Capítulo 10: "O Natal mais frio"
Draco jogou a garrafa de vinho que estava na mesa de centro contra a parede, assim como os copos foram para o chão, ao virar a mesa com um chute, e estava pronto para destruir o sofá, quando Snape o agarrou por trás, prendendo seus braços.
Para seu constrangimento, lágrimas ainda escorriam pelos seus olhos. Quando ele parou de se debater, Severo o soltou e Draco caiu de joelhos, tapando o rosto com as mãos. Ele respirou fundo, passando a mão pelos cabelos. Snape estava reparando as coisas quebradas. O loiro sentou-se na mesma posição que estava antes. Tateou seus bolsos a procura de seu cantil de firewhisky e não o achou, lembrando-se que tinha deixado no quarto antes de partir. Agora que a crise tinha passado, estava envergonhado. Ficou encarando o chão. O professor sentou-se na sua frente, do outro lado da mesinha.
– Desculpe por isso – murmurou, voz embargada.
– Não tem problema – falou Snape, depois de pigarrear. – Todos perdemos o controle.
Os flashes do que acontecera em Hogsmeade ainda passavam diante dos seus olhos.
– Mas é necessário que você feche sua mente – disse Snape. – E aprenda a se controlar. Senão não conseguirá continuar com o treinamento e virar um Comensal da Morte.
Draco refletiu alguns segundos sobre o que o mestre de Poções havia dito.
– Você está lendo minha mente, não é – concluiu.
– Sim – Snape levantou-se rapidamente e trouxe com ele outra garrafa de vinho. Serviu nos copos antes quebrados. – Desculpe, mas tenho que garantir ao seu pai e ao Lorde que você cumpriu o que devia.
– Como assim?
– Você realmente acha que o Lorde vai confiar em alguém que namorou uma Weasley, cujos pais trabalham para a Ordem da Fênix?
O loiro paralisou naquele instante, encarando Snape.
– Como ele sabe? – o desespero foi palpável no seu sussurro.
– Ele leu a mente do seu pai, é claro – disse ele, como se fosse óbvio.
– Você precisa me ajudar – pediu Draco, voz fraca, olhos suplicantes.
Snape o analisou por um instante e empurrou a taça de vinho na direção do garoto.
– Professor, eu tenho treinado faz algum tempo, mas preciso ficar melhor... – ele divagou. – Por favor, preciso de sua ajuda.
Silêncio. Draco bebeu a taça de vinho em um gole, com as mãos trêmulas.
– Eu vou ajudá-lo – disse Snape finalmente. – Isso tudo que aconteceu aqui hoje vai ficar entre nós dois. Certo?
– Sim.
– Vamos praticar – Snape levantou-se, terminando sua bebida.
– Agora? – perguntou Draco, pondo-se de pé também.
– Preciso voltar para Hogwarts daqui a algum tempo, será estranho se faltar ao jantar – comentou. – Vou voltar à noite, enquanto isso você deve praticar sozinho.
O loiro assentiu.
– Você tem pouco tempo, Draco – ele disse erguendo a varinha em sua direção. – e se falhar, nós dois cairemos.
– Pouco tempo?
– Legilimens!
Ginny abriu os olhos lentamente. Pode sentir o corpo adormecido de Colin do outro lado da cama. Uma tristeza a tomou assim que sua mente lembrou o que havia acontecido no dia anterior. Queria voltar ao sono e ficar meses desacordada. Amargurada, com o coração já ansioso, levantou-se da cama e recolheu seu casaco e suas botas. Queria tomar um banho longo. Beijou a testa de Colin e saiu do quarto.
Estava amanhecendo e o céu estava em grande parte escuro. Todos dormiam pacificamente, enquanto para Ginny cada passo era como cruzar uma tempestade. Agora o pedaço que faltava tinha deixado um buraco permanente dentro dela, que doía e esperneava. Agradeceu por ser domingo e poderia passar o dia todo na cama. Pelo menos era isso que ela queria.
A semana foi passando fria e dolorosa. Decidira que ia para casa no feriado de Natal, já que Colin viajaria até Paris para ver Blaise. Precisava de um abraço e carinho de sua mãe. Não agüentava lembrar-se de assistir tudo cair aos pedaços, tudo que importava para ela naquele momento de sua vida. Às vezes, imaginava o rosto da garota com que Draco devia estar agora. Se era loira ou morena, qual era sua altura, as formas de seu corpo. Perguntava-se o que ela tinha que fizera ser a escolhida do sonserino. Talvez ela fosse puro-sangue e rica como ele, vai ver era isso. Vai ver seus pais preferiram ela do que Ginny como nora.
Estava mais sozinha do que nunca quando pegou o trem para casa. Ficou na cabine durante a viagem inteira, mirando a paisagem branca e gelada – justo como ela se sentia. Ao chegar à estação, correu para os braços de sua mãe.
– Querida, o que houve? – perguntou Molly, não deixando de notar que a filha deixara algumas lágrimas rolarem.
– Vamos pra casa – Ginny disse simplesmente.
Sentadas no sofá perto da lareira, com dois chocolates quentes, Ginny começou a explicar o que tinha acontecido.
– Eu realmente gostava dele – falou, com a cabeça deitada no colo da mãe. – Acho que ele também gostava de mim, mas a distância foi mais forte...
– Vai ficar tudo bem, querida – disse Molly. – Talvez as coisas sejam melhores assim.
– É – concordou ela tristemente, sentando-se outra vez. – Obrigada, mãe.
Elas se abraçaram. Naquele momento, chegaram Gui e Arthur.
– Ginny, não sabia que estaria aqui – falou o irmão, contente. Ela correu para abraçá-lo. Depois, abraçou seu pai.
– Achei que você ia ficar em Hogwarts – disse Arthur.
– Ginny sentiu saudades de casa – comentou Molly. – Estão com fome? Vou preparar alguma coisa.
Os quatro rumaram para cozinha.
– Como estão as aulas? – perguntou Gui.
– Puxadas – sorriu ela. – E o trabalho?
– Cada dia mais cheio de coisas para fazer – disse seu pai, cansado.
– E seu, hm, namorado? – perguntou o irmão, hesitante.
– Ah – fez Ginny. – Nós terminamos.
Arthur e Gui a encararam, paralisados durante um instante.
– Sério? – falou seu pai.
– É.
Eles pareceram disfarçadamente satisfeitos.
– E você está bem? – perguntou Gui.
– Vou ficar – sorriu Ginny fracamente.
Pelo menos ela esperava.
– Bom, já que estamos dando notícias, queria te contar uma coisa – o irmão ajeitou-se, encarando Ginny. – Eu e Fleur estamos noivos.
– O quê? Sério?
Ouviu-se um muxoxo de impaciência vindo da mãe.
– Estamos planejando o casamento para o próximo verão – sorriu ele.
– Bom, que ótimo, Gui – falou ela, tentando parecer empolgada.
Molly serviu os pratos do marido e do filho.
– Ginny, porque não vai arrumar seu quarto? – sugeriu ela.
– Ok – concordou, levantando-se.
Entendeu que queriam conversar somente os três. Rumou para seu quarto rapidamente. Deitou-se na cama, refletindo. Se não namorar Draco Malfoy era motivo de alegria para sua família, isso devia servir de consolo pra ela.
Passara uma semana inteira praticando Oclumência. Na maior parte do tempo mantinha seus sentimentos engavetados em alguma parte escura da sua mente, então não sentira absolutamente nada nos últimos dias. Snape estava surpreso com o desempenho dele. O Natal se aproximava e o frio parecia chegar cada vez mais fundo na alma de Draco.
Foi numa noite estranha que Snape apareceu de madrugada, acordando-o de repente, dizendo para se vestir e ir para a sala. O garoto obedeceu o mais rápido que pode, entorpecido pelo sono. Quando desceu as escadas deparou-se com Snape vestindo uma capa longa e negra com capuz. Ele estendeu o braço. Draco o encarou confuso.
– Vamos aparatar, venha comigo – disse, um tanto irritado. – Não se esqueça de fechar sua mente.
Quando Draco deu por si, estava num lugar que nunca tinha visto. Era uma sala escura, apenas iluminada por uma lâmpada de luz branca, que pendia no teto, balançado lentamente naquele instante. Largou o braço de Snape. Viu seu pai ali parado metade no escuro e metade na luz. O professor deu uns passos para frente.
– Lúcio – cumprimentou com a cabeça.
– Severo.
Draco notou uma movimentação no breu à sua frente, além do que a claridade alcançava. De repente, apareceu uma cobra, rastejando em direção a ele. Engoliu em seco. Ouviu silvos e então a cobra deu meia volta, rumando para a escuridão outra vez.
– Se aproxime, garoto Malfoy – uma voz chamou. No instante que ela falou, teve certeza de quem era.
Vacilou e deu alguns passos até a luz.
– De joelhos – murmurou Snape.
Draco dobrou um joelho, fitando o chão. Tinha a mente vazia desde que chegara ali. Um vulto moveu-se, indo em direção a ele. Mas Draco não escondeu o medo que sentia.
– Obrigado, Severo – disse Voldemort. Continuou, agora se dirigindo a Draco. – Seu pai sempre me contou sobre seu desejo de se unir aos Comensais da Morte.
– Sim, mestre – concordou baixinho.
– Depois de ter namorado uma Weasley – continuou Voldemort, circulando o garoto –, me pergunto se sua lealdade continua tão firme quanto seu pai clama, se seu comprometimento comigo e com os Comensais da Morte ainda está firme...
– Claro que está mestre – sussurrou Draco, fechando os olhos por uns instantes.
– Bom, apenas sua palavra não me convence – Voldemort parou na frente dele. – Você precisa provar.
– Farei qualquer coisa.
Um silêncio que durou dois segundos pareceu uma eternidade para o garoto loiro.
– Estenda seu braço – ordenou Voldemort.
Draco engoliu em seco, tentando não tremer, arregaçou a manga do braço esquerdo e o estendeu para o Lorde. Ele segurou seu pulso com os dedos gelados. Sentiu a ponta da varinha tocar sua pele.
Mordeu o lábio inferior, tentando impedir um grito de escapar da sua boca. Assim que Voldemort soltou seu braço, Draco o puxou para perto de si, encolhendo-se com a dor latejante. Vermelha vivo, viu a Marca Negra marcada em sua carne. Então ela tornou-se preta gradualmente, deixado apenas vermelho a pele inchada de seu antebraço. Naquele momento ele não conseguiu impedir o corpo de tremer fracamente enquanto seu pai dava um sorriso no escuro.
– No dia trinta e um, você irá pra Hogwarts – continuou Voldemort como se não tivesse acontecido interrupção, sumindo nas sombras. – Snape o colocará para dentro. A meia noite, quero Dumbledore morto por suas mãos.
Seus olhos cinza claro se arregalaram e sua boca abriu-se numa expressão muda. Ficou encarando o chão, não acreditando no que tinha ouvido.
– Sim, mestre.
– Vá agora – disse Voldemort.
Draco levantou-se e seguiu até o lado de Snape. Sem trocar olhares, os dois aparataram para a casa dele. Num instante, estavam na sala.
– O que diabos ele ta me pedindo pra fazer! – exclamou o loiro em plenos pulmões. Não agüentando ter ficado calado e com sua mente fechada por tanto tempo. Estava gritando pela dor em seu braço também.
– Controle-se, Draco – pediu o homem, que se servia de vinho. – Sente-se.
O garoto obedeceu e aceitou o vinho que o professor oferecia.
– Você se saiu bem lá – falou Snape. – Não deixou transparecer nada que não devia.
– Então, você também estava tentando entrar na minha mente? – exclamou ele irritado. – Deve ser por isso que senti como se estivessem batendo com uma bigorna na minha cabeça!
Snape sorriu com o canto da boca, servindo mais vinho para Draco.
– Acalme-se, já acabou.
– Não acabou – o loiro encarou o professor. – O inferno ta apenas começando – disse, com os olhos na marca latejante do seu braço.
Bebeu outra taça, enquanto Severo mantinha os olhos nele.
– Eu não posso...
– Você deve – interrompeu Snape. – Não tem escolha.
Draco ficou quieto, ainda encarando a Marca Negra. Agora estava feito. Era um Comensal. Não tinha volta. Suspirou.
– Vá pra cama – disse o professor. – Vou voltar aos meus aposentos de Hogwarts.
Levantou-se, não dizendo uma palavra, e rumou para seu quarto. Naquele momento ele sentiu como se pudesse cavar sua própria cova, depois se afundar e enterrar nela.
Aparentemente todos os Weasley ficaram sabendo numa rapidez incrível que Ginny não estava mais com Malfoy e todos pareceram satisfeitos. A família, que se reuniu para o Natal na Toca, estava mais simpática e calorosa com Ginny do que a última vez em que os vira. Ela esperava que isso ajudasse a não pensar no loiro, mas era difícil – mesmo sendo distraída por todos na maior parte do tempo.
Harry, Rony e Hermione não apareceram, apesar de que Molly estivesse esperando sua visita. Ginny ficou apreensiva, pensando que não tinham nenhuma notícia do trio fazia tanto tempo. Nem pensara nisso nos últimos meses. Mas agora que ela não tinha deveres e pensar em Draco era incogitável, Rony, Harry e Hermione ocupavam sua mente às vezes.
Sentada à mesa, no almoço de Natal, Ginny cansou-se de ver Fleur paparicar o irmão Gui. Era inevitável lembrar-se de Draco – não que o namoro deles fosse como aquela melação – mas só ver casais felizes tinha se tornado problemático para ela. Fugindo furtivamente, pegou sua capa e suas luvas e saiu para os jardins para dar uma voltinha.
Inconscientemente, rumou para a árvore – agora esquelética e sem folhas – que durante o verão ela e Draco haviam se sentado sob a sombra. Encarou seus galhos e sua aparência morta.
"Que irônico" pensou ela. "Agora estamos tão mortos quanto você."
Era Natal. Draco sentava no sofá de Snape, acompanhado apenas de seu cantil de firewhisky. Não havia árvore ali. Não havia presentes. Por algum motivo, ele não tinha permissão para sair da casa do professor. Pela pequena janela suja ao lado da porta, via os flocos de neve caindo. Mantivera os olhos ali por tanto tempo que perdera a noção. A lareira apagara havia alguns minutos – ou talvez horas – mas ele não se dera ao trabalho de reacender, fazendo com que o aposento fosse iluminado apenas pela luz que entrava da janela. Não queria se mover. O ambiente estava frio. Tudo que lhe proporcionava calor era seu firewhisky e suas roupas. Tampouco tivera vontade de preparar algo para comer. Não tinha fome.
Foi então que viu uma coruja pousar no parapeito da janela. Surpreso, foi até ali e deixou o animal entrar. A coruja pousou na mesa de centro e mirou Draco com curiosidade. Ele pegou o pergaminho em sua pata e desenrolou. Era de Blaise.
Passou os olhos rapidamente. Dizia algo sobre o amigo ter descoberto que Draco ia – supostamente – para os Estados Unidos e que também tinha terminado com Virgínia. Blaise parecia inconformado na carta.
"Lembra-se do que eu te disse na formatura?" leu Draco. "Que Virgínia era a garota mais especial que você tinha encontrado e você prometeu que não a magoaria. Não acredito no que você fez."
O loiro não se deu o trabalho de ler o resto. Se Blaise estava bravo com ele por causa daquilo, não era nada comparado ao que Draco sentia. Ele nunca poderia confidenciar com ninguém o que passara todo esse tempo. Agora, o que tinha mais perto de um amigo era Snape, que o ajudara com Oclumência.
"E Pansy", pensou Draco. Mas ela estava a quilômetros dali naquele instante e não a veria até voltar para a Rússia – coisa que não o entusiasmava nem um pouco. Mesmo assim, a amiga nunca compreenderia o que ele sentia, já que ela possivelmente nunca tinha se apaixonado do jeito que Draco se apaixonara por Ginny. A amizade com Pansy tinha companheirismo, mas ultimamente só servia para distrair o loiro da merda que estava sua vida.
Ele enfiou a carta no bolso desajeitadamente, dando mais um gole de firewhisky e fechando a janela pela qual a coruja tinha acabado de sair. Ficou ali pelas próximas horas, pensando que nunca mais veria Blaise também, ou Colin, que apesar de nunca ter demonstrando, até que gostava dele. Os dois provavelmente desprezavam Draco agora.
Quando o loiro estava quase cochilando, houve um craque. Snape aparecera, fazendo Draco se sobressaltar.
– Feliz Natal – disse o professor, deixando um pacote largo na mesinha de centro.
Draco piscou duas vezes e encarou Severo, que se moveu rapidamente pelo aposento, indo acender a lareira, depois rumando para a cozinha. O garoto ficou olhando curioso para o presente embrulhado em um papel pardo, preso com uma corda fina – mas não se atreveu a tocá-lo.
– Por Merlin, você não sabe cozinhar? – indagou Snape irritado.
– Não senti fome – sussurrou Draco sem tirar os olhos do pacote.
Severo soltou um bufo de impaciência, desaparecendo. Quando ele voltou, tinha um prato recheado nas mãos, que depositou sobre o presente.
– Agora faça o favor de comer – falou severamente. Draco assentiu.
O loiro imaginou, enquanto Snape andava agitado pela casa, que talvez o professor estivesse ficando com pena dele. Talvez por causa da missão, talvez porque sabia como ele se sentia. Comeu em silêncio, percebendo que estava com muita fome naquele instante.
– Então professor – disse Draco ao terminar, servindo-se de vinho. – É verdade que está tendo um caso com uma das alunas da Grifinória?
Ouviu um livro cair no chão. Não sabia por que tinha feito aquela pergunta, que soara mais como um deboche digno de Malfoy – deboches que ele não fazia há bastante tempo. O garoto sorriu para si mesmo com a surpresa de Severo, que deu uma risadinha tentando descontrair.
– É claro que não – falou o professor. Mas Draco não acreditou. – Da onde tirou essa idéia absurda?
– Eleonor continua uma boa foda? – perguntou, virando-se no sofá para encarar Snape, que estava pálido e cômico com o livro na mão que acabara de apanhar.
– Se está tentando me chatear não vai conseguir – disse Severo depois de alguns minutos de silêncio. – Não faz diferença pra mim que garotas ou garotos você esteve em Hogwarts.
Draco riu friamente.
– Mas sabe que foram muitas, não é – disse com uma descontração anormal. – Garotas, é claro. Blaise era quem gostava garotos.
Snape revirou os olhos.
– Se você ainda fosse meu aluno estaria em detenção – murmurou irritado.
– É, claro – disse o garoto indiferente, bebendo um gole de sua taça.
Pelo jeito, irritar Snape não estava o distraindo, nem melhorando seu ânimo, então se calou, voltando a encarar o pacote.
– Quem mandou isso? – perguntou.
– Você vai saber ao abrir – respondeu o professor, flutuando o prato vazio para longe de Draco. – Vou voltar a Hogwarts.
Instantes depois, o professor sumia pela lareira, deixando o loiro curioso. Fitou o presente por mais alguns minutos até que decidiu abrir. Cortou a corda com um feitiço e então desdobrou o papel lentamente. A lareira as suas costas fazia as sombras dançarem lentamente. Ele prendeu a respiração e viu, surpreso, o que tinha recebido.
Sobre o que seria uma veste preta dobrada, estava uma máscara branca familiar, que o "encarava". Estendeu a mão para tocar a superfície fria e lisa do objeto. Virou-a, olhando seu interior. Ficou paralisado alguns segundos. Então, lentamente aproximou a máscara de seu rosto. Ela servia perfeitamente e pareceu colar-se, fazendo Draco abaixar seu braço.
"Bem-vindo ao clube" pensou sarcástico.
