Queridos, eu voltei! Boa leitura!

Obs.: Samara Nery, poderia me enviar o nick com que se registrou no fórum, ai peço pros meninos te liberarem.

Na manhã de Halloween, acordamos com o delicioso cheiro de abóbora impregnando todos os corredores do colégio. Mas, o melhor, foi que o professor Flitwick anunciou em sua aula de Encantamentos que estávamos prontos para fazer objetos voarem, algo que todos morriam para fazer desde que viram como ele tinha feito o sapo de Neville voar, e que a mim tinha sido algo em que me dei bem no passado, sem contar que estava alegre de levar dois meses entre os leões e ainda estar vivo.

O professor Flitwick colocou a classe em duplas para que praticássemos. A dupla de Potter era Seamus Finnigan e acabei ficando com Longbottom. Weasley, no entanto, teve que trabalhar com Hermione Granger. Era difícil para mim decidir quem estava mais chateado dos dois. Granger não falava conosco desde o dia em que recebemos as vassouras, e isso que eu nem tinha me metido nas discussões.

- E agora, não se esqueçam desse bonito movimento de pulso que temos praticado. - O professor disse com sua voz aguda, em cima de seu monte de livros, como de costume, cabe destacar que isso sempre me deixou nervoso, sempre ficava esperando que ele caísse e quebrasse o pescoço. - Agitar e golpear, lembrem-se, agitar e golpear. E pronunciar as palavras mágicas corretamente é muito importante também, não se esqueçam nunca do mago Baruffio, que disse "ese" no lugar de "efe" e terminou derrubado no chão com um búfalo em cima do peito.

Para todos parecia muito difícil. Potter e Finigan agitaram e golpearam, mas a pena que deveria voar até o teto não se movia da mesa e eu tentava conter o riso que isso me causava. Finigan ficou tão impaciente que a cutucou com sua varinha e ela pegou fogo, Potter teve que apagá-lo com seu chapéu, enquanto grunhia alguns palavrões dos mais bonitos baixinho.

Weasley, na próxima mesa, não estava tendo muita sorte também.

- Wingardium leviosa! - Gritou, agitando seus longos braços como um moinho, juro que não sei como não ri.

- Está falando errado. - Escutei Granger dizer, parecia uma bronca real. - É Wingardium levi-o-sa, pronuncie o gar más claro e por mais tempo.

- Preste atenção, Longbottom. - Disse, enquanto me preparava para fazer minha ena voar, esperando que desse certo, senão o leão ia rir de mim.

- Diga você, então, já que sabe tudo. - Escutei Weasley dizer, com raiva.

Sem perceber, lancei o feitiço ao mesmo tempo que Granger, ambas as penas se elevaram quase juntas um bom trecho sobre as nossas cabeças.

- Oh, bem feito! - Gritou o professor Flitwick, aplaudindo. - Olhem, Hermione Granger e Draco Malfoy conseguiram.

Olhei para Granger, e ela me devolveu o olhar, quase a vi esboçar um sorriso, mas se virou muito rápido.

Quando a aula terminou, Weasley estava soltando fogo pelas ventas, então me mantive a uma distância prudente dele, para que não despejasse o mau humor em mim.

- Não é estranho que ninguém a aguente. - Disse a Potter, quando íamos pelo corredor para a próxima aula. - É um pesadelo, estou falando sério. E Malfoy sempre se exibindo.

Ia encará-lo, mas alguém passou rapidamente do meu lado e deu-lhe um empurrão em Potter, me dei conta que era Granger.

- Acho que ela te ouviu.

- E daí? - Weasley respondeu, sem baixar o tom de voz, ainda que parecesse um pouco incomodado. - Já deve ter se dado conta que não tem amigos. Faria boa dupla com Malfoy.

Dessa vez, fui eu que apressei o passo e dei um empurraão ao passar por Weasley, o que estava pensando? Eu não precisava de nenhum amigo estúpido. Se quisesse amigos, teria ido a Slytherin. Bem, não eram exatamente amigos, mas, pelo menos, com Pucey podia confiar com meus assuntos.

Estúpido leão, idiota ruivo, não podia ficar quieto em vez de sair ferindo as pessoas por ai? Não me arrependia nesse momento de todos os insultos que lancei ao longo dos anos. Os merecia, o maldito desgraçado.

Granger não apareceu na próxima aula, não é ruim reconhecer que fiquei preocupado por ela, certo? Mas, se eu estava triste, imaginei como ela estaria, as garotas, por si só, são mais sensíveis e essas coisas. E, ele estava certo, Granger era más solitária que eu. Teria me aproximado dela, mas sabia que cedo ou tarde, terminaria com Potter e Weasley, formando o trio de ouro, então, nada disso, teria que deixar as coisas seguirem seu curso.

Não voltei a vê-la a tarde toda, mas quando íamos até o Salão, Parvati Patil comentou em voz muito alta com sua amiga Brown, que Granger estava trancada e chorando no banheiro femenino, e que queria que a deixassem sozinha. Bem, isso me deixou triste, e por quê? Eu sabia o que era chorar sozinho, sem ter a ninguém que te consolasse.

Weasley pareceu ficar mais irritado, talvez era sua forma de ocultar sua preocupação, mas Potter e ele se esqueceram dela rapidamente diante da magnífica decoração do Salão, e os deliciosos pratos que estavam sobre as mesas.

Eu não consegui me esquecer dela, mas não podia fazer nada.

Estávamos na metada do banquete quando Quirrel apareceu no meio do salão, com o turbante torcido e uma cara de terror muito convincente. Bem, para quem não sabia, e foi quando me lembrei do trol.

Todos o olhavam enquanto se aproximava do professor Dumbledore, se apoiva na mesa e murmurava:

- Um trol nas masmorras... pensei que deveria avisar.

E fingiu desmaiar.

Todos começaram a gritar e tentar escapar, tampei os os ouvidos por inércia ao me lembrar do sonorus que Albus Dumbledore lançaria, despois de fazer sair de sua varinha vários fogos de artifício.

- Prefeitos, levem os seus grupos aos dormitórios imediatamente.

Nunca antes tinha visto a Percy Weasley com cara tão feliz, ao poder dar ordens e gritar, assumindo ar de grande autoridade e solenidade. Teria rido se não fosse porque tinha visto Severus sair por uma das portas que conduziam aos pisos superiores. Quase em seguida deduzi que tinha que ter ido ver o cão de três cabeças, e me preocupei muito por um momento, porque me lembrei que no dia seguinte o tinha visto com uma ferida feia na perna.

- Bem, agora já sei como a conseguiu. - Suspirei, antes de seguir os demais leões e ao grande prefeito Weasley.

X~x~X

- Como um trol conseguiu entrar aqui? - Potter perguntou, enquanto subíamos pelas escadas.

- Não tenho nem ideia, ao que parece são totalmente estúpidos. - Ron disse. - Talvez Peeves o deixou entrar, como piada de Halloween.

Passaram vários grupos de alunos, que corriam em direções diferentes. Enquanto abriam caminho entre o tumulto de lufa-lufas confusos, Harry subitamente agarrou o braço de Weasley.

- Acabo de me lembrar! Hermione!

- O que tem ela?

- Não sabe do trol.

Vi Weasley duvidar e morder o lábio.

- Oh, está bem. - Disse, aborrecido. - Mas, Percy não pode nos ver.

Se agacharam e se misturaram com os lufa-lufa que iam até o outro lado, se deslizaram por um corredor deserto e corretam até o banheiro das meninas, claro que eu, muito estúpido, fui atrás deles. Acabaram de virar uma esquina quando ouviram passos rápidos a nossas costas.

Juro que tive só o tempo de me meter atrás de uma armadura, que mal me cobria, mas por sorte, a pessoa que passava não me viu, menos mal, porque era Severus, se me encontrasse ali sozinho e tão longe da sala comum, me mataria.

Ele cruzou o corredor e desapareceu.

- O que ele estava fazendo? - Escurei que Potter murmurava, escondido junto com Weasey atrás de uma harpia de pedra. - Por que não está nas masmorras com o resto dos professores?

- Não tenho a menor ideia.

Eu sim acho que sei, creio que foi ao terceiro andar para proteger aquela pedra estúpida. Quase se me dar conta, recordei o corpo de Severus mordido pela serpente de Voldemort na Casa dos Gritos, fechei os olhos diante da imagem que jamais tinha podido tirar da mente.

No entanto, me recompus e segui os estúpdos leões. O mais silenciosamente possível, eles se arrastaram pelo outro corredor, atrás dos passos apagados do professor.

- Vai pro terceiro andar. - Potter disse, mas Weasley levantou a mão, fazendo-o se calar e eu me escondi no canto de uma das escadas perto de mim.

- Não está sentindo um cheiro estranho?

Cheiro estranho? Oh, merda, o trol. Por que tinha que me sentir curioso justo hoje?

E o ouvimos, um grunhido e os passos inseguros de uns pés gigantecos. Weasley sinalizou o fim do corredor à esqueda. Algo enorme se movia para nós, o estúpido trol, Merlin. Eles se esconderam nas sombras e eu me encolhi ainda mais no meu cantinho, disposto a escapar apenas se se aproximasse de mim. O vimos seguir a luz da lua.

Era uma visão horrível. Mais de três metros e meio de altura e tinha a pele cinzenta, um corpo descomunal e deformado, e uma pequena cabeça careca. Tinha pernas curtas, grossas como troncos de árvore, e pés achatados e deformados, as imagens dessa coisa nos livros não eram ameaçadoras. O cheiro que emanava era horrível. Tinha um grande bastão de madeira que arrastava pelo chão, porque seus braços eram muito longos.

O monstro se deteve em um porta e olhou para dentro. Agitou suas orelhas, tomando decisões com seu pequeno cérebro, e logo entrou lentamente na habitação.

- A chave está com fechadura. - Potter sussurou a uns passos de mim. - Podemos trancá-lo ali.

- Boa ideia. - Weasley respondeu, com voz agitada.

Foi nesse momento que me perguntei como Potter podia ter matado o Lorde das Trevas, por acaso não tinham se dado conta de que era o banheiro das meninas, e que Granger estava ali dentro?

- Sim! - Os escutei gritar, e tive vontade de sair e gritar bem alto que eram uns inúteis, mas ao mesmo tempo fiquei petrificado pelo medo de que o trol fizesse algo com a menina. Definitivamente Gryffindor me faz mal, porque agora estava a ponto de ir buscá-la eu mesmo.

Animados com sua vitória estúpida, começaram a correr pelo corredor para voltar, mas ao chegar na esquina ouviram algo que fez seus corações pararem: um grito agudo e aterrorizado, que vinha do lugar que tinham acabado de fechar com chave.

Merlin, Granger continuava ali!

- Ah, não. - Weasley disse, tão pálido como o Barão Sanguinário.

- É o banheiro das meninas! - Harry bufou.

- Hermione! - Disseram ao mesmo tempo.

Menos mal que os dois neurônios que deviam ter soltas na maldita cabeça se uniram.

Os vi correr de volta a toda velocidade até a porta e girar a chave, se viam muito assutados. Potter empurró a porta e entraram correndo.

Sei que rodei os olhos, e fiz a única coisa que me ocorreu, comecei a correr na direção por onde Severus se tinha perdido da minha visão. Com medo, não pude pensar certamente isso já tinha acontecido antes e que Granger estaria bem, mas naquele momento, a única coisa que podia pensar era na menina assustada e no par de cabeças ocas que tinha deixado com ela.

- Merlin, que vida agitada levam! - Me queixei, enquanto dobrava uma das esquinas e saltava os degraus da escada de dois em dois.

Quase ao chegar na porta onde estava escondido o cachorro de três cabeças, me choquei com alguém, levantei o olhar e me vi cara a cara com a professora McGonagall, um pouco mais atrás dela estavam Quirrel e Severus, tentando conter a dor na perna e me olhando como se fosse um fantasma.

- Pode ecplicar por que diabos está aqui, senhor Malfoy? - McGonagall disse, com o cenho franzido e os lábios tão juntos que pareciam dois riscos, quase como os lábios que tinha o maldito estuprador do Lorde.

- Potter e Weasley! O trol! Banheiro das meninas. - Sussurrei entre ofegos, Minerva McGonagal se pôs a correr com a agilidade de uma debutante e atrás dela Quirrel e Severus, que se voltou um pouco para mim, enquanto mancava rapidamente.

- Você está bem?

- Assustado. - Susurrei.

- Imagino, quer me dizer o que faz fora da sua torre?

- Estava seguindo Potter e Weasley. - O vi revirar os olhos, mas não fez mais perguntas.

X~x~X

Parado atrás de Severus, vi como os três se viraram, sobressaltados em direção a porta que Mcgonagall tinha aberto com tanta violência que chocou contra a parede, produzindo um ruído seco.

Deu-me muita raiva ver como o estúpido e cínico Quirrel soltava um gemido lastimoso e apertava o peito com as mãos.

Vi Severus se inclinar sobre o trol. A professora McGonagall olhava Potter e Weasley com uma expressão de tal aborrecimento que eu inconscientemente dei um par de passos para trás e me coloquei atrás de everus quando ele se levantou novamente.

- Em que estavam pensando, por todos os céus? - McGonagall gritou, com um fúria gelada. Vi os leões se olharem, Weasley ainda com a varinha em riste. - Vocês tem sorte de que não os tenha matado. Por que não estavam nos dormitórios?

Severus mandou um olhar a Potter que era afiado e inquisidor. E Potter cravou os olhos no chão, parecia envergonhado ou bravo, divertido? Levantei uma sobrancelha, por acaso tinha visto um sorriso nos lábios do herói?

Mas, nisso, se escutou a voz de Granger, e dei um pulinho de surpresa, por um momento, me esqueci que era ela quem queria salvar indo atrás de Severus.

- Por favor, professora McGonagall. Estavam procurando por mim.

- Hermione Granger!

O tom de McGonagall era de autêntica incredulidade, e não pude evitar olhar a Granger com olhos revirados.

- Eu vim procurar o trol porque eu... eu pensei que podia vencê-lo, porque, já sabe, tinha lido muito sobre o tema.

Vi Weasley olhar a Granger com a mesma incredulidade que eu. Granger estava mentindo descaradamente para três professores, dois dos quais eram Chefes de Casa, e realmente amedontradores quando se irritavam.

- Se eles não tivessem me encontrado, eu agora estaria morta. Harry enfiou sua varinha no nariz do trol, e Ron o fez se golpear com o próprio bastão. Não tiveram tempo de ir procurar ajuda, estava a ponto de me matar quando eles chegaram.

Weasley e Potter trataram de não se mostrar assombrados, e eu fiz o mesmo quando Severus me olhou como se quisesse descobrir o segredo do universo no meu rosto pálido.

- Bem, nesse caso. - A professora disse, contemplando os três alunos a sua frente, com certa indulgência em sua voz. - Hermione Granger, você é uma tola, como podia acreditar que ia derrotar um trol gigante sozinha?

Granger abaixou a cabeça, parecendo muito envergonhada. Potter a olhava mudo. E eu sabia porquê, Granger era a última pessoa que faria algo contra as regras e ali estava, fingindo uma infração para livrá-los de problemas.

- Hermione Granger, por isso, Gryffindor perderá cinco pontos. - A professora McGonagall disse. - Estou muito desapontada com a sua conduta. Se não se machucou, melhor voltar para a torre de Gryffindor. Os alunos estão terminando a festas em suas casas.

Granger passou ao meu lado e me deu um olhar surpreso pela minha presença, e logo esboçou um sorriso tímido, eu também meio que sorri para ela.

A professora McGonagall se voltou para Potter e Weasley.

- Bem, sigo pensando que tiveram sorte, porque não muitos de primeiro ano poderia derrubar a essa montanha. Ganharam cinco pontos cada um para Gryffindor, o professor Dumbledore será informado disso. Podem ir.

Eles iam sair quando McGonagall se virou para Severus e me descobriu, merda, como não me ocorreu sair dali quando podia?

- É verdade, senhor Malfoy. - Weasley e Potter me olharam com cara de poucos amigos. - Cinco pontos para Gryffindor por seu bom juízo.

Incrível, McGonagall tinha me dado cinco pontos, não tinha me castigado, e ainda por cima me sorria!

- Obrigado. - Eu disse.

- Vão os três agora mesmo para a sala comunal.

Saímos rapidamente e não falamos até subir dois andares. Era um alívio estar fora do alcance do cheiro do trol, além do resto, mesmo que esperasse por um ataque dos leões a qualquer momento.

- Obrigado, Malfoy. - Weasley sussurrou, de repente.

- Por quê? - Perguntei, surpreso de verdade.

- Porque suponho que foi procurá-los para que nos livrassem do trol.

Se isso tivesse acontecido antes, aqueles dois teriam pensado sem dúvida nenhuma que o tinha feito para os castigassem. E o mais provável era que fosse isso mesmo.

- De nada, Weasley. - Murmurrei.

- Teríamos que ter ganhado mais de quinze pontos. - O ruivo se queixou, de repente.

- Dez, você quer dizer, uma vez que descontamos os da Hermione.

- Se comportou muito bem ao nos tirar dessa confusão. - Weasley admitiu. - Claro que nós a salvamos.

- Não teria precisado de salvamento se não tivéssemos trancado essa coisa com ela. - Potter o lembrou, e eu estava muito de acordo com ele.

Tinhámos chegado ao retrato da Dama Gorda.

- Focinho de porco. - Potter e Weasle disseram, e entraram, eu os segui em silêncio.

A sala comunal estava cheia de gente e de barulho. Todos comiam o que tinham trazido. Granger, no entanto, estava sozinha, perto da porta, esperando por eles. Aconteceu uma pausa incômoda, eu fiquei quieto atrás de Potter e Weasley, e logo, sem se olharem, todos disseram "obrigado" e correram para pegar pratos para comer.

Fiquei olhando para eles por longos segundos. Já tinham se perdoado tudo? Assim, sem mais nada? Os gryffindor eram estranhos, senti muitos olhares sobre mim, então peguei um par de doces ao passar e me dirigi ao quarto dos meninos.

Não estava acordado quando os demais subiram, mas, no dia seguinte, o trio já estava formado, eram os três amigos inseparáveis de que eu me lembrava, e seguiram sendo até onde eu já sabia.

Potter e Weasley desde essa noite, sempre me cumprimentavam, mas seguiam me excluindo das suas coisas como todos os demais, mas pelo menos não me vigiavam como o resto. Inclusive Longbottom tinha deixado de me olhar com ódio. Depois de tudo, não era tão ruim.

Obrigada por ler e comentar!