CAPÍTULO IX

— Adeus, meu coração. — Alice sussurrava baixinho, pois na Biblioteca era proibido falar alto.

Já descobrira o significado das palavras gregas. Agora, estava pensando no significado que Jasper tinha dado àquelas palavras. O que ele quisera dizer?

Uma tremedeira se apossou dela. Teria a frase dado a entender que a proposta de casamento de Jasper não fora motivada apenas por uma questão de honra?

Alice não quis questionar-se muito, com receio de que seu raciocínio lhe desse uma resposta cruel, "Não seja ridícula!". Mas, ocorreu-lhe repentinamente que, na noite em que ele fora confortá-la durante o pesadelo, também pronunciara em grego uma outra palavra. Como era mesmo? Ah, agapémene. Era isso: agapémene.

Tornou a consultar os livros que estavam à sua frente e agora, já mais familiarizada com o complicado vocabulário grego, conseguiu fazer a tradução em menos tempo.

Encontrou vários sinônimos: amada, querida, eleita.

Agora as evidências eram maiores. Jasper talvez quisesse casar com ela por que... Porque a amava!

Sob o aspecto físico, ele dera mostras irrefutáveis de que a desejava. Ainda se lembrava bem daquela aula de natação... Mas será que ele sentia amor por ela? Amor mesmo, de verdade?

Tornou a pensar na cena do aeroporto. "Adeus, meu coração!". Havia emoção, angústia e tristeza naquela voz. Não, não fora apenas um produto da sua imaginação. Alice chegou a soltar um gemido relembrando a forma brusca como tinha se desvencilhado dele, surpreendida com toda aquela emoção. Deus do Céu! A atitude dela podia ter sido interpretada como uma confirmação de tudo o que Emmet contara sobre ela. Ele bem podia pensar que ela estava com medo de ser abraçada, com medo dele!

Sentiu-se observada por outros frequentadores da biblioteca, que a olhavam com curiosidade. Estaria tão pálida quanto pensava que estava?

Aquela pausa em suas lembranças teve o poder de trazê-la de volta à realidade e ao momento presente. Sua mãe já devia estar esperando no carro. Devolveu os livros à bibliotecária e encaminhou-se automaticamente para o lugar onde ficara estacionado o carro.

Estava com a mente tão absorta que nem percebeu que caminho tomaram para voltar para casa. Oh, se ao menos Jasper soubesse como ele conseguira incendiar aquele coração que supunha estar protegido por uma crosta de gelo! Mas, infelizmente, ele jamais iria saber.

Foi na primeira segunda-feira de dezembro que Alice notou, no espelho, as fundas olheiras que denunciavam longas noites de insônia. Não podia continuar assim. Ela estava se acabando aos poucos. Precisava fazer alguma coisa. Haveria uma chance remota de felicidade se tivesse coragem suficiente para tomar alguma iniciativa...

Sentada em seu quarto, entregou-se a uma longa meditação. Descartou a idéia de viajar para a Grécia. O que Jasper iria pensar se ela aparecesse de repente? A parte o fato de arriscar-se a não encontrá-lo, tendo em vista as frequentes viagens que ele fazia ao exterior, ela poderia passar por uma débil mental se tudo o que imaginara fosse falso.

Ao vê-la, cara a cara, Jasper poderia muito bem retrucar com aquele sarcasmo que ela conhecia tão bem: "Eu, apaixonado por você? Posso recomendar-lhe um bom psiquiatra?

"No auge de suas dolorosas reflexões, Alice saiu do quarto. Ao chegar ao hall, vestiu o casaco, dirigindo-se para a cozinha, à procura da mãe.

— Vai sair, querida?

— Eu... Bem... Sim, mamãe. Preciso enviar uns cartões de Natal. Pensei em ir até a cidade. Quer alguma coisa de lá?

Era a desculpa que Alice arranjara na hora para poder sair e espairecer um pouco. Já com a sacola na mão, e uma lista de compras que a mãe lhe dera, caminhou para o portão. Nunca antes precisara justificar-se perante a família, mas o amor a tornara mais vulnerável. Chegou esbaforida à agência do correio. Não tanto pela longa caminhada até o centro, mas porque durante o trajeto, aquela mentirinha que pregara à mãe dera-lhe uma idéia genial.

Encheu-se de coragem e foi até a banca de jornal comprar um lindo cartão de Boas Festas, representando uma típica paisagem do inverno inglês. Sentando-se no banco da parada de ônibus, usou a bolsa como apoio, e escreveu a curta, mas reveladora mensagem: "Com todo o amor, Alice".

Antes que a coragem a desertasse, preencheu o espaço do destinatário, colocando o nome de Jasper e o endereço da Villa.

Voltando apressadamente ao correio, foi até o guichê, comprou e colou os selos. Por fim, jogou o cartão dentro da caixa onde estava assinalado "exterior".

Longos dias de agonia se seguiram, durante os quais ela se martirizava com mil e uma perguntas. Será que o cartão chegou a seu destino? Teria escrito o endereço corretamente? Jasper estaria na Villa para receber o cartão? E se ele só voltasse para casa no verão? O que pensaria Jasper ao ler a mensagem? Pensaria que aquele "com todo o amor" era uma maneira simplista que as moças inglesas usavam para cumprimentar um amigo? Ou, quem sabe, se ele realmente a amasse, a conhecia o suficiente sobre a personalidade dela para descobrir que não era sua forma normal de se expressar?

Durante aqueles dias Alice não teve certeza de nada, exceto de não ter arrependimento algum pelo que fizera. Mesmo que Jasper não respondesse, pelo menos fizera alguma coisa de construtivo para averiguar se ela era importante ou não na vida dele.

Ao acordar, na véspera do Natal, sua ansiedade em esperar a chegada do carteiro já estava bastante atenuada. Jasper tivera tempo de sobra para responder, mas até agora ela não recebera uma só linha dele.

Quando desceu para falar com a mãe, estava mais taciturna do que nunca. Os homens da casa tinham saído mais cedo para o trabalho, alegando que precisavam adiantar o expediente por causa dos próximos feriados.

Jasper não a amava, agora ela tinha certeza. Estava arrasada e não sabia como iria esconder da família seu estado de espírito, principalmente nessa época festiva.

— Quer café, mamãe? — perguntou, numa tentativa de se mostrar natural e despreocupada.

— Já tomei há pouco na... — a resposta da mãe foi truncada pelo toque do telefone. — Deixe que eu atendo — disse ela, por estar mais próxima do hall.

Alice foi pôr a chaleira no fogo, desinteressada em saber quem estava chamando. Iria preparar um café fresco, pois se fosse Tania Denali, sua mãe ficaria pendurada ao telefone pela próxima meia hora.

— Não deve ter sido a sra. Denali — brincou Alice, ao ver a mãe retornar logo à cozinha. Só então reparou que Esme a olhava com ar intrigado. — O que foi?

— A chamada é para você. Ele está esperando ao telefone.

— Ele... Ele quem?

— Não tenho muita certeza, mas tive a impressão de que a pessoa falava com um sotaque estrangeiro.

A xícara e o pires caíram das mãos de Alice, espatifando-se no chão, enquanto as lágrimas afloravam-lhe aos olhos arregalados.

— Oh, mamãe! — exclamou, antes de precipitar-se para o hall. — Jasper! — atendeu ansiosa, pois, não podia ser ninguém mais a não ser ele. O destino não iria ser tão cruel assim!

Não houve resposta e Alice ficou petrificada. Talvez, como demorara um pouco para atender, ele tivesse desligado. Mas logo uma voz se fez audível e, dessa vez, era tão clara que ela não podia acreditar que viesse da Grécia.

— Acabei de chegar em casa — disse ele, fazendo uma ligeira pausa em seguida. — Aquilo que você escreveu no cartão é verdade?

Alice sentiu a garganta seca e foi com voz emocionada que conseguiu responder.

— Sim — temendo que ele não tivesse ouvido, repetiu, mais alto. — Sim, é verdade.

Suas palavras foram seguidas por um silêncio enlouquecedor.

— Prove — foi tudo o que Jasper disse, depois da longa espera.

— Provar?

Como ela poderia provar? Ele não acreditava nela? Foi então que Alice sentiu-se afogando numa onda de emoções, ao ouvi-lo falar pausadamente, destacando bem as sílabas, para não dar margem a mal-entendidos.

— Um carro irá buscá-la em sua casa dentro de uma hora, aproximadamente. O motorista tem ordens para levá-la até o aeroporto, onde um avião estará à sua espera.

Ele devia ter ouvido uma exclamação de assombro e deu tempo para Alice se refazer e responder. Mas ela perdera a voz e tudo o que fez foi apertar o fone com força, como se quisesse quebrá-lo.

A voz modulada e profunda de Jasper tomou a iniciativa de completar a informação.

— Quero que passe o Natal comigo.

Além de ficar sem fala, agora Alice nem conseguia mais enxergar. Uma névoa sombreava sua visão. Afinal, o que estava acontecendo? Teria ouvido bem? Jasper estava mesmo pedindo que... Ele parecia impaciente por uma resposta que não vinha, quando insistiu:

— Você virá, Alice?

De repente, ela ficou aterrorizada pela hipótese de Jasper desligar o telefone, caso não conseguisse soltar a voz. Sem pensar nas implicações familiares, pois a única coisa importante no momento era pôr em ação suas cordas vocais, respondeu, abafadamente:

— Sim, Jasper, eu irei.

Esperava escutar mais alguma coisa, mas o único som que chegou aos seus ouvidos foi o clique do telefone desligando.

Por intermináveis segundos, ela ficou sentada na banqueta, ainda com o receptor na mão, a cabeça num turbilhão, as palavras dele ressoando, fazendo eco. "Um carro irá buscá-la em casa dentro de uma hora"...

Como se fosse impulsionada por uma mola, levantou-se, pronta para entrar em ação. Sua primeira medida foi procurar a mãe na cozinha. Encontrou-a varrendo os cacos da louça.

— Mamãe! — exclamou, as lágrimas de contentamento rolando pelas faces afogueadas. — Oh, mamãe, eu vou passar o Natal na Grécia.

— Grécia! — repetiu a mãe, atônita, largando a vassoura. — Alice, você...

— Por favor, mamãe — interrompeu Alice. Segurando-a pelos ombros, obrigou a mãe a se sentar, frente a frente com ela. — Sei que isso vai ser um choque para você, mas, por favor, quero que me ouça antes de tentar me impedir.

Em dez minutos, Alice fez um resumo da situação, omitindo o fato de que Jasper a raptara para a Grécia e deixando que a mãe continuasse a acreditar que eles haviam se conhecido durante as férias que passara com Emmet em Atenas.

— Realmente você mudou bastante desde a sua volta das férias — disse a , finalmente, ao recuperar-se do susto. — Todos nos notamos. Aliás, comentei o fato com tia Renee e ela me disse que já chegou o tempo de permitirmos que você tome suas próprias decisões. Mas essa história de ir para a Grécia! — titubeou, antes de completar. —Você... Você não tem medo desse homem?

— Eu amo esse homem, mamãe! Com Jasper não tenho medo de nada.

O brilho dos olhos de Alice revelava a veracidade de seu depoimento. Mas a não podia abrir mão de uma hora para outra da constante vigilância que exercera sobre a filha durante os últimos cinco anos.

— Você me disse que Emmet o conheceu?

— Sim.

— Então deixe que seu irmão acompanhe você. Posso telefonar e...

— Não, mamãe — Alice sorriu com ternura. — Você, papai e os rapazes têm sido sensacionais comigo, e eu sou muito grata. Mas essa é uma coisa que preciso fazer sozinha. Não percebe que Jasper, sabendo de tudo a meu respeito, poderá não acreditar que eu não tenho medo dele, a não ser que eu vá sozinha?

— Ele ama você, esse tal Jasper?

Alice gostaria de poder responder afirmativamente.

— Ainda não sei. Mas vou descobrir quando estiver junto dele, mamãe.

Vendo toda aquela firmeza e determinação, a sra. Cullen entregou os pontos.

— Tenho a impressão de que se eu ligar para seu pai, pedindo que venha para casa para conversar com você, não vai fazer muita diferença, vai?

— Não, mamãe.

Já detestando as roupas que possuía, Alice adorou sua mãe mais do que nunca, quando ela tirou do cabide aquele vestido vermelho que aguardava para ser usado no dia de Natal.

— Acredito que você queira usar o seu vestido, novo para a viagem.

Já acomodada no jato particular, como única passageira. Alice precisou beliscar-se, não acreditando ainda que tudo aquilo estava acontecendo. Mas ali estava ela, em carne e osso, com seu lindo vestido de crepe vermelho, tendo tido a coragem de acabar com sua dependência da família, apesar das lágrimas que a mãe derramara na hora da despedida.

Consultou o relógio de pulso: dentro de uma hora, precisamente, estaria revendo Jasper.

Teve um enorme desapontamento quando, ao desembarcar em Salonica, não viu Jasper no aeroporto. Foi Sam quem veio ao seu encontro, com um sorriso de boas-vindas.

Ainda bem que haveria um longo percurso de carro até chegarem à Villa. Alice tremia como uma vara verde e precisava de tempo para se acalmar e recompor.

O que teria acontecido a Jasper?

Um terrível pensamento passou pela cabeça dela. E se ele tivesse interpretado o envio daquele cartão de Boas Festas como a insinuação do desejo de passar um Natal diferente, no sossego da Villa? Talvez ele a tivesse convidado apenas porque sentiu-se em falta com ela. Mas escrevera "Com todo o amor" e fora sincera.

Quando Sam entrou com o carro na alameda que levava à casa, a cabeça de Alice estava fervendo de tanto pensar. E o pior é que não tinha chegado a conclusão alguma.

Suas pernas tremiam quando desceu do carro. Ao entrar no hall, olhou em torno, mas, Jasper não estava ali. Ele deveria ter ouvido o barulho do carro chegando, se estivesse em casa. Onde teria se metido?

Sam falou:

— Tó saloni.

Ah, ele estava querendo dizer que Jasper estava no salão!

Alice foi até a porta, e antes de girar a maçaneta, tirou o pigarro da garganta. Ao entrar, pareceu-lhe que o salão desaparecera. Só viu a figura imponente de Jasper, muito ereto, vestido todo de negro, mas sem parecer o demônio que ela tanto temera. No entanto, havia algo de diferente nele. Seu rosto mostrava evidentes sinais de cansaço e abatimento, como os de alguém que passara por grandes dissabores.

Ela teria desejado jogar-se em seus braços, acarinhá-lo, dizer-lhe palavras doces e consoladoras. Mas aquela fisionomia soturna roubou toda sua espontaneidade. Ficou apenas olhando para ele fixamente, sem dizer palavra.

Por fim, foi Jasper quem falou:

— Você veio sozinha?

— Eu... Bem, minha mãe queria que Emmet viesse comigo — respondeu, odiando estar falando com voz tão fria e formal. — Mas... Mas eu fiz questão de vir sozinha.

— Não esperava que você viesse.

Ele parecia estar se queixando em vez de se alegrar.

— Eu... Eu... Mas Alice não foi adiante. Aquilo era horrível! Pareciam dois estranhos que se viam pela primeira vez. Estaria ele pensando a mesma coisa?

Alice mordiscou o lábio inferior, quase arrependida de ter vindo. "Coragem, Alice", disse para si mesma. "Então você percorre toda essa distância para se deixar derrotar logo no primeiro contratempo?"

— Eu não poderia deixar de vir — disse ela, baixinho e miraculosamente, sentiu que seu coração se aquecia ao som da própria voz. Agora não se importava com mais nada. Poderia até estar fazendo um papel ridículo, mas atreveu-se a dizer, em voz alta, para que ele pudesse ouvir bem: — Eu amo você, Jasper.

Ele empalideceu, fechou os olhos e engoliu em seco.

Ao ver aquela reação, Alice se deu conta, muito humilhada, de ter sido inconveniente e inoportuna. Seus olhos ficaram rasos de água e, as faces, pegando fogo.

— Desculpe — sussurou. — Eu não devia ter dito uma coisa dessas. Desculpe, mas não se incomode que eu vou embora — assegurou, sem saber, na verdade, para onde iria.

— Não! — essa palavra, dita repentinamente, fez Alice estacar. — Não vá, Alice. Tire esse casaco e sente-se!

Não havia razão para ela ficar, depois de ter causado tanto embaraço a Jasper. Mas ela não conseguia negar nada a ele. Conformada, desabotoou o casaco e colocou-o no espaldar de uma poltrona.

Aprumou o corpo quando viu a expressão dos olhos de Jasper ao percorrerem, em toda a extensão, aquele vestido colante. Em outros tempos, teria ficado vexada, entrelaçando os braços junto ao corpo, na tentativa de escondê-lo. Dessa vez, porém, encarou-o bravamente e foi sentar-se no lugar indicado por ele.

Em vez de se acomodar a seu lado no sofá, Jasper pegou uma cadeira e ficaram sentados, frente a frente. Ele parecia ter readquirido o controle, e isso fez com que ela também relaxasse.

— Sei muito bem que você precisou de muita coragem para vir até aqui, Alice. E deve ter sido um ato de heroísmo confessar seus sentimentos por mim. Naturalmente, você já deve ter percebido que o meu coração e a minha alma lhe pertencem.

Um grito estrangulado saiu da garganta de Alice e ela se levantou, querendo abraçá-lo.

— Não! Sente e ouça o que tenho a dizer.

Que mais ele queria dizer? Não era suficiente ela saber que ele a amava? Jasper a amava! Com o coração aos pulos de alegria, submeteu-se à autoridade dele e tornou a sentar. Logo estaria em seus braços, mas antes teria que escutá-lo, já que ele tinha outras coisas para dizer.

— Eu devo ter dado muitas demonstrações do meu amor por você. Era um amor tão forte, tão desesperado que quase me fez perder o juízo. Nem queira saber o quanto eu preciso de você, Alice, minha querida! — interrompeu-se, como se quisesse escolher com cuidado as palavras. Depois de uma longa pausa, prosseguiu: — Perdoe-me se eu for um tanto rude e realista. Mas é que a necessidade que tenho de você inclui também o lado físico... E este tem sido difícil de controlar.

Ela teve vontade de gritar que sentia o mesmo por ele, mas a timidez impediu Alice até de falar.

— Eu sei que você fica aterrorizada com a idéia de uma união carnal. Como eu poderia casar com você se, por minha vez, também fico aterrorizado em saber que não serei capaz de renunciar ao amor físico do casamento?

— Oh, Jasper...

Alice suspirou suavemente, com os olhos brilhando pelas lágrimas, procurando combater a timidez que a impedia de contar o quanto ele a atraía fisicamente.

— Fiquei muito esperançoso quando li o seu cartão — disse ele, parecendo se entristecer com as lágrimas que via nos olhos dela. — Eu precisava, ao menos, ver você. Precisava tanto que até esqueci que cheguei a ter idéias suicidas quando você me rejeitou, da última vez que nos abraçamos, lá no aeroporto.

— Eu não rejeitei você — assegurou ela, apressadamente, deixando a timidez de lado diante da dor que sentia. — Eu só fiquei perplexa pela emoção que havia na sua voz. Você falou em grego, lembra-se? Eu não tinha noção do que estava falando, e antes que eu pudesse perguntar, você já tinha ido embora. Só descobri o significado daquelas palavras uma semana antes de ter enviado o cartão.

Jasper meneou a cabeça, incrédulo.

— Por acaso, também falei em grego naquele dia, na praia, quando tive o seu corpo nos meus braços? Naquele dia, eu me anulei, só para continuar a ter você junto de mim. E assim mesmo você fugiu, apavorada com o que eu tinha feito.

— Não foi bem assim, Jasper. Posso ter dado essa impressão, mas, na verdade, eu estava chocada...

— Chocada por ter tido um contato mais íntimo comigo? — ele interrompeu.

— Sim — admitiu Alice, com honestidade. — Ao vê-lo apertar os braços da cadeira e virar o rosto para que ela não visse sua expressão magoada e sofrida, Alice acrescentou, com urgência: — Mas foi só porque você tinha conseguido despertar novas sensações em mim. Sensações desconhecidas. Eu fiquei chocada quando percebi...

Ele tornou a encará-la, os olhos negros perscrutando-lhe a alma, e Alice precisou reunir todas as suas forças para combater a timidez. Vencendo a batalha íntima, conseguiu continuar:

— Você me fez perceber que... Eu não queria que você se limitasse aos beijos. Eu queria mais... — ele ainda parecia duvidar, e Alice completou. — Cheguei a essa conclusão ao voltar para o meu quarto. Oh, meu Deus! Pode parecer um despropósito, mas é a pura verdade. Jasper, meu querido, só então percebi que eu não tinha medo nem repulsa por você. Ao contrário, desejava ardentemente que você me possuísse, como um homem possui uma mulher!

Alice teve a impressão de que tinham se passado dez anos, antes que ele perguntasse:

— Tem certeza? — e não fez nenhum gesto para se aproximar dela. — Tenha certeza, Alice — sua voz ficou embargada. — Oh, minha querida, por favor, tenha certeza! Nem queira saber o quanto desejei você durante todos esses meses! Não vou poder me responsabilizar pelos meus atos se sentir o seu corpo novamente nos meus braços. Você sempre me repeliu. Mas desta vez não a deixarei escapar!

— Sou tímida, Jasper. Só isso.

Ele se ergueu devagar, tão belo, tão alto, tão charmoso... O homem que ela pedira a Deus! Alice também se levantou e ele parou, para admirá-la.

— Esse novo modelo de roupa lhe assenta muito bem. É um bom indício para que eu comece a acreditar em você. Em agosto, você nem teria sonhado em vestir uma roupa tão justa e provocante!

Sem mais conter-se, ele a abraçou, como se nunca mais quisesse desprender-se dela. Mas não a beijou. Alice não se importou. Depois de todos aqueles dias e noites de agonia, bastava sentir que estava nos braços de Jasper, saber que ele a amava e, mais do que tudo, que queria se casar com ela.

Ainda segurando Alice pela cintura, ele se afastou um pouco e ficou olhando para aquele rosto, em adoração. Estavam tão próximos que ela podia sentir o hálito quente dele. Mas Jasper não a beijou. "Ele está com medo de me beijar!", pensou ela, perplexa. Erguendo o braço, Alice passou os dedos por aquela boca, que se mantinha rígida e fechada, e forçou-o a entreabri-la.

— Alguém muito entendido do assunto me ensinou que é preciso relaxar, e não fechar a boca quando se beija.

Ele começou a rir. Era um riso de alívio, de alegria. O riso de alguém que descobre que ressuscitou depois de uma morte aparente.

Ao beijá-la, finalmente, Jasper também descobriu que ela estava disposta a aprender cada vez mais sobre beijos e sobre qualquer outra coisa que ele quisesse ensinar a ela.

— Alice, Alice, meu amor! — disse, suspirando, quando seus lábios por fim se separaram. — Deu para entender o quanto te desejo?

— Deu. E só espero que você também lenha entendido.

Foi o mesmo que jogar mais lenha na fogueira.

Jasper voltou a enlaçá-la, a beijá-la com sofreguidão, a apertá-la contra si, a apalpar seu corpo todo. A mão que a acariciava encontrou o fecho do zíper, junto à nuca, e ela não sabia se o que sentiu foi um arrepio na espinha ou o zíper abrindo-se pelas costas. Só descobriu quando o vestido escorregou, detendo-se na cintura.

Jasper segurou aqueles seios como se fossem duas taças, mas antes de atrever-se a um novo gesto, perguntou:

— Você não está com medo?

— Com você, não tenho medo de nada, meu amor!

— Oh, Alice! — e livrando-a do sutiã com incrível habilidade, chegou a gemer de êxtase, ao ver aquela pele rosada. — Como você é linda! Deixe-me sentir esta sua pele tão macia!

As mãos dele rodearam-na pelas costas e foram escorregando aos poucos, provocando-lhe arrepios de prazer e uma moleza nas pernas tão grande que ela vacilou.

Jasper afastou seu rosto e examinou a expressão de Alice, que era semelhante à de quem está prestes a desfalecer. Pensou que aquele seria o momento em que ela iria repudiá-lo, mas Alice apenas sussurrou, de olhos fechados:

— Oh, Jasper! Como eu gostaria de estar toda nua, deitada ao seu lado!

Ele sentiu que tiravam um peso de sua alma e ficou tão eufórico que até chegou a brincar com ela.

— Do jeito que a coisa está indo, não vai demorar muito para que o seu desejo seja satisfeito.

Ao dizer isso, Jasper pareceu lembrar-se de alguma coisa. Apressadamente, começou a recolocar a roupa de Alice nos devidos lugares.

Ela olhou para ele, atônita, diante daquela interrupção. E mais admirada ficou quando Jasper obrigou-a a sentar, muito comportada no sofá.

Passando o braço pelo ombro de Alice num gesto carinhoso e contido, explicou:

— Acho que, à minha maneira, eu estava mais assustado do que você com a sua chegada. Tive medo de ir ao seu encontro no aeroporto e dizer ou fazer algo errado que estragasse tudo. Teria ficado nervoso demais para dirigir o carro, e podia até provocar uma acidente.

— Foi por isso que mandou Sam me buscar?

— Foi. E também não sabia como reagiria quando você chegasse aqui em casa. Tive receio de me descontrolar e pôr tudo a perder. Por isso telefonei a meus pais pedindo que viessem até aqui com urgência.

Alice compreendeu que a intenção de Jasér era protegê-la dele mesmo.

— Oh, Jasper!

— Pois é, Alice. Fui fazer essa besteira — brincou, numa tentativa de fazer baixar a temperatura, que havia chegado a um limite perigoso. — Mas talvez seja até bom quem eles cheguem logo!

— Seja bom?

— É que pretendo ir para a Inglaterra com você amanhã, para falar pessoalmente com seu pai. Se você não se incomoda, gostaria de levar meus pais também, para fazer uma comemoração em família.

— Você vai falar com papai amanhã? — admirou-se ela, esquecida de que Jasper usava o avião particular com a mesma desenvoltura com que sua mãe usava o pequeno carro vermelho.

— Qual é o problema? Amanhã é dia de Natal e não temos muito tempo para os preparativos.

— Que preparativos?

— Quero começar o Ano Novo com o pé direito, casado com você!

Alice ainda estava se refazendo da surpresa quando ouviu passos vindos do hall.

— Minha querida Alice — começou a dizer Jasper, vendo que ela estava começando a ficar nervosa pela expectativa de conhecer os pais dele. — Eles vão amar você como se fosse uma filha — sorriu, aquele sorriso irresistível, que alvoroçou o coração dela. — E quem consegue evitar de adorar você?

E seus lábios se uniram num beijo suave, até que ouviram a porta do salão abrir-se.

F I M


Resposta de Review

Katharyna: Cria uma conta! È bem melhor para gerenciar as fic's. Muito obrigada por ler e por deixar review. E Rose, uma rebelde com causa!


Bom, infelismente chegamos ao final da adaptação. Eu amaria que tivesse um epílogo, mas,a autora não o fez e no momento não penso em criar um.

Muito obrigada a todas as reviews e favoritos.

Milhões de abraços e até a proxíma.

Obs: Me desculpem a demora, minha via tava um caos... E postei hoje somente porque na segunda eu vou para um congresso e ai iria demorar mais uma semana para postar.

Tatianne Beward, xD.