Era uma noite quente de quinta-feira quando o anjo apareceu no quarto dos Winchesters. Sam dormia em uma das camas, cercado pelos livros e notebook, enquanto Dean abria a quarta cerveja da noite.
– Dean.
O caçador segurou mais firme a garrafa que tinha em mãos e se preparou para despejar o primeiro palavrão que veio em mente. Dean deixou o xingamento em algum lugar da língua quando encarou os azuis profundos a sua frente.
– Aconteceu alguma coisa? – o caçador tinha preocupação na voz e Castiel correspondeu com os olhos azuis semicerrados.
– Não.
Houve um minuto inteiro de silêncio e o caçador percebeu que teria que perguntar o porquê em troca de uma melhor resposta do anjo.
Será que os anjos não sentem curiosidade ou é só prazer por dar respostas incompletas?
– Então..? – Dean agitou as mãos pedindo a continuidade.
– É só... – O caçador observou o anjo se aproximar e uma onda de bem estar o atingiu, havia tanta serenidade no ser que às vezes o caçador precisava desviar o olhar para lembrar onde estava. Estar perto do anjo era como experimentar um pouco do paraíso.
– Eu ouvi um casal de jovens dizer.. – os olhos azuis se abaixaram por instantes e logo Dean percebeu que se tratava de dúvidas angelicais.
– Tudo bem, Cas. Lembra do que eu te disse? Você pode me perguntar o que quiser vamos lá – o caçador sorriu com confiança e bebeu um gole da cerveja.
– Eu ouvi um jovem dizer á uma moça que a amava e que iria até o inferno por ela. Eu fui até o inferno por você então significa que o que eu sinto por você é amor? – a cabeça do anjo estava inclinada e o olhar era concentrado - Eu sei que vocês humanos ás vezes mentem e dizem gostar de coisas quando realmente não gostam – Castiel deu dois passos a frente, o suficiente para sentir a fragrância humana que o outro exalava, os olhos azuis fixaram nos verdes. Não havia qualquer traço de maldade naquela pergunta, o anjo conseguia transformar as questões difíceis em meras questões de sim ou não, o que obrigou Dean a saborear um pouco do silêncio sem saber exatamente como responder. Por instantes o caçador se esqueceu de como respirava.
Dean piscou e no segundo seguinte Castiel não estava mais ali.
– Cas? CAS? Você ainda está aqui?
E tudo o que Dean ouviu foi o ronco do irmão mais novo.
– Son of a ...
