POV Snape
Silenciosos, Dumbledore e eu seguimos para o gabinete do diretor, minha mente vagava tentando assimilar, tentando criar uma ligação sobre os últimos fatos, que verdade seria essa que o velho estava para me contar?
Adentramos ainda silenciosos e nos sentamos, um de frente para o outro. Dumbledore se recostou na cadeira e fechou os olhos e suspirou, sua expressão agora eu poderia analisar com mais calma, estava mais e mais cansada, mais velha. Quase duzentos anos de vida não conseguiram envelhecer Dumbledore tanto quanto esses últimos dias.
Por mais que a curiosidade e a ansiedade borbulhasse de mim, me mantive paciente, esperando Dumbledore se sentir pronto a começar a falar, contudo minha expressão deixava claro que eu não sairia dali sem uma explicação, uma explicação séria, sem mais mentiras ou meias-verdades.
Por que eu me importava afinal? Essa pergunta não saia da minha cabeça, mas eu não conseguia deixar de pensar que de alguma maneira, a filha do velho tinha alguma ligação comigo, assim como sua história frívola parecia despertar meus anseios, meu instinto me dizia que havia muito mais em todo aquele aparente quebra-cabeças, e mesmo que eu negasse, eu queria descobrir o que era.
-Antes de qualquer outra coisa, eu gostaria de te pedir perdão Severus, - a voz de Dumbledore finalmente quebrou o silêncio entre nós. Seus olhos se abriram e eu vi apenas dor e remorso dentro daquela alma. – Mais uma vez usei você, manipulei-o... – os olhos de Dumbledore voltaram a se fechar, com força desta vez. Quase pude ver a dor envolvendo-o com seu manto.
Aguardei alguns instantes esperando que o diretor explicasse suas palavras sem fundamento, mas ele parecia estar mergulhado dentro de suas próprias lembranças. - Do que está falando, velho? – exigi com um rosnado, minha paciência estava se esgotando.
Dumbledore apoiou o rosto nas próprias mãos e negou com a cabeça. Novamente o silêncio reinou cada vez mais denso, cada vez mais sólido. – Eu nunca quis ter filhos... – declarou ele por fim. Suas palavras fizeram um tremor percorrer minha pele, deixando-me mais tenso, algo em sua confissão me desgostou e para meu completo horror e pavor, algo me dizia que esse não era o motivo pela inimizade do diretor com sua filha.
-Eu nunca me casei, nunca quis um relacionamento. – continuou ele por fim, Dumbledore ergueu o olhar e me encarou, parecia golpeado fisicamente. – Eu estava focado em Voldemort, em como acabar de vez com a guerra. – uma breve pausa, suspiro cansado, seus olhos encontrado a escuridão da janela. – Foi então que você veio a mim, apavorado, em uma noite tão escura quanto esta.
Continuei sem dizer nada, assim que meu nome surgira na história eu não consegui conter o temor embora soubesse muito bem que não havia como Jennifer Kimmel e eu termos alguma ligação.
Ele se levantou e caminhou até a janela, parando em seu peitoril, observando o lago a sua frente. Sua testa encontrou o vidro frio da janela. - Você estava transtornado, disse-me que Voldemort havia descoberto uma magia antiga, magia negra nos tempos de hoje, uma poção que introduziria o controle dos quatro elementos básicos. – com um aceno com a varinha ele criou quarto tira a sua frente, uma de fogo, outra de água, outra de terra e a última de ar. – Em um recém-nascido. Não era preciso você me dizer para saber que algo com tamanha magnitude concederia a vitoria para qualquer um dos lados tranquilamente.
Me vi arfando e a apreensão começou a me tomar, contudo, aquilo não poderia ser sério, Dumbledore estava com uma brincadeira de muito mal gosto, eu tinha certeza nunca ter descoberto um feitiço ou poção de tamanha magnitude, muito menos de ter tido uma conversas daquelas com Dumbledore. Entretanto, antes que eu pudesse verbalizar meu protesto e minhas acusações quanto a insanidade de Dumbledore o mesmo continuou a narrar.
-Eu o ordenei convencer Tom que isso seria totalmente inviável, afinal precisaria esperar até pelo menos os quinze anos da criança, seria tempo demais por algo que provavelmente não daria certo afinal, quais seriam as chances de uma criança sobreviver a uma infância desta? – Ele deu de ombros. – E foi o que você fez... – mais um suspiro escapou de seus lábios e sua testa voltou a encostar no vidro da janela.
Ele permitiu a mim o silêncio por alguns instantes, talvez esperando que eu digerisse as informações insanas ou talvez esperando algum comentário de minha parte, mas, por mais absurdo que eu soubesse que toda aquela narração fosse, uma vez que eu jamais fizera nada daquilo, eu ainda me via congelado pela idéia de ter algo a ver com aquela garota, pior, me apavorava a idéia de que por mais louca que fosse, eu ainda sentia a veracidade nas palavras de Dumbledore.
-Eu era um homem ganancioso, sedento por concertar as desgraças que Tom havia causado, querendo não aceitar que aquele monstro que destruía a tudo e a todos esteve sobre meu olhar por sete longos anos e eu nada percebi. – O diretor continuou a contar. – E no fundo eu sabia que aquela guerra não acabaria tão cedo, no fundo, eu sabia que ainda tínhamos um longo caminho a percorrer...
-Ainda haviam muitas almas a sacrificar e, imprudente e cruel, eu quis minimizar ao menos uma parte dos sacrifícios a uma única pessoa, alguém que garantisse que valeria a pena o sacrifício, alguém que com toda a certeza, colocaria um fim nas maldades de Tom. – os punhos do diretor se serraram e bateram com leve força no vidro, seus olhos se fecharam e sua face se retorceu em culpa. - Eu procurei compreender mais, estudar a fundo tudo que aquela magia insana causaria; seus males e benefícios, e principalmente as chances de dar certo.
-Em momento algum eu me preocupei com a vida da criança "sortuda", em nenhum momento eu pensei nas torturar que aquilo tudo poderia lhe causar... Em momento algum eu pensei na mãe de tal infeliz e em suas dores ao ver um filho sofrer da maneira que aquela criança sofreria. Nem mesmo pensei se tal mulher estaria disposta a se submeter a isso... – Sua boca se fechou numa fina linha por um breve instante. – Não... – ele negou com cabeça, parecendo agora falar mais consigo mesmo do que comigo. - Eu não pensei em nada disso... E não foi por descuido. – meu corpo inteiro se arrepiou com aquela frase. Dumbledore voltou a me fitar. – A verdade é... Eu não me importava.
Fechei os olhos com desgosto, quem era aquele homem a minha frente? Como eu poderia acreditar em tudo aquilo? Eu conhecia Dumbledore, eu sabia que ele seria incapaz de fazer tudo aquilo... Ele era assim... Ele... Ele... - Eu me vi sem palavras.
-Eu sabia que agora eu precisava de alguém para gerar essa criança, precisava ser alguém discreto, que não reclamaria ou sairia dizendo aos quatro ventos o que eu havia feito, precisava ser uma mulher apaixonada demais para se submeter ao silêncio e as minhas ordens. – um sorriso morto surgiu em seus lábios. - Não foi difícil encontrar alguém... – tremi novamente diante de suas palavras, visando um desfecho maldoso.
-Caroline Kimmel sempre fora apaixonada por mim, desde seus tempos de escola, bastou bater em sua porta com uma garrafa de vinho e um sorriso no rosto... – ele riu amargamente. – Ela fora até a cozinha buscar alguns queijos para comermos em frente a lareira acompanhados do vinho que eu havia trazido, nesses poucos instantes em que ela deixou o cômodo eu coloquei uma poção fertilizante em sua bebida e então... – mais uma breve pausa. – Não foi necessário mais que uma noite; Caroline esta grávida.
Deixei meu corpo cair sobre o encosto da cadeira, eu não poderia acreditar nas palavras de Dumbledore, toda aquela história, toda aquela crueldade, maldade... Não, não poderia ser verdade.
Dumbledore sentou-se no parapeito da janela e deixou suas mãos caírem no colo, seu olhar por mais uma vez se voltou para a escuridão. – Ela acreditou que eu fosse honrá-la, fosse me casar com ela, assumir a criança, ampará-la... Nós sabemos como o mundo bruxo é cruel com jovens mães solteiras... – mais um riso vazio. – Mas eu não queria nada daquilo, eu não queria aquele filho, eu não queria Caroline... Eu queria apenas... Um pobre coitado para se tornar minha arma, para se tornar a "salvação do mundo bruxo", ou assim eu pensava.
-Eu não queria que Caroline se iludisse, achei que... Se fosse delicado eu estaria dando-a falsas esperanças então eu fui cruel, ridicularizei-a e a desprezei, ameacei-a e àquela criança se ela contasse que eu era o pai e em troca de seu silêncio eu a daria um lar, longe das bocas maldosas e antiquadas... – Dumbledore encostou a cabeça na parede, seus olhos se perderam nas junções das pedras do teto. – Eu a escondi em uma cidade trouxa, no Brasil, onde viviam algumas poucas famílias bruxas que em uma tentativa de se salvarem das garras de Voldemort se misturaram com os trouxas permanentemente.
-Mensalmente eu lhe mandava dinheiro apenas para que não morresse de fome... – ele deu de ombros. – Eu não sei o que se passou... Nunca procurei saber. Não me interessava. – seus olhos voltaram para a noite. – Em uma tarde quente uma coruja me foi enviada, era de uma das famílias vizinhas de Caroline, a carta dizia que ela havia dado a luz naquela manhã, a uma menina, a qual chamara de Jennifer Kimmel... Jennifer significa "suprema" em grego, e foi essa a mensagem que Caroline quis me passar, que Jennifer conseguiria quebrar todas as barreiras que eu havia criado, conseguiria romper tudo e todos, seria mais do que eu a julgava. – Deu de ombros. – Nunca a procurei, nunca quis conhecer a menina, apenas guardei com cuidado aquela data e dali a um ano, fui ao seu encontro para implantar dois dos quatro elementos.
Arfei fortemente, eu não podia acreditar, não poderia aceitar, era muito irreal para ser verdade, Dumbledore não era assim, não poderia haver viva alma tão fria a ponto de tudo aquilo, não sentir nada? Nem mesmo uma ponta de remorso? Curiosidade em conhecer a garota? Nada? Senti meu peito apertar e a pena por aquela garota começou a me tomar.
-Não sorri, não peguei-a no colo. – O diretor continuou a contar, arrancando-me de meus devaneios. – Apenas lhe forcei a poção goela a baixo e entoei os encantamentos necessários, introduzindo-lhe o ar e a terra, e parti sem olhar para trás. – Ele cerrou os punhos novamente. – Quando a menina fez dois anos eu voltei para introduzir os elementos restantes... - ele fechou os olhos, parecendo novamente degustar de uma tortura tão amarga quanto aquelas lembranças. – Ainda posso ouvir seus gritos agoniados quando sentiu o fogo queimando-a... – sua voz não passou de um sussurro aterrorizado, fazendo o choque atingir-me com força. – E mais uma vez eu me calei, nunca mais soube dela, nunca mais soube de Caroline, apenas permiti que aquelas lembranças sem importância aparente se perdessem em minha mente e vi os anos passarem.
Engoli em seco, sem mais conseguir olhar para o velho, frustrado e até mesmo decepcionado, ele não era quem eu pensava ser? Dumbledore se levantou e começou a andar pela sala. – Quando chegou a hora, eu não permiti que Jennifer viesse para Hogwarts, achei perigoso que ela fosse exposta, Voldemort ou algum comensal poderia descobrir seus poderes... Além do mais, Harry havia chego, ele sim era uma criança, ele sim era um pequeno com vida e sentimentos, sofredor por perder os pais aos poucos anos de vida, mas Jennifer não passava de uma arma de guerra. – ele negou com a cabeça. – Não, eu a mantive lá, e mandei alguns professores particulares de minha confiança para lecionar, e prepará-la para a guerra e a mantive escondida...
-Com o passar desses sete anos eu fui me afeiçoando a Harry assim como a você, fui deixando a razão falar após tantos anos, o remorso e a culpa pelo que eu havia feito começaram a me abater, e a consciência do que eu havia feito começou a recair sobre mim, martirizando-me. – um suspiro angustiado escapou por seus lábios. – Eu comecei a me odiar pelo que havia feito, comecei a me odiar por ter ido a onde nem mesmo Voldemort fora... – ele nego com a cabeça e se deixou cair na cadeira. – E eu comecei a buscar alternativas para não ter que mandar Jennifer para a guerra, tentei de todas as maneiras encontrar maneiras para minimizar o dano que causei...
-Eu quis escrever a Caroline, quis escrever a Jennifer... Quis... – sua cabeça tombou para trás. – Eu nem mesmo sei o que quis, mas eu estava desesperado para encontrar uma justificativa por meu ato, necessitava de perdão, que a culpa fosse tirada de meus ombros... Eu mal conseguia mais dormir e aqueles gritos que ouvi no segundo aniversário de Jennifer que na época não havia causado nada mais que irritação aos meus ouvidos, agora estavam me enlouquecendo, impedindo-me até mesmo de dormir... A culpa estava me matando.
Dumbledore suspirou profundamente. – Então eu fiz o que nunca havia pensado em fazer... Eu procurei Caroline. – um silêncio denso se instalou entre nós, Dumbledore sem forças para continuar a narrar e eu sem voz para manifestar qualquer coisa. – Eu disse que estava arrependido, me ajoelhei perante ela, disse que casaria com ela, que assumiria Jennifer, que faria qualquer coisa para tentar reparar um pouco a monstruosidade que eu havia feito.
-Caroline me desprezou... Mas não gritou ou fez alarde como eu gostaria que tivesse feito, ela apenas me olhou com um olhar tão frio quanto o gelo e disse para eu me afastasse de sua filha, porque nada que eu fizesse ou dissesse iria apagar todas as vezes que Jennifer havia gritado de dor por conta de seus poderes descontrolados, nada que eu dissesse iria apagar todas as queimaduras que sua pele possuía... – uma risada fria escapou por seus lábios. – Nem preciso dizer que oferecer acabar com aquelas queimaduras enfureceu-a, não é?
Era uma pergunta retórica, eu sabia que sim, e mesmo que não fosse eu não tinha certeza se eu ira conseguir responder ou dizer qualquer outra coisa... Todas aquelas informações, toda aquela historia... Como podia Dumbledore ter sido tão frio assim? Ou será que ele fora mesmo?
Toda aquela junção de detalhes, toda aquela emoção me faziam verdadeiramente acreditar naquela história, mas não era possível, nada daquilo era possível, o Lorde das Trevas jamais encontrara magia assim, eu tinha certeza disso.
Dumbledore parecia perdido em seus próprios devaneios para prestar atenção a minha confusão, contudo, antes que eu pudesse dizer qualquer coisa, o diretor continuou a falar:
-Eu segui com minha vida, respeitando pela primeira vez a vontade de Caroline, não me aproximei de Jennifer, alegando para mim mesmo que eu tentava agora protegê-la de Voldemort, jurei que continuaria ausente de sua vida até que a guerra acabasse e então eu iria procurá-la... – ele suspirou com pesar. – Mas não fui, não tive coragem... Adiei e adiei... Embora não seja por nada disso que Jennifer realmente me odeia, bom pelo menos, não é o maior dos motivos.
Encarei Dumbledore confuso, ainda haveria mais? Mantendo minha expressão neutra e minha voz contida eu indaguei. – E por que seria?
Dumbledore me fitou por cima de seus óculos meia-lua, a dor banhando aquelas piscinas azuis, a culpa consumindo o velho. – Você se recorda de uma carta que recebi a sete meses atrás? Na cerimônia de premiação?
Franzi o cenho, eu mal me lembra mais daquilo, porem assenti, concordando. – Era uma carta de Jennifer. – Dumbledore abriu a gaveta da mesa e retirou aquele mesmo envelope de meses atrás, agora eu podia reconhecer a caligrafia, era de Jennifer. Voltei a encarar o diretor, esperando por mais esclarecimentos. – Caroline adoeceu a pouco mais de um ano... E Jennifer, com seus amigos, tentaram de tudo para curá-la, todos os conhecimentos que conheciam, os quais não eram poucos devido ao ensino avançadíssimo e os que não conheciam, mas nada adiantava.
-Caroline sempre foi tudo para Jennifer, e a menina quase enlouqueceu quando não conseguia salvar a mãe... – ele apertou a carta na palma da mão embora seu rosto continuasse sereno, perdido nos males do passado. – E, desesperada, ela me escreveu, Jennifer nunca havia me pedido nada, nunca havia feito nada em relação a mim, simplesmente ignorou minha presença, embora houvesse se preparado para a guerra como eu desejei, ela nunca quis estabelecer nenhum vinculo, e por muito tempo eu também não. Mas então, ela me escreveu pedindo para ir ao seu encontro.
As imagens daquela noite em que Dumbledore recebeu a carta, o quão perturbado seu rosto ficara, começaram a bater em minha mente como vivos fashs. – Eu não sabia o que fazer, não sabia como encará-la, e acreditei que era apenas para me humilhar ou me desprezar como sempre acreditei que Jennifer um dia faria; e então, eu ignorei a carta não fui a seu encontro.
Antes que eu pudesse tentar entender o significado daquelas palavras o diretor prosseguiu. – Mês passado recebi uma carta de um dos vizinhos de Caroline, - sua voz era solene, firme mas coberta de tristeza. – Dizendo-me que Caroline havia falecido a sete meses e Jennifer estava sozinha desde então. – Ele fechou os olhos e uma única lágrima escorreu de seus olhos. – Eu não poderia imaginar que era para isso que Jennifer queria que eu fosse encontrá-la, nunca me passou pela cabeça que Caroline... – ele reprimiu um soluço. – Assim que tomei conhecimento dos fatos eu fui buscar Jennifer, e trazê-la para cá... É por isso que Jennifer me odeia, por não ter tentado salvar sua mãe.
Alguns instantes o silêncio denso reinou entre nós, eu tentando ver algum encaixe em todas aquelas informações e Dumbledore estava perdido em seus próprios devaneios, compenetrado demais para me fitar. – Dumbledore... – chamei por fim, relutante ele me encarou, cada vez mais envelhecido. – Eu nunca descobri sobre esse encantamento. – declarei com cuidado, sabendo que talvez o diretor não estivesse mentalmente equilibrado naquele instante.
Dumbledore fechou os olhos e apontou a varinha na minha direção, fazendo ficar alerta. – Finitem Incantatem. – sua voz foi firme, embora baixa, por uns instantes a confusão em minha cabeça aumentou, então meus olhos vagaram pela sala, tentando entender, tentando reconhecer... Até que eles caíram em Dumbledore e... A lembrança veio.
Clara como um cristal a lembrança da noite em que o Lorde das Trevas contou-me sobre o feitiço invadiu minha mente. – Não...! – consegui sussurrar desacreditado enquanto minha conversa com Dumbledore sobre o encantamento, quando eu dissimulei o Lorde convencendo-o a abandonar aquele plano e finalmente o momento em que Dumbledore me lançou um feitiço de esquecimento, fazendo-me esquecer de todos os fatos relacionados a ele.
-Não...! – repeti negando com a cabeça, meu corpo se envenenando de fúria, culpa, incredibilidade. Minha mente revivendo a história a pouco contada, compreendendo agora todo o quebra-cabeças, compreendendo o ódio da garota pelo pai, compreendendo tudo. – Seu filho da puta! – gritei enfurecido, meu punho cerrado se chocando contra a mesa. – Como pode fazer isso, seu desgraçado! – levantei-me com tamanha força que a cadeira atrás de mim caiu, não me importei.
Dumbledore se encolheu levemente. – Não há um só dia que não me odeie por ter feito tudo isso. – seu remorso só me enervou, eu estava me controlando para não socá-lo.
-Você a torturou! – acusei ainda descrente, o homem que sempre admirei, o homem que sempre tomei como um pai era... Era... – eu sentia repulsa só de pensar. – Como pode, Dumbledore? Como pode descer tão baixo?
Dumbledore fechou os olhos novamente, mas nada disse; minha mente continuou trabalhando em todas as novas informações e a cada momento eu sentia mais náuseas em relação ao diretor. – Você me viu maltratá-la para te defender e não disse nada? – perguntei descrente quanto finalmente percebi.
Ele encolheu os ombros. – Eu não sabia o que dizer... – sussurrou ele arrependido.
Bati novamente na mesa. – Eu me fiz seu escravo por mais de vinte anos para que você não tivesse que arruinar a vida de outro! – Gritei explosivo. – Para que você não fizesse com mais ninguém o que você fez comigo! E você torturou e manipulou sua própria filha! Filha do seu sangue! – eu não conseguia aceitar aquilo. – Você é igual ao Lorde das Trevas, velho, não se preocupa por quem tem que passar, quem tem que machucar para conseguir o que quer! Eu tenho nojo de você – declarei com repulsa.
Eu não poderia mais ficar ali, sem dizer nada saí as pressas de seu escritório e rumei para as masmorras, meu corpo inteiro tremendo tamanha a raiva que sentia, a repulsa, como Dumbledore pudera? Como eu conseguiria encarar Jennifer Kimmel depois de conhecer toda a verdade? Por que ela havia agüentado calada? Por que não me confrontou? Por que não me contou...?
Minha cabeça girava a mil e tudo que eu precisava era de meu refugio para tentar pensar e colocar as idéias no lugar, qual não foi minha surpresa e desespero ao ver Jennifer Kimmel parada na porta de minha sala. Eu não poderia lidar com aquilo. – Fora! – gritei enquanto me aproximava.
Jennifer me encarou assustada e confusa. – Mas professor nós temos um detenção... – impedi-a de continuar.
-Eu disse fora! – gritei, minha raiva mais e mais acentuada. Sem nem mesmo parar para ver se ela havia obedecido minhas ordens adentrei em minha sala e segui para meus aposentos onde eu procuraria uma maneira de tentar assimilar tudo aquilo.
