Card Captors Sakura e seus personagens não me pertencem e sim a CLAMP.

Essa fanfiction não possui fins lucrativos.

Conteúdo YAOI. Se você não gosta, não LEIA.

Antes do capítulo, alguns comentários básicos:
O título do capítulo é uma homenagem a música de mesmo nome "Tune The Rainbow", que utilizei nele. A música é interpretada pela cantora japonesa Maaya Sakamoto.

E por último... CUIDADO! Esse capítulo contém cenas fortescom o Yukito.

Boa leitura!


A mesa improvisada para o jantar permanecia esquecida no centro da pequena sala de refeições. Os pratos, garfos e taças jaziam vazios a espera de serem utilizados. No entanto, seus 'senhores' pareciam estar mais interessados na função que o sofá italiano do outro cômodo oferecia-os.

- Ei Jean... Nós deveríamos comer, não acha? – sussurrou Yukito, sentindo as costas serem pressionadas levemente sobre o acolchoado do móvel.

O loiro nem sequer deu-se o trabalho de responder. Com os lábios ocupados em marcar o pescoço alvo do companheiro, o francês fingiu não escutar a sugestão. Estava ávido em aproveitar apropriadamente aquela noite com Yukito e matar as saudades que a muito o incomodavam em seu país de origem.

- Vamos homem! Eu estou com fome! – reclamou o Tsukishiro, sentindo-se ferver perigosamente. Se ficasse um segundo a mais sujeito as carícias provocantes de Jean perderia o controle, que, uma vez perdido, só voltaria na manhã seguinte.

Jean subiu os beijos pela pele de Yuki, detendo-se próximo ao ouvido deste. - Eu também estou com fome... Com apetite de você. – disse-lhe num timbre rouco, mordendo-lhe o lóbulo da orelha em seguida. – Que tal irmos para o quarto?

- Que tal irmos para mesa? – Yukito ironizou, tentando ignorar os arrepios que o percorriam. Afastou, então, o mais alto com suas mãos.

- Como você ficou atrevido, Yuki-kun! – o loiro exclamou, levantando-se do sofá. – Apenas me espere tirar os talheres da mesa.

- Baka... – resmungou, enquanto ajeitava as roupas após levantar-se também.

Yukito levou o garfo até a boca, experimentando do suflê de queijo que seu anfitrião cozinhara. Com um ruído de satisfação, voltou seu olhar para o homem sentado em frente a si.

- Eu tinha me esquecido o quão bem você cozinhava. – comentou, enquanto passava um guardanapo pelos lábios.

Jean sorveu um gole do vinho francês que trouxera especialmente para aquela ocasião. Com um sorriso, observou seu Yuki-kun levar mais uma garfada do que prepara à boca. Sempre se orgulhara de preparar pratos que agradassem o homem que lhe fazia tão bem.

- Espero que tenha se esquecido apenas da minha comida. – disse entre outro gole da bebida. – E não dos nossos momentos juntos.

Yukito constrangeu-se levemente. A verdade era que a volta de Jean lhe trazia recordações boas ao mesmo tempo em que conduzia-o à incômodas. A separação de ambos, anos atrás, não fora nada pacífica e isso era o que mais incomodava. Quando o loiro surgiu novamente em sua vida munido de palavras doces e sugestivas, a desavença de outrora pareceu nunca ter acontecido. E seu desejo era que permanecesse assim.

- Como vão seus negócios na França, Jean? – Yuki mudou estrategicamente de assunto, não querendo trazer a tona indisposições pretéritas. Pois, apesar de não parecer, as feridas do passado ainda estavam presentes em ambos.

O loiro finalmente levou um pouco do jantar à boca, o que tranquilizou parcialmente o mais magro. Jean e bebida não combinavam, afinal. Porém, Dardeno encheu mais uma vez sua taça de vinho, para só depois responder a pergunta do amigo.

- Vão muito bem, Yuki-kun. Agora não estamos apenas distribuindo os jogos japoneses, mas também criando os nossos. - Percebendo a ansiedade de Yukito, o loiro achou que era uma boa oportunidade para voltar as velhas questões não resolvidas. – E falando em jogos... Como vai o Kinomoto?

- E-ele está bem. – Sorriu fracamente, prevendo o que estaria por vir. – Como você deve saber, a C-G.K está crescendo...

- Vocês já têm uma relação estável, ou ele continua tão burro quanto uma porta? – Jean cortou-o, impassível.

Tsukishiro moveu os lábios em um esgar. Seu feitio sempre suave dera lugar a um endurecido. Ele sabia que uma hora ou outra Jean tocaria naquele assunto, mas tivera a esperança que fosse demorar mais.

- Nós não temos nenhuma relação e nunca teremos, Jean. – Yukito ignorou a risada seca que ecoou pelo cômodo. – Nós já discutimos isso tantas vezes... Por que teima algo que nunca irá existir?

- Nunca? Se você sabe disso por que insiste em ficar perto dele? Por que vive me afastando de perto de você, como fez no aeroporto e aqui? Eu tentei passar uma borracha nisso, mas suas atitudes não deixam. – desabafou agastado, levantando-se da cadeira e levando consigo a taça que descansava sobre a mesa. – No fundo você tem esperança que o Kinomoto largue a vida leviana que leva e perceba que gosta de você. Mas eu vou lhe dizer uma verdade, meu querido Yuki... Ele não gosta de você. Nunca vai gostar de ninguém!

Yukito empurrou o prato com o suflê quase intocado de perto de si. - Você não sabe do que fala! – Levantou-se irritado, movendo-se em direção a sala de estar. – E eu perdi a fome!

- Droga... – murmurou o francês, seguindo-o.

Dardeno alcançou o motorista em tempo de impedir que este saísse porta a fora. Agarrando o braço do companheiro com força, puxou-o para si, ainda equilibrando a taça de vinho na outra mão.

- Desculpe, Yuki-kun. Eu me excedi um pouco, mas... – Largou o objeto de vidro em cima de um dos móveis da sala, levando a mão livre até o rosto do mais novo. – E-eu precisava saber... Eu fiquei com medo de voltar para cá e te encontrar nos braços do Kinomoto. Senti que precisava trazer de volta as mesmas dúvidas do passado.

- Jean... – Yukito olhou no fundo dos olhos azuis do loiro, vendo-os brilhar marejados ante a si. – Não precisava...

- Shii... – Com um pequeno selinho, o empresário o fez se calar e voltar a prestar atenção nele. – Eu sei o quanto você sofre por aquele homem, Yuki. Eu só não entendo por que você continua perto dele. Pode não parecer sério o que eu vou dizer agora, pois você não acreditou anos atrás... Mas, eu te amo.

Yukito não teve como evitar que algumas lágrimas escapassem de seus olhos. As três palavras que saíram tão espontaneamente dos lábios de Jean, foram as mesmas que o loiro pronunciara cinco anos antes e que, naquela época, fora o estopim para um rompimento.

Flashback On

- Jean!

O homem loiro transportava a última mala até a sala, largando-a com ferocidade no chão. Sua face levemente corada, por conta do esforço que fizera para arrumar suas coisas rapidamente, transparecia a ira vívida que lhe tomara mais cedo.

- Jean! – Yukito tornou a chamá-lo, com certa impaciência na voz. – Eu não acredito que você vai fugir desse jeito! Olha, eu sei que o Touya foi um pouco grosseiro, mas você também disse coisas absurdas para ele.

- Eu disse-lhe apenas a verdade. – cuspiu, virando-se para encarar o amante. – Odeio quando você o defende, Yuki. Odeio pensar que todas as vezes que discutimos é por culpa dele! E que você sempre fica do lado do Kinomoto.

- E-eu... Isso não é verdade. – Yukito aproximou-se do francês, abraçando-o receoso. Jean era tão impulsivo!

- Então venha comigo, Yuki-kun! – sussurrou apertando-o contra si. – Te darei um emprego melhor na França, viveremos juntos... Terá a vida feliz que aquele homem fútil nunca lhe dará.

Tsukishiro afastou-se parcialmente, com o cenho franzido. – Não fale assim, Jean. Touya não é tão mal quanto você pinta. – Dardeno fez uma careta, mas o mais novo preferiu ignorar. – E eu não posso sair de Tóquio, meu lugar é aqui. Ao lado dele.

Jean desvencilhou-se da proximidade com o outro, voltando ao estado de nervos. Um misto de cólera e ciúmes tomou conta de sua alma, fazendo-o rejeitar o abraço caloroso de Yukito.

- É sempre o Kinomoto... Por que você não se conforma que o amorzinho fantasioso que sente por ele, nunca será retribuído?! – Tsukishiro mirou-o descrente, o que só aumentou sua raiva. – Ele não é um homem que valha o esforço que você faz! Ele não pensa em você... Nunca percebeu o quanto sofre por ele. É um maldito fútil!

- Jean!

- Você tem que vir comigo... Por que eu amo você!

Yukito sentiu como se seu estômago afundasse. Aquela impulsividade de Jean o chateava. A última coisa que precisava naquele momento era que dissesse palavras como aquelas, no calor do momento.

- Só está dizendo isso para me convencer a ir com você e me afastar do Touya! – gritou exasperado, deixando o companheiro perplexo por instantes. – Eu não posso abandonar o Touya! Ele é a pessoa mais importante para mim.

Dardeno ficou algum tempo parado, apenas observando a respiração de Yukito desacelerar aos poucos. Quando o mais baixo teve o vigor da fúria enfraquecida, o francês voltou a se pronunciar.

- Pois bem, fique para sempre com ele então. – Jean abriu a porta do próprio apartamento e pegou suas malas logo em seguida. – Eu vou voltar para a França... Espero que você fique satisfeito por passar a vida inteira chorando por aquele maldito.

E Yukito não fez nada para impedi-lo. Parecia estar com os pés colados no chão, quando viu o homem, que o consolara por tanto tempo, sair e fechar a porta sem olhar para trás. Em sua confusão, Yuki não pôde fazer nada além de encostar-se na parede fria, abraçar a si mesmo e perguntar-se por que o loiro nunca mais estaria ao seu lado para ampará-lo.

Flashback off

Yukito estava ali novamente, deparando-se com as mesmas palavras intensas. Dessa vez não fugiria como fizera outrora. Eram sentimentos sinceros os que o loiro tinha por ele, e Yuki suspeitava que antes já fossem daquela maneira. No entanto, quisera se enganar na época... Fingir que era apenas um capricho do Dardeno. No fundo nunca quisera magoá-lo, mas achava-se tão leviano quanto Touya.

- Jean... Eu...

- Não precisa dizer nada agora, Yuki. – A mão do loiro amparou uma gota delicada que rolava pela face de Yukito. – Eu fui paciente e esperei por todos esses anos a poeira da nossa briga abaixar. Eu tive medo que você não quisesse mais me ver. – Sorriu ao ver o amante negar com um aceno de cabeça. – Eu terei a paciência suficiente para esperar sua resposta.

- Jean... – Yukito pousou a mão sobre a que descansava em sua bochecha, pressionado-a levemente. – Me faça seu mais uma vez.

Dardeno não esperou mais nenhuma palavra para tocar os lábios rosados de Yukito com os seus. Movimentos carinhosos e confortantes preenchiam aquele beijo, fazendo os homens ansiarem por um contato mais intenso. As mãos passeavam ávidas pelo corpo um do outro, sentido em seus apertos cada centímetro alheio. Uma paixão reacendia-se aos poucos, apagando em seu trajeto a amargura que ficaria para trás.

Sem partir o ósculo, Jean guiou o amante até seu quarto, desligando a luz do ambiente assim que puseram os pés para dentro. Orientado pela luz tênue da lua, que adentrava o cômodo através da janela, o loiro acomodou o companheiro sobre sua cama. Sem pressa, abriu os botões da camisa azul do menor, fazendo os dedos insinuarem-se cada vez que uma parte do torso pálido do outro se desnudava.

- Eu senti tanto sua falta... – murmurou, em meio a beijos sobre o tronco que era ofertado a si. – Tantas vezes sonhei que estava tocando você.

- Também sonhei com você... – Yukito confessou em meio a suspiros. E não era mentira. Por mais que seus encontros com Jean não passassem de necessidades carnais, também nutria carinho por aquele homem.

Satisfeito com o que ouvira, o empresário capturou novamente a boca do motorista, tentando tirar-lhe o cinto, ao mesmo tempo.

- Essa noite vai ser como as dos velhos tempos, Yuki-kun. – disse, antes de permitir que os dedos ansiosos de Yukito se desfizessem de suas roupas.


O Kitsune Udon estava delicioso. Apesar de desconfiado com as perguntas de Daidouji, Syaoran aproveitava o jantar agradável na companhia dos Kinomoto. Estava sentado ao lado de Sakura, enquanto Touya encontrava-se a sua frente, com Tomoyo ao lado, ante a cantora. Um quadrado perfeitamente desenhado e que a morena arriscava, em pensamentos, denominar como amoroso. E dizê-lo em voz alta era questão de tempo.

Enquanto comiam, Tomoyo observava cada membro daquela farta mesa. Sakura conversava animadamente com Li, que apenas respondia-lhe monossilabicamente. Touya, por sua vez, interrompia parte das conversas, impondo sua presença – como a estilista gostava de pensar.

Entre aquele triângulo, como nomeara, ela passaria facilmente despercebida. Mas como queria ficar por dentro de tudo, hora ou outra participava da conversa.

- Quando você vai fazer um show aqui no Japão, Sakura? – indagou, quando o último assunto morreu.

- Não pretendo fazer shows aqui, Tomy. Afinal, eu vim especialmente para trabalhar como seiyuu. – A jovem olhou para o chinês, que mirava-a curioso. – A não ser que seja pelo jogo.

- Não seria má ideia promover o jogo com uma apresentação. – ponderou Syaoran, questionando o mais velho com o olhar. – Sakura traria popularidade para a empresa.

- É. – o moreno concordou, sem emoção. - Talvez.

Li franziu o cenho diante da resposta, porém nada disse. Por um instinto voltou os olhos âmbares em direção a Kinomoto, vendo-a brincar com a comida do prato. Touya conseguira chateá-la com sua falta de interesse.

A interação dos três novamente não passou despercebida por Tomoyo. Foi então que uma ideia divertida brotou-lhe na mente. Com o silêncio que acometera o recinto, a estilista aproveitou-se para agir.

Cuidadosamente, a mulher direcionou seu pé próximo a perna de Syaoran, no exato momento em que Touya, ao seu lado, olhava para o chinês. Puxando uma conversa trivial com Sakura, tocou levemente em Li, roçando a ponta do pé sinuosamente. Com olhar de canto, percebeu quando o diretor de marketing virou primeiro para si e logo em seguida ao Kinomoto mais velho.

Com uma carranca, Syaoran encarou o empresário que o mirava com curiosidade. Sentiu mais uma vez algo roçar-lhe a perna, enquanto os lábios de Touya formavam um "o quê?" silencioso. Mal humorado, o chinês ensaiou um belo chute no amante, para que este se aquietasse.

- Itai! – o empresário exclamara repentinamente, assustando a irmã e fazendo Tomoyo segurar o riso.

Bufando, repreendeu Li com os olhos, recebendo em troca um olhar desafiante.

- O que aconteceu, nii-chan? – Sakura indagou preocupada, observando o irmão abaixar o tronco parcialmente e levar uma das mãos até a perna.

- Nada de mais imouto. – explicou, esfregando o membro atingido. – Acho que um bicho me picou.

- Creio que senti tal bicho andando por minha perna, Touya. – Tomoyo ditou, à guisa de divertimento. – É uma lástima que ele tenha picado você.

Daidouji poderia até mesmo congelar com os olhares que recaíram sobre ela. Tanto Syaoran como Touya tinham ares irritadiços contra si, cada qual com suas próprias suspeitas. Detectar os ciúmes de ambos lhe agradava. Mas só havia um problema... Sakura tinha conhecimento do que passava entre aqueles dois?

Após o fim do jantar, que se encerrara com um silêncio lúgubre, Tomoyo acompanhou Sakura até o seu quarto. A jovem fora buscar seu violão, no intuito de oferecer alguma música aos seus convidados e o irmão. Era mesmo uma pena que Yukito não estivesse presente, pensara a cantora.

Aproveitando-se do momento a sós com a amiga, a morena decidiu investigar um pouco.

- Saki, tem certeza que seu irmão não está mesmo relacionando-se com alguém? – indagou, observando a cantora revirar seu guarda-roupa. – Touya não é do tipo de homem que fica só por tanto tempo.

- Que eu saiba está sozinho. Ele nunca foi de ocultar nenhum de seus relacionamentos. – falou, ainda com a cabeça enfiada dentro do móvel. – Mas sabe o que eu percebi há alguns dias atrás?

- O que? – Tomoyo aprumou-se, ansiosa em saber que talvez a amiga partilhasse da desconfiança dela.

- Acho que o Yukito gosta do Touya.

A estilista murchou, pensado em como Sakura poderia ser tão lerda as vezes. – Só agora que você notou? - ironizou, enquanto a mais nova surgia da escuridão, segurando o instrumento que as trouxera até ali.

- Você já tinha reparado? - Tomoyo suspirou com o sorriso singelo da Kinomoto.

Ao descerem, encontraram os homens sentados no sofá, ambos de braços cruzados, com as faces voltadas para lados opostos. Sakura sentou-se na poltrona em frente a eles, enquanto Tomoyo ajeitava-se no espaço livre entre Li e o Kinomoto; pura provocação.

Sem aviso, a ruiva começou a dedilhar pelas cordas do violão, fazendo uma melodia harmoniosa ecoar pelo local. Syaoran mirou-a interessado, enquanto Touya surpreendia-se ao ver a irmã começar a tocar. Fazia tanto tempo que não a ouvia. Tomoyo apenas sorriu.

E a voz de Sakura saiu limpa e suave, entoando as palavras de uma canção.

kimi ga nagasu namida nuguu tame dake ni boku wa koko ni iru yo
(Eu ficarei aqui, só para secar as lágrimas que você derrama)
ame agari ga kirei na you ni nakeba kokoro sukitooru
(Tão bonito quanto a chuva que diminui, suas lágrimas deixam seu coração transparente)

oka no ue de miwatasu sekai wa

(O mundo que eu posso ver de cima dessa colina)

kyou mo ai de afureteru hazu na no ni

(deveria estar lavado de paixão)

mayoi ikiru bokura wa kizukazu

(Nós percebemos que estamos vivendo em confusão)

yasashii ai no utasae todokanai
(A branda canção de amor não nos pode alcançar)

mamoritai tada anata dake o sono egao kagayaku hibi o

(Eu só quero proteger, os dias quando sua face brilhou, enquanto sorria)

mamoritai kodoku ni kakomare kanashimi ni yureru kokoro o

(Eu só quero te proteger, inclusive na solidão, seu coração abalado pela tristeza)

itsu no hi mo
(Pelo resto dos meus dias)

Enquanto Sakura mantinha-se concentrada em sua música, três olhares emocionados direcionavam-se para si. Touya e Tomoyo estavam felizes por escutarem, depois de tanto tempo, a jovem cantar especialmente para eles. Já Syaoran, que nunca a ouvira, estava surpreso pelo talento da cantora. Sua voz doce parecia penetrar em seus poros, infiltrando uma sensação de bem-estar em seu corpo... E tranquilidade na alma.

Tomoyo aproveitou-se da distração do chinês para falar com o Kinomoto. Aproximou-se do homem, cochichando-lhe no ouvido: - Eu sei que você está com o Li, Touya. – O moreno virou-se para ela, franzindo o cenho. – Não se preocupe, vou guardar segredo. – Apressou-se em dizer. - Mas você não acha que deveria contar para Sakura? Eu temo que...

- Eu não quero que ela saiba agora. – sussurrou em resposta, com os olhos amendoados presos na irmã. – Meu relacionamento com o Syaoran não será passageiro como os outros... Vou esperar o momento certo para contar a ela.

Daidouji assentiu, mas com um peso em seu coração. Pois tudo lhe indicava que Sakura poderia sair magoada daquela história.

boku ga chikau subete subete o kakete boku wa ushinatte yuku

(Eu juro por tudo, eu arriscaria tudo, eu perderia tudo)

itoshii hito kimi o omoi kimi to tomo ni ikiteku yo
(Por aquele que amo, para pensar em você, para viver junto de você)


Os corpos se atritavam com cada vez mais intensidade, as peles quentes se roçando sensualmente. Yukito ofegava palavras desconexas, enquanto sentia em êxtase o amante se movimentar avidamente em seu interior. O loiro segurava-o pela cintura, enquanto deliciava-se com a fricção de seus mamilos rijos contra as costas do menor.

Jean beijou-lhe o pescoço, dançando com a língua indecentemente pela pele exposta. Sem agressividade, segurou nos cabelos prateados, forçando o rosto do Tsukishiro a virar para o lado. Viu os lábios abrirem em um sussurro sôfrego, suplicando-lhe que investisse mais forte. Admirou a face rosada pelo prazer e as gotas de suor que escorriam pelas bochechas, antes de tomar-lhe a boca com ânsia. A língua de Yuki dançava junto a sua, chupando-a vigorosamente em intervalos.

- Yukito... – murmurou abafadamente sobre os lábios dele, direcionando mão que circulava sua cintura até o tórax do outro.

Queria sentir o coração descompassado do menor, assim como sentia o seu bater loucamente contra o peito. Bater desesperadamente por causa dele. E por ele.

yasashi sugiru bokura wa KOWAGARI

(Suavidade passada, nós somos ambos covardes)
hontou no kimochi jouzu ni ienakattari

(Embora eu não esteja pronto para dizer sobre meus verdadeiros sentimentos)
waza to ooki na koto o itte mitari

(Eu posso falar de grandes coisas e trabalhos)
sore demo mou daijoubu mitasareta kara
(Contudo, está tudo bem... eu estou me sentindo completo)

aishiau bokutachi wa tsuyoi kaze no naka hanarete mo

(Nós dois, apaixonados, podemos ser separados por um temporal)
aishiau bokutachi wa itsumo soba ni iru inori no naka de zutto
(Nós dois, apaixonados, sempre estaremos um ao lado do outro, dentro de nossas orações)

Incitado pelas batidas desordenadas do companheiro, e intimamente em ganas de proporcionar mais prazer àquele homem como se sua vida dependesse daquilo, Dardeno aumentou o ritmo de seus movimentos, manipulando o falo do motorista na mesma harmonia. E quando ambos chegaram ao seu limite, trocaram mais um beijo, compartilhando naquela valsa lânguida todos os sentimentos que estavam à flor da pele no pós-sexo. E que continuariam cravados neles por muito tempo.

Yukito enroscou-se nos lençóis do francês, sentido ser puxado contra o peito robusto deste. Ambos permaneceram em silêncios, perdidos em seus próprios pensamentos e sensações. Se Tsukishiro erguesse um pouco seu queixo, veria o sorriso bobo que estampava os lábios de Jean. E se este abaixasse sua face, veria o mesmo sorriso brincando nos lábios do companheiro.

Yuki não tinha menor ideia de como seriam as coisas dali em diante. Apenas tinha certeza de não se preocupar mais com o retorno de Dardeno para Tóquio. Estava feliz por ter a segurança dele de volta.

mamoritai tada anata dake o sono egao kagayaku hibi o

(Eu só quero proteger, os dias quando sua face brilhou, enquanto sorria)
mamoritai kodoku ni kakomare kanashimi ni yureru kokoro o

(Eu só quero te proteger, inclusive na solidão, seu coração abalado pela tristeza)
wasurenai kaze ya kigi o ano hi mita yuuyake sora o

(Eu não esquecerei o vento e as árvores, o céu ardente)
wasurenai daisuki na uta nandomo yonda ehon no hyoushi
(Eu não me esquecerei da sua canção favorita, a capa do livro de pintura que eu li muitas vezes)

mamoritai tada anata dake o sono egao kagayaku hibi o

(Eu só quero proteger, os dias quando sua face brilhou, enquanto sorria)
mamoritai kodoku ni kakomare kanashimi ni yureru kokoro o

(Eu só quero te proteger, inclusive na solidão, seu coração abalado pela tristeza)
wasurenai kono takai sora o aoi umi natsu no hizashi

(Eu não me esquecerei daquele céu alto, o oceano azul, a luz do sol de verão)
wasurenai anata to kawashita kotoba sae nanimo kamo

(Eu não me esquecerei das palavras que nós trocamos. Eu não me esquecerei de nada)

tsukanoma no niji...

(Um arco-íris passageiro...)
kitto kimi e no kakehashi naru darou

(Talvez se torne uma ponte que me leverá até você)


Um mês havia se passado sem que se percebesse.

Tomoyo havia respeitado o pedido de Touya, não comentando nada sobre o relacionamento entre o moreno e o chinês. E, ao que tudo indicava, Sakura ainda não desconfiava de nada. As jovens quase não haviam se visto desde o jantar na casa dos Kinomoto, a cantora ocupada com o trabalho de seiyuu e Daidouji empenhando-se na sua nova coleção de outono-inverno.

Yukito andava esgueirando-se entre seu trabalho e os convites de Jean. Conhecendo a desavença do amante e Touya, ele optara por omitir a volta do francês. Era preferível manter encontros escondidos e poupar novos problemas para os três.

O empresário não dera muita atenção as escapadas de seu motorista e também acreditava em todas as desculpas que ele lhe contava. Touya permanecia demasiado ocupado com a proximidade do lançamento do novo jogo para realmente notar algo. A produção do RPG estava tomando muito tempo dos funcionários da empresa, dificultando até mesmo os encontros entre o presidente e seu diretor de marketing.

Syaoran quase não parava em sua sala, correndo para reuniões com os outros departamentos e assessorando os personagens públicos daquele projeto: os seiyuu. Seu tempo na companhia de Touya havia encurtado consideravelmente, mas por outro lado a presença de Sakura estava sendo constante. A jovem vivia expondo-lhe as dúvidas ou reclamando de coisas banais que vivenciava no workshop de pré-produção. Li ouvira pacientemente, e as vezes com interesse, os acontecimentos dos exatos trinta dias de preparação da cantora.

E foi no término deste ciclo que Sakura teve uma ideia 'revolucionária', com finalidade de comemorar o início das dublagens do jogo: uma reuniãozinha amigável entre os diretores, produtores, seiyuu engajados no projeto do RPG e, é claro, o presidente da empresa. A jovem fez questão de chamar cada um dos convidados pessoalmente. E o último deles, ao ser intimado, desesperou-se.

- Mariko-san, por favor, peça ao Tsukishiro-san que compareça em minha sala imediatamente. – Syaoran bateu o telefone no gancho, ainda atordoado.

A Kinomoto caçula havia acabado de passar por sua sala, convidando-o para uma festinha particular para os funcionários da empresa. Uma boa ideia, fora o que ele pensara. Afinal poderia ter um tempo para relaxar com os amigos e até mesmo com Touya. Mas como coisas boas não vinham fáceis...

Yukito demorou pelo menos vinte minutos para aparecer na sala de Li. Esbaforido, abriu a porta dando de cara com um chinês revirando seus fios de cabelos.

- Li-san... Você... – o mencionado ergueu a face, reparando na expressão aturdida do companheiro.

- E você, ficou sabendo? – revidou, enquanto o mais velho sentava-se em sua frente.

- Sim... Acabei de saber pelo Shigure, do departamento de criação. – Yuki soltou o ar com força de seus pulmões, tentando raciocinar com calma. – Como Sakura pode pensar em dar uma festa no Konpeitou's Bar?

- Touya... – Syaoran murmurou, temendo a reação do moreno assim que recebesse seu convite.


Escrever a cena semi-lemon com o Yukito foi uma experiência deliciosa. Cara, imaginar o Yuki todo meiguinho como no anime, protagonizando cenas como aquela é lindo! *q*

ASHAUHSUAHSUAHSUA A Tomoyo-chan foi má com o Touya /hoho

Curtiram a música? Eu amo Maaya Sakamoto. Conheci ela graças aos animes CCS e Tsubasa. A pouco tempo andei pensando se vocês imaginam da onde surgiu o título da fanfic. Ele foi inspirado em uma música do OST de Card Captors Sakura, "Kimi ga Ita Scene", o tema do personagem Touya, que é interpretado pelo próprio seiyuu do person. É uma musica muito gostosinha de se ouvir.

Eu considero que os próximos dois capítulos da fanfiction são os primeiros passos para o desenrolar dos casais no enredo. E o início de uma outra fase.