Lily podia ver o destino deles algumas quadras adiante, erguendo-se alto e magistral sobre a linha do horizonte, embora o prédio não fosse tão alto quanto o Centrepoint Tower. Mas o Majestic também era imponente, uma estrutura de concreto e vidro muito moderna, tanto em arquitetura quanto em construção.
Ela não podia imaginar porque os proprietários do hotel tinham precisado trocar a mobília dos quartos, mas talvez os objetos tivessem ficado gastos pelo uso constante.
— Finalmente — James murmurou ao entrar no acesso para o estacionamento do hotel. Depois de desligar o motor, ele saltou do carro e se recompôs entregando a chave para o atendente em um gesto usual. No meio tempo, o manobrista tinha aberto a porta do carro para Lily, e estava prestes a ajudá-la quando James interveio.
— Eu farei isso — ele disse, instruindo o rapaz a pegar a mala no bagageiro e mandá-la para sua suíte. — O nome é Potter — disse, antes de voltar a dar atenção para Lily.
James agia como um verdadeiro cavalheiro sempre que saía com ela, ocasiões em que Lily sentia-se uma rainha. Naquela noite, porém, sentia-se mais como uma deusa sexual saída das telas do cinema. Confirmando isso, os homens que passavam ao redor pareciam incapazes de deixar de lançar ao menos um olhar em sua direção.
— Estou contente por você ter decidido ir direto para o quarto — ele sussurrou ao guiá-la para as portas giratórias. — Pensar em outros homens olhando para você o tempo todo não me agrada. Quero que meus olhos sejam os únicos a admirá-la nesta noite, meu amor. E pelo resto de nossas vidas juntos.
Lily ficou lisonjeada por aquelas palavras passionais, apesar do marido soar um pouco possessivo. Mas seria capaz de perdoar qualquer deslize nele naquela noite.
O que estava acontecendo não era real, apesar de James ter dito que seria. Ele estava realizando uma fantasia romântica, recriando a situação em que tinham se conhecido. Mas embora tivesse sido maravilhoso na época, Lily sabia que nunca mais iria querer o mesmo tipo de relacionamento com James. Queria uma verdadeira parceria com o marido, tanto na cama quanto fora dela. E ele, sem dúvida, estava começando a compreender isso, já que chegara até mesmo a oferecer a ela uma participação em seu novo projeto. Mas na verdade, ela queria mais do que isso. Queria ser a melhor amiga de James, além de sua esposa e parceira nos negócios. Desejava ser a confidente dele, queria intimidade emocional, e não apenas física.
Tais mudanças, porém, não aconteceriam da noite para o dia, Lily concluiu. E certamente aquela não era a ocasião para pensar nisso.
Naquela noite, seria generosa e se entregaria totalmente. Para ser honesta, ainda era muito excitante render-se ao desejo sexual de James. Só não queria ter que fazer isso o tempo todo. Preferia ter o direito de dizer não quando se sentisse indisposta e de tomar a iniciativa às vezes.
Lily esperou parada no meio do hall enquanto James apanhava a chave na recepção e pedia para o jantar ser servido no quarto assim que possível. Enquanto esperava, ela tentou não se importar com a forma como a atraente loira atrás do balcão insinuou-se abertamente para seu marido.
A garota era muito bonita e James estava demorando mais do que o necessário. O ciúme fez seus dedos cerrarem-se ao redor da alça da bolsa, e ela estava prestes a explodir quando um homem bem vestido materializou-se a seu lado e tentou abordá-la, usando o velho chavão de perguntar se não a conhecia de algum lugar.
Ela dispensou-o com um olhar frio no mesmo instante em que James deixou a recepção. Arqueando as sobrancelhas, ele apressou-se para segurá-la pelo ombro e conduziu-a para o hall dos elevadores.
— Deixo-a sozinha por um mísero minuto, e os cães já começam a farejar! — ele resmungou.
— Verdade? — ela disparou. — Bem, você vai ter que aprender a viver com isso, James, se quiser me ver vestida deste jeito! Eu tenho que suportar a forma como as mulheres se atiram sobre você o tempo todo. No momento em que você se aproxima, elas começam a agir como cadelas no cio!
James encarou-a com os olhos arregalados.
Lily permaneceu imperturbável, zangada e sem nenhum arrependimento.
Os lábios dele curvaram-se em um sorriso.
— Sua mãe estava certa... eu não fazia a menor ideia de com quem tinha me casado. Mas estou descobrindo agora. Vamos lá, tigresa — ele murmurou com voz rouca. — Guarde suas garras por algum tempo, até acharmos um melhor uso para elas...
Infelizmente, outras pessoas estavam no elevador, por isso Lily não pôde perguntar exatamente o que a mãe dissera a seu respeito. Provavelmente Lisa tinha alertado James de que as coisas seriam diferentes de agora em diante, e que ele devia estar preparado para isso ou então teria problemas.
— Por que está sorrindo assim? — James perguntou ao abrir a porta da suíte onde tinham experimentado tantos momentos especiais.
Lily olhou para o marido com olhar de renovada confiança.
— Ah... isso você vai descobrir... mais tarde, é claro — ela emendou maliciosamente.
Os olhos de James brilhavam, e ele a teria agarrado bem ali se um garçom uniformizado não aparecesse empurrando um carrinho naquele exato momento.
O jovem parou ao lado dos dois e anunciou:
— Serviço de quarto para o Sr. Potter.
— Uau! — Lily murmurou surpresa. — Isso que é rapidez.
— Concordo — James pronunciou, entregando ao garçom uma nota de cem dólares. — Não se preocupe em levar para dentro — ele disse. — Nós faremos isso.
O rapaz mal pôde acreditar.
— Muito obrigado, senhor! Se desejar qualquer coisa, qualquer coisa mesmo, não hesite em me chamar. — Depois de dizer aquilo, o rapaz sorriu e afastou-se assobiando.
— Você deu a ele uma nota de cem dólares! — Lily exclamou aturdida. Ninguém dava gorjetas tão altas em Sídnei.
— É surpreendente o que um pouco de incentivo financeiro pode fazer. Informaram-me na recepção que o serviço de quarto estava com um atraso de meia hora, por isso liguei para a cozinha pessoalmente e disse que haveria uma nota de cem dólares caso alguém entregasse o pedido em meu quarto dentro de cinco minutos. Não que eles tivessem que cozinhar qualquer coisa... pedi frutos do mar e salada, champanhe e morangos.
Abrindo a porta, James indicou para que ela entrasse e seguiu-a, empurrando o carrinho.
— Isso quer dizer que, basicamente, você concorda com a teoria de seu pai — Lily comentou ao entrar, olhando para a nova decoração do quarto com curiosidade.
— Que teoria é essa? — James perguntou ao parar o carrinho diante do balcão da cozinha. Na parede ao lado havia uma instalação com todo tipo de aparelhos eletrônicos. Televisão, aparelho de DVD, aparelho de som... além de uma enorme variedade de CDs.
— Que o dinheiro pode comprar tudo — Lily replicou, caminhando ao lado da cama onde desfrutara a experiência mais erótica de sua vida e parando diante da janela, de onde se contemplava uma vista espetacular da baía e da Opera House.
— Dinheiro pode comprar qualquer coisa, Lily. Ele apenas não pode dar aquilo que é intangível, como amor, talento ou felicidade. De qualquer forma, graças a ele podemos desfrutar de coisas muito boas, como esta comida excelente e o melhor champanhe francês.
Ela olhou por sobre o ombro, notando que James já tinha retirado a toalha que cobria o carrinho, revelando uma série de travessas de prata com a comida e não uma, mas duas garrafas de champanhe, cada uma das quais gelando em seu próprio balde de prata.
Lily sempre fora susceptível ao champanhe, desde que uma amiga da família a presenteara com uma garrafa em seu aniversário de dezoito anos, garrafa que ela praticamente bebera sozinha. Ela perdera totalmente a inibição naquela noite, divertindo-se muito. E o mesmo acontecera com o rapaz que era seu namorado na época, lembrou-se, sorrindo maliciosamente para si mesma.
— Tem certeza de que não pediu champanhe demais, James? — ela perguntou casualmente, caminhando na direção dele. — Afinal de contas, quando estou com você meu limite é de apenas duas taças.
James suspirou.
— Escute, Lily, sobre isso...
— Sim, James?
— Sinto muito por ter me intrometido sobre o que ou quanto você deveria beber. Eu estava errado. Minha única desculpa é que notei que você ficava um pouco desinibida, quando bebia, e tenho de confessar que fiquei com ciúme. Prometo não ser tão tolo no futuro.
Aquelas concessões inesperadas deixaram Lily atônita.
— O que minha mãe disse para você?
— O que já devia ter dito anos atrás. Algo que eu estava começando a perceber sozinho. Quero que nosso casamento seja feliz, Lily. Não quero reprimi-la ou controlá-la. Achei que estava protegendo-a, mas percebi que estava fazendo isso da maneira errada. Sem dúvida, adquiri alguns hábitos ruins de meu pai, que tem um conceito antiquado sobre casamento. Eu honestamente não tinha percebido que você não estava contente até a semana passada.
Lily suspirou.
— Parte da culpa é minha, James. Eu devia ter revelado minhas necessidades mais cedo, mas ficando calada também achei que protegia nosso casamento. Por isso apenas dizia sim a tudo que você queria, mas, às vezes, eu não estava feliz, apenas fingia estar.
— Eu percebia quando você estava fingindo na cama, pode acreditar, e odiava isso. No futuro quero que você diga não sempre que estiver indisposta. Por favor... não finja nunca mais.
Rapidamente, Lily levou a mão aos olhos para livrar-se das lágrimas iminentes. Aquela não era uma noite para lágrimas.
— Eu... eu farei isso no futuro, James. Acho que estava com medo de que se fosse eu mesma podia terminar como... como...
— Como sua mãe, sim eu sei. Ela me contou isso tudo hoje. Eu e sua mãe tivemos uma longa conversa. Ela também me alertou sobre outros detalhes...
Por um segundo, Lily temeu que a mãe houvesse revelado a preocupação dela sobre Francesca, sobre a viagem a Milão naquele dia em que fora até o apartamento de Francesca e chegara a conclusão de que o marido estava sendo infiel.
— O quê, por exemplo? — ela balbuciou.
— O nome das crianças. Eu negligenciei todas suas sugestões, e sinto muito. Fui incrivelmente egoísta, tenho que admitir, mas agora é tarde demais para mudar os nomes, não é?
— Sim, claro que é — ela concordou, um pouco agitada pelo rumo que a conversa estava tomando. — Mesmo assim, suas desculpas representam muito para mim, James. Você não faz idéia. Mas não sejamos sérios, pelo menos, não nessa noite. Hoje devemos apenas celebrar. Por que não abre uma das garrafas de champanhe para fazermos um brinde?
James também parecia aliviado por poder parar de se desculpar.
— Você é uma mulher maravilhosa, Lily — ele elogiou ao abrir a garrafa e servir o líquido gelado em duas taças de cristal, entregando uma a Lily imediatamente. — A nós! — exclamou sorrindo.
— A nós — ela ecoou. Depois de brindarem, ambos sorveram longos goles.
— Mais uma vez — James insistiu, voltando a encher a taça dela.
Na meia hora seguinte os dois devoraram a comida deliciosa e beberam o champanhe divino, terminando rapidamente com a primeira garrafa e começando a segunda. Escolheram uma música romântica e sentaram-se confortavelmente em um confortável sofá de couro no centro da sala. A certa altura, a cabeça de Lily começou a girar. Será que o champanhe já estava fazendo efeito?
Ela estava se divertindo como não acontecia havia muito tempo. Sentia-se incrivelmente sexy e mal podia esperar que James terminasse de comer e começassem a fazer amor.
Depois de saborear um dos últimos morangos, James levantou-se inesperadamente.
— Acho que agora é o momento perfeito para seu presente — anunciou.
— Oh, céus! Já tinha me esquecido disso.
— Mas que vergonha — ele zombou. — Agora, levante-se e vá até a janela. Fique de costas para o quarto e feche seus olhos.
Lily engoliu em seco, mas fez exatamente o que ele pedira. A tensão a dominava enquanto ficava ali de olhos fechados, tentando não pensar na última vez em que estivera tão ansiosa.
Não podia ouvir nada exceto a música. O que James estaria fazendo? Qual seria seu presente?
Quando ela subitamente sentiu a respiração dele em seu pescoço, parou de respirar. Foi quando algo frio e metálico tocou a pele de seu pescoço. Imediatamente seus olhos abriram-se.
— Oh, James! — ela gritou. O vidro da janela permitia que ela olhasse para o próprio reflexo. Em seu pescoço estava um magnífico colar de ouro branco, no qual estavam incrustados cinco enormes rubis. As pedras mais pareciam lágrimas vermelhas.
— Não são verdadeiras, são? — ela perguntou, virando-se ansiosa por encarar o marido.
James segurou-a pelo rosto, beijando-a delicadamente nos lábios.
— Eu lhe disse, Lily, não haverá nada falso nessa noite, e isso inclui este presente. Ele é tão real quanto meu amor por você.
— Mas, James, deve custar uma fortuna!
— É verdade. Mas não precisa se preocupar. Eu não o comprei. E um tesouro de família que herdei de minha avó, e que deveria ser dado a minha esposa. Para ser franco, esqueci completamente da existência da jóia até que minha mãe me lembrou. Achei que era a coisa certa para lhe dar nesse aniversário. Sabia que combinaria perfeitamente com este vestido, por isso insisti para que o usasse.
Houve uma pausa, durante a qual os dois continuaram se encarando.
— E eu estava certo. Você está linda... — A cabeça dele inclinou-se, e sua voz agora era grave e rouca. — Céus, Lily... foi uma agonia manter minhas mãos longe de você por tanto tempo. Eu fiquei pensando que não estava usando nada por baixo deste vestido, e como queria tocá-la...
Quando as mãos dele escorregaram pelos braços de Lily e atingiram suas coxas, ela gemeu suavemente. O reflexo dos dois na janela mostrava que o vestido estava subindo cada vez mais, e aquilo a deixou muito excitada. As caricias continuaram até que ela estivesse nua até a cintura.
Por vários segundos torturantes, James a manteve daquele jeito, limitando-se a observá-la. E quando os lábios dele começaram a mover-se pelo pescoço de Lily, todo o corpo dela passou a tremer de forma incontrolável.
— Você é magnífica — ele murmurou. — Irresistível... — Abruptamente, ergueu-a do chão com seus braços fortes, e carregou-a até a enorme cama no centro do quarto.
Sem parar de acariciá-la por um instante, James passou a tocá-la de maneira cada vez mais íntima nos seios e no ventre, antes que suas mãos se insinuassem lentamente entre as coxas esculturais.
Durante todo o tempo, Lily manteve a respiração agitada.
— Agora, não se mova — ele comandou, virando-se para apagar as luzes no interruptor que ficava em um console ao lado.
Na penumbra, as únicas luzes que penetravam no quarto vinham do exterior, iluminando o corpo trêmulo de Lily de forma suave e quase sobrenatural. O clima era de completa sedução. Instantes depois, ele finalmente livrou-a do vestido, deixando-a deitada diante de si para contemplá-la sem nenhuma pressa.
Agora não havia nada sobre o perfeito corpo feminino, a não ser o colar, as meias de seda e os sapatos de salto alto. Era realmente uma visão magnífica.
James não precisou de mais do que alguns segundos para se despir, e Lily pôde ver que ele também não estava calmo ou controlado como queria demonstrar. Longe disso. O mesmo acontecia com ela. Nunca se sentira daquele jeito na vida. Desejava tê-lo naquele instante!
As pernas dela afastaram-se convidativamente, mas os olhares dos dois não se separaram.
James não fez nenhum movimento para juntar-se a ela, apenas ficou parado ao lado da cama, admirando-a calado.
— Oh, por favor, James — ela gemeu. — Por favor!
— Tenha paciência, tigresa — ele murmurou. — Você já devia saber que o predador aprecia mais a caça do que o ato de matar...
Ela não pôde acreditar quando o viu sentar-se entre suas coxas, dando-lhe as costas, e lentamente, muito lentamente, retirar os sapatos e então as meias de seda. Lily jamais tinha experimentado tamanha agonia. James tocava levemente seus dedos na parte interna dos joelhos, em suas coxas... tocava-a em todos os pontos em que ela queria ser tocada.
Lily estava a ponto de gritar quando ele finalmente virou-se para encará-la. E foi quando a tortura de verdade começou.
— Oh, não, James, não... — ela balbuciou quando os dedos dele começaram a brincar no âmago de sua feminilidade. Queria tê-lo logo dentro de si, completando-a, amando-a.
Mas ele ignorou o protesto e continuou a acariciá-la devagar, primeiro com os dedos e então com a língua, fazendo-a atingir um orgasmo estonteante e avassalador. Naquele instante, Lily achou que não iria aguentar mais.
Mas ela aguentou.
— Oh, James — ela gemeu. — James...
— Sim, meu amor? — James murmurou ao colocar-se sobre ela afinal, fazendo-a gemer com o poder de sua penetração.
O contato da pele quente voltou a excitá-la, despertando-lhe um desejo renovado.
— Sim... sim! — ela gritou, enterrando as unhas nas costas dele ao pressentir a chegada de um novo clímax.
— Já não posso aguentar mais, Lily — James gemeu. E daquela vez ambos atingiram o orgasmo, e Lily voltou a gritar de prazer. Instantes depois, os corpos nus repousavam exaustos, lado a lado. Todas as dúvidas e medos de Lily haviam acabado.
— Eu o amo, James — ela sussurrou, quando conseguiu recuperar a voz.
— E eu também a amo, signora Potter — ele replicou, segurando-a pelo rosto enquanto a beijava sem parar. ― Só você. Sempre você.
Aí está a quarta-feira hot que eu havia prometido. Como eu disse em Agora Eu e Você sei que demorei horrores, mas depois que as aulas começaram não tive mais tempo para nada, fico estudando desde a hora que acordo até a hora de ir dormir. Neste exato momento eu deveria estar estudando, mas estava morrendo de saudade e vim aqui postar rapidinho :) eu adoraria responder todos os comentários maravilhosos que recebi, mas eu realmente tenho que estudar e ainda tenho que postar Para Sempre. Não sei quando postarei novamente, mas vou tentar fazer isso o mais rápido possível. Fica aqui o meu agradecimento á Bela Potter, Nanda Soares, Joana Patricia, Marcela, Vanessa S, LuPotter e Ninha Souma, amei os comentários lindos de vocês. Beijo no coração :*
