Doces sonhos parte II
- Voltei de onde, Sawyer?- indagou Jack sem entender. – O que aconteceu? Cadê a Kate?
Sawyer franziu as sobrancelhas:
- Então você não se lembra de nada, doutor?
Jack tentou se mexer, até que notou o tubo preso à sua mão, por onde vinha o sangue que estava sendo doado por Sawyer.
- Você levou um tiro daquele tal de Picket quando estávamos fugindo da outra ilha.
Ao ouvir as palavras de Sawyer, um filme começou a passar diante dos olhos de Jack, e ele viu a si mesmo avistando Kate montada num cavalo, e de repente sentiu muito medo de que ela levasse um tiro em meio ao confronto com os Outros e por estar distraído acabou ele mesmo levando um tiro.
- Sim, eu me lembro. Mas o quê...?
- Juliet nos ajudou a escapar como havia prometido, depois retirou a bala do seu corpo, só que você perdeu muito sangue e por isso precisou de uma transfusão, ironicamente, temos o mesmo tipo sanguíneo.
O médico pôs-se a observar o tubo de sangue, surpreso por Sawyer estar fazendo aquilo por ele, e realmente não soube o que responder. Sawyer ergueu uma sobrancelha, notando o que se passava pela cabeça de Jack, e gracejou:
- Deixa eu te ajudar com isso doutor, basta você dizer uma palavrinha que começa com O e termina com O.
Jack sorriu, e disse:
- Obrigado, Sawyer.
- Viu, não foi tão difícil assim, hã?
- E a Kate, onde ela está?
- Eu a levei pra minha barraca logo que chegamos no acampamento.
- E como conseguimos voltar?
- È uma longa história sangrenta, doutor, não vai querer ouvi-la agora. Mas te digo uma coisa, Juliet foi de grande ajuda em nossa fuga!
- E onde ela está agora?
- Foi dar uma olhada na Kate.
- Ela está bem? Aconteceu alguma coisa com ela?- indagou Jack tentando se levantar da cama.
- Ela está bem doc, não se preocupe!- afirmou Sawyer. – Te asseguro que Kate será sua menor preocupação quando se recuperar.
- Por que diz isso?
- Porque quando chegamos aqui encontramos o acampamento de cabeça pra baixo, parece que foi atacado por um grupo de desconhecidos que nada tinham a ver com o povo da Dharma.
Jack arregalou os olhos:
- Mas e aí? Todos estão bem? Tivemos alguma baixa?
- Não sei ao certo, ainda não tive tempo de falar com o hobbit e saber das fofocas, só sei que o Capitão Falafel e sua fiel escudeira, Moonbeach, estão tentando botar a casa em ordem.
- Sayid e Libby?
- Yeah!- confirmou Sawyer.
Foi nesse momento, que Jack lembrou-se que Kate ficara responsável pelo bebê James, e quando a viu na praia ela não estava com ele. Indagou a Sawyer:
- E o seu filho? Ele está bem?
O semblante de Sawyer assumiu um ar sombrio:
- Eu não sei Jack, Kate me disse que aquele desgraçado do Benry levou o garoto. Mas não importa, eu vou encontrá-lo, custe o que custar!
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- Como estão as coisas no acampamento, Sun?- perguntou Kate a coreana quando esta apareceu na barraca de Sawyer para lhe fazer companhia.
- Estranhas!- Sun respondeu com um sorriso triste. Trazia Jung ao colo. – È muito bom ver você, amiga.
Kate sorriu e estendeu sua mão para ela, que a segurou e a apertou num gesto de carinho.
- Eu também, Sun. Passamos maus bocados na outra ilha.
- Então existe mesmo outra ilha?
- Sim.- respondeu Kate.- Fomos aprisionados, ficamos em jaulas, foi terrível, achei que nunca fosse conseguir escapar.
- E a Ana-Lucia? Ela foi a única que não voltou.
- Nos disseram que está morta, mas o Sawyer não acredita nisso.- Kate fez uma expressão triste. – Eu me sinto culpada, Sun. Ana deu à luz durante nossa busca pelo Sawyer, um lindo menino.
- Eu sei, Locke nos contou.- disse Sun.
- Ela foi capturada assim como nós, mas Sawyer conseguiu seu filho de volta e o deixou sob os meus cuidados, mas aquele homem, Henry Gale ou Ben sei lá o quê conseguiu tirar ele de mim e agora me sinto culpada por não ter conseguido conservá-lo junto comigo, e a Ana...- Kate deixou escapar uma lágrima. – Durante o parto, que foi muito, muito difícil, me pediu para tomar conta dele se algo acontecesse com ela e não pude cumprir minha promessa.
- Kate!- falou Sun com a voz doce. – Não foi sua culpa!
- O que não foi culpa da Kate?- perguntou Juliet chegando à barraca de Sawyer.
Kate fechou a cara para ela, não conseguia gostar de Juliet, algo a fazia odiá-la e não era só o fato de ela ter feito parte do grupo dos Outros. Sun ignorou a pergunta de Juliet, e ficou em silêncio encarando a loira, assim como Kate.
- Tudo bem se não querem me contar, sei que não confia em mim Kate, mas nesse momento vai ter que confiar, como médica. Vim examinar você para ver se está tudo bem com o bebê.
- Você é médica?- indagou Sun a Juliet.
- Sou sim, obstetra e especialista em fertilidade humana.- esclareceu Juliet. – E se a Kate quiser levar sua gravidez até o fim vai ter que aprender a confiar em mim!
- Muito fácil me pedir pra confiar em você depois de tudo o que me fez!- disse Kate, contrariada.
- E o que foi que eu te fiz Kate?- perguntou Juliet. – Apenas cuidei de você, fiz exames, te alimentei...
- Foi!- Kate confirmou. – Presa num quarto, sem notícias de Jack e Sawyer. E o que aconteceu com a Ana, hein? Vocês a mataram.
- Sawyer não acredita que ela esteja morta.- afirmou Juliet. – Além disso, eu não sou a bandida.
- Se não é a bandida, mocinha é que também não é!- bradou Kate. – Ai, ai!- reclamou, sentindo uma pontada de dor aguda no ventre.
- Já chega, Kate!- ralhou Juliet, como médica. – Se exaltar não faz bem pra você, eu avisei, você vai acabar abortando.
Lágrimas escaparam pelos olhos verdes de Kate: - Você não está nem aí pra mim né? Só quer roubar o meu filho. Foi por isso que você veio, pra garantir que ele nasça e você possa levá-lo. Mas preste bem atenção ao que vou te dizer: - Não vai levar o meu filho! Jamais!
- Acalme-se Kate, por favor!- pediu Juliet, fazendo um gesto para que ela ficasse deitada.
Sun também se preocupou: - Kate, eu acho melhor ouvi-la, você não me parece bem. Muito à contragosto, Kate calou-se e deixou que Juliet a examinasse.
- Você precisa comer algo substancial, um caldo quente seria bom!- disse Juliet assim que acabou de examiná-la. – Precisa também de medicamentos para evitar o aborto e de vitaminas.- ela dizia muito pacientemente.
- Ótimo, vou pedir a alguém que passe na farmácia mais próxima!- ironizou Kate.
- Não precisa.- respondeu Juliet, sem perder a paciência. – Eu mesma irei, apenas pedirei a alguém que me acompanhe. Vamos mesmo precisar de vários tipos de remédios, antibióticos pro Jack e outras coisas, há muitos feridos no acampamento.
Juliet voltou-se para Sun:
- Você é a Sun, certo?
- Sim.- respondeu Sun, embalando o pequeno Jung, que chorava querendo mamar.
- Sun, por favor, pode pedir a alguém pra preparar um caldo de legumes para servir aos feridos. Depois da transfusão, Jack e Sawyer vão precisar comer, e a Kate precisa também, o quanto antes.
- Está certo.- concordou Sun. – Volto logo Kate.
- O Jack já está fazendo a transfusão?- perguntou Kate, aflita.
- Está sim, mas não se preocupe, ele vai ficar bem. Agora, se me der licença vou chamar alguém para me acompanhar até onde estão os remédios.
- Você sabe onde existe um depósito secreto de remédios por aqui?- questionou Kate, ainda irônica.
- Na verdade sei.- respondeu Juliet, triunfante.
E dizendo isso, ela afastou-se até onde estavam Sayid, Locke e Desmond, os dois últimos haviam acabado de chegar à praia. Libby cuidava dos feridos, próximos a eles.
- Posso falar com vocês um minuto?- Juliet pediu.
- È claro.- respondeu Sayid pelos três, olhava para Juliet com um ar desconfiado.
- Tem um lugar na floresta, onde podemos conseguir comida, roupas, cobertores e principalmente remédios.
- E onde exatamente fica esse lugar?- questionou Sayid.
- Não muito longe daqui, eu preciso que uma ou mais pessoas me acompanhem até lá para me ajudar a trazer as coisas.
- Certo. E como vamos saber que isso não é uma armadilha? Afinal, você é um Deles!
- Eu estou sozinha aqui Sayid, não tive nada a ver com as pessoas que atacaram seu acampamento.
- Mas sabe quem são as pessoas que nos atacaram.- falou Desmond, que ainda não se pronunciara.
Sayid completou:
- E como espera que eu confie em você depois de ter tentado me matar na outra ilha, ou acha que esqueci nosso confronto?
- Sayid!- interviu Locke. – Algo me diz que ela está dizendo a verdade, precisamos mesmo do remédio. Vamos com ela até a floresta.
- Sim, os remédios estão na gruta.- disse Desmond.
Juliet ergueu uma sobrancelha, e disse: - Foi o Kelvin quem te contou isso, não foi Desmond?
- Mais ou menos.- respondeu o escocês.
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(Flashback)
- Do pó viemos e ao pó retornaremos, dizem as sagradas escrituras.- falava o Padre, diante do túmulo de Gertie, a governanta. Ela morrera tropeçando da escada da mansão Widmore, na queda, quebrara o pescoço.
Uma multidão de pessoas vestidas de negro rodeava o caixão, que logo seria afundado na terra. Gertie era muito querida, e além dos empregados, estavam presentes no funeral, os Widmore. Penélope não estava ao lado de Desmond, mas trocava olhares pesarosos com ele a todo minuto. Depois que o caixão foi coberto de terra, ela deu um jeito de escapulir e encontrar o amado. Atrás de uma árvore do cemitério, eles conversaram brevemente:
- Como você sabia que a Gertie ia morrer?- indagou Penny, assustada.
- Eu não sei Penny.- ele respondeu. – Essas visões aparecem assim sem que eu possa controlá-las, eu vi a Gertie caindo da escada.
- Isso me dá medo!
- Você tem medo de mim, my love?
- De você não Des, medo dessas suas visões porque não consigo entendê-las.
- Eu sei.- ele disse, abraçando-a.
- O que você pretende fazer agora? Sabe que meu pai anda desconfiado de nós dois e vai despedi-lo!
- Eu vou embora Penny, começar minha vida. Vou pra Londres.
- O quê? E você vai me deixar?- ela indagou com lágrimas nos olhos.
- Não my love, vou pra lá preparar tudo e quando você puder venha ao meu encontro. Eu te amo.
Beijaram-se rapidamente, pois Charles Widmore já procurava pela filha em todos os cantos do cemitério.
- Preciso ir.- ela disse. – Por favor, não vá embora sem se despedir de mim.
- Não Penny, eu não irei.
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(Fim do Flashback)
- E onde será que está a Dra. Frankstein?.- falou Sawyer revirando os olhos, estava sentindo uma enorme fraqueza no corpo.
Jack ouvia o que ele dizia, mas era como se a capacidade de compreendê-lo diminuísse a cada segundo que passava, estava incrivelmente exausto. Porém, o sangue que estava sendo drenado das veias de Sawyer o estava mantendo vivo, e com os remédios certos ele logo estaria bem. Mas mesmo assim, uma transfusão de sangue feita naquelas condições precárias não era nada fácil.
Juliet retornou à barraca onde eles estavam, Sayid e Locke ficaram esperando por ela do lado de fora, Desmond se juntaria ao grupo depois, estava arrumando suas coisas. Aproximou-se de Jack e tocou levemente sua testa. Ao sentir o toque das mãos dela, Jack abriu os olhos, sua visão estava meio borrada, mas conseguiu discernir o rosto de Juliet diante de si e mesmo com toda a confusão mental e o cansaço, ainda teve forças para perguntar:
- Cadê a Kate?
- Outra vez a mesma melodia, Jack?- gracejou Juliet, medindo-lhe o pulso.
- Eu quero saber onde ela está!- Jack insistiu com a voz meio grogue.
- Loira, é melhor você dizer onde e como ela está, ou então essa transfusão não vai adiantar de nada, e é capaz de o doutor arrancar a agulha do braço e sair correndo daqui!- disse Sawyer.
Dessa vez Juliet não sorriu, o comentário de Sawyer sobre a intensa afeição de Jack por Kate de alguma forma incomodou-a, mas ela manteve sua postura de médica e pelo bem do paciente, respondeu:
- Kate vai ficar bem, só precisa de alguns medicamentos, assim como você. Eu vou até um lugar na floresta onde sei que encontrarei esses remédios e outras coisas úteis. Sayid, Locke e Desmond irão me acompanhar.
- Escondendo uma loja de conveniência em plena floresta, Farrah Fawcet?- questionou Sawyer.
- Ter uma loja de conveniências por aqui seria muito vantajoso pra você, não é?- rebateu Juliet tirando a agulha do braço de Jack, finalizando a transfusão. Em seguida ela fez o mesmo com Sawyer.
- Já terminou? Pôxa, agora que eu estava começando a me divertir!
Juliet não ligou para o comentário fora de hora dele e pôs-se a recolher o material e a estancar o sangue do braço de Jack com um paninho. Entregou um pedaço a Sawyer para que ele fizesse o mesmo. Sawyer, porém, mal terminou de estancar o sangue de seu braço e já estava levantando. Juliet o alertou:
- Sawyer, não pode levantar assim, vai acabar desmaiando, precisar repousar e se alimentar.
- Eu estou bem.- respondeu ele. – Vou pra minha barraca.
Mas ele não deu nem dois passos e caiu desmaiado no chão. Juliet balançou a cabeça negativamente.
- Eu avisei! Por que você é tão teimoso?
Ao verem Sawyer desmaiado, Sayid e Locke correram para ver o que estava acontecendo.
- O que houve?- indagou o iraquiano a Juliet.
- Nada demais, ele está muito fraco porque acabou de doar uma grande quantidade de sangue, não deveria ter se levantado. Andem, me ajudem a colocá-lo de volta na cama.- Juliet pediu.
Eles começaram a ajudá-la, Locke perguntou: - E o Jack, ele está bem?
- Sim, mas precisamos ir logo buscar os remédios.
- E quanto ao Sawyer?- perguntou Sayid.
- Ele só precisa de repouso e um bom prato de comida, ficará bem!
- Então é melhor irmos!- disse Locke, travando e destravando sua espingarda.
Quando eles já estavam se dirigindo para a selva, Desmond veio correndo na direção deles com sua mochila na costa: - Esperem por mim, brothas!
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(Flashback)
Trilha sonora: Sweet Dreams/Eurorhytms
Era tarde da noite, Desmond já estava dirigindo há horas pela estrada, ansioso por rever Penélope. Já estava a muitos anos em Londres, e nunca mais a vira, desde que se despediram no enterro de Gertie. Ele tentou se aproximar dela depois que inevitavelmente Charles Widmore o despediu dos serviços de motorista da mansão, mas não conseguiu, o milionário fez de tudo para que não se reencontrassem. No entanto, os anos passaram, Penélope terminou a faculdade de História da Arte na Escócia e resolveu ir à Inglaterra atrás de Desmond, o pai já não tinha tanta influência sobre ela. Marcaram de se encontrar na cidadezinha de Liverpool, lar dos Beatles, para matar a saudade e desfrutar de todo o amor que ainda nutriam um pelo outro apesar dos anos e da distância.
Desmond transbordava de felicidade, e nem mesmo a chuva torrencial que caía aquela noite conseguira lhe impedir de viajar. Imprudente devido à ânsia de rever sua amada, ele dirigia a mais de 100 por hora. O rádio do carro tocava uma antiga canção dançante da banda Eurorhytmics, que falava sobre realizar ou não sonhos, das pessoas que se interpõem em nosso caminho ao longo da vida com a única finalidade de nos arrasar, de destruir nossos planos. Desmond gostava daquela canção porque sentia que apesar de tudo o que Charles Widmore fizera para destruir seu relacionamento com Penny, ele não conseguira.
O asfalto estava muito molhado e o carro derrapava levemente entre uma curva e outra da estrada. De repente, um estranho e inexplicável fenômeno ocorreu. O relógio digital no visor do aparelho de som do carro disparou, as horas iam e voltavam. Desmond sentiu uma estranha vertigem, e perdeu o controle do volante do carro. A música continuava tocando, mas não era mais a voz de Annie Lennox, sua voz havia sido substituída pela voz sussurrante e aterrorizadora voz de Marylin Manson, interpretando a mesma canção.
Trilha sonora: Sweet Dreams/ Marylin Manson.
" Sweet dreams I made of this, who am I to desagree? I travel the world(…) everybody loooking for something…"
- Não!- gritou Desmond. – Eu preciso chegar até a Penny, preciso vê-la! Preciso vê-la!
Uma voz que ele nunca ouvira ecoava em sua cabeça, abafando o ruído da canção: - Thankyou, Namaste and Good Luck!
- Mas o que está acontecendo?
O carro deu de frente com uma cerca, havia saído completamente da estrada. Tudo aconteceu muito rápido, Desmond não entendeu nada. Olhou para o relógio do carro, o tempo marcava oito minutos adiante. Assustado, ele olhou para seu relógio de pulso, estava oito minutos adiantado também. Aquilo era impossível, jamais poderia ter perdido oito minutos, aqueles estranhos acontecimentos não ocorreram em oito minutos. Levou as mãos à cabeça e elas se encharcaram de sangue. Forçou a porta do carro e conseguiu sair. Caminhou ensangüentado por cerca de três minutos, até que um carro parou e um jovem rapaz desceu para ajudá-lo.
- Hey, cara, o que aconteceu? Você sofreu um acidente?- indagou o jovem de olhos azuis muito vivos, segurando no braço de Desmond.
- Eu perdi oito minutos! Então é verdade!- balbuciou Desmond, quase desmaiando.
- Calma cara, você deve ter batido a cabeça com muita força. Eu vou te levar pro hospital.
- Como é o seu nome?- perguntou Desmond, de olhos fechados.
- Boone!- respondeu o rapaz, arrastando Desmond com dificuldade para dentro de seu carro.
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(Fim do Flashback)
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- Kate, eu acho que isso não é uma boa idéia! Aquela mulher disse que você deveria ficar deitada até ela voltar!- dizia Sun, apoiando Kate com seu braço enquanto as duas caminhavam em direção a barraca onde estava Jack.
- Eu não ligo pro aquela mulher diz, Sun, eu quero ficar com o Jack.
Jin havia ficado com Jung para que Sun pudesse ajudar Kate a chegar até a barraca. Elas finalmente chegaram. Kate soltou o braço de Sun e sorriu em agradecimento, entrando na barraca. Sawyer ainda não havia acordado, dormia profundamente. Jack, ao contrário dele, estava acordado e quando viu Kate, seu rosto pálido iluminou-se num terno sorriso.
- Kate...
- Jack!- ela respondeu, deitando-se ao lado dele e o abraçando.
Jack tocou seu rosto com as pontas dos dedos e fechou os olhos, dessa vez conseguiria dormir. Kate fechou os olhos também, e se permitiu descansar ao lado dele.
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- Não fica muito longe daqui, chegaremos logo!- disse Juliet à frente do grupo na floresta.
Sayid e Locke haviam acendido tochas para iluminar o caminho, já estava totalmente escuro. De repente, um rugido alto tomou o grupo de susto, apenas Juliet permaneceu muito calma.
- O que foi isso, brothas?- questionou Desmond engatilhando sua arma.
- Parece um urso polar!- afirmou Locke, já muito familiarizado com esse tipo de bicho.
- Não parece, é um urso polar!- confirmou Juliet, engatilhando a pistola. – Fiquem alertas, essa região é cheia deles!
O grupo todo se colocou em posição de alerta ao ouvir o aviso de Juliet, mas nenhum urso polar apareceu diante deles. Depois de alguns minutos, os rugidos cessaram. Juliet então fez um sinal para que prosseguissem.
Caminharam pela mata fechada e enlameada por causa da recente tempestade por cerca de uma hora e meia, Sayid já ia perguntar a ela se não os estava arrastando para uma armadilha quando ela parou sem nenhum aviso e disse:
- Chegamos!
Os homens se entreolharam sem entender. Locke foi o primeiro a falar:
- Mas aqui não tem nada!
- E não é você quem gosta de passagens secretas, John?- ela ironizou caminhando em direção à abertura estreita de uma caverna.
Sayid a seguiu com sua arma devidamente posicionada. Desmond o acompanhou e Locke veio logo atrás, desconfiado. Juliet passou pela abertura apertada sem nenhum problema, já que seu corpo era muito esguio, Sayid teve mais dificuldades, assim como Desmond, Locke demorou mais de dois minutos, mas conseguiu entrar sem se arranhar na parede de pedra.
Seus olhos azuis brilharam de fascínio ao vislumbrar a caverna por dentro, era magnífica, iluminada por uma luz que emanava de um lago límpido entranhado na rocha. Desmond sorriu: - È mais bonito do que eu imaginava!
- Você sabia que encontraríamos essa caverna?- perguntou Locke.
Desmond deu de ombros. Locke estava cada vez mais intrigado com o excesso de sabedoria de Desmond em relação ao que ia acontecer. Sayid observava a caverna com curiosidade, mas ainda não estava convencido:
- E então, onde estão as provisões e os remédios?- indagou. – Ou você só nos trouxe até aqui para apreciarmos essa bela caverna.
- Seus amigos já estiveram aqui antes.- ela disse.
- Quem?- perguntou Locke.
- Jack, Kate, Sawyer e Ana-Lucia. Mas eles não faziam a menor idéia de que estavam em uma das estações da Dharma Initiative.- Juliet respondeu se aproximando da parede onde estavam entalhados na pedra os símbolos digitados no computador da estação "Cisne". Espalmou sua mão sobre os entalhes e uma pesada porta de pedra se abriu para o lado, como aquelas passagens secretas dos filmes de Indiana Jones.
Locke deu um sorriso satisfeito, adorava essas descobertas.
- Esta estação é conhecida como "A caverna", foi desativada há meses, mas ainda contém remédios e provisões que poderemos usar no acampamento. Sigam-me.
Os três entraram logo atrás dela, ansiosos para ver o que havia naquela estação. Era muito menor que o Cisne, se parecia mais à Estação Pérola, com uma sala de monitores de vídeo com poltronas e um banheiro. Sua única exceção em relação à Estação Pérola era a existência de uma pequena cozinha onde havia um armário de remédios e um depósito de suprimentos.
Sayid pôs-se a mexer nos controles dos monitores de vídeo. Juliet balançou a cabeça negativamente:
- Se acha que algum desses computadores pode conseguir comunicação com o mundo exterior está muito enganado. Eles só servem para monitorar acontecimentos dentro dessa caverna. Essa estação era utilizada como observatório do comportamento dos ursos polares, nada mais.
O iraquiano fez sua expressão incrédula:
- Você não me convence! Tenho certeza que sabe de algo! Pra mim você não passa de uma espiã dos Outros infiltrada em nosso acampamento.
Juliet deu de ombros:
- Pense o que quiser, Sayid. Mas se eu detivesse tanto conhecimento assim acerca das coisas, eu não estaria mais aqui nesta ilha! Querem ou não os remédios? O Jack pode morrer se não os levarmos!
- Brothas, é melhor completarmos nossa missão e voltarmos logo para o acampamento porque não estou a fim de topar com nenhum urso polar na volta.- falou Desmond, quebrando a tensão que se estabelecera entre Sayid e Juliet.
Sayid não disse mais nada e eles começaram a encher suas mochilas com os remédios, alimentos e outras coisas que levariam para o acampamento.
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- Jack, você quer mesmo fazer isso agora? Ainda está tão fraco!- disse Kate diante da tentativa do médico de ficar de pé e ir ao funeral dos que haviam morrido na batalha da tempestade.
- Sim Kate, eu preciso fazer isso! Mas só vou conseguir se você estiver do meu lado!
- È claro que vou estar!- ela respondeu. – Sawyer!
O texano apareceu na porta da barraca, com um ar mais lívido depois de tomar o poderoso caldo de legumes preparado pela Sra. Lewis.
- Já está pronto, doc? Seu povo te chama!
Jack assentiu com a cabeça e apoiou-se em Sawyer e Kate, saindo da barraca. Lá fora, as pessoas aguardavam ansiosamente por seu discurso, era nas palavras dele que encontravam conforto e segurança diante das dificuldades. E foi assim, apoiado em seus dois pilares, sua mulher e seu melhor amigo, que Jack Shephard fez mais um de seus pronunciamentos na ilha:
- Eu estive um bom tempo fora daqui, mas agora, graças ao empenho de pessoas como Sayid Jarrah, John Locke, Mr. Eko entre outros, estou de volta para levar essa comunidade adiante com a ajuda de vocês!- ele sentiu um pouco de falta de ar e parou de falar por alguns momentos. Kate preocupou-se.
- Jack?
- Eu estou bem.- ele respondeu, dando prosseguimento ao seu discurso. – Perdemos quatro dos nossos hoje, numa batalha para defender o nosso acampamento, da qual saímos vitoriosos. Portanto não vamos tomar a morte dessas pessoas como uma simples perda, porque eles morreram defendendo a nossa liberdade e conseguiram. Harry Carlton, Eric Medina, Kyle Burrows e Violet Bourboun. Lembremos sempre desses nomes como símbolos de pessoas que viveram conosco, contribuíram para a formação da nossa sociedade e lutaram ao nosso lado por nossas vidas. Não nos esqueçamos deles!
As pessoas começaram a aplaudir Jack, com lágrimas nos olhos, lamentando imensamente a perda de seus entes queridos.
- E para nós, que sobrevivemos a mais essa batalha, só nos resta seguir em frente e tentar viver a vida da melhor forma possível. Duas mulheres do nosso grupo estão desaparecidas, infelizmente, Ana-Lucia Cortez que ainda está em poder dos nossos inimigos e Cristina Macphee que desapareceu após a explosão da escotilha, esperemos que elas estejam bem e que um dia voltem para o seio de nossa comunidade.
Todos aplaudiram mais uma vez. Jack, no entanto, não agüentava mais ficar de pé e fazendo uma breve reverência aos seus súditos recolheu-se a sua barraca. Porém, antes que estivesse lá dentro ouviu as pessoas aplaudindo e gritando seu nome. Sawyer não resistiu em fazer um de seus comentários:
- È doutor, parece que eu vou ter de arranjar um bom comitê eleitoral se quiser vencer você nas próximas eleições.
Jack deu um sorriso, e disse, muito cansado:
- Eu preciso dormir e muito!
- Sim, meu amor. E eu vou ficar aqui cuidando de você.- falou Kate, ajudando-o a se deitar.
- Bom, e eu vou pra minha barraca fazer o mesmo "Oh, grande líder"!- gracejou Sawyer, e saiu da barraca de Jack se dirigindo para sua própria.
Uma garota o acompanhava com os olhos, sentia muito pesar por ele, imaginava o quanto estaria triste porque não conseguira trazer Ana-Lucia de volta com ele.
- Sawyer!- chamou.
- O que você quer cigana? Não estou a fim de fazer leitura de mão hoje!
- Não quero ler a sua mão, Sawyer.- ela retrucou, piscando os belos olhos amendoados para ele. – Não precisaria lê-la para saber o quanto você está triste, eu só queria dizer que sinto muito por tudo o que está acontecendo com você e queria te dizer que vejo uma grande alegria no seu futuro muito em breve.
- Amanda, nas poucas vezes em que conversei com você nesse acampamento, eu te disse que não acredito nessa bobagem toda de ocultismo porque se você fosse uma vidente de verdade teria previsto pelo menos metade das desgraças que assolaram nosso acampamento.
- Não se trata de prever como um computador, tudo depende da energia kármica do momento.
Sawyer balançou a cabeça negativamente e falou, continuando seu caminho para sua barraca:
- Boa noite, cigana, preciso repor as baterias da minha energia kármica.
Ela deu um sorriso resignado e falou consigo mesma: - Posso não ser uma vidente com grandes previsões, mas existe alguém nessa ilha capaz de governar o mundo com seu dom e é por causa dele que todos estamos aqui!
- Amanda!- chamou Andrew, seu marido, à porta da barraca deles. Estava com o braço numa tipóia como resultado do confronto daquela tarde.
- Eu já estou indo!- ela respondeu.
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Hurley adentrou a barraca que dividia com Libby ostentando um semblante muito sério, precisava ter uma conversa definitiva com ela sobre algumas dúvidas que vinham lhe atormentando algum tempo. Se deu conta de que não sabia absolutamente nada sobre a mulher com quem vivia, enquanto que ela sabia praticamente tudo a respeito dele. Iria resolver isso e seria agora.
- Libby!
Ela levantou o rosto para ele assim que o ouviu chamá-la na escuridão da barraca.
- Eu tenho coisas muito importantes para te perguntar!
- E eu tenho uma coisa muito importante para te dizer!- ela reiterou.
- Então tá, fala primeiro.- Hurley assentiu.
Libby respirou fundo, e despejou: - Hugo, eu estou grávida!
- Dude!- foi a última coisa que Hurley disse antes de seu corpo bater ao chão com um estrondo. Ele havia desmaiado.
LOST
Continua no próximo episódio
