De Agora em Diante

Capítulo 9

Squall vestiu uma camisa regata preta, com um enorme leão prateado estampado na frente, e depois se olhou no espelho. Ele se perguntava se ela combinava com as botas pretas e sua adorada calça de couro. Ao se decidir que parecia suficientemente bom, ele foi em busca do cinto certo. Ele pegou um preto e o prendeu, antes de se olhar outra vez no espelho. Então Squall abriu a gaveta onde estavam meticulosamente separados seus brincos, correntes e anéis, e pegou algumas dos artigos, inclusive um que ele mais gostava e chamava carinhosamente de Griever. Então ele inspecionou o resultado final e suspirou em frustração quando viu que o seu cabelo estava desarrumado. Squall tentou penteá-lo e acalmar os fios castanhos com seus dedos, mas nada convenceu seus cabelos a ficarem no lugar certo.

- Espelho, espelho meu, quem é a coisa mais sexy que existe?

Squall lançou um olhar de desaprovação para o outro garoto e recebeu um largo sorriso de volta. Irvine se espreguiçou lentamente na cama e então se espreguiçou outra vez.

- Agora eu não preciso fingir que não fico olhando quando você fica horas se arrumando.

- Eu não fico horas... Só porque eu não pego a primeira coisa que eu...

- Ah, fala sério, você é igual mulher escolhendo roupa.

-...

- Isso me faz lembrar que eu preciso pegar umas roupas suas emprestadas... ou então vou ter que andar pelado.

Squall arqueou uma sobrancelha levemente. O pensamento não era de todo desagradável, mas ele ainda tinha algum bom senso para não deixar aquilo acontecer. Por que sempre tão racional? Não, Irvine não havia dormido sem roupas. Ele estava com uma camiseta branca e as suas boxers. O resto das roupas ele tinha chutado por todo o quarto durante a noite.

- Espera um pouco. – Squall pegou uma das suas colônias e espalhou o líquido sobre o seu pescoço e pulsos.

- Eu tenho todo o tempo do mundo, amor. Eu não estou com pressa de me vestir. – Irvine assistiu como Squall se preparava para o dia. Ele podia apostar que o moreno estava tomando um cuidado especial na tarefa, mas não havia como ter certeza disso, Squall sempre foi tão concentrado nisso todos os dias. Mas Irvine gostava de pensar que... – Você tá se vestindo pra me agradar?

Squall parou o que estava fazendo e morreu de vergonha. -...Whatever. – Ele foi à direção do seu guarda-roupas, tentando evitar olhar para Irvine.

- Que gracinha.

O moreno pegou algumas roupas e as arremessou contra o outro garoto. – Eu acho que elas devem servir.

Irvine sentiu as roupas aterrizarem em sua cabeça, obscurecendo sua visão temporariamente.

– Valeu.

Ele pegou a camisa preta e a calça jeans e as provou. Elas haviam ficado um pouco apertadas no seu corpo, mas ele decidiu que não era tão desconfortável, e, além do mais – o jovem se levantou da cama e caminhou até o espelho – ele ficava bem nelas. Irvine se virou e inspecionou sua imagem no espelho uma porção de vezes. Ele decidiu deixar alguns botões próximos ao seu colarinho abertos e deu uma olhada na gaveta de Squall para ver se havia algo para combinar com o visual. O garoto pegou uma corrente prateada e viu que ela ficava perfeita em seu peito. Então ele pegou alguns anéis e os testou nos seus dedos. – Ei, cadê a sua colônia? Eu adoro aquele perfume.

Squall esteve observando o outro garoto intensamente o tempo inteiro, e levou alguns segundos a mais para captar a pergunta. – Na segunda gaveta.

- Me ajuda aqui, vai. – Irvine apontou para o seu cabelo.

O moreno ajudou o garoto a amarrar o rabo de cavalo, demorando-se na tarefa para aproveitar e passar seus dedos ao longo dos cabelos uma porção de vezes. Ele adorava tanto fazer isso.

Irvine suspirou e esperou até que Squall terminasse de brincar com os seus cabelos. Então ele se afastou do toque com certa relutância e pegou suas botas de cowboy debaixo da cama. – Eu acho que vou precisar do meu chapéu.

- Você vai...

- É... Eu vou pegar algumas coisas no quarto do Nida.

-...- Havia uma boa chance de o Irvine encontrar a Rinoa lá.

-...- Havia uma boa chance de ele encontrar a Rinoa lá.

- Ok.

- Me deseja boa sorte. – Irvine esperou na frente da porta e olhou para Squall.

O moreno andou na direção da porta e fitou os olhos violetas. Nunca em sua vida, ele encontrara olhos que tanto o hipnotizassem.

E eles olharam um para o outro.

E mantiveram a troca de olhares até Squall finalmente dizer. – Boa sorte.

Irvine mostrou seu sorriso característico e afagou algumas mechas do cabelo de Squall. Ele então deslizou sua mão pelas costas do garoto e parou na cintura dele. – Você vai estar esperando aqui?

- Eu vou para a cozinha.

- Café da manhã?

- É.

- Eu queria comer lá fora. – Irvine olhou pela janela, era um claro dia de sol.

- Eu posso levar alguma coisa pra gente enquanto você pega as suas coisas no outro quarto.

- Tá bom. Eu espero você lá fora.

- Tá.

Irvine olhou para a porta. – Preparado?

- Uhum.

O garoto de cabelos compridos afastou sua mão da cintura de Squall com certa relutância e abriu a porta. Eles deixaram o quarto juntos e o moreno se direcionou para as escadas, esperando apenas para olhar uma vez mais para Irvine e sentir a mão dele apertar a sua por um breve longo segundo.

Squall desceu as escadas e encontrou Quistis sentada em uma cadeira de madeira, perto de uma grande janela. A garota olhou rapidamente para o garoto e voltou a olhar para o seu caderno, embora a sua mente não pudesse mais focar em seus estudos.

-... – Squall disse.

A loira olhou para ele mais uma vez por cima de suas anotações, fixando seus olhos azuis nos acinzentados por um breve momento. – Há quanto tempo.

- Tá estudando?

- É, nós temos trabalho em grupo, apesar de que eu sou a única que parece lembrar disso. – Quistis colocou seu caderno em uma mesa redonda próxima à cadeira e suspirou. – Que bobagem a minha... Eu sei que é difícil pensar na escola em um lugar como esse.

- Tenta se divertir um pouco, Quistis.

- Eu pareço tão mal que você, de todas as pessoas, está me falando para me divertir? – A garota se levantou. Seus saltos altos a fazendo parecer mais alta que o rapaz. – Eu estou me divertindo. Eu saio bastante e conheço um monte de lugares, e eu gosto das horas de paz aqui... apesar de que um monte de coisas anda acontecendo ultimamente.

- E tudo é minha culpa.

- Eu não acho que há um culpado. – Então Quistis parou por um momento para analisar Squall. – Você e o Irvine estão mesmo...

- Acho que sim.

- Sim ou não? – A loira colocou as mãos em sua cintura.

- É...

- Ahhh... então não é só a imaginação da Selphie. – Quistis pareceu perdida em seus pensamentos por um momento. – Sabe, você tá certo.

-?

- Eu vou tentar não me preocupar muito e me divertir mais. – A garota caminhou em direção às escadas, mas parou para olhar para trás, analisando o visual de Squall naquele dia, antes de subir o primeiro degrau. – Ei, você tá muito sexy. Maldito cowboy sortudo.

Squall ficou surpreendido pelo comentário da loira. Quistis sorriu e subiu as escadas. Lá no corredor ela encontrou alguém encarando uma porta. Ela parou e observou o garoto que permanecia no mesmo local.

- Você está bloqueando a passagem ou algo do tipo?

- Oi, minha deusa maravilhosa. – Irvine olhou para a garota.

- O que você está fazendo aí?

- Eu preciso de apoio moral, me abraça, por favor. – Irvine abriu os braços.

-...- Quistis direcionou um olhar de aborrecimento para o garoto. – O Squall vai ficar muito feliz ao saber disso.

- Um abraço amigável, Quisty, não fica pervertendo as minhas intenções.

A loira suspirou e abraçou o garoto rapidamente, antes de se afastar.

- Ah, que isso, um abraço de verdade! Você pode mais que isso, garota!

- Vocês está me desafiando?

- Pode apostar que sim.

- Tá bom. – Quistis abraçou o garoto outra vez, com mais força.

Irvine suspirou. – Não é bom?

- É estranho. – A loira deu uns tapinhas nas costas do garoto. – Agora, faça o que for preciso, homem.

- Sim, senhora.

Quistis balançou a cabeça e andou até seu quarto. Lá ela viu uma coisa pequena enrolada em si mesma na cama. Pijamas de moogles e lençóis de chocobos. Quistis sentou na cama e inspecionou o rosto adormecido da garota. Ela parecia quase inocente daquela forma, mas a loira a conhecia bem.

- Hora de acordar, princesa. – Quistis tocou o ombro da garota. Ela ouviu um pequeno grunhido e então viu as pálpebras da Selphie se abrirem lentamente.

- Bom dia, linda.

- Você não tem planos para hoje?

- Não... – Selphie bocejou. – Eu não tô com vontade de levantar.

- Você? O que está acontecendo no mundo? Você está doente?

- Humm... – Selphie rolou na cama. – Eu tava pensando no que aconteceu ontem...

- E?

- Talvez eles me odeiem agora.

- Ai, Selphie, eu diria que eles ficam sem paciência com você o tempo todo, mas eles não odeiam você.

A garota virou-se mais uma vez e olhou para Quistis. – Você tá aprendendo a animar os outros com o Squall?

- Whatev... – A loira tossiu levemente. – Eu tava pensando... da gente fazer um picnic.

- Picnic? – Selphie arqueou uma sobrancelha, começando a ficar interessada no assunto.

- É, e eu pensei que você era a pessoa perfeita para planejar isso.

A garota baixinha se levantou da cama. – Talvez eu seja.

Quistis sorriu. Os humores pareciam estar ficando melhor na casa... pelo menos era o que parecia.

xxx

A primeira visão que ele teve quando acordou foi o teto iluminado pela luz do sol, a próxima foi um pedaço de pele nua. Seus olhos verdes percorreram o corpo e ele sorriu de forma predatória. Cara, o loirinho tinha um corpo espetacular. Todos os exercícios realmente fizeram algo de bom para ele. Zell tinha seus músculos desenvolvidos, mas não exageradamente. E o seu corpo compacto dava a ele um charme de garoto. Era encantador o jeito que seu cabelo caia sobre o seu rosto de um jeito desalinhado, ainda não arrumado em seu estilo convencional. Apesar da visão quase que totalmente agradável para Seifer, havia um pequeno detalhe que o incomodava ligeiramente.

- Você está jogando?

- Hum? – O garoto manteve seus olhos azuis como o céu grudados na pequena tela... – É... – Enquanto seus dedos apertavam os botões com rapidez.

- E por quanto tempo você pretende fazer isso? – Seifer acariciou a perna dele.

- Até eu terminar essa fase. Eu tô atrasado.

- Você tem uma meta?

- É, pelo menos duas fases por dia eeeeeeeeee eu não mantive o ritmo nesses dias, então...

- Inacreditável.

- É, eu não passei em nenhuma nos últimos dias.

- Não foi o que eu quis dizer... – Seifer massageou as costas do garoto com uma de suas mãos.

- Você tá me distraindo.

- Ah, essa é a ideia... – Seifer sussurrou em seu ouvido.

- Para! – O garoto empurrou o outro.

- Tá bom, entendi! – Seifer se levantou da cama e caminhou em direção à porta. – Fica com os seus joguinhos idiotas.

- Seifer... – Zell chamou.

O garoto não queria, mas parou. Ele respirou fundo. – Vai, continua o que você tava fazendo.

- Você tá bravo comigo?

- Não...

- Tá bom, então! – Zell voltou a jogar e Seifer murmurou uma porção de xingamentos. Não havia como fazer o loirinho parar com o seu vício. Malditos aparelhos eletrônicos demoníacos.

xxx

Squall estava pensando sobre o que ele faria para o café da manhã. Naquela casa, ele não tinha a Edea para cuidar de tudo. As refeições de todos eram um tanto quanto caóticas e pouco saudáveis.

Ele entrou na cozinha e foi na direção da geladeira, mas então ele parou quando viu alguém parado perto da pia. O homem olhou para o garoto de relance e acendeu seu cigarro, levando um tempo para tragar a fumaça e soltá-la lentamente.

- Eu não sabia que você fumava.

- Eu posso viver sem isso. Mas, às vezes... – Laguna voltou seu olhar para o garoto. – Eu tenho orgulho de você, você não bebe, não fuma, não usa drogas.

- Você já usou drogas? – Squall perguntou, repentinamente curioso.

- Só nos tempos do exército de Galbadia. Sabe, um monte de jovens longe de casa, viajando feito loucos pelo mundo... Mas daí um monte de coisas mudaram quando eu casei. Sem mais viagens, sem mais festas, sem mais bebedeiras e sem mais garotos.

- Por que você casou então?

- Por que eu queria! Sabe, quando eu me apaixonei pela primeira vez quando eu era criança, foi pelo meu melhor amigo. Eu passei um tempo pensando que eu só gostava de meninos, e então, o tempo passou e eu percebi que eu também gostava de meninas. E chegou a um ponto que quando eu tinha 18, que foi quando eu entrei no exército, eu estava convencido que eu ia me casar e ter filhos! – Laguna deu mais um trago em seu cigarro antes de continuar. – Eu amava a Raine, ela era uma mulher maravilhosa e eu não me arrependo de ter me casado com ela, mas... um dia, eu percebi que o amor que eu sentia por ela era algo diferente, eu não amava mais a Raine como uma mulher, eu amava ela como uma pessoa querida pra mim, mas não como marido e mulher.

-...- Squall não sabia o que comentar. – Entendo. – Foi tudo que ele pôde dizer, mas por dentro, sua mente estava processando o que ele escutara.

Laguna terminou seu cigarro, observando o garoto procurar por algo na geladeira e nos armários. Ele parecia ter dificuldade em achar o que queria.

O homem se aproximou de Squall e ofereceu ajuda. – Tem uns cookies em algum lugar, e suco. – Laguna olhou ao redor. – Eu acho que tem algumas frutas aqui... Maçãs, maçãs, tudo bem?

- Claro. – Squall pegou os itens e os colocou em um prato.

- Eu podia cozinhar para você se eu soubesse o que você gosta, além de tortas de baunilha, mas sabe, o Eric diz que eu cozinho mal.

...?

- Eric é o meu namorado. Eu pensava que eu nunca ia trair ele de novo. Então, foi ele quem me deu coragem para procurar o meu filho. Que irônico. – Laguna sentiu um olhar, sem nem ao menos verificar se estava mesmo sendo observado. – Eu... Não foi exatamente traição da outra vez... a gente teve uma briga e a gente terminou por um dia. Eu tava meio bêbado... bom, no dia seguinte nós estávamos juntos de novo. Droga, ele sabe disso, eu contei o que aconteceu.

- Por que vocês terminaram...

Espera... Eu disse isso em voz alta?

- Ele disse... Ele sempre ficava dizendo que eu não tinha tempo pra ele, que eu ficava sempre longe, que eu trabalhava demais. Deus, qual é o pecado em um homem trabalhar duro e honestamente... Mas, sim, eu sei que eu estava errado, eu sempre estive errado... Ele disse... "Não perca essa oportunidade, não perca o seu filho de vista mais uma vez".

Squall olhou para o rosto de Laguna tomado pela tristeza. – Bom... você está aqui, não está?

- Sim, estou.

O garoto assentiu com a cabeça e pegou a comida para levar para a varanda. Então, de repente, sem saber o porquê, ele beijou uma das faces de Laguna e este, por sua vez, pôs o rosto do garoto em suas mãos e beijou os lábios dele, fechando seus olhos em seguida. Relutantemente, Laguna se convenceu a se afastar, mas, mesmo assim, continuou olhando para Squall por um tempo.

- Você tá lindo – Laguna disse e então completou – como sempre. – Então ele desviou o olhar. – Pode ir – ele suspirou.

O garoto pegou a comida e o suco e caminhou até a saída da cozinha, ele parou ali por um momento, apenas um momento antes de deixar o local.

Laguna se encontrou sozinho na cozinha. Repentinamente o silêncio do lugar era demais para ele. Saindo pela porta dos fundos, o homem chegou até o quintal da casa. Ele ficou aliviado ao ouvir o som das aves e o balançar das folhagens. Seus olhos visualizaram a paisagem exuberante. Laguna pensou que era por isso que amava tanto o lugar, parecia que o cenário o fazia mergulhar em sua beleza.

Mas então algo chamou a sua atenção. Não era óbvio, mas ele podia ouvir alguém andando em sua direção. Ele virou sua cabeça levemente para ver quem era e tentou esconder seu desapontamento em ver que não era seu filho.

- Não foi minha intenção perturbar você. Eu só estava andando por aí – o loiro disse.

- Ah, tudo bem, não se preocupe.

- Apreciando a vista? Eu concordo, é uma bela vista.

- É... Estou feliz de ter comprado essa casa – Laguna disse com orgulho.

- É uma ótima casa também.

- É, um lugar bem bacana. – Ele tirou um maço de cigarros do bolso. – Aceita?

Os olhos verdes observaram o maço por um momento antes de aceitar. Ele pegou um cigarro e deixou Laguna acendê-lo, antes que o mais velho acendesse o próprio.

Ambos apreciaram a vista em silêncio por algum tempo, antes de Seifer falar. – Eu realmente admiro você.

Aquilo pegou Laguna de surpresa. – Por quê?

- Porque você é um homem que teve sucesso na vida. Você tem um bom emprego em uma das melhores empresas do mundo.

- Ah... isso... É... é bom, mas tudo tem o seu preço.

- Sabe, eu tenho algumas coisas planejadas para o meu futuro. Eu não quero ser como todos os outros. Eu quero ser alguém. E eu sei que é uma tarefa difícil e que eu vou ter que deixar algumas coisas de lado até eu alcançar o meu objetivo.

- Você já pensou que talvez o preço a se pagar seja muito alto?

- Nah... Nada vai me impedir de buscar o que eu quero.

Laguna respirou fundo. – Às vezes eu acho que eu deixei muito para trás. E tudo por quê? Para uma grana extra na minha conta e menos tempo para dormir. Olha... Você é jovem, e talvez você não consiga enxergar as coisas importantes em volta de você.

Seifer pensou por um momento. – Você tá dizendo que se arrependeu do que você fez com a sua vida?

- Eu não diria que eu me arrependo... Foi o caminho que eu escolhi por alguma razão, mas... talvez pudesse ter sido diferente... Quando eu era jovem, eu planejava fazer algo completamente diferente na minha vida. Eu não sei por que ela ficou desse jeito.

- E o que era?

- Eu queria ser jornalista.

- Só jornalista? – O pensamento era simples demais para a mente de Seifer.

- Não só um jornalista! Eu viajaria o mundo escrevendo artigos sobre as experiências que eu tive. Deixando muitas pessoas saberem sobre as minhas aventuras. Eu planejei isso tudo. Eu entrei no exército porque parecia uma boa oportunidade para viajar. Os soldados de Galbadia eram mandados para vários lugares no mundo, às vezes não para lutar nas guerras, a maior parte do tempo era só para guardar territórios e lugares. Eu pensei que seria uma experiência fantástica, e foi. Eu quase não dormia e a minha vida tinha uma rotina completamente louca, mas... Valeu a pena. Eu conheci um monte de gente pelo mundo, eu conheci um monte de lugares, lugares bonitos, lugares exóticos, lugares estranhos...

- Parece ter sido legal.

- Não é para todos, mas era para mim. Mas, de algum jeito... um dia, acabou. Eu não sei por que... – Laguna riu amargamente. – Talvez eu tenha crescido. Talvez era hora de deixar a juventude para trás. Acontece.

- Acontece mesmo.

- Acontece mesmo, por isso que eu acho que você precisa dar mais crédito para a idade que você está vivendo agora.

- Eu tô tendo a minha diversão.

- De verdade, você não sabe como é bom ser jovem. Eu acho que você sabe, mas depois você vai ver isso de uma forma totalmente diferente, e você vai se dar conta do que perdeu. – Laguna parou por um momento para depois acrescentar. – Cara, eu tô falando como um velho agora.

Seifer riu. – É, você está. Pode até ser que a sua aparência engane, mas agora você falou como um velho.

- Eu não sou tão velho assim, sabia?

- É, sei. – Seifer sorriu de maneira maldosa e se virou para deixar o local. – Valeu pelo cigarro.

- É, fica tirando uma da minha cara, eu tô acostumado com isso. – Laguna observou o garoto andar alguns passos antes de chamar a sua atenção novamente.

Seifer virou a cabeça para trás e esperou para ouvir o que o homem tinha a dizer.

- Toma cuidado... Algumas coisas na vida acontecem de um jeito que a gente não espera.

Muitas coisas definitivamente não são planejadas.

O garoto assentiu com a cabeça e se direcionou ao interior da casa, não dando crédito suficiente para o conselho. No entanto, ele não poderia dizer que nunca fora avisado.

xxx

Irvine bateu gentilmente na porta.

Nada.

Ele bateu de novo.

Ainda nada.

...

Ele estava começando a ficar frustrado.

- Quem é? – A porta se abriu lentamente.

Irvine viu a garota com as pálpebras semi-abertas, ainda não totalmente desperta. – Erm... Eu vim pegar as minhas coisas.

- Ah... – Rinoa bocejou.

Vendo que a garota não se moveu para lhe dar espaço, Irvine limpou sua garganta.

- Ah... – Rinoa percebeu que ela estava no caminho e abriu a porta.

- Menina, o que aconteceu com você?

- Nós passamos a noite toda acordados.

Irvine piscou uma porção de vezes. – Me desculpa por incomodar você!

Rinoa piscou uma porção de vezes, só então percebendo como aquilo havia soado. – Ah, não desse jeito! Nós só ficamos jogando Triple Triad!

- Sabe que eu não ligo que você pratique o sexo.

- Mas nós não fizemos nada! – A garota ficou envergonhada.

- Tá bom, tá bom! – Irvine deu um sorrisinho. – Posso entrar?

- Claro... – A garota viu o rapaz entrar no quarto. – Só... tenta não fazer muito barulho. Ele ainda tá dormindo.

- Ok. – O garoto piscou.

xxx

Squall estava esperando, sentado em um banco de madeira da varanda. Ele tinha um prato com comida no seu colo e um coração batendo rápido em seu peito.

Ele estava esperando.

Depois de alguns longos minutos, ele sentiu o cheiro do seu perfume em outra pessoa e uma fonte de calor andante. Ele sentiu o rapaz sentar ao seu lado no banco e ele não se atreveu a olhar, a princípio.

- Tudo certo.

- E a Rinoa...?

- Bom... ela parecia bem feliz.

-?

- Não o feliz da Selphie, mas ela não parecia brava ou nervosa. Ela me tratou como se nada tivesse acontecido.

- Talvez ela esteja concentrando a sua raiva em mim.

- Ah, ela é uma menina muito doce, não fala uma coisa dessas dela.

Squall arqueou uma sobrancelha e encarou Irvine.

- Ah, não me olha assim... Eu vou achar que você não me ama mais.

- Whatever.

Irvine suspirou. Ele olhou para o prato de Squall e pegou uma maçã, logo, mordendo-a enquanto o outro garoto comia a dele silenciosamente. Eles comeram tudo sem falar nada e quando terminaram, Squall deixou o prato de lado.

- Sabe – Irvine começou. – Eu gosto de passar o tempo fazendo nada com você. – Ele colocou um braço sobre o banco, acima dos ombros de Squall. – Mas eu acho que prefiro mais fazer alguma coisa com você.

O garoto silencioso pensou por um momento. – Nós podemos explorar a caverna.

Irvine piscou uma porção de vezes. – Não foi o que eu... Ahh... parece legal!

- Nós podemos ir hoje à noite.

- De noite?

- Por que não?

- É escuro, sabia? Mas, sim, a gente pode. – Irvine olhou para os olhos azuis de Squall. – É.

O moreno sentiu o calor do outro corpo próximo ao dele. – Hoje à noite então.

xxx

Zell andou alegremente pelos corredores. Não apenas havia realizado o seu objetivo para o dia, mas ele ainda ganhara pontos extra em missões especiais. Ele estava feliz.

Sua próxima tarefa para o dia era pegar alguma comida como recompensa. O garoto foi até a cozinha e viu que não estaria sozinho. Nida, o cara bonito, estava sentado à mesa, passando manteiga sobre uma cream cracker. Rinoa estava sentada ao seu lado, comendo bolo. Ele conversou um pouco com eles e encheu seu estômago até onde pôde, para então deixar a cozinha e sair.

Lá fora Zell teve uma bela visão da natureza. O sol banhava as árvores e o gramado; as aves cantavam uma canção feliz; a brisa da manhã acariciava a sua face. Olhando ao redor ele percebeu toda a beleza do lugar. À sua frente estava uma infinita linha de árvores que se estendia por todo o horizonte; à sua esquerda ele viu a deslumbrante encosta da montanha, imponente sobre a floresta; à sua direita ele viu Irvine e Squall sentados lado a lado.

- Ei!

-... – Squall respondeu.

- E aí... – Irvine disse.

Zell olhou para os dois até fazer com que Squall ficasse com tamanho desconforto pela situação a ponto de começar a conjurar seu olhar de gelo.

- Então vocês estão aqui.

- É – Irvine disse. – E então, cara?

- Só olhando.

- O quê? – Squall perguntou.

- Olhando por aí.

- "Por aí" quer dizer: nós?

- Parte disso. Então, vocês são parte da vista. – Zell olhou em outra direção antes que o olhar de gelo de Squall pudesse causar dano. – Que dia ótimo! Acho que eu vou dar uma volta! – E ele caminhou até a floresta. – Até mais!

- Cara, relaxa – Irvine disse depois que Zell se fora. – Ele é assim, você sabe disso.

-... – Squall sentiu a mão do garoto massagear seu ombro. – É só que... o jeito que ele tava olhando...

- Sshhh... para de se preocupar.

Zell viu os dois conversando um pouco, depois ficando em silêncio. Em dado momento, Irvine disse algo e Squall assentiu.

Então eles ficaram sentados em silêncio.

Zell estava começando a ficar ansioso atrás da árvore em que estava escondido, quando ele foi pego de surpresa. Uma mão cobria a sua boca e ele lutou para se livrar da pessoa que o prendia, até sentir algo o pressionando por trás.

- Isso, fica fazendo isso, você tá me excitando.

- Seifer? – O loiro finalmente conseguiu dizer depois a a mão deixou sua boca.

- Tem certeza? – O homem suspirou ao ouvido de Zell. – E se for um estranho? Por quanto tempo você vai lutar? – Ele pegou os pulsos do loiro e os prendeu atrás das costas de Zell. Ele então deixou sua mão livre percorrer o tronco do garoto, descendo seus dedos sobre o abdômen. Então ele subiu para o peito até que ele achou um mamilo para torturar.

Zell gemeu e se contorceu, tentando ganhar alguma fricção contra o outro corpo. Seus pulsos foram soltos, porque ele não estava mais tentando se desvencilhar; então as duas mãos livres do estranho puderam atacar o seu corpo. Zell foi pressionado contra o tronco de uma árvore pelo homem e ele pôde sentir seus corpos se esfregando.

De repente ele foi virado e uma boca quente cobriu a sua, forçando seus lábios a abrirem e aceitar o beijo insistente. Ele foi totalmente dominado pela sensação, seu agressor realmente beijava bem e a ação o excitava imensamente. E se tornou melhor ainda quando uma mão cobriu a sua ereção. Ela se moveu sobre ele, enlouquecendo-o. Mas logo Zell percebeu uma voz que o fez despertar de seu estado.

- De joelhos.

Zell não conseguia recusar uma ordem. Ele fazia qualquer coisa quando havia uma voz de comando. Ele fez como lhe foi mandado e quando seus olhos se fixaram à frente, ele encontrou uma ereção. Sem hesitar, ele lambeu as gotas que escorriam pela ponta e foi recompensando com um gemido rouco. Ele então repetiu a ação e sentiu seu cabelo ser pego por uma mão.

- Abre a boca.

Zell seguiu a ordem e esperou que a ponta pressionasse seus lábios. Ele sentiu o membro entrando devagar, para depois se retirar.

- Você gosta, não é?

- Sim. – Zell lambeu os lábios e começou a chupar o grande órgão que quase não cabia em sua boca. Ele se afastou um pouco e sugou a ponta, para depois tentar fazer tudo caber em sua boca. Ele pegou o próprio membro e começou a se masturbar enquanto chupava. A todo o momento gemendo, fazendo com que o homem aproveitasse a vibração. Depois de algum esforço, Zell foi recompensado com o sêmen que jorrava em sua boca, logo depois que ele próprio havia atingido o clímax.

O garoto sentou-se na grama e encostou suas costas em uma árvore, tentando se recuperar. – Parece que agora eu compensei por causa da manhã.

- Mais ou menos. – Seifer disse. – Mas eu quase pensei que você preferia espiar os seus amigos.

- Eu não estava... eu só...

- Você é só um voyeur.

- Cara. – Zell se levantou. – Eu fiquei aqui por um tempo e até agora eles não fizeram nada um com o outro, isso é muito frustrante.

- Irvine? – Squall olhou para o outro garoto. – Você tá acordado?

- Tô... – O corpo de Irvine estava bem relaxado, reclinado sobre o banco e seu chapéu cobria a parte de cima de seu rosto. – Que foi, meu querido?

- Você já teve a impressão de estar sendo observado?

De repente, o garoto ficou tenso e olhou para o seu amigo por debaixo do chapéu de cowboy. – O que você tá querendo dizer? Eu... Por falar nisso... Às vezes eu ando pela casa, eu escuto uns barulhos, mas não tem nada lá...

- Do que você tá falando? Eu tô querendo dizer que o pessoal tá olhando diferente para a gente – Squall disse.

- Cara, eu não disse. Eles só ficam falando e não fazem nada... – Zell olhou exasperadamente para Seifer. – Eu quero tanto ver alguma coisa rolando...

- Chicken... – Seifer observou a dupla. – Eles não parecem que vão fazer nada obsceno agora.

- É, acho que sim – Irvine disse.

- Vamos embora, Chicken, eu tô ficando cansado disso.

- Mas eu acho que eles estão encarando bem a situação. – Irvine encostou a cabeça no ombro de Squall. – Só dê um tempo a eles.

xxx

A garota saltitou alegremente pela casa, carregando uma cesta de picnic. – Vamos, Quisty!

- Tá bom! Eu já estou aqui! – A loira disse ao final dos degraus da escada.

A garota sorriu e colocou seu braço no de Quistis, guiando-a. Elas andaram e conversaram por todo o caminho pelo jardim até que acharam uma clareira, que, de acordo com a opinião de Selphie, era o melhor lugar para um picnic. A casa não estava muito longe - ainda a vista - mas elas já estavam bem perto das árvores da floresta e tinham uma bela vista da encosta das montanhas. Selphie colocou uma toalha colorida sobre a grama e começou a pôr os copos e potes decorados sobre ela. Ela serviu um pouco de chá de morango em uma xícara e começou a passar geléia de framboesa no pão, entregando a Quistis depois.

- Obrigada.

- Eu trouxe mel também.

- Sim, eu vou experimentar depois.

- O sr. Loire disse que era dessa região.

- Deve ser bom então.

- Hummm. – Selphie provou um dos doces que havia trazido. – Delicia. Eu adoro coisas doces.

- O chá de morango também está muito bom. – Quistis sentiu o doce aroma, fechando seus olhos.

- Obrigada! Eu coloquei um pouco de hortelã também.

- Tá muito bom. – Estranhamente bom. – Mesmo.

- Esquilo! – Selphie gritou e Quistis quase deu um pulo.

- Meu Deus, eu pensei que era algum monstro pelo jeito que você gritou.

- Que lindinho! Olha! Ele tá correndo assustado! Ei, olha como ele corre rápidooo... – Então uma grande ave veio e pegou o animal pelo bico e voou com ele para além do horizonte. – Ahhhhh...

- Hummm... Interessante. – Quistis tomou um gole de chá.

- Malvada!

- Ah, é só a natureza, os animais comem os outros o tempo todo.

- Você diz isso como se fosse a coisa mais normal do mundo...

- E não é? Você não come hambúrguer? Você sabe que é uma vaca.

- É verdade, mas... mas eu não vejo a pobrezinha morrendo então... é mais fácil comer – Selphie concluiu.

- É um ponto de vista... interessante... Eu acho...

- Sabe, Quisty... Nós podemos ir nadar no rio mais tarde.

- É, é uma boa ideia. Eu adoro aquelas águas, embora elas sejam meio geladas.

- Eu te esquento.

- Pervertida.

- Você sempre soube que eu... – Então Selphie parou de falar de repente.

- É, eu sei... – Quistis pensou que o silêncio da outra garota era estranho e percebeu que ela estava olhando na direção da casa. Rinoa e Nida estavam andando pelo gramado. – Eu acho que a Rinoa vai ficar bem.

- É... Eles são muito lindos juntos... Eu estou começando a me acostumar com a ideia. Mas... Eu acho que ela ainda tá brava comigo.

- Ela não estava brava com você, foi só tudo que aconteceu...– Quistis viu a garota se levantar. – Selphie? Aonde você tá indo?

E a garota correu na direção do casal.

Rinoa ficou surpresa quando viu a garota sem fôlego.

- Me desculpa. Eu sou tão idiota. Você vai me perdoar? – Selphie encarou a outra garota com um olhar pedinte.

- Perdoar você? Pelo quê? – Rinoa não sabia o que estava acontecendo.

- Por aquele dia.

- Aquele dia? O que aconteceu?

- Você não lembra?

- Hum... Eu só lembro algo que não tem nada a ver com você.

- Verdade? Eu pensei... Eu pensei que você tava brava comigo...

- Eu não estou... Por quê, ah... – Rinoa estava confusa. - Eu... Eu disse algo para você?

- Você disse que eu só fazia coisas estúpidas de criança.

- Ah... Selphie... – Rinoa abraçou a garota baixinha. – Eu não tive a intenção.

- Mas eu sei que eu sou assim.

- Me desculpa se eu fiz você pensar isso.

- Então... – Selphie encarou Rinoa. – Amigas?

- É... – A garota sorriu. – Amigas.

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E lá estavam eles novamente se preparando para sair pela mata. Squall e Irvine pegaram um pouco de comida, água e lanternas e ansiosamente saíram pela noite. Irvine esteve falando disso o dia todo, e foi com felicidade que ele cumprimentou a lua e o ar puro quando eles começaram a caminhada.

- Você lembra o caminho? – O garoto perguntou a Squall.

- A maior parte dele. É bem fácil, a gente só precisa seguir a trilha.

- Sabe, se perder na floresta como no outro dia foi bem divertido. – Irvine olhou ao redor e se viu cercado de árvores. – Mas eu acho que eu prefiro não me perder agora... Tá meio escuro aqui.

Embora a lua estivesse generosamente banhando a terra com a sua luz, a floresta ainda parecia ser um lugar cheio de armadilhas. Irvine quase caiu uma porção de vezes e Squall sentiu-se atingido por pequenos galhos que ele fracassara em visualizar anteriormente.

Logo eles começaram a ouvir barulho de água por perto. A melodia era um tanto quanto relaxante, mas um pouco melancólica também. Squall estava silencioso, como sempre, caminhando com atenção, tentando alcançar a margem do rio. Irvine tentou acompanhá-lo com dificuldade, ele não queria ser deixado para trás, embora soubesse que o outro não o abandonaria.

Eles alcançaram o rio depois de meia hora. As águas estavam azuis escuras e se confundiam com a base da montanha.

Irvine viu Squall olhando para o horizonte, como se estivesse hipnotizado. O garoto de cabelos compridos sentiu vontade de tocá-lo, porque estava sentindo frio.

- Parece que nós somos as únicas pessoas no mundo todo. – Irvine tocou o ombro de Squall, sentindo-o tremer levemente e depois relaxar.

O moreno assentiu o que o outro dissera com um gesto silencioso.

- Eu não sei – Irvine suspirou. – Eu me sinto tão estranho.

- O que aconteceu? – Squall olhou para o rosto de Irvine. – Você tá bem? – ele perguntou com preocupação.

Irvine olhou para os olhos do moreno por um longo período de silêncio. – Tô... – Ele coçou a parte de trás da cabeça. – Acho que sim. – E sorriu. – Ei, vamos indo.

- Vamos... – Squall se virou e continuou a caminhar. – Vamos indo.

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A casa estava escura e silenciosa. Todos estavam dormindo, pelo que parecia. Seifer caminhou pelos corredores, sentindo o chão de madeira fazer ruídos quando ele pisava por cima das tábuas. Não havia nada fora do comum na casa. Ela só era antiga. E o escuro... Sempre pregava peças aos olhos.

Confiando em seus sentidos, Seifer caminhou até a cozinha sem se machucar. Ele estava com muita sede e estava desesperadamente precisando de água... ou talvez alguma cerveja escondida na geladeira, se ele tivesse sorte.

Mas então, antes que ele chegasse à cozinha, os ouvidos de Seifer começaram a escutar estranhos barulhos. Era como se... outra pessoa estivesse ali. Ele tentou ficar em silêncio e se concentrou nos ruídos. Talvez... talvez fossem os sons da chuva, havia começado a chover outra vez. Talvez fosse algum reflexo do trovão ecoando pelo céu.

Seifer caminhou um pouco mais, lentamente, até que ele alcançou a porta da cozinha. Então seus olhos se arregalaram quando ele viu uma figura mascarada iluminada por um repentino relâmpago.

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Continua...