CAPITULO 10

No dia seguinte, às cinco da tarde e depois de um dia incrivelmente ocupado, Bella admirava a magia dos berços e o água sob o balcão de um hotel veneziano.

Um grupo de homens e mulheres com máscaras e disfarces medievais estava embarcando numa lancha frente ao palazzo. No berço, três meninos vestidos de palhaços gritavam admirados pelo disparo de fogos artificiais que iluminavam o céu sobre os telhados. O carnaval de Veneza: ruidoso, colorido, cheio de vida, emoção e mistério.

- Te alegras de estar aqui conosco? - lhe perguntou a mãe de Edward, Esme Caramanico, uma mulher de uns sessenta anos com grande vitalidade e simpatia.

- Foi um dia maravilhoso - reconheceu Bella. - Não posso te agradecer o suficiente pelas boas vindas tão fantásticas que nos deste. Bella não tinha esperado conhecer a sós a sua sogra, mas um negócio urgente tinha obrigado Edward a tomar um vôo posterior. Depois de recebê-la no aeroporto junto ao padrasto de Edward, Arminio, tinham dado uma volta em sua lancha motorizada pela cidade. Depois a tinham levado a seu hotel, um dos muitos da corrente hoteleira internacional que dirigiam, famosa por sua majestosidade e o extraordinário trato aos clientes.

Nada mais vê-las, Esme e Arminio tinham tratado a Bella e Florenza como se já fossem integrantes queridos da família. Pela manhã as tinham levado a presenciar a inauguração oficial do carnaval e pela tarde, Esme tinha acompanhado Bella a um salão de noivas com uma variedade de vestidos de sonho.

O prazer é meu, Bella. Tu me devolveste a meu filho e agora estás conseguindo que volte a sorrir - contestou Esme emocionada - Quando Edward me visitou no ano passado, não me disse nada, mas notei que se sentia muito triste. Pode que tenha herdado a planta e a inteligência para os negócios de seu pai, mas no fundo é um homem bem mais sensível. Bem, te porás este vestido esta tarde para dar-lhe uma surpresa a meu filho?

- É precioso - sussurrou Bella enquanto acariciava a seda daquele desenho do século dezoito.

Mais tarde, a sós em sua suíte, deixou que as lágrimas escorregassem por suas bochechas enquanto se relaxava na banheira. A um par de dias de seu casamento, deveria sentir-se a mulher mais feliz do mundo. Afinal de contas, estava a ponto de casar-se com o homem que amava... mas que não se teria casado com ela a não ser pelo nascimento de Florenza. Edward adorava a sua filha e seria um pai estupendo Não devia ser egoísta e pensar tanto em si mesma.

O que mais lhe pesava era não se ter atrevido a ensinar-lhe seus sentimentos lendo juntos a carta.

Ele lhe tinha confessado o atraído que se sentia por ela, a raiva que lhe tinha dado pensar que Mike Newton podia ter-lhes roubado a oportunidade de ser felizes... E que tinha feito ela? Deixar que Edward seguisse crendo que o cartão de San Valentín tinha sido uma brincadeira.

Enquanto Bella se mortificava com seus pecados de omissão, Edward, que acabava de instalar-se na suíte de ao lado, estava repassando os seus. Precisava esquecer dessa idéia estúpida de que merecia uma mulher cujo mundo girasse em torno dele, como se fosse o sol. Bella não estava apaixonada dele, mas isso não significava que não pudesse chegar a estar. Tinha que se esquecer de seu ego e reconhecer que Bella tinha feito o razoável ao impedir-lhe de ler a carta, não fosse a prejudicar a relação que compartilhavam nesses momentos.

Não foi fácil colocar a maravilhosa tiara sobre aquele cabelo . Esme e

Arminio a tinham convidado para jantar com eles e a babá estava a ponto de subir para cuidar de Florenza. Bella se pôs um sombra reluzente sobre os olhos e se olhou no espelho. O vestido esmeralda realçava suas curvas de tal modo que a agradou. Ainda que, por outra parte, tinha a sensação de que não devia envergonhar-se de nada, pois assim vestida não a teria reconhecido nem sua própria mãe, pensou doida depois de ter decidido que não informaria a sua família do casamento até depois de ter sido celebrado. Com tão pouca margem de antecedência, sabia que seus pais não teriam podido reservar bilhete para assistir àquele dia tão especial.

Mas, no fundo, também lhe tinha dado medo que se mostrassem indiferentes.

Nada mais ouvir do que chamavam à porta, correu para abrir para evitar que insistissem e Florenza se acordasse.

Ao encontrar-se frente a Edward, cuja chegada não esperava até meia-noite, retrocedeu um passo.

Este murmurou algo sedutor e incompreensível em italiano ao mesmo tempo em que esboçava um sorriso arrebatador. Se disparou o coração, sentiu um revoluteio de borboletas no estômago, mas manteve a cabeça alta, convicta de que não a reconheceria com o véu.

- Bella... - disse Edward sem duvidar um instante.

- Pensei que não saberias que era eu! - protestou decepcionada.

- Te reconheceria em qualquer parte do mundo, de noite e com qualquer disfarce – assegurou ele ao mesmo tempo em que fechava a porta.

- Chegas a tempo para jantar com tua mãe e teu padrasto - comentou então Bella enquanto se tirava o enfeite.

- Não, chamei-os do aeroporto para apresentar-lhes desculpas em nome de nós dois – disse Edward olhando-a de repente com expressão séria. - Precisamos estar sós para falar.

Bella se pôs tensa. Era como se lhe tivessem apertado o botão do pânico. De repente, deu-lhe medo que quisesse cancelar o casamento.

- Edward...

- Não, deixa mim primeiro - se adiantou ele. - Não fui franco contigo. - Nem sequer fui justo...

- Me estás roubando as palavras da boca - Bella foi por sua bolsa, tirou a carta e a entregou desesperada. - Não pensei a impressão que te levarias quando te pedi que não a lesses, mas é tua carta...

- Esquece-te da carta, não importa - contestou Edward - O que importa é que te diga o que sinto... ainda que não creio que te surpreenda saber que estou apaixonado por ti.

Estava tirando a carta do envelope quando engoliu em seco, levantou a cabeça para Edward e o olhou com incredulidade. Tinha ouvido bem? Não era possível. De fato, tinha que estar sonhando.

- No princípio não sabia por que baixava todos os dias ao departamento de marketing - continuou Edward - Não entendia por que me alegrava o dia quando te via, por que me agradavas, por que começava a parecer-me que o resto das mulheres não estavam a tua altura... - Em teu primeiro dia, quando machucaste o dedo e te acompanhei ao hospital, podias ter contado aos colegas, mas foste discreta. - E depois me enfadei quando o chefe de marketing se excedeu por essa estúpida xícara de café. Quando saíste soluçando da festa, entraram-me vontades de arrancar a cabeça de Newton por rir de ti. Queria proteger- te... - E ao ficamos a sós no escritório, não pude resistir a tentação...

- Tinha a sensação de que me tinha atirado em cima de ti – disse Bella com timidez.

- Quem te beijou?, quem tomou a iniciativa?

Só então percebeu Bella que o primeiro passo tinha sido ele.

- Mas tinhas bebido...

- Isso não era mais do que uma desculpa - grunhiu Edward - Sabia perfeitamente o que estava fazendo, mas no dia seguinte me senti culpado por ter te seduzido...

- Eu escapei porque pensava que tinha sido culpa minha.

- E me pus feito uma fúria. Fui procurar-te em sua casa nessa mesma tarde...

- Deus!, nos cruzamos no caminho!

- Então tive que chamar a Austrália até localizar a tua cunhada,Alice, e averiguar onde estavas. - Não te comentou que tinha chamado?

- Sim... - Bella empalideceu – Mas pensava que era porque te preocupava que estivesse gestante. - Então ainda pensava... que estavas comprometido com Rosalie. Edward... lê a carta ou começarei a gritar até ficar louca.

Mas Edward tinha outros planos. Fazia dia e meio que não a tocava, de maneira que a colou a seu potente e musculoso torso e lhe deu um beijo apaixonado e eterno que a convenceu de que a amava.

- Antes ou depois, encontrarei a fórmula mágica para que tu também me queiras - disse Edward - Quando desapareceste de Londres, compreendi o muito que te queria. - Não me tinha dado conta até esse dia.

- Eu sempre soube o que sentia por ti - Bella lhe devolveu a carta.

Começou a lê-la receoso, mas ao cabo de um par de linhas seu rosto passou do assombro à felicidade. De repente, não pôde despegar-se até terminar todas as folhas.

- É... é uma carta de amor – falou maravilhado Edward.

- Quando me inteirei de que estava gestante, senti que não podia seguir deixando-te crer que o cartão de San Valentín tinha sido uma brincadeira.

- Deveria despelar-te viva por ter-me mentido, amor - disse Edward, olhando-a com adoração.

Ato seguido sacou do bolso um precioso anel de safiras que a deixou sem respiração. Depois olhou a Florenza e sorriu ao vê-la dormida com seu carinha angelical.

O dia do casamento amanheceu despejado.

Tinha esquecido que era o dia de San Valentín, mas Bella recebeu uma enorme cesta com flores e um cartão coberto de rosas com um cartão no qual Edward lhe declarava seu amor.

Depois, nada mais terminar de tomar café da manhã e dar de mamar a Florenza, alguém chamou à porta e apareceu toda sua família na entrada: sua mãe, seu pai, Jasper, Alice e seu sobrinho Sam.

Edward lhes tinha pago um bilhete aos cinco e se alojavam no mesmo hotel. Tinha-o organizado em segredo para dar-lhe uma surpresa e não podia estar-lhe mais agradecida. Ver sua mãe emocionada enquanto acariciava a Florenza e sentir o abraço de seu pai era o melhor presente que podia fazer-lhe.

Sua mãe e sua cunhada a ajudaram a pôr o vestido. Depois chegou uma tiara magnífica e uns brincos. Mexida pelo água caminho da igreja em gôndola, Bella se sentiu como uma princesa.

Mas não foi até ver Edward no altar quando o coração terminou de transbordar-lhe de felicidade.

O banquete se celebrou numa sala de baile majestosa e foram multidões de convidados. Todos viam aos noivos tão apaixonados que não podiam evitar sorrir e comentar o bom casamento que faziam.

Até que os despediram para desejar-lhes uma feliz lua de mel.

Essa noite, no refúgio que Edward tinha no bosque da Toscana, divertiram-se recordando o que tinham sofrido até dar-se conta de que estavam mutuamente apaixonados, comprovaram que Florenza estava bem e se felicitaram por ter concebido a uma menina tão maravilhosa. Depois se fundiram num abraço e se beijaram como se fossem o primeiro casal do mundo que descobria o poder do amor.

FIM

E mais uma historia que chegou ao seu fim...

Espero vocês nas próximas historias...

Beijos!