Fiquei ansiosa pra terminar logo de postar. Estou pensando em deixar só o primeiro capítulo da fanfic noir assim que terminar esse. Pra saber se tá muito exagerado. Enfim.
A propósito, Red Jane, eu li o primeiro livro da Mediadora há muuito tempo atrás. Na época, eu até gostei bastante da história, mas não me agradou muito o final. E não faço mais nem idéia de onde está meu livro x)
Cap. 10 – Love is like a delirium
- Quer parar no caminho pra comer alguma coisa?
Jane estava quieto em seu lugar. Pensativo. Lisbon percebeu.
- Por favor. – ela disse – Não diga que só disse que não se importa pra não demonstrar derrota pro House.
Ele deu um sorriso fraco e olhou para ela. Em seguida voltou a olhar pra frente, batendo na testa com o dedão, cotovelo apoiado na janela aberta do carro.
- Eu não sei se me importo ou não, na verdade.
- Você não sabe? – Lisbon perguntou, descrente – Se não sabe, é claro que se importa.
- Não por sua causa, não se preocupe. Não acho que tenha feito algo errado. A questão é… Como você sabia o que eu ia falar quando acordei? Por que pediu pra conversarmos mais tarde?
Lisbon engasgou.
- Eu disse isso?
- Lisbon! – disse Jane, em tom de bronca por ela ter obviamente mentido.
- Você falava durante o coma. Eu ouvi algumas vezes.
- Me ouviu dizer que te amava?
Ele estava indo tão direto ao ponto que parecia tratar o assunto com certa casualidade.
- Sim.
- Talvez eu deva dizer com quê sonhei.
- Fará diferença?
- Com certeza.
Ela deu de ombros, esperando para ouvir. Seguiam por uma longa avenida.
- Depois do que vi, perdi completamente toda confiança e respeito que tinha por você. De repente, Teresa Lisbon virou simplesmente uma, perdoe-me pelo termo, prostituta. A visão não foi das mais agradáveis, se é que me entende. E a questão de ter te visto beijá-lo e ficar furioso explicaria esses sentimentos ao te ver transando com ele. E a perda do respeito e o fato de eu te achar, momentaneamente, uma vadia, criou alucinações de você e ele repetindo os mais eróticos tipos de atos sexuais humanamente imagináveis. E eu tentando negar tudo isso, tentando fingir que não pensava essas coisas de você, mas não havia escapatória. Esses pensamentos estavam na minha cabeça.
Lisbon estava profundamente desconfortável com tudo aquilo. Saber que as alucinações responsáveis por seu consultor ter saído correndo gritando pelo hospital era dela nua fazendo sexo com House era extremamente constrangedor. Não fazia idéia que Jane chegara a pensar coisas tão horríveis a seu respeito.
- Porém, chegou uma hora que eu quis com tanta força negar esses sentimentos ruins que acabei entrando em outra parte da minha cabeça. Tive um reencontro com meus traumas. Cheguei a ver o corpo dilacerado de Angela. E vi Charlotte escorrer pelos meus braços. Sofri, de repente, toda dor que vivi quando as perdi. Foram os piores momentos de toda essa alucinação. Achei que fosse morrer, até que vi Sophie Miller me levantar e me empurrar. Ela cuidou de mim e tirou a dor insuportável. Então esta se tornou algo com que eu podia conviver, apesar de ainda me corroer. E andando sozinho, chegou uma hora que essa dor diminuiu muito. Todo o sofrimento diminuiu, e eu até me esqueci dele por momentos. Percebi que você estava por perto. Do jeito que te conheci. Com a roupa que te conheci. O cabelo, o sorriso. E toda a dor desapareceu. Porque você estava lá. – Uma pausa para olhá-la – Lisbon, nessa hora eu entendi que foi erro meu. Tudo isso. Desde o início. Fechei os olhos pra você em todos os aspectos. Ignorei que pudesse sentir algo além de amizade. Fingi que não melhorei e sorri muito mais depois de te conhecer. Quis acreditar que não era ciúmes que sentia ao ver House flertando com você. Meu ódio por ele, aliás, era muito conveniente pra disfarçar. E foi erro meu te decepcionar e continuar com tudo isso mesmo quando a situação pedia pra que eu confessasse que não queria que beijasse, dormisse, saísse com House. Porque queria que esperasse por mim. Portanto, naquele momento da minha alucinação, eu entendi que meus pensamentos ruins ao seu respeito eram meramente egoístas e irracionais. Orgulho ferido por palavras não ditas.
- Você sabia então que eu e House juntos não era uma alucinação?
- Não fazia idéia. Mas, honestamente, isso não faz diferença. A questão é como eu reagi a essa visão, sendo ela verdadeira ou não.
- Eu transei com House! – ela repetiu – Isso foi real. Independente da sua reação.
- Eu sei. Mas, de novo, foi culpa minha. Eu poderia ter impedido.
Lisbon começou a derramar algumas lágrimas nessa altura. Jane podia entender.
- Impedido, Jane? Com quê? Por quê? Eu não pertenço a você nem a ninguém.
- Está certa. Mas me ama. E não teria arriscado me decepcionar se eu tivesse deixado as coisas claras pra você.
Ela deu um riso irônico.
- Quem disse que eu te amo?
- Seus olhos. E a forma com que está chorando por falarmos nesse assunto. E a culpa que vi em você quando acordei. E suas palavras quando te vi beijando House. Tirando, é claro, o bater acelerado do seu coração, misturado com um leve aumento na sua temperatura corpórea quando dançamos juntos. Seu ciúme por Sophie Miller. Poderia enumerar infinitas pequenas provas.
- Poderia, por favor, parar de me analisar?
- A questão, Lisbon, é que você não vê um bom futuro comigo, por eu ser complicado demais, irresponsável demais, e com um passado que sempre irá estar presente.
- E é mentira?
- Não. Mas também não é mentira que independente disso tudo, você não seria tão feliz ao lado de um outro quanto ao meu.
- E quanto a isso só posso dizer que não serei feliz ao lado de ninguém.
- Pretende mesmo acreditar na idéia que teve há alguns anos, quando passou a achar que seria feliz apenas trabalhando?
- Em que idéia você quer que eu acredite? Na idéia de um Jane ideal que não pretende ir pro corredor da morte pra se vingar de um serial killer?
- A idéia de um Jane que te ama seria suficiente pra mim.
Lisbon parou o carro. Então, mais irritada, virou o tronco para olhá-lo de frente. Deparou-se com uma expressão de igual irritação.
- Por que isso agora? Por causa da sua alucinação? Só por isso? Por causa de uma alucinação você acha que pode bagunçar toda minha vida e resolve se declarar? As coisas não mudaram, Jane. Você ainda trabalha na CBI. Ainda quer matar o Red John. O que exatamente você pretendia quando pensou "vou ignorar todas as circunstâncias e tornar a vida da Lisbon um inferno!"?
- Às vezes não pensamos nas circunstâncias porque o cérebro não fala tão alto quando o coração grita.
- Então é simplesmente isso, não é? Não há planos. Não há meios. Há apenas a declaração e nada mais depois disso.
- Não faço milagres. – ele deu de ombros.
- Nem eu.
Os dois ficaram em silêncio alguns minutos. Ela olhava para fora, com a cabeça apoiada na mão. Ele olhava para baixo, esperando qualquer continuação na conversa. Então ele achou que havia cansado de esperar e fez logo o que pretendia. Tocou a nuca dela, o que a fez se assustar e vira-se na direção dele. Maior foi o susto quando percebeu que o rosto dele estava ali, rente ao seu, a milímetros de se tocarem. Não houve a menor menção a rejeição.
Um milhão de barreiras foram explodidas com aquele beijo. Por parte dele, mais da metade. A mão que carregava uma fina aliança de ouro era a mesma que agora acarinhava o rosto dela. E o distintivo da CBI os encarava acusatoriamente, mas era testemunha muda daquele ato. Afinal, o amor deles era um delírio. Não tinha lógica. Não tinha motivos. Não tinha bases. Só eles acreditavam, e acreditariam para sempre, sem nunca poderem extravasar para os demais. O delírio dos dois era inconsciente: estava presente em todos os momentos sem que percebessem. Porém, o delírio, por mais que seja irreal, aqueles que o têm, o sentirão e o viverão na mesma intensidade que a realidade. O que tinham não existia para Hightower ou para as leis do CBI. Mas existia para aquele carro, para os dois corações. E, acima de tudo, era enlouquecedor.
O fim está dado. Só falta dar o ponto final. O próximo cap é bem curtinho, só pra acabar bem Jisbon xD
