Vencidos pelo cansaço. Definitivamente foi isso que aconteceu. Quando meu corpo já não agüentava mais me rendi ao sono, nem me dar ao trabalho de me vestir eu me dei. Nada como me aconchegar entre seus braços, colocar minha cabeça sobre seu peito, exalar o seu perfume, fechar os meus olhos e por um tempo esquecer que o mundo lá fora existe.
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Não sei lá bem a razão (ok, eu sabia), mas eu não pude dormir. Fechei meus olhos e a aninhei entre meus braços. Sentia que pouco a pouco ela caia em um sono profundo e sorri que nem um bobo idiota me dando conta do que acabara de acontecer e do que ainda poderia estar por vir. Beijei sua cabeça com cuidado e esperei ela dormir profundamente para deixá-la em paz no quarto. Caso eu não fosse para meu quarto dormir, Emily acordaria chorando ou algo do gênero. Cobri o corpo dela, fechei um pouco a cortina e liguei o ar. Peguei um papel qualquer e deixei um bilhete deixando-o no criado-mudo. Sai do quarto, voltando para onde estava minha filha.
Entrei com cuidado, não fechei a porta. Fui direto ao banheiro e tomei uma ducha rápida. Deitei-me ao seu lado e via que nada a acordaria, estava que nem uma pedra. Ajustei meu alarme para 7 e meia da manhã. Saberia muito bem que Lea dormiria alem daquele horário. Bom... pelo menos ela quase sempre era de dormir até mais tarde do que eu.
~~ péeeeeeeem!
Abro meus olhos e enfio a mão no alarme tentando não acordá-las. Coço meus olhos e vejo que Emily ainda dormia. Sai da cama e fui até a cozinha, esses dias havia dado uma folga para a empregada. Procurei algo na geladeira e comecei a tirar de tudo um pouco para preparar um senhor café da manhã. Ela merecia. Vezes e vezes brigávamos para ver quem iria providenciar comida. Eu com meu charme fazia careta e dizia que a fome me impedia de me mover ou raciocinar de manhã cedo e lá ia ela providenciar o nosso café.
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Abri meus olhos e vi que papai já havia acordado. Sai da cama com cuidado e procurei minha pantufa. Se eu não a calçasse papai vinha e já começaria a gritar e dizer que não queria me ver doente. Empurrei a porta e sai andando pelo corredor. Vinha um cheiro gostoso da cozinha. Papai cozinhando? Queestranho...
Passando pelo corredor vejo que uma porta estava fechada. Esquisito. Fechada porque?
Tento alcançar o trinco. Passo minha mão e nada. Penso em chamar o papai mais não, melhor deixá-lo fazendo coisa gostosa. Fico na ponta do pé e me esforço o máximo que posso, a porta depois de um tempo abre. Coloco minha cabeça pra dentro e percebo que o quarto estava gelado e um pouco escuro. E tinha ficado alguém pra dormir aqui ontem? Seria a minha babá?
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Faço torradas, procuro a maquina de waffle e abro o livro de receitas tentando caprichar. Tiro o mel, as geléias. Faço chocolate quente, procuro polpa de suco e faço dois tipos diferentes. Será que ela ainda gostava de muita fruta de manha cedo? E granola? Pego as frutas em casa e coloco tudo em cima da mesa. Eu ainda precisava dar um jeitinho nisso tudo.
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Me aproximo da cama devagarzinho. Mas como essa mulher tinha surgido aqui? Presente do papai do céu? Eu sei que o meu papai é perfeito o mais lindo, o melhor pai do mundo, mas às vezes me irrita quando me dizem que não tenho mãe que nunca vou saber como é uma família e enfim. Será que papai do céu mandou uma porque eu me comportei depois de ter operado o dodói?
"Mãe?" – pergunto me aproximando da cama achando sua mão. – "Paiii.." – gritei vendo que minha nova mãe não se movia - "ela ta gelada paiii.." – subi na cama com um pouco de dificuldade e vi que ela se movia – "ta viva paaaai.. e tem o cabelo parecido com o da tia Lea.."
"Que mãe?" – escutei a voz do papai.
Logo papai apareceu na porta e me virei sorrindo para ele – "a cegonha que trouxe a mamãe?"
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Acordo com umas vozes de criança ecoando em minha cabeça. Delírio. Mas insistem, e a voz me parecia familiar. Sinto uma mão suave, pequena, lisinha tocando o meu rosto. Abro meus olhos e a vejo ajoelhada, me encarando com o maior sorriso do mundo.
"Você parece muito a tia Lea.." – ela deslizava sua mãozinha pela minha bochecha – "não pedi uma tão bonita.. mas se papai do céu me deu..."
Me deu o que? Abri meus olhos de novo e o vi se aproximando de Emily por trás e sentando-se na cama. Que eu estava fazendo aqui mesmo? Então.. não foi um sonho?!
"Ela não é a mamãe..." – eu ainda não falava nada – "é a sua tia Lea.." – ele a abraçava forte e a pegava nos braços – "deixa ela descansar.. ela esta cansada... precisa dormir..."
"Mas..." – ela abraçou o pescoço do pai e me olhou – "ela tinha ido embora... e... já ta tarde não é mais hora de dormir.."
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Sorri com a cara de duvida da minha filha.
"Não é tarde..." – disse beijando sua testa – "vamos deixá-la.." – vi Lea se sentando na cama e puxando o lençol para cobrir o seu corpo.
"Posso ficar aqui não?" – Emily diz fazendo manha.
Olho para ela que ainda parecia confusa – "bom dia.." – ela passava a mão na cama talvez procurando algo para vestir – "tudo bem Emily?"
"Você dorme sem roupa?" – ri por tamanha inocência.
"Às vezes.." – senti que ela procurava um buraco pra se esconder – "você não?"
"Meu pai dorme de cueca.." – a coloquei no chão e logo ela foi pra cima dela de novo.
"Vamos.." – estiquei a mão pra ela – "vamos deixá-la se trocar.. tomar um banho.."
"Quero tomar banho com ela.." – Emily sorriu se jogando em cima dela – "você deixa pai?"
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Eu ainda estava tentando captar as coisas. Aquilo tudo não me ajudava. Mas eu já havia me recordado de tudo. Estava morrendo de vergonha e a situação só piorava tudo. Eu queria me enfiar embaixo do edredom e esperar todo mundo sair pra poder respirar fundo depois.
"Emily.. deixa ela.." – ele começou a ficar irritado.
"Deixa Cory, eu a ajudo a tomar banho.." – falei sem saber o que dizia.
"Não precisa atender as vontades dela.." – ele sentou-se na cama e senti sua mão em meu braço. E como nos velhos tempos senti um calafrio percorrer todo meu corpo. Não tudo isso de novo não. Ou sim.
"Não tenho problema quanto a isso.." – tentei sorrir – "nós mulheres damos sempre nosso jeitinho..."
"Você que sabe.." – ela se aproximou tanto que eu pensei que ele me beijaria – "qualquer coisa estou na cozinha..."
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Eu ainda não entendi bem o porque da tia Lea estar aqui, mas tudo bem. Confesso que gostei disso tudo. Era legal quando alguém dormia aqui em casa. Bom.. alguém que eu gostasse. Porque caso o contrario eu chorava mandava o papai mandar a pessoa ir embora.
"Um dia eu vou ter peitos que nem os seus.." – disse vendo-a segurando os peitos com duas mãos enquanto olhava ao redor.
"Em poucos anos.. mas os meus são pequenos..." – ela sorriu e logo voltou a olhar ao redor.
"Que nada..." – ela riu – "Vou pegar minha toalha.. ela é lindaaaa..." – disse saindo da cama – "você vai me dar banho aqui ou no meu quarto..?"
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Olhei pra ela confusa. Ah ok, eu já tinha prometido.
"Ah não sei.." – disse enrolando o edredom no corpo – "você que sabe.."
"Já venho.." – ela saiu do quarto deixando a porta aberta.
Sai andando lentamente pelo quarto achando pelo menos minha calcinha. Desliguei o ar e entrei no banheiro correndo e colocando rapidamente a calcinha o sutiã. Achei um roupão pendurado e o vesti rapidamente.
"Trouxe meu shampoo.." – ela sorria e quase pulava de felicidade – "você pode usar também ele.. tem cheiro de melancia..."
Deus, nunca pensei passar por isso em toda minha vida. Sentia-me envergonhada e flagrada em situação errada. E pior, não era mãe nem mulher de ninguém e sim uma coisa fofa loira e pequena com os cabelos assanhados que nem os do pai quando acorda. Respirei um pouco e decidi relaxar. Precisaria me manter muito calma para enfrentar o que ainda teria que enfrentar. A coloquei nos braços e entrei no banheiro recostando a porta.
"Posso fechar?" – pergunto sentando-a no aparelho sanitário.
"Pode.." – ela permanecia sorrindo. Acho que essa era o segredo dele de andar quase sempre tão bem humorado. Essa boa dose de bom humor logo de manha cedo relaxava o animo de qualquer um.
Abaixei-me e sabia que ainda tinha que ter certo cuidado com ela. Tirei seu pijama, dobrei em cima da pia e girei a torneira do chuveiro tentando achar uma temperatura agradável para ela.
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Ajeitei a mesa da melhor forma que pude e me sentei um minuto imaginando o que a coitada da Lea estava enfrentando. Ela deveria estar morrendo de vergonha ( por incrível que pareça, pelo menos antigamente, ela se comportava assim em determinadas situações) e ela não estava tendo o tempo que necessitava para acordar e raciocinar. Minha filha tinha 'estragado tudo'. Sorri imaginando o apuro que ela estava passando e fui até a porta ver se o jornal já havia chegado.
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"Você não vai tomar banho não?" – perguntei vendo que ela não tirava o roupão.
"Eu?" – ela se abaixava para ficar da minha altura – "depois..."
"Precisa ter vergonha não.." – me aproximei segurando sua mão – "somos meninas.. se eu fosse menino ai você podia ter vergonha.."
"Ah sim?" – ela sorriu pegando o shampoo e pondo um pouco na sua mão – "e do seu pai você tem vergonha?"
"Não... né?" - joguei um pouco de água nela – "ele é meu pai... ele eu posso ver e ele pode me veer.."
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Segui passando o shampoo em seu cabelo
"...mas ele não pode te ver.. mas eu posso ver vocês dois...você já viu meu pai pelado?"
"Como?" – sorri esperando não ter ouvido o que eu ouvi.
"Sabia que ele é diferente de nós?" – ela sorriu.
"Fecha os olhos.." – fiquei com medo de cair shampoo em seus olhos – "sei... é..." – continuei passando minha mão por seu cabelo – "diferente..."
"Então você já viu..." – ela começa a gargalhar alto.
"Quando trabalhávamos juntos.. talvez.. sem querer.." – me atrapalhei nas palavras – "mas é segredo... viu?" – passei a mão pelo seu rosto – "promete guardar segredo?"
"Ele não sabe que você viu?" – ela abre o olho admirada.
"Segredo nosso.. ok?"
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"Posso entrar?" – bati na porta do quarto vendo que elas já estavam demorando.
Nada nem uma resposta. Estava curioso, bati de novo. - "Alo?"
"Já estamos indo.." – escutei Lea falando.
Ela abriu a porta e encontrei as duas enroladas no roupão com o cabelo pingando. Emily se escondia atrás dela e eu via uma poça de água se formando no chão.
"Vejo que conseguiu dar um banho nessa porquinha sem ela reclamar.." – não sai da porta do quarto.
"Não foi difícil..." – logo ela sentou-se na cama.
"Eu porcaaa?" – Emily anda passos lentos ate minha direção – "você que é porco..." – Lea não falava nada somente ria.
"Vamos.." – andei uns passos e a peguei no colo – "vamos nos trocar..."
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Quando finalmente ele saiu do quarto recolhi minha roupa e entrei no banheiro. Liguei de novo o chuveiro e passei minha mão com força pelo meu corpo. Não queria deixar nenhum vestígio da noite anterior. Melhor fazer de tudo para esquecer isso. Foi um equivoco eu ainda teria que pedir desculpas e nem sei como. Tinha que desaparecer por um tempo. Isso não daria certo, não mesmo. Desliguei o chuveiro e me enxuguei vestindo minha roupa. Olhei ao redor e não achei nada para escovar meu cabelo. Sai do quarto e andei pelo corredor ainda um pouco receosa com tudo aquilo. Parei a porta do quarto de Emily que estava sendo penteada por ele.
"Precisa de algo?" – Cory me perguntou sentindo minha presença.
"Poderia me emprestar uma escova..?" – não me movi do meu canto.
"Espera só um instante.." – ele entregou o pente a Emily e saiu do quarto logo voltando com outra em mãos – "melhor usar a minha..."
"Obrigada.." – estiquei minha mão para pegar a escova.
"Meu pai sabe escovar.." – Emily disse se agarrando a minha perna – "ele pode te ajudar..."
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"Não precisa linda..." – ela disse agarrando a escova entre as mãos.
"Ele pode prender seu cabelo num rabo de cavalo..." – sorri para ela.
"Ah sim?" – olhei para ele que nada falava.
"Sim.. ele é ótimo cabelelelero..."
"Cabe o que pequena?" – papai ri junto com a tia Lea.
"Cabelero.." – repito sorrindo. – "senta aqui..." – peguei a mão dela e a levei até minha cama – "papai te ajuda..."
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Sem saber como fazer, fui me aproximando. Sim eu sei que poderia ter negado, dito que 'deixa ela em paz', mas eu queria fazer aquilo. Peguei a escova da mão dela e me sentei ao seu lado. Emily ficou de pé na cama e pegou uma mecha de cabelo me entregando.
"Começa por essa.."
Aspirei rapidamente o seu perfume e deslizei meus dedos pela extensão do seu cabelo. Senti o corpo dela enrijecer, porém não parei com meus movimentos. Deslizei meus dedos por sua nuca e puxei o seu corpo pra mais perto do meu, com a desculpa de que precisava fazer aquilo para não machucá-la.
Deslizei a escova com cuidado por uma mecha de seu cabelo e novamente aproveitei para passar meus dedos por sua nuca.
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Que ele estava pretendendo com aquilo? Porque eu não entendia. Enquanto ela estava sentada ao meu lado escolhendo algo para o seu pai fazer um penteado em mim ele deslizava seus dedos pela minha nuca e fazia que meu corpo se arrepiasse. Nada eu falava somente rezava para ele acabar com aquilo logo.
"Gosta de rosa?" – Emily interrompe meus pensamentos me mostrando uma caixinha de 'ligas de cabelo'.
"Gosto..." – sorri para ela – "qual você quer me emprestar?
"Essa de ursinho..." – ela colocou uma em minhas mãos – "você sabe fazer trança?"
"Sei sim.." – estendi minha mão entregando a 'liga' para ele. Se eu o conhecia no mínimo aquilo ia ficar torto.
"Faz em mim depois?" – ela fecho a caixinha e colocou de lado.
"Emily.." – ele logo fala repreendendo-a.
"Deixa Cory.. eu faço..."
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"Ficou linnnnnnnnnnnnndoo!" - pulei emocionada – "meu pai é um artista..."
"Acho que tá um pouco torto.." – ele se aproximava dela segurando o seu rosto entre as mãos.
"Ta lindo.." – passei a mão por seus cabelos – "parece a Rapunzel.. sendo que de cabelo escuro.. é castanho né pai?"
"É sim linda..." – ele seguia segurando o rosto dela.
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Fiquei segurando o seu rosto entre minhas mãos e prendi o meu olhar no seu. Ela o desviava, fazia de tudo para não me encarar mas logo não podia evitar.
"Vamos tomar café agora.." – fui interrompido por minha filha.
"Vamos.." – Lea quase pulou agarrando uma mão de Emily. – "me mostra aonde esta a cozinha.."
E lá saíram as duas pelo quarto me deixando ali sozinho.
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Passei minhas mãos por meu cabelo e constatei que nada mal, até que ele tinha aprendido a fazer algo. Tempos atrás quando eu precisava de uma mão extra para prender o meu cabelo, ele fazia de tudo para implicar, dava o maior nó do mundo, mas nada alem disso. No fim eu sempre tinha que entupi-lo de cremes para desembaraçar.
"Suco?" – ele pergunta ficando em pé ao meu lado.
"Pode ser..." – me ajeitei na cadeira analisando tudo o que ele tinha feito.
Quando foi que ele aprendeu a fazer isso tudo? Me perdi...
Comecei a provar as coisas com certo receio. Estava com medo de ter uma certa dor de barriga horas depois.
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Ela comia as coisas lentamente. De manha sempre seu apetite era controlado. Comia um pouco de aqui, outro pouco de lá e logo se dizia satisfeita.
"To muito cheia pai.." – Emily diz saindo da cadeira – "vou ali pegar minhas bonecas.. já volto.."
Esperei ela sai e sorri para Lea que olhou para o lado. Parecia que estava conferindo se o sorriso era para ela mesmo.
"Desculpa... ela é meio elétrica de manha cedo.." – tomei um pequeno gole de suco.
"Importa não.." – ela toma também um gole de seu suco.
Silêncio. Já esperado.
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Ficamos comendo e nos encarando. E ai.. pois é ne? Acho que preciso ir embora. O que eu iria falar pro Dylan? MEU DEUS DO CÉU! O Dylan! Uma hora dessas ele deve estar rodando meia cidade me procurando.
"Já volto.." – me levantei num salto correndo até minha bolsa procurando meu celular – "merda.." – disse vendo o visor.
17 chamadas não atendidas.
Eu nem iria conferir quem foi, porque eu já sabia.
Respirei fundo e fiquei com o celular em mãos sem saber o que fazer. Ir embora? Enfrentar ele? Com que cara? Onde eu ia dizer que passei a noite? Nunca que diria aqui, ele me mataria e mataria o Cory junto. Não mesmo. Voltei para a mesa aonde ele já não mais comia e me encarava preocupado.
"Que foi?" – ela pergunta pulando uma cadeira e sentando ao meu lado.
"Você sabe.." – coloquei meu celular sobre a mesa.
Não precisava dizer nada. Ele me entendia.
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"Você não precisa voltar para casa se não quiser... diz que viajou..." – falo sem saber ao certo o que dizer.
"Muito fácil.." – ela sorri nervosa ajeitando seu cabelo. – "fizemos besteira.."
"Fizemos?" – perguntei sem muita convicção e já sabendo que ela falaria algo do gênero.
"Não devíamos ter feito.." – ela agarrou o celular entre as mãos.
"Não me arrependo.." – digo me atrevendo a segurar sua mão na minha.
Ela vira o seu rosto para me encarar.
"Não sejamos hipócritas..." – apertei sua mão com força.
"Cory.. acho melhor eu ir..." – ela tenta sair e eu não deixo.
"Vai desaparecer de novo da minha vida?" – faço com que ela me olhe.
"Cory.." – ela abaixa o olhar – "não posso.. você sabe.. talvez fosse melhor como antes.. ficarmos longe.."
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"Qual o problema?" – ele não me soltava – "se arrependeu?"
"É mais complicado, você sabe.." – já não fiz muita questão de me soltar.
"Se aconteceu tem um significado maior.." – deslizei meus dedos pela palma de sua mão – "você sempre acreditou nisso.. me diz se não..."
"Não somos só mais nós dois.." – ela sorriu já não mais me encarando – "não daria certo.. as pessoas.."
"Que merda!" – me levantei num salto – "você e essa sua mania de perseguição.. essa mania de se importar com o que pensam..." – me afastei da mesa e logo me voltei para encará-la – "quer saber? Você deve estar certa.. conseguimos viver muito bem assim como estávamos antes.. talvez seja melhor mesmo você ir... eu supero.. minha filha não entenderá muito.. mas será o melhor..." – falei aquilo sentindo por mais uma vez na vida meu coração se despedaçando.
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"Cory.." – senti que iria chorar.
"Pode falar com ela.. invente algo.." – ele saiu dando as costas – "desejo novamente que seja muito feliz.."
O vi fecha a porta de seu quarto e fechei meus olhos sentindo que lagrimas já não conseguiriam ser evitadas.
"Tia?" – ouvi uma voz de criança e uma mão pousada na minha perna – "que foi? Porque você ta chorando?"
"Nada linda.." – passei a mão limpando meu rosto.
"Ta doendo algo?" – ela leva sua mão ate minha bochecha.
"Não.. Emily.." – tentei fazer logo aquilo – "vou precisar viajar um tempo.."
"Volta quando?"
"Um tempo.. não sei.." – repeti as palavras sem idéia do que iria fazer. – "depois prometo que venho te ver..."
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"Você liga?" – me sentei na cadeira ao seu lado.
"Vou ver que posso fazer..." – ela respirou fundo e me deu um beijo.
"Leva.." – entreguei a ela meu Barney – "ele cuidará de você.."
"De mim?" – ela tomou o urso entre as mãos e sorriu – "obrigada... prometo que devolvo seu urso.."
"Você volta, ne?" – precisei perguntar de novo.
"Sim.." – ela me beijou de novo e logo se levantou indo até a sala – "volto.." – pegou sua bolsa e saiu pela porta. Não sei porque, mas eu senti uma dor forte na barriga e no coração. Mas era uma dor diferente.. o que seria?
