Ela nada tinha coragem de dizer.
Estava errada, sabia disso. Preferia calar e consentir a curvar-se e pedir perdão. "Vem pra cama comigo" e "comprei os bombons que você gosta" geralmente eram as formas que Pandora usava para pedir desculpas. Mas, dessa vez, ela tinha ido longe demais.
Preferiu ater-se ao silêncio.
O capuccino perdeu o sabor e ela permaneceu de cabeça baixa, com o olhar erguido, apenas observando Aaron saborear seu sorvete. Apesar da expressão tristonha no rosto dele, sentia-se mais confortável em vê-lo, aparentemente, satisfeito com aquilo.
Várias vezes meneou a cabeça, respirou fundo e tentou dizer algo. Mas nada que dissesse seria bem-vindo naquele momento. Mas, afinal, desde quando ela era assim cheia de pudor? Falaria o que bem entendesse e que o resto do mundo explodisse!
Tomou fôlego, mas foi pega de surpresa.
Aaron a encarava com o olhar apático habitual.
Os lábios entreabertos, e os olhos piscavam várias vezes esperando que ele fizesse algo.
O que é que vai acontecer agora?
Pandora quase sentiu o coração explodir no peito quando Aaron apoiou o cotovelo na mesa, e pousou o rosto sob a mão. Tornou a piscar, confusa, indagando-se por que ele a encarava daquela forma, e o que queria com aquela situação incômoda. Novamente, se preparou para dizer algo, e o coração disparou ao ouvir o pedido.
"Me leva pra cama... me faz dormir... canta alguma coisa pra mim..."
