Capitulo cinco – OS SETE POTTER
- Fim – disse Remo.
- Bom capitulo – disse Harry – meio, estranho.
- Oh – disse Rony.
- Agora, eu vou ler – disse Sirius pegando o livro – Os sete Potter.
Harry voltou correndo ao seu quarto, chegando ainda em tempo de ver o carro Dursley se afastar rua acima. Avistou, ainda, a cartola de Dédalo Diggle entre Petúnia e Duda, no banco traseiro.
- Eles devem estar muito felizes – disse Neville.
O veículo virou à direita, no fim da rua dos Alfeneiros, suas janelas se avermelharam por um momento ao sol poente, e, então, desapareceu.
Harry apanhou a gaiola de Edwiges, a Firebolt
Sirius sorriu.
e a mochila, lançou um ultimo olhar ao quarto anormalmente arrumado e, então, desceu desajeitado para o hall, onde posou a gaiola, a vassoura e a mochila próximos ao pé da escada. A claridade diminuíra rapidamente, o hall enchia-se de sombras crepusculares. Parecia muito estranho ali, naquele silêncio, sabendo que ia sair de casa pela última vez. Anos atrás, quando os Dursley o deixavam sozinho e iam se divertir,
Hermione e Gina rosnaram.
as horas de solidão tinham se constituído num presente raro: parando apenas furtar alguma guloseimas da geladeira, ele corria escada a cima para brincar com o computador de Duda, ou ligar a televisão e trocar de canal à vontade. Dava-lhe um estranho vazio lembrar daqueles tempos: era como lembrar um irmão mais moço que tivesse perdido.
- Você passou tudo isso? – Gina.
Harry não respondeu. Era um sim.
- Não quer dar uma ultima olhada na casa? – perguntou a Edwiges, que continuava aborrecida com a cabeça sob a asa.
As meninas suspiraram.
– Nunca mais viremos aqui. Você não quer lembrar os bons tempos? Isto é, olhe só para esse capacho. Que recordações... Duda vomitou aí depois que o salvei dos dementadores...
- Eca!
Ele acabou me agradecendo, dá pra acreditar? E no verão passado, Dumbledore entrou por essa porta...
- O que o professor Dumbledore tava fazendo na sua casa? – Rony perguntou.
Harry não fazia a menor idéia.
Harry perdeu por um instante o fio dos pensamentos, mas Edwiges não fez nada para ajudá-lo a retomar seu discurso e continuou parada na mesma posição.
- Ela é tão fofa – disse Tonks.
Harry virou as costas para a porta da frente.
- E aqui embaixo, Edwiges – Harry abriu uma porta sob à escada
- Oh não!
-, é onde eu costumava dormir!
- Como assim? – gritaram Hermione, Gina, Rony, Sirius, Remo.
- Você dormia em um armário sob a escada? – gritou Gina.
- Por quanto tempo? – Sirius perguntou furioso.
- Dumbledore – exclamou Minerva indignada – eu achei que você soubesse o que estava fazendo!
- Eu achei que ele seria melhor tratado – suspirou Dumbledore tristemente.
- Achar não é ter certeza – disse Hermione.
- Gente, tudo bem – disse Harry – já passou de qualquer forma.
- Até quando você dormia lá? – Rony perguntou.
- Até eu receber a carta de Hogwarts.
Eles praguejaram palavrões.
Furioso, Sirius voltou a ler:
Você nem me conhecia na época... caramba, eu tinha esquecido como é apertado...
- Você fala como se isso fosse legal – disse Neville.
- Como eu disse, já passou. Não importa.
- Pois devia – resmungou Remo.
Harry correu o olhar pelos sapatos e guarda-chuvas empilhados lembrando-se de que acordava toda manhã encarando o "avesso" dos degraus da escada, que muito freqüentemente estavam enfeitados com uma ou duas aranhas. ]
Rony estremeceu.
Naquele tempo, desconhecia sua verdadeira identidade, e ainda não descobrira como seus pais tinham morrido nem a razão de coisas tão estranhas sempre acontecerem ao seu redor.
- Isso não é novidade nenhuma – disse Hermione.
- As coisas estranhas sempre acontecem quando você está por perto – disse Rony.
Harry ainda lembrava os sonhos que o perseguiam, mesmo naquela época: sonhos confusos que incluíam clarões verdes e, uma vez – tio Valter quase batera com o carro quando lhe contara um deles -, uma moto voadora...
- Deve ser a minha moto – disse Sirius sonhadoramente. Ele parecia a Luna.
Um ronco repentino e ensurdecedor ecoou perto dali. Harry se endireitou abruptamente e bateu com o cocuruto no portal baixo. Parando apenas para dizer alguns dos palavrões mais enfáticos aprendidos com o tio,
- Não diga palavrões Harry! – disse Hermione.
- Sim, mãe! – ele disse.
Saiu cambaleando até a cozinha com as mãos na cabeça e espirou o quintal pela janela.
A escuridão parecia estar ondulando, o ar estremecia. Então, uma a uma, as pessoas começaram a aparecer instantaneamente à medida que se desfaziam os Feitiços de Desilusão. Dominando a cega, ele viu Hagrid, de capacete e óculos de proteção, montando uma gigantesca motocicleta com um sidecar preto.
- A minha moto! – gritou Sirius.
A toda volta, outras pessoas desmontavam de vassouras e, em dois casos, de cavalos alados negros e esqueletais.
- Testrálios – disse Harry.
Abrindo com violência a porta dos fundos, Harry correu para o centro do circulo. Ergueu-se um grito de boas-vindas enquanto Hermione abria os braços para ele, Rony lhe dava um tapinha nas costas e Hagrid perguntava:
- Tudo bem, Harry? Pronto para o bota-fora?
- Com certeza.
- Com certeza
- Não mudaaaa!
– respondeu, incluindo todos em um grande sorriso. – Mas eu não estava esperando tanta gente.
- Mudança de planos – rosnou Olho-tonto, que segurava duas sacas grandes e cheias e cujo olho mágico girava do céu do anoitecer para a casa dali para o jardim, com estonteante rapidez. – Vamos entrar antes de lhe explicar tudo.
- VIGI... – começou Olho-tonto, mas Harry, Rony, Hermione, Gina, os gêmeos, Sirius e Tonks o interromperam.
- VIGILANCIA CONSTANTE!
E caíram na gargalhada.
Demorou muito tempo para pararem de rir.
Harry conduzi-os à cozinha onde, rindo e tagarelando. Eles se acomodaram em cadeiras, sentaram-se nas reluzentes bancadas da tia Petúnia ou se encostaram em seus imaculados eletrodomésticos; Rony, magro e comprido;
- Graças Harry!
Hermione com os cabelos bastos presos às costas em uma longa trança;
- A minha está boa!
Fred e Jorge, com sorrisos idênticos;
Os gêmeos sorriram idênticos.
Gui, cheio de cicatrizes e cabelos longos;
- Cicatrizes? – Gina perguntou pálida.
o Sr. Weasley, o rosto bondoso, os cabelos rareando, os óculos meio tortos;
Quem o conhecia sorriu.
Olho-tonto, cansado de guerra, perneta, o olho mágico azul girando na órbita;
O olho mágico de Olho-tonto girou.
Tonks, cujos cabelos curtos estavam pintados de rosa berrante de que tanto gostava;
Os cabelos de Tonks ficaram rosa berrante.
Lupin, mais grisalho, mais enrugado;
- Obrigado Harry!
Fleur, esguia e linda com seus longos cabelos louros platinados;
- Fleur? Tipo Fleur Delacour? – Simas perguntou.
- Acho que as aulas para melhorar o inglês deram certo – disse Fred mexendo as sobrancelhas.
- Oh! E se deram – concordou Jorge.
Kingsley, careca, negro, os ombros largos;
- Valeu Harry!
Hagrid, de barba e cabelos sem trato, curvando-se para não bater a cabeça no teto;
Hagrid sorriu.
e Mundungo Fletcher, franzino, sujo e trapaceiro, com aqueles olhos caídos de basset hound e os cabelos empastados. O coração de Harry pareceu crescer e se iluminar ao vê-los; gostava incrivelmente de todos, até de Mundungo, que ele tentara estrangular da última vez que o encontrara.
- Porque eu tentaria estrangular o Mundungo? – Harry perguntou rindo.
- No mínimo ele roubou algo seu – disse Sirius dando os ombros.
- Kingsley, pensei que você estivesse cuidando do primeiro-ministro trouxa, não? – perguntou do lado oposto da cozinha
- Ele pode passar sem mim por uma noite – respondeu. – Você é mais importante.
- E eu não discordo com o meu eu futuro!
- Harry, adivinha? – falou Tonks, empoleirada sobre à maquina de lavar roupa, acenando os dedos da mão esquerda para ele; – brilhava ali uma aliança.
- Sim! Vai Aluado e Tonks! – gritou Sirius animado.
Remo corou. Tonks sorriu.
¾ do salão riu ou sorriu.
- Você se casou? – gritou Harry, seu olhar correndo da auror para Lupin.
- Porque você me chama de Lupin?
- Acho que pelo falo de você ter sido meu professor!
- Não me chame de Lupin! É estranho. Eu vi você bebe!
- Ok. Tio Aluado!
- Que pena que você não pode assistir, Harry, foi superíntimo.
- Genial, meu para...
- Tudo bem, tudo bem, teremos tempo depois para por as novidades em dia!
- Sensível – resmungou Tonks querendo ouvir mais sobre ela e Remo.
– rugiu Moody, abafando a algazarra, e fez-se silêncio na cozinha. O bruxo largou as sacas junto aos pés e se virou para Harry. – Dédalo provavelmente lhe disse que tivemos de abandonar o plano A. Pio Thicknesse passou-se para o outro lado, o que nos causou um grande problema.
- Nem imagino – murmurou Neville.
Decretou que são transgressões puníveis com prisão ligar esta casa à Rede de Flu, criar uma Chave de Portal, aparatar ou desaparatar aqui.
- Isso significa que teremos que usar coisas como vassouras – disse Hermione.
Tudo em nome de sua maior proteção, para impedir que você-sabe-quem chegue a você. Coisa absolutamente sem sentido, uma vez que o feitiço de sua mãe já se encarrega disso. Na realidade, o que ele fez foi impedi-lo de sair daqui em segurança.
- Eu nunca estou em segurança mesmo – disse Harry.
- Isso é uma verdade – disse Rony.
- Mas é algo que deveria ser mudado – disse Sirius – você sempre se mete em coisas perigosas!
- Eu não me meto nelas. Elas que se metem na minha vida!
"Segundo problema, você é menor de idade, o que significa que ainda tem um rastreador."
- Não estou...
- O rastreador Harry! Aquele feitiço que detecta magia em menores de idade – disse Hermione.
- O rastreador, o rastreador! – interrompeu-o Olho-tonto com impaciência. – O feitiço que detecta atividades mágicas em torno de menores de dezessete anos, e que permite ao Ministério descobrir quando um menor faz uso da magia!
- Exatamente!
Se você, ou alguém ao seu redor, lançar um feitiço para tirá-lo daqui, Thicknesse saberá, e os Comensais da Morte também,
- Isso é um grande problema – disse Ana Abbot.
"Não podemos esperar o rastreador caducar, porque, no momento em que você completar dezessete anos, perderá toda a proteção que sua mãe lhe deu. Em resumo: Pio Thicknesse acha que o encurralou de vez."
- Acha – disse Remo pensativo – isso significa que temos um plano.
Harry não pode senão concordar com o desconhecido, o tal Thicknesse.
- Então, o que vamos fazer?
- Boa pergunta – murmurou Rony.
- Vamos usar os únicos meios de transporte que nos restaram, os únicos que o rastreador não poderá detectar, porque não precisamos lançar feitiços para usar: vassouras, testrálios e a moto do Hagrid.
- Claro. Mas poucos vêem os testrálios. – disse Hermione.
- Só quem viu a morte – disse Luna calmamente.
Harry percebia falhas nesse plano; contudo, calou-se para dar a Olho-tonto a chance de continuar.
O próprio Harry também viu falhas ai.
- Ora, o feitiço da sua mãe só se desfará sob duas condições: quando você se tornar maior ou – Moody fez um gesto abrangendo a cozinha impecável – quando deixar de chamar este lugar de lar. Hoje a noite você e seus tios vão seguir caminhos separados, concordando plenamente jamais voltarão a viver juntos, certo?
- Sim! – comemorou Harry.
Harry assentiu.
- Então desta vez, quando você sair, não haverá retorno, e o feitiço se desfará no momento em que deixar o âmbito desta casa. Decidimos desfazer o feitiço antes, porque a alternativa é esperar você-sabe-quem entrar e capturá-lo no momento em que completar dezessete anos.
- Isso acalma qualquer um – murmurou Kingsley.
" A única coisa que temos a nosso favor é que você-sabe-quem ignora que estamos transferindo você hoje a noite.
- Isso não é verdade – gemeu Gina.
Deixamos vazar uma pista falca no ministério: acham que você vai esperar até o dia trinta.
- Infelizmente alguém chamado seboso dedurou o plano pros comensais – rosnou Sirius.
Ainda assim, estamos lidando com você-sabe-quem, portanto não podemos confiar que ele se deixe enganar com a data;
- Sim! – rosnou Olho-tonto.
certamente, por precaução, terá alguns Comensais da Morte patrulhando o céu desta área. Então, equipamos doze casas diferentes com toda a proteção que é possível lhes dar. Todas aparentam ser aquela em que vamos escondê-lo, todas tem alguma ligação com a Ordem: minha casa, a do Kingsley, a de Muriel, tia de Molly... entende a idéia."
- Entendo – confirmou Harry, com pouca sinceridade, porque ainda era capaz de ver um enorme furo nesse plano.
Hermione estava tão pensativa que se chegava a ouvir as engrenagens do seu cérebro.
- Você vai pra casa dos pais de Tonks. Uma vez dentro dos limites dos feitiços protetores que lançamos sobre a casa, poderá usar uma Chave de Portal para A Toca. Alguma pergunta?
- Sim! – gritou a Grifinória.
- Ah... Sim – respondeu Harry. – Talvez eles não saibam para qual das doze casas seguras eu irei primeiro, mas não ficará meio óbvio – ele fez uma rápida contagem das cabeças – quando catorze de nós voarmos para a casa dos pais de Tonks?
- Sim. É meio óbvio – disse Angelina.
- Ah – disse Moody -, me esqueci de mencionar o principal. Os catorze não irão voar para a casa dos pais de Tonks. Haverá sete Harry Potter deslocando-se pelo céu hoje a noite, cada um deles com um companheiro, cada par rumando para uma casa segura diferente.
Hermione, Remo e Snape entenderam na hora.
De dentro do casaco, Moody tirou um frasco contendo um líquido que parecia lama. Ele não precisou acrescentar mais nada: Harry entendeu o restante do plano imediatamente.
Harry também entendeu imediatamente.
- Não! – disse em voz alta, - Nem pensar!
- Não! – exclamou alto, sua voz ressoando pela cozinha. – Nem pensar!
- Igual a você mesmo! – disseram os gêmeos.
- Sim. Porque isso é uma loucura!
- Eu avisei a eles que essa seria a sua reação – disse Hermione com um ar indulgente.
- Se vocês acham que vou deixar seis pessoas arriscarem a vida...!
- Sim, porque é a primeira vez – ironizou Rony.
- ... porque é a primeira vez parta todos nós – interpôs Rony.
- Viu?
- Mas é completamente diferente, fingir sem eu...!
- Isto é diferente, fingir ser eu...
- Bom, nenhum de nós gostou muito da idéia Harry – disse Fred, sério. – Imagine se alguma coisa der errado e continuarmos para o resto da vida retardados, magricelas e "ocludos".
- Oi! – disse Harry indignado.
O salão estava rindo.
Os gêmeos se curvaram.
Harry não sorriu.
- Ah! – eles fizeram beicinho.
- Não poderão fazer isso se eu não cooperar, precisarão que eu ceda uns fios de cabelo.
- Claro, e sendo todos maiores de idade, eles não vão conseguir apanhar uns fios de cabelo – ironizou Draco.
Astoria lhe deu um tapa na cabeça.
- Ai, Greengrass!
- Então, lá se vai o plano por água a baixo – comentou Jorge. – É óbvio que não há a menor possibilidade de arranjar fios dos seus cabelos, a não ser que colabore.
- É, treze de nós contra um cara proibido de usar magia, não temos a menor chance – acrescentou Fred.
O salão começou a rir.
- Engraçado – disse Harry. – realmente hilário.
- Vamos Harry. Ria!
- Se tivermos que usar força, usaremos – rosnou Moody, seu olho mágico agora estremecendo um pouco na órbita ao encarar Harry com severidade. – Todos aqui são maiores de idade, Potter, e todos estão dispostos a se arriscar.
- Isso é de grande ajuda – murmurou Harry.
Mundungo sacudiu os ombros e fez uma careta; o olho mágico virou de esguelha pelo lado da cabeça de Moody para repreendê-lo.
- Muito bom – bufou Hermione.
- Não vamos continuar a discutir. O tempo está passando. Quero alguns fios de cabelo seus, moleque, agora.
- Isso é loucura, não há necessidade...
- Sem necessidade! – disse Gina – Tom pode aparecer a qualquer momento pra te matar e eles estão querendo ajudar, ai você diz que não tem necessidade?
Harry corou e não respondeu.
- Não há necessidade! – rosnou Moody. – Com você-sabe-quem ai fora e metade do Ministério o lado dele?
- Sim! – gritou a Grifinória.
Potter, se dermos sorte, ele terá engolido a pista falsa e está planejando emboscar você no dia trinta,
- Infelizmente ele não engoliu – rosnou Remo para Snape.
mas ele será doido se não mantiver um ou dois Comensais da Morte vigiando. É o que eu faria.
Quem conhecia Moody bufou.
- VIGILANCIA CONSTANTE! – Moody gritou.
Talvez eles não possam atingir você nesta casa enquanto o feitiço de sua mãe estiver em vigor, mas está prestes a caducar e eles têm uma idéia geral de sua localização. A nossa única chance é usar chamarizes. Nem mesmo você-sabe-quem é capaz de se dividir em sete.
Dumbledore não estava tão certo disso.
O olhar de Harry encontrou o de Hermione e desviou-se rapidamente.
O trio se entreolhou. Alguma coisa estava errada ali.
- Portanto, Potter, uns fios do seu cabelo, por gentileza.
- Ele manda e pede gentileza – bufou Neville.
Harry olhou para Rony, que fez uma careta como se dissesse "dá logo".
Os dois riram.
- Agora! – vociferou Moody.
Com todos os olhares convergindo para ele, Harry levou a mão ao topo da cabeça, agarrou um punhado de fios e arrancou-os.
A maioria fez careta.
- Ótimo – disse Moody, mancando até ele e puxando a tampa do frasco de poção. – Aqui dentro, por gentileza.
- Gentileza Harry! – disseram os gêmeos.
Harry deixou cair os fios no líquido cor de lama. No instante em que o cabelo tocou a sua superfície, a poção começou a espumar e fumegar e, instantaneamente, se tornou límpida e dourada.
- Límpida e dourada? – perguntou Hermione.
- A corda poção não age de acordo com a alma e a pureza da pessoa? – Remo perguntou.
- Sim. E a cor dourada significa pureza de alma e tudo de bom – disse Dumbledore.
Harry ficou muito vermelho. O salão o olhou impressionado.
- Ah, você parece mais gostoso que o Crabbe ou o Goyle, Harry – comentou Hermione antes de notar as sobrancelhas erguidas de Rony, e corando, acrescentou -, ah, você entendeu o que eu quis dizer, a poção de Goyle, lembrava um bicho-papão.
- Como vocês sabem disso? – questionou Minerva.
- No segundo ano... Nós fizemos... Pra entrar na sala comunal da Sonserina... Interrogar Malfoy... Sobre a câmara secreta – disse Harry.
Draco bufou.
- Vocês sempre têm que se meter em tudo? – a professora Sprout questionou.
O trio corou.
- Só queríamos saber... estava muito estranho... e já sabíamos de algumas coisas... não queríamos deixar pela metade – disse Rony.
- Certo, então, os falsos Potter alinhem-se do lado de cá, por favor – pediu Moody
Rony, Hermione, Fred, Jorge e Fleur se enfileiraram à frente da reluzente pia de tia Petúnia.
- Falta um – disse Lupin.
- Mundungo – disse Sirius.
- Aqui – respondeu Hagrid rispidamente, e, erguendo Mundungo pelo cangote, largou-o ao lado de Fleur, que enrugou o nariz deliberadamente e foi se portar entre Fred e Jorge.
- Eu lhe disse que preferia se guarda – reclamou Mundungo.
- Sim. Grande ajuda – murmurou Tonks.
- Cala a boca – rosnou Moody – Como já lhe expliquei, seu verme invertebrado,
Quem o conhecia, caiu na gargalhada.
quaisquer Comensais da Morte que encontrarmos tentarão capturar Potter, e não matá-lo. Dumbledore sempre disse que você-sabe-quem iria querer liquidar Potter pessoalmente.
- Nossa, isso realmente me acalma – ironizou Harry.
- Sim. É tão confortante – bufou Rony.
Serão os guardas que terão de se preocupar mais, os Comensais da Morte tentarão eliminá-los.
- Ele poderia ser um psicólogo – bufou Hermione.
- Psicólogo? – os puro-sangue questionaram.
- É um tipo de médica que ouve e dá conselhos as pessoas.
- Há!
Mundungo não pareceu muito tranqüilo,
- Ninguém ficaria – disseram os gêmeos.
mas Moody já tinha tirado de dentro da capa meia dúzia de cálices, que distribuiu após servir em cada um a dose da poção polissuco.
- Todos juntos, então...
Rony, Hermione, Fred, Jorge, Fleur e Mundungo beberam. Todos ofegaram e fizeram caretas quando a poção chegou à garganta: imediatamente, suas feições começaram a borbulhar e distorcer como cera quente. Hermione e Mundungo cresceram de repente; Rony, Fred e Jorge encolheram; seus cabelos escureceram, os de Hermione e Fred pareciam reentrar na cabeça.
O salão fez careta. Rony e Hermione não estavam nada contentes em tomar isso denovo.
Moody, indiferente, começou a soltar os cordões das enormes sacas que trouxera: quando tornou a se aprumar, havia seis Harry Potter exclamando ofegantes na cadeira.
- Bah! - exclamou Fleur, mirando-se na porta do microondas -, Gui, nam olhe parra mim: estam horrenda.
- Eu sabia! – gritaram os gêmeos.
- Melhorrar o inglês – Fred bufou.
- Se as roupas ficarem largas em vocês, há tamanhos menores aqui – disse Moody, indicando a primeira saca. – e vice-versa. Não esqueçam os óculos, há seis pares no bolso lateral. E depois de se vestirem, a bagagem está na segunda saca.
O verdadeiro Harry achou que aquela talvez fosse à cena mais bizarra que já presenciara na vida, e já vira coisas extremamente exóticas.
- Oh, e como! – o trio disse junto.
Observou seus seis duplos mexerem na saca de roupa, tirar trajes completos, pôr os óculos e guardar as próprias coisas. Teve vontade de pedir que demonstrassem um pouco mais de respeito por sua intimidade quando começaram a se despir sem censura, visivelmente mais à vontade em desnudar o seu corpo do que estariam com os próprios corpos.
- Quando fizermos isso, teremos mais cuidado companheiro – disse Rony rindo.
- Eu sabia que Gina estava mentindo sobre aquela tatuagem – disse Rony, olhando para o próprio peito nu.
Harry e Gina coraram muito forte.
Rony, Fred e Jorge levantaram as sobrancelhas.
- Que história é essa? – Rony questionou.
- Isso é daqui a dois anos Rony – disse Gina – não sabemos disso!
- Claro, mas ainda quero explicações!
- Harry, a sua visão é ruim mesmo – comentou Hermione, ao colocar os óculos.
- Acho que é por isso que eu uso óculos!
Uma vez vestidos, os falsos Harry Potter tiraram da segunda saca mochilas e gaiolas de coruja, cada uma contendo uma alvíssima coruja empalhada.
- Isso não é meio óbvio? – um Corvinal do sexto ano questionou.
- Não em pleno voo – respondeu Hermione.
- Ótimo – aprovou Moody, quando, por fim, os sete Harry vestidos, equipados com óculo e bagagem, se viraram para ele. – Os pares serão os seguintes: Mundungo irá viajar comigo de vassoura...
- Por que vou com você? – protestou o Harry mais perto da porta dos fundos.
- Porque você é um idiota, burro, metido!
- Porque você é o único que precisa de vigilância.
- Isso também! – disse Sirius.
– rosnou Moody, e, de fato, seu olho mágico não se desviou de Mundungo enquanto continuava – Arthur e Fred...
- Eu sou Jorge – disse o gêmeo para quem Moody estava apontando – Você não consegue nos distinguir nem quando somos Harry?
- Não é hora para brincadeira – disse McGonagall severamente.
- Desculpe, Jorge...
- Eu só estou zoando você, na verdade sou o Fred...
Eles reviraram os olhos. Essa piada era velha.
- Chega de brincadeiras – rosnou Moody. – O outro... Fred ou Jorge, seja lá quem for, você vai com Remo. Srtª Delacour...
- Vou levar Fleur em um testrálio – disse Gui. – Ela não gosta muito de vassouras.
Fleur foi para junto dele, lançando-lhe um olhar apaixonado e servil que Harry desejou de todo o coração que jamais voltasse a aparecer em seu rosto.
- Faz...
- Esse olhar...
- Pra nós! – pediram os gêmeos.
- Não! De jeito nenhum!
Eles fizeram beicinho.
- Srtª Granger com Kingsley, também em um testrálio...
Hermione parecer mais tranqüila ao retribuir o sorriso de Kingsley; Harry sabia que a amiga não se sentia seguram em uma vassoura.
Hermione corou.
- Bem, altura não é comigo!
- E você sobra pra mim, Rony! – comentou Tonks animada, derrubando um porta-canecas ao acenar para ele.
Rony não parecia tão satisfeito quando Hermione.
Tonks fez beicinho, mas riu junto com os outros.
- Tá tudo bem, eu sou desastrada mesmo!
Mas Rony ainda tinha as orelhas vermelhas.
- E você vai comigo, Harry. É isso? – perguntou Hagrid, parecendo um pouco ansioso. – Iremos de moto. Vassouras e testrálios não agüentam o meu peso, entende. Não sobra muito espaço depois que eu me sento, então você irá no sidecar.
- Beleza – disse Harry, sem, muita sinceridade.
- Harry! – disse Sirius indignado. – você vai ter o imenso prazer de voar na minha moto e diz "beleza", como se fosse um simples cabo de vassoura?
O salão começou a rir.
- Ei! Eu acho que esse é um tempo difícil. E eu ainda não gosto desse plano!
- Achamos que os Comensais da Morte esperarão que você esteja voando em uma vassoura
- O apanhador mais jovem do século! – disse Sirius com orgulho.
- Se Olívio estivesse aqui ele estaria gritando e berrando – comentou Angelina.
O time daquela época começou a rir.
– explicou Moody, que pareceu perceber o que Harry estava sentindo – Snape já teve tempo o suficiente para acabar de informar a eles tudo que sabe sobre você, por isso, se toparmos com Comensais, apostamos que irão saber escolher um Harry que pareça a vontade montando uma vassoura.
- Sim! Vai Harry! – gritaram os gêmeos.
Muito bem, então – continuou Moody, amarrando a saca com as roupas falsas de Harry e saindo primeiro para o quintal. – Calculo que faltam três minutos para o nosso horário de partida. Não adianta trancar a porta dos fundos, não vai segurar os Comensais da Morte quando vierem procurar você... Vamos...
- Isso é tão reconfortante Olho-tonto – bufou Tonks.
Harry correu ao hall para apanhar sua mochila, a Firebolt
Sirius sorriu.
e a gaiola de Edwiges antes de se reunir aos outros no quintal escuro. A toda volta, vassouras saltavam para as mãos dos donos; Kingsley já tinha ajudado Hermione a montar um grande testrálio negro;
Hermione sorriu agradecendo Kingsley.
Gui ajudou Fleur. Hagrid estava pronto ao lado da moto, com os óculos de proteção.
- É essa? A moto de Sirius?
- Sim! – gritou Sirius.
- A própria – respondeu Hagrid, sorrindo para Harry. – E a ultima vez em que a montou, Harry, você sabia em uma das minhas mãos!
- Aaaahhhh! – disseram as meninas.
Harry corou. Os meninos riram.
Harry não pode deixar de se sentir um pouquinho humilhado ao embarcar no sidecar. Isto o colocava vários metros abaixo dos demais: Rony deu um sorrisinho debochado ao ver o amigo sentado ali, como uma criança em um carrinho de parque de diversões.
- Valeu Rony!
- Quando precisar!
Harry empurrou a mochila e a vassoura para o lugar dos pés e encaixou a gaiola de Edwiges entre os joelhos. Ficou extremamente desconfortável.
- Vou providenciar um lugar melhor pra você quando fizermos isso Harry – disse Hagrid sorrindo.
- Arthur andou fazendo uns ajustes
Quem conhece Arthur sorriu.
– contou Hagrid, indiferente ao desconforto de Harry. Montou, então, a moto que rangeu um pouco e afundou alguns centímetros no solo. – Agora tem uns botões especiais no guidão. Esse aí foi idéia minha – Hagrid apontou com o grosso dedo um botão roxo junto ao velocímetro.
Eles se olharam apreensivos.
- Por favor, tenha cuidado, Hagrid – recomendou o Sr. Weasley, que estava parado ao lado deles, segurando a vassoura. – Ainda não tenho certeza se é aconselhável, e certamente só deve ser usado em emergências.
- Problema! – disse Hermione apreensiva.
- Tomara que não se precise usar – disse Harry.
- Muito bem, então – anunciou Moody – Todos a postos, por favor; quero que todos saiam exatamente na mesma hora, ou invalidaremos a idéia do despistamento.
Todos montaram as vassouras.
- Segure-se firme agora, Rony – disse Tonks, e Harry viu o amigo lançar um olhar furtivo e culpado a Lupin antes de colocar as mãos na cintura da bruxa.
Tonks e Remo riram. Rony ganhou orelhas vermelhas. O resto do povo riu.
- Tudo bem Rony – riu Tonks.
Hagrid deu partida na moto, que roncou como um dragão e o sidecar começou a vibrar.
- Boa sorte a todos! – gritou Moody – Vejo vocês dentro de meia hora na A Toca. Quando eu contra três. Um... Dois... TRÊS.
O salão prendeu a respiração.
Ouviu-se o estrondo da moto, e Harry sentiu o sidecar avançar assustadoramente; estavam levantando vôo em alta velocidade, seus olhos lacrimejavam um pouco, os cabelos foram varridos para trás. À sua volta, as vassouras subiam também: a cauda longa e negra de um testrálio ultrapassou-o. As pernas do garoto, entaladas no sidecar pela gaiola de Edwiges e a mochila, já estavam doendo e começando a ficar dormentes. Seu desconforto era tão grande que ele quase esqueceu de lançar um ultimo olhar ao numero quatro da rua dos Alfeneiros; quando finalmente olhou pelo lado do sidecar, já não sabia distinguir qual era casa. Eles foram subindo, sem parar, em direção ao céu...
- Me lembre de nunca mais andar ai!
Então, de repente, sem ninguém saber de onde nem como, eles se viram cercados.
- Droga! – gemeu Rony.
No mínimo uns trinta vultos encapuzados pairavam no ar, formando um vasto circulo no meio no qual entraram os membros da Ordem, sem perceber...
As meninas gritaram.
Gritos clarões verdes para todo lado: Hagrid soltou um berro e a moto virou de cabeça para baixo. Harry perdeu a noção de onde estavam: lampiões de rua no alto, berros a sua volta, ele agarrado ao sidecar, como se isso dependesse sua vida. A gaiola de Edwiges, Firebolt e a mochila escorregaram de baixo dos seus joelhos...
- Não...! EDWIGES!
- Edwiges! – Harry gritou.
A vassoura girou em direção ao solo, mas ele conseguiu, por um triz, agarrar a alça da mochila e a gaiola quando a moto voltou à posição normal. Um segundo de alicio e outro clarão verde. A coruja soltou um grito agudo e tombou no chão da gaiola.
- Não... NÃO!
A moto avançava veloz; de relance, Harry viu Comensais da Morte encapuzados se dispersarem quando Hagrid rompeu o seu circulo.
- Edwiges... Edwiges...
- Edwiges – murmurou Harry.
Gina agarrou sua mão.
A coruja, porém, continuou no chão da gaiola, imóvel e patética como um brinquedo. Harry não conseguia acreditar, e sentiu um supremo terror pelos companheiros. Espiou rapidamente por cima do ombro e viu uma massa de gente se deslocando, clarões verdes, dois pares montados em vassouras se distanciavam, mas não sabia dizer quem eram...
- Coitada dela. Era tão fofa – disse Lilá.
Parvati concordou.
- Hagrid, temos que voltar, temos que voltar! –
- De jeito nenhum – disse Sirius. – você tem que ir pra longe dali!
berrou para sobrepor a voz ao ronco atroante do motor, empunhou a varinha, empurrou a gaiola de Edwiges para o chão, se recusando a aceitar que estivesse morta. – Hagrid, DÊ MEIA-VOLTA!
- Minha obrigação é levar você em segurança Harry! – berrou Hagrid, acelerando.
- Sim. Obrigado Hagrid – disse Remo.
Hagrid sorriu.
- Pare... PARE! – gritou Harry. Quando tornou a olhar para trás, dois jorros de luz verde passaram voando por sua orelha esquerda: quatro Comensais da Morte tinham deixado o circulo e vinham em sua perseguição, fazendo pontaria nas largas costas de Hagrid. O bruxo se desviou, mas os comensais emparelharam com a moto; lançando feitiços contra eles, e Harry teve que se baixar para evitá-los. Torcendo-se para trás, ordenou "Estupefaça", e um raio de luz vermelha partiu de sua varinha, abrindo uma breca entre os quatro perseguidores, ao se dispersarem para evitar serem atingidos.
- Segure-se, Harry, isso acabará com eles – rugiu Harry, e Harry ergueu os olhos bem em tempo de ver o amigo meter o dedo grosso em um botão verde ao lado do medidor de gasolina.
O salão prendeu novamente a respiração.
Uma parede, uma parede maciça de tijolos irrompeu do cano de escape. Espichando o pescoço, Harry a viu expandir-se no ar. Três dos Comensais da Morte se desviaram para evitá-la, mas o quarto não teve tanta sorte:
- Um pelo menos – murmurou Rony.
desapareceu e em seguida despencou como uma pedra por trás da parede, sua vassoura despedaçada. Um dos companheiros diminuiu a velocidade para socorrê-lo, mas eles e a parede voadora foram engolidos pela escuridão quando Hagrid se inclinou por cima do guidão e acelerou.
- Vai Hagrid! – gritaram os gêmeos.
Mais Maldições da Morte lançados pelos dois Comensais sobreviventes voaram pelos lados da cabeça de Harry, mirando Hagrid. Harry respondeu com Feitiços Estuporantes, vermelho e verde colidiam no ar produzindo uma chuva de faíscas multicoloridas, e o garoto pensou intempestivamente em fogos de artifício, e nos trouxas lá em baixo que não faziam idéia de que estava acontecendo.
Mais uma vez, todos arregalaram os olhos.
- Lá vamos nós outra vez, Harry, segure-se – berrou Hagrid, apertando um segundo botão. Desta vez saiu uma rede pelo escape, mas os Comensais da Morte estavam preparados. Não só se desviaram, como o que havia desacelerado para salvar o amigo inconsciente os alcançou: brotou inesperadamente da escuridão e agora três deles vinham em perseguição da moto, todos disparando feitiços.
- Isso vai resolver, Harry, segure firme! – berrou Hagrid, e o garoto o viu bater com a mão espalmada no botão roxo ao lado do velocímetro.
Com um urro inconfundível, o fogo de dragão, incandescente e azul, jorrou pelo escape e a moto arrancou com a velocidade de uma bala produzindo um som metálico. Harry viu os Comensais da Morte desaparecerem para evitar a trilha mortífera de chamas e ao mesmo tempo sentiu o sidecar sacudir sinistramente: as ligações metálicas que o prendiam à moto racharam com a violência da aceleração.
- Tudo bem, Harry! – berrou Hagrid, empurrado para trás pelo ímpeto da moto; ninguém controlava agora, e o sidecar começou a se retorcer violentamente no jato de ar que a moto deslocava.
- Será que o sidecar vai despencar? – Gina perguntou agarrando a mão de Harry.
"Estou alerta, Harry, não se preocupe!", berrou Hagrid, e, do bolso do blusão tirou o guarda-chuva cor de rosa e florido.
O trio sorriu.
- Hagrid! Não! Deixa comigo!
- REPARO!
Ouviu-se um estampido ensurdecedor e o sidecar se soltou completamente: Harry disparou para a frente, impulsionado pela velocidade da moto, então o sidecar começou a perder altura...
As meninas gritaram. Os meninos arregalaram os olhos.
Desesperado Harry apontou a varinha para o carro e gritou:
- Wingardio Leviosa!
O trio sorriu se lembrando da sua primeira aventura.
O sidecar subiu como uma rolha, desgovernada, mas, pelo menos, no ar. Seu alivio, porém, durou apenas segundos: mais feitiços passaram por ele como raios, os três Comensais da Morte agora mais próximos.
- Você tem a pior sorte Harry – disse Colin.
- Estou chegando, Harry! – gritou Hagrid da escuridão, mas o garoto sentiu o sidecar recomeçar a afundar: agachando-se o mais baixo que podia, apontou para os vultos que se aproximavam e berrou – Impedimenta!
- E os outros? – Harry perguntou.
- Pela primeira vez Harry. Se preocupe com você mesmo – bufou Rony.
O feitiço atingiu no peito o Comensal do centro.
- Vai Harry!
Por um instante, o homem abriu absurdamente braços e pernas no ar, como se tivesse batido contra uma barreira invisível: um dos seus companheiros quase se chocou com ele...
Então o sidecar começou de fato a cair e um dos Comensais disparou um feitiço tão perto de Harry que ele precisou se encolher abaixo da borda do sidecar, e perdeu um dente ao bater contra o assento...
- Ai! – gemeu Harry tocando sua boca.
- Estou indo Harry, estou indo!
Uma ao descomunal agarrou as vestes do garoto pelas costas e guindou-o para fora do sidecar em mergulho irreversível; Harry puxou para si a mochila ao se arrastar para o assento da moto e se viu sentado de costas para Hagrid. Ao ganharem altitude, afastando-se dos dois Comensais da Morte restantes, o garoto cuspiu o sangue da boca, e, apontando a varinha para o sidecar que caia, gritou:
- Confringo!
Sentiu uma dor horrível como se lhe arrancassem as entranhas quando Edwiges explodiu; o comensal mais próximo foi arrancado da vassoura e saiu do campo de visão de Harry; o companheiro recuou e desapareceu.
- Ufa!
- Aleluia!
- Ótimo!
- Mas ainda não acabou – disse Harry – haviam muito mais comensais do que aquilo.
- Obrigado por ajudar os nossos nervos Harry – disse Tonks.
- Harry, me desculpe, me desculpe – gemeu Hagrid. – Eu devia ter tentado consertar o sidecar... você ficou sem espaço...
- Isso não é problema, continue voando! – gritou Harry em resposta, no momento em que mais Comensais da Morte emergiram da escuridão e vinham em sua direção.
- Eu falei!
Quando os feitiços cortaram o espaço entre eles, Hagrid se desviou e ziguezagueou; Harry sabia que o amigo não ousaria usar novamente o botão do fogo de dragão, com ele sentado sem a menor segurança. Disparou um Feitiço Estuporante atrás do outro contra os perseguidores, mal conseguindo mantê-los a distância. Disparou ouro feitiço para detê-los: o Comensal mais próximo desviou-se e seu capuz caiu, e, a luz vermelha do Feitiço Estuporante seguinte, Harry reconheceu o estranho rosto vidrado de Stanislau Shunpike, o Lalau...
- Lalau! Ele é um comensal! – disse Hermione.
- Não. Provavelmente a maldição Imperius – disse Harry.
- Expelliarmus!
- Harry – gemeu Remo.
- È ele, é ele, o verdadeiro!
- Droga! – murmuraram alguns alunos.
- Harry! Tente não usar esse feitiço. Ele está se tornando a sua assinatura – disse Remo.
Mas Harry não deu bola. Foi esse feitiço que lhe salvou de Voldemort no cemitério. E iria continuar a usá-lo.
O grito do Comensal encapuzado chegou aos ouvidos de Harry apesar do ronco da moto: no momento seguinte, mais dois perseguidores tinham recuado e desaparecido de vista.
- Harry, que aconteceu? – berrou Hagrid – Onde eles se meteram?
- Não sei!
- Boa reposta!
Harry, porém, teve medo: o Comensal encapuzado gritara "é o verdadeiro"; como soubera?
- Pelo feitiço – gemeu Remo.
Correu os olhos pela escuridão aparentemente vazia e sentiu o perigo. Onde estavam? Ele se virou no assento para ficar de frente e se agarrou nas costas do blusão de Hagrid.
- Hagrid, use o botão do dragão, vamos dar o fora daqui!
- Segure-se bem, então, Harry!
Mais uma vez, respirações presas.
Ouviu-se uma trovoada metálica e ensurdecedora e o fogo branco-azulado jorrou do escape: o garoto sentiu que estava escorregando para trás no pouco assento que lhe cabia, Hagrid foi atirado para cima dele, mal conseguindo manter as mãos no guidão...
- Acho que despistamos eles, Harry, acho que conseguimos! – berrou Hagrid
- Mas e quando o comensal gritou, é o verdadeiro? – Dino perguntou.
Harry, contudo, não se convenceu: o medo o envolvia enquanto olhava à direita e à esquerda, à procura dos perseguidores e seguro de que viriam... Por que teriam recuado? Um deles ainda segurava a varinha... "É ele, é ele, é o verdadeiro"... tinham exclamado logo depois que ele tentara desarmar Lalau...
- Viu?
- Estamos quase chegando, Harry, estamos quase conseguindo! – gritou Hagrid.
- Sim, vai Hagrid! – pediu Sirius.
Harry sentiu a moto perder um pouco de altitude, embora as luzes em terra ainda parecessem estrelas remotas.
Então a cicatriz em sua testa ardeu em brasa:
- Lá vem ele – murmurou Harry.
dois Comensais apareceram dos lados da moto, duas Maldições da Morte lançadas por trás passaram a milímetros do garoto...
Então Harry o viu.
As meninas gritaram.
- Voldemort? – Hermione perguntou pálida.
- Ele mesmo! – disse Harry calmo.
- Como você consegue ficar calmo? – Rony perguntou pálido também.
- Isso ainda não aconteceu!
- Mas em um futuro aconteceu e você está cara a cara com o Tom – disse Gina.
Tom. Harry entendeu. A câmara.
- Tom? – alguns alunos perguntaram.
- É o nome verdadeiro dele. Tom Riddle – disse Harry. – Sirius, leia.
Voldemort tinha voado como fumaça ao vento, sem vassoura nem testrálio para sustentá-lo, seu rosto ofídico brilhando na escuridão, seus dedos brancos erguendo mais uma vez a varinha...
Todos estavam pálidos e meio zonzos.
- Saia daí Harry – disse Sirius agarrando Harry pelos ombros.
Hagrid soltou um urro amedrontado e mergulhou a moto verticalmente. Segurando-se como se a vida dependesse disso, Harry disparou Feitiços Estuporantes a esmo para a noite vertiginosa. Viu um corpo passar por ele e soube que tinha atingido alguém, mas, em seguida, ouviu um estampido e viu saírem faíscas do motor; a moto entrou em uma espiral descendente, completamente descontrolada...
- Façam alguma coisa – gritou Hermione.
Rony, sem saber o que fazer, passou um braço pelos seus ombros, as orelhas vermelhas.
Hermione, corada, sorriu para ele.
Harry e Gina vendo isso, trocaram um sorriso cúmplice.
Jatos de luz verde tornaram a passar por eles.
Gritos.
Harry estava totalmente desorientado: sua cicatriz continuava a queimar; esperou morrer a qualquer segundo.
- Você é a pessoa mais negativa, com pensamentos negativos e idéias negativas que eu já conheci – disse Neville.
Uma figura encapuzada em uma vassoura vinha a centímetros dele, o garoto viu-a erguer o braço...
Gina agarrou a mão de Harry, forte. Hermione agarrou a mão de Rony. Os alunos fecharam os olhos. Sirius estava muito pálido. Tonks estava agarrada as vestes de Remo.
- NÃO!
Com um grito de fúria, Hagrid se atirou da moto contra o Comensal da Morte; para seu horror, Harry viu os dois bruxos caírem e desaparecer, seus pesos somados excessivos para a vassoura...
- Hagrid! – o trio gritou.
Mal se segurando na moto com os joelhos, Harry ouviu Voldemort gritar:
- Meu!
- Não, não! – disseram os gêmeos.
Era o fim: ele não ouvia nem via onde Voldemort estava; de relance, percebeu outro Comensal da Morte fazer uma curva para se afastar do caminho e ouviu: Avada...
Harry fechou os olhos, já esperando. Embora não fosse à hora e ele nem estivesse ali de verdade.
- Harry! – gritaram os amigos.
Quando a dor forçou-o a fechar os olhos, sua varinha agiu por vontade própria.
- Como?
Sentiu-a arrastar seu braço como um enorme magneto, pelas pálpebras entreabertas viu um jorro de fogo dourado, ouviu um estalido e um grito de fúria. O Comensal da Morte restante urrou; Voldemort berrou:
- NÃO!
- Sim! – gritou o salão.
- Vai Harry! – gritaram os gêmeos.
- Ufa! – disseram Gina e Hermione. Rony deu um suspiro de alivio.
De algum modo, Harry se deu conta de que estava com o nariz a dois centímetros do botão do fogo de dragão; socou-o com a mão livre e a moto disparou mais chamas no ar, precipitando-se para o solo.
- E o Hagrid? – Rony perguntou.
- Hagrid! – chamou Harry, se segurando com força à moto. - Hagrid... Accio Hagrid!
Todos riram.
A moto acelerou, puxada para a terra. Com o rosto ao nível do guidão, Harry nada via exceto luzes que se aproximavam sem parar: ele ia bater e não havia nada que pudesse fazer. Atrás dele, ouviu grito...
- Sua varinha, Selwyn, me dê sua varinha!
- Selwyn – murmurou Fudge.
Harry sentiu Voldemort antes de vê-lo. Olhando de esguelha, ele deparou com os olhos vermelhos e teve certeza de que seria a ultima coisa que veria na vida: Voldemort preparando-se para amaldiçoá-lo.
- Pessimista – murmurou Simas.
Então o Lorde sumiu.
- Sim!
- Harry!
- Ele saiu!
Harry olhou para baixo e viu Hagrid de pernas e braços abertos no chão: puxou com força o guidão para evitar bater nele, tateou à procura do freio, mas, com um estrondo de furar os tímpanos e uma colisão de fazer o chão tremer, a moto bateu com grande impacto em um laguinho lamacento.
- Sim. Terminou! – suspirou Hermione.
- Aleluia! – disse Gina respirando novamente.
- Ainda temos mais! – gemeu Rony – muito mais – olhando para o tamanho do livro.
- Certo. Eu quero ler – disse Dino.
Sirius lhe passou.
- O guerreiro caído.
Todos gemeram.
Respostas:
Isinhaa Weasley Potter: Obrigado pela review de todos os capitulos. Bem, eu tentei fazer as reações ficarem boas e tal, mas nao sei se ficou bom. Eu sei, ficou mega pequeno o capitulo do Voldy, mas a criatividade tava péssima.
LilyLunaBlackPotterRavenclaw: Oie,brigado pela review, e sim, eu faço um capitulo especial pra você. Prefere na Hogwarts Lê ou na Tiago e Lílian? Bjs
Sarah Black Potter: Eu ia postar o ultimo capitulo da Ordem, mas eu fiquei tão sem tempo que não tinha nem começado a digitar a primeira linha do capitulo, então, como já estava no dia de postar, nunca ia dar tempo, ai eu comecei as Relíquias, pois eu já tinha pronto era só colocar os comentários e tal. Obrigado por confiar em mim! Bjs.
AnneBlackPotter: Oie. Eu quero fazer um capitulo especial, e vou colocar o pedaço da morte do Dumbledore. Bjs.
ika chan: Sim, um momento Voldemort! kkkkkkkkkkkkk Bjs.
BahSantos: Obrigado por estar gostando, fico realmente feliz. Surpresas nos aguardam! Bjs.
