Cap. 10
Todo mundo só falava de um assunto. Várias versões do mesmo assunto, para ser mais exata. E todo mundo no caso, era o bairro inteiro.
Aquele, a saber, era em que Quartel ficava, então, muita gente que trabalhava no quartel morava por lá. E a maioria dos civis de lá, conheciam ou tinha algo a ver com alguém do exército.
Isso explicava os boatos pela rua, quando ela foi comprar algo para comer na padaria, enquanto seu namorado esperava na sua casa.
A dona da padaria contou para ela o que todo mundo estava falando, enquanto embalava o pão doce. Porque, como todo boato que se preza, existiam muitas versões disponíveis no mercado.
A única coisa que todos tinham em comum era: Tanto o Führer quanto alguns muitos generais do Exército haviam saído do Quartel praticamente de manhã. E a hipótese popular mais aceita era que eles tinham decidido sobre a medida de confraternização militar.
Analisando a situação, convocar uma reunião, durante um feriado, é um meio de evitar pressão externa. E também, uma reunião dessas, não poderia ser feita em horário de expediente normal, iria chamar muito público. E uma vez que começasse de noite, não seria muito estranho que virasse a madrugada.
Michele pagou o pão, agradeceu e voltou para casa em transe. Não deu muita atenção para Havoc, que não entendeu o que estava acontecendo, aliais, a primeira coisa que fez ao entrar na casa, depois de jogar o pão no colo do namorado, foi correr para a sua lista de telefones.
Sem querer se gabar, mais era muito sociável. Muito. Sorte sua.
— Achei! – disse auto, então pegou o telefone e discou um número.
— Eu não quero saber mesmo. – disse Havoc para si mesmo, ainda sem entender nada.
— Charlotte? Oi, aqui é a Michele!
— Então, eu queria saber sobre a reunião de ontem! – continuou Michele.
Havoc foi até a bancada abriu o pão, cortou duas fatias, pos no prato e serviu duas canecas de café.
— Certo. As 12h então?
Havoc ouviu Michele se despedir e então, ela dirigiu sua atenção para ele.
— A medida foi decidida ontem! – ela disse, cheia de excitação.
— Como?
— É o que todo mundo ta falando. Ai eu liguei para a Charlotte que é secretária de um General...- ela percebeu que não sabia o nome dele – bom, de qualquer modo, eles tiveram uma reunião, e a medida foi discutida.
— Medida...?
— Acorda homem! – disse ela, dando uma risada – a medida de confraternização militar.
— Foi aprovada?
— Eu estaria rindo se não tivesse sido?
— Você tem o telefone do hotel em que o Coronel está?
— È claro que não! Mais não se preocupe, quando o Quartel confirmar a notícia para os jornais, o que ela falou que vai ser logo, Amestris inteira vai saber.
— Vocês duas vão sair hoje?
— Almoçar, ela não está de folga. Vou descobrir tudinho! Te conto depois, ta? – disse Michele, dando uma mordida no pão doce. – Hummm, isso ta uma delícia!
Foi a vez de Havoc rir.
A estação estava lotada. O feriado estava acabando e muita gente estava indo ou voltando para casa.
Era uma multidão de rostos, de pessoas e de histórias. Aquelas pessoas de certo modo davam a ele, a sensação de que existia muito mais no mundo do que ele poderia um dia saber. Mas, no entanto, aquelas mesmas pessoas, passavam preocupadas demais com suas vidas, assim como ele, para refletir mais profundamente.
Ele carregava as malas, obviamente. Nunca deixaria ela carregar.
— Voltamos. – sussurrou serenamente a mulher ao seu lado, com seus cabelos loiros voando com o vento.
Eles trocaram sorrisos.
— É voltando à rotina. – reclamou o homem.
— Você passou cinco dias de folga!
— É, e isso cansa.
— É mesmo, sua mesa vai estar cheia de pilhar quando você voltar a trabalhar. – torturou a mulher.
— Ah, mais a minha assistente super-eficiente vai me apoiar nessa difícil tarefa não vai?
— Ah, claro. Pode contar comigo no apoio moral.
Ele fez uma careta.
— Vamos tomar um café, antes de voltar para casa? – ela sugeriu, estudando um café de boa aparência que havia na estação.
— Sim, senhora.
Ela sorriu e olhou disfarçadamente para o seu dedo. E ele sorriu ao seu lado.
— Meu deus eu me casei! – ele disse.
Ela soltou uma gargalhada espontânea.
— Sabe, eu jurava que nunca iria casar. – disse Riza.
Eles entraram num café. Roy se sentou numa mesa e ela foi até o balcão, atraída pelos doces à mostra.
Escolheu um, pediu e foi se sentar com o seu marido, as malas empilhadas em uma cadeira. Ela anotou mentalmente para não esquecê-las.
Ambos ficaram uns instantes apenas observando o ambiente.
— Você tem certeza que não quer uma festa, ou algo do tipo? – ele perguntou, mais grave.
— Não. – disse ela, segura.
— Ta bom, é que a maioria das mulheres...
— Definitivamente não me vejo num vestido rodado, cortando um bolo de 5 andares. – comentou Riza, como se a cena que estava descrevendo fosse algo bizarro. – Mas e você?
— Eu já disse, por min tanto faz. – disse ele, e era realmente isso que pensava. Contanto que estivesse casando com que queria, cerimônia, festa e tudo mais eram só detalhe.
— Bom, pelo menos o vestido era branco. – ela comentou.
— De fato.
O pedido deles chegou.
— Eu gostava de meu sobrenome. – comentou ela. – De verdade.
— É eu também gostava, Senhora Mustang. – disse ele.
Ela sorriu de leve. Ia levar algum tempo para ela se acostumar a ser chamada de senhora. E mais tempo ainda para ela se acostumar com o sobrenome dele, que agora, bem, era o seu. Mas, pela primeira vez em muito, muito tempo podia planejar um futuro feliz. E isso não tem preço.
Sem contar é claro a felicidade que ambos sentiam agora. Era tudo muito recente. Morar com alguém ter aquela intimidade, estarem casados. Era um universo novo.
— Quer um pedaço? – ela ofereceu.
— Não, obrigada.
Eles voltaram a se calar.
— No que está pensando? – ele perguntou.
— Acredite você não quer saber. – disse ela, sorrindo.
Ele insistiu.
— Em filhos.
Essa palavra, essa simples palavra de seis letras causou um efeito, no mínimo divertido, naquele homem destemido.
— Filhos? – perguntou ele.
—É. – disse ela, que já ia se conformando que primeiro teria que educar o pai, para depois pensar nos filhos.
— É que eu não estou preparado psicologicamente para ter filhos.
— Percebe-se. – ela disse, com a voz suave. Mas logo um sorriso se formou em seus lábios, fruto dos seus pensamentos.
— Pensando em algo agradável, querida? – disse ele, meio assustado, meio provocador.
— Nada, só tendo umas idéias.
— Idéias?
— Não confia em min?
Ele permaneceu calado por um tempo.
— Deveria confiar?
Ela riu.
— Não seja bobo, eu nunca ficaria grávida sem que nós dois decidíssemos isso. Bom, não de propósito.
Eles ficaram alguns segundos em silêncio.
— Então... você quer ter filhos...? – ele disse mais para si mesmo, como que tentando se conformar com o tópico.
— Você não quer? – disse ela, pela primeira vez considerando seriamente que essa fosse uma opção dele.
— Não é que eu não quero...
— Você só está com medo.
— Não!
Ela o encarou.
— Talvez um pouco. – ele confessou.
— Tido bem, temos muito tempo. – ela disse, sorrindo.
— Mais nós teríamos que comprar uma casa maior.
— Agora é você que está insistindo no assunto.
— Eu só comentei.
— Ta certo. – ela disse.
Riza se concentrou em comer o doce e Roy deixou-se perder em pensamentos, afinal, ainda tinham muito tempo para pensar e discutir sobre filhos. Deixando o medo de lado, seria muito bom ser pai. Bom, pelo menos o Hughes gostava, e se ele dava conta, então não tinha porque achar que ele próprio não dava.
Ele observou ela comer com gosto o último pedaço.
— Vamos para casa? – convidou ela, logo após terminar.
— É acho que essa seria uma boa idéia.
Eles trocaram sorrisos mais uma vez.
— Afinal, Coronel, amanhã é dia de trabalhar!
— Não me lembre disso tão cedo, Tenente Mustang. – ele disse, pronunciando orgulhosamente a última palavra.
— Você ta bobo por eu estar usando o seu sobrenome!
— Mais que isso, eu estou bobo por você ter me casado comigo. – ele disse.
— Então, você é bobo!
Ele sorriu. Era bobo sim, e bobo porque amava ela, bobo porque ela era sua mulher, porque ele podia dizer isso para todo mundo agora, e bobo também porque ela afinal estava usando o sobrenome dele.
E assim como ela, também via pela frente um futuro maravilhoso. Afinal, tinha a primeira dama perfeita para quando se tornasse Führer.
FIM?
N.A. Bom é isso ai esse é o último Capítulo...Não estou pensando em nenhuma continuação, mas como podem perceber a história ficou em aberto. Não há um fim que termina tudo, porque as coisas nunca acabam. Nunca contamos a história inteira.
Bom, deixando a filosofia de lado, eu realmente gostaria de agradecer a todos que leram e lerão essa fic. A todos que deixaram reviews e que deixarão. Podem acreditar que eu nunca vou esquecer os pulinhos de alegria que dei, enquanto lia os lia. Ou seja, cada linha foi importante para min, sejam elogios, ou críticas. Cada opinião sincera foi me deixou extasiada, só de saber que alguém tinha algo a dizer.
Obrigada a todos. ( quero mandar um beijo para a mamãe, para o papai, meu primo, minha tia, para a minha vizinha...uahuahahuahahah)
XDDDDDDDD
Lanelle Black.
P.S. Eu, particularmente não gosto da idéia de mudar o sobrenome ao casar. Mas no Japão é assim, então, ignorem a minha opinião.
