Dark 11

Sem conseguir se conter, Draco olhou uma vez mais para a figura que agora conversava com Lupin.

- Ele é impressionante não é? – ele ouviu a voz de Harry na sua cabeça e inconscientemente desviou o olhar para o moreno, que continuava ajeitando os alvos de papel que vinham usando pelas ultimas horas como se isso fosse a única coisa que ele quisesse fazer ou como se a sala mágica não pudesse fazer isso por ele.

- Eu não vou responder isso!

- Não se preocupe, Azrael não pode ouvir meus pensamentos se eu não lhe der autorização ou em caso de extrema necessidade. Privacidade é uma coisa que ele realmente leva a sério.

Draco olhou mais uma vez em direção ao moreno e mesmo que ele ainda se mantivesse ignorando seu olhar, ele sabia que não estava mentindo, sentia isso e continuaria sentindo enquanto a ligação entre eles se mantivesse ativa.

-É, ele é bem impressionante mesmo!

O sorrisinho que se mostrou no rosto do moreno apenas por alguns segundos demonstrou externamente o que Draco já tinha conseguido sentir: Harry queria que ele admitisse isso.

- Seu sacana! – ele bufou em voz alta, o que fez Harry largar o que estava fazendo e vir sorrindo em sua direção.

- Desculpa, mas é realmente engraçado ver Draco Malfoy admirando a beleza de alguém que não a dele mesmo. Azrael deve ser ainda mais bonito do que eu pensei se até você consegue admitir isso.

Draco soltou um muxoxo involuntário com a declaração do grifinório , o maldito continuava brincndo com ele! Aquilo era humilhante, já que em situações como aquela Harry fazia parecer que ele era o sonserino e Draco que vestia vermelho e dourado, ou pior ainda, amarelo e preto! Mas aquilo também mostrava que mesmo ligado a ele por um dos mais fortes elos existentes há quase duas semanas Harry ainda não o conhecia por completo, afinal ele o achava deslumbrante bonito também.

Apenas um segundo depois de ter pensado isso Draco se arrependeu amargamente, afinal ele ainda não havia fechado a ligação mental estabelecida pelo moreno, o que significava que o outro tinha "ouvido" seus pensamentos.

Ele o olhou chocado e quase se estapeou ao encontra-lo sorrindo abertamente.

- Você ainda não me explicou como ele tem um corpo agora – Draco falou, mais rápido do que o normal, rezando que Harry engolisse a deixa e mudasse de assunto. Isso é claro depois de ter bloqueado sua mente.

- É uma espécie de feitiço demoníaco. Como Azrael é, indiretamente uma parte de mim, eu uso um pouco de minha magia e parte de minha força vital para "expulsá-lo" do meu corpo.

- Força vital? Isso não te deixaria doente? – ele perguntou, sem conseguir conter a preocupação que escapou junto as suas palavras.

- Não exatamente, a força vital demoníaco vem do ato sexual, o que significa que eu vou sentir "fome" mais rápido. É um feito temporário e reversível, por isso ele sempre desaparece depois dos treinos, mantê-lo mias tempo que o necessário exaure demais da minha energia, assim como permiti-lo tocar outras pessoas que não a mim.

- Ah, então é por isso que ele nunca me tocou – ele exclamou,surpreso, finalmente entendendo o porque o demônio realmente nunca chegou a tocar outra que não a Harry. E pensar que ele chegou a pensar que seu novo professor tinha algum tipo de preconceito contra ele.

- Sim, Azrael pode parecer completamente sólido, mas a única pessoa que ele consegue tocar sou eu, já que dividimos a consciência, se ele tentar fazer isso com qualquer outra pessoa sem minha autorização ele passa direto.

- Desse jeito – a voz cantada de Azrael se fez ouvir apenas um segundo antes de Draco ter um braço atravessando seu peito. Soltando um grito nada masculino, ele deu um pulo para frente de forma nada sonserina apenas para encontrar o demônio gargalhando as suas costas,

- Não teve graça!

- Na verdade Malfoy, foi muito engraçado – Lupin que agora reparara estar logo atrás de Azrael comentou sem conseguir esconder o sorrisinho. Ele olhou para o grifinorio ao seu lado apenas para encontrar Potter gargalhando.

Draco bufou.

- Não temos que continuar treinando?

Aquilo apenas serviu para fazer os três rirem ainda mais alto.

Bufando Draco deu as costas para os malditos. Isso que dava fazer amizade com griniforios.


Harry aumentou a velocidade dos passos, querendo chegar o mais rápido possível na sala precisa onde poderia descontar sua frustração e usar a desculpa que estava apenas treinando.

O dia tinha sido no mínimo estressante, podia sentir a fome começando a incomoda-lo, o que o deixava realmente irritadiço, e como que para testar o quanto ele podia aguentar antes de mandar alguém a merda Hogwarts inteira parecia ter feito um pacto para atormenta-lo hoje.

Tudo começou quando seu despertador não tocou no horário programado, fazendo-o acordar atrasado, correr em direção ao banheiro para fazer a higiene matinal mais rápida de sua vida, o que mesmo assim não lhe deu tempo o suficiente para passar no salão principal e roubar um pedaço de torrada e um copo de café o que lhe fez descer às masmorras completamente faminto para ter Snape rosnando no seu cangote com cada erro que cometia.

Depois disso seguiu para a aula de transfiguração sob um sermão interminável de Hermione sobre responsabilidade e horários apenas para descobrir que tinha esquecido o trabalho que devia entregar em cima da cama, o que lhe rendeu um olhar de reprovação da professora, 20 pontos a menos para a grifinoria e um olhar de Hermione que prometia outro sermão.

No almoço teve que aguentar Ron rosnando no seu ouvido como isso provavelmente era culpa da "doninha albina" que tinha lhe "enfeitiçado" e ver essa mesma doninha cheia de intimidades com Pansy Parkinson.

Para completar o dia Pirraça decidiu que ele era um bom alvo para uma de suas brincadeirinhas o que o fez chegar no salão comunal ensopado com um liquido fedorento.

É, ele realmente estava precisando de uma válvula de escape, ou provavelmente iria explodir com tanto estresse acumulado.

Passou três vezes pela parede que dava acesso á sala precisa e quase suspirou aliviado quando entrou na sala que usavam para treinar.

Ele olhou para um dos alvos e se concentrou fazendo com que uma pequena bola de fogo surgisse na suas mãos antes de arremessa-la na direção que queria.

Fazer aquilo na sua forma humana era muito mais difícil do que quando na forma demoníaca, por isso no inicio quando ainda tinha medo de assumir sua outra forma teve sérios problemas para dominar a técnica, sendo alvo de inúmeras piadinhas de Draco toda vez que suas chamas surgiam tão fracas quanto as de uma vela ou quando a bola de fogo se esvanecia assim que perdia contato com sua pele.

Desde que aceitara seu lado Inccubus para fazer o feitiço que materializava Azrael ele passou a treinar transformado e se surpreendeu com o quão fácil e tola a técnica parecia.

No momento não tinha mais nenhuma problema em gerar a arremessar aquelas pequenas bolas de calor.

- Você está muito melhor nisso! – ele ouviu a típica voz arrastada de Draco e virou a cabeça para olha-lo, sem se levantar do chão aonde tinha se jogado a alguns minutos, exausto, porem satisfeito com o resultado do treino.

- Há quanto tempo você está ai?

- Há alguns minutos, não quis te atrapalhar, você parecia realmente concentrado ali, e sabendo que isso é uma coisa rara para um grifinorio.

- Ah, cale-se – Harry sorriu e Draco deu um de seus típicos sorrisos de lado, antes de andar até o moreno e sentar ao seu lado – o que esta fazendo aqui?

- Os sonserinos estavam conversando sobre as alianças na guerra e eu não quis ficar tempo o suficiente para que algum deles percebesse que eu não desejo me unir a Voldemort, então eu apenas ofendi alguém e fiz uma saída triunfal.

- Você fugiu!

- Malfoys não fogem, eles fazem saídas estratégicas com uma elegância natural.

- Ok fujão!

- Hey! – Draco gritou ofendido, batendo no peito de Harry, que riu e segurou a mão de Draco que se preparava para outro tapa – hey, me larga!

- Porque? – Harry perguntou, desequilibrando Draco e fazendo-o cair deitado ao seu lado apenas para subir em cima dele e iniciar uma sessão de cócegas que só terminou quando Draco implorou por misericórdia.

- Você me paga! – o loiro ameaçou, o que soou muito tolo visto que ele ainda estava ofegante.

- Pelo que? Ter despenteado seu cabelo?

- Isso também!

Harry apenas sorriu e puxou Draco para seus braços que se aconchegou quase instintivamente ao seu corpo.

- Você não poderia convencer alguns sonserinos a mudar de lado? Com sua influencia e todo o mais.

- Tenho certeza que sim, mas esse é um assunto delicado, Voldemort ainda não sabe que eu o trai e gritar minha lealdade em pleno salão comunal me tornaria um alvo em meio segundo, não, eu preciso ter certeza daqueles que estão em duvida e aborda-los um a um, pessoalmente e com discrição, só assim eu terei certeza de colocar algumas cobrinhas ao seu lado Potter.

- Tenho certeza de que eles seriam de grande ajuda – Harry concordou, esfregando seu rosto na curva do pescoço de Draco de forma sonolenta.

- Tem certeza? Nenhum preconceito por eles serem sonserinos?

- Porque teria, nem todos os sonserinos são comensais da morte em treinamento e a maior prova disto está bem aqui nos meus braços.

Draco sorriu com a declaração e virou-se dentro do abraço de Harry para alcançar a boca do moreno num beijo suave. Harry sorriu e apertou o loiro ainda mais forte contra seu peito, apenas para cair no sono sentindo contra seu nariz o perfume suave de que tanto gostava.


Draco acordou quando sentiu a claridade batendo nos seus olhos, se espreguiçando confortavelmente na cama, que devia ter surgido depois que adormeceram.

Ele nunca imaginara que dormir com outra pessoa pudesse ser tão bom, mas os braços de Harry passavam uma segurança imensa que o fez ter a melhor noite de sono de sua vida.

Não que ele fosse admitir isso para alguém, nunca!

Tateou o outro lado da cama procurando pelo moreno para que pudesse se enroscar nele e dormir mais um pouco quando percebeu que a cama estava vazia. Franziu o cenho e abriu os olhos, onde diabos aquele leão em forma de gente achava que tinha ido?

Estava prestes a se levantar para ir procura-lo para arrasta-lo de volta para cama e fazer dele seu ursinho de pelúcia – provavelmente a posição mais honrosa que Harry Potter jamais teve o prazer de possuir – quando reparou no que pensara.

Procurar Harry?

Desde quando precisava procura-lo depois que a ligação tinha se formado?

A realidade atingiu o loiro como uma pedra e ele sentou-se na cama em um impulso só, apenas para encontrar Harry sentado no final da mesma o encarando com um sorriso amuado.

- Parece que você reparou!

- A ligação acabou – Draco sussurrou e Harry assentiu fracamente com a cabeça.

- Parabéns Draco, você está livre.


cap novo! hehehe, depois de seculos sem postar, mas nao me matem, eu sei meus erros e estou refletindo sobre eles! kkkk

se nao me odiarem muito já sabem ne? REVIEW