Promessas da Paixão pertence a Anna DePalo


CAPÍTULO DEZ

Queria fazer amor com ela tão intensamente que sentia como se fosse sair da própria pele.

— Sempre achei que só um homem firme conseguiria conquistá-la.

Ela molhou os lábios.

— Acha que está preparado para a tarefa?

— Aposto esta casa que estou.

Massageou os músculos da base de suas costas e sentiu-a relaxar, enquanto os bicos dos seios enrijeceram e o pressionaram através do tecido do vestido.

Estava ficando mais excitado a cada segundo com ela em seus braços.

— Preciso preveni-lo — disse ela com voz rouca.

Sentiu vontade de rir à necessidade dela de preveni-lo. Teria rido se não estivesse se sentindo como um fio vivo conduzindo correntes de desejo.

— Mmm? — Os olhos se fixaram em sua úmida e deliciosa boca, mas também estava ligado às suas outras partes atraentes. — Do que precisa me prevenir?

— Tenho de preveni-lo que eu jamais quis casar com um homem parecido com meu pai. Até mesmo antes de Amos.

— E sou como seu pai? — perguntou, preguiçoso, as mãos procurando o zíper nas costas do vestido.

Tinha esperado horas para libertar suas curvas. Queria explorá-las sem nenhuma barreira. Lily assentiu.

— Para você, o trabalho vem primeiro. Eu quase me casei com Amos porque ele me dava atenção.

— Acredite — brincou —, você tem minha completa atenção.

Como se para provar o que dizia, ele roçou o nariz em seu pescoço, abrindo o zíper de seu vestido.

Precisava tê-la agora. Antes de explodir.

Por que estavam falando sobre falta de atenção quando seu problema era que ele não conseguia tirá-la de sua mente?

Ela preenchia tanto seu cérebro que tinha dificuldades de se concentrar em qualquer outra coisa.

— Só quero que você saiba minha posição — disse ela num sussurro.

Quando seu vestido escorregou para o chão, ela ficou apenas de calcinha branca de renda e sapatos de saltos altos, curvas deliciosas e longas pernas.

A boca de James secou e ele engoliu.

— Eu diria que sua posição no momento é quase nua em meus braços.

— Fale sério.

Ela queria que ele fosse sério? Nunca tinha sido mais sério sobre coisa alguma.

No momento, estava concentrado apenas em se adaptar a ela.

Mesmo assim decidiu continuar o jogo enquanto suas mãos deslizavam em suas curvas.

— Não tenho ilusões. Você está atrás dos meus milhões de espermatozoides.

— Estou contente por você se sentir bem com isso — disse ela, a respiração curta.

— Bem, é difícil competir com diversas centenas de milhões de pequenos sujeitos e chegar na frente.

Aquela era uma dança perigosa, mas ele estava pronto para ela. Mais do que pronto. A perspectiva de engravidar Lily endureceu-lhe o membro como rocha.

Plantou beijos molhados ao longo de seu queixo, depois as mãos agarraram suas belas nádegas e ele a puxou fortemente contra si.

Os olhos dela escureceram, então puxou sua cabeça para ela.

O beijo foi abrasador. Suas línguas se encontraram, esgrimiram e atacaram.

Seus dedos mergulharam nos cabelos dela, soltando grampos, para colocar a cabeça no ângulo certo e aperfeiçoar o beijo.

Queria se consumir com o calor. Queria que sua essência o cercasse, queria se perder dentro dela.

Quando finalmente levantou a cabeça, estava respirando com dificuldade.

Notou que Lily estava corada, sua boca inchada e os olhos brilhantes.

— Preciso ter você — disse asperamente.

Sem responder, ela deixou que suas mãos acariciassem o membro, um meio sorriso sonhador curvando seus lábios.

Ele gemeu e praguejou. Seu toque era delicado e o fez querê-la ainda mais.

Queria que o momento durasse. Queria prolongar o momento até que os dois estivessem equilibrados sobre o precipício, balançando-se à margem de uma quase insuportável e delicada sensação, na qual uma carícia a mais poderia fazê-los cair. Mas o anseio de estar dentro dela e encontrar o doce alívio era irresistível.

Empurrou as mãos dela com urgência e ela caiu na cama, suas sandálias atingindo o assoalho.

— Você está me enlouquecendo — resmungou ele.

Ela se ergueu nos cotovelos e ele começou a se despir.

Sorriu para ele, parecendo bêbada da paixão insana que havia entre eles.

Quando ele terminou de se despir, ela disse:

— Não tomei a pílula.

Ele fez um trejeito com a boca.

— Ótimo. Vou passar a informação para os duzentos milhões de sujeitos interessados.

Ela fez um som que era meio risada e meio arquejo.

Ele estendeu a mão e a passou por sua perna, ao longo da coxa até os joelhos e descendo para a maciez da panturrilha.

Erguendo-a, beijou o lado interno do tornozelo, depois a pele delicada do arco de seu pé. Sua outra mão subiu suavemente em direção aos recessos ocultos cobertos por seus cacheados pelos escuros.

Lily se contorceu.

— James!

Foi sobre isso que fantasiara. Lily despojada de suas camadas protetoras e desejando-o.

— Sim, diga meu nome — retrucou ele, erguendo mais a mão e tirando-lhe a calcinha.

Queria que ela se lembrasse de quem a estava fazendo se sentir tão bem.

Jogando a calcinha para o lado, estendeu-se ao lado dela na cama e puxou-a para cima de si.

Ela o montou e, como seus cabelos tinham se soltado dos grampos, as mechas acariciaram seu rosto.

Os olhos de topázio prenderam os dela enquanto, guiada pelas mãos em seus quadris, ela se afundou nele, centímetro por delicioso centímetro. Quando estava completamente dentro dela, ambos soltaram um suspiro de satisfação.

Ele se moveu então, investindo, e ela correspondeu, pegando o ritmo.

Lily arqueou as costas, seu cabelo ruivo parecia uma gloriosa moldura acaju para sua macia pele de marfim.

Subiram cada vez mais alto, escalando em direção ao pico, os gemidos de Lily misturando-se a sua respiração difícil.

James estava consciente de sua crescente necessidade, mas determinado a se controlar até que fosse perfeito para ela.

Quando finalmente sentiu o clímax de Lily se aproximando em longas e constantes ondas, experimentou enorme prazer ao senti-la se desmanchar por ele.

Só então gemeu e deixou-se ir num alívio explosivo que o enviou ao vórtice.


— Alô? — chamou James, fechando a porta da frente.

Era quarta-feira e decidira voltar para casa cedo do trabalho para surpreender Lily. Tudo bem, quem ele pensava que estava enganando?

Viera cedo para casa porque precisava ver Lily, estar com ela.

Nas duas semanas que se passaram desde que voltaram de sua curta lua-de-mel, descobrira que sua mente vagueava com regularidade para fantasias eróticas. Não conseguia e não queria deixar de pensar nela.

Pôs a pasta de couro sobre a mesa no hall de entrada e afrouxou a gravata.

— Alô? — chamou de novo.

Talvez Lily tivesse saído. Para trabalhar, fazer compras ou ver uma amiga. O desapontamento tomou conta dele.

Acostumara-se a ter alguém em casa para quem voltar.

A casa em Pacific Heights se tornara viva para ele desde que Lily se instalara nela.

Depois de sua volta do fim de semana de lua-de-mel em Napa, a empresa de mudança teve pouco trabalho em transportar os objetos mais importantes de Lily de seu apartamento em Russian Hill para a mansão dele — não, deles, em Pacific Heights.

Assim que Lily decidisse o que queria fazer com o restante de sua mobília, ele cuidaria de alugar seu apartamento.

Não estava com pressa. Ele a fizera correr para o altar, mas podia ser paciente enquanto se ajustavam ao casamento.

Agora, o som distante de música checou até ele e de repente ficou quieto e prestou atenção.

Podia ouvir a distância as notas de um arranjo clássico.

Olhou para a imponente e curvada escadaria, para o andar de cima. A música parecia vir do segundo andar.

Acabou de desamarrar a gravata e subiu a escada, dois degraus de cada vez.

No corredor, deixou seu olhar passar pelas diversas portas fechadas. Então, depois de um momento, caminhou com propósito para um dos quartos de hóspedes sem mobília. Quando virou a maçaneta e abriu a porta, a surpresa o fez parar de repente.

Lily jogava as pernas e inclinava-se e deixava os braços se abrirem em leque no quarto vazio, inconsciente de sua presença. Estava vestida com uma malha negra e sapatos de balé combinados, o cabelo num rabo-de-cavalo.

Um iPod estava num canto, as caixas de som sobre uma base semelhante a uma rosca. Música, etérea e bela, enchia o cômodo enquanto Lily se erguia enpointe, os braços graciosamente estendidos.

Confuso, James prendeu a respiração. Sabia que ela fizera lições de balé por anos, mas não tinha ideia de que continuara a dançar.

Olhando-a, sentiu o corpo enrijecer e despertar, ela parecia delicada e etérea enquanto se movia.

Quando fez uma pirueta, ele pôde ver o momento exato em que percebeu sua presença.

Seus olhos se tornaram maiores, mas não houve pausa em seu volteio.

Segundos depois ela se curvou, enquanto a música acabava.

A seguir ergueu-se, os braços caindo ao lado, e ele começou a aplaudir.

Oi — disse ela, o coração batendo fortemente por causa do esforço.

Os cantos de sua boca se ergueram.

— Oi, você. Não sabia que ainda dançava — disse ele.

— Só em casa e para me divertir.

— Algum outro talento que eu deveria conhecer?

Ela ergueu um ombro com negligência.

— Balé, sinuca... e, oh sim, promoção de festas. Isto é tudo.

Seus lábios estremeceram de novo.

— Impressionante.

Ela soprou e os fios de cabelo em torno de seu rosto subiram e caíram.

— Quando comecei a Occasions by Design, aceitava qualquer proposta que aparecia. — Olhou-o nos olhos, como se o desafiasse a rir. — Terminei fazendo uma porção de festas para crianças, quando me vestia como bailarina.

— Essa deve ter sido uma forma interessante de começar uma empresa — disse ele, mantendo o rosto sério.

— Não me incomodava. Sempre quis uma família grande e era um jeito de ter uma porção de crianças em torno de mim.

Desta vez, ele se permitiu um sorriso.

— Posso imaginá-la na roupa completa de tule rosa.

Percebeu então que Lily realmente tinha uma afinidade com crianças. A possibilidade da infertilidade deve ter sido um golpe duro. Ao mesmo tempo, compreendeu que o pensamento de ter muitos filhos com ela não o incomodava nem um pouco.

— Sim, era tule rosa — confirmou Lily. — Eu podia ser a boneca no alto do bolo.

Ele riu.

— Agora, sobre essa ideia de uma grande família...

Ela corou.

— Sua vontade de ter uma família grande é porque...

— Sou filha única? — Negou com a cabeça. — Não quero que pense que fui infeliz, porque meus pais me adoravam. Mas quando estava na casa de amigas, podia ver como se divertiam com seus irmãos.

Ele compreendeu a verdade do que ela dissera.

— Depois que meus pais morreram, era bom ter meus irmãos por perto.

Lily pareceu surpresa.

— Você não achou que era uma carga tomar conta de seus irmãos?

James percebeu que havia uma boa chance de alguém, talvez Marcus ou Mônica, ter fornecido a Lily alguns detalhes sobre sua vida nos anos que se seguiram à morte dos pais.

Tirou a gravata com uma das mãos.

— Houve momentos em que considerei um fardo — admitiu —, mas agora também vejo quanta sorte eu tive.

— Gosto de seus irmãos — observou ela. — São pessoas muito agradáveis.

— Mas eu não? — brincou, e então viu que ela corava.

Estava começando a gostar de provocar nela aquelas reações adoráveis que a deixavam confusa.

— Você chegou cedo — comentou, em vez de responder diretamente.

— Sim. — Estavam casados para que ela ficasse grávida. Então como diria a sua mulher que voltava correndo para casa porque não podia suportar ficar longe dela?

Ela olhou em torno.

— Não tive a intenção de me apodera deste quarto para minhas fugas no balé.

— A casa é sua também — respondeu, enquanto seus olhos se encontravam. — E não me importo.

Realmente não se importava. Poderia se acostumar a voltar para casa para ver sua mulher dançando para ele. Definitivamente.

— Que tal transformar este quarto numa sala de balé? — sugeriu ele. — Está vazio e não consigo pensar num uso melhor.

Ela parecia em dúvida.

— Você não se incomoda?

Sorriu, sedutor.

— Não... especialmente se puder apreciar exibições particulares de dança.

— Acho que pode ser arranjado — disse ela com voz rouca.

Ele se moveu em direção a ela.

— Ótimo.

Tomou-a nos braços e Lily suspirou antes que os lábios dele encontrassem os dela.

E depois não houve mais conversa por um longo tempo, enquanto ele lhe mostrava como poderia ser um bom mecenas da dança.


James acordou se sentindo muito bem.

O quarto ainda estava escuro, mas uma rápida olhada no relógio da mesa-de-cabeceira lhe mostrou que passava de meia-noite.

Ao olhar o espaço ao lado dele, percebeu que Lily não estava na cama. Franziu as sobrancelhas, depois imaginou que ela acordara e fora tomar uma bebida ou fazer qualquer outra coisa.

Mergulhou a cabeça de novo no travesseiro e sua mente se voltou para os acontecimentos da noite anterior.

Da recém-destinada sala de balé, ele carregara Lily para o quarto, onde fizeram amor.

Depois, divertiram-se preparando o jantar. Desde o casamento, descobrira que as habilidades de Lily como promotora de festas tinham se estendido para áreas mais simples. Era uma feiticeira em juntar ingredientes diversificados para preparar uma refeição rápida.

Ela preparou um prato de galinha à carbonara enquanto ele fazia uma salada de espinafre tenro com pedaços de amêndoa e fatias de laranja.

Depois do jantar, lavaram a louça juntos, entrando numa rotina que já se estabelecera no curto tempo em que estavam casados. Depois ficaram horas tomando café na sala de estar, conversando e ouvindo jazz.

Como em muitas das noites anteriores, seus assuntos de conversa eram muitos e variados. Descobrira que, enquanto gostava de jazz, o gosto musical de Lily tendia para as peças clássicas de balé. Mas ambos gostavam dos 49ers de São Francisco, de longas caminhadas e de andar de bicicleta nas montanhas.

Lily disse que as caminhadas mantinham a forma de suas pernas de bailarina e ele disse que gostava da forma de suas pernas. Ela o atingiu com uma almofada do sofá e, para sua satisfação, terminaram na horizontal pela segunda vez naquela noite.

Agora, perguntava-se por que Lily ainda não voltara para a cama. Levantou-se e desceu, vestido apenas com as calças curtas do pijama.

Ao chegar no andar térreo, dirigiu-se à cozinha. No caminho, porém, um barulho na biblioteca o fez parar.

Caminhou até a porta da biblioteca e abriu-a alguns centímetros. Luzes fracas brilhavam na sala, como se alguém estivesse vendo TV.

Abriu um pouco mais a porta e percebeu que Lily estava sentada à escrivaninha, de costas para ele, olhando a tela de seu computador.

Ficou imóvel quando percebeu o que ela estava assistindo.

O DVD de Alastor sobre as brincadeiras sexuais de Amos.

Não havia som no computador, portanto o volume fora desligado nas caixas.

Por cima dos ombros de Lily, James viu Amos e sua amante saírem do carro e arrumarem as roupas.

Após alguns instantes, porém, James decidiu se afastar da porta e sair. Seus pés tomaram a direção da escada. Voltaria para a cama. Como se pudesse dormir.

Maldição.

Lily devia ter encontrado as provas de Alastor na gaveta de sua escrivaninha.

Irritou-se por ter sido tão descuidado. Devia ter deixado tudo no escritório, mas não queria que ninguém as descobrisse por acidente.

Naturalmente, depois que se mudara, Lily havia descoberto a maldita coleção de Alastor. Tarde demais ele reconheceu que teria sido melhor se tivesse destruído as provas semanas atrás.

James sentiu seu estômago revirar.

Se Lily tivera o trabalho de encontrar as provas de Alastor, isso só poderia significar que não havia esquecido Amos completamente.

Disse a si mesmo que não havia nada surpreendente sobre Lily ainda estar preocupada com Amos. Afinal, seu relacionamento com aquele canalha terminara havia pouco tempo e ele a apressara em direção ao altar.

Por que a queria tanto?

Mas se perguntou se havia algo mais na curiosidade de Lily. Talvez tivesse dúvidas sobre ter expulsado Diggory de sua vida sem lhe dar uma segunda oportunidade.

Certamente as últimas semanas tinham mostrado, pelo menos para ele, que os dois eram fantásticos juntos.

Mas Lily podia estar tendo dúvidas sobre o casamento.


Ops! James acha que Lily está tendo suas dúvidas. Será?

Ninha Souma, Paola e Deby obrigada pelos reviews. Obrigada também a quem está acompanhando.

Até o próximo capítulo