Invocavi Maledictus Ventis (I Invoke Cursed Winds) X
-Sua amiga já conseguiu ir embora? – Perguntou Milo, ajeitando uma mecha do cabelo loiro atrás da orelha.
-Sim, Thétis conseguiu ir embora. E obrigado por deixa-la ficar aquela noite em Escorpião.
-Não teve problema algum. – Respondeu, animado. –Foi mais um argumento para eu passar a noite em Aquário. – Seu tom era travesso e Kanon riu.
-Mas Cisne não ia passar uns dias com Camus para algumas lições? – O outro deu de ombros.
-Ele dormiu na sala. – Kanon gargalhou.
-Hyoga ouviu muita coisa, não?
-Não acredito que tenha ouvido. – Começou, inocente. –A sala do Camus fica bem longe do quarto. – Sorriu ao canto dos lábios. –Sei que fizemos muito barulho.
-Não quero detalhes... – O olhou, fingindo-se enojado.
-Kanon, o hetero-virgem-recatado. – Debochou e levou um tapa em sua nuca. –Ainda não esqueci aquele dia que fui até Gêmeos. Me senti na época de Calígula. – Kanon tornou a rir, divertido.
-Não posso contestar. – O General foi aos poucos cortando o seu sorriso e a graça do momento, pois viu uma comoção de alguns guardas, correrem em direção às escadarias dos Templos. Olhou Escorpião que também lhe fitou, preocupado. E sem hesitarem, mais um segundo, acompanhou Milo em uma corrida.
No caminho, sentiu distorções no cosmo, claríssimo, de Saga. Havia saído de sua Casa há pouco mais de uma hora, o irmão estava repousando mais uma vez, e mais três dias, sem qualquer resquício de Ares. Mas dessa vez, sentia-o, não em Gêmeos, mas mais longe. Ante a estátua de Athena.
-Milo, você sentiu isso?
-Sim! Shion e Saori estão com ele! - Alguns minutos, e estavam parados no primeiro degrau do lance. Mais uma vez, Dragão Marinho se desesperou ao ver a cena.
Seu amado vestia a armadura completa de Gêmeos, porém, o seu cosmo brilhava, vermelho. Podia ver seu sorriso diabólico, mas não os seus olhos e por conta de seu poder, estava alguns centímetros acima do chão e os braços abertos. A maldade crescia, como se Kanon e Milo tivessem chegado apenas no início. Junto, o céu começava a escurecer.
-Saga! – Kanon gritou, num lampejo de esperança para ele lhe ouvir. Mas em resposta, uma gargalhada maldosa. Ainda assim, disparou em direção a ele, se esquivando de Milo que tentou impedi-lo.
Mas o geminiano não conseguiu sequer se aproximar do irmão. Foi repelido pelo cosmo carmim, que aos poucos escurecia como o céu. –Que bom que veio assistir, Kanon.
-Vou destruir você. – Dizia cada palavra, pausadamente. Os punhos fechados, e agora, o seu cosmo chamava por sua Escama.
Shion, em extrema preocupação, tentava convencer sua Deusa a se afastar enquanto outros cavaleiros de Athena se aproximavam. Bronze, Prata, os presentes de Ouro.
Dragão Marinho, agora protegido por sua Escama, fazia o seu cosmo crescer cada vez mais. Seus punhos, ainda mais cerrados. Sentia como se a revolta de uma vida toda tomasse conta de seu corpo, mas sentimentos que não era contra Saga e sim, contra tudo que se opôs aos dois, durante tanto tempo. Mentalizava o amado e as lembranças, tanto recentes.
Sentiu um vulto veloz passar por seu lado, mas em uma fração calma de segundo, segurou o pulso do Cavaleiro de Pégaso. –Kanon, não pode me impedir! – Seiya ouviu o clamor de alguns dos amigos.
-Não. Eu não quero ajuda. Eu vou salvá-lo. Ele é meu irmão. Isso é assunto meu.
-Não poderá fazê-lo sozinho!
-Kanon, Seiya tem razão. – Shun deixou um tom bastante preocupado.
Ares parecia se divertir com a reunião. Nada falava, nada mencionava ou sequer expressava. Agia como um predador observando a sua presa, apenas esperando a brecha certa para avançar e abocanhar.
Por dentro, Saga ainda lutava. Aquela situação, naquele momento, demonstrava isso. Desafiou o Deus para um fim. Não suportava o seu sadismo, e não podia deixar que a Terra sofresse as consequências.
-Tanto faz. Vou destruir TODOS! Principalmente você, irmãzinha... – Ouvir aquelas palavras, soou pessoal para Seiya, que se desvencilhou de Kanon, mesmo de forma dificultosa e correu ante a ele.
-METEORO –
-TRIÂNGULO DE OURO. – Proferiu, parado em seu lugar. Seiya saiu de sua vista naquele instante. E então Kanon apontou em direção ao gêmeo. –Se é tão corajoso quanto diz, vamos resolver isso. Não aqui. – Pediu, mas sua expressão tomou outra forma. De ódio, se tornava sadismo. Ouviu um riso igualmente sádico do outro.
Os cosmos de ambos acenderam cada vez mais. Saori se adiantou alguns passos, mesmo ouvindo objeção de seus Cavaleiros de Bronze, também.
-Athena, deixe-os. Permita-os. Farão isso em um lugar longe daqui. – Interferiu, um Shaka completamente controlado. –Só nos resta acreditar que Kanon, sozinho, seja capaz de derrota-lo. – A virginiana se virou para o indiano, segurando seu cetro com mais força ainda. Sua expressão mostrava seu choque com a situação de seus Cavaleiros, embora, não temesse que Kanon saísse perdedor daquela luta. Parou e suspirou por um instante, mediando as palavras dele e seus próprios pensamentos.
No segundo seguinte, todos foram tomados por luzes intensas, que duraram alguns instantes apenas, como um flash. Assim que apagaram, Saga e Kanon não estavam mais ali.
-Arayashiki? – Indagou Shura.
-Não. – Shaka respondeu seco e então abriu os seus olhos e fitou o capricorniano. –Devido ao pedido de Kanon, Saga e Ares os levaram para outra dimensão.
-Kanon é o único que pode pôr um fim a isso, nesse momento. – Milo interferiu, já temendo o pior. Não que um vencesse o outro, mas que ambos se pusessem a um fim.
