LEMBRANÇAS DE LUZ
-
Capítulo Nove – Intenções Camaleônicas
Depois das palavras de Uchiha Sasuke, ninguém mais prestou atenção a sua volta. Nenhum deles percebeu a névoa aumentando com o passar e esfriar da noite, nenhum deles ouviu o pio de duas corujas se comunicando, nenhum deles percebeu que, apesar de fria, como não era raro nas noites do feudo de Masaru Ren, era uma noite bonita. Pequenos detalhes como esses não são relevantes durante acontecimentos importantes.
- O-o que foi que você disse, Sasuke-kun? – a voz de Sakura tremeu ao fazer a pergunta. Naruto, ao contrário, parado com os olhos de safira vidrados no rosto inexpressivo de Sasuke, tremia por inteiro.
- Não... – ele sussurrou, mas ninguém pode ouvir.
- Eu vou destruir a Vila da Folha, como já deveria ter feito. Vou deixar que corram e voltem pra lá para tentar defendê-la, mas não vai adiantar.
- Sasuke-kun, isso é mentira! – Sakura se adiantou e agarrou o quimono do Uchiha, mas ele nem sequer moveu os olhos de cima de Naruto para encará-la. Ele queria observar a reação do Uzumaki diante de sua traição do começo ao fim – Destruir a Vila, isso não... A Folha é... É o seu lar!
- Não – Sakura se retraiu. A voz de Sasuke não deixava espaço para argumentos emocionais. Ele estava agindo completamente com a razão. – Há muito tempo a Vila da Folha não é o meu lar.
- Sasuke... – dessa vez Naruto deixo-se ser ouvido ao falar e levantou a cabeça para tirar a franja loira de cima dos olhos claros. E chorava. – Porque você voltou?
- Porque você me levou de volta, Naruto.
- E porque mentiu? Porque ficou lá e nos enganou?
- Porque você deve manter seus amigos perto e os inimigos mais perto ainda.
As palavras de Sasuke eram frias e conseguiam ferir a Naruto e Sakura muito bem. Para Hinata as coisas que saiam da boca de Sasuke eram apenas sons ocos, sem nenhum significado. Apesar de também estar chorando em silêncio, esquecida no canto, de ter o coração pesado e a mente anuviada, ela se recusava a acreditar.
- EU NÃO ACREDITO EM VOCÊ! – o grito ecoou pela floresta e pássaros voaram assustados. Naruto agora estava pouco se lixando se as pessoas do feudo o ouvissem e isso os fizesse ser descobertos.
- É melhor acreditar – Sasuke sumiu por um instante e reapareceu muito perto de Naruto para repetir uma cena antiga. Colocou a mão direita no ombro esquerdo do loiro e disse em seu ouvido – Porque se eu matá-lo agora, quem vai proteger a Vila, usuratonkachi?
O punho de Naruto subiu rápido e acertou a face esquerda de Sasuke jogando-o para trás. Ele se agachou e freou a tempo de não acertar com as costas em uma árvore e não tornou a olhar para o loiro. Ambos tinham se dado às costas quando se recompuseram em pé. Sakura estava estática observando aquilo. Da última vez ela não tinha visto a luta dos amigos no Vale do Fim, mas parecia que eles queriam encenar uma pequena parcela do que acontecera lá.
- Vamos, Sakura-chan – ele ainda chorava.
- Na-naruto...
- Vamos defender a Vila, e quando você chegar estaremos preparados, Sasuke.
- Vou destruir o Monumento dos Hokages e seu rosto jamais irá ser esculpido lá, Naruto.
Naruto começou a andar sem pressa para dentro da floresta em direção ao sul. Sakura forçou suas pernas a segui-lo, as lágrimas secando na face e os olhos esmeraldinos baixos, mas parou ao se lembrar de Hinata assustada atrás de Sasuke, observando algo como aquilo. Mesmo que a nin-médica não tivesse visto a briga da última vez, aquilo ali se parecia mais como uma das centenas de outras brigas corriqueiras dos seus dois companheiros. Para a Hyuuga, porém, era a primeira briga séria de Naruto e Sasuke que ela via.
- Hinata-chan? – chamou Sakura e os olhos perolados, ainda derramando lágrimas, se desviaram das costas de Naruto se afastando e olharam-na – Vamos?
- Acho melhor voltar a okia, ficar aqui é arriscado, Sasuke – Hinata disse, mas Sasuke nem sequer olhou pra ela. Ele estava sentado na janela do seu quarto na mansão de Masaru Ren e a garota estava no outro extremo do cômodo.
Quando a kunoichi deu um passo para trás após Sakura a chamar para ir, a nin-médica não insistiu. De certo modo, ela entendia a decisão de Hinata ficar com Sasuke. No interior da Hyuuga, ela sabia que tinha alguma coisa errada e a escolha de ficar para trás não foi apenas motivada pelo pedido anterior de Sasuke, quando ele a abraçara com desespero, querendo que ela entendesse por trás de suas intenções nebulosas e dissimuladas.
- Eu prometi a eles que não mais os machucaria, nem que iria embora – ele disse mais para si mesmo do que para explicar qualquer coisa a Hyuuga.
- Você não teve outra escolha – ela se aproximou dele – Para enganar o inimigo deve-se, primeiro, enganar os amigos. Tenho certeza que Naruto-kun vai perceber – Sasuke paralisou sua expressão. Então Hinata conseguira mesmo ler por trás de suas intenções traidoras para com Naruto.
O Uchiha se virou de repetente e puxou Hinata para ficar mais próxima a ele. A garota ruborizou quando o rosto de Sasuke foi parar na curva do seu pescoço, seus dentes mordendo sua clavícula exposta, mas seu estarrecimento perante a atitude dele durou apenas alguns segundos. Ele tinha a mania de ser o primeiro a fazer as coisas, tomar a dianteira da situação como forma de demonstrar seu controle. O orgulho de Sasuke era do tamanho da determinação de Naruto e ter seu orgulho ferido por uma promessa importante que não pudera cumprir era uma dor grande para se carregar sozinho, como ele faria. Suas mãos pequenas agarraram as costas do quimono dele. Seu rosto também foi parar no ombro pálido e ela beijou seguidas vezes as fundas marcas de unhas que lhe deixara de presente. Hinata não deixaria que Sasuke carregasse mais dor alguma sozinho, assim como ele faria com as dela.
Queria saber se Sasuke sentia medo, mas ele não lhe deixava ver seus olhos. Talvez fosse algum efeito de seu Byakugan, não sabia dizer, mas ela começara a conseguir muito facilmente desvendar os olhos de abismo do Uchiha. Ela desvendara seu último mistério, talvez com alguma demora. Quanto tempo levaria até aparecer outro mistério a ser desvendado na imensidão negra? Talvez ele até já estivesse lá. Talvez o próximo mistério do ônix fosse à dúvida se Naruto o aceitaria de volta.
Os olhos de Sasuke estavam firmemente cerrados quando Hinata levantou sua cabeça. Ele não queria que ela visse sua vergonha? A Hyuuga beijou delicadamente cada um dos olhos, várias vezes, antes de sentir os braços de Sasuke apertando-a mais contra seu peito e juntar seus lábios com os dele.
Naruto passava rápido demais entre os galhos das árvores. Sakura se esforçava para alcançá-lo, mas não conseguia. O loiro não parara de correr desde que saíra da clareira. Ele não tinha cuidado em desviar das coisas e mais de uma vez Sakura prendera a respiração quando ele deu um passo em falso sobre um galho fino demais ou quando ela pensou que teria que mergulhar atrás dele na próxima curva para agarrá-lo no ar antes que se espatifasse no chão. A raiva por Sasuke e sua atitude o impulsionava para frente, assim como a ânsia de chegar logo para não deixar que nada acontecesse com a Vila.
- Naruto! – gritou Sakura quando viu mais um galho afiado atingir o rosto dele. Cortes se formavam por suas bochechas e braços – Pare!
Ele não a ouvia. As únicas palavras que chegavam a seus ouvidos e ecoavam por seu corpo mandando pulsos de adrenalina e raiva eram as últimas palavras de Sasuke: "Se eu matá-lo agora, quem vai proteger a Vila, usuratonkachi?". E o bastardo ainda ousara desdenhar dele. Aquilo o irritava a ponto de Naruto querer parar de correr para o sul, voltar ao feudo de Masaru Ren e espancar o belo rostinho daquele Uchiha miserável até que não houvesse mais nenhum Sharingan sobrevivente na história ninja.
"Se eu matá-lo agora, quem vai proteger a Vila, usuratonkachi?".
- NARUTO, EU NÃO VOU FALAR DE NOVO! – gritou Sakura aproximando-se dele com o punho erguido, pronto para dar-lhe um soco de quebrar as costelas. Ela não esperava acertá-lo e ficou desesperada quando viu que Naruto de fato tinha parado sobre um galho e ouvira seu grito. Ele virou nos calcanhares para olhar para trás no exato momento que ela caia em cima dele e os dois despencavam da árvore – O que é que você está fazendo, seu idiota?
Sakura tinha se agarrado ao galho no último segundo. Não era uma queda grande, mas se caíssem de qualquer jeito poderia se machucar e tornar-se-iam inúteis na batalha porvir. Soltou Naruto que caiu agachado na grama abaixo dele, depois soltou a si mesma. Ficou de frente para o loiro e agarrou-lhe o colarinho, furiosa:
- Porque parou de repente? – urrou.
- Aquele teme... – Sakura afrouxou o aperto e a expressão. Ele realmente estava mal por causa das palavras de Sasuke. Claro que ela também mal conseguia acreditar, mas com Naruto deveria ser mil vezes pior. Tentou mudar de assunto, não fazê-lo pensar em Sasuke e voltou a apertar o colarinho dele.
- Não corra tão rápido, eu quase não consigo te acompanhar. Eu sei que nesse ritmo chegaremos a Vila ao meio-dia de amanhã, mas precisamos descansar um pouco – ela encarou Naruto ao terminar de falar e largou seu colarinho como se o loiro queimasse. A expressão dele assustou-a.
Uzumaki Naruto esboçava o mais largo de seus sorrisos.
Ela ainda deu mais um passo para trás quando os olhos de safira foram parar nos seus próprios, com algum receio daquela expressão tão adversa à situação que Naruto esboçava, mas a árvore de onde eles tinham caído limitava a sua área de fuga. As mãos de Naruto espalmadas na árvore, uma de cada lado de sua cabeça, terminaram o serviço de grades em volta de si.
A rósea sentia receio dos movimentos aparentemente calculados e frios do amigo, mais aquele sorriso presente na pele morena. Pelo outro lado, aquele sorriso não lhe parecia de todo estranho. Era um dos sorrisos típicos do melhor amigo, só parecia mais brilhante, mais alegre, como se ele tivesse uma alegria recém-descoberta que não conseguisse conter e, para extravasá-la, sorria daquele jeito. Os vários cortes causados pelos galhos da árvore e por onde escorriam filetes de sangue o faziam parecer um garoto travesso que não fora devidamente castigado por suas atitudes.
- Naru... – ele não deixou que completasse a frase e calou a boca de Sakura com a sua.
Os movimentos se perderam com as palavras e os olhos esmeraldinos se arregalaram o mais que puderam. A sensação de quentura partiu da língua de Naruto contra a sua e espalhou-se por seu corpo de forma tão rápida e intensa como se os raios de sol do sorriso dele inundassem seu corpo. Sentiu-se tão leve, bem e amada que aquilo mais parecia uma massagem com óleos aromáticos do que um beijo. Uma massagem com óleos aromáticos sendo aplicada pelo massageador mais gostoso que ela pudesse ter encontrado.
Fechou os olhos quando Naruto a tirou do chão e enrolou os braços e as pernas em volta do melhor amigo para não cair. Não que ela acreditasse que com a intensidade com que as mãos dele agarravam seu corpo fosse possível que caísse. E fez a única coisa que seu cérebro e funções motoras limitadas permitiam naquele momento: o beijou de volta sem nenhum pudor e com toda a vontade com que ele lhe demonstrava sentir.
Deixaria para entender o motivo daquilo quando se separassem.
Havia preparativos de guerra sendo feitos fora da mansão e do feudo de Masaru Ren. Eles iriam partir logo após o café da manhã. Dentro da mansão do feudo nada parecia fora do comum. Ren tomava seu chá como de costume, Sasuke estava sentado perto da porta e Hinata estava ajoelhava em sua almofada, tocando o shamisen.
Não parecia que eles iriam marchar sobre a Vila da Folha no dia seguinte. As guarnições de Ren já estavam se deslocando para todos os flancos. Mesmo Chiren, Ryuusuke e Wakusei já tinham deixado o feudo na noite anterior para irem para seus respectivos batalhões. Apenas Ren, Sasuke, Hinata e uns poucos guardas iriam exigir tudo dos cavalos para chegar a Vila, o mais tardar, no amanhecer do dia seguinte. Para Sasuke o motivo de tão pouca segurança por parte de Ren poderia indicar graves falhas em seu caráter e mente brilhante: ele podia acreditar que armadilhas e emboscadas não iriam acontecer no meio do caminho por todas as forças da Folha estar concentradas na proteção da Vila; podia acreditar cegamente que Sasuke o protegeria; ou podia acreditar cegamente em suas próprias habilidades. O Uchiha acreditava se tratar de um pouco de cada coisa.
- Hinata-chan? – chamou Ren. A garota olhou para cima, o som do instrumento ficando mais baixo e suave. Sasuke manteve seus próprios olhos colados no jardim – Espero que não se importe, mas eu vou levá-la comigo até o campo de batalha. Você vai ser devidamente protegida, é claro. Você será meu amuleto da sorte.
- M-mas, Ren-sama... – a garota começou. O som do shamisen cessara completamente – Eu não lhe serei útil e você desperdiçará homens para me proteger.
Ela ficara realmente surpresa com o pedido – que estava mais para ordem incontestável que ela estava contestando. Sasuke não havia lhe falado nada sobre isso, mas depois do que fizera a Naruto e Sakura, ela podia compreender o porquê. Não ousou desviar seus olhos para o Uchiha o mínimo que fosse. Depois de ter sido comprada por ele e ter realmente consumado a compra, ela não queria que Ren percebesse que a relação deles se estendia além das paredes de madeira do quarto especial da okia.
- Como eu disse, você é meu amuleto da sorte – os olhos aquosos e esverdeados do senhor feudal se cravaram mais firmemente nos da Hyuuga e ela se sentiu intimidada, como uma gueixa deve fazer perante as ordens de seu senhor. Baixou sua cabeça e posicionou o instrumento deitado ao seu lado. Fez uma reverência cortês.
- Como ordenar, Ren-sama.
Ele anuiu com a cabeça e sorveu o último gole de chá antes de ordenar a Hinata que fosse à okia pegar seus poucos pertences para a viagem. Hae-san já fora avisada das intenções de Ren e ela lhe ajudaria. A garota ficou cabisbaixa ao passar por ele, interpretando estar realmente sentida ao ter que ser submetida aquilo. Pediu licença a ambos e deixou a sala de refeições.
- Diga-me, Sasuke-san – chamou Ren a qual o Uchiha mal se dignou a virar levemente a cabeça para olhá-lo por cima do ombro – Quão macio é o corpo dela?
Sasuke virou a cabeça de volta para encarar o jardim. Levantou-se e deixou o local pelos corredores externos da mansão. Aquelas perguntas audaciosas e desavergonhadas de Masaru Ren conseguiam atingi-lo diretamente onde ele não queria. Ficava bravo muito facilmente quando falavam sobre Hinata e isso não era bom para o seu Sharingan que se ativava quase de imediato.
Ren continuou na sala para terminar o seu café da manhã. Sorria enquanto tomava o chá – ele não reparou nisso, mas o galhinho de seu chá não boiava em pé.
- Obrigada por tudo, Hae-san.
Hae não podia ter ficado mais surpresa pelo agradecimento da Hyuuga. O que diabos ela estava falando? Hae era uma verdadeira carrasca, especialmente depois das chibatadas que infligira nela e a garota ainda a agradecia. A mulher mais velha terminou a trouxa e aproximou-se de Hinata. Pegou o rosto dela entre seus dedos nodosos.
- Eu não entendo você, garota – disse a matriarca – Porque escolheu uma vida como essa?
- Não escolhi – Hinata respondeu. Podia ver por trás das intenções camufladas nas palavras de Hae-san, mas não sabia dizer se ela falava sobre a vida de gueixa ou sobre a vida de ninja. De qualquer forma, sua resposta era a mesma para qualquer que fosse – É um legado de família.
Hae soltou seu rosto. Havia apenas sinceridade na sua expressão. Deu-lhe as costas e entregou a Hinata uma trouxa extra. A garota ficou sem entender até a mulher se aproximar da porta, parar e dizer-lhe:
- Esse é um dos quimonos que você trouxe. Não vou devolver os outros, você os deve a esta okia. Este é aquele quimono Uchiha, com a garça de penas vermelhas.
- Como...? – a Hyuuga ficou horrorizada. Como ela poderia saber a origem do quimono? Mas ela não precisou completar a pergunta, Hae viu através do seu espanto e sorriu arrogante.
- Gueixas são as maiores especialistas em quimonos, sua mãe deveria ter lhe ensinado isso.
É claro. Viver o tempo todo rodeadas por quimonos, viver em função deles, por eles, com eles, não poderia fazer-lhes especialistas em outra coisa.
- Acredito que este Uchiha deva ser especial para você – Hae abriu a porta – Não volte para esta vida, porque da próxima vez o labirinto não será tão fácil de ser atravessado.
A matriarca saiu e Hinata aceitou o seu conselho de bom grado, pois fora o mesmo que sua mãe lhe dera muito, muito tempo antes. Quanto ao Uchiha, ficou confusa se Hae se referia ao quimono ou ao próprio Sasuke.
A entrada da Vila Oculta da Folha despontou no horizonte, mas eles já estavam correndo por suas ruas vazias antes que pudessem parar uns segundos para saborear o bom sentimento de estar de volta a casa.
Sakura ainda estava alguns passos atrás de Naruto, não conseguia alcançar o loiro e o radiante sorriso que não deixara o seu rosto desde que eles tinham parado na floresta e Naruto percebera o que Sasuke queria que ele percebesse desde o início. "Demorou muito, dobe", era o que Sasuke diria, com um sorriso de canto e os braços cruzados, quando Naruto o reencontrasse.
Quando eles finalmente tinham parado de se beijar na floresta, ainda ofegantes, sem conseguir conter-se, Naruto perguntou de supetão:
- Quais as duas coisas que podem me fazer correr tão rápido quanto eu venho correndo, Sakura-chan? – ela não respondeu. Faltava-lhe ar e nada lhe passava pela cabeça naquele momento – Raiva ou felicidade. O que me faria sentir mais raiva do que Sasuke querer abandonar a Vila de novo? E o que me traria mais felicidade do que ter você correspondendo ao meu beijo?
Daí ela também entendeu o que Naruto queria dizer. Sasuke realmente era um ótimo estrategista. Dizer, simplesmente, que Naruto precisava estar na Vila o quanto antes porque alguma coisa no plano de Ren mudara não era o suficiente. Ele precisava levar a farsa de inimizade entre eles até o campo de batalha e para convencer Masaru Ren, primeiro ele tinha que convencer a ela, a Naruto e a toda a Folha.
Como convencer Sakura a beijar Naruto poderia ser um pouco difícil naquelas circunstâncias, o Uchiha apostara na raiva que o melhor amigo sentiria por ele repetir um ato que prometera não repetir. Hinata ficar também fora um ponto importante. Sakura quis começar a rir quando percebeu a farsa toda, algo que Naruto percebera antes dela. Isso só mostrava como aqueles dois se conheciam muito bem. Mas será que Sasuke estava realmente tão seguro de que Naruto iria entender suas intenções ou ele estava apenas jogando kunais no escuro? Teria que perguntar a ele quando voltasse.
- "Quem irá proteger a Vila, usuratonkachi?". Aquele idiota, se ele queria realmente cortar os laços com a gente, não teria usado esse xingamento, dattebayo! – gritou Naruto correndo pelas ruas semi-desertas da Vila. Não havia civis, eles deveria estar todos trancafiados e protegidos no interior de pedra maciça das estátuas dos Hokages. Os poucos ninjas circulando no interior da Vila naquele momento os reconheciam e mandavam cumprimentos a qual eles poucas vezes respondiam. Precisavam chegar logo à sala de Tsunade – "Vou destruir o Monumento dos Hokages", isso indica o local onde eles vão atacar.
- O quê? – essa parte Naruto lhe tinha omitido e por si mesma ela não percebera. Quando Sasuke dissera isso, o seu coração batia tão alto que impedia que os demais sons chegassem a seus ouvidos – É onde os civis ficam protegidos. Qualquer ataque pesado lá e eles podem ser soterrados.
- Masaru Ren deve ter conseguido um novo flanco, por isso Sasuke precisou nos despachar as pressas. Todos os ninjas serão úteis, dattebayo – eles entraram pela porta principal do Prédio do Fogo e correram escadas acima. Os ninjas que estavam pelos corredores apresentando seus respectivos relatórios e estratégias de batalha desviavam para os cantos quando o loiro e a nin-médica passavam pelos corredores.
- Tsunade-sama!
- Obaa-chan! – gritaram os dois ao irromperem na sala. O estarrecimento dos presentes foi à marca registrada. Shikamaru deixou cair o cigarro da boca e Shizune ficou pregada a janela com Ton-Ton nos braços.
- O que é que vocês dois estão fazendo aqui? – perguntou a Hokage levantando-se da sua mesa e espalmando as mãos por ela. Os olhos âmbar se cravaram nos dois ninjas cansados e ofegantes a sua frente. Sakura se apoiava nos joelhos e Naruto caiu sentado no chão, o peito subindo e descendo muito rápido.
Ela os esperou recuperar o fôlego.
- Precisamos tirar os habitantes da Vila de dentro do abrigo das estátuas – disse Sakura.
- Masaru Ren conseguiu mais ninjas, ele vai atacar pelo sul também – completou Naruto pondo-se em pé.
- Vocês têm certeza disso? – perguntou a Hokage.
Concordaram com a cabeça.
- Shikamaru, selecione seus genins e alguns chunnins para tirar os civis da montanha.
- Isso é problemático – respondeu o Nara pegando outro cigarro e pendurando-o entre os lábios frouxamente – Onde podemos colocá-los que não será atacado?
- Eles vão cobrir todos os flancos: norte, sul, leste e oeste – Naruto disse apontando para o mapa da Vila que estava sobre a mesa e explicando do mesmo jeito que Sasuke lhe explicara – Eu vou ficar com o flanco norte, que é o único com apenas ninjas e Sasuke estará lá também, é por onde Ren pretende chegar. O flanco do sul é o mais fraco, mas mesmo assim não deve ser subestimado.
- Vamos concentrar os civis no centro da Vila. Mandá-los para feudos próximos através das florestas é arriscado, então concentrados no centro da Vila, com os ninjas protegendo o seu raio e impedindo que a batalha se infiltre no território, haverá menos danos em geral – Shikamaru parecia muito aborrecido com todo o trabalho que teria. Somente pensar e dizer aquilo já o deixava com sono.
- É a melhor possibilidade, porque também é onde os medicamentos e instalações para os feridos pode ficar – completou Sakura olhando para a mestra que se mostrava pensativa e apreensiva. Ela encarou dos olhos verdes para os azuis e depois os olhos sonolentos de Shikamaru e concordou com a ordem.
- Shikamaru, você fica responsável pela concentração de civis. Naruto e Sakura vão se preparar para a batalha, Shizune vai conduzir a equipe médica no local. Hinata... – só então Tsunade percebeu que, dos três ninjas que deveria voltar no dia seguinte, mas que voltaram um dia antes ainda faltava um ali – Hyuuga Hinata, onde ela está?
- Isso é algo que eu também gostaria de saber.
Os ninjas presentes se viraram. Neji não tinha o melhor semblante parado na abertura da porta, um maço de papéis de relatórios estratégicos sendo amassado em sua mão. O chakra raivoso e preocupado escapando de todos os poros.
- E fica cada vez mais problemático – Shikamaru sussurrou para si mesmo acendendo o isqueiro, depois o cigarro.
- Vamos parar por aqui – Ren anunciou parando seu cavalo baio com brusquidão. Os seis guardas, mais Sasuke e Hinata acataram a ordem e todos os nove cavalos foram desmontados por seus cavaleiros.
Os guardas trataram de montar o acampamento, tirar as celas dos cavalos e leva-los para uma pastagem próxima ao rio. Eram todos os homens do feudo que não tinham a batalha como profissão. Eram um par de plantadores de arroz, um carpinteiro com seu filho, um dono de bar e um mineiro. Nada úteis em uma batalha de verdade, porque as ferramentas que eles sabiam manusear não eram espadas, machados ou lanças.
Três barracas foram montadas. Uma para Hinata, uma para Ren-sama e uma maior onde quatro pessoas poderiam dormir. Os guardas e Sasuke foram designados para ficar de vigias durante a noite, em turnos. Não acenderam fogueira e o jantar foi servido frio. Nada que atentasse aos inimigos sua posição. Hinata foi a primeira a se recolher sem querer ficar sob os olhares de oito homens, mesmo que um deles fosse Sasuke.
- Eu fico de vigia primeiro – avisou o moreno Uchiha levantando-se.
- Fique atento, Sasuke-san – Ren aproximou-se. Pousou a mão sobre seu ombro ao preveni-lo – Há muitos insetos venenosos nesta área.
O portador do Sharingan não lhe dispensou grande atenção e pulou sobre o galho de uma árvore, sentou-se recostado ao tronco grosso, Kusanagi apoiada contra seu peito, entre os braços cruzados. Os olhos negros estavam fechados, mas seus ouvidos faziam um ótimo trabalho. Os olhos aquosos de Ren o miraram brevemente antes de insinuar se recolher para sua própria barraca. Ele falou com todos os seus guardas, dando-lhes instruções e dando leves tapinhas de encorajamento em suas costas.
Rumou para sua barraca e ficou nela durante exatos quinze minutos analisando alguns pergaminhos com a pequena chama de um isqueiro. Estava impaciente ao sair da barraca. O Uchiha continuava no mesmo lugar, sobre a árvore. Uma das pernas pendia para baixo, balançando de vez em quando com o vento. Quatro dos guardas dormiam, os outros dois não estavam à vista. Colocou os braços dentro das mangas do seu quimono e sorriu quando rumou em direção à barraca de Hinata. Abriu o toldo e entrou.
Apenas a imagem de Hinata dormindo, inocente e pura, já o excitava. Como queria tê-la em sua coleção de gueixas que possuíra pela primeira vez, mas fora impossível recusar a quantia oferecida por Uchiha Sasuke, especialmente pela maioria das moedas serem ouro exclusivo forjadas pelos ferreiros de um dos Clãs mais antigos e honrados da Folha, mesmo que quase extinto. De fato, depois de pensar bem, possuir a mulher que fora possuída por um Uchiha não era tão ruim, só faria o seu preço, a sua raridade ainda maior. Não havia mulher mais perfeita que Hinata era o que Ren achava. E quantas poderia dizer que foram possuídas por Uchiha Sasuke como ela fora?
Tirar seus guardas e o todo-poderoso Uchiha de seu caminho não fora nem um pouco difícil. Colecionar coisas raras era mais que um hobby, era quase uma obsessão. Uma obsessão que o levara a ter posse do veneno sonífero mais imperceptível e poderoso do mundo ninja. Quem teria sido o gênio a inventar um veneno injetado pelo toque? Para Ren, é claro, o antídoto. Não adiantaria colocar todos para dormir fora de seu caminho e ele igualmente fazê-lo.
Ajoelhou-se ao lado de Hinata. Estava na hora de acordá-la e fazê-la sua.
Há muito verde e muita bruma. Isso é um sonho? É uma das minhas lembranças de luz? Eu não me lembro de já ter estado em um lugar como este, apesar de parecer ser a Vila da Folha. Minhas pernas parecem mais curtas, como se eu tivesse voltado a ser criança. É um sonho, afinal.
Estou em um labirinto e não consigo encontrar o fim.
- Hinata-chan...
Eu conheço essa voz.
- Está na hora da nossa aula, querida.
- Okaa-san – essa voz parece a minha de muito tempo atrás.
Se for minha mãe quem me espera no fim deste labirinto, então quero encontrar logo a saída. Há curvas demais, muitos becos sem saída, e as paredes de cerca viva parecem estar cada vez mais estreitas. Ou serei eu quem está crescendo? Os meus passos parecem mais longos, assim como minhas pernas. Não consigo ver meu próprio corpo, apenas consigo olhar para a imensidão verde e infindável à frente.
- Venha, se apresse, Hinata-chan!
Que sair daqui. Espere-me, okaa-san!
Estou com medo. Jamais devia ter entrado neste labirinto, porque é um lugar muito difícil para achar a saída.
- Hinata, acorde.
- Sasuke?
- Chega de sonhar.
Os olhos perolados se arregalaram. Ela esperava ver o labirinto verde, mas havia apenas o teto de lona marrom da barraca designada a ela por Ren. Havia sido só um pesadelo. Sentia suas costas suadas, apesar do tecido leve do quimono que vestia. Demorou ainda o tempo de sentar-se no futon para sentir a presença ameaçadora dos olhos aquosos de Masaru Ren sobre si.
Olá!
Que demora! Desculpem, desculpem! Eu culpo a escola, vocês podem me culpar, não tem problema. Eu sei que deveria ter postado esse capítulo antes, mas vocês não sabem a dificuldade que eu tenho para arranjar tempo para escrever, desculpem mesmo. Espero que tenham gostado pelo menos. Deu pra entender as segundas intenções camaleônicas do Sasuke? E as da Hae-san? Acho que as do Ren ficaram bem óbvias. Falando nisso, camaleônicas se deve ao camaleão, aquele bichinho que se camufla muito bem, sacaram? Agora as coisas estão ficando boas, portanto pretendo não demorar tanto com o próximo capítulo. Agradeço a quem ler!
AGRADECIMENTOS:
Luciana Fernandes, Dondeloth, sussex', Estrela Malfoy, Skadi Drevonuoir, Bela F., pandoraff93, Toph-baka, Misha-sama, Elara-chan, Lust Lotu's, Ariii, Samantha Moon s2, Amandy-san, K-Peal, Secretpoisson, annakeelly, May-chan, Kinha Oliver e Lidy-chan.
OBRIGADA POR LEREM!
Beijos, Tilim! :)
