- Ah. Isso quer dizer que... Apareceu um garoto que se assemelhava ao servo da princesa de Kuroboshi?
Uma voz perguntou. A voz de um jovem rapaz.
Perguntou a Saigo, pois estava visitando-o.
- Sim. Mas este jovem não me pareceu nem um pouco perigoso. Até era simpático. – respondeu o regente de Kuroboshi.
- Hm... Interessante. Pois Yaku e eu ouvimos rumores que o servo estava vivo.
- Então era só rumores, Nesshin. Só apareceu um jovem rapaz cujo nome era...
- DAISUKE!
V-mon olhou para o lado, enquanto batalhava contra o Tsukaimon, e viu o menino prestes a levar um golpe fatal.
- Acabou, garoto e servo. Suas vidas chegaram ao fim! – ergueu a foice, pronto para atacá-lo.
- Isso é... o que você pensa! – disseram ele e Daisuke, em coro.
O goggle boy se atirou para um canto, rolando para a direita.
Nessa esquiva conseguiu se safar do ataque e pegar a espada de volta.
- Como...
- Hehe... – Dai se levantou, mostrando a chama no olho esquerdo ardendo intensamente.
- Hm... acho que devia ter feito algo assim antes...
- Eu não vou permitir isso! – esbravejou Unmei.
Partiu para outro ataque.
Desta vez o escolhido aproveitou o tempo.
Esperou o momento em que Unmei desferiu um corte com a foice.
Numa esquiva cronômetrada, ele desvia.
E utiliza sua magia para lançar algumas esferas luminosas.
O tempo foi bem calculado.
As esferas atingem Unmei e o atiram longe.
- Wow, eu posso fazer isso?
- ... Claro, mas prefiro que cuide dos ataques físicos.
- Yosh... Então fica com os ataques à distância... e com as magias.
O loiro se levanta, furioso.
E devolve na mesma moeda, disparando várias linhas de metal.
- VAI PAGAR POR ISSO!
- E agora?
- ... Droga, isso é rápido demais!
Daisuke num golpe de sorte tentou rebater as linhas, e o servo a repeli-las com alguma magia.
E por milagre, as linhas acabaram sendo destruídas por um feixe.
Mas... aquilo teria sido feito por quem?
- Ahn? – exclamou Daisuke.
Tanto ele quanto Unmei olharam em direção do disparo.
Idem aos digimons, que brigavam ao fundo.
E lá viram... ela.
...
Água...
O mar. A costa do oceano.
Foi lá que ela aprendeu.
Foi lá que ela se arrependeu.
Estava lá, com uma garrafa em mãos, com um bilhete dentro.
A água batia em seus calcanhares.
Ela olhava para o mar. Meio triste. Abismada.
Atormentada.
- M-me perdoe... E-eu...
- ... Eu não lembrei...
- Deixei a ambição e o egoísmo me consumirem.
Ajoelhou-se e soltou a garrafa, que foi levada pelas ondas.
- Kh... Perdoe-me... Perdoe-me por tudo isto!
Acabou por chorar, olhando o céu.
E sussurra algo, um pedido, um desejo:
"Se nós pudéssemos renascer..."
Depois disso se retirou, andou até uma capela.
Entrou lá. Era sua nova casa.
Quase ninguém sabia quem era ela.
E foi lá que a conheceu.
- ... Oi? Você é a... – perguntou uma jovem de cabelos castanhos claros, de olhos verdes.
- Eu? Meu nome... Meu nome é Yami...
- Eu sou Yorokobi.
- Ah? Bonito nome...
- Obrigada. – sorriu a menina.
Yorokobi era sozinha. Se culpava pela morte da princesa Ai.
Era amiga dela. Mas havia certo ciúme dela... graças ao príncipe Nesshin.
Desejava até que Ai tivesse um caso com outra pessoa, como o servo da princesa de Kuroboshi. Queria aquilo. Queria o regente para ela.
Queria o fim do noivado da amiga com Nesshin.
No entanto, Ai foi morta por alguém. Yorokobi ficou triste, claro.
Mas uma parte de si não se importava. Não sentia nada pela morte da amiga.
E aquilo com o tempo a fez se sentir mal.
E graças ao massacre, ela foi uma das que conseguiu escapar.
E foi parar naquela capela.
Passou um tempo e ela e Yami ficaram amigas.
Uma sofria pelos seus crimes, e se culpava pela morte da única pessoa que a apoiava.
A outra se culpava pela morte da princesa de Gota Pura.
Um dia Yorokobi descobriu quem Yami era. Ou melhor, como a chamavam.
A chamavam de Filha do Mal.
Elas, Yami e Yorokobi, eram diferentes uma da outra.
Mas entendiam os seus sentimentos.
Também viram uma garota diferente. Ela quase não falava com ninguém naquela capela.
Aprecia por lá apenas para fugir.
Vivia em no outro reino, supostamente Kuroboshi.
Ela mal era conhecida, e nem fazia questão.
Por acaso, essa garota acabou fazendo amizade com Yorokobi quando se encontraram pela costa. Yami apenas a observava. Apenas percebia que a menina era quieta e sempre andava a rabiscar algo em um papel.
A menina, de cabelos morenos, olhos castanhos, admirava o mar.
Admirava a paisagem. Admirava a beleza do mundo. Mas vivia sozinha. Sem chegar perto de outras pessoas.
- Ei, que bonito desenho! – elogiou-a.
- ... Obrigada... Mas creio que pouca gente compreenda o que isto significa. – respondeu a menina.
- Então... O que é?
- Não se deve entender, e sim sentir.
- Desculpe mas... – Yami interferiu – Isso me faz lembrar um lugar no qual eu e uma pessoa desejávamos ir.
- Qual lugar, Yami-san? – perguntou Yorokobi.
- Não sei se existe, mas... Ele e eu queríamos procurar por este lugar. Ter paz e tranqüilidade... De corpo e alma. Alcançar a felicidade.
- Este lugar está lá. Basta você crer. A felicidade só é alcançada quando estiver em paz com o seu interior. – pronunciou a jovem desenhista.
- Paz interior? – exclamou Yami e Yoro.
- Todos neste mundo querem encontrar este lugar. Este paraíso. No entanto nem todos conseguem. Apenas os que estão tranqüilos em suas almas.
- Você sempre vem aqui? – perguntou Yami.
- Quase... Fico sozinha aqui às vezes, pensando como seria os outros reinos... Kuroboshi é um lugar bonito, mas...
- Mas...? – Yoro a olhou.
- Adoraria ilustrar outros lugares.
- Hm. Meu nome é Yorokobi. E esta é a Yami.
A morena fitou a princesa: - Yami Kuroboshi?
- Sim... – a jovem abaixou a cabeça.
- ... Não sinto raiva de você. Não sinto raiva do que fez a nós.
- N-Não?
- Não. Pois eu te vi... naquele dia à margem da costa, deixando uma garrafa no oceano.
- A viu antes? – indagou Yorokobi.
- Sim. E também a ouvi. Aqui é calmo. Ouvi o que disseste enquanto via a garrafa sumir no horizonte. Arrependeu-se de teus pecados, certo?
Yami acenou a cabeça, em silêncio.
- Então não há razões para te odiar. Não há razões para isso. Merece perdão. Merece, pois se arrependeu dos seus crimes e atos.
- E-então...
- Meu nome é Negai. – sorriu a jovem. Ela quase nunca falava com outras pessoas, só quando era necessário.
Elas acabaram por ficar amigas.
Ela, Yorokobi e Negai.
Passaram várias vezes juntas, na costa. Conversando, expressando o que sentiam.
Aquilo as mantinham felizes. Três jovens que eram acompanhadas da sombra chamada 'solidão'.
Não mais.
Um dia, Negai acabou viajando para um continente distante.
Foi a mando do regente de Kuroboshi, junto com um outro jovem, o conselheiro dele.
E foi lá que ela, por acaso, descobriu a verdade.
A menina, que sempre foi distraída com paisagens, graças ao seu dom...
Perdeu-se pela floresta. E do conselheiro, claro.
Andando pela trilha, acabou por encontrar uma pessoa.
Esse individuo estava acompanhado de um lobo.
- O que exatamente você veio fazer aqui?
- Aah... Quero fazer uma torta ao sensei, Okami. – sorriu, enquanto colhia algumas maçãs e as colocava numa cesta – Faz tanto tempo que... Estamos juntos e quase nunca o retribui pela segunda chance.
- Segunda... chance? – Negai se escondeu no momento que os viu e passou a espioná-los.
- ... Sinto cheiro de um humano. – notificou Okami.
- Um humano? Não seria o Warlock?
- Não, está bem... – dirigiu-se até uns arbustos e apanhou-a – AQUI!
- AAAAAAAAH! UM LOBO QUE FALA! SOCORRO! – berrou ela.
- Okami! Ponha-a no chão! – ordenou o menino.
- Mas ela estava nos espionando!
- Não interessa, ela é só uma jovem!
- U-Uh, q-quem é você? – perguntou.
- ... A solte, por favor. – ignorou-a.
- Ok, ok... Olha lá o que o Warlock vai dizer. – resmungou o lobo, soltando a menina.
- Você está bem? Perdoe esse troglodita do Okami... Ele não sabe ser gentil.
- ... E-estou... – respondeu ela – Você me parece familiar.
- Err... Nunca te vi antes.
- Por acaso... Já esteve em minha terra, Kuroboshi?
- ... Não. – fitou o lobo e disse – Vamos pra casa, acho que isso já é suficiente.
- Ok. – acenou positivamente o lobo.
Deram três passos e ouviram a jovem.
- ESPERA! Eu estou perdida! Perdi-me do conselheiro real Omoni-san!
Ele se virou a ela: - Está perdida?
- Sim...
- ... Okami, eu irei ajudá-la a encontrar o conselheiro... por favor, volte para o castelo com as maçãs e avise ao sensei que vou demorar um pouco.
- Olha lá o que o Warlock-sama vai dizer hein? – resmungou outra vez, pegando a cesta das mãos do menino.
E durante este caminho, nasceu uma pequena amizade.
Negai descobriu quem era ele. E lhe falou que conheceu sua irmã.
Nisso pediu a ele que pudesse ao menos fazer seu retrato e entregar a ela.
O menino achou loucura. Não queria que ninguém soubesse que estava vivo.
Estava fora daquele lugar, não queria nunca mais voltar.
Havia apagado o passado, menos as boas lembranças que tinha da irmã.
Ela continuou a insistir. E lhe contou como ela sofria com sua "morte"
O quanto ela chorava e até o pedido que ela fez a Yoro:
"Mate-me. Não posso viver com esse fardo."
" Ele se sacrificou por mim e eu nunca fiz nada a ele."
"Ele sempre realizou meus desejos e eu nunca realizei os dele."
"Não fui uma boa irmã. Não devia ter deixado-o morrer."
Mas a notícia de que ele estava vivo poderia trazê-lo problemas.
Então os dois jovens pensaram... Se havia uma forma de contar a Yami a verdade, como fazer isso e sem que mais ninguém saiba sua identidade?
Então foi que chegaram a uma conclusão, e então Negai disse:
"Não avisarei que você está vivo. Mas a trarei até você."
"Apenas espere, lhe avisarei de alguma forma. Daqui a três dias, quando retornar ao porto."
Passou três dias. Negai retornou para Kuroboshi.
Pediu que Yoro levasse Yami até a costa, onde conversariam.
A conversa iniciou-se.
- Yami-chan, Estive em um outro reino e acabei por conhecer um jovem.
- Um jovem? – perguntou-a.
- E este jovem ouviu falar de ti.
- Um jovem de outro reino ouviu falar da Yami-chan? – indagou Yoro.
- Sim. E este jovem adoraria te conhecer.
- Conhecer-me? – exclamou a princesa.
- Sim. Eu lhe enviarei uma mensagem. Yoro-chan poderia me ajudar a escrevê-la?
- Claro, Negai-chan.
- Yami-chan, ele ficará feliz em te conhecer – sorriu a menina.
- M-mas... Por que este garoto quer me conhecer?
- É, por que, Negai-chan? – Yoro também estava meio curiosa.
- É difícil explicar, só vendo para acreditar – deu um pequeno sorriso.
De fato, as três eram amigas.
Negai contou a Yoro depois, mas pediu que ela guardasse segredo.
Contou que havia encontrado o jovem servo vivo, morando no outro continente.
E que ele havia sido salvo por um mago bondoso, que o concedeu uma segunda chance depois que se arrependeu do que tinha feito.
Elas, as duas meninas, escreveram a carta e enviaram.
E no dia seguinte arranjaram um modo de colocar Yami em um barco.
A balsa atravessou o oceano, e ela chegou ao continente.
A carta, que tinha chegado antes, dizia que ela viria no dia seguinte.
Na primeira balsa da manhã, por volta das oito e meia.
E ele, arranjaria um jeito de ir vê-la.
Porém não conseguiu. O barco que Yami estava atrasou. Pois havia pego a rota errada.
E o servo a esperou. Esperou e esperou.
E nada.
Voltou ao castelo. Pensou que Negai havia errado o horário ou coisa do tipo.
Ou que quem havia escrito, Yoro, confundiu a hora.
No entanto, foi a tarde que Okami e MiyaShurimon encontraram uma garota.
Perdida na floresta. Sem hesitar, a levaram para o castelo.
Ela estava inconsciente. Esgotou toda sua energia para chegar até a floresta, e como veio como clandestina na balsa, tinha de sair o mais rápido possível de lá quando chegassem ao porto.
E foi graças a isso que ela desmaiou.
O menino ficou feliz em vê-la. Estava cansada, só isso.
Assim que acordou, a primeira pessoa que viu foi ele.
E ele a abraçou, com força. Como se a tivesse perdido antes.
- Você está bem! Eu... Eu estive pensando em você este tempo todo! Queria te reencontrar mas...
- Espera aí! Quem é você? – interrogou ela.
- Não se lembra de mim, Yami-chan?
- Nunca te vi antes! É o jovem que a Negai me falou?
- Sim. Mas não me reconhece?
- Te reconhecer? Como assim?
- Mudei muito? Não se lembra?
- Lembrar... Estou tentando... A única coisa que me lembro foi ter ouvido ela dizer...
- É difícil explicar, só vendo para acreditar. – riu.
- ... Não entendi ainda. Poderia parar de gracinha? Eu... Eu estou assustada já. Como um garoto da minha idade pode querer me conhecer depois de tudo que fiz?
- Só se este garoto ter vivido ao teu lado, Yami-chan.
- NÃO, ESPERA! NÃO ME DIGAS QUE...
- Haha, É uma longa história, irmã.
- "irmã"? É... É você?
- O seu querido irmão gêmeo – sorriu.
Ela JAMAIS esperava vê-lo outra vez.
Ela o viu na guilhotina. Ela viu a execução.
- COMO... COMO VOCÊ ESTÁ VIVO?
- Tenha calma... Está surpresa? É algo bem espantoso mesmo, nem eu acreditei.
- Mas... mas... – ela o abraçou com todas suas forças, derramando lágrimas... Lágrimas de felicidade.
- Yami-chan...
- Eu... Eu te peço perdão pelo que te fiz! Pelos problemas que eu te arranjei!
- Não precisa pedir perdão, eu sei que não fizeste aquilo por mal, só não sabia como administrar um reino assim... Tão jovem.
- Mesmo que diga isto, eu te peço perdão por tudo!
- Calma, minha princesa... Agora está tudo bem. Está tudo em paz. – sorriu a ela.
Logo depois explicou a ela tudo que aconteceu.
Explicou quem havia o salvado. Falou o que aprendeu com esta pessoa.
E principalmente, que havia se arrependido do que tinha feito.
Depois disso, o jovem aprendiz de Warlock tentou convencer ao bruxo que deixasse a menina ficar.
E ela, por vontade própria, pediu que também lhe ensinasse assim como ele ensinava ao seu irmão.
O mago não recusou, depois de ter ouvido as confissões de Yami.
E todos viveram felizes...
Até aquele trágico dia.
Agora, no tempo atual...
Yami está olhando para o assassino de seu irmão.
E também olhando para o garoto que ela raptou uma vez.
- Yami! – exclamou Motomiya, meio alegre.
- Princesa... – Unmei a encarou.
- UNMEI. VOCÊ NÃO IRÁ MATÁ-LO. POIS ESTE GAROTO E O MEU IRMÃO...
- Eles são parecidos. É como se um fosse o outro!
- Quanta honra em aparecer aqui, princesa Yami Kuroboshi... – disse o loiro, em um tom irônico.
- Cale-se, insolente! – vociferou Daisuke, e consequentemente o servo.
- Você estragou nossas vidas! Nós estávamos LONGE de Kuroboshi!
- Nós tínhamos aprendido com nosso passado! E nos tornamos pessoas boas!
- Hmpf. Vocês pessoas boas agora? Acha que eu não sei o que andaram fazendo esse tempo todo?
- Warlock... nos ensinou suas magias não para usarmos pra fins próprios, e sim para ajudarmos este mundo, que foi contaminado pelas trevas. – protestou Yami.
- As trevas que nós libertamos. E agora queremos derrotá-la, com a luz.
- Por isso que... Você a atraiu para cá, não é? – concluiu Motomiya.
- Hikari-chan... ela é a Luz. A escolhida da Luz.
- Desculpe-me, Daisuke-kun... Não queria lhe causar problemas.
- Mas... Ela e eu...
- Eu entendo, Yami. – sorriu.
- Ela não sumiu... Ela veio para cá, no momento em que conheci este lugar.
- E o Digimental do Milagre... E o apóio dos meus amigos...
Daisuke sorria, ele compreendia agora.
Yami nunca lhe fez mal algum. Nem quando o trancafiou em um labirinto.
A verdade é que ela o chamou lá porque precisava dele.
Queria que o Milagre ocorresse.
- No entanto... Faltou algo, minha cara princesa.
Faltava.
A única coisa que lhe faltava...
...
- Eu tenho, Patamon!
- Eu não posso deixar de ter!
- É o meu brasão, eu sou o escolhido.
Takeru o olhava. Patamon devolvia.
Os dois estavam no parque, no mesmo lugar onde eles haviam comemorado o Odaíba Memorial Day.
- Takeru... Foi aqui que nós comemoramos, não foi?
- É, foi. E me diverti bastante.
- Ah sim, sim!
- Mas agora... Hikari-chan... Daisuke-kun...
- Takeru, você tem. Precisa dar confiança a eles!
- Preciso sim. Preciso ter esperança.
- E eu a tenho. Sou o escolhido dela.
Olhou para o céu, sério.
Idem ao digimon.
- Seja onde vocês estiverem... Voltem.
- E seja lá o que foi fazer, Daisuke-kun, tenha juízo.
- Tentomon tinha dito que ele deve ter ido para outra dimensão. – comentou Patamon.
- Será que não é a dimensão do oceano negro?
- Não... – sorriu o escolhido da Esperança – Eu acho que ela não está lá. Nem ele.
- E sim em outro mundo.
E o último fragmento, a Esperança.
Ela chegou até ele.
E o menino sorriu.
- Arigatou... Takeru... – agradeceu o goggle boy.
- Acham que vou cair nisso? Acham MESMO? – Unmei os encarava com ódio.
- Unmei, você está falando besteiras! Eu e meu irmão éramos pessoas más!
- Porém... nós fomos perdoados. Nós nos arrependemos do que fizemos!
- Eu não acredito em você!
- Mas em mim... – pronunciou Daisuke - ... Em mim deve acreditar.
- Eu compreendi tudo. O porquê de vocês serem parecidos com eles.
- O porquê das lembranças que eu tive.
- O porquê de ser o único escolhido que pode vir até aqui por vontade própria.
- Então me diga por que, Daisuke! – V-mon se colocou ao lado do parceiro.
- Porque... Eu sou ele.
- Eu sou o irmão da Yami, que voltou.
O azulzinho ficou meio chocado com a revelação.
- Eu sou Lance Kuroboshi que voltou como Daisuke Motomiya.
- Por isso. Por isso que pude vir até aqui.
- Eu sabia a resposta. O tempo todo.
- Mas só agora percebi isso.
- Essa é a resposta.
