Essa história não me pertence, e nem os personagens de Inuyasha
As coxas firmes coladas às de Kagome e as poderosas mãos segurando-lhe as costelas bem abaixo dos seios deviam ter sobre ela um efeito relaxante — mas provocavam o efeito contrário.
Ela prendeu a respiração quando o jet sky se projetou para cima, atravessou a crista de uma onda e voltou a mergulhar. A alegria fez seus batimentos se acelerarem, aguçando seus outros sentidos para o gosto de sal em seus lábios, o calor do sol em sua pele e o vento contra seus ca belos. A vibração da máquina em que estava sentada e a sensação daquele homem atrás dela a deixavam... bem, a esquentavam, e nesse caso a água do mar que caía sobre ela o tempo todo não podia refrescá-la.
Uma buzina soou, indicando o fim do horário das ativi dades náuticas. Kagome não pôde deixar de se sentir desapon tada. Ela não estava pronta para parar com a diversão; não estava pronta para dividir nem a máquina nem o homem com outra pessoa naquela pequena ilha, nem queria ir trabalhar. Não seria nada difícil passar mais tempo deslizan do sobre aquele maravilhoso mar, com os braços e pernas de Inuyasha presos ao redor de seu corpo.
Como se sentisse a relutância de Kagome em retornar, Inuyasha tirou as mãos do torso dela e segurou o guidão junto com Kagome. No mesmo instante ela sentiu o calor das mãos for tes. Diminuindo a velocidade do veículo, Inuyasha fez uma ampla curva em U e seguiu em direção à praia. A fim de recuperar o fôlego, Kagome se recostou sobre ele. Embora os coletes salva-vidas estivessem entre os dois, separando seus corpos, ela não podia estar mais consciente de cada centímetro musculoso do corpo logo atrás do seu, e dos braços fortes que a enlaçavam.
— Foi divertido demais — comentou Kagome, ainda en tusiasmada. — E felizmente não havia nenhum tubarão para nos devorar...
— Você ainda não está fora da água — retrucou Inuyasha com voz deliberadamente sinistra, e então fingiu cravar os dentes no pescoço de Kagome, mordendo-a com carinho.
Ela gritou e se contorceu, e então girou no assento am plo e almofadado a fim de olhar para Inuyasha. O sorriso per verso na face bronzeada dele roubou-lhe o ar e encheu seu coração de esperança. Esse era o homem por quem havia se apaixonado perdidamente. Um homem que se divertia tanto quanto trabalhava. A risada dela morreu, e seu sor riso vacilou.
— Obrigada. Adorei tudo isso, Inuyasha.
O sorriso dele se desvaneceu, e sua face mostrou tensão.
— Não há de quê.
Inuyasha guiou o veículo em direção à enseada, onde anco rariam. Kagome olhou para a frente novamente e se aconche gou mais aos braços que a cercavam.
— Mas você sem dúvida entregou seu disfarce quando revelou quem era, e ainda por cima liderou um passeio de jet sky sem estar registrado para a excursão.
— A atendente na certa não falará com ninguém no na vio. Porém, mesmo que fale não fará diferença nenhuma. Eu já vi o que precisava ver
Kagome se sobressaltou. Isso significava que os dois dei xariam o cruzeiro mais cedo? Ela não queria voltar. O sim ples pensamento de que a viagem acabaria a entristecia. Não estava pronta para abandonar aquele delicioso cru zeiro. Queria muito desfrutar de suas três noites.
— O que achou em suas buscas, Inuyasha?
— Bem, trata-se de informação confidencial. Kagome se arrepiou.
— Ora, nós somos uma equipe. Você mesmo disse isso.
— Na TCL as informações às vezes ganham vida própria.
— Que está insinuando? Eu não estimulo nenhuma fá brica de boatos. Nunca participei disso.
Um funcionário se aproximou deles para ancorar o veí culo, o que fez Kagome interromper temporariamente seu pro testo. Inuyasha saiu de seu lugar e andou na água em direção à praia. Kagome fez o mesmo, apanhando a sacola de praia e a toalha e partindo com passos pesados. Ele a conduziu para o bar mais próximo e comprou duas garrafas de água.
Olhando de relance para uma rede desocupada que estava distante, Kagome o seguiu na direção de um par de espreguiçadeiras colocadas debaixo da sombra de uma árvore. Ela deixou suas coisas ao lado da cadeira e se sen tou. Talvez pudesse se esticar em uma rede mais tarde. O navio não zarparia até depois do luau daquela noite. Eles permaneceriam durante horas na ilha. A menos que Inuyasha solicitasse um helicóptero para tirá-los dali e levá-los para casa. Kagome sabia que era possível, pois Inuno fizera isso algumas vezes, e ela mesma providenciara os vôos.
Ela aceitou a garrafa de água que Inuyasha lhe ofereceu.
— Inuyasha, como pode querer que o ajude se você se re cusa a me dizer o que houve?
— Você já ajudará bastante se lembrar que isso é uma investigação confidencial.
O tom de voz dele a irritou. Kagome rangeu os dentes e engoliu a água. Confiança. Tudo se resumia a confiança — ou à falta dela. Era difícil conquistar a confiança de Inuyasha. Mas não impossível. Kagome pôs de lado a água e tirou abruptamente um frasco de protetor solar de sua bolsa. Já havia colocado uma quantidade generosa antes, mas só assim sua pele clara suportava tanto sol; e a maioria das atividades do cruzeiro acontecia a céu aberto. Um céu ma ravilhoso e sem nuvens podia ser bom para os negócios, mas não para sua pele sensível e pálida. Inuyasha, por outro lado, já estava bronzeado: tinha escurecido vários tons.
— Será que consigo convencê-lo a ir às aulas de hula mais tarde?
— Já que insiste.
A resposta dele não veio acompanhada de um sorriso. O sujeito legal e engraçado tinha desaparecido no ar. Inuyasha colocou a garrafa de água sobre a mesa que havia entre os dois e se levantou. Apanhou o protetor solar da mão de Kagome e fez um movimento circular com um dedo. Ela ficou de costas para Inuyasha. Um arrepio que ela não pôde reprimir a atravessou seu corpo, em antecipação ao toque das poderosas mãos masculinas em sua pele.
Inuyasha sentou-se de pernas abertas na espreguiçadeira atrás dela. Posicionou as pernas bem ao lado das dela, como haviam ficado no jet sky, mas sem encostar nelas dessa vez. Kagome lamentou a distância entre seus corpos. Ela escutou o clique da tampa, e sentiu o cheiro de leite de coco vindo do protetor solar. Então as mãos dele tocaram-lhe os ombros. A loção era fria, mas suas mãos rapidamente es quentavam o creme — e o esquentavam — enquanto espa lhavam o produto em suas costas, braços e ombros.
Os dedos de Inuyasha mergulharam abaixo da borda infe rior do biquíni, pouco acima de suas nádegas, para o silen cioso delírio dela. Ele passou o dedo ao longo do elástico.
— Está ficando queimado aqui.
O coração dela se aqueceu. Kagome pensou em inclinar-se para trás a fim de que Inuyasha pudesse alcançar-lhe o rosto, mas havia outras pessoas por perto. Em vez disso, prefe riu render-se à tentação de afagar as pernas nuas e bron zeadas de Inuyasha.
Agarrando os punhos de Kagome, ele os retirou de suas pernas e as conduziu de volta ao colo da jovem.
O desapontamento de Kagome ficou evidente.
— Você mesma pode fazer o resto. — A voz de Inuyasha soou mais áspera que de costume.
Ela se voltou a fim de olhar no rosto dele, mas Inuyasha se levantou e retomou lentamente para a sua cadeira. Ele estava sempre aumentando a distância entre os dois. No entanto, a protuberância que erguia o calção de banho de Inuyasha enquanto ele caminhava devagar na direção da espreguiçadeira disse a Kagome tudo o que ela necessitava saber. Seu toque não tinha passado despercebido por ele. Bom. Kagome estava tentada a sugerir que os dois retomas sem ao navio e à privacidade da cabine para saciar o de sejo mútuo — mas havia visto um lado de Inuyasha, naquele dia na praia, que ela começava a acreditar que nunca mais veria de novo. Isso deu a Kagome novo ânimo para prosseguir com seus planos. Estava determinada a fazer surgir nova mente o amante adorável que Inuyasha fora um dia.
— Quer que eu passe em suas costas?
— Não. — A resposta dura e um tanto seca a fez sen tir-se rejeitada, mas Kagome havia feito muito progresso até ali para desistir tão rápido.
— Aposto que você conhece todos os bons esconderi jos da ilha — disse ela.
Inuyasha bebeu sua água em vez de responder.
— Nós podemos encontrar um.
Kagome não podia ver atrás das lentes, mas o repentino silêncio de Inuyasha e o alargamento das narinas dele eram sinais evidentes.
— Você mesma disse que eu preciso conquistar a con fiança de meus funcionários na TCL. Ser pego transando com minha assistente no farol não vai ajudar muito nesse sentido.
Kagome se encolheu diante das palavras duras de Inuyasha, mas ele não deixava de ter razão. Olhando de novo para Inuyasha, ela decidiu mudar o rumo da conversa.
— Deve ter sido engraçado ter uma ilha como playground quando você estava crescendo. Você, Sango e Sesshomaru vinham para cá com freqüência?
— Isso não é um playground. Quando vínhamos para cá, vínhamos para trabalhar.
— Fazendo o quê? — Embora já tivesse dito a ela que trabalhara a bordo de diversos navios, Inuyasha nunca lhe dera detalhes sobre essas experiências.
— Sesshomaru trabalhava com atividades aquáticas em em barcações. Jet sky, esqui aquático, coisas assim. Já Sango lidava com a parte de mergulho.
Kagome esperou que ele prosseguisse, mas isso não acon teceu.
— E você, o que fazia?
— Cuidava da comida. De todo tipo de detalhe estúpido e insignificante. Lidava com a manutenção. Papai sempre reservava para mim os trabalhos mais árduos e sujos. A única ocupação que me rendeu gorjetas foi a de camareiro. Papai gostou da idéia de me ver limpando banheiros.
O Inuno que Inuyasha descrevia agora não parecia ser aquele que Kagome havia conhecido.
— Mas por que ele faria isso?
— Ele disse que se eu quisesse dirigir a TCL precisaria conhecer a fundo as entranhas da empresa. E fez o melhor que pôde para ter certeza de que isso aconteceria.
A amargura na voz de Inuyasha a tocou profundamente.
— Sinto muito, Inuyasha.
Os lábios dele se comprimiram ainda mais.
— Pois eu não sinto. Poucos presidentes de empresas são capazes de compreender seus funcionários como eu compreendo os meus. Meu pai foi duro demais comigo, mas no fim das contas acabou me fazendo um favor.
Kagome o fitou horrorizada. Sabia o quanto Inuno podia ser impiedoso com seus competidores. Mas teria sido tão duro assim com os próprios filhos? Aparentemente sim.
Como era possível que o homem descrito por Inuyasha fosse o mesmo que a tratava tão bem? Teria ela ficado tão cega pelo entusiasmo de ser promovida e transferida para o andar superior que deixara de notar sinais impor tantes, enxergando um mundo cor-de-rosa, de contos de fada? Talvez até o relacionamento dela com Inuyasha. As dú vidas começavam a causar-lhe ansiedade e nervosismo. Logo começaria a sentir pontadas no estômago por causa disso. Não. Não! Ela amava Inuyasha. Ou não? De qualquer modo, tinha de admitir que havia aprendido mais sobre ele nos últimos dez dias do que aprendera nos meses em que formaram um casal, anos atrás. Inuyasha Taisho era bem mais complexo do que o lindo e charmoso rapaz que havia causado nela uma impressão profunda, que compartilhara com ela ótimos momentos de um tempo bom e que lhe ensinara os prazeres do sexo. Kagome sabia agora que ele apenas permitira que o conhecesse superficialmente.
Balançando a cabeça, ela se recostou na cadeira e puxou a aba do boné mais para a frente do rosto. Como pôde se convencer de que estava apaixonada por um homem que conhecia tão pouco? Tinha de reconhecer que o Inuyasha de agora — o homem que se encontrava diante dela naque le momento — tinha profundidade, caráter e integridade, qualidades com as quais, até onde conseguia se lembrar, o Inuyasha mais jovem não contava. E sem dúvida a versão melhorada de Inuyasha era ainda mais irresistível.
— Deve ser bom aproveitar férias pagas menos de duas semanas após começar em um novo emprego.
O comentário desagradável de Sesshomaru chamou a atenção de Kagome, que esperava enquanto a impressora despejava seus papéis na segunda-feira pela manhã. Ela girou sua cadeira e o viu entrar no escritório dela com um passo bastante confiante, muito semelhante ao do irmão. Kagome nunca tivera problema de espécie alguma com Sesshomaru an tes de sair da TCL, nos tempos em que trabalhava com Inuno. Na verdade, acreditava que ele agia como pacifi cador em muitos desentendimentos entre Inuno e Inuyasha. Contudo, desde que Kagome havia retornado à empresa Sesshomaru a tratava de modo um tanto frio.
— O que pensa que está fazendo, Sesshomaru? Caia fora daí! — A voz de Inuyasha soou através da porta aberta antes que Kagome pudesse responder. — Se tem algum problema co migo ou com alguém de minha equipe, deve se dirigir a mim.
Os dois irmãos discutiram, ambos de punhos cerrados. Suas posturas e perfis eram tão parecidos. Tudo neles era bastante parecido, na verdade. Tinham ambos a mesma al tura, ombros largos, sobrancelhas escuras e grossas, nariz reto e queixo obstinado. Kagome ainda não havia notado tais semelhanças entre eles.
— Você deu o fora sem dizer uma palavra a ninguém! — A voz de Sesshomaru carregava uma mensagem oculta que Kagome não conseguiu entender.
— Ora, Sesshomaru, sua assistente sabia que nós estaríamos fora da cidade, e também sabia quando voltaríamos. Se não quis lhe passar essas informações, o problema é seu e dela.
— Ela não conhecia o seu paradeiro. Droga, não sabia onde diabos você estava! Para mim, você tinha voltado para a Califórnia.
Inuyasha e Sesshomaru mais uma vez se encararam em silêncio, e assim ficaram por um longo momento. — Eu estava fora do alcance do celular.
— Tirar férias viola os termos do testamento.
— Não me diga. Sendo assim, ainda bem que Kagome e eu não saímos de férias. Nós estávamos trabalhando, cuidan do de interesses da TCL — Inuyasha disse num tom de voz mais ameno. — Eu não podia revelar nossos planos sem chamar a atenção.
Todo e qualquer vestígio do homem que compartilhara a cabine e a cama de Kagome todas as noites durante o cru zeiro desapareceu no momento em que desembarcaram, na manhã daquele dia. De fato, Inuyasha dançara com ela no luau, e haviam feito amor todas as noites a bordo do na vio. Mas ele dera mostras de que não queria fazer amor, embora não pudesse evitar. Todas as vezes ele se levan tava da cama imediatamente após o clímax, antes mesmo que o ritmo de sua respiração acalmasse ou que o suor secasse em sua pele. Seus próximos passos eram correr para o banheiro, voltar e deitar em seu lado do colchão. Tudo acontecera como Inuyasha havia determinado na oca sião em que selaram o acordo, no início do contrato: o relacionamento entre os dois envolveria apenas sexo, e eles não posariam de casal feliz.
A contradição entre a paixão arrebatadora e a indiferen ça do homem com quem dividia o quarto era, na melhor das hipóteses, desconcertante para Kagome. Os dois haviam estado juntos. Mas, ao mesmo tempo, longe. Muito, muito longe um do outro. Depois de chegarem do cruzeiro foram para a casa de Kagome. Inuyasha mal permitiu que entrassem na casa, e antes de seguirem para o escritório só tiveram tempo de colocar as bagagens na sala e vestir as roupas de trabalho.
— Inuyasha, por que você não pôde fazer esse tal trabalho aqui mesmo? — perguntou Sesshomaru.
Inuyasha olhou para Kagome.
— Kagome, deixe a secretária eletrônica gravar as chamadas e traga sua agenda e a planilha eletrônica para meu escritório.
Inuyasha girou nos calcanhares e seguiu para o escritório, seguido de perto por Sesshomaru.
— Mas que... Inuyasha, o que está acontecendo?
Surpresa, porém feliz por se sentir enfim incluída após ter sido rechaçada durante o passeio na ilha, Kagome seguiu as instruções de Inuyasha e se juntou a eles. O silêncio que caiu sobre o escritório em que estavam era quase palpável.
— Feche a porta — ordenou Inuyasha, e Kagome obedeceu. Ele sacudiu a cabeça, indicando que Kagome se sentasse na cadeira para visitantes ao lado de Sesshomaru. — Nós fizemos uma viagem de três noites no Abalone. Diga a ele o que você encontrou. Kagome.
— Epa, espere aí. Você participou voluntariamente de um cruzeiro? Você odeia cruzeiros.
Kagome não sabia se olhava para Inuyasha ou para Sesshomaru, tal a sua surpresa diante do comentário de Sesshomaru. Inuyasha odia va cruzeiros? Ele jamais lhe revelara isso. E como podia odiar viagens de navio, com toda a experiência que pos suía na área?
—Necessidade, meu caro. — Dito isto, acenou para que Kagome prosseguisse.
Reprimindo as dúvidas e perguntas que teimavam em lhe martelar o cérebro, Kagome abriu sua agenda.
— Eu conversei com cerca de três dezenas de clientes enquanto estava a bordo, mas recebi a maioria das infor mações de um grupo de seis homens que havia viajado em cinco cruzeiros da Rendezvous com diferentes destinos, ao longo de cinco anos. Eram solteiros, mas se encaixavam no padrão de idade e na média de renda perseguidas pela marca. Segundo essas pessoas que entrevistei, tanto a qualidade como a quantidade da comida servida caíram sensivelmente, e a bebida parecia estar aguada. Eles es tavam muito inclinados a trocar a Rendezvous por outra empresa para o cruzeiro do próximo ano.
Inuyasha estendeu a mão. Kagome passou-lhe a planilha ele trônica. Um dedo bronzeado percorreu as colunas e parou em um determinado ponto.
— Há dois anos, a Rendezvous solicitou e recebeu 4,6 milhões de dólares para renovação de material. Pelo que constatei a bordo, os tecidos não são trocados há dez anos. Os tapetes, cortinas e colchas são gastos e desbotados. As toalhas são finas. Vi pratos lascados nas pilhas de pratos em todas as ocasiões em que comi nos buffê.
Inuyasha olhou para Sesshomaru com severidade.
— Se não foi para os navios, então para onde foi esse dinheiro?
— Não faço a menor idéia. Eu terei de checar os livros.
— Kagome vai pegá-los e tirar cópias deles para nós. Que ro que você os examine com absoluto cuidado, sem deixar escapar nada, e em casa. Eu farei o mesmo. E precisare mos investigar todos os outros navios da marca, porque o dinheiro não foi gasto no Abalone, de jeito nenhum.
Os olhos de Sesshomaru se estreiram.
—Acha que alguém está nos espionando?
Kagome sentiu uma pontada no estômago. Inuyasha descon fiava de que havia ocorrido desvio de verba. Inuyasha olhou para Kagome, e então voltou a fitar o irmão. Parecia mais de terminado que nunca.
— Não terei certeza até verificarmos os outros navios e os livros, mas tudo indica que sim. E agradeça a Kagome por nos colocar na direção certa. Se não fossem as perguntas que fez a clientes que viajaram mais de uma vez, nós nun ca saberíamos por onde começar.
O elogio dele a encheu de orgulho e prazer. Inuyasha dirigiu a Kagome outro demorado e intenso olhar.
— Ninguém deverá saber de nada do que conversamos aqui. Sesshomaru, nem mesmo sua assistente saberá do que foi falado. Temos de ter cuidado com fofocas na TCL. Se al guém estiver desviando dinheiro da empresa, não vamos querer que essa pessoa seja alertada e tenha tempo de fu gir ou de encobrir suas pegadas para sair impune.
Sesshomaru se inclinou para a frente, apoiando os cotovelos nos braços da cadeira.
— Qual é o plano, Inuyasha?
— Quero cada navio da Rendezvous inspecionado para melhorias. Isso deverá ser feito assim que chegarem ao porto. Como os cruzeiros partem de Miami, isso é algo que podemos administrar sem alarde.
Sesshomaru balançou a cabeça afirmativamente.
— E como Sango está em Dallas, nós dois teremos de fazer o trabalho de campo e de coleta de dados, porque não confiarei essa tarefa a mais ninguém.
Kagome fez apressadamente anotações, deixando lembretes a fim de reagendar os compromissos. Olhou para Inuyasha.
— Você pode inspecionar as outras marcas também, para ampliar a investigação.
Ambos olharam com interesse para Kagome.
— Minha mãe adorava mistérios. Li vários deles en quanto ela estava... doente. Há sempre "laranjas" e pistas falsas para acobertar o verdadeiro vilão.
Inuyasha recebeu muito bem a sugestão, acenando um vi goroso "sim" com a cabeça.
—- Ótima observação, Kagome!
Ela se deliciou com a aprovação dele.
— Adoro o funcionamento tortuoso da mente feminina — Sesshomaru comentou.
Kagome fez uma expressão de desagrado diante do comen tário, e Inuyasha fez uma careta para Sesshomaru.
— Podemos ter um minuto a sós? — Sesshomaru perguntou a Inuyasha, inclinando a cabeça na direção de Kagome.
Inuyasha imaginava qual o assunto que seu irmão tinha para tratar com eleem particular. Contudo, tinha de ouvi-lo até o fim para saber ao certo.
— Certo. Kagome, pode providenciar uma lista com os ho rários de chegada dos navios e as datas para o próximo trimestre?
Sesshomaru não voltou a falar até que a porta se fechasse atrás de Kagome.
— Confia nela tanto assim?
Tendo em vista o que dissera ao irmão duas semanas atrás, Inuyasha compreendeu o ceticismo de Sesshomaru.
— Nessa questão, sim.
— Cara, você está indo para a cama com Kagome de novo, não está? Está apaixonado por ela outra vez?
— Isso de me apaixonar por ela nunca aconteceu.
— Vamos, não adianta negar. Da última vez, Sango e eu fizemos uma aposta: quanto tempo você resistiria antes de decidir desafiar a "Maldição dos Taisho" e se casar com ela.
Inuyasha se levantou e caminhou até a janela. Ficou olhan do fixamente para o porto, para todo aquele espaço aber to, mas a sensação de confinamento permanecia.
— Tenho cara de idiota? Amar um Taisho não é nada bom. Nossos pais tiveram um péssimo casamento, e como se isso não bastasse, eu, Sango e você nos envolvemos em relacionamentos ruins.
— Sango foi a que chegou mais perto de ter um bom relacionamento.
Com as mãos nos quadris, Inuyasha encarou o irmão.
— Oh, sim. E tudo acabou tão bem para nossa irmã, não é? O marido e o bebê que Sango carregava foram mortos quando saíam da festa de casamento. Tem falado com ela?
— Não, eu sempre acabo adiando a ligação.
— Vou ligar para ela esta noite e aproveitar para colo cá-la a par das novidades. Ela pode ter alguma idéia inte ressante para o caso que vamos investigar.
— No testamento ficou bem claro que ela não poderia trabalhar.
— Que tipo de louco manipulador deixaria um testa mento desses? Forçá-la a ficar sem trabalhar durante um ano e a permanecer em casa?
Sesshomaru encolheu os ombros.
— Escute com atenção, Inuyasha. Papai não era louco, em bora você pense o contrário. E depois de seu primeiro der rame, ele...
— Derrame? Mas que derrame? — Apanhado de sur presa, Inuyasha arregalou os olhos de perplexidade.
— Sim, ele sofreu um derrame há onze meses. Não foi grave. Os médicos resolveram o problema com uma droga milagrosa, quase sem efeitos colaterais. E com isso papai não perdeu um só dia de trabalho.
— Por que vocês não me avisaram?
— Porque ele nos proibiu de dizer a você. Papai queria que você voltasse por vontade própria.
— Em outras palavras, rastejando e implorando-lhe per dão. — Inuyasha bufou. Nem mesmo tão próximo da morte seu pai o quisera por perto. Que bom tomar conhecimento disso.
— Acredite ou não, eu acho que nosso pai sentiu mais respeito por você justamente porque você partiu. Se tives se ficado, ele não sentiria o mesmo. Em outras palavras, tenho fortes suspeitas de que papai teve orgulho de sua coragem, porque precisou de coragem para largar tudo que construiu e ir embora, Inuyasha. Ele não perdeu de vista a Wayfarer. E também ficou de olho em você.
A sensação de claustrofobia de Inuyasha se intensificou.
— Inuno devia ter ficado de olho na Rendezvous, isso sim.
— Na verdade, eu é que devia. Era minha função.
— Você não tem acesso a toda a papelada necessária. O escritório do presidente é que tem. Mas convenhamos... Nós dois sabemos que papai nunca foi o tipo de admi nistrador que põe a mão na massa. Nós iremos até o fim, Sesshomaru. Se não conseguir mais nada este ano, já ficarei sa tisfeito por colocar ordem na bagunça que ele deixou.
— Apenas procure não estragar tudo dessa vez com sua assistente. E me escute, pelo amor de Deus: não a engravi de. Veja o exemplo de papai e tome cuidado.
— Isso não vai acontecer.
Num relacionamento baseado em sexo, bastava tomar cuidado para que não acontecesse.
Depois de um dia extremamente cansativo. Kagome não via a hora de voltar para casa. Inuyasha, percebendo o cansaço dela, insistiu para que fossem embora, encerracem o expediente.
— Você está visivelmente no limite, Kagome. A tarefa que está realizando é tediosa e demorada. Eu mesmo estou bem cansado.
— Vou fazer um café.
— Nada disso. Vamos para casa. Precisamos dormir. O trabalho pode esperar até amanhã. — Inuyasha viu a fotogra fia de uma mulher na mesa de Kagome. — É sua mãe nessa foto, não?
— Sim... — Kagome receou que ele fizesse comentários sobre sua mãe. Cansada como estava, não seria boa ideia ficar falando sobre ela. Se começasse a chorar, não partia mais.
— Preciso lhe perguntar uma coisa, Kagome. Quando você tomou conhecimento do diagnóstico de sua mãe?
— Ahn... Vinte dias depois de sua partida.
— E você contou o caso para o meu pai.
— S-sim... Não pude evitar. Tive que faltar um dia no trabalho —explicou Kagome, um tanto envergonhada.
— Sujeito miserável! — Inuyasha vociferou.
A expressão em seu rosto era uma mistura de fúria e asco. Mas qual o motivo para isso?
— Por que diz isso? — ela perguntou.
— A especialidade de meu pai era encontrar um ponto fraco em uma mulher e então explorá-lo.
— Não, Inuyasha, eu não acredito que Inu...
— Abra seus olhos, que droga! Ele era patético, trai çoeiro, sujo. Um completo desgraçado! E eu me pergunto como você, sendo tão inteligente, não percebe isso.
Kagome se espantou com a reação de Inuyasha. Nunca o vira tão furioso antes.
— Eu... apenas sei o que vi, e como Inuno me tratou. A resposta dela pareceu enfurecê-lo ainda mais.
— Eu tenho de fazer uma ligação. Boa noite.
Inuyasha saiu do escritório, deixando-a. E Kagome soube que naquela noite teria de dormir sozinha.
Oi gente, gostaram desse cap? Os dois se aproximam, e se afastam, não da pra entender.
Chuva fina - Gostou do inu tendo mais atitude? perdeu o controle um pouco, ta na cara dele, que ele morre de ciumes dela né.. oque achou do cap?
