Capítulo Dez

Lost In Translation

Charlie estava esparramado na escada de sua cabana, segurando uma xícara de chá. Viu Bronwyn se aproximar, e tomou um gole do líquido quente e leitoso. Ela parou hesitantemente no primeiro degrau, colocando as mãos nos bolsos de sua calça.

- Eu fiz um juramento de curar. – afirmou. Ele meramente olhou para ela e esperou. – Eu fiz um juramente de curar. – repetiu. – Eutanásia vai contra tudo o que eu acredito.

Charlie estudou o chá dentro de sua xícara.

- Eu não gostei de fazer isso. – respondeu. – Eu fiz por que era a coisa mais humana a se fazer. Fiz o que fui treinado para fazer. Ele já estava morrendo. Qualquer outra coisa prolongaria o sofrimento dele. Não posso ignorar isso.

Bronwyn colocou uma mecha encaracolada atrás da orelha.

- Não vim brigar com você por causa disso.

- Brilhante. – Charlie disse sarcasticamente. – Por que não há nada sobre o que brigar. – se ergueu e pegou sua xícara. – Vou para a cama. – avisou. – Foi um longo dia.

- Charlie...

- Agora não, Bronwyn. – disse suavemente. – Só quero ir para a cama. Eu te vejo amanhã, depois do meu turno. – se virou para entrar na cabana, mas parou e encontrou o olhar perturbado de Bronwyn. – Eu faço isso desde que tinha dezoito anos. Nove anos, Bronwyn. Tenho muito mais experiência em lidar com dragões do que a metade dos homens na chocadeira. Você precisa confiar que eu sei como fazer meu trabalho. – entrou na cabana e a luz brilhando pela janela se apagou.

-x-

O bar em Malmö estava lotado e abafado. Ginny terminou sua bebida e colocou o copo vazio sobre a longa mesa ocupada pelas Harpies. Estava sentada em uma ponta da mesa, sem realmente se envolver em uma conversa, além de eventuais comentários. Não conseguia acreditar que fazia menos de quarenta e oito horas desde que pousara sob os aros do gol e Gwenog transformara sua vida em um caos inimaginável.

Ginny gostava de pensar que era muito mais madura do que realmente era. Não fora ela quem duelara com Comensais da Morte aos quatorze anos? E de novo aos quinze? Ela lutara ao lado de seus pais na batalha final antes de seu aniversário de dezessete anos. Aqui estava ela, há apenas um mês do seu aniversário de dezoito anos, e era a Artilheira Reserva de um time de Quadribol proeminente. Tinha seu próprio apartamento. Podia cuidar das próprias refeições e roupas. Mas eram as pequenas coisas — os infinitos detalhes do dia-a-dia que a confundiam. Os ruídos do bar sumiram, enquanto pensava sobre a tarde anterior.

Ginny não parou para tirar o uniforme. Pegou suas coisas do vestiário e se apressou em aparatar para A Toca. Correu até a porta dos fundos, abrindo-a violentamente, fazendo-a bater na parede e voltar, batendo em sua cabeça.

- Ouch! – Ginny esfregou o local sobre sua sobrancelha direita, os olhos lacrimejando. – Mãe! – chamou.

A voz de Molly soou do alto da casa.

- No quarto de Ron...

Ginny subiu correndo as escadas, dois degraus de cada vez.

- Mãe! – ofegou. – Eu tenho um passaporte? Onde está? Como eu consigo um? – tagarelou.

Molly saiu do quarto de Ron com um amontoado de roupa de cama nos braços.

- Sim, Ginevra, você tem um passaporte. Acalme-se. Nós precisamos providenciar um para você quando fomos visitar Charlie, quando você tinha dez anos.

- Onde está? – Ginny perguntou, pânico se espalhando por seu peito. Se ela não estivesse com suas coisas em ordem, Gwenog podia muito bem tirá-la de sua posição antes mesmo de a temporada começar.

- Por que precisa dele? – Molly questionou.

- O time vai para a Suíça, Lituânia, Itália e Bulgária por um mês. Partimos amanhã. – Ginny disse curtamente.

- Entendo. – Molly caminhou calmamente até seu quarto, colocando o amontoado que carregava ao pé de sua cama. Abriu a gaveta da cômoda e fuçou sob uma pilha de meias de Arthur, até pegar um pequeno livreto púrpura. Molly o abriu. – Está vencido. Você vai ter de tentar renová-lo essa tarde.

- Como? – Ginny uivou. – Como você pôde deixar isso acontecer?

Molly ergueu uma sobrancelha, em uma expressão severa.

- O que quer dizer, "eu"? – perguntou. – Você é maior de idade.

- Mas eu não sabia que eu ia precisar dele. – Ginny arguiu.

A outra sobrancelha de Molly se ergueu.

- Você não leu seu contrato? – retorquiu. – Seu pai e eu lemos seu contrato. Mesmo você sendo tecnicamente maior de idade, você ainda estava na escola.

- Uh... – Ginny tinha, de fato, lido o documento todo, mas não tinha prestado atenção em alguns detalhes, como seus documentos de viagem. Tinha assumido que apenas precisaria deles se o time se classificasse para a Copa Europeia. Não tinha lhe ocorrido que poderia precisar deles para o treino. – Eu esqueci? – tentou. – Com os treinos e tudo o mais... – o pânico foi para sua garganta, ameaçando sufocá-la. – O que eu faço?

- Você tem um pai e um irmão no Ministério. – Molly a lembrou, pegando novamente a roupa de cama. – Eu começaria com Percy. – aconselhou. – Ele te dirá onde você precisa ir. – Molly pausou, estudando sua filha mais nova, lhe olhando com os olhos arregalados. – O preço pode ser alto, especialmente por você precisar disso feito até o final do dia. – avisou.

- Quanto? – Ginny deixou escapar, estudando sua mãe com desconfiança.

- Vários galeões, no mínimo. – Ginny gemeu em desespero. – E, Gin? – Molly correu um dedo na gola da camiseta justa e verde de Ginny. – Você vai querer se trocar primeiro.

Tinha sido um pouco humilhante abordar Percy e praticamente implorar para que ele ajudasse. Mas ele a pegara pela mão e a levara até o escritório correto do DELM, antes de ajudá-la a preencher toda a papelada e tirar sua foto. Eles prometeram lhe enviar o documento por coruja até seu apartamento em Holyhead até às seis da tarde. Tudo pela mixaria de cinquenta galeões. Autorizar a retirada dessa quantia do seu novo cofre no Gringotes deixara Ginny pálida, mas precisava ser feito. Demorava apenas uma hora para criar o documento em si, mesmo com os feitiços necessários para fazer parecer um passaporte britânico comum para os Trouxas e uma proteção resistente contra fraude. Ginny não podia esperar. Ela precisava ir para casa, arrumar suas coisas para um mês de viagem, então a maior parte do preço foi para a coruja expressa que levaria o passaporte até ela o mais rápido possível.

Silenciosamente, Ginny pegou sua mochila e saiu da mesa sem falar nada para suas colegas de time. Fez seu caminho por entre a multidão, indo para a porta, e o frio bem vindo que a esperava na rua, ignorante aos olhares que as jogadoras mais velhas trocaram. Uma vez na rua de pedras, Ginny respirou fundo, escorando-se contra o prédio. Sendo honesta, se sentia exausta depois dos dois últimos dias. Não tinha percebido completamente o que sua vida fora da escola seria.

Só saíra do país duas vezes, e ambas as vezes tinha sido com seus pais. Eles tinham cuidado de tudo — os hotéis, as chaves de portal. Molly tinha lidado com as passagens e identificações, a ponto de Ginny só precisar aparecer na hora. Até mesmo tirar sua licença para Aparatar tinha sido providenciado pela escola. Bronwyn tinha a ajudado a alugar o apartamento. Se Ginny se desse ao trabalho de pensar no assunto, sua vida tinha sido preenchida pela falta de responsabilidades fora de tarefas em casa e seus estudos na escola.

Saindo de seus pensamentos, correu uma mão pelo rosto e caminhou pela rua. Como Londres, a maior parte das necessidades mágicas eram localizadas em uma única rua em Estocolmo. Mas em Malmö, elas ficavam espalhadas entre os prédios e lojas Trouxas. Ginny estava a cinco quarteirões do bar, antes de pensar em olhar ao redor. Virou em um pequeno círculo, esperando reconhecer algo.

- Merda. – murmurou, correndo uma mão pelo cabelo. – Certo. Nós entramos nessa rua... Três quarteirões antes do bar... – refez seus passos, olhos indo de um lado para o outro constantemente. Entrou em uma rua com mais confiança do que sentia, caminhando pela calçada por vários metros, antes de perceber que o hotel não era nessa rua. Reverteu a direção e se apressou. Para sua surpresa, o hotel também não era na outra ponta da rua. Ginny ajeitou um pouco a alça da mochila em seu ombro, ciente dos pelos arrepiados em sua nuca. Conseguia ouvir passos a seguindo. Diminuiu a velocidade, e os passos também diminuíram. Andou mais rápido, assim como quem estava atrás dela. Casualmente, tirou a varinha do bolso de sua calça e se virou para encarar uma figura familiar. – Luna! – murmurou. O cabelo loiro e pálido da outra garota e seus olhos proeminentes eram inconfundíveis, mesmo na luz fraca dos postes.

- Você está perdida? – Luna perguntou.

Ginny suspirou exasperadamente.

- Sim...

- Você deve estar aqui com as Harpies. – Luna disse. – Estava no jornal.

- Chegamos essa manhã. – Ginny respondeu cansadamente. Olhou ao redor, confusão clara em seu rosto. – Tivemos um treino com o time sueco essa tarde, e eu só segui as jogadoras mais velhas. – admitiu envergonhadamente. – Eu nem me lembro do nome do hotel...

Luna sorriu largamente.

- Há apenas um em Malmö que é grande o bastante para as Harpies.

- Como você sabe disso? – Ginny perguntou muito mais rudemente do que intencionara.

- Eu vim para cá logo que saímos da escola. – Luna respondeu calmamente. – Bem, fui visitar meu pai por alguns dias, e depois vim para cá. Tive um bom tempo para explorar a cidade. – olhou para Ginny, notando as sardas destacadas em seu nariz pálido de alívio, e segurou seu cotovelo firmemente. – Vamos tomar uma xícara de chá. – sugeriu, levando Ginny até um pequeno Café um pouco para frente de onde estavam. Esperou até estarem com suas xícaras, Ginny sentada de modo desamparado em sua cadeira. – Posso perguntar algo? – Luna começou.

- É claro. – Ginny murmurou para seu chá.

- Eu estou te seguindo desde que você saiu do bar. Eu te vi sair e achei que você parecia um pouco confusa.

Ginny esfregou a dor entre suas sobrancelhas.

- Um pouco. – admitiu.

- Você estava lá com o time? – Ginny assentiu em resposta. – Ah. – Luna tomou um lento gole de seu chá. – Por que você não perguntou a uma delas como voltar para o hotel? Elas são suas colegas de time, não?

- Não posso. – Ginny disse.

- Por que não? Parece tolo pensar que você tem que vagar desse modo.

Ginny suspirou.

- Não queria que elas soubessem que eu não estava prestando atenção.

Luna piscou.

- Mas elas são seu time. – repetiu inexpressivamente. – Eu não sei muito sobre Quadribol, mas eu notei que quanto mais você confia em seu time, o melhor ele é.

- Eu confio nelas. – Ginny insistiu.

- Não o bastante para deixá-las saber que você não sabia onde estava. – Luna colocou a xícara na mesa. – Como está, de verdade?

Ginny deu de ombros.

- Tudo bem, eu suponho. – evitou o olhar de Luna, que parecia lê-la. – Bem mais difícil do que eu imaginei. Fisicamente, quero dizer. – adicionou apressadamente. – Mal consegui me mover ontem de manhã. – misturou seu chá distraidamente, sentindo a dor residual em seus ombros.

O sol entrando pela janela sobre a cama de Ginny a acordou. Gemeu e se afundou no travesseiro, sem querer se mover mais do que necessário. Todos os músculos doíam, incluindo os que ela não sabia possuir. Abriu um olho, antes de piscar confusamente para o pequeno frasco aninhado no travesseiro ao lado do seu. Um pedaço de pergaminho estava enrolado nele, coberto pela letra de Harry. Beba isso antes de tentar sair da cama. Tome um banho quente — tão quente quanto conseguir aguentar — e tome café da manhã, mesmo que tenha a impressão de que vai passar mal. E, por mais estranho que isso pareça, se mova bastante hoje. Vai se sentir melhor. Te vejo à noite. Amor, H. Ginny fez uma careta quando se sentou e tirou o lacre do frasco e o segurou cuidadosamente sob o nariz, ofegando quando o aroma acre chegou as suas narinas. Estudou o frasco duvidosamente, e começou a colocar os pés no chão, mas suas pernas doeram, desde seus tornozelos até que quadril. Suspirando em resignação, Ginny fechou o nariz com os dedos e virou o frasco em sua boca, estremecendo quando o líquido queimou sua garganta. Tossiu e cuspiu, usando a barra da camiseta para esfregar a língua. Hesitantemente, colocou um pé no tapete ao lado da cama, e então o outro, capaz de se mover mais livremente do que há meros momentos. Saiu da cama e foi até o pequeno banheiro, tirando a camiseta vários números maior enquanto o fazia. Escorou-se na parede, abrindo os registros da banheira, e esperou a água aquecer.

Ginny não estava ansiosa pelo treino do dia. Todos estavam analisando seus menores movimentos para ver se ela teria sucesso. Estava ainda mais certa de que algumas esperavam que ela falhasse. Sendo honesta, ela não podia culpá-las. Se ela estivesse no lugar delas, ela teria desejado a mesma coisa. Colocou uma mão sob o jato, testando a temperatura da água, antes de afastar um pouco a cortina, e entrar dolorosamente na banheira e sob o jato d'água. Deixou a água correr por sua pele por vários momentos, antes de lentamente se inclinar para frente, vértebra por vértebra, até que conseguisse tocar o chão da banheira entre seus pés. A poção estava começando a diminuir a dor em seus músculos. Cuidadosamente, Ginny se esticou e ergueu os braços sobre a cabeça, antes de virar se um lado para o outro algumas vezes, e pegar o sabonete e uma toalha de rosto.

O banho a fez se sentir um pouco mais acordada, e estava começando a sentir fome, mesmo que a ideia de comer mais do que alguns pedaços de torrada fosse revoltante. Fechou o registro e passou uma toalha ao redor do cabelo, e outra ao redor do corpo. Vestiu um par velho de calça de corrida, mais pela facilidade de vesti-la do que pelo seu estilo, e uma camiseta que envolvia seu corpo. Ela ia vestir o uniforme no estádio, de todo modo. Uma porção de torradas e chá forte, enquanto se sentava no parapeito largo da janela, sob a luz do sol, a fez se sentir quase humana. Ginny olhou para o relógio na parede e ofegou quando foi para o chão e colocou sua xícara e prato na pia, se prometendo que os lavaria mais tarde. Rapidamente colocou os tênis e pegou sua mochila e vassoura, aparatando para o estádio, enquanto ainda arrumava a alça da mochila sobre o ombro.

Mesmo que se estrunchasse, não seria de bom tom chegar atrasada.

- É um inferno. – Ginny se ouviu dizer. Afinal, era Luna. A garota com quem brincara quando criança, uma das poucas pessoas que não a tinham evitado em seu segundo ano, mas que fizera um esforço de procurar sua companhia. Luna, que parecia um pouco excêntrica, mas que era muito boa em ler as emoções humanas. Luna nunca trairia sua confiança. – Eu fico esperando que fique mais fácil. Os testes foram exaustivos, mas não foi nada comparado à intensidade dos treinos regulares.

- E as outras jogadoras? – Luna persistiu.

Ginny se recostou em sua cadeira, engolindo seu chá, que ficava rapidamente frio.

- Elas são tranquilas. – cedeu cuidadosamente. – A maioria delas. – olhou para a mesa maltrapilha. – Algumas acham que estou lá por causa de Harry. – admitiu. – Como propaganda. – para sua surpresa, Luna bufou de um modo pouco feminino.

- Besteira. – Luna declarou. – Acho que eu sei menos que Hermione sobre Quadribol, mas times profissionais geralmente não usam truques baratos com seus jogadores.

Ginny deu um sorriso torto.

- Você me conhece. – disse levemente, mas sua voz falhou. – Tenho que provar para o mundo todo que sou capaz de fazer isso sozinha.

- Mas entenda que não pode. – Luna disse tranquilamente.

- Por que não?

- Você não pode ganhar um jogo sem o time. – Luna respondeu pacientemente.

- Não quis dizer isso. – Ginny suspirou. – Quis dizer, sobreviver a isso tudo.

Luna a estudou, um brilho triste em seus olhos.

- Você não aprendeu nada na escola? Nós vencemos por que trabalhamos juntos.

- Isso foi diferente. – Ginny arguiu. – Aquilo era guerra. Isso é minha vida.

- Você vai bloquear Harry? – Luna perguntou. – Só para que possa fazer isso sozinha?

- É claro que não. – Ginny brincou com uma colher, deixando o silêncio cair entre elas. – Uma vez, papai trouxe para casa essa pilha de revistas Trouxas, que tirou do lixo de alguém. A maioria era sobre natureza. Os garotos não ligaram para elas, além das que tinham mulheres nuas. Essas tendiam a sumir rapidinho. – Ginny riu um pouco. – Os artigos que tratavam de animais sempre falavam sobre como os mais fortes caçavam os mais fracos. – respirou fundo. – Eu não quero ser um dos mais fracos.

Luna estudou Ginny de perto, permitindo que uma leve pitada de pena aparecesse em seu olhar pela primeira vez na amizade delas.

- Inexperiência não a torna fraca. – disse.

Ginny balançou a cabeça. Conseguia ouvir o conselho de Bronwyn para que ela se permitisse ter um confidente, mas para Ginny isso se estendia estritamente a Harry ou membros da família a quem fosse próxima, como Ron, ou talvez Bronwyn. Era uma coisa permitir que um deles a visse em um desses momentos de vulnerabilidade, mas as pessoas que eram supostas a confiarem nela?

- Há mais pessoas no time pensando ou esperando que eu fracasse, do que as que querem que eu me dê bem. – disse calmamente. – Não posso deixar que me vejam assim. – afastou sua xícara de chá quase cheia. – É melhor eu voltar para o hotel.

Luna jogou algumas moedas sobre a mesa e passou a bolsa pela cabeça, acomodando-a no ombro.

- O hotel é no final da próxima rua. – guiou Ginny para fora do Café, caminhando pela calçada com uma confiança madura que Ginny nunca vira na escola. Luna tinha mudado bastante daquela garota mística e levemente excêntrica com quem Ginny brincava ocasionalmente antes de ir para Hogwarts. Quando Luna entrou na quarta rua depois do bar, Ginny gemeu internamente. Apenas mais uma rua e ela estaria relaxando com um livro, ao invés de vagando por Malmö. Na entrada do hotel, Luna colocou uma mão sobre o braço de Ginny. – Você vai me escrever, sim? – perguntou ansiosamente. Surpresa, Ginny assentiu. – Bom. Todos têm sido muito bacanas, de verdade, mas será bom ter uma voz conhecida, assim mesmo.

Ginny a abraçou rapidamente.

- Obrigada. – murmurou. – Por tudo.

- Sempre que precisar. – o rosto de Luna se abriu em um sorriso e ela se afastou levemente, deixando Ginny com a sensação de que outro pedaço de sua infância sumira. Ginny observou Luna desaparecer na cidade, antes de se virar para o hotel, procurando em sua bolsa pela chave antiga de seu quarto.

- Amiga sua da escola? – Marion perguntou, aparecendo tão subitamente ao seu lado, que Ginny achou que ela tinha aparatado sem emitir nem um som.

- Eu... Erm... Sim. Luna. Estávamos no mesmo ano. Casas diferentes, entretanto.

- Hmmm. Gentil da parte dela te mostrar o caminho de volta. – Marion comentou com desinteresse.

- Eu teria encontrado o caminho. – Ginny disse na defensiva, sentindo suas bochechas corarem.

- Por quanto tempo você teria que perambular pela cidade, antes de reconhecer que precisaria pedir as direções? – Marion perguntou distraidamente, tirando a chave dos dedos frouxos de Ginny, e entrou no saguão do hotel. – Vem. Vamos ter essa conversa lá em cima. – entrou no hotel, deixado Ginny sem outra escolha, a não ser segui-la até os elevadores, que deslizou graciosamente até o quinto andar. Marion guiou Ginny até a suíte que iam dividir pelo resto da semana e usou a chave de Ginny para abrir a porta. Marion jogou a chave de volta para Ginny e se acomodou no pequeno sofá sob a janela aberta. – Que alivio. – suspirou. – Estou ficando muito velha para passar o tempo em bares. Muito barulhentos.

Ginny voltou a guardar a chave em um pequeno bolso em sua mochila.

- Sim... – brincou incertamente com os pés por um momento, antes de indicar a porta com a cabeça. – Eu vou indo... – murmurou.

Marion apontou para uma cadeira próxima.

- Sente-se. Você e eu precisamos ter uma conversa.

Ginny pressionou os lábios e se acomodou na ponta da cadeira.

- Estou realmente cansada. – protestou fracamente.

- Pode ficar acordada para isso. – Marion disse simplesmente. – Eu sei que você é uma adulta e que pode cuidar das próprias coisas, mas é uma cidade nova para você. Por que, pelo menos, não avisou uma de nós que ia embora?

- Não quis incomodar ninguém. – Ginny disse pateticamente.

- Besteira. – Marion resmungou. – Eu tenho te observado durante os treinos. Pedir por algo não vem naturalmente para você. – inclinou-se para frente, segurando o olhar de Ginny. – Gwenog me pediu para ficar de olho em você. Ser um tipo de mentora, considerando que você foi colocada em uma situação difícil.

- Obrigada. – Ginny respondeu tensamente, indignação colorindo sua voz perante a ideia de que Gwenog sentira que ela precisava de cuidados, como um bebê.

Marion escolheu ignorar o tom de Ginny.

- Gwenog meramente achou que você poderia precisar de alguém para te ajudar com os prós e os contras de viajar com o time. – se acomodou contra as almofadas do sofá. – Por que você assinou com as Harpies, se não se importa que eu pergunte?

Ginny enrolou a alça da mochila em sua mão, pensando.

- Achei que vocês eram discretas. – disse finalmente. – Que qualquer coisa que acontecesse fora do campo, permaneceria desse modo. E por que as Harpies são um time malditamente bom. Fiquei honrada e mais do que um pouco lisonjeada que Gwenog me ofereceria uma posição.

Marion riu com escárnio.

- Essa é uma clássica resposta para entrevistas, se tal coisa existe. – afastou o cabelo do rosto. – Você confiava no seu time da escola, não?

- É claro que sim! Nós éramos amigos. Ou, pelo menos, amigáveis.

Marion assentiu lentamente.

- Você precisa confiar em nós. Não podemos jogar como um time se você não confiar. Eu sei que Brooke foi um pouco cruel com você no outro dia, mas se coloque no lugar dela. Ela está presa no time de treino há anos, esperando por uma chance de ser promovida. E uma pivete rouba a chance dela. – ergueu uma mão para evitar qualquer protesto de Ginny. – Você é uma jogadora muito melhor do que Brooke, sem dúvidas. Não há ninguém no time principal que ache que você não merece estar onde está. Posso te prometer que nenhuma de nós acha que você está aqui por qualquer motivo que não seja seu talento. – Marion estudou Ginny longamente. – Para ser honesta, Ginny, foi seu comportamento durante os testes que nos deu alguma hesitação. Não podemos ser um bom time, a não ser que você queira ser parte do time, não apenas estar nele.

"Bons times são como família. Você tem parentes com quem prefere não falar, a não ser nos feriados, e tem aqueles que são seus melhores amigos. Há um motivo para Gwenog nos fazer treinar no exterior dessa maneira. Eu sei que você ficou chateada quando Gwenog proibiu visitantes. Você sente que está aqui completamente sozinha, sem um rosto amigável por perto. Desse modo, você é forçada a procurar por seus colegas de time. Você tem que colocar na cabeça que pode contar conosco." Marion adicionou. "O poeta Trouxa coloca bem isso. Nenhum homem é uma ilha. E nenhum Artilheiro é uma ilha, também."

Marion se ergueu e se espreguiçou.

- Vá para a cama, sim? O café da manhã é às oito, com o time. Chegue cedo. E na próxima vez que sairmos, e você queira voltar para o hotel mais cedo, pelo amor de Merlin, avise alguém. Não é algo ruim admitir que não conhece o caminho em uma cidade estranha. Todas nós já passamos por isso. Uma de nós te dirá como voltar ou, mais provavelmente, uma de nós estará pronta para voltar, também, só que orgulhosa demais para admitir que não consegue mais acompanhar os novatos. – foi em direção ao próprio quarto, do outro lado da suíte. – Boa noite.

Ginny ficou sentada na cadeira até a porta do quarto de Marion ser firmemente fechada atrás dela, e olhou para o candelabro na pequena mesa perto do sofá, até que a chama ficou borrada. Pegou sua mochila e foi silenciosamente para seu quarto.

Ginny se despiu com a facilidade silenciosa adquirida de sete anos dividindo um dormitório, e escorregou para cima da larga cama, se sentindo perdida. Passou algumas agonizantes horas pensando no que Marion tinha dito. Era quase a mesma coisa que Bronwyn tinha lhe dito. O que há de errado comigo? Se estivesse em casa, ela poderia ter ido para o aparamento de Harry, mas essa não era uma opção. Não era essa solução que procurava. Não era tímida por natureza, e a única maneira que conseguia explicar essa anormal resistência era baseada em como ela sentia que as outras percebiam sua presença no time. E a única pessoa que sabia como ela se sentia era Harry. Além do mais, ser solicitada a confiar em pessoas que não conhecia muito bem trazia aquele primeiro ano completamente desastroso de volta à sua mente. Ginny se encolheu em uma pequena bola, passando os braços ao redor dos joelhos. Sentiu-se mais solitária nesse momento do que se sentira durante todo seu segundo ano de escola.

Continua...

N/T: Obrigada pelos comentários no capítulo anterior.

A tradução do título do capítulo é algo como "perdido na tradução".

Infelizmente, alcançamos a autora. Agora, nos resta esperar que ela atualize. Vou tentar não deixar muito tempo passar entre ela atualizar e eu traduzir e postar para vocês, mas não posso prometer nada. Assim que ela atualizar, eu aviso lá na página do face. Na qual, aliás, vocês não estão agitando. Então, agitem!

Enfim, obrigada novamente e até a próxima. (: