Sexo
- Não pense em fugir de mim! – alertou Nagisa ao adentrar a lavanderia e prender Rin na mesma.
- Oh. Dessa vez não tenho escapatória – riu baixinho.
- Pois é, você me deve uma história caliente.
As duas riram em voz alta agora, e se miraram.
- Está bem, eu preciso terminar essas roupas hoje, então se acomode em algum lugar, vai levar um tempo.
- Ok.
Nagisa olhou em volta e se deparou com uma pilha de roupas bem confortável, ali mesmo sentou, relaxou, suspirou e enviou a mãe um olhar de continuação.
Relaxei. Ou pelo menos tentei, mas creio que não tive muito sucesso. Cada nervo do meu sistema nervoso enviava correntes elétricas por meu corpo, que por sua vez arrepiava cada pêlo de meu ser a cada toque e eu sentia que a qualquer momento iria enlouquecer. Senti seu corpo quente por cima do meu e percebi: não haveria escapatória.
- Mas... Se você não quiser mesmo Rin, obviamente não lhe forçarei a nada, você sabe disso – seus olhos agora mostravam uma feição de Sesshoumaru que eu particularmente nunca havia visto. Ele estava... Envergonhado.
- Sesshy – levantei-me lentamente somente a ponto de ficar sentada e olhei-o de cima a baixo. Apoiei minhas costas na dura e fria cabeceira da cama e fitei-o novamente – eu quero. Sério. Não me imagino perdendo com outra pessoa que não seja você. É só que...
- É só que o que?
- É só que como você sabe para toda garota é especial.
- E então eu não sou especial? – mirou-me com uma feição de deboche misturada com descontração.
- Claro que é – minha voz saiu em um tom desesperado de explicação – mas... E Kagura?
- Tenho certeza de que vai preferir não ficar sabendo disso.
- É claro, só estou dizendo...
Minha voz cessou e minha audição ficou extremamente apurada. Ouvi vozes. Não quaisquer vozes, ouvi Kagura e Nani-sensei. Meu corpo sem meu comando se levantou rapidamente, procurou pelo quarto qualquer coisa inútil que pudesse servir de roupa e tentou arrancar Sesshoumaru da cama.
- Saia! Saia! – empurrava-o para fora.
- Calma Rin, venha aqui.
Ao seu toque quente em minha mão estremeci. Ele me puxou até o closet e o trancou. A escuridão ali presente impossibilitou a minha visão, mas aparentemente não a de Sesshoumaru, que logo em seguida beijou-me.
Os beijos que seguiram esse primeiro fizeram meu mundo começar a girar. Era como se eu tivesse que implorar para que ele parasse, pois eu queria descer. Eu podia ouvir as duas procurando-me, e procurando Sesshoumaru também, mas não ligamos, elas nunca nos achariam ali.
Com seus lábios aquela figura que se mantinha em minha frente foi descendo por meu pescoço arrepiado, puxou-me bruscamente para um canto, jogou-se em cima de um amontoado de roupa que residia no chão e sentou-me em seu colo. Minha franja insistia em nos atrapalhar, mas o cabelo de Sesshoumaru também não cooperava. Sem perder tempo algum Sesshy arrancou meu sutiã fora e eu senti meu corpo inteiro quente. Sabia com certeza que estava vermelha, porém não era possível enxergar. A escuridão de certo modo ajudou para que minha vergonha não se acomodasse, afinal ele não veria meus medos expressos em minhas feições.
Foi tudo muito novo e muito estranho para mim. Senti seus lábios acariciarem meus seios, mas na verdade fizeram cócegas. Ri baixinho e Sesshy percebeu.
- Acha isso engraçado pirralha? – sussurrou ao meu ouvido.
- Claro que não – retruquei.
Decidi tomar rédea da situação. Mordi levemente o pescoço de Sesshy e segui pelo seu peitoral já despido, sai de seu colo lentamente acompanhando cada passo da minha língua por seu corpo. Ao chegar à parte intima desejada despi-a rapidamente. Meu espanto deveria ter sido muito evidente, pois Sesshoumaru gargalhou.
- O que acha Rin?
- Cale a boca.
Ainda sussurrávamos e eu me divertia com aquela situação. Enquanto eu ainda permanecia ali parada Sesshy me puxou para cima novamente e eu senti seu membro roçar em mim repetidas vezes. De súbito ele tirou-me do seu colo, levantou-se e abriu a porta do closet. Gelei.
- O que está fazendo Sesshoumaru seu idiota? – tentava sussurrar o mínimo possível para que realmente só ele pudesse me ouvir.
- Espere.
Alguns milésimos de segundos depois ele voltou, fechou a porta novamente, permaneceu, creio eu, que um minuto em pé e eu pude ouvir um som de plástico rasgando.
- O que está fazendo?
- Tentando evitar ser pai.
Confesso que ri discretamente com o comentário. Ele voltou para o montinho de roupas, sentou-me novamente em seu colo e com a ponta do seu dedo indicador foi contornando a borda da minha calcinha, cada vez abaixando-a mais e mais até que ela voasse por algum lugar daquelas minúsculas quatro paredes. Estremeci por completo. Eu estava ali, num closet escuro com o homem que eu amava, escondendo-me de minha avó e a namorada desse homem, prestes a perder toda a inocência que eu ainda possuía, porém acima de tudo isso eu estava feliz, estava... Completa. Realizada. Não havia arrependimentos ou qualquer outro sentimento ruim, apenas adrenalina e excitação. E enquanto eu tinha esse breve devaneio em hora indevida Sesshoumaru retomou a rédea da situação, com uma força tremenda e inexplicável levantou-me e lentamente penetrou-me. A primeira sensação não foi exatamente de dor, foi algo mais como... Desconforto. Um tremendo e incômodo desconforto.
- Você está bem pirralha? – mesmo sempre com um semblante sério pude perceber o tom de preocupação em sua voz.
- Eu... Estou.
- Não foi muito convincente, está doendo?
- Não, apenas... Incomodando.
Ele tentou mudar de posição. Não fez tanta diferença. Então tentou novamente e assim achou um jeito que não fosse tão ruim para mim. Eu podia sentir todo meu corpo esquentar, o suor que corria pela minha pele e minha respiração descompassada e irregular. Assim que conseguiu me deixar mais à vontade começaram os movimentos contínuos dentro de mim, cada vez mais sentia ele dentro e fora de mim. Dentro e fora de mim. Que estranho. Eu me sentia exatamente como naqueles filmes românticos onde costumam dizer que ao fazer amor as pessoas se fundem em uma só. Agora sim poderia dizer que sei o que isso significa. Sentindo aqueles movimentos inclinei minha cabeça para trás e tentava não gemer alto. Porém os gemidos eram quase incontroláveis, os sons saiam de mim involuntariamente, eu não podia evitar, quando já sentia meu corpo chegando à exaustão apoiei minha cabeça no ombro de Sesshy e com minhas unhas arranhei levemente suas costas para provocá-lo. Percebi que ele riu. Continuamos ali por muito tempo, ou pelo menos para mim pareceu muito, os minutos pareciam horas, e eu na verdade até gostava disso, porque geralmente era ao contrário, o tempo com ele voava. Quando Sesshoumaru estava prestes a chegar ao clímax ele gemeu. Eu ri. Alto.
- Do que está rindo?- sua voz saia falha, tentava acompanhar o ritmo da sua respiração ofegante
- Nada – sorri.
– Psiiu – tampou minha boca devagar - vão te ouvir sua besta.
E então segundos depois ele gozou. Soltou um gemido alto, seu corpo transmitiu para mim toda a energia e eu o senti estremecer, da cabeça aos pés, logo me soltou e suspirou fundo. Ficou ali me abraçando por uns minutos até que a sua e a minha respiração pudessem voltar ao ritmo normal.
Após algum tempo parados ele começou a afagar meus cabelos, deu um leve beijo em minha testa e fechou os olhos. Eu o senti fazendo isso.
- Preciso pensar em alguma mentira esperta e um método para fugir de seu quarto – sorriu com deboche.
- Pela varanda, e invente que foi ver as orquídeas florescerem, está na época.
- Não. Essa desculpa é muito gay.
Ambos rimos, afinal foi um comentário hilário. Ficamos mais algum tempo ali até tomarmos vergonha na cara levantar e vestir nossas roupas.
- Eu preciso ir Rin. Se der, mais tarde eu passo aqui. – saiu do closet e logo em seguida varanda afora.
Senti que foi uma despedida meio seca, sem graça, mas admito que não liguei. O restinho daquele dia eu fiquei presa em lembranças da tarde mais louca da minha vida.
À noite jantei calada enquanto Kagura tagarelava sobre o dia maravilhoso que ela passou com a minha avó. Não provoquei, não tentei intervir, apenas comi e subi. Não que eu estivesse triste ou algo do tipo eu apenas estava... Em transe.
No meio da noite, enquanto eu tentava sem sucesso dormir ouvi um 'Click' familiar, me virei e mirei-o.
- Sabia que era você.
- Sabia nada – dirigiu-se até a minha cama, pegou um livro qualquer que jazia em minha mesinha de canto e folheou-o sem prestar atenção.
- Veio para uma segunda dose? – ri com meu próprio comentário.
- Que sem graça. Não, eu vim para te informar que Tomoya ligou.
- Você veio no meio da noite só pra me informar isso? – fiz cara de incrédula.
- Não – sorriu de canto – mas achei que fosse uma boa desculpa.
- E então?
- Terminei com Kagura.
O silêncio jazeu entre nós.
- Hm... Sério? – tentei soar o mais indiferente possível.
- Sério, é melhor não continuar numa mentira.
- Ela já foi embora?
- Não, ela vai pela manhã, eu acabei de terminar com ela.
- Ela ficou triste? – tentei esconder minha felicidade, mas ele percebeu rapidamente.
- Não seja má – riu murchamente – ela ficou chateada.
Eu sentia aquela vontade imensa de agarrá-lo agora fluindo por minhas veias, mas me controlei.
- Você por outro lado parece meio... Aéreo.
- Rin, tenha dó, eu acabei um relacionamento.
- Que não parecia um.
- Se você vai começar, eu vou embora. Tenho mesmo que acordar cedo.
- Você não vai dormir com ela não é?
- Como se não tivessem mais dez quartos nessa casa. Pare com suas criancices.
- Ta bem, ta bem – Cedi – quer... Ficar por aqui? – sorri discretamente.
- Por mais que eu queira, não acho que é uma boa ideia.
- Ah qualé sesshy, fica – brilhos nos olhos.
- Não – se aproximou sem pressa e beijou suavemente minha testa – Boa noite, pirralha.
Saiu. Eu não compreendi muito bem, mas não podia exigir nada dele, era um momento delicado, e o dia seguinte seria agitado, imaginei. Quando levantei pela manhã foi aos gritos.
- Eu sei que você tem um caso com aquela nanica!
Só podia ouvir Kagura e imaginei que Sesshoumaru não fosse gritar, ele na verdade odiava gritos.
- Não falar assim? Calar-me? Vem aqui me calar! Seu pouca merda. Você acha que pode me descartar assim quando você tem vontade? Aham, vai achando.
Logo os gritos foram ficando muito longe para serem compreendidos, sai correndo escadas abaixo e vi minha avó horrorizada.
- Sesshoumaru? – ela mirava-o de olhos arregalados.
- Perdão Nani, eu me arrependo muito que você tenha que ver isso.
- Bom, ela parecia normal - sorriu de canto, tentando descontrair o momento.
- Só parecia – ele percebeu e acompanhou-a.
- Rin, querida, vamos tomar café.
- Claro vovó – mirei-o esperando uma explicação, mas ele só andou em direção da cozinha, ignorando-me.
- Que raro, você não fez nenhum comentário – Sorriu enquanto terminava de dobrar umas roupas que tinha tirado do varal.
- Pois é mãe, mas é que essa história prendeu-me. E Kagura?
- Ela era uma louca de pedra – riu alto.
- Percebe-se, mas e o que acontece com ela?
- Não consigo me lembrar exatamente – olhou para um ponto fixo, pensativa.
- Mas é que... – antes de terminar Nagisa puxou o novo celular do bolso.
- Ainda não acredito que seu pai caiu naquela história de que o seu celular tinha caído e quebrado. E ainda por cima comprou outro.
- Vai ver ele é mais ingênuo do que você pensa mãe – riu alto – Minhas amigas precisam de mim mãe, preciso ir, depois terminamos.
- É, é agora quem me deixa é você.
- Não seja assim, te vejo mais tarde – beijou a bochecha da mãe rapidamente e saiu.
