas palavras.

- E os demais? – Orochimaru perguntou, sabendo ser inútil insistir para saber mais sobre a jovem de cabelos rosados. Ela não lhe contaria nada além do que desejasse, mesmo que ele a torturasse para saber mais. A jovem com dom da visão era sua escrava, mas mesmo que lhe controlasse o corpo, não poderia dizer o mesmo sobre seu espírito. Ainda.

- O Uchiha é um oponente formidável. Possui uma grande força por ser filho de um lorde demônio, e está determinado a proteger a guardiã da luz com todas as suas forças. Dará a vida por ela, se necessário.

- Um oponente perigoso...

- Mais que isso. Consegue mais força à medida que a utiliza para manter vidas e não findá-las. É na preocupação pelo bem-estar da garota que reside sua verdadeira força. No entanto, o Uchiha tem uma imensa sede de vingança e esta é a sua maior fraqueza.

- Então, para destruí-lo... – Orochimaru murmurou, com um sorriso maléfico nos lábios, já sabendo o que a vidente quisera dizer.

- Dê-lhe o que ele quer. Itachi.

...Continua...


Prévia do próximo capítulo "Beijos, dinheiro e cultistas":

As portas da taverna se abriram com estrondo, e Sakura surgiu ofegante.

- Pessoal! Tenho uma boa notícia e uma má notícia. Qual das duas vocês querem ouvir primeiro?

- A boa! – Pediram em uníssono Tenten, Ino, Hinata e Naruto. Eram otimistas por natureza. Se pudesse escolher, Sasuke preferiria ouvir a ruim primeiro. Mas já sabia ser minoria, então nem se dera ao trabalho de falar.

- Bem, descobri um modo de conseguir dinheiro para pagar as passagens de navio! – Assovios e exclamações de alegria se fizeram ouvir, impedindo que a jovem conseguisse continuar a falar. Sasuke atraiu atenção novamente para ela, quando indagou num tom propositalmente alto:

- E a ruim?

- Bem... é que nós vamos ter que enfrentar um... – A voz foi diminuindo, até ficar inaudível.

- Um o quê?

- Precisaremos enfrentar um... – Novamente falou num tom baixo demais, receosa da reação alheia.

- Diga logo de uma vez! – Pediu Ino, irritada. Sakura abriu um sorriso amarelo e evitou olhar para a sereia.

- Um dragão. – Um grande silêncio se instaurou após suas palavras.

- O quê? – Ino fechou a boca, que esquecera aberta com o choque. – Eu disse que falar atraía! Não era melhor as drogas de moroçocas agora?

- Muriçocas, Ino. – Corrigiu, séria.

- Não importa! Um dragão! – Largou-se na cadeira, desanimada. – Nós vamos todos morrer...


N/A: Ressurgi das trevas! Ashuashaushaushaushuahsua! Agora falando sério, peço desculpas pelo atraso descomunal! Minha vida tava a maior bagunça, pois estava indo pro estágio de manhã, pra universidade à tarde e pro curso técnico à noite! Sério, fiquei quase louca! Mas como consegui terminar o curso técnico, tive uma folguinha para voltar a escrever. Os capítulos, entretanto, serão um pouco mais curtos do que o normal, e não haverá mais um guardião novo por capítulo (os demais vão demorar um pouco mais a aparecer). De tal maneira, poderei postar mais rápido e espero, com a mesma qualidade de sempre.

Trago Novidades! Criei um blog para a fic, no qual vou colocar imagens de cenas dos capítulos, cenas descartadas, prévias dos próximos capítulos e informações variadas sobre a fic. O blog vai ser atualizado com freqüência, de modo que ficará mais fácil descobrir quando o próximo capítulo vai sair, além de ser outra maneira de vocês entrarem em contato comigo além das reviews. A propósito, já há no blog algumas imagens, que meu amigo Márcio desenhou e uma cena excluída deste capítulo. Para mim as imagens ficaram lindas, mas sou suspeita para falar então dêem uma passadinha no blog (o endereço tá no meu perfil, já que o fanfiction não permite publicação de endereços e links) e deixem suas opiniões!

Muito obrigada por todas as reviews mandadas, elas me estimulam a continuar escrevendo! Li todas, uma por uma. Peço desculpas de coração por não tê-las respondido, mas as próximas com certeza receberão uma resposta! Bjos e até o próximo capítulo!

Obs: cometi um erro no capítulo passado tão absurdo que até dá vergonha comentar, no seguinte trecho:

- Perto da cidade de Klingnar. Esse é o famoso labirinto da morte. – Ino respondeu.

- La-labirinto maldito? Não há um minotauro lá dentro não, né? – Indagou Sakura, lembrando-se da lenda do minotauro de Creta. Todos olharam para ela, estranhando a pergunta.

O nome é labirinto da morte mesmo... Labirinto maldito saiu por falta de atenção... O pior é que passou pela correção que sempre faço. Ou seja, falta de atenção dupla. Sorry. ^^