Ahhh, por favor, digam que estão felizes por eu ter demorado menos de um mês com esse capítulo :D

Esse capítulo tem um foco um pouco diferente, mas achei que valia a pena dedicá-lo todo a Konoha. Espero que gostem!

Disclaimer: Naruto pertence a Kishimoto Masashi-sama. (mas Ningyo, Tsuki e toda a nova geração de Konoha são meus! XD)


O Legado da Akatsuki

Capítulo X – A nova geração de Konoha

Minato e Hideki voltaram para Konoha sem dizer uma palavra um ao outro. Minato preocupava-se com as decisões que Ningyo tomara e também com o que Hideki diria quando reportassem a missão. Hideki, por sua vez, estava mergulhado demais na preparação de seu discurso ao Hokage. Ou isso era o que ele tentava fazer. Ver Ningyo o abalara muito consideravelmente. E, aparentemente, ela nem ao menos ligara para ele. E ainda tinha aquele garoto com ela... e a capa com a nuvem vermelha. Ele sabia que deveria lembrar o que aquele símbolo significava, mas simplesmente não podia forçar sua mente a lhe dar a resposta.

Quando chegaram à Torre do Hokage, Naruto recebeu-os imediatamente.

- Não fomos capazes de terminar a missão. – Minato anunciou. – Havia outros ninjas com a mesma missão que se adiantaram a nós.

- Ninjas de que País?

- Ninjas independentes. – foi Hideki quem respondeu. – Ningyo e um outro.

- Ningyo? – Naruto perguntou olhando para Minato.

O Hatake assentiu com a cabeça. O olhar dele dizia a Naruto que ele tinha outras notícias, mas que essas deveriam ser não oficiais.

- Ambos usavam uma capa negra com uma nuvem vermelha nas costas.

Naruto engoliu em seco e trouxe seu olhar de volta para Hideki. Ele não podia acreditar no que ouvia, por dois motivos: primeiro, porque não queria acreditar que Ningyo tivesse montado uma nova Akatsuki; segundo, porque não podia acreditar que Hideki a estivesse delatando daquela forma. O Hyuuga sabia que tudo que era dito ali passava pelos ouvidos do Conselho. Ele sabia disso e, mesmo assim, a estava delatando daquela forma.

- Muito bem. Vocês dois estão dispensados.

Assim que saíram, Naruto caiu pesadamente em sua cadeira. Tsunade entrou logo em seguida. A médica lendária já não tinha mais a aparência jovem que sustentava quando era Hokage, mas, mesmo assim, continuava não aparentando a verdadeira idade que tinha. Entretanto, ainda possuía as mesmas força e energia de outrora, senão mais.

- Eu ouvi o que eu ouvi? – ela perguntou chocada.

Naruto limitou-se a assentir.

- Você sabe no que isso acarretará, certo?

Mais uma vez, ele assentiu.

- Ela ainda não fez nada ilegal. – ele disse. – Enquanto se mantiver assim, teremos com o que argumentar aos Anciãos.

Tsunade balançou a cabeça.

- Ainda não consigo acreditar que ele tenha feito isso. – ela disse, referindo-se ao Hyuuga.

- Nem eu. – Naruto concordou. – Nem eu.


Mais tarde naquele mesmo dia, Naruto dirigiu-se a casa dos Hatake. Kakashi e Minato já esperavam por ele.

- Ouvi o que aconteceu. – Kakashi comentou, seu tom o mesmo que Tsunade usara. Era preocupação e pesar, tudo ao mesmo tempo.

Naruto balançou a cabeça, incerto sobre o que dizer. Toda aquela preocupação lhe renderia muitos cabelos brancos, ele sabia disso.

- Minato-kun, pode me contar o que sabe? – Naruto pediu.

O Hatake mais novo assentiu e começou:

- Meu pai mandou Pakkun rastreá-la e me deu sua localização como presente de aniversário. Fui até lá no mesmo dia. Ela está morando em uma grande casa em estilo oriental perto de uma vila civil nos arredores da Pedra.

- A casa de Deidara. – Naruto comentou, lembrando-se vagamente do que lera sobre o especialista em explosões nos arquivos confidenciais da Folha.

- Imagino que sim. Mas, ela não estava sozinha, Naruto-san.

- Fala do tal garoto que agora é seu parceiro?

Minato assentiu e soltou um longo suspiro.

- Ele é um Uchiha. Uchiha Tsuki, filho de Uchiha Itachi.

- Uchiha? – Naruto exclamou, espantado.

- Sim. Ele é um pouco diferente de tudo que ouvi falar sobre os Uchihas, mas mesmo assim... Não gostei dele. Ningyo me disse que eles eram um time agora, mas eu não acreditei realmente. Até que os vi ontem na floresta.

- A capa... tinha mesmo uma nuvem vermelha?

Minato assentiu pesarosamente.

- Mas não era a mesma capa. Era outra. Não acho que Ningyo fará nada ilegal, mas ela está convencida a ser parceira desse Tsuki.

A testa de Naruto enrugou-se enquanto ele tentava desesperadamente entender o que se passava na mente de Ningyo.

- Ela está convencida de que nunca será aceita de volta. – Minato disse.

E como Naruto podia discordar dela? Por mais que quisesse sua filha (sim, ela era sua filha) perto de si, ele sabia que jamais conseguiria que os Anciãos aprovassem seu retorno. E mesmo que eles aprovassem, o que seria da vila dela na vila? Quem confiaria nela? Todos a olhariam com os mesmos olhos que Hyuuga Neji a olhara. Desprezo profundo. Não era essa a vida que ele queria para ela.

- Não a culpo. – Naruto disse, por fim. – Só realmente não esperava por essa.

Kakashi, que se mantivera calado por todo esse tempo, olhava para seu ex-pupilo com um misto de pena e preocupação. Sakura fora impecável ao escolhê-lo para assumir Ningyo. De todos os shinobis em Konoha, ele era o único que não seria expulso quando o segredo da menina fosse exposto. Embora fosse impossível poupá-la, os Anciãos não podiam nem retirá-lo de seu cargo. Naruto era um bom Hokage. O melhor que a vila já tivera. Sakura sabia disso, e os anciãos também.

- Yare, yare... – Naruto suspirou, jogando-se no sofá. – Jamais imaginei que Hideki fosse delatá-la daquela forma.

- Ele é um babaca. – Minato resmungou.

Nem Naruto nem Kakashi puderam não rir do comentário do mais novo.

- O que está havendo com ele, Minato? – Naruto perguntou.

- Ele está furioso por ela nunca ter contado e, ao mesmo tempo, não consegue aceitar a verdade. Ele detesta o fato de que ela filha de um Akatsuki. E agora que ele tem a tarefa de cuidar de Hyuuga Haruka ele está ainda mais mal-humorado.

- Hyuuga Haruka... – Naruto repetiu o nome. – Eu disse a Hinata que não era uma boa ideia, mas ela simplesmente não me escutou.

- Ela estava preocupada, não estava? – Kakashi perguntou. – É o sobrinho dela, afinal.

Naruto assentiu. Ele sabia que o motivo era esse, mas, mesmo assim, não concordava com a péssima ideia da nova chefe do clã Hyuuga.

- Em breve ela deve se integrar ao time de vocês, Minato.

Minato fez uma careta.

- Posso ser remanejado?

Naruto e Kakashi riram.


À noite, naquele mesmo dia, o bar shinobi preferido de todos estava lotado.

Minato divertia-se, pela primeira vez desde que voltara de sua missão, com a cara que Shiranui Daisuke fazia ao observar Sarutobi Sayuri dançando. Como o Hatake já esperava, após começarem a namorar, não demorou duas semanas para o casal se desentender e terminar. Embora Minato soubesse que aqueles dois eram feitos um para o outro, eles não pareciam reparar nisso.

- E olha isso, até os primos delas estão olhando! – Daisuke reclamou, referindo-se a Konohamaru e ao filho de Kurenai e Asuma.

Minato riu.

- Eles estão olhando com a mesma cara que você, Shiranui. – o Hatake disse.

Daisuke sabia que ele tinha razão, mas não tornava nada melhor.

- Desse jeito ela pode mudar de ocupação e ir trabalhar como stripper.

Minato riu mais uma vez e Yamanaka Kenchi apenas revirou os olhos.

- Você sabe que ela só faz isso porque você se importa, certo?

Daisuke limitou-se a bufar e virar o copo de líquido âmbar a sua frente. A maioridade não lhe fizera muito bem. Do mesmo jeito que não fizera a seu pai, Genma. Mas como culpá-lo? Com um pai daqueles, não havia outra saída para ele. Nem para Minato, para inclui-lo na conversa, já que ele só existia devido ao excesso absurdo de álcool na corrente sanguínea de seus pais na ocasião em que ele fora gerado.

Não obstante, Minato também bebia. Bebia para tentar apaziguar sua mente e seu coração, perturbados pelos acontecimentos das últimas semanas. Ningyo. Tsuki. Akatsuki. Hideki. Delatação. Como lidar com tudo aquilo? Como lidar com o fato de que seu time jamais seria como um dia fora? Como lidar com o fato de que quando ele tivera uma pequena chance com Ningyo, ela teve de sair Konoha para nunca mais voltar?

Era tudo muito frustrante.

Por isso, ele ria da pequena desgraça que se abatia sobre seu outro melhor amigo, Daisuke. Ele ria porque era bom rir dos problemas simples, dos problemas de um ser humano normal.

- Conseguiu se livrar, Abi-chan? – ele perguntou quando a Inuzuka sentou-se com eles.

- Nem me fala. – ela suspirou. – Ela está ficando louca, eu juro que está. – pela última meia hora, Sayuri obrigara Abi a dançar com ela, o que não fora muito agradável à jovem Inuzuka. Não que ela não gostasse de dançar, mas a Sarutobi estava simplesmente insana. – Daisuke-kun o que você fez para ela?

Daisuke grunhiu.

- Por que a culpa tem que ser minha?

- Porque sempre é. – ela riu-se da indignação do Shiranui.

- Até você, Abi-chan? – ele resmungou.

- Se você resolver o péssimo humor dela, posso te perdoar.

Daisuke cruzou os braços no peito e fechou a cara. Abi riu mais uma vez. Minato riu com ela. Ela estava diferente... Diferente da menina tímida que ela era aos doze anos. O Hatake nunca realmente tivera tempo de perceber como ela tinha mudado.

- Ne, Minato-kun – ela disse baixinho, quando Daisuke e Kenchi não estavam prestando atenção. – Você sabe alguma coisa da Ningyo-chan?

Minato olhou para ela com cautela. Não sabia se podia confiar esse tipo de assunto a seus amigos de infância.

- Ela... está bem. – ele sussurrou.

Ele lembrava-se de Ningyo dizendo que Abi era a única que de fato considerava como amiga entre as kunoichis que se formaram com eles.

- Ah! Que bom! Você a viu! Fico feliz.

Minato estava intrigado. Ningyo havia se tornado um assunto tabu entre o grupo, por que Abi perguntara?

- Você não liga? – ele perguntou.

Apesar de parecer uma pergunta enigmática, Abi entendeu muito bem o que ele quis dizer.

- Ningyo é Ningyo. Saber que ela é filha de um Akatsuki não muda quem ela é. O que me importa é a Ningyo que eu conheci.

E com isso, Minato sorriu, fazendo a Inuzuka corar. Os sentimentos da menina eram uma agradável surpresa no meio do amargo gosto que sua vida agora tinha.

- Obrigado, Abi.

O rosto da menina queimou ainda mais. Ele não precisava agradecê-la por acreditar em Ningyo.

- Ela é minha amiga também. – ela disse mais para sim mesma do que para ele, mas isso não o impediu de escutar.

- Eu sei. – ele respirou profundamente e continuou: – Mas as coisas vão ficar complicadas para ela agora.

Abi não tinha como saber do que ele falava, mas ela podia compreender que ele sabia bem mais do que lhe dizia. E ela não o culpava por não dizer, ele estava apenas preservando sua melhor amiga o máximo que pudesse.

Abi sorriu, conformada com seu amor por ele. Como era possível não amá-lo? Ele era leal ao que acreditava, era gentil e extremamente forte ao mesmo tempo. Um dos melhores ninjas da geração deles. Sem contar que, quando sorria, Abi tinha a impressão de que o mundo todo parava para sorrir com ele.

- Shiranui, cala a boca. – a devaneação de Abi foi brutamente cortada pela voz entediada e raivosa de Kenchi. – Não aguento mais você! Se está tão incomodado, vá até ela e tire-a de lá.

Daisuke empalideceu e Minato não conseguiu segurar uma risada.

- Ele tem razão, Shiranui. – o Hatake disse, terminando o líquido quase transparente no copo a sua frente.

- Não vou. – Daisuke disse, cheio de convicção.

- Olhe ali para o outro lado, – Minato continuou a instigá-lo. – aquele ali é Sabaku no Kohaku, filho do irmão do Kage de Sunagakure, Kankurou. Ele está de olho em Sayuri desde que chegou na vila, e ele vai embora daqui a três dias. Se você não agir, ele vai.

Daisuke encarou seu recém-descoberto rival. Ele estava encostado na parede, os braços cruzados, os olhos acompanhando cada movimento da Sarutobi. Ele não parecia ser mais velho do que eles; sua pele era clara demais para alguém que morava no deserto; seus olhos não eram nem escuros nem claros, e tinham um mistério indecifrável; o cabelo era de um castanho intenso, quase preto, mas sem o ser. Daisuke sabia que ele era o tipo de homem que nenhuma garota conseguiria resistir. Ele próprio era como Kohaku.

Mas Daisuke não conseguia se mexer. Por mais que algo dentro dele queimasse para que agisse e impedisse o forasteiro de se aproximar da sua garota, ele não conseguia. Seu orgulho ferido o impossibilitara de se mover. Afinal, ele era um Shiranui. Como Genma, ele não precisava fazer esforço para que alguma garota se interessasse por ele. Seu charme e mistério se encarregavam disso. Mas Sayuri... Sayuri teimava em não obedecer àquele preceito. Ela não era como as outras, ele sabia disso. Era por isso que ela estava em seu coração e as outras não.

Kohaku se desencostou da parede e andou em direção à pista de dança, cortando por entre seus ocupantes com uma calma e elegância inigualáveis. Ele se aproximou de Sayuri e sussurrou em seu ouvido. Ela sorriu. Eles dançaram juntos. E saíram do bar. Tudo isso sob o olhar atento de um Shiranui embasbacado.

Ele não podia acreditar que ela havia saído dali acompanhada daquele cara. E que ele não mexera um único dedo para impedi-la.

Minato pôs uma mão no ombro de Daisuke.

- Não desista. – ele disse, a ironia completamente abolida de sua voz.

Ele sabia que o amigo estava sofrendo. Ele, mais do que ninguém, entendia o sentimento.

- Não preciso dela. – o orgulho ferido falou por ele.

- Problemático. – Kenchi suspirou.

- Daisuke-kun. – o tom de voz de Abi era de represália. – A culpa é sua e você sabe.

Se fosse Kenchi ou Minato lhe dando bronca, Daisuke se irritaria e lhes daria uma resposta mal criada. Mas era Abi. E ele não podia ser grosso com ela. Não quando ela estava certa.

- Ele sabe disso. – ele ouviu Minato dizer.

- Mas tem que ouvir de alguém. – Abi continuou. – Daisuke-kun, como você quer que ela fique com você quando isso é tudo que você faz por ela? Você sabe que o namoro de vocês terminou por sua culpa e agora ela foi com Sabaku-san também por sua culpa. Tome jeito!

Daisuke abaixou a cabeça e Minato estava impressionado. Só Abi para passar aquele sermão no Shiranui sem que ele revidasse. Mas o Hatake sabia que Daisuke sucumbiria se ouvisse mais.

- Ei, Abi, agora que Sayuri se foi, você quer dançar?

A seriedade da Inuzuka foi imediatamente substituído por bochechas que queimavam, vermelhas.

- C-com você? – ela gaguejou.

- Sim, comigo. – ele sorriu. – O que me diz?

Ela imediatamente assentiu e eles foram para a pista de dança, deixando para trás um Yamanaka entediado e um Shiranui que afogaria suas mágoas em álcool.

Eles dançaram por um tempo sem emitir palavra alguma. Abi simplesmente não tinha coragem de falar. Ela tinha medo que aquele momento se quebrasse com o soar de sua voz. E, de fato, não durou muito. Quando Hideki entrou no bar e sentou-se ao lado de Daisuke e Kenchi, Minato se desculpou e voltou a se sentar com eles. Envergonhada, Abi continuou dançando, dessa vez com suas companheiras de time: Akimichi Yuuka e Aburame Naoko.

- Já desistiu de tentar conquistar Ningyo, Hatake? – Hideki debochou assim que Minato se sentou ao lado dele.

Para a sorte de ambos, Daisuke e Kenchi tinham acabado de se levantar para pegar novas bebidas.

- Por acaso há algum mal em dançar com a Abi? – Minato perguntou revirando os olhos. – Você devia tentar, além de dançar bem ela é uma ótima companhia.

- Então, você assume que ama a Ningyo? – Hideki perguntou, agora com raiva.

- Qual o seu problema, Hyuuga? Ontem mesmo você a tratou como se não passasse de uma pedra que se pôs em seu caminho. Hoje de manhã você a delatou como se ela fosse sua inimiga! Às vezes eu me pergunto se você realmente a amou.

- Você quer me irritar?

Minato suspirou.

- Já cansei de você. Por que não volta a ser cão de guarda da sua Hyuuga e para de atrapalhar os outros?

Hideki rosnou. Provando que realmente era só um cão de guarda.

- Já me esqueci da época em que você era uma pessoa normal. – Minato continuou. – Eu sei que sem ela jamais seríamos um time normal, mas ela não esteve aqui durante quatro anos. E você nunca foi esse imbecil que é agora.

Com essa frase, Hideki não pode se segurar. Ele pulou para cima de Minato, pronto para lhe dar um soco, mas antes que pudesse atingir o gênio Hatake, Kenchi e Daisuke o pararam. Imediatamente, Abi, Yuuka e Naoko se aproximaram.

- Já chega, Hideki. – Kenchi falou.

- Me solta. – sua voz era baixa e ameaçadora.

- Se você quiser arrumar confusão com ele, vai arrumar com todos nós. – inesperadamente, foi a voz de Aburame Naoko que soou.

- Então é assim? – O Hyuuga disse, olhando a sua volta. – Todos vocês estão do lado dele?

- Não estamos do lado dele, Hideki. – Daisuke falou. – Sabemos o que descobrir a identidade do verdadeiro pai de Ningyo causou em você, mas nenhum de nós liga para isso. Por nós, ela ainda estaria aqui, como sempre esteve antes dessa merda toda acontecer.

Hideki chocou-se com aquela frase. E Minato também. Quer dizer que eles haviam conversado sobre ela? Quer dizer que nenhum deles era estúpido como Hideki?

- Como é possível que nenhum de vocês entenda? – Hideki encarava o chão, os olhos perolados cheios de raiva e mágoa. – Ela é filha de um Akatsuki!

- E daí? – Akimichi Yuuka perguntou. – Por acaso você olha para Daisuke pensando em Genma-san? Ou para Abi pensando em Hana-san? Por que olharia para Ningyo pensando nesse tal de Deidara? Você nem mesmo o conheceu! Mesmo sendo de uma organização criminosa, você não sabe o que aconteceu para ele estar lá ou que ele fazia sendo um membro da Akatsuki.

- E, de qualquer forma, – Abi continuou – Ningyo é a Ningyo. A que cresceu com você, a que te amou e respeitou as regras que você como Hyuuga achava que tinha que seguir. Por que você acha que ela foi embora logo que a descobriram, Hideki? Naruto-sama a protegeria não importa o motivo. Ela foi embora para não causar problemas a Hinata-san. Ela foi embora para não causar problemas a você.

Minato encarou Abi com surpresa.

- Vocês... ouviram nossa conversa quando ela foi embora?

- Claro que preciso. Imagine o problema que irei causar para a Vila. Naruto vai tentar me proteger e prejudicar seu cargo como Hokage. Você e Kakashi-sensei também terão problemas. Seu pai também é muito importante para a Vila, Minato. Também não posso prejudicar vocês dois. E os Hyuuga... Posso prejudicar a votação para Hinata-san se souberem que eu estava envolvida com Hideki. – seu olhar se tornou triste. – Não posso fazer nada disso com nenhum de vocês.

- Claro que ouvimos. – Kenchi disse. – Estávamos todos lá naquele dia.

Hideki mal podia acreditar no que ouvia. Todos eles entendiam. Todos eles aceitavam. Mas ele não podia, não conseguia. Era mais forte do que ele, corria em seu sangue. Por isso, ele se sentiu traído. Todos aqueles que, supostamente, eram seus amigos estavam contra ele.

- Isso não é uma guerra. – Daisuke disse, como se tivesse escutado os pensamentos do Hyuuga. – Não há lados aqui, Hideki. Ningyo é uma de nós. Você também. Só falta você mesmo perceber isso.

Com essas palavras ecoando em sua cabeça, Hideki saiu do bar sem dizer nada.

- Acha que ele vai ficar bem? – Yuuka perguntou.

Kenchi deu de ombros.

- Ele é muito problemático.

Daisuke ergueu uma sobrancelha.

- Tem certeza que você é um Yamanaka? Cada dia mais, acho que você parece um Nara.

- Shikamaru-san comparece a muitas reuniões da família. – Kenchi disse simplesmente.

Todos riram.

Para Minato, a noite também já havia rendido o suficiente. Ele simplesmente saiu, limitando-se a acenar para os que ficavam para trás.

Mas, antes que pudesse chegar em casa, uma voz o alcançou.

- Minato-kun! – era Abi que corria até ele.

- Algum problema?

- Não... eu só queria... precisava... – ela respirou fundo, tentando ganhar de volta sua compostura. – Eu preciso te dizer uma coisa. Preciso dizer logo antes que me consuma.

Minato a encarou sem entender.

- Eu... eu te amo!

Abi não pode deixar de perceber o choque espalhando-se pelos olhos acinzentados do Hatake.

- Eu não sei o que... – ele começou, mas não conseguiu terminar.

- Não precisa responder nada. – Abi sorriu. – Eu sei que você ama a Ningyo. Eu só precisava dizer logo de uma vez ou nunca mais diria.

Minato também sorriu.

- É assim tão óbvio?

Abi riu.

- Não, não é. Mas eu estava prestando atenção.

Com isso, ela saiu correndo, misturando-se ao breu noturno e deixando Minato com ainda mais coisas para refletir antes que pudesse, enfim, encontrar seu tão merecido sono.

"Will the end reeks of salty cheeks

And runny make up alone

Or will blood run down the face

Of a boy bewildered and scorned

And you'll find yourself in a skirmish

And you wish you'd never been born

And you tie yourself to the tracks

And there isn't no going back

And it's wrong wrong wrong

But we'll do it anyway cause we love a bit of trouble

Are you pulling her from a burning building

Or throwing her to the sharks?"


Tradução da Música: vão os fins cheios das bochechas salgadas/ e a maquiagem que escorre estar sozinhas/ ou sangue vai escorrer do rosto/ de um menino confuso e desprezado?/ E você se encontrará em conflito/ e desejará nunca ter nascido/ e vai se amarrar nos trilhos/ e não há caminho de volta/ e é errado, errado, errado/ mas faremos de qualquer forma porque adoramos um pouco de problema/ você a está tirando de um prédio em chamas/ ou lançando-a aos tubarões?

Balaclava by Arctic Monkeys