Capitulo 10 - Traduzido por Cristianepf

Quando ele se levantou na manhã seguinte, ela estava lavando os pratos que eles deixaram na pia na noite anterior. Ele poderia dizer pela tensão presente em seus ombros que ela estava com raiva, mas quando ela se virou e viu seu rosto machucado e com cicatrizes, sua expressão suavizou. Eles se olharam por poucos segundos calados, então ela vagarosamente se voltou para a pia enquanto ele ia até a máquina de café.

Quando ele alcançou o pote, ela pareceu se lembrar de algo. "Oh, espere... esse é de horas atrás. Eu vou fazer café fresco."

"Está tudo bem," ele disse rapidamente, enchendo a caneca.

"Está gelado, Sawyer."

"Eu vou beber assim mesmo."

"Você poderia parar de ser tão teimoso?" ela perguntou quase gritando. O tom da sua voz o surpreendeu. Antes que ele pudesse protestar, ela pegou a caneca dele e jogou o café pia abaixo. Irritado, ele se sentou à mesa para esperar.

Depois de pôr a bebida a ferver, ela voltou para a louça. Eles ainda não haviam falado nada sobre a noite passada, e o silêncio estava tornando o ambiente tenso.

Finalmente ela respirou fundo e pareceu se preparar para algo. "Eu acho que vou em frente e sair do seu caminho. Esta noite... depois que escurecer." Quando ele não respondeu, ela se virou para ver como ele recebera a notícia.

Ele olhava para a mesa, recusando-se a olhar para ela. Ele já esperava que ela fosse fazer algo deste tipo, mas ainda assim... parecia que alguém estava estrassalhando seu coração quando ele ouviu ela dizer aquelas palavras. Ela estava na casa havia mais de duas semanas, e ele já não conseguia imaginar como seria sem ela.

"Parece que você está de cabeça feita." ele disse, ainda sem olhar para ela. "Apenas um aviso, gatinha. Você pode querer ficar longe de paradas de caminhão no futuro - ao menos das que tem câmeras de segurança." Ele olhou diretamente em seus olhos ao pronunciar as duas últimas palavras, e foi de alguma forma gratificante ver que ela estava espantada.

"O quê? O que isto quer dizer?"

"Vi você no noticiário na noite passada. Você deve ter deixado mais vestígios vindo para cá do que imaginava."

Ela estava nervosa, mas tentou não deixar que ele notasse. "Em que cidade foi?"

"Eu não sei... eu não pude ouvir."

Ela virou para a pia, devagar, esforçando-se para parecer casual. "Vou tentar lembrar disso."

Ele continuou, sabendo que iria machucá-la mas sem conseguir se conter. "Estive pensando em como você conseguiu. Agora faz mais sentido. Sem conhecer ninguém, sem dinheiro... Eu acho que aqueles caminhoneiros são os melhores amigos de um garota, não é?" Ele viu seus ombros ficarem tensos novamente, e continuou "Eu só me pergunto, o que você tinha que oferecer em troca?"

Ela lhe lançou um olhar cheio de ódio. "Está tentando me irritar?" Com lágrimas de raiva em seus olhos, ela continuou. "Eu acho que é impossível para você acreditar que algumas pessoas fazem coisas boas sem esperar nada em troca." Olhando penetrantemente para ele, ela ficou feliz de ver que suas palavras haviam feridoa ele também. Foi um golpe baixo, mas ele que havia começado.

Ele sorriu amargamente e olhou para outro lado. "Tudo que posso dizer é que você tem sorte por ser tão linda. Não quero nem imaginar como seria ser uma fugitiva feia. Porque junto de sua personalidade radiante, querida, seria a combinação do inferno de uma vencedora." ele disse sarcástico.

Ela olhou para ele rapidamente. Havia sido dito como um insulto, mas o fato dele tê-la chamado de linda não havia passado desaperebido por ela. Ele se deu conta do mesmo, e se odiou por isso.

Quando a cafeteira parou, ambos começaram a andar e então pararam, embaraçados.

"Eu pego," Kate disse. Depois de enxer a caneca, ela sentou à mesa e ficou pensando.

Sawyer suspirou. "Olha," ele disse tedioso, como se estivesse tomando coragem de dizer o que vinha a seguir. "Só para o seu controle... eu não espero nada de você. Você pode ficar o tempo que quiser... não vou mais lhe aborrecer."

Ela fechou os olhos por um segundo e disse tristemente, "Você não está me aborrecendo. Não é isto." Ela olhou para ele, arrependida. "Tentar viver assim... não é justo com nenhum de nós dois. Eu realmente acho que seria melhor... se eu apenas fosse embora."

"E você acha que essa é a coisa mais inteligente a se fazer? Você realmente acha que é seguro lá fora agora?"

"Claro que não é seguro. Provavelmente nunca será. Mas estou acostumada com isto."

"Você não acha que seria melhor esperar, ao menos enquanto até ele pararem de por sua cara nos jornais toda noite?"

Ela não respondeu. Ele estava tentando convencê-la enquanto que ele já havia decidido. Mas apesar de uma parte dela estar determinada a ir, o resto dela estava mais do que disposto em se deixar convencer por ele e ficar.

"Além disso," ele lançou uma idéia que lhe surgiu. "Eu tenho um projeto no qual preciso de sua ajuda. Precisa de um toque feminino."

"Que projeto" ela perguntou, intrigada.

"Sabe o quarto que você tem dormido? Provavelmente você tenha notado que os papeis de parede estão caindo, certo?"

"Sim," ela respondeu. "E o que tem isto?"

"Bem... eu tenho tido vontade de tirar... e colocar um novo."

"Você tem planejado trocar o papel de parede," ela disse incrédula.

"Sim."

"Desde quando?" Ela tentava não sorrir.

"Na verdade, eu planejo por anos. Só não tinha encontrado a oportunidade, " ele disse modestamente.

"Hm", ela disse, obviamente não acreditando nele.

"Só vai levar alguns dias... Quando estiver pronto, você já estará a salvo para ir."

Ela suspirou. Ela devia saber que ele faria algo assim. O engraçado é que ela teria ficado desapontada se ele a tivesse deixado ir.

Ele podia vê-la hesitando, então imendou. "E eu prometo que não vou chegar perto de você, se é com isso que você está preocupada. Eu só... pensarei em você como minha irmãzinha."

Ela tentou não rir. "Sem ofença, Sawyer, mas você é a última pessoa no mundo que eu ia querer para irmão mais velho."

"Que pena," ele disse sorrindo. "Então... o que você diz?"

"Está bem," ela disse suavemente, acabando por ceder. "Mas só até terminarmos... depois eu vou embora."

"Fechado."

Eles se olharam tristemente por alguns segundos, imaginando como diabos isso funcionaria. Nenhum dos dois tinha interesse em adquirir um novo irmão.

----------------------------

Ele manteve sua promessa - aliás, segui à risca até demais. Eles mantiveram uma distância até embaraçosa pelo resto do

dia enquanto tiravam o papel de parede antigo. Toda vez que ameaçavam a se aproximar, tratavam de tirar isso da cabeça.

Naquela noite ele levou amostras de papel de parede para que ela escolhece. No dia seguinte, segunda-feira, ele comprou os papéis de parede e eles começaram a colocá-lo. Ambos, talvez inconcientemente talvez não, cometaram inúmeros erros e foram o mais demorados quanto foi possível para que o trabalho pudesse durar mais. Mesmo assim, só durou até a tarde de terça-feira, mas então já estava tarde, e ambos concordaram que seria bobagem Kate ir naquele dia.

Na quarta de manhã, Sawyer se lembrou que não havia pago nenhuma conta ou checado sua conta no banco ou pego informação

de seguro por meses. Mulheres eram boas nesse tipo de coisas, certo? Kate admitiu que era habil com números. Mas ela realmente iria embora amanhã.

Na quinta-feira, caiu forte tempestade. Seria estupidez sair com aquele tempo. Só mais um dia não ia fazer mal.

Na sexta, Kate teve enxaqueca.

Sábado de manhã, Sawyer se preparou para ir ao mercado de novo. Ele vinha comprando coisas em pequenas quantidades todos os dias, mas agora era hora de fazer reabastecer o estoque. Ele fez Kate escrever uma lista de novo. Quando ela lhe entregou a lista, tentou não olhar diretamente para ele.

"Meio curta, não acha?" Ele perguntou.

"É, bem... já que estou indo esta noite, é basicamente só o que você vai precisar."

Ele permaneceu olhando para ela até forçar os olhos dela encontrarem os seus.

"Ainda assim, é bom estar preparado. Seria melhor adicionar algumas coisas mais." Ele devolveu a lista à ela, observando-a com atenção.

"Sawyer," ele suspirou. Então, fechandos os olhos por um instante, ela pausou. "Está certo, só por precaução."

Ele assistiu ela escrever, se perguntando se ela realmente iria neste noite ou não. Quantas desculpas mais ele poderia arrumar? Ela acabaria indo embora um dia. A tentativa deles de manter a distância havia durado por um dia, e eles rapidamente se reaproximaram um do outro. As coisas estavam ficando perigosas novamente.

Subitamente, uma batida na parta da frente ecoou pela casa. Era curta, rápida e autoritária - o tipo de batida que um policial devia ter. Eles se olharam, quase tomados pelo medo.

Em silêncio, Sawyer levantou-se e foi até a dispensa. Kate não se mexeu. Ela parecia estar paralisada. "Vamos!" Ele silibou. Mas ela ainda não se mexia, então ele voltou a pegou e levou até a porta. Ele podia sentir seus joelhos tremendo. "Eu coloquei uma arma na estante," ele disse apressadamente.

"O quê?"

Ele puxou a abertura do porão, ignorando a pergunta dela. A batida veio de novo, impaciente.

Ele ajudou-a na escada que a levaria até o fundo do porão. Quando ela começou a trêmulada descida, olhou para ele.

"Sawyer"

"Fala," ele disse distraidamente, olhando da cozinha.

"Não faça nenhuma bobagem, ok? Eu não valho a pena."

Ele olhou para ela, sentindo um nó na garganta. Eles se olharam intensamente por alguns segundos, ambos cientes de que se as coisas não correcem bem, Kate poderia estar algemada da próxima vez que se falassem. Ela obviamente advinhou o que ele estava pretendendo. Mas não havia maneira alguma de conseguir fazê-lo mudar de idéia.

Ela desviou o olhar para seguir descendo. Ele fechou a abertura e rapidamente recolocou o tapete. Aproximando-se da porta da frente, ele agarrou a arma de dentro da escrivaninha do corredor. Tentando não deixar o medo dominá-lo, ele segurou a arma para baixo e abriu uma fresta da porta.

Não havia ninguém lá. Ela abriu a porta um pouco mais, olhando em volta. Havia uma BMW preta estacionada na entrada.

Então não era a polícia... Ele respirou aliviado. Mas ele não conhecia ninguém que tivesse um carro como aquele. Quem diabos podia ser? E para onde tinham ido?

De repente, ele ouviu batidas novamente, desta vez vinham da porta da cozinha. Eles eram insistentes, seja lá quem fossem. Mas a cozinha estava próximo demais de onde Kate estava escondida.

Entrando novamente na casa bravo e ainda consideravelmente nervoso, ele entrou novamente na cozinha e foi até a porta. Quando abriu, ficou perplexo e precisou olhar duas vezes achando que sua vista, que já não era boa, estava lhe pregando uma peça.

Era Jack.