Agradeço a Alana por ter betado e me incentivado tanto a escrever essa fanfic.
É odiável amar você
por Pisces Luna
Capítulo X
Os cavaleiros de ouro já estavam reunidos na casa de leão na companhia de Marin que tentava justificar a ausência do deslumbrante vestido vermelho que lhe fora ofertado.
- Ele desfiou, não podia aparecer com ele naqueles moldes. Por isso, vim normalmente – retrucou com uma nota de falsa tristeza – Espero que não se zangue, Aldebaran.
- De modo algum, foi um acidente – disse enquanto segurava sua taça de vinho carregada – Se quiser, peço as servas para que dêem uma olhada.
- Quem sabe – disse enigmática – Vou buscar mais gelo lá dentro. Aiolia, onde você...
- Eu pego.
- Não preciso, eu mesma faço isso.
- Então, vamos juntos. Nós já voltamos – anunciou Aiolia aos outros visitantes que acenaram em concordância enquanto estes começavam a se distanciar.
- Sabe a falta do vestido não fez a mínima diferença, você é bonita mesmo sem tal recurso.
- Está bêbado – concluiu Marin em pensamento e andando um pouco adiante para não ter que vê-lo proferir aquele tipo de "heresia".
- Mas, por curiosidade, o que fez com ele?
- Não sei por que diz essas coisas.
- Hahaha, Marin; Se Aldebaran é ingênuo, eu não sou.
- Não me sentiria bem com ele, apenas isso – defendeu-se – Assim como você, provavelmente, não é fã de vestimentas como o fraque.
- Sem dúvida que não, é uma roupa quente – disse enquanto pegava gelo em um balde mantido em temperatura muito baixa – Eu te entendo, mas não aprovo.
- Preferia meu mal-estar?
- Nunca. Sempre o seu bem em primeiro lugar - disse com um sorriso terno no rosto.
- Vamos? – ela disse constrangida com o olhar dele.
Ele não respondeu, como se analisasse suas feições e pudesse ver magicamente por trás de sua máscara.
- Eu estou indo – e retirou-se mais que depressa do ambiente e foi seguida um tempo depois por Aiolia.
Ao chegarem à sala principal, onde todos estavam reunidos, podia-se notar a presença de uma pessoa a mais no ambiente: Shaka de Virgem.
- Boa noite – saudou o loiro com sua voz etérea habitual.
- Não é incrível que tenha nos concedidos o ar de sua graça? – disse Aiolia com um sorriso levemente provocativo.
- Seu espanto não foi maior que o meu ao saber que a reunião seria realizada em sua casa. Pensei que ainda mantinha seus hábitos discretos.
- VaI CoMeÇaR dE nOvOoOoOo – cantarolou Aldebaran próximo de Mu antes de dar mais uma bebericada em sua taça, e o tibetano entendeu o recado.
- Não vamos reascender antigas brigas tolas, é deselegante – proferiu sabiamente – Vamos, Shaka. Temos uma mesa farta hoje, sirva-se.
- Até parece que eu vim pela boca livre, Mu.
- O homem difícil – disse Milo receptivo – Vamos, Shaka. Cantar aos heróis, as belas mulheres e beber.
- Este não é o seu harém, escorpião – retrucou Aiolia mordaz e aproximando-se por trás de Marin, lançando um olhar irritado.
- E nem me interessa ter várias mulheres.
- E com quantas se satisfaz? – Marin perguntou estrategicamente.
Ele deu um meio sorriso, divertindo-se em vê-la intrigada com a situação e não se surpreenderia nem um pouco se June tivesse falado sobre o vestido a ela. Deu meia volta e demorou-se nas mesas dos coquetéis.
Aldebaran tinha razão com relação às recepções dos cavaleiros de ouro: apesar de pequenas, não deixavam de ser bem elaboradas e charmosas e o desleixo para com seus convidados não era um traço na personalidade de Aiolia.
- Convidei Shina para aparecer – disse o leão em tom de confissão, como se há tempos quisesse contar isso a alguém -, mas ela não está disposta.
- Não ligue – disse Marin com ar consolador – Você, realmente, não se incomoda com a opinião dela certo?
- Ela ainda não me perdoou.
- E precisa tanto disso?
- Não, eu já durmo melhor de noite depois do incidente com Cássius. O tempo é o melhor remédio para minhas cicatrizes – disse espalmando a mão sobre o peito.
Depois de uma hora desde o início da reunião, a última convidada subia timidamente até a casa de Leão. Os cavaleiros e Marin pararam para vê-la inclinar o rosto, com as mãos balançando ao lado do corpo e adentrando o recinto parecendo um tanto quanto tímida, afinal, não mantinha laços muito firmes de amizade com o dono da casa.
- Ela está linda – confidenciou Mu aos dois amigos mais próximos dele.
- Definitivamente bela – concordou o cavaleiro de touro.
- O vestido caiu como uma luva, Milo. Meus parabéns – disse o tibetano.
Este, no entanto, não respondeu nada. Sua expressão era indefinível, como se ela tivesse se fechado para o mundo e apenas o sentido da visão operasse naquele momento; só a via despontar no corredor.
- Seja bem vinda senhorita June – disse o dono da casa erguendo uma taça no ar acima de sua cabeça, saudando sua chegada – Espero que se sinta á vontade aqui, sou Aiolia de Leão.
- Obrigada! É uma honra poder compartilhar do mesmo ambiente que vocês – disse abaixando a cabeça em cumprimento.
Ela perpassou os olhos sobre os convidados – que estavam vestidos nos mesmo estilo que ela - e foi cumprimentada por todos, exceto por certo cavaleiro estupefato que se contentou em sorrir e acenar, um gesto que, pela primeira vez, fê-lo aparentar insegurança;
- Está adorável – cumprimentou Aldebaran que não demorou a indicar o homem que jazia logo atrás de si – Esse é Shaka, cavaleiro de ouro de Virgem.
Eles fizeram um aceno de cabeça discreto, até que Mu resolveu se colocar:
- Haha, ela até parece sua irmã com cabelos tão loiros e compridos.
- Irmã? June não é tão tranqüila.
- Eu que o diga – cochichou Milo consigo mesmo – Quer alguma coisa?
- Vinho seria bom.
- Se está disposta a começar bem que tal irmos direto para as destiladas. Vodka?
- Vodka só com cigarros e eu não estou a fim de fumar agora.
Ele espantou-se e por um momento ficou estático, tamanha era sua naturalidade.
- Não se assuste, estou só brincando! – disse dando tapinhas em seu ombro – Você está bem?
- Porque não estaria? – dando um meio sorriso e erguendo uma sobrancelha – Conte-nos sobre suas peripécias, amazona.
A noite estava tranqüila e quente, todos se divertiam e a amazona de camaleão conseguira fazer mais vínculos dentro das doze casas do zodíaco.
Quando já estava na hora de todos se recolherem e mal se podia ver as luzes das casas dos cavaleiros e aldeões lá embaixo, June distanciou-se do grupo para lavar o rosto na toalete – estava derretendo de tanto calor – e quando saiu do ambiente resolveu procurar um lugar para que pudesse tomar um ar, acabando por sair aos fundos da casa de leão.
Ela olhou para o alto da encosta e pode ver toda a extensão da enorme escadaria que se estendia como um tapete branco até o alto. Até que seus olhos repousaram sobre a mais distante de todas as casas, a de Peixes. Como um imã, sentiu-se atraída por ver aquele lugar, como se tivesse que subir as escadas e teria que fazer isso naquele momento.
Um pé diante do outro, devagar, tendo que levantar um pouco a barra do vestido com as mãos para não tropeçar nesta, tomando todo o cuidado do mundo e lamentando em pensamento por não conseguir se distanciar da visão daquele lugar ao ponto de avisar os convidados que estava se ausentando. Ela já se encontrava a uma distancia considerável quando dois homens apareceram aos fundos e puderam vê-la subir.
- Nenhuma pessoa pode atravessar as doze casas.
- Não fale como se ela representasse algum risco!
- Eu mal a conheço, não sei de suas intenções, mas não preciso nem dizer de suas obrigações, Milo?
- Claro que não, Shaka! – replicou hostil – Não se preocupe, pode retornar ao seu estado quase vegetativo, ninguém chegará à sala do mestre e quem cuida da proteção da oitava casa em diante agora sou eu.
- Não deveria ter vindo aqui!
- Eu lamento!
- Não disse que era só me pedir que eu a trouxesse?
- Não fiz por mal – disse normalmente – Apesar de que não vejo problema em visitar uma colméia oca. Sem a abelha rainha, os operários não têm muita função... Mas, mesmo assim, irá me punir? – perguntou com temor.
- Você merece punição?
- Creio que não – ela respondeu enquanto terminava de enlaçar uma enorme trança em seus cabelos loiros enquanto estava encostada em uma pilastra, admirando o salão principal da casa e de costas para ele.
- Veio chorar como uma viúva?
- Não. Vim matar minha história de dor.
Ela não dizia, mas ele sabia que June devia estar abalada, apesar de não aparentar. Finalmente, a loira jogou a trança para trás, e esta caiu em um comprimento quase até seus quadris, enquanto ele admirava sua bela silhueta trabalhada. Ao mesmo tempo em que era tão sedutora – mesmo sem intenção – parecia uma garota tímida.
Milo aproximou-se e tocou a ponta da trança com uma de suas mãos, ela se virou para encará-lo e ele sorria com seu meio sorriso habitual, mas que tinha muitos significados.
Ele espantou-se ao ver sua face desnuda e os belos olhos azuis escuros que encaravam-no fixamente.
- Isso significa...
- Você sabe muito bem o quê.
- June, você quer esse cavaleiro infeliz junto de ti?
Ela não respondeu, tocou o contorno de seu rosto com a ponta de seus dedos finos, depois os cabelos azuis e grossos de Milo, inclinou-se nas pontas dos pés e tocou os lábios com os seus que não demorou a ser correspondida. O beijo passou a ser lascivo quando ele atingiu o limite do seu auto controle e puxou-a pelas costas de encontro ao seu corpo, assustando-a um pouco e ele soltou-a para poder fita-la.
- Se quiser parar agora, sinta-se á vontade.
Ao contrário do que esperava, ela enlaçou seus braços em volta de seu pescoço, enquanto ele colocou suas mãos sobre sua cintura.
Não dava para dizer que ela não sabia o que iria acontecer, mesmo que informações preciosas sobre as relações entre homens e mulheres tivessem sido negadas. Pela primeira vez na vida deixou-se guiar por seus instintos e deixou que Milo tomasse as rédeas da situação.
- Você quer ir para a casa de Escorpião? – ele perguntou entorpecido pelo seu desejo e o turbilhão de idéias e sentimentos que fluíam em sua mente.
- Não! – ela disse ternamente – Eu quero estar aqui com você!
- Mesmo um beijo mancha a memória dos mortos, tendo em vista que esta era a casa de um outro cavaleiro de ouro.
- Não me provoca remorso algum estar aqui agora.
Quase como se tivesse sido planejado, eles se dirigiram inconscientes pelos aposentos até chegarem ao quarto mais luxuoso da morada que ainda conservava os lençóis e a roupa de cama do finado.
Milo caiu sobre a cama de costas – lembrou-se de um dia especial quando estava naquela mesma posição na casa de Escorpião, recordando da luta que tinha tido com a amazona na ilha de Andrômeda.
- A realidade é que você me arranca a paz desde o dia em que lutamos pela primeira vez. Nunca uma amazona tinha me enfrentado com tanta garra, você é tão única.
Ela sorriu constrangida, engatinhando sobre a cama e logo sobre o corpo quente do cavaleiro que estava de costas sob a mulher que sorriu vendo-o aumentar o ritmo de sua respiração.
- Se eu soubesse que essa era a forma mais fácil de te desarmar, teria tentado este truque antes.
- Tenho certeza que mesmo derrotado, eu ficaria muito satisfeito – ele disse entreabrindo os olhos e sorrindo, vendo-a aleatoriamente sobre seu corpo. Apoiou-se nos cotovelos e ergueu a cabeça para vê-la - June, você tem noção de como vai fazer isso?
- Uma noção um pouco abstrata, eu diria – replicou.
- Relaxe! – ele disse levantando seu tronco de vez e sentando-se sobre as próprias pernas, abraçando-a com força, sentindo um calor crescente.
- Eu mal consigo respirar – ela dizia nervosa, sem saber como se portar diante de sensações tão estranhas e já sentindo que o corpo dele reagia da mesma forma.
- Acompanhe a minha respiração – disse próximo do seu ouvido, enquanto as mãos hábeis desmanchavam a trança que corria pelas costas da amazona; seus lábios dando beijos e mordidas insinuantes em sua orelha.
- Sou uma fraca por admitir isso, mas você é o homem que eu quero para mim, em todos os sentidos.
- Nós não somos inimigos, somos cúmplices – quando terminou a trança, deixou-a e se afastou um pouco para poder retirar, com a ajuda dela, sua própria camisa.
Ela mirou-o por completo, sua razão sumindo cada vez mais e dando espaço para um lado carnal e libidinoso que ela nunca tinha sentido por Shun, mais uma prova de seu equívoco com relação ao cavaleiro. Mas, não era hora para lembrar dele, naquela casa só havia espaço para um homem e uma mulher...
Depois, ele ajudou-a a se livrar de suas roupas e ficar completamente nua diante de si e vendo-a naquele estado, confessou em um tom de piada para que ela se descontraísse.
- Eu devo admitir que sempre tive meu lado Vouyer.
Ela sorriu, beijou-o com volúpia, uma mulher sensual revelando-se cada vez mais e mais, fazendo jus ao corpo escultural que possuía, e aplicando no outro, carícias ousadas que estavam deixando-o louco.
A partir daquele momento, não havia mais juízo e nem sequer uma pitada de indecisão na garota. Mesmo que ela só fosse feliz naquele momento e nunca mais tivesse chance de tê-lo em seus braços, pelo menos aquele momento seria especial, pois era ele que estava com ela.
Amaram-se com frenesi e de diversas formas até o dia clarear...
Milo assustou-se quando não sentiu o peso do corpo da garota sobre o seu assim que tomou consciência pela manhã. Abriu os olhos e com rapidez se ergueu, mas se tranqüilizou ao vê-la ali, parada, ao pé da cama velando os lençóis.
- Que alívio! Achei que tivesse fugido de mim! – confessou respirando calmamente.
- Nunca – confessou embebida pelo olhar terno dele, ainda desnuda.
- O que você está olhando aí? – ele perguntou vendo-a segurar um pano entre suas mãos e tomou ciência do que era: o lençol manchado pelo sangue de sua primeira relação sexual.
- Ao menos dessa vez, estou feliz por ver sangue na casa se Peixes.
– Você está se sentindo bem?
- Sim! – ela disse voltando para os braços do cavaleiro, repousando a cabeça em seu peito – E você? – deu um beijo em seus lábios.
- Revigorado. E agora? Quer ser minha noiva?
- Como? – ela perguntou parecendo espantada – O que está a propor?
- Você entende isso, eu não gostaria de deixá-la passar por aquela porta sem assumir um compromisso a mais com você. Até porque isso é mais do que comum no santúario em vista dessa situação.
- Milo, não tenho os mesmos costumes que você, será que já seria adequado?
- June, você falando isso? Pensei que fosse respeitadora da moral e blábláblá. Eu "desgracei" a sua vida e quero cumprir com minhas responsabilidades de homem apaixonado.
- Apaixonado? – ela perguntou desconfiada.
- Diga o quiser. Você me encantou e não há nada que mude isso.
Ele a fez virar o rosto e encara-lo:
– Me deu uma chance para me tornar seu amigo e a cada dia eu tento te conquistar ainda mais, me deixe amar você.
Ela sentiu seus lábios serem tocados pelos deles mais uma vez, os olhos de ambos bem abertos até que ela cerrou as pestanas e deixou que as lágrimas salgadas rolassem por sua face.
- Que manteiga você é! – ele disse brincalhão.
- Besta! – proferiu – Permissão para amar concedida.
