Nota: Infelizmente, nada disto me pertence. Harry Potter ™ e todas as personagens e locais fictícios relacionados com a sua história são propriedade de J.K. Rowling, pelo que nenhum proveito monetário está a ser tirado desta história e qualquer infracção aos direitos de autor é completamente acidental.
CAPÍTULO NOVE
Reino Unido, 2003
Um silêncio pesado caiu sobre a sala: Gary e Leyla entreolharam-se com a incompreensão estampada nos rostos; Celia e Dudley olharam fixamente para Dolores Umbridge; a face de Vernon Dursley começou a ficar roxa, uma veia pulsando-lhe perigosamente na testa; Jenna olhou para Leigh como se nunca o tivesse visto na vida; e Leigh, esse, olhou em volta com ar de quem não estava a perceber nada daquilo.
Após um longo momento, Jenna fez um barulhinho de impaciência. "Náaaaaa!..."
Umbridge desviou atonitamente o olhar da cara de Leigh para olhar para a jovem. "Desculpe?"
Jenna devolveu o olhar. "Aquele não é Harry Potter. Não se estivermos a falar da mesma pessoa, pelo menos, e eu sei que estamos!"
"Como é que sabe?" Rugiu Vernon Dursley do fundo da poltrona onde se encontrava.
"Andámos na mesma escola, ele estava uns anos à minha..."
"NA MESMA ESCOLA??"
"... frente." Acabou Jenna, olhando Vernon com ar de quem temia pela sanidade mental dele. O pai de Dudley Dursley levantou-se com um pulo (ou, pelo menos, com a coisa mais parecida com um pulo que um homem meio ébrio com a idade e o peso dele alguma vez poderia conseguir) e dirigiu-se-lhe ameaçadoramente, fazendo Jenna colocar os braços à frente da cara para não apanhar com perdigotos.
"VOCÊ... VOCÊ É UMA... UMA DELES!!"
Jenna arregalou os olhos para os restantes colegas, que assistiam à cena tão embasbacados quanto ela. Celia murmurou uma desculpa apressada e esgueirou-se da sala em direcção às escadas. A jovem abanou a cabeça e voltou as atenções para o homem de face roxa à sua frente.
"Desculpe lá, mas o que é que eu sou?"
A veia na testa de Mr. Dursley começou a pulsar com mais vivacidade. "Vocês são todos iguais... ele era igual! ANORMAIS!"
Gary levantou-se e foi de encontro a Vernon Dursley com fúria a soltar-se por todos os poros. "Você não tem o direito de chamar anormal a quem quer que seja nesta casa, entendeu?!"
De nada adiantou; Vernon parecia estar de cabeça perdida. "Não?! NÃO?! COMO É QUE ELAS AS DUAS SABERIAM DELE SE NÃO FOSSEM... ANORMALIDADES?! Hein?!"
"Mas do que é que está a falar?! O que é que tem de mal eu ter andado na mesma escola primária que o seu sobrinho, Mr. Dursley?!" Perguntou Jenna, furiosa.
Vernon embatucou. "Escola... escola primária?!" Perguntou ele, espantado.
"Porra, mas você é surdo ou quê?!" Impacientou-se Gary. Leigh, entretanto, pareceu acordar de um transe. "Espere aí, o senhor pensou que eu era o seu sobrinho?! Mas eu nunca o vi antes!"
"Eu não pensei que você me era nada, o rapaz está morto e enterrado e é bom que não faça das dele para voltar, que essa gentalha...! Aquela... aquela... senhora... é que disse o nome dele! VOCÊ É UMA DELES!" Barafustou Vernon, agora tentando disfarçar o embaraço através de uma posição ofensiva e apontando para Dolores Umbridge que, por seu turno, não pareceu minimamente incomodada com a implicação de que era uma anormal. Em vez disso, o que a parecia incomodar era o facto de Vernon Dursley lhe dirigir a palavra como se fosse seu superior.
"Se por eles se refere a pessoas extremamente dotadas que poderiam fazer com que a sua cabeça deixasse de estar em cima dos seus ombros com uma palavra, então sim, sou, Mr. Dursley, com todo o prazer. Não que um Muggle como o senhor fosse saber alguma coisa sobre um dom como o meu, como já deu para perceber." Retrucou ela num tom falsamente doce, carregado de veneno.
"Muggle..." Murmurou Leyla, virando-se para a mãe biológica. "Que quer dizer com isso? Usou-a para se referir a mim..."
"Uma pessoa que não é anormal como eles!"
"Uma pessoa que não possui poderes mágicos, minha cara Leyla." Proferiu Umbridge, ignorando calmamente Vernon Dursley.
"Poderes mágicos?!" Entoaram Leyla, Leigh, Gary e Jenna em uníssono.
"A senhora conhece a Leyla? E pensei que não vos fosse permitido revelar a existência do vosso mundo a pessoas normais...?" Articulou Dudley, ingressando na conversa.
"Sim, poderes mágicos. E, meu caro, eu faço parte do Ministério da Magia, como tal estou no meu pleno poder para vos contar a vocês o que sou, e pôr-vos no vosso devido lugar." Entoou docemente Umbridge.
"E qual seria esse lugar, Mrs. Umbridge?" Inquiriu a filha.
"Ora essa... o de servos, claro!" Espantou-se ela. "Que mais poderiam ser?"
"Se queria tanto ter servos, porque não ficou comigo?" Perguntou Leyla num tom que roçava o desespero.
Umbridge dirigiu-lhe um olhar de desprezo. "Achas que eu quereria ser lembrada constantemente de que dei à luz algo como tu? Que quereria que alguém alguma vez te pusesse a vista em cima e me humilhasse por tua causa, por um ser imperfeito, desprovido da força fundamental, a magia, fraco e sem utilidade sequer para lavar o meu chão?! Não, minha querida, para isso existem elfos, e Merlin sabe que até eles têm alguma coisa de mágico neles, coisa essa que tu não tens!"
Leyla deixou-se cair no sofá, a hiperventilar. Dudley dirigiu um olhar de nojo a Umbridge, mas ficou parado a ver a noiva chorar com uma expressão estranha no rosto. Vernon Dursley, esse, enrubesceu perante aquilo que considerava um ultraje.
"Você está a tentar dizer que Miss Rojas é sua filha? E que ela é normal?! Masisto é incrível! Deitou fora o único ovo bom da família!!"
Umbridge olhou-o de alto a baixo. "Claro que não. Se ela fosse normal, teria magia a correr-lhe pelas veias, como qualquer humano decente. O que você não está a entender, Dursley, é que eu não sou a anormalidade aqui. Você é, você mais esta corja sarnenta!"
Jenna levantou-se e encarou Umbridge. "Fora! Ninguém vem aqui a casa insultar-nos desta maneira! Quem é que julga que é?! FORA! Você também Dursley, suma daqui! JÁ!" E, virando-se para o homem a quem acabara de se dirigir, acrescentou. "Eu não sei o que via de mal no seu sobrinho, mas ele era um rapaz impecável. Se havia alguma coisa de errado na vossa família, não era ele que a provocava, era o senhor! Eu vi como ele era tratado, vi o que o seu filho e os amigos lhe faziam, cheguei mesmo a falar com ele e eles também me bateram! Eu não quero começar a imaginar o que se passava dentro da vossa casa, mas tenho muita pena de não ter podido contar nada do que sabia, ou não estaria na posição em que está agora, Dursley! Só tenho pena de que o pobre do Harry tenha morrido. Como foi, à pancada?!"
"Por acaso não." Atirou Umbridge da porta com um sorriso escarninho. "Morreu em combate, mas apenas porque era demasiado estúpido para se defender."
"Isso não é verdade."
Petunia Dursley retornara do andar de cima acompanhada de Celia, com as faces coradas e os olhos brilhantes fixados agora em Dolores Umbridge, que parecia ávida para ser interpelada por ela. "Harry sabia defender-se muito bem, e muito melhor do que a senhora, pelo que me contam!"
"P-P-Petunia? O QUÊ?!"
"Chega, Vernon!" Berrou-lhe a mulher. "Eu fiz de tudo para tornar a vida do pobre num inferno, apenas porque tinha inveja! Tu não sabes o que eu daria para poder ser metade do que ele ou até a minha irmã eram! Para poder ter a magia a pulsar-me nas veias! E eu não vou desonrá-lo na morte como o desonrei em vida, não vou não! Eu vou ajudar a encontrar o corpo dele, e enterrá-lo-ei eu própria ou morrerei a tentar!"
A cara de Umbridge tornou-se uma máscara de desapontamento. Olhou Petunia com desdém. "Não diga mais nada, Mrs. Dursley. Já vi que vim cá gastar o meu tempo. E, Mr. Dursley, como vê, você e a sua raça são os anormais aqui. Até a sua mulherzinha admite isso!" E, com um sorriso repugnante, Umbridge girou no lugar e desapareceu da soleira da porta do número dez. Vernon, que parecia prestes a ter um ataque apopléctico, virou-se para a mulher e rugiu, "Anda para casa, temos muito que falar!"
Petunia olhou-o com um ar de tristeza no rosto. "Eu nunca mais vou contigo a lado nenhum, Vernon. Não depois de nos humilhares em frente de tanta gente e com tanto sucesso, já para não contar que uma dessas pessoas é a noiva do nosso filho. Espera os papéis do divórcio em breve. Eu passo em casa ainda esta semana para retirar as minhas coisas."
"Petunia?! Anda para casa! JÁ!" Berrou-lhe o marido, tentando puxá-la à força. O movimento foi, no entanto, travado por Dudley, que se colocou entre os pais.
"Tu sabes que eu te venero, mas se tocas num fio de cabelo dela eu juro que te mato aqui e agora, pai." Ameaçou-o ele. "Vai-te embora, por favor. Amanhã conversam com mais calma. Vai!"
Vernon Dursley deitou um olhar assassino à mulher e aos ocupantes da casa que se tinham vindo colocar ao lado dela e do filho de ambos, Leyla ainda algo chocada pelo que a mãe lhe tinha dito, encostada a Jenna, que a suportava, e virou-lhes as costas, dirigindo-se mal-humoradamente em direcção a casa. Entreolhando-se, Gary e Leigh tiveram o mesmo pensamento a correr-lhes pelas mentes.
Que noite!
XoX
Patricia Stimpson estava definitivamente farta de papelada. Com tanto processo, tanto depoimento, tanta fichinha, tanta comichosice junta, como queria o raio do Ministro que alguma coisa andasse para a frente na comunidade mágica do Reino Unido? Ridículo!
De momento, era o suicídio de Peter Pettigrew que lhe estava a dar cabo do juízo. Tantos anos preso e agora é que o homem se lembrava que aquela vida era um suplício e mais valia fazer um favor à Humanidade e acabar com a própria raça! Isto já para não falar de que o tinha feito logo após afirmar descaradamente que Harry Potter tinha sobrevivido a cem mil feridas e outra Avada Kedavra. Que descaramento!
Mas era um descaramento que não fazia sentido absolutamente nenhum. Ela própria já o admitira na conversa que tivera com Kingsley Shacklebolt no dia anterior – mesmo Pettigrew tinha um módico de juízo naquela cabeça gananciosa de Devorador da Morte arrependido – ui, arrependidíssimo, com certeza – e, mesmo que o estivesse, nunca deixaria escapar uma oportunidade para reduzir a pena que teria de cumprir. Conhecendo bem o Wizengamot, Stimpson não se admiraria até que algum dinheiro mudasse de mãos nos bastidores para o libertar de imediato. Havia muita gente que continuava a não lhe inspirar confiança, mesmo em tempos de suposta paz. Não, aquilo tinha sido uma tentativa de o calar – de quem e com que objectivo final, ao certo, ainda se estava para saber. De qualquer forma, a tentativa tinha sido eficaz, mas teria chegado a tempo?
E se não tinha...!
O sobressalto de Stimpson foi interrompido por um ofegante Roger Clarkson, aspirante a Auror, que lhe entrou disparado pelo gabinete dentro.
"Auror Stimpson, o chefe está a chamá-la. Parece que é urgente!"
As sobrancelhas de Patricia ergueram-se de espanto. "Por acaso o chefe não sabe escrever um memorando e arremessá-lo?! Qualquer criança sabe fazer um aviãozinho, por Merlin!" Resmungou enquanto se levantava. Que quereria Kingsley agora de tão importante que não podia esperar o suficiente para escrever um memorando?
Um minuto depois, Stimpson bateu à porta de Shacklebolt e entrou sem esperar autorização, fechando a porta atrás de si.
"Patricia, tu não vais acreditar nisto!"
"E bom dia também para ti. Ou boa tarde, já que passa do meio-dia. Deve ser bom ser chefe, poder fazer gazeta quando se apetece, hein?"
Kingsley ficou atónito. "Gazeta? Qual gazeta qual carapuça! Tenho estado desde as 6 da manhã nos arquivos a conferir as fichas de todos civis mortos no atentado de King's Cross. Topa-me isto."
A colega apanhou a ficha arremessada. A informação não era muita. Nome, descrição, uma confirmação legal do óbito e causa do mesmo, a rubrica do curandeiro que certificara esse óbito e outra da pessoa que tinha identificado o corpo.
"Bem, parece que afinal o tal James Evans não estava tão vivo quanto parecia, não é verdade?"
Outro olhar atónito de Kingsley. "Stimpson, ACORDA! Certidão de óbito de James Evans, caucasiano, 18 anos, não dizem mais nada, o que não é normal, mas tudo bem, é o nosso homem. Agora olha para a rubrica da pessoa que o identificou. Diz-te alguma coisa?"
Patricia observou a rubrica em questão. "É igual à do curandeiro que o declarou morto! Como é que deixaram passar uma coisa dessas?!"
"Seria legal se a pessoa em questão fosse da família de sangue directa do morto, embora isso seja extremamente raro. Isto deitaria abaixo a nossa hipótese de James Evans e Harry Potter serem a mesma pessoa, mas eu sei de fonte segura que estas duas pessoas não eram da mesma família. Longe disso, na verdade."
Patricia franziu o sobrolho. "Aguenta aí os cavalos, Kingsley. É claro que esta pessoa nunca poderia ser da família de sangue de Harry Potter, os únicos parentes que lhe restavam eram Muggles, toda a gente sabe disso, mas quem te diz que não poderia ser da família de James Evans? Talvez não sejam a mesma pessoa, afinal!"
Kingsley abanou veementemente a cabeça. "Não estás a perceber. A família directa de sangue teria de ser um dos pais, irmãos ou filhos da pessoa. É claro que Harry Potter não tinha pais ou irmãos e, que eu saiba, também não tinha filhos. Mesmo que os tivesse, e apesar de ser excepcional, duvido que a criança fosse um prodígio tão grande que se tornasse num profissional qualificado tão precocemente! Quanto a James Evans, bem, tudo depende se ele existe ou não, verdade? Não, eu estava a referir-me à profissional que confirmou o óbito – que, na altura, ainda não era profissional nenhuma, embora já tivesse experiência na área. É que, sabes, eu sou amigo da família, e posso garantir-te que não há lá ninguém chamado James Evans."
"O QUÊ?!"
Kingsley passou uma fotografia por cima da secretária à qual estava sentado e Patricia pegou-lhe. O rosto sorridente de Harry Potter, a cabeça dele encostada carinhosamente à de uma bela jovem ruiva de olhos castanhos e profundos. Virando-a, Patricia apercebeu-se da dedicatória que culminava na mesma rubrica da certidão, acompanhada da do jovem Potter.
"Patricia, apresento-te Ginevra Weasley, aprendiz de Poppy Pomfrey em 1997 e 1998, actual curandeira em S. Mungo e antiga namorada de Harry Potter."
N/A: Uhm... não me matem?
OK, o capítulo está mais curto que o normal e demorou para aí o quê, um ano a sair da minha cabeça para o PC... nada de especial, certo? carinha de sonsa
Agora a sério desculpem a demora (e o cliffie)!
Abraços e COMENTEM SFF! xox
