Luthier – A Melody to Dream.

(Uma Melodia para Sonhar)

By Dama 9

Nota: Os personagens de Saint Seya não me pertencem, apenas Juliana é uma criação minha, como um presente especial para uma grande Ficwriter, a Kaliope, autora da fic Galácticas na Grécia.

Capitulo 10: Only If.

Quando existe uma viagem,

Você segue uma estrela.

Quando existe um oceano,

Você veleja de muito longe.

E para o coração partido, existe o céu.

E para o amanhã, existem aqueles que podem voar.

(Apenas se – Enya).

.I.

Segurou firmemente o puxador da mala entre os dedos, seus pés caminhavam trêmulos pelo chão da saída de embarque e desembarque. A voz automática do anunciador de vôos soava longínqua para si, mas não tão longe quanto seus pensamentos que pareciam ter ficado em Paris; ela pensou vendo uma jovem acenar que nem uma doida para si e sair correndo.

Olhou para os lados como quem não quer nada, tipo, fingindo que não conhecia, mas não pode deixar de sorrir ao vê-la serrar os orbes notando suas intenções. Ah como era bom estar em casa; suspirou calmamente.

-Pensei que fosse desistir; a morena falou abraçando-a fortemente, assim que estavam próximas o suficiente.

-Eu disse que vinha, não? –Juliana rebateu, aconchegando-se nos braços da amiga.

Como sentia falta daquilo, de ter os amigos por perto, da amiga pentelha pra lhe dar colo quando queria enfiar o pé na jaca e mandar o mundo todo a merda; ela pensou sentindo os orbes marejarem.

-Agora você esta em casa; Sheila sussurrou. –Vai ficar tudo bem;

-...; assentiu, vendo que a poucos passos dali um rapaz de cabelos castanhos esperava-as pacientemente com uma criança em seu colo.

Franziu o cenho, porque toda mãe tinha mania de colocar rosa na menina quando ainda era pequena? –Juliana se perguntou, sabendo do gênio até meio rebelde da amiga, mas quando o assunto era ser mãe, ninguém fugia ao clichê.

-Aquela é-...;

-Sim, a Clara; Sheila falou se afastando e puxando-a consigo. –Mas vamos logo, temos muito que conversar;

Assentindo deixou-se levar pela amiga pelos corredores do aeroporto. Apesar de tudo, sentia-se bem ali, talvez fosse melhor as coisas terem acontecido da forma que aconteceram afinal; ela pensou tentando se resignar.

-o-o-o-o-o-

-Então? Quanto tempo pretende ficar? –Leandro perguntou, enquanto as duas amigas tagarelavam no banco de trás e o pobre coitado bancava o chofer, já que em hipótese alguma deixaria a esposa dirigir ou ir na frente com a menina no colo. Não que ela fosse fazer isso, mas algumas coisas eram necessárias deixar claro, para não haver hipótese de duvida depois.

-Não sei; Juliana respondeu em meio a um suspiro.

-Amor não seja chato, ela acabou de chegar; Sheila resmungou, enquanto acomodava a pequena entre os braços.

Juliana sorriu, até disso sentia falta. Virou-se para a janela vendo o carro passar em frente ao teatro municipal, isso lhe trazia lembranças; ela pensou encostando-se no vidro.

Não estava dormindo, apenas fechara os olhos ao sentir-se atordoada fitando o teto branco, ouviu Carite murmurar algo e se aproximar da porta. Pensou em perguntar quem era, mas estava cansada, seu corpo ainda estava dolorido.

Um arrepio correu suas costas e uma estranha corrente de ar entrou no quarto quando a ninfa abriu a porta. Manteve-se em silencio tentando ouvir a conversa, mas Carite falava baixo demais.

Sentiu a aproximação de alguém, quem será? Um perfume inebriante pareceu tomar conta do quarto e o arrepio em sua espinha tornou-se mais intenso, sabia quem era; ela pensou, estremecendo antecipadamente.

-Adeus; ouviu-o murmurar.

Assustou-se com o tom pesaroso na voz dele e o toque quente e breve dos lábios do espectro sobre os seus, pensou em abrir os olhos e dizer que estava acordada, mas não conseguiu. Sentiu um nó formar-se em sua garganta e palavra alguma saiu.

A porta fechou-se novamente e lagrimas caíram de seus olhos ainda fechados.

-Juliana; Carite chamou vendo-a abrir os olhos e as lagrimas verterem ainda com maior fúria.

Não disse palavra alguma, levantou-se ainda com o corpo doendo, fazendo os suportes de medicamentos ao lado da cama irem ao chão. Não podia permitir que aquilo acontecesse.

-Aonde vai? –a ninfa tentou segura-la, mas não houve tempo, não sabia o que estava acontecendo ou de onde vinha aquela força toda que ela estava demonstrando ter, mas ela não estava recuperada completamente para se levantar sem ordem medica.

Retirou tudo que lhe prendia a cama e pegando o casaco pendurado em um gancho atrás da porta, vestiu-o rapidamente saindo dali. Ouviu Carite lhe chamar, mas não deu atenção, continuou a correr.

Seus olhos vasculhavam cada canto que alcançavam, procurando por ele até avistar a saída.

Algumas enfermeiras tentaram deter-lhe o caminho, mas de alguma forma pareciam imóveis, ou seria ela mesma a sentir-se tão agitada para ter essa impressão?

A porta de vidro abriu-se quando passou, viu-o quase dobrando a esquina, talvez conseguisse alcança-lo. Correu o máximo que seus pés ainda fracos conseguiam. Pessoas de vários lados olhavam-na com surpresa, mas não estava nem ai para aquilo.

Foi no final da rua que se deparou com a imponente construção do Arco do Triunfo, erguendo-se a algumas quadras dali. Estancou ao vê-lo entre a construção. Como ele fora tão rápido? –Juliana se perguntou atordoada.

Foi com grande surpresa que viu uma aura violeta envolver todo o monumento.

-AIACOS!!!

Momentos depois o cavaleiro desaparecia em meio ao portal que Napoleão falava tanto que tinha o poder de levar alguém dos céus ao inferno se o atravessassem.

-Ju; Sheila chamou balançando a mão na frente de seus olhos.

-Uhn? –murmurou piscando confusa.

-Você estava longe; a amiga comentou preocupada.

-Esta tudo bem, não se preocupe; tentou sorrir como garantia, mas até a amiga entendia que aquilo não era verdade.

Suspirou novamente, voltando a olhar através da janela, São Paulo erguia-se a sua frente como uma selva de pedra, como ela era atualmente conhecida, seguida por Nova York, entre outras metrópoles.

Não fora nada fácil deixar o hospital na manhã seguinte e se deparar com a triste verdade de que o ateliê fora destruído. Algumas coisas ainda haviam sobrevivido ao fogo, mas eram poucas se comparadas a todos os sonhos que ajudaram a erguer aquele lugar.

Dois meses já haviam se passado e nunca mais tivera noticia alguma de Aiácos, Carite mesmo depois daquele acontecimento tornou-se uma grande amiga e não deixou seu lado por nada. A pianista, mesmo recebendo chamados para ir se apresentar em outros lugares preferiu permanecer em Paris consigo até se recuperar completamente.

E pensar que a antipatia fora imediata no primeiro encontro; Juliana pensou, com um fino sorriso nos lábios. Depois daquele dia não ouviu falar mais de Alegra, não sabia por que, mas não conseguia se convencer de que fora o gás. Alguma coisa dentro de si não lhe deixava esquecer a doce melodia entoada por uma flauta que ouvira antes de desmaiar ou os braços calorosos que a carregaram para fora daquele inferno quando já havia perdido as esperanças de sair viva dali.

Ver Alegra em seu apartamento não fora uma alucinação causada pelo gás; a jovem pensou encostando a cabeça no vidro, continuando o resto da viagem em silencio. Quem sabe um dia a verdade pudesse ser revelada. Quem sabe...

.II.

Havia dito que poderia ficar em um hotel ou alugar algum loft até que sua antiga casa estivesse pronta, mas Sheila fora irredutível ao lhe dizer que ficaria com os três.

-Não adianta fazer essa cara; a amiga resmungou, enquanto tirava de dentro de uma gaveta da cômoda alguns lençóis e fronhas para levar até o quarto onde a jovem iria ficar.

-Que cara? –Juliana perguntou casualmente.

-Cara de quem esta achando que esta me obrigando a cometer o maior dos sacrifícios apenas por recebê-la aqui. Você já é da casa Ju, sem neuras; ela brincou.

Suspirou, sempre tão franca, também sentia saudades disso; Juliana pensou quase rindo desse pensamentos.

-Mas me diz, conheceu algum francês gostoso por lá, ou ficou na seca esse tempo todo? –Sheila perguntou como quem não quer nada, embora um leve sorrisinho malicioso se insinuasse em seus lábios.

-Isso porque você é casada, havia me esquecido de como andava seu vocabulário tão direto; ela ironizou.

-Sejamos sinceras nina, a França é a fonte; Sheila brincou piscando o olho marotamente. –E eu estou casada, não cega; a jovem ressaltou vendo a expressão tão centrada da amiga se descontrair. –Mas falando sério, ninguém? Alguém assim mesmo que não faça biquinho pra falar? –ela insistiu em saber.

-Bem...; Juliana ponderou. Frei Francis não contava, certamente que o palhaço apresentador de Alegria também não. É claro que desde que estivera na Franca tivera lá seus romances, mas nenhum que valesse a pena recordar-se, porém...;

-Pensou muito; Sheila falou batendo o pé a seu lado.

-Teve um cara, mas esse é mais um dos casos mal resolvidos que vão pro arquivo morto; Juliana falou em tom sombrio.

-O que ele fez? –a amiga perguntou.

-Nada; ela deu de ombros.

-Você não esta querendo dizer que ele bem...? –Sheila embaralhou-se nas palavras, mas pelo seu olhar horrorizado, Juliana logo se alarmou.

-Ele foi embora, só; ela apressou-se em responder, vendo-a suspirar aliviada.

-Dos males, esse é o menor; ela murmurou casualmente, vendo-a mais vermelha que seus cabelos. –Mas ele era bonito?

-...; Juliana assentiu. –Muito, tinha olhos azuis, mas às vezes pareciam castanhos de tão escuros que ficavam; ela murmurou com um olhar perdido, enquanto sentava-se na beira da cama. –Ele era bem diferente dos caras que já passaram pela minha vida;

-E porque você deixou ele ir? –Sheila perguntou como quem não quer nada.

-Foi ele quem decidiu ir, mal se despediu. Mas...; Juliana ponderou dando um baixo suspiro. –Era algo fadado ao fracasso desde o começo;

-Porque diz isso?

-Aiácos não era o tipo de cara que você sabe, esta na minha lista de 'sonho de consumo'; ela tentou brincar. –Ele era muito...;

-Caliente? –a amiga perguntou carregando o sotaque espanhol.

Entreabriu os lábios para responder, mas palavra alguma saiu, frustrada, fechou-os, sendo mirada pelo olhar divertido de Sheila.

-Ju. Ju. Você nunca foi lá grande fan desses almofadinhas que vemos por ai, seu tipo sempre foi aquele que tem fogo em vez de sangue correndo nas veias; ela brincou, vendo a amiga ficar escarlate. –Fingir o contrario é perda de tempo;

-Tem razão; Juliana resmungou, vendo que nem a si mesma conseguia enganar com aquela conversa fiada sobre preferências.

-Mas bola para frente nina, você vai ver que homens bonitos, cheirosos e gostosos são o que não faltam nessa Terra abençoada por Deus;

-E bonita por natureza; ela completou cantarolando.

As duas riram, sentindo a tensão esvair-se pelo ar. É, seria como começar de novo, mas agora não numa terra estranha e sim, em casa, com seus preciosos amigos por perto; Juliana pensou dando um baixo suspiro, enquanto via Clara remexer-se na cama despertando de um sono tranqüilo com aquele falatório todo.

.III.

Uma semana já havia se passado desde que tudo aquilo acontecera, mas de alguma forma não estava satisfeito com o desenrolar daquela historia, franziu o cenho ao ouvir o riso feminino atrás de si, como se ela soubesse exatamente o que estava pensando.

-Eu venci; ela brincou com um sorriso vitorioso nos lábios.

-No que exatamente? –o jovem de melenas negras perguntou arqueando elegantemente a sobrancelha fina.

-Sabia que você não ia agüentar; a jovem falou sentando-se ao lado dele no sofá forrado por delicadas mantas de juta, bordadas com fios azulados, representando de um lado a imagem de um céu estrelado, com a lua crescente e na outra metade, um dia quente, onde o sol brilhava intensamente.

-Tudo bem; ele suspirou pesadamente. –O que tem em mente?

-Uhn? –a jovem murmurou fitando o teto distraidamente, enquanto encostava a cabeça sobre o ombro dele. –Não sei exatamente, mas tenho alguns palpites; ela murmurou.

-Porque eu tenho a leve impressão de que vou me arrepender disso depois? –o jovem de olhos vermelhos balbuciou, afagando-lhe as melenas negras que caiam sobre seu peito.

-Ah, não vem com essa. Nem você esta disposto a deixar ao encargo do 'destino' que eles voltem a se encontrar; ela reclamou enfezada, porém um leve tom sarcástico tomou sua voz.

-Que seja; ele resmungou. –Vamos logo antes que eu desista; o rapaz falou levantando-se.

-Emmus; a jovem chamou correndo para acompanha-lo. –O que esta tramando? –ela perguntou vendo um sorriso nada inocente surgir nos lábios dele. Um sorriso recheado de segundas, terceiras e quartas intenções.

-Tive uma idéia, vamos ver se dará certo; ele comentou, enquanto ela enlaçava-lhe o braço.

-Seu chato; ela resmungou emburrada. –Isso é pretexto pra não me contar o que esta planejando, de um jeito ou de outro, você sempre consegue o que quer;

Um fino sorriso surgiu em seus lábios antes de desaparecer. Não acreditava em destino, o fato de ter o poder para mudar algumas coisas, não queria dizer que não gostasse de jogar contra os deuses de vez em quando; ele pensou matreiro.

.IV.

Assoprou a franja ondulada que caia sobre seus olhos. Estava começando a ficar entediada; Juliana pensou, enquanto o jornal que antes lia, jazia agora jogado sobre a mesa.

Há uma semana seu apartamento havia ficado pronto, não que a reforma que havia planejado fosse lá muito grandiosa, apenas mandara fazer uma faxina geral e pintar, deixando-o habitável pelo menos.

Olhou para uma mesinha num canto da lavanderia e viu a mala que ainda estava fechada. Desde que voltara não a abrira e ela ficara ali, limitada as quatro paredes apertadas da lavanderia.

Suspirou, estava na hora de resolver aquele pequeno problema. Enquanto esteve na casa da amiga, havia simplesmente se proibido de pensar em Paris, Aiácos e em tudo que acontecera lá nas ultimas semanas que antecederam o incêndio, mas não podia adiar para sempre isso.

Levantou-se e seguiu até lá, abrindo o ferrolho da mala, destravando o lacre que colocara para que nada fosse tirado dali caso a mala fosse extraviada no aeroporto.

Passou a mão levemente pela franja, colocando-a atrás da orelha enquanto inclinava-se sobre a mala observando tudo que estava ali.

As únicas coisas que restaram de sua vida em Paris. Um diário, que continha toda a historia dos luthiers da família, desde o bisavô ao avô e até alguns momentos seus que resolvera registrar naquelas paginas.

Pelo menos algumas lembranças boas lhe restavam, pois era ali que estavam seus segredos. A forma como o avô lhe ensinara que o abeto era a melhor madeira para se construir o instrumento de cordas, sendo encontrada na Alemanha, lugar de onde tivera de exportar diversas vezes para construir os instrumentos de luxo, como chamava, algumas obras constituídas por pedidos pessoais.

Suspirou lembrando-se de quando era pequena e o avô segurando-lhe no colo, mostrava-lhe pequenos nacos de Ébano, a madeira negra que era usada para o espelho, já que ele sustentava a pressão das cordas e das demais partes que necessitavam de rigidez e resistência, devido à pressão.

Sorriu enquanto cada uma das lembranças voltavam a sua mente, como se houvessem esperado todo aquele tempo para lhe lembrar pelo que começara a lutar.

Fora do avô que ganhara o primeiro violino, seu fiel companheiro até os dias atuais. Mesmo fazendo os seus, jamais o substituirá por outro e graças a Pierre ele não fora destruído no incêndio, já que o francês fora o primeiro a conseguir entrar no ateliê e retirar o estojo semi-chamuscado de lá.

Remexendo em algumas coisas encontrou algumas lasquinhas de abeto, sem querer acabou por batê-lo na borda da mala e imediatamente ouviu um leve ressoar da madeira virgem.

Depois vieram os segredos de como usar as cordas com aço revestido de alumínio para terem resistência e vibrarem com facilidade. Lembrava-se que diversas vezes o avô lhe contara que a construção mais tradicional do instrumento de corda eram usadas cordões feitos com tripas de carneiro, naquela época em que o erudito era chamado de musica de ciganos, já que ele tornara-se mais popular entre as caravanas.

Sorriu, lembrando-se de sua expressão horrorizada, mas o avô rapidamente lhe tranqüilizou dizendo que com a evolução, logo não demorou a ser substituído pelo aço, mas que ainda não livrava os pobres cavalos de terem as crinas cortadas para criarem o arco, cuja haste era justamente feita com Pau Brasil, a melhor atualmente.

Tantas coisas aprendera ao longo dos anos, que algumas jamais iria esquecer. Aquelas emoções, que lhe trouxeram ótimos momentos para sonhar.

Sentiu os orbes marejarem e não pode conter que algumas lágrimas rolassem por sua face. Ouviu alguém bater na porta e praguejou contra isso, não queria receber ninguém, mas os toques eram insistentes.

Respirou fundo, secando-as rapidamente e foi abrir a porta, mas estancou ao ver surpresa quem menos pensou que iria encontrar ali.

-Espero não estar atrapalhando; Hékates falou calmamente passando pela jovem sem ao menos esperar um convite.

Sem ação, apenas viu-a voltar-se para si, como se esperasse que ela fechasse a porta e saísse da posição estatua, mas era difícil, difícil demais entender o que estava acontecendo e o que ela estava fazendo ali. Ainda não engolira aquele beijo que ela dera em Aiácos, mas quem se importa, ele fora embora porque quis; ela tentou se convencer e mudar o rumo de seus pensamentos.

-O que quer aqui? –perguntou num tom frio.

-Tenho um trabalho para você; ela falou, vendo-a arquear a sobrancelha desconfiada.

A ultima vez que ouvira isso, quase morrera no fim, porque será que isso nunca queria dizer uma boa coisa.

-Não se preocupe, não será martírio algum; Hékates falou com um fino sorriso nos lábios.

.V.

Subiram à escada rolante, notando vários olhares recaírem sobre ambos, olhares carregados de curiosidade e interesse, mas isso era o de menos agora, entraram na plataforma de vidro e logo o cheiro das iguarias deliciosas daquele lugar chegou até eles.

-Tem certeza, Emmus? –a jovem perguntou surpresa com a tranqüilidade dele.

-Absoluta; ele respondeu com uma expressão calma inabalável em sua face.

-Desejam uma mesa? –um garçom perguntou se aproximando.

-Por favor; o jovem falou indicando a ela que se adiantasse.

-Mas...; ela balbuciou, enquanto cordialmente o via puxar-lhe uma cadeira. –Obrigada;

Ainda observados por varias pessoas curiosas, principalmente pelo porte aristocrático do rapaz e a gentileza que transpirava por cada fibra sua. Sentou-se.

-O que desejam?

-Dois cafés; Emmus respondeu.

-Mais alguma coisa?

-Por enquanto não; ele falou vendo-o se afastar rapidamente.

-Emmus, não confio nela; a jovem falou emburrada.

-Não se preocupe, Hékates só vai fazer o combinado; o jovem falou pousando a mão suavemente sobre a dela em cima da mesa.

-Mas...;

-Fique tranqüila, vai dar tudo certo; ele completou. –Agora, porque não aproveita o passeio, não é sempre que conseguimos vir aqui tomar café;

-Normalmente você prefere o Tailler's; ela falou referindo-se ao mais famoso café londrino.

-Mas admito que o café brasileiro também seja excelente e gosto da vista daqui; ele falou apontando para o mercado no pavimento abaixo deles, aonde pessoas de vários lugares iam movidos pela curiosidade sobre as iguarias vendidas no famoso Mercado Municipal de São Paulo. –Mas não é só isso que lhe incomoda, não é? –o jovem de orbes vermelhos perguntou depois de alguns segundos de apreciação ao ambiente.

-...; emburrada, ela negou com um aceno.

-Então, o que é? –ele perguntou casualmente.

-Não gosto da Hékates; ela resmungou.

-Hékates só esta fazendo um favor; o jovem respondeu.

-Esse é o problema, nunca se sabe o que ela vai querer em troca depois; a jovem respondeu com ar indignado, fazendo-o arquear a sobrancelha levemente.

-E?

-E não gosto do jeito que ela te olha; ela resmungou.

-Não precisa ficar com ciúmes; ele brincou com um sorriso maroto.

-Não estou; a jovem rebateu prontamente. –Mas não pretendo facilitar para algumas lhe desviarem de seus propósitos; ela falou de maneira enigmática. –Sei do que Hékates é capaz, por isso ela que mantenha as asinhas dela bem longe de você;

-Ok, não vamos discutir mais sobre isso. Sei bem o que quero e acredite, não vai ser ela que vai ter o poder de mudar isso; ele falou vendo que acabariam desencadeando uma 'guerra dos sexos' se continuassem naquele assunto.

-Mas é verdade; a jovem falou dando de ombros.

-Com licença; o garçom falou aproximando-se e entregando-lhes os cafés.

-Obrigado; eles responderam.

-Mas me diz uma coisa, Emmus? –ela começou, com ar casual, como se aquela pequena discussão jamais houvesse começado.

-O que? –ele perguntou levando a xícara aos lábios.

-Suponhamos que Hékates consiga fazer a parte dela e ele, como vai convencê-lo a voltar? –a jovem indagou confusa com a parte do plano que incluía o outro lado, porém surpreendeu-se ao ver um sorriso enigmático surgiu nos lábios dele por trás da xícara.

Não era sempre que Emmus sorria e não conseguia saber o que isso significava, na maioria das vezes sempre sabiam o que o outro estava pensando, mas em alguns, como esse, ele era uma completa incógnita para si.

-Paciência... Tudo há seu tempo;

Continua...

Domo pessoal

Mais um capitulo chegando ao fim e esse sim é o penúltimo, quando comecei a escrever esse capitulo no final de semana passado XD (detalhe básico) eu achei que encerrar agora era pedir ameaças de morte lenda e dolorosa, ai surgiu uma idéia nova e resolvi mudar o rumo da fic, que já havia sido traçado.

Mas não se preocupem, a doida aqui sempre faz isso. Define o que vai ser da fic até o ultimo capitulo, mas muda no final. Então, preparem-se para surpresas.

Espero sinceramente que tenham gostado e obrigada de coração pelo review. Abaixo, deixo para vocês a letra da musica que foi uma das maiores inspirações para Luthier. Quando a ouvi pela primeira vez pensei (-Essa musica, merece uma fic). Assim nasceu Luthier. Atentem para todas as emoções que ela transmite.

Se possível ouvirem a musica junto, será muito bom, existe um site chamado (Vagalume ponto com ponto br) que fornece atalhos do you tube para se ver os vídeos, mesmo que eles não sejam lá grande coisa, só ouvir a musica que vem junto, ajuda.

No mais...

Um forte abraço

Dama 9

♥♥♥

Meu Violino

Com todo o seu carinho

Meu avô fez um violino

Que fazia o som fluir em mil canções

E trabalhando na madeira

Deu o seu amor

E a alma inteira entregou

Era um frio setembro

Quando ele se foi

Dizem que sorrindo

Pro meu pai falou

Eu quero o mais lindo som

Ouvir das suas mãos

Pegue o meu violino

Ele é feito de emoção

Em cada musica

Coloque o coração

Cuide com fé

Meu violino é daqui pra frente seu

Muito cedo eu perdi meu pai

Mas antes de partir

Colocou um violino em minhas mãos

Quando eu quis chorar

Uma força me amparou

Posso até jurar que ele falou

Eu quero o mais lindo som

Ouvir das suas mãos

Pegue o meu violino

Ele é feito de emoção

Lhe entrego o meu menino

O violino meu

Das suas mãos ele vai passar

Pras mãos de um filho seu

E agora sinto orgulho em ver

Meu filho se esforçar

Segurando o meu violino pra tocar

Um dia vai saber

Que herdou do seu avô

Com amor vou lhe dizer

Eu quero o mais lindo som

Ouvir das suas mãos

Pegue o meu violino

Ele é feito de emoção

Em cada musica

Coloque o coração

Cuide com fé

Meu violino é daqui pra frente seu

(Família Lima)