Frozen Smile
Chapter X
I'm here and waiting for you…I'll wait forever for you…
Aquela foi a primeira vez que ele havia chamado-a pelo seu nome, ao lado do mero "Feiosa", como ele a rotulava. Tudo era novo para ele, desde que eles abriram seus olhos pra o severo mundo das emoções.
Ele queria o perdão dela, e apenas dela. Seus olhos jade o fitaram com incerteza antes de se desviarem para os azuis safira do Naruto. Eles retornaram para casa em silêncio, como se nada tivesse acontecido entre eles.
Eles todos estavam deprimidos. Mas o único que não entendia o que tristeza significava era ele. Ele se manteve quieto como para evitar em dizer a coisa errada e ter o punho dela esmagando seu rosto novamente.
Embora ela tivesse o perdoado por apunhalá-la, ainda não era o suficiente para se arrepender das coisas que ele havia feito a ela emocionalmente.
Era sua culpa se ela não conseguia entender as linhas de conduta dele? Não havia tempo para conversas ou entrar nos antecedentes pessoais, no entanto ela ainda teve a coragem de ir até lá. E da mesma maneira, com o passar do tempo, ele queria o perdão dela para seu egoísmo, e até mesmo para seu comportamento idiota.
"Ninguém deveria estar vivendo assim, nunca sabendo o que é tristeza ou amor. Nem mesmo uma criança."
Ela tinha uma vez sussurrado isso para ele durante o tempo de necessidade, quando o veneno quase se espalhou completamente por seu corpo. Não havia sido pela sorte de Yamato em obter o antídoto que Sai estaria morto no momento em que seria capaz de assassinar Sasuke.
As palavras foram ditas exatamente como se sua Mãe as tivesse dito, no exato momento quando elas cuidavam dele.
Ele não sabia quando aquela sua obsessão pelo perdão dela tinha começado. Ele nem ao menos sabia como aquilo começava. Mas ao mesmo tempo, as reações lentas dela e os comentários sórdidos dele nunca foram os mesmos, com a expressão dela mudada para raiva.
No entanto, ela apenas se tornava brava quando eles não estavam sozinhos, ela agiria como ela mesma na frente dos outros, como se não houvesse nada de errado com ela.
As coisas só não eram mais as mesmas entre eles e aquilo começou a incomodá-lo. Aquilo o incomodava o suficiente para que sentisse medo das coisas envolta dele.
Medo.
Foi a primeira coisa sobre emoções que ele leu em um livro. O que mais o assustava era a mudança nos laços dele com seus companheiros de time. Eles não eram nem próximos nem afastados, exatamente como antes. Eles eram seus amigos.
O retrato deles todos estava certo, mas ao mesmo tempo, a expressão sombria dela passava por sua mente durante todo o dia e era difícil pintar algo agradável. A "feiúra" dela tinha afetado as suas habilidades artísticas desde aquele dia.
Bloqueio artístico não era amigo de ninguém e ele odiava aquilo.
Mas eles ainda esperavam por ele sob a árvore, chamando-o e ela ficava ali com um sorriso radiante entre Yamato e Naruto.
Até agora, ele tinha aceitado o fato de que Sakura estava apenas desapontada com ele, exatamente como sua Mãe quando ele quebrou o vaso favorito dela depois de tantos avisos anteriores.
Eventualmente, elas iriam perdoá-lo e hoje seria o dia que ele encontraria o arrependimento para suas ações dando certo.
Salpicando um pouco de tinta em um pequeno pedaço branco de cartolina, Sai colocou o rótulo debaixo de sua nova obra-prima e pulou para fora da janela sem nenhum remorso.
Ele sabia que "Amigos" sempre iriam esquecer e perdoar aqueles que estiveram perdidos na escuridão.
Embora Sai não soube o que aquilo significava, ele estava agradecido por isso.
- Sempre seja agradecido pelas coisas que as pessoas dão a você. – ela disse uma vez.
Your gentle voice I hear...Your words echo inside me...
Dias se passaram e Sai começou a se perguntar o motivo por se sentir tão ruim por dentro, insatisfeito com os resultados de tudo e incerto sobre a aceitação deles em perdoá-lo. Ele se sentia como se ele não merecesse isso, especialmente dela.
Ele estava cansado em ser ignorado, ignorado por ela, a única que chegou perto o bastante para tocar seus lábios. Em seus dezessete anos de vida, ninguém o havia feito sentir mais emocional do que aquelas duas pessoas que sonhavam em encontrar seu amigo perdido.
Vínculo foi a primeira coisa que ele aprendeu de alguém antes de medo. Medo foi a primeira coisa que leu em um livro.
Amor.
Amor era tudo o que ele tinha esperado, mas apenas não conseguia encontrá-lo novamente até que ela apareceu. Até que ela disse as palavras que sua mãe sussurrava para ele durante as noites. Até que ela estava sentada em um kimono em meio ao Jardim de Tudo.
E lá em meio o Jardim de Tudo estava uma jovem criança esperando por sua mãe que lhe estendesse seus braços para um abraço caloroso. Uma luz de vela seria acesa apenas para aquela criança e Sai sabia que aquilo era para ele. Ele seria aquele que encontraria seu caminho para fora da escuridão e para dentro de um mundo de luz, com os olhos jade dela cintilando sem mais nenhum desapontamento.
Ela ficaria orgulhosa, assim como sua mãe.
Mas claro, ele não sentia aquele amor por ela. Era apenas uma luxúria repentina. Emoções enfurecidas eram potencialmente perigosas para a sua linha de conduta, mais ou menos o que seu superior havia lhe ensinado.
"Eu sempre estarei esperando por você aqui, no nosso lugar especial."
Aquele jardim não existia mais e estava tudo tão distante dele, ele poderia nunca a alcançar a tempo. Ele nunca mais teria um outro lugar especial, não por um bom tempo. Depois ele iria logo esquecer sobre toda a sua provação e continuar com sua vida. Aquilo foi que ele tinha decidido.
Mas isso não foi até eles lhe contarem sobre a ponte, o lugar mais precioso para eles, onde suas amadas memórias estavam guardadas. Dizem que durante a noite há uma bela vista do rio quando as luzes brilham sobre ele, capturando um reflexo de outro mundo, de um cheio de paz.
- Nós costumávamos esperar pelo Kakashi-sensei aqui, apenas nós três.
Naruto declarou um dia, depois que o grupo tinha passado pela velha ponte após a visita deles a Kakashi no hospital. Sakura balançou a cabeça em confirmação e Sai viu o olhar tranqüilo dela no cenário.
Sai concordou. Aquele lugar era realmente muito bonito à noite.
Despedindo-se, eles começaram a se separar, a caminho de casa para suas camas quentes para o novo dia de amanhã. Mas Sai tinha outra coisa em mente para deixá-lo dormir muito mais tranqüilo naquela noite e ele precisava ter certeza de tudo. No momento em que Naruto e Yamato desapareceram, ele agarrou o pulso de Sakura e a puxou de volta.
- Feiosa.
Ela não respondeu, mas apenas virou sua cabeça um pouco na direção dele, dando-lhe um olhar tão frio que era como se sua alegria tivesse caído por terra.
- Você realmente quer que eu te perdoe tanto assim? – ela perguntou, andando sobre a ponte, suas costas agora o encarando.
Ela soou quase triste ali. Novamente, ele sentiu aquele sentimento horrível que tinha durante o seu sono nada tranqüilo à noite. Sem pensar, ou saber o que ele estava para fazer, ele se aproximou de Sakura e a abraçou por trás.
Era como aquela noite sob o telhado onde seus corpos estavam tão perto quanto uma criança apegada ao seu bichinho de pelúcia.
- Tem muitas coisas que eu ainda não entendo, Feiosa. E esse sentimento horrível que você e eu estamos sentindo, isso me deixa doente. Me atormenta o quanto você está me ignorando.
Sai sentiu o corpo dela se enrijecendo a sua ação repentina, mas ele sabia que isso era por uma boa razão, como o livro falava.
"O calor de outro irá superar a tristeza de um indivíduo."
Naquele exato momento, as lâmpadas que os rodeavam foram acesas, as luzes refletindo sobre a água parada do rio. Ondulações foram criadas pelas lágrimas que vinham de cima, gotas caindo individualmente, uma por uma sobre a superfície.
Why won't she come back down...?
Exatamente quando Sai sussurrou aquelas palavras em meio aos cabelos dela e seus braços se enlaçaram fortemente em volta dela, lágrimas brotaram em seus olhos e começaram a pingar sobre o rio. Ela não queria que aquilo acontecesse consigo novamente.
Ela queria lhe ensinar uma lição, para que ele percebesse o seu próprio erro, mas ele apenas estava fazendo aquilo mais difícil.
Ele tinha aquele mesmo cheiro. A mesma voz baixa que chamava por ela, esperando por conforto e perdão. Os fios de seus cabelos negros como azeviche colados no rosto dele, e as escuras cores que usava a lembravam de Sasuke. Tudo era exatamente o mesmo como antes.
Ela sabia que iria perdê-lo em breve.
- Pare de me ignorar. – ele murmurou sob sua respiração.
Sakura balançou a cabeça, secando suas lágrimas.
- Existem muitas vezes em que alguém tem que perceber seus erros. Você ainda não aprendeu ou descobriu o suficiente sobre emoções para se dar conta disso.
- Então me faça perceber isso. Você é a única que de longe se importa comigo. A única que se sacrificou para acender a minha vela na escuridão.
Os olhos de Sakura aumentaram. Ninguém havia falado sobre acender a vela. Era apenas uma estória que ela contava para si mesma como uma médica, para evitar em se afastar de sua linha de obrigações.
- Você está confuso.
- Claro que estou. Mas isso tudo foi porque você entrou na minha vida e a arruinou, Feiosa estúpida.
Sai segurou o queixo de Sakura e a forçou a olhá-lo. Seus lábios quase se tocando, mas o olhar negro dele estava focado nos olhos jade dela.
- Diga-me, o que é esse sentimento horrível que estou sentido agora?
- Culpa. Você sofre disso quando sabe que fez algo ruim.
- Então me perdoe. Eu fiz tudo aquilo que pude para conseguir isso de você e dos outros.
- No entanto, você não se deu conta daquilo que fez de errado.
E antes que ela percebesse, Sai puxou o seu queixo para perto dele e seus lábios se tocaram. Ele lhe deu um suave e casto beijo, antes roçando suas mãos através das madeixas róseas dela. Ela sucumbiu ao beijo dele e não o parou de continuar mais fundo. Ela apenas ficou ali sem reação, deixando os braços de Sai se entrelaçarem mais forte em volta de seu corpo e puxando-a para mais perto em um abraço.
Ela sabia que o que ele estava fazendo era pura lascívia, ele era um homem afinal. Era como aquela noite sob a chuva interminável novamente. Quando ele não parou, Sakura se empurrou para longe de Sai, aclamando por ar. A aparência corada dela apenas fez com que Sai se aproximasse de novo, suas mãos passeando através das madeixas dela mais uma vez.
- Pare. Você ainda não entende nada.
- Me ensine então.
- Não, eu não posso. Isso tudo é muito difícil pra mim, não depois de tudo que passamos. – Sakura removeu uma mecha do cabelo negro do rosto dele antes de se virar para sair.
- Para onde você está indo? Nós ainda não terminamos, Feiosa.
- Eu vou estar esperando...
Ela desapareceu na escuridão, dizendo mais nenhuma outra palavra. Ela não olhou uma vez se quer para trás, e nem tinha nenhum arrependimento por algo que ela poderia perder para sempre.
Solidão.
Ele nunca tinha sentindo tanta solidão quanto aquele dia em que seu Irmão o deixara. Nem no dia em que sua Mão escapou para o inexistente Jardim de Tudo onde ela estava lhe esperando em seus sonhos.
E com seus novos e descobertos sentimentos desenfreados extravasando dele, ele tinha perdido outro alguém.
Raiva.
Ele estava com raiva de tudo e queria muito quebrar algo delicado. Ele estava com raiva de si mesmo e do caminho que as coisas haviam tomado.
- Tudo que eu queria era ser perdoado, isso não é o suficiente?
Mas claro, ele não tinha se dado conta do que fizera para ser perdoado. Aquilo era sua punição, aquela que ela havia dado a ele para que percebesse seu erro.
Levaria muito tempo para que ele se encontrasse mais uma vez no caminho para um sorriso genuíno...
Nota da tradutora: Acabou! Aqui termina meu trabalho de tradutora... agora é só esperar a autora sair do hiatus... bem, de acordo com ela, ela não tem previsão de voltar a escrever, mas ela diz que um dia irá terminar as fics dela... estarei esperando e desejo que isto aconteça logo, principalmente porque a estória já está quase no fim... já que a autora disse que havia apenas mais dois capítulos pela frente...
Por isso, agradeço pelo apoio a este trabalho e espero que em breve eu possa continuá-lo!
Até a próxima... "On the way to a smile" .
