Oi minhas leitoras! Desculpe pela demora, houveram contratempos! Eu estou feliz por mais pessoas terem favoritado. Estou esperando mais reviews *olhinhos brilhando.* Eu estou quase acabando a primeira parte da história! Estou tão feliz! Prometo mais emoções nos próximos capítulos. E alguns tapas e puxões de cabelo...


Samantha não podia dizer com certeza o que aconteceu no caminho de volta à Casa do Lago, ela tinha a vaga lembrança de ser praticamente arrastada por todo o caminho de túneis até chegar à passagem secreta que dava acesso a morada de Erik.

Ele a abandonou na sala do piano e entrou no seu quarto sem dizer uma palavra.

Samantha se sentou na banqueta e ficou encarando o teclado.

Oh! O que aconteceu? Em um belo momento ela estava quase lá. Naquele bosque sob as estrelas Erik estava finalmente dando sinais de mudança. Ele não estava perdido, seu coração partido tinha conserto. Ela viu a alegria nos seus olhos. Era um momento bonito, leve e feliz. Ela fechou os olhos tentando conter as lagrimas que ameaçavam vir. Não! Não mesmo! Ela precisava por um plano em pratica, ela precisava pensar, precisava agir, ela precisava de conforto.

Quando Samantha se deu conta, seus dedos estavam dançando pelas teclas do piano. As mãos de Christine não eram tão bem treinadas quanto às de Samantha, mas a habilidade dela compensava os dedos desajeitados de Christine.

A música sempre foi sua válvula de escape. Era um instinto impregnado na alma dela fugir para a música quando sua mente era incapaz de definir em palavras aquilo que ela estava sentindo.

Ela estava tocando uma canção de ninar que ela se lembrava de ter ouvido sua mãe cantar para ela durante a sua infância. Provavelmente esse era o único modo que ela tinha para se sentir protegida e confortável.


Erik havia deixado Christine na sala do piano e se trancado no seu quarto. Ele nunca se sentiu tão confuso em toda a sua vida. Ele caminhou até seu órgão com o intuito de acrescentar algumas linhas no seu Don Juan Triunfante. Ele posicionou a partitura e ficou encarando as notas escritas em vermelho. Sua mente estava vazia, mas não de um modo ruim, e sim como se sua cabeça estivesse fechada para analisar as informações que já recebera.

Ele passou seus dedos na frente de sua camisa que ainda estava molhada pelas lágrimas de Christine. O que aconteceu naquele momento? Primeiramente Christine estava quase se içando para fora da janela para se juntar ao seu menino e depois como se algo tivesse se acendido em sua cabeça ela voltou ao seu lugar para depois se jogar nos seus braços aos prantos.

Mas ainda havia algo a mais. Ele não reconhecia Christine. Desde os primeiros dias dela na sua casa ele sentia algo diferente no modo como ela falava, sorria e se movimentava. Havia um brilho nos olhos dela que ele nunca havia visto antes. Sem contar que seu talento para o canto parecia ter diminuído consideravelmente, não que ela não estivesse cantando bem, mas faltava a naturalidade que ele tinha visto nela. Ela parecia uma simples cantora que precisava dar tudo de si para se tornar ao menos aceitável. Essa não era Christine. Algo aconteceu para ela ter se tornado uma pessoa tão diferente do dia para a noite.

"Mas ela parece gostar mais de você" Disse uma vozinha no fundo da sua mente.

"Mas ela quase se matou para correr para seu rapaz" Sussurrou ele cerrando os punhos. Suas lágrimas começando a correr pelo seu rosto. Ele arrancou a máscara e a atirou em algum canto do quarto.

"Ora vamos! Você viu os olhos dela. Você viu como o rosto dela mudou quando ela ouviu a voz do visconde. Você estava olhando para ela. Ela parecia..."

"Com a Christine de antigamente." Disse ele em voz alta se levantando. Era uma suspeita, mas ele já havia lido sobre isso. Ele já soube de casos como este. Mas assim mesmo ele não podia acreditar que Christine, a sua Christine tinha...

O som do piano interrompeu seus pensamentos. Era uma música linda e relaxante. Ele era acostumado a usar a música para embriagar e manipular a mente das pessoas, mas ele nunca havia experimentado a sensação de estar no outro lado, de ser o encantado ao invés do encantador.

Mas ainda assim o pianista parecia um pouco desajeitado. Provavelmente foi por causa disso que ele não se perdeu nas notas mornas e aconchegantes. A parte da sua mente que ainda se mantinha racional se fez a seguinte pergunta.

"Desde quando Christine sabe tocar piano?"

Acreditando que essa fosse mais uma ilusão de sua mente deturpada ele caminhou lentamente até a porta do seu quarto parando um momento para verificar se a música continuava, as notas continuavam a pairar pelo ar e ele sentia quase uma necessidade de ver com seus próprios olhos quem estava criando um som tão bonito.

Ele andou feito um cego em direção a porta da sala onde ele tinha visto Christine pela ultima vez.

E quando a porta cedeu, ele viu a cena mais linda do mundo.

Samantha estava tocando as ultimas notas da sua música quando sentiu um arrepio na sua coluna, era aquela sensação estranha de que se está sendo observada. Ela parou de tocar e se virou para encontrar seu observador.

Ela estava com um sorriso no rosto que desapareceu instantaneamente ao notar a expressão chocada no rosto de Erik. Desmascarado!

O que diabos ela estava fazendo? Se ela queria ferrar com o plano todo ela estava fazendo tudo certo.

Ela sabia que Christine não sabia tocar nenhum instrumento com habilidade o suficiente para produzir algum som que se assemelhasse com música. Foi então que um fio de esperança apareceu na frente de seus olhos.

Ela era uma menina pequena e magra com cachos loiros presos frouxamente com uma fita azul. Ela remexia um fio solto em seu vestido desbotado. A neve caia fracamente de um céu branco. Estava terrivelmente frio. Havia uma música no fundo. Uma mulher de meia idade estava tocando um piano que parecia encher todo o cômodo.

Ela se levantou da poltrona próxima ao fogo onde ela estava. Seu pai estava se apresentando em um casamento e aquela mulher era sua tia Karin. Sua mãe morrera há alguns dias e seu pai não achava seguro deixá-la sozinha. Ela caminhou até o piano. Sua tia parou de tocar e sorriu para ela fazendo sinal para ela se sentar.

"Veja Christine querida." Ela pegou uma partitura que estava em uma mesinha ao lado do piano. "Seu pai lhe ensinou a língua da música, certo?"

Ela acenou positivamente com a cabeça. Tia Karin a pegou no colo e a colocou sentada na banqueta do piano. Ela lhe apontou as notas na partitura e as tocou no piano. Elas ficaram assim por horas até seu pai aparecer e levá-la de volta para casa.

"Christine?" Perguntou Erik caminhando até ela.

Tudo bem, ela tinha um plano agora. Tudo dependia de suas habilidades de atriz, que Samantha sabia que não eram muito boas. Mas dessa vez a questão era de vida ou morte.

"Erik." Respondeu ela suavemente, mas sem conseguir deixar de se agarrar nas laterais da banqueta a ponto dos nós dos dedos ficarem brancos.

Lógico que Erik não deixou esse detalhe escapar. Ele se ajoelhou na frente dela, e Samantha recuou instintivamente. Não que ela estivesse com medo dele, mas ela estava nervosa demais para ficar próxima a ele naquele momento.

Era absurdamente óbvio que Erik interpretou esse gesto do modo errado.

"Oh! Me perdoe." Disse ele se levantando rapidamente com uma mão cobrindo o rosto.

Samantha levou uns segundos para entender o gesto de Erik, mas assim que compreendeu, ela se esticou para agarrar a manga de sua camisa.

"Você não está zangado?" Perguntou ela se levantando, mas sem solta-lo.

Erik se virou para ela com uma expressão curiosa no rosto. Como ela adorava vê-lo sem a máscara, era tão fácil entende-lo.

"Zangado?" Perguntou ele olhando no fundo dos olhos dela.

"Você sabe..." Disse ela olhando para baixo, torcendo as mãos.

Erik ficou em silêncio por alguns minutos e então timidamente ele entrelaçou seus longos dedos nos dela.

"Não estou zangado." Disse ele. "Ainda não."

Samantha olhou para ele com um sorriso tímido no rosto.

"O que aconteceu com você?" Perguntou ele de repente. "Você não é Christine."

Samantha olhou para ele horrorizada. Não poderia ser! Ele é inteligente, mas descobrir algo assim era...

"Acho que você está aqui há muito tempo." Declarou ele. "Amanhã vou levá-la de volta à superfície."

Agora Samantha estava muito horrorizada.

"Erik...E-eu sinto muito." Gaguejou ela com lágrimas nos olhos. "Eu não posso explicar o que deu em mim."

Erik ignorou seu pedido desculpas. Ele caminhou até um aparador e de dentro de uma gaveta ele puxou dois envelopes luxuosamente decorados. Ele voltou até Samantha e entregou um dos envelopes.

"O que é isso?" Disse ela pegando o envelope e olhando-o com curiosidade.

"O baile de máscaras." Respondeu ele. "É amanhã. Vamos dar uma voltinha por lá e depois você irá voltar para mim." Ele disse a ultima parte em tom de grande autoridade que fez Samantha erguer uma sobrancelha.

"Então vamos a um baile!" Disse ela num tom de falsa animação. Ela com certeza não era alguém muito indicada para aparecer em um baile com o seu talento para dança.

Erik a ignorou novamente e continuou.

"Sim vamos a um baile. Sua fantasia está no seu quarto na sua casa." Ele começou a andar de um lado para o outro, como um general explicando a estratégia para uma batalha.

"O baile começa às 23 horas. Eu irei aparecer por lá por volta da meia noite..."

"Clichê." Murmurou Samantha para si mesma. Erik não a ouviu.

"Você deve estar no seu camarim exatamente à 01h30min da madrugada. É melhor você atrasar, Christine e muito menos andar em certas companhias."

Tradução: Se comporte. E se a senhorita ousar andar na companhia de certo visconde, eu vou ter o maior prazer de fritá-lo na minha câmara de tortura.

Samantha simplesmente concordou. Ela não estava com animo para continuar aquele assunto. Sua cabeça doía e tudo que ela queria era deitar na sua cama e tentar dormir um pouco.

Samantha se levantou e saiu em direção ao seu quarto.

"Você seria uma pianista talentosa, Christine." Disse Erik se sentando na banqueta.

Samantha sorriu para ele e disse.

"Eu tive algumas lições na infância." Ela abriu a porta do quarto. "Isso é um grande elogio vindo de um músico como você."

Ele fechou a porta antes de ouvir uma resposta. Quando ela se virou para a sua cama ela notou que não estava sozinha.

Havia um homem alto, loiro sentando na sua cama. Ele sorriu ao vê-la e disse.

"Boa noite, Samantha Michaelis."