Nunca te esqueci
História U.A. inspirada nos personagens de Saint Seiya.
Disclaimer: Saint Seiya e todos os seus personagens pertencem a Masami Kurumada. Este texto não possui qualquer caráter comercial
Capítulo 10 – Esclarecimentos...
Paris, dias atuais
Afrodite e MdM já se encontravam no restaurante marcado, esperando pelo resto da família Kyrillos. Flor tentava, em vão, arrancar respostas de MdM, mas ultimamente MdMe decidira se fechar em copas e quase não falava com ele. Por quê? Há muito, muito tempo, Flor desistira de ter esperanças acerca de MdM, mas pelo menos eles conversavam de vez em quando. Porém, desde que a "crise Solo" se agravara, MdM assumira mais o seu papel de chefe de segurança e quase não se dirigia a Flor. Claro! Óbvio! Flor não era prioridade em assuntos de segurança. Julian Solo nunca tentara nada contra si. Nem para isso ele era importante. Nem para ser alvo dos atentados do louco do Julian Solo. Assim, foi com bastante surpresa que Flor foi informado que MdM pessoalmente o acompanharia ao cemitério Père Lachaise. Flor até ousou ter alguma esperança, mas desde que eles saíram do hotel, eles trocaram, no máximo, umas 15 frases que não fossem relacionadas à segurança ou à localização do túmulo dentro do cemitério. E agora Flor falava praticamente sozinho. Ah! Mas ele era perseverante! Ele continuaria tentando:
- MdM? Por que você veio comigo hoje? Você acha que o Julian vai tentar algo contra mim?
- Ma che? – a voz de MdM parecia alarmada – Claro que no! Io só queria ter certeza que você ia estar bem, Fiore! – ahá! Finalmente MdM o chamara pelo seu apelido. Bom, em italiano, mas pelo seu apelido!
- É... bem que eu imaginei... Eu não sirvo nem para ser alvo de atentado, não é, MdM?
Mas Flor quase que não conseguiu terminar a frase, pois MdM pegou seu braço tão forte que Flor arregalou os olhos, engolindo um grito de dor e surpresa. Mas, mais surpreendente, foi o tom de voz furioso de MdM:
- No parla così1. NUNCA, capisce? Se algo te acontecesse io no saberia o que fazer...! Seu parvo!
Flor olhava para MdM sem saber o que responder. O que fora aquilo? Uma declaração? Uma reclamação devido ao excesso de trabalho? Caramba! Como era difícil saber o que aquele carcamano pensava. Mas, naquele momento, a família entrou no restaurante. E MdM, levantou-se mal humorado e foi se juntar à segurança. É... o que ele queria? Quem gostaria de se envolver com eles? Olha só o que acontecera com o Milo! Querido, querido Milo! E Flor, acenou alegremente para Milo se sentar ao seu lado.
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Kamus estava sentado na sala de Shion, ouvindo Dohko berrar sem parar que seu comportamento era absurdo e anti-profissional... Mon Dieu! Será que Dohko tinha noção de como ele gritar daquele jeito era absurdo e anti-profissional? Cara bizarro. Não nascera para viver em sociedade. Devia ser um eremita e morar nas montanhas da China. Que saco! Mas realmente não era com Dohko que Kamus se preocupava. Shion olhava-o como se conseguisse vislumbrar até o fundo da sua alma. Claro! Shion sabia de alguma coisa. Ele sempre sabia.
- Dohko? – Dohko parou imediatamente. Só mesmo Shion para acalmá-lo daquela forma com uma só palavra. – Você tem uma conference call em 10 minutos. Não seria melhor separar os documentos e ir para sua sala?
- Claro! Tem razão, Shion. Você acerta tudo com o Kamus, certo?
- Pode deixar, Dohko.
- Ok. Até mais!
- Até, Dohko. E fecha a porta, por favor.
E Dohko saiu, fechando a porta. Kamus engoliu em seco. Era infantil, ele sabia, mas Shion tinha esse poder sobre si.
- Kamus, eu acabo de receber uma ligação do Sr. Kyrillos. Nem mesmo o Dohko sabe disso.
- E... e o que ele disse, Shion?
- Ele disse que quer trabalhar conosco, mas que o Dr. Milo Keramidas não quer trabalhar com você, Kamus. Ele pediu para ser atendido, se possível, pelo Shaka e pelo Mú. Você sabe o porquê, Kamus? – maldito Milo, pensou Kamus. Por que não foi para outro escritório de uma vez? Para que fazer aquilo com ele?
- Por quê, Shion? – não! Ele não daria o braço a torcer. E Kamus continuou a sustentar o olhar de Shion, por mais difícil que aquilo fosse.
- Acho que você o ofendeu de algum modo, Kamus. Acho que você e ele já se encontraram antes. Acho que o Shaka e o Mú ajudaram o Dr. Keramidas a escapar de você, Kamus. – caramba! A percepção de Shin era mesmo impressionante. Não era por acaso que ele, um estrangeiro, se encontrava na lista dos advogados mais respeitados do país, pensou Kamus.
- Votre imagination jamais2 cansa de me surpreender, Shion! – saco! No nervosismo falei em francês. Claro que o Shion vai notar, pensou Kamus em desespero.
- C´est vrai3, Kamus – sim, ele notara, pensou Kmus – mas tomara que a minha imaginação consiga inventar algo para justificar a situação para o Dohko, n´est pas? Ou dessa vez ele vai dar um jeito de te mandar embora.
- ... – o que ele podia falar agora?
- Pode ir, Kamus. Eu me entendo com o Dohko. Mas sinceramente espero que você fique longe do Dr. Keramidas enquanto ele trabalhar aqui.
- Bien sûr, Shion.
- Ótimo! Pode ir, Kamus.
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Santorini, menos de um ano atrás
Saga acordou com a sensação de que havia dormido como não dormia há anos. Ele não sabia exatamente onde estava, mas se sentia bem. Muito bem. Tudo estava escuro. A cama era macia e ele se espreguiçou feliz. E mal ele começou a se mexer na cama, Saga ouviu a voz de Milo, muito perto, perguntando se ele estava acordado. Sim, definitivamente tudo estava muito bem, sorriu Saga, e se virou na direção de Milo.
- Oi, Milo!
- Você está com fome, Saga?
- Muita!
- Ótimo! Vai tomar um banho que eu vou pegar o jantar que a cozinheira deixou para você, ok? Eu... suas coisas chegaram à tarde e eu separei uma roupa para você. – e Milo saiu da cama antes que Saga pudesse impedi-lo, deixando em seu lugar as roupas de Saga.
Bom, mas agora Saga se lembrava de onde estava. Em Santorini. E se lembrou do acidente. Da dolorida conversa com a família de Georges. Da viagem. Das discussões. Do sono incontrolável. E de Milo ajudando-o. Mas ele fora se deitar às 7:00hs da manhã. E agora tudo estava escuro. Ele olhou para o despertador e viu que eram quase 1:00hs da manhã. Céus! Ele dormira umas 18 horas! Bom, melhor tomar banho. Quando Saga voltou, as luzes estavam acesas e Milo estava sentado em frente ao armário aberto com uma sacola. Sem se virar, Milo disse:
- Oi Saga! Eu já coloquei o seu jantar lá na mesa da varanda. Acho que você vai gostar. A cozinheira disse que fez tudo o que você gostava quando era criança. E como todo mundo já dormiu, eu achei que você ia gostar de ver uns filmes e separei um monte de DVDs para você. – Milo falava rápido, sem olhá-lo. Não, as coisas não estavam tão bem assim, pensou Saga balançando a cabeça.
- Milo, por que a mala?
- É que...eu vou me mudar para o quarto no final do corredor. Como esse é maior, eu achei que você iria preferir ficar aqui. Eu não peguei minhas coisas antes porque não queria te acordar. Você parecia tão cansado! Desculpa!
Milo ainda falava rápido, sem olhá-lo, mas agora fechara a sacola e se levantava quando soltou a mala no chão e se encostou pesadamente à parede, fechando os olhos. Saga alcançou-o preocupado, fazendo-o deitar na cama e sentando-se ao seu lado. Milo fechara os olhos e não opusera a mínima resistência. Saga checava a respiração de Milo nervoso.
- Milo? O que você tem? - não, não de novo, pensou Saga em quase desespero.
- ...
- Milo? O que você tem? – repetiu Saga enquanto, desesperado, checava o coração de Milo. Ele batia! Graças aos deuses!
- ...Nada, Saga... Só ... tontura. Eu... subi a escada, fiz a mala... Daqui a pouco passa e ... eu saio. Desculpa...! – a voz de Milo estava ofegante.
Ah! Só isso! Graças aos deuses!, pensou Saga aliviado. Então, Saga olhou para a mesa que Milo havia colocado na varanda. Só um lugar! E a verdade o atingiu como uma bofetada. Milo achava que Saga não o queria por perto. Era mais do que óbvio. Queria mudar de quarto, deixava DVDs, não o olhava nos olhos e não parava de pedir desculpas por estar ali. Sim, Saga sabia que Milo devia se sentir rejeitado. Todos lhe disseram isso. Mas ele não rejeitara Milo! Claro que não! E agora ele tinha que esclarecer as coisas. Desde que fora resolvido que Saga devia vir a Santorini, ele pensou no que podia falar a Milo. Ele teria que enfrentar Milo. Pedir-lhe desculpas... Explicar-se... Cacete! O que ele podia falar? O que ele devia falar? Céus, como ele gostaria de ter o dom da palavra como Kanon!
- Você não vai jantar comigo, Milo? – Saga praticamente se debruçara sobre Milo na cama, tentando fazer com que Milo o olhasse.
- Ah, não! Eu já jantei... Vou te deixar em paz, Saga. Eu já estou bem!... Juro!
Raios! Por que o Milo não me olha?, pensou Saga, enquanto via que Milo sentara-se na cama com alguma dificuldade. Não, Milo não sairia daquele quarto até que Saga esclarecesse as coisas. Se ele quisesse sair depois, tudo bem, mas antes Saga iria tentar esclarecer aquela situação. Saga, então, segurou Milo pelo braço impedindo-o de se levantar.
- Milo, você ...acha que eu ... não quero que você fique aqui... comigo? É porque... eu não fui ao... hospital? Desculpa, Milo! - sua voz soou estranha até para si.
Saga ouviu-o respirar fundo e, finalmente, Milo o olhou. Mas, naquele momento, Saga realmente preferiu que Milo não o tivesse olhado. Sob o impacto daquele olhar azul, Saga sentiu-se encolher. Sem que Milo soubesse, sua mágoa refletia-se naquele olhar. Mas o que mais Saga queria? Afinal, ele abandonara Milo doente em um hospital. Milo, então, falou rápido, num tom de voz animado que parecia tremendamente falso:
- Saga, sem erro algum! Não precisa se desculpar! Eu ... eu fiquei no hospital por quase 3 semanas. Eu sei como você é ocupado! Eu sei! E... você não tinha a mínima obrigação de me visitar. Nenhuma mesmo... - acrescentou Milo baixinho.
O falso tom animado de Milo era ainda mais triste do que as palavras, considerou Saga. É claro que Saga não tinha a obrigação de visitá-lo. Ninguém tinha obrigação! O ponto não era esse. O ponto era que Saga queria ter visitado Milo, ficado com ele, ajudado de alguma forma. Mas ele conseguira, mais uma vez, colocar suas encanações acima de sua vontade. Esse, sim, era o problema! Mas Milo continuou cada vez mais baixo:
- E... eu não passo de um doente agora ... um fraco idiota. Até tenho umas crises de flash backs. Eu não tenho mesmo utilidade alguma... Eu... eu nem consigo subir as escadas... ou fazer a mala...! Eu não ia querer ficar perto de mim mesmo se eu pudesse, Saga – e Milo deu um sorriso amargo.
Saga estava tão transtornado que não sabia o que responder. Sem utilidade? Doente? O que tinha acontecido com Milo? Devia ser efeito da violência que ele sofrera. Ele se sentia humilhado e fraco. Mas o que Milo achava que poderia ter feito? Ele fora drogado, amarrado e espancado. Ele perdera sangue até entrar em choque. Não era questão de ser fraco. A questão era que Julian Solo era insano e sádico. Mas Milo continuava:
- E eu sei que você pagou minhas contas, Saga. Eu... eu vou te pagar, é claro. Só não sei se vou receber meu salário neste mês... Eu quase não trabalhei... Mas no próximo mês eu começo a te pagar. Inclusive as despesas não cobertas pela saúde pública. E as roupas, é claro! Prometo! Eu combino tudo com sua secretária. Desculpa ter te dado tanto trabalho.
Contas? Dinheiro? Pagar? Céus! O que Milo estava pensando? Como se isso fizesse alguma diferença para Saga. Nenhuma. Mas enquanto Saga cuidara das despesas de Milo, ele notara que as obrigações dele se encontravam muito próximas do valor do seu salário. Como seria viver assim? Depender daquele salário baixo? Saga não tinha a mínima idéia. Sim, ele tinha inúmeros problemas, mas dinheiro não era um deles. E Milo nunca lhes pedira nada. E eles, é claro, nunca pensaram que Milo precisasse de dinheiro. Um grande nó se formou na garganta de Saga. Ele não estava em condições de responder a Milo. Saga não confiava na própria voz naquele momento. E Milo continuava. Seu nervosismo era óbvio demais. O que o maldito Julian fizera com Milo? Com seu Milo?
- Mas... eu queria te pedir para tomar cuidado ... com o Julian Solo. Por favor! O MdM e o Deba me contaram sobre o acidente de ontem. Todos estão preocupados com você, Saga. Por favor, Saga, se cuida...
Milo se preocupava com ele, apesar de tudo? Não! Ele não merecia aquilo! Ele precisava encontrar sua voz novamente. Saga não podia chorar. E, enquanto isso, Milo continuava:
- E... eu queria te agradecer por ter me tirado da casa do Julian Solo! Eu... não esperava. De verdade! Eu já tinha desistido de tudo. Então você apareceu e ... – mas a voz de Milo se quebrou e ele se virou, tentando se levantar de novo. Mas Saga o impediu novamente.
Cacete! Bem que Kanon dissera que ele deveria visitar Milo. Ou ao menos retornar-lhe os telefonemas. Mas ele se recusara. Ele cuidara de tudo, mas manteve-se distante. Ele teve medo de ver Milo. E vergonha, claro! Por ter deixado aquilo acontecer. Por terem feito Milo depor que tentara suicídio. Afrodite lhe contara que, muitas vezes, à noite, Milo chamava por ele, mas nem assim Saga fora vê-lo no hospital. E só agora que ele via e ouvia Milo, Saga descobrira que estivera errado o tempo todo. Milo precisara dele e ele falhara. Milo estava muito diferente dele mesmo... Ele perdera o ar desafiador e orgulhoso. Milo estava mudado. E Saga lhe negara apoio. Saga nem mesmo retornara suas chamadas. Ele simplesmente TINHA que falar alguma coisa! Milo precisava ouvir porque ele fizera isso. E Saga, finalmente, falou algo:
- Você achou que eu não iria te buscar, Milo? – Essa voz é minha?, pensou Saga.
- Não... quer dizer... você não tinha a mínima obrigação, Saga. Eu... bem... obrigado, Saga! Eu queria te agradecer há algum tempo, já... Muito obrigado! - Milo olhou-o nos olhos novamente e Saga sentiu-se um rematado idiota!
- PÁRA DE ME AGRADECER, MILO!
Caramba! Era melhor ele sair logo dali. Se, além de tudo, Saga gritasse com ele, com certeza ele iria chorar. Já estava sendo difícil segurar o choro sem que Saga gritasse com ele. Eu ando mesmo uma bonequinha, desprezou-se Milo. E Milo tentou novamente se levantar, mas desta vez Saga puxou-o com mais força, de forma que Milo acabou caindo deitado de costas na cama. Saco! Saco! Saco! Quando ele iria voltar a ser ele mesmo? Quando? E Milo tentou se levantar novamente, mas Saga o manteve deitado na cama com o peso do próprio corpo. Agora ele não conseguia nem se sentar. Raios! Ele odiava estar tão fraco! O melhor que ele podia fazer, no momento, era evitar olhar para Saga, caso contrário ele ainda iria acabar chorando. Saco!
- Me deixa levantar, Saga. – pediu Milo, sem jeito.
- Milo, eu preciso me desculpar com você. – disse Saga, ignorando-o por completo – Eu... eu te quis desde a primeira vez que eu te vi, mas ... eu sou péssimo, simplesmente péssimo, nisso – e Saga fez um gesto vago com as mãos – Então, eu pedi a ajuda do Kanon. Ele... o Kanon ... sempre foi melhor do que eu nessas coisas. E quando nós te atraímos para o veleiro, eu ainda bati em você. Me desculpa, Milo. Por favor!
- Eu tinha me esquecido, Saga. Não precisa se desculpar. Me deixa levantar, Saga – disse Milo enquanto tentava se soltar.
Mas Saga parecera não ouví-lo. Será que ele devia gritar com Saga? Tentar se soltar à força? Não! Saga o salvara, afinal. E ele estava na casa de Saga. E Saga sofrera um atentado. Ele devia estar nervoso. Claro que ele devia tentar ter paciência. Mas ele tinha, simplesmente tinha, que sair de lá o mais rápido possível. Caso contrário, ele acabaria por chorar. Que saco! Milo escondeu o rosto por baixo da franja. E, novamente, tentou se levantar, mas novamente Saga o impediu, enquanto continuava.
- O Kanon... foi ele quem inventou aquele esquema de não te procurarmos por 1 semana. Ele me disse que isso iria mexer com o seu orgulho e que você iria nos querer. E ... e deu certo! Nós três começamos a nos ver e ... o sexo era fantástico, Milo! Mas... eu confesso que não estava nem aí para você. Eu não sabia da sua vida, dos seus problemas... Eu só desejava você. Muito! Mas era só isso. Então... o Julian Solo te pegou.
- Saga, me solta, por favor... – mas sua voz saía fraca. Bonequinha, pensou de novo. Saga, obviamente, o ignorou novamente.
Milo não entendia porque Saga estava lhe dizendo tudo aquilo e continuava a tentar sair de baixo de Saga, que o prendera com mais força abaixo de si e com uma das mãos afastava a farta franja do rosto de Milo. Estava cada vez mais difícil não brigar com Saga! Mas por que Saga falava aquilo agora? Que diferença faria a estas alturas? Milo sabia que sempre fora só desejo. Da parte de Milo também... Também Milo não sabia nada deles até ... Julian Solo. Ele não sabia que Kanon tinha asma, ele não sabia que Julian Solo os perseguia. Não entendia o porquê daquela obsessão de Saga por segurança. Ele só sabia o que a Grécia inteira sabia. Que Saga assumira a presidência das empresas Kyrillos com 18 anos, logo que perdera os pais e os tios em um naufrágio. Que ele era o responsável pelos primos mais novos. E que Saga conseguira os resultados mais espetaculares de toda a história das empresas Kyrillos, ganhando vários prêmios. Milo nunca pensara em como fora difícil para todos. Nunca pensara no que eles sofreram. Até pouco tempo atrás. Mas a voz de Saga interrompeu seus pensamentos:
- Eu fiquei desesperado, Milo. E quando eu te vi naquela poltrona, machucado, eu... não sei! Eu não quis te perder de jeito nenhum. Acho que foi só então que eu me importei em saber quem era você. Só aí eu soube que você gosta de chocolate, e de qual lugar você mais gosta. Só então. E era tarde demais! Você desmaiou e eu achei que você estivesse morto, Milo. O MdM e o Deba tiveram que me segurar para eu não me jogar por cima de você na maca do hospital. Só então eu soube como você era importante para mim, Milo. Mas era tarde demais!
A voz de Saga se quebrou e ele fez um gesto de desamparo com a mão, como se não conseguisse continuar. Saga chorava? Milo olhou-o surpreso e, pela primeira vez, parou de tentar se soltar. A voz de Saga estava insegura e era quase certo que lágrimas não derramadas brilhavam em seus olhos. Milo nunca o vira assim. Mas Milo não ousava interrompê-lo. Com uma mão, então, Saga pegou seu rosto pelo queixo, e o contornou levemente, como se o analisasse, como se procurasse por algo que o desagradasse. Algo além da mancha roxa embaixo de seu olho esquerdo, que teimava em não sair. Milo sentia-se tenso sendo analisado assim. E sinceramente esperava que Saga não ficasse irritado consigo novamente. Ele não iria agüentar e acabaria chorando. Ultimamente ele chorava por qualquer motivo, mas tentava esconder. Claro que Flor sabia, mas respeitava seu silêncio. Bonequinha chorona, pensou depreciativamente.
- A culpa... a culpa do que tinha acontecido era minha, Milo. Eu nunca pensei que aquilo pudesse acontecer. Mas aconteceu e ...e eu nem sabia quem era você! Nem isso. Logo que você foi para a UTI eu liguei para sua secretária e pedi para ela avisar a sua família, Milo e ... ela me disse que você ...não tinha ninguém. Que você era órfão desde os 12 anos e que a tia que te criou morrera há 3 anos atrás. E eu não sabia nem isso sobre você, Milo. Nem isso. Quando eu comecei a me interessar por você, o MdM investigou sua vida e me deu um relatório. Mas eu nem li. Eu só quis saber se você era ou não ligado à família Solo, se você era ou não um risco para nós. Eu nem quis saber quem era você, Milo! E você estava em coma. Céus! Eu faria qualquer coisa para fazer o tempo voltar e poder saber mais sobre você, Milo. A única coisa que me consolava era saber que você não sentia mais dor. Quando eu te via deitado na cama da UTI você parecia tão em paz, como se nada mais pudesse te atingir, Milo.
Saga estava praticamente por cima de Milo e continuava a contornar o seu rosto levemente, parando a cada marca que ainda não sumira... O coração de Milo batia descompassado. E ele sentia o coração de Saga igualmente disparado de encontro ao seu. Mas, naquele momento, Milo só pensava no que Saga lhe dissera. Sair de lá não era mais tão importante quanto esclarecer aquele ponto:
- Você... me viu na UTI, Saga?
- Eu... fiquei com você quando você esteve na UTI. Eu me mudei para o hospital nos 10 dias em que você ficou na UTI, Milo. Quando você acordou, eu estava com você, mas você não se lembra, não é?
E Milo se lembrou. Ele achara que Saga tivesse estado lá, mas ele acabara se convencendo de que fora outro sonho. Saga! Pois, sim! Ir visitá-lo na UTI! Ele era ocupado, tinha o que fazer. E Milo só tinha uma função para Saga. E ele estava impossibilitado de cumprí-la na UTI. Com certeza fora outro sonho, oras. Ele também sonhara muito com Kamus. Por que ele não poderia ter sonhado com Saga? E, assim pensando, Milo acabara se convencendo de que ele não vira Saga na UTI. Mas agora ele se lembrava. Saga realmente estivera com ele. Saga! Com ele!
- Eu... me lembro, sim. – Saga sorriu ao ouvir aquilo. Milo se lembrava!
- Desculpa nunca ter te perguntado sobre você. Desculpa, Milo! Eu... sou mesmo um egoísta. Eu sempre pensei nos meus problemas. Nunca pensei nos seus. Eu só sabia que eu te queria. Só isso.
- ... – Milo o olhava sem saber o que falar.
- E... quando você acordou... eu fiquei com vergonha de te ver... Eu até tentei uma vez, mas... eu vi você dormindo com o ...Flor. E eu ... fui embora. Eu aposto que o Afrodite sabe muito mais de você do que eu. Ele é assim! Ele se importa com as pessoas. Até comigo! Enfim, eu sei que você deve estar chateado comigo. Eu te agarrei, o Julian te atacou porque você estava conosco, eu não fui ao hospital e... nós pedimos para você depor que tentara suicídio! Desculpa, Milo. Por favor! – Saga... chorava?
- ... – pronto! Bonequinha chorona, pensou Milo quando suas lágrimas finalmente escorreram. Ele tentou desviar dos olhos de Saga, mas era tão difícil...
- Ah, Milo! Se eu não tivesse te forçado a ficar com a gente, isso não teria acontecido! Mas acredita em mim, Milo. Eu nunca achei que o Julian pudesse te atacar. E eu juro que não quis te pedir para depor que você tentou suicídio. Desculpa! Eu... até gritei com o Julian e disse que eu preferia entregá-lo à polícia.
- Foi... foi por isso ele se virou contra você, Saga?
- Talvez. Mas foi meu motorista quem morreu. Sempre .. sempre... é outra pessoa que ... paga por ficar perto de mim! – tão triste, pensou Milo, limpando as lágrimas de Saga com a ponta dos dedos.
E Milo, num impulso incontrolável, puxou a cabeça de Saga para perto de si e o beijou de forma tímida. Mas Saga, que não esperava por aquilo, sentiu-se nas nuvens, abraçou-se a Milo e virou-se, fazendo com que Milo ficasse por cima de si. Ele, então, segurou a cabeça de Milo pela nuca e puxou-a para perto de si, aprofundando o beijo, até que os lábios de Milo se abrissem para recebê-lo. Céus! Ele queria Milo. Queria muito! E ele achara que nunca mais iria tê-lo. Saga, então, percorreu o corpo de Milo com as mãos ávidas, ouvindo-o arfar. Lindo! Sim, Milo havia emagrecido, tinha ainda marcas de agressão, mas continuava lindo! E arfava aos seus toques, como se também o quisesse. Saga mordeu levemente o pescoço de Milo exatamente no lugar que ele se juntava a seu ombro e, para seu prazer, ouviu Milo gemer. Foi aí que Kanon entrou no quarto de forma espalhafatosa, assustando-os, e falando sem parar:
- AHÁ! Então os dois finalmente se acertaram! Já não era sem tempo! Caramba! Que tensão sexual! Como é que vocês agüentam? Bom, vamos jantar, Saga! Eu estou morto de fome! Ainda bem que eu vi a luz do quarto acesa. Odeio jantar sozinho! E depois vou querer participar da festa também, Milo. Sem essa de dar bola só para o Saga aí. Eu também estou a seco há três semanas esperando por você, Milo! CACETE! POR QUE SÓ TEM UM LUGAR NA MESA? Vou descer e pegar mais dois pratos! E aproveita e coloca um desses filmes no DVD para a gente ver enquanto come, Saga! – e Kanon saiu de sopetão, da mesma forma como entrara.
Milo sorriu ante o discurso injuriado de Kanon, olhando para a porta, sem acreditar. Por quê? Por que Saga não era tão fácil quanto Kanon? Por que Saga tinha que ser tão complicado? Mas a certeza de que Saga, afinal, se importava com ele o deixou feliz como não se julgara mais capaz. Desde... aquela noite... Milo achara que não voltaria mais a se sentir feliz. Era como se tudo tivesse ficado cinza de repente. E, agora, Saga dizia aquilo... E ainda o queria. E Kanon também. Já Saga, vendo Milo sorrir, decidiu que beijar Milo era definitivamente mais importante do que colocar um filme no DVD.
Evidentemente que quando Kanon voltou com os pratos ele reclamou muito. E, não satisfeito, afastou Milo sem gentileza alguma, subiu por cima de Saga e o beijou avidamente. Milo sentiu-se incendiar. E ele que não se julgara mais capaz. Ver aqueles dois se beijando o deixava sem fôlego. Eles eram tão absolutamente iguais. Mas tão absolutamente diferentes. Kanon, então, prendeu as mãos de Saga acima de sua cabeça e falou num tom de voz profundo, diferente do normal:
- Eu tive medo de te perder, Saga! Muito medo! – Saga olhou para Kanon visivelmente emocionado.
Kanon, então, saiu de cima de Saga e se aproximou de Milo felinamente. Saga sentou-se na cama e observou os dois, enquanto Kanon beijava Milo violentamente, até deixá-lo sem fôlego. Ah! Como ele sentira falta dos gêmeos.
- Também tive muito medo de te perder, Milo!
Milo também olhou para Kanon emocionado. Mas Kanon, que odiava momentos emotivos, apesar de dar causa a eles, levantou-se rápido da cama e falou:
- E agora vamos comer que eu estou morrendo de fome! Vem Saga! Vem Milo! Sem essa de ficarem os dois na cama sem mim!
Milo e Saga olharam-se e levantaram-se sorrindo. Sim, depois eles resolveriam o resto. Agora eles tinham que dar comida a Kanon, caso contrário ele nunca mais pararia de reclamar.
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Olá! Aí está o capítulo deste mês! Sim, eu sei que o Saga é TUDO. Eu sempre falei, não é? Mas juro que o Kamus também é um fofo. Meio cabeça dura, mas um fofo!
Gostaria de agradecer a todas as maravilhosas reviews que recebi. Muito obrigada! Acho que já disse, mas estou numa fase super complicada e escrever esta fic em especial anda muito difícil. Assim, são as reviews de vocês que me ajudam a não desistir dela. Assim, agradecimentos enormes e imensos a Teh Hayashi, Pure Petit Cat, Tsuki Torres, Allkiedis, Nine 66, Sirrah san, Boromira, Lukinha, Sara, Litha-chan e, muito especialmente, à Shiryuforever.
Beijos da
Virgo-chan
Abr/07
1 Não fala assim.
2 Sua imaginação jamais
3 É verdade
