Eu nunca desejei tanto uma aspirina na vida, acredite.
Minha cabeça parecia pesar toneladas, e eu tinha quase certeza absoluta que em algum lugar lá dentro estava um maldito chinesinho batendo em um gongo uma vez pelo menos a cada minuto que se passava, era como se minha cabeça estivesse balançando em um eco infinito, e isso não fosse parar jamais.
Meus olhos pesavam tanto quanto minha cabeça, talvez mais, e levantar uma pálpebra parecia um esforço maior do que eu era capaz de fazer no momento, algo parecido com levantar um daqueles pesos enormes daquelas competições trouxas que mamãe adorava acompanhar uma vez a cada quatro anos, as Olim... Olimbi... Algo assim.
Meu corpo parecia atado a cama, minhas pernas pareciam não ter movimentos e eu não estava suportando nada de claridade, cada raio de sol pra mim parecia uma facada a fundo na pele, mas o que mais doía, o que mais incomodava não era o meu corpo parcialmente padecido mostrando que eu estava tendo minha primeira ressaca... O que doía mais, era o meu orgulho ferido, meu ego machucado, e todas as coisas que vinham com isso...
Eu me sentia fraca, vulnerável, e eu sabia, que eu ia ser assunto de vários e vários falatórios e fofocas, não só por essa manhã, mas por tantas outras, e eu não queria ninguém comentando a respeito da minha dor, e rindo de tudo o que tinha acontecido, porque mais uma vez, não era com eles, não doía neles, não marcava nenhum deles... Pra cada um que abrisse a boca pra falar sobre o acontecido, era somente mais um fato, somente mais uma festa, mais uma fofoca...
Pra mim, era a primeira vez que meu coração doía, e eu queria que todos ali soubessem como aquela situação estava sendo difícil pra mim, porque não era só o coração, era toda uma geração, uma família, uma tradição e coisas que eu me via incapaz de evitar de agora em diante, eu sabia que não era certo, e que machucava, mas eu também sabia que eu iria correndo novamente na minha primeira nova oportunidade.

- Oh Rose... Finalmente! _ os bracinhos finos e quentes de Lilly me envolveram ainda na cama _ Ai Rose, eu sinto muito...
- Nossa, mas as coisas já vieram parar na Grifinória... _ eu resmunguei de mal humor.
- Rose, não fale assim... James é meu irmão, e bem, você o conhece, ele já veio até aqui umas boas cinco vezes saber se você acordou e...
- Ele tem a língua maior do que a boca, eu sempre soube. _ retruquei me virando pro canto, o que aquele sonserino dos infernos queria comigo? Já não tinha fodido com minha vida o suficiente?
- Ele só está preocupado _ ela respondeu automaticamente _ E não é culpa dele.
- Ah... claro, não é. Se ele tivesse ficado calado...
- Talvez você tivesse amanhecido nas Masmorras morrendo de vergonha de si mesma e teria perdido a virgindade com Scorpius Malfoy, não que isso seja ruim...
- QUEM TE DISSE QUE EU SOU VIRGEM? _ berrei, e berrar pareceu não ser uma boa idéia _ Eu não sou virgem.
- Oh Rose... pra cima de mim? _ Lilly revirou os olhos com um sorriso divertido no rosto _ Meu irmão e você nunca fizeram nada, e eu não sei de você com nenhum outro cara...
- Lilly Potter, não significa que porque seu irmão não conta das nossas intimidades pra você, que elas não tenham acontecido! _ então antes que pudesse evitar eu já estava a empurrando dormitório afora _ Suma da minha frente sua pentelha, suma daqui!
- ROSE! _ ela insistiu tentando não rir _ Não me leve a mal.
- Eu não sou virgem, e isso não é da sua conta. Prontou cabôu-se.

Bati a porta nas costas dela e me encostei na madeira respirando arfante, que bela forma de começar o dia, tendo que defender minha impureza. Porque sim, isso era muito digno não é mesmo Rose Weasley? Esse parecia um daqueles dias em que você não quer sequer por a cabeça pra fora, mas Hogsmead estava marcado, e eu estava esperando tanto tempo por isso... Um belo copo de Cerveja Amanteigada, e bingo. Era mais do que o suficiente pra me recompor, e me sentir melhor, é, tinha que ser certo?
Não, errado. Porque caso ninguém tenha reparado, eu sou um imã pra problemas, e eu simplesmente não consigo evitar pisar em algum lugar onde eles não estejam, porque é claro, eles precisam estar sempre comigo, ou perto de mim, ou pelo menos a um raio de quinze quilometros...

- Eu sei que é uma péssima hora...
- Então não continue falando. _ fui curta e grossa, eu não precisava de Dominique pra refazer suas idéias perversas na minha mente frágil.
- Ele está gostando de você. _ ela foi direto ao assunto _ Não vai dar o braço a torcer lógicamente, mas ele está, eu sei que está...
- E eu sei que tudo o que você quer é me tirar do seu caminho, então se sinta feliz, eu estou fora dele há muito mais tempo do que você imagina, vai ser feliz com o Potter e tire seu dedinho podre da minha vida chata, ótimo.
- Seu mal humor é típicamente Ronald Weasley! _ ela bufou _ Especialmente quando não estamos fazendo o que você quer, quando você quer e como você quer.
- Sério? Eu pensei que tivesse herdado isso de alguma outra parte da família. _ meu senso de humor estava abaixo de zero, isso era fato.
- Você precisa dar a ele uma chance.
- Pra ele me comer? Claro, porque o poderoso Scorpius Malfoy deve ser muito bom de cama... _ eu tentei evitar divagar sobre como poderia ser mas a noite anterior tornou isso um pouco impossível.
- Na verdade sim, mas isso não vem ao caso.

Ok, ok. Eu precisava digerir essa.

- Ok, você por acaso tem algum tipo de problema com os homens que me interessam? _ eu não pude evitar, foi mais forte que eu.
- Devo assumir que você se interessa por Scorpius? _ Nique aproveitou a deixa como provocação.
- Não mude de assunto. _ virei o rosto para encara-lá nos olhos, eu queria não transparecer mas estava cuspindo fogo feito um Meteóro Chines, ou seja lá qual for a raça do dragão maldito.
- Foi no quarto ano... férias de Natal. Nos embebedamos, como você está cansada de saber, acontece sempre quando estamos juntos... E fumamos alguns, e ficamos um pouquinho fora de nós mesmos... E bem, começamos a nos beijar, o que até ai é bem normal... Acontece com frequencia... E então quando percebemos estavamos transando nos jardins dos fundos de madrugada... Mas cara, não foi nada tipo "Oh minha primeira vez foi perfeita"... É o Scorpius!
- Acontece sempre quando estamos juntos, acontece com frequencia, transando nos jardins dos fundos, e oh, é só o Scorpius... Sério Nique, seus planos são de ter os dois pra você, é isso? Porque James, é tipo... o amor da sua vida, e Scorpius é o seu melhor amigo, pra quem você costuma dar de vez enquando...
- ROSE! Não foi isso que eu quis dizer, olha... que droga é essa que você está pensando de mim?
- Eu não estou pensando nada, é você quem está dizendo, bem claro por sinal.
- Estou dizendo o que Rose Weasley? _ suas bochechas coraram violentamente, agora não era só eu quem estava cuspindo fogo.
- Dizendo que você não se cansa em ter James pra te satisfazer, porque Scorpius é algo como um mal necessário.
- E que eu estou cedendo pra você! _ ela berrou apontando o dedo na minha cara.
- Cedendo pra mim? Cedendo pra mim? Conta outra Dominique! Eu não preciso que você ceda homem nenhum pra mim! Eu consigo conquistá-los por mim mesma.
- Percebe-se, você tem um tato muito grande... tipo o da sua mãe.
- NÃO VENHA FALAR DA MINHA MÃE! _ peguei a varinha do bolso e antes que percebesse ela já estava apontada no rosto de Nique assim como a dela estava apontada para o meu _ Não é a minha mãe que conquista por outros meios...
- HEY HEY HEY! _ Scorpius berrou, provavelmente atravessou algumas filas de alunos para chegar até a gente _ O que tá rolando aqui?
- Tire suas patas imundas de mim _ eu resmunguei, palavra por palavra, contando ate dez para tentar manter a calma.
- Dominique, o que está acontecendo?
- EU VOU MATAR ESSA GAROTA MIMADA, CHEIA DE VONTADE... EU VOU ACABAAAAR COM ELA! _ e então ela tentava balançar a mão com a varinha enquanto Scorpius mantinha o peso de sua mão sobre a dela.
- Ninguem vai matar ninguém, vão pro inferno as duas. _ ele foi seco e rude _ Me falem o que diabos está acontecendo!
- Nique não está satisfeita em tomar só James de mim, ela tem que tomar você também, lógicamente. _ falei sem pensar, no auge da raiva, e em um tom alto o suficiente para ser ouvido por muitos alunos.
- Eu não tomei James de você, é você quem nunca soube dar a ele o que ele quis! _ ela berrou em zombaria _ E Scorpius não é de ninguém, aprenda. Ele é de todo mundo.
- O que eu não soube dar Nique? O que eu tenho no meio das pernas? Foi isso que ele disse a você também? Então vejamos... POTTER! POTTER SEU INFELIZ APAREÇA AQUI, E EU SEI QUE VOCÊ ESTÁ EM ALGUM LUGAR....
- Você tá afim de mim? _ Scorpius interrompeu meus gritos e largou a mão de Dominique se aproximando perigosamente _ Está mesmo afim de mim?
- POTTER! POOOOOOOOOOOOOTTER! _ eu continuei berrando ignorando qualquer coisa que viesse em minha direção até ver os cabelos negros e despontados dele chegando logo atrás de Malfoy _ Tudo bem, pode contar a eles, conte pra quem quiser ouvir.
- Contar o que? Rose, você tá doida? Sério, desde ontem você vem se comportando de uma forma absurda... Isso não é normal, não é natural de você...
- E é muito bom, porque mostra que você não é um robô. _ Scorpius completou com um sorriso de deboche.
- CONTE TUDO A ELES! _ eu continuei berrando, livida de raiva _ Conte a eles quando, onde, como, quantas vezes... conte tudo.
- Rose você não vai...
- DESEMBUCHE POTTER, EU ESTOU MANDANDO!
- Você não manda em mim. _ ele disse simples _ Mas eu não quero entrar em outra briga, o que voce quer que eu diga, seja direta.
- Diga a eles se a gente transou. _ eu falei baixo.
- Sim, a gente... é a gente transou. _ ele falou ainda mais baixo, incapaz de olhar no meu rosto, ou no de Nique.
- VOCÊ MENTIU PRA MIM SEU CRETINO! _ Nique deu dois passos na direção de James e Scorpius a puxou para trás a segurando pelas vestes.
- Eu não era o seu namorado, estávamos nós dois errados em tudo. Ela era minha namorada, era pra ela que eu devia sinceridade, fidelidade e outras tantas coisas que eu não fiz... Não pra você. E se ela não queria outras pessoas sabendo das coisas que faziamos entre quatro paredes, eu não ia ser um otário de sair falando.
- Diga a ela, com todas as letras. Ela veio falar que eu nunca soube dar o que você quis. Diga a ela James Potter, mas diga claro, claro como água. _ eu falei, mas soou quase como um rosnado.
- Ela me deu tudo como eu quis, quando eu quis, e em todos os momentos em que estivemos juntos. _ ele falou simples, tentando evitar detalhes.
- Eu disse pra você ser claro, Potter.
- Rose, para com isso, é o suficiente. _ ele me encarou chateado, estava escrito em sua testa como era ruim vê-la daquele jeito, quase devastada.
- Ela gosta de jogar as coisas na cara, não gosta? Então vamos ver qual é a reação quando é ela quem toma! _ respondi alegremente _ Diga a ela James.
- Rose pode parecer fria... mas bem, ela não é. Ela não é como todas as garotas que dizem e expõe o que sentem, ela prefere as coisas mais reservadas... Ou pelo menos costumava preferir. Eu gostava de quando ela ficava por cima... o modo como ela se movimentava, subia e descia, me deixava louco... e quando transavamos em pé... _ e então ele começou a falar, desesperadamente, com um sorriso enviesado no rosto _ e eu a segurava no meu colo, só uma sensação ganhava dessa... a sensação de quando ela me chupava, porque sim, ela é muito, muito boa com a boca e a lingua...
- PARE COM ISSO DROGA! É o suficiente. Mas que merda! _ Nique levou a mão à boca de James em um tapa, porem o calando _ É isso o que você queria? Me fazer sentir no chão? Porque é isso que você tem Rose! Me obrigar a ver ele falando as coisas desse jeito... E ver a forma como ele se lembra delas...
- É como você quer que eu me sinta. E não é nem de longe o que você fez comigo, mesmo sendo minha melhor amiga. _ fui direto ao assunto _ Você ficava com o meu namorado pelas minhas costas.
- Mas era você quem transava com ele, não eu. _ ela retrucou.
- Isso não vem ao caso. Você o pegou, é esse o fato.
- Eu amava ele! Você não! O que há de errado nisso? Injusto é você o manter com você sem dar a ele o direito de ser amado também!
- Que rasgação de seda do caralho, a familia de vocês precisa de terapia de grupo, for real. _ Scorpius riu balançando a cabeça negativamente _ Sério, eu queria ver a cara do Weasley quando soubesse que o filho do melhor amigo traçava a filha dele por ai.
- Seria melhor do que quando ele soubesse o tipo de pessoas com quem a filha anda dando uns amassos indevidos. _ Potter retrucou, retomando a pose do velho égo ferido.
- Não me ponha no meio dos seus problemas. _ ele riu _ Sério, querem mesmo brigar por isso? Porque James teve alguns orgasmos? Qual é o grande problema ai?
- Não é só por isso, tudo começou porque Rose descobriu que perdemos a virgindade juntos. _ Nique entregou o ouro, de bandeja, vingativa. Dominique Vingativa Weasley, esse deveria ser o nome dela.
- Ah, por favor... Estavamos drogados. Bêbados, nadando pelados. Eu estava na fase de não poder ver peitos e Nique já tinha alguns... que culpa eu tenho se eu fiquei de pau duro, e acabamos transando? Não foi nada marcante, foi besta, foi... engraçado. Nada demais.
- E que conta eu tenho com isso? _ resmunguei.
- Você queria saber, deveria ter perguntado. _ ele foi seco.
- Não queria saber, e não estou com ciumes, eu só estava te citando por exemplo.
- Então não vai se importar se começarmos a nos pegar agora certo? _ então ele puxou Nique pela cintura a juntando em seu corpo _ Ou se eu começar a beijar o pescoço dela...
- Ótima demonstração, é o suficiente. _ puxei ele pras minhas costas.
- Olha, que ciumentinha...
- Eu não estou com ciumes, eu não tenho ciumes. Principalmente de você... _ empinei o nariz e sai andando passos apressados a frente e gritando _ Nique, eu não terminei com você ainda.
- Eu também te amo Rose. _ ela gritou de volta, e James riu. _ E eu não terminei com você ainda seu imbecil... _ e então estralos, ela provavelmente estava dando alguns tapas nele _ Boa com a boca, sei. Vou te mostrar com o que eu sou boa.
- Estranhos. Vocês são todos, todos, estranhos. _ Malfoy resmungou andando devagar atras de mim, sem um pingo de pressa, metros e metros atras.

Eu e Nique eramos como gato e rato, estávamos sempre brigando, e nossas brigas nunca eram finalizadas, ainda eramos incapazes de parar de falar uma com a outra, de nos afastar, fosse o motivo que fosse. No fim, engoliamos nossas chateações e orgulhos por um motivo muito maior... por algo muito mais real. Que era o amor que tinhamos uma pela outra, muito maiores do que homens, familia... ou qualquer outra coisa. Era como se fossemos irmãs, daquelas com um amor inexplicavel, algo quase... gemelar.

- Sabia que você é uma graça? Andando por ai como uma pata, desesperada e fugindo de mim.
- Eu não estou fugindo de você. _ resmunguei _ E eu não pareço uma pata.
- Não que seja uma feia, alias. _ ele completou _ Mas enfim, ainda anda como uma pata.
- Ridiculo. _ bufei tentando acelerar o passo.
- Pare de fazer charminho, eu sei que você está doida pra que eu chegue perto.
- Ah claro, estou pegando fogo. _ juntei as mãos na cintura e girei o corpo pra tras _ Porque claro, eu morro de amores por você.
- Morre, não só de amores... de tesão também. Tenho certeza.
- Jura? Eu não sabia dessa. _ revirei os olhos _ Acabou? Tenho mais o que fazer.
- Casa dos Gritos... pode ser?
- Não, não pode. Saia da minha aba, pelamor Scorpius.
- Você não quer que eu saia... E se quer... Quer que eu saia rápido, ou devagar? _ ele já estava com o corpo a milimetros do meu e sussurrando no meu ouvido _ Com força, ou com delicadeza Rose? Você por cima, ou embaixo? De lado ou em pé? Pode ser do jeito que você quiser...
- Você deveria parar de brincar com o que não conhece. _ ri torto, eu adorava provocações.
- Pra mim não é novidade alguma que o gelo, queime, Weasley. A novidade pra você, é que eu gosto.