Capítulo 09-Iniciativa

Edward fitou-a detidamente por segundos, o olhar sombrio, enquanto deliberava mentalmente o que ela deveria dizer. Uma instigação doentia pulsava em seu cérebro, a premissa de que unisse o útil ao agradável: teria a garota, ainda provocaria Emmett. Isso era mais do que podia ter arquitetado.

Com um riso irônico no canto da boca pela idéia maquiavélica, inclinou-se em direção a garota e beijou suavemente no lábio.

"Diga alguma mentira." Avaliou-a, pegou seu queixo e o levantou para observar a expressão do rosto adolescente.

Ela balançou a cabeça. "Não!" Negou, ainda movendo a cabeça energicamente. "Eu não minto."

Edward sorriu de canto com ar astucioso, excitado em antecipação. No entanto a garota não poderia saber de que ele ria. Não podia perceber a conspiração em seu sorriso.

Ele suspirou, com uma queimação interna de satisfação. "Diga a ele exatamente isso: que um amigo seu a levou à rota 66, subiu uma trilha e ficou embaixo de uma árvore por mais de três horas apreciando a vegetação." Sugeriu, de novo testando-a. Sabia que a citação traria uma lembrança, no mínimo, dolorida, a Emmett.

Bella desviou o olhar para o chão e pensou na idéia por segundos, imaginando nesse tempo como seria a reação de Emmett.

"Eu direi a verdade." Disse sinceramente, sem aparente hesitação.

Um minuto depois ela virava a esquina calmamente, indo rumo à escola. De longe, Edward pode ver a moto ninja preta de Emmett parada ao lado do carro de Bella, observou cada movimento da garota, até que ela chegou ao lado do grande homem louro e forte. Ele sentiu um calafrio lhe transpassar quando notou a mão de Emmett no ombro da garota, conduzindo-a ao seu carro e odiou-o mais uma vez, só resignando-se quando um flash em sua memória lembrou-o de horas atrás quando a garota estava debaixo de si, com os olhos fechados, gemendo e ofegando enquanto tinha prazer. Após reviver a lembrança, suspirou, montou em sua moto apressado e girou a chave na ignição, saindo imediatamente de lá.

Emmett estava indócil com o sumiço da garota e externou isso no semblante duro ao escoltá-la até a porta de seu carro. Lá, pediu que ela abaixasse o vidro e apoiou as duas mãos na porta, ignorando completamente Alice que tentava administrar a situação tagarelando incansavelmente.

"Onde você estava, Isabella?" Questionou inóspito. Sabia a resposta, entretanto necessitava de confirmação. A adolescente espantou-se pelo modo que ele a tratou. Fazia anos que ele não lhe chamava assim. Tinha até esquecido que esse era seu nome real. Possivelmente ele estivesse mais zangado do que pensava, concluiu chateada.

"Saí com um amigo." Respondeu fugindo do seu olhar, enquanto tamborilava freneticamente os dedos no volante.

"Que amigo?"

"Aquele que eu te falei um dia que estava com problemas, e eu estava tentando ajudar, lembra?" Perguntou como uma menininha acuada pelo pai.

"Qual o nome?" Questionou impaciente.

"Edward."

"Só Edward?" Arqueou a sobrancelha.

"Não sei... Nunca perguntei o segundo nome."

"O que ele faz? De que trabalha? Qual a idade?"

"Ele é formado em Química. Quase igual você." Deu um sorrisinho amarelo, bajulador. "E não trabalha. Vive de uma herança que a mãe dele deixou... Não sei a idade dele... Mas acho que é mais novo que você... Er, só isso que sei dele." Completou com uma mordida no lábio, tensa.

Emmett esfregou a testa e perguntou-se qual era a real intenção de Edward. Seria só para investigá-lo, provocá-lo, ou os dois?

"Para onde foram?" Inquiriu ainda muito sério.

Bella engoliu em seco com a pergunta, depois fez uma prece que sua face afogueada não a denunciasse. Que sua pele não revelasse as novidades que seu corpo experimentou.

"Passear de moto." Disse naturalmente, depois continuou, animada. "Sabia que ele tem uma moto bem legal? Você iria gostar. É uma custom. É bem confort..."

"Para onde foram?" Interrompeu impaciente com as tentativas de manobra da garota.

"Ai, Emmett..." Resmungou e fez um bico, contrariada com a inquirição.

"Bella..." Ele suspirou cansado, inclinou-se com os braços na janela e olhou-a mais calmo. "Eu cuido de você, sabe disso. Tenho que saber com quem você anda... Além disso, você sabe quantos inimigos eu tenho... Alguém pode usar você para me atingir."

"Ele é uma boa pessoa, Emmett."

"E por que ele não veio te deixar aqui?" Quis saber com olhar sombrio.

Bella deu de ombros. "Porque não queria me expor, eu acho." Explicou em dúvida."Mas se você quiser, o apresento a você." Propôs ingênua.

"Vamos embora, Bella." Balançou a cabeça com uma careta de desagrado, sem dar vazão à sugestão absurda. "Vá na frente que eu sigo vocês. Só espero que isso não aconteça de novo. Não quero você saindo por ae com homens mais velhos, muito menos sem me avisar antes."

Bella sorriu aliviada em tudo terminar bem, pôs a mão para fora e apertou a bochecha de Emmett. "Você é exagerado." Ambos partiram e seguiram para sua casa.

Após deixar as intermediações escolares, Edward seguiu para o Centro de Los Angeles e estacionou sua moto no estacionamento da DEA. Mal entrou em sua sala, foi abordado por Erick, que passou os instantes seguintes relatando as coordenadas das investigações sobre corrupção de policiais, avisando nesse tempo que segunda-feira próxima aconteceria algo grande, pelo que notara nas mensagens decodificadas nos escutas.

*Gente, eu preciso que vcs entendam a diferença entre policiais e Agentes. No caso citado acima, quem está sendo investigado são os policiais de rondas. Aqui no Brasil o exemplo fácil seria os PMs. A situação exposta é como se a Policia Federal estivesse investigando policiais militares;)

"Será segunda feira." Erick disse. "Deveremos ter uma operação montada até lá." Inclinou-se mais sobre a mesa. "Eu não falei disso com ninguém e sugiro que escolha bem seus companheiros de operação."

"Tem idéia da hora que ocorrerá?" O tenente perguntou compenetrado, enquanto girava em sua cadeira.

Embora o oriental lhe explicasse minuciosos detalhes sérios do previsto acontecimento, Edward não conseguia entreter-se no assunto. Sua mente vagueava naquela manhã. Sentia-se disperso, tranqüilo e inexplicavelmente bem-disposto.

"... Então vou ver com Laurent os planos estratégicos, levantarei todos os dados logísticos e passarei todo o plano por e-mail, em mensagem codificada." Avisou e levantou-se, não se dando conta do olhar longínquo do chefe. Pensou no início que o chefe estivesse distraído por ter relatado que Emmett faria parte do esquema, todavia o chefe pareceu-lhe nem ter se atido ao fato. "Até mais." Levantou-se com sua pasta e saiu da sala.

Sábado pela manhã, Edward acordou, foi até a geladeira e constatou a falta de alimentos, situação imprópria para quem receberia visitas. Com um suspiro, lembrou-se que Peter passaria a manhã em sua casa e automaticamente ficou apreensivo, perguntando-se como seria cuidar de uma criança de cinco anos, principalmente sendo ele filho de Emmett. Fechou os olhos uns segundos, questionando-se o porquê de ter se oferecido, passou os dedos nos cabelo, preocupado, sentou e preparou seu cereal.

Pensou, por uns instantes, em sair e comprar algo pra que comessem em um mercado próximo, no entanto, temeu que a garota chegasse nesse intervalo de tempo e inferisse erroneamente que sua prévia saída fora um meio de fugir dela novamente. Por isso, terminou o seu cereal, usando seu habitual conjunto de moletom escuro, seguiu para a sala e sentou-se no sofá, enquanto olhava no relógio a cada dois minutos esperando ansiosamente o momento em que ela bateria em sua porta. O que aconteceu exatamente às sete e meia.

Ele respirou fundo, disposto a esconder sua ansiedade, e caminhou a passos lentos até a porta, não sem antes passar em frente ao espelho e conferir o visual. Internamente irritou-se ao fazer isso, pois desde quando se preocupava com sua aparência? Não era um adolescente em seu primeiro encontro, porra. Mas o pior foi que se deparou com o cabelo grande por falta de corte e fez uma careta de desagrado, lembrando-se do momento em que ela o bagunçou, a primeira vez que se encontraram, criticou-o e disse que parecia o cabelo do Zac Efron. Rolou os olhos criticando-se internamente pela negligência, com o argumento de que não podia andar com o cabelo assim sendo um homem da lei, balançou a franja e sentiu o incômodo acima dos olhos. Antes que avaliasse novamente o estado dos fios que entravam na gola da blusa, um segundo toque mais ansioso na porta lhe tirou da distração, desviou-se de seu reflexo no espelho e caminhou até a porta.

"Estou indo." Foi o que disse antes de tocar na fechadura.

"Ai, que demora!" Bella reclamou com um sorriso logo que a porta se abriu, e por um segundo, ambos se entreolharam, um esperando pela próxima atitude do outro.

Tome uma iniciativa, Edward pensou, quase embaraçado. E como se lesse seu pensamento, ela jogou umas bolsas no chão, pôs os braços em volta do seu pescoço e espontaneamente o abraçou, como todos os outros dias que chegava a sua casa. "Bom dia!" Deu-lhe um beijo no rosto e bagunçou seu cabelo.

Bem-vinda de volta. Edward pensou e sorriu satisfeito por tê-la de novo lá. Em um impulso, pôs a mão na cintura da garota e apertou-a a si, com a mão na base das costas. A seguir, inclinou o rosto ao seu pescoço e inspirou seu perfume. Era outra fragrância. Ela sempre mudava. Esse era algo com cheiro de algodão doce e tutti-frutti.

"Bom dia." Ele sussurrou na base de sua orelha e mordiscou o lóbulo, realizado em não precisar suprimir seu desejo antigo de fazer isso todas as vezes que a recebeu em sua casa. Ela sentiu um arrepio e afastou-o pelo ombro, retraída. Edward cerrou os olhos desentendido e, só quando viu quem estava logo atrás, notou o motivo da reserva da garota.

"Oi, Peter." Edward cumprimentou-o sem jeito. Tinha esquecido momentaneamente do menino. O garoto louro, alternando o olhar curioso da adolescente para Edward, levantou o polegar no ar e deu-lhe um sorriso caloroso.

"Mostra para o tio Edward do que vão brincar, Peter." Ela pediu, pegou as bolsas no chão e abriu caminho pela casa. O garoto levantou dois brinquedos cinzas em formato de metralhadora no ar, estendeu em direção a Edward e sorriu.

"Sua mãe te falou que você vai passar a manhã comigo?" Perguntou amistoso, pegou os brinquedos na mão do garoto e fechou a porta. O garoto assentiu com um sorriso. "Então hoje você escolhe o programa." Edward disse e caminhou ao lado dele até a cozinha, onde Bella estava. O garoto levantou o indicador no ar e fez um barulho 'pow pow' dizendo com o barulho de que brincariam. Edward estranhou o tipo de brinquedo que o garoto trouxe, olhou para Bella interrogativamente e levantou a metralhadora no ar. "Por que o Peter trouxe armas de brinquedo?"

Bella rolou os olhos enquanto abria umas sacolas. "Desde que eu avisei que ele iria vir ficar com você, ele me perturbou muito dizendo que vocês iriam brincar de policiais, por isso me fez comprar isso aí ontem à tarde." Explicou com uma careta. Edward olhou de canto para Peter, o garoto levantou a arminha no ar e apontou em sua direção, brincalhão, fato que fez com que Edward lembrasse que o garoto sabia que era policial, por causa da ação no Píer.

Temeroso, sentou-se à mesa e resolveu mudar de assunto. "O que tem nessas bolsas, Bella?" Apontou para as duas embalagens em cima da mesa.

"Iogurte, maças, pêra, sequilho, suco." Apontou para uma das sacolas, depois se dirigiu a uma bolsa de bebê azul. "Aqui ficam xampu, sabonete anti-alérgico, perfume, creme de pele, óleo de bebê, anti-séptico, analgésico, band-aid, protetor solar, creme pós-sol." Caminhou e colocou alguns itens na geladeira. "Lá no quarto eu deixei uma peça de roupa minha e do Peter para saímos à tarde. E na mochila que estava nas costas do Peter ficam alguns brinquedos, chinela, roupa, toalha." Parou quando notou o semblante de Edward chocado. "O quê?"

"Precisa mesmo disso tudo?" Ele perguntou admirado.

"Você já conviveu com uma criança de cinco anos antes?" Perguntou retoricamente. Ele balançou a cabeça em negativa. "Ele se suja a toda hora, se machuca a toda hora, tem fome toda hora..." Respondeu com um sorriso de satisfação e olhou amorosa para Peter, que a observava. "Mas cada segundo deles vale a pena viver. Você vai perceber isso." Disse, caminhou até Peter e inclinou-se em sua frente. "Não dê trabalho para o tio, ouviu bem?" O garoto assentiu e levou a mão ao rosto da mãe. "Cuide dele para Bella." Ela continuou. "Não o deixe falar palavrões, não o deixe tomar coca, nem o deixe ficar a manhã toda vendo televisão, promete?"

Peter assentiu novamente com um sorriso largo e Edward cerrou os olhos, sem entender os métodos de Bella. "Então mamãe já vai. Daqui a pouco eu volto e nós vamos sair." Avisou e deu-lhe um beijo na bochecha. "Te amo." O garoto balançou a cabeça assentindo, fez um coração no ar e apontou para Bella.

Antes de se afastar do garoto, ela notou Edward olhando-a avaliativamente e não podia imaginar o que se passava no olhar obscuro dele. Naquele instante, novamente ele sentiu inveja de Emmett pelo que este tinha, levantou a mão desafiadoramente a cintura de Bella― como se Emmett pudesse ver―, e segurou-a até o momento que ela se ergueu da posição inclinada que estava. Só o fato de ter visto aquele bumbum empinado dentro daquela calça justa rosa, naquela posição em que ela ficou para beijar o filho, com o quadril quase na sua cara, lhe provocou um desejo abrasador.

Por cima do ombro, ela olhou-o, alarmou-se pelo modo intenso que ele a olhava e teve a impressão que ele iria beijá-la quando levantou, girou-a abruptamente e encostou-a a si. "Não!" Conteve-o antes que ele lhe roubasse um beijo. Ele cerrou os olhos sem entender. Ela afastou-se e olhou para a criança, ignorando-o por um instante. "Peter, você lembra onde é a sala?" O garoto assentiu. "Vá para lá e ligue a TV, porque a Bella vai conversar com o tio Edward, tudo bem?" O garoto obedeceu e saiu.

Antes que ele saísse da porta, Edward inclinou-se e procurou sem mais palavras o lábio da garota, empurrando-a na porta da geladeira. Bella conteve-o, querendo falar-lhe, enquanto empurrava seu peito. Ele insistiu, partiu seus lábios com a língua, desceu a mão até seu quadril e apertou-a a si, possessivamente, no mesmo instante em que invadia a boca pequena, maravilhando-se com o gosto doce que ela tinha. Por um instante, ela fechou os olhos e permitiu-se ser beijada, a língua quente de Edward ocupando e demarcando sua boca. Era boa a novidade de não ser hostilizada e ainda receber beijos receptivos. Até sorriu mentalmente quando percebeu a excitação de Edward crescer, levou as mãos aos seus cabelos e o acariciou, arrancando um gemido satisfeito do homem.

"Que bom que veio." Ele disse em sua boca e continuou a prová-la.

"Não dev..." Ela o empurrou gentilmente, sem vontade. "Não devemos nos beijar assim com Peter aqui... Não quero confundi-lo... Ele sabe que eu tenho namorado." Pediu, mas Edward não parou, pelo contrário, desceu para o pescoço e continuou prensando-a, com as mãos apertando-lhe a nádega. "Edward, não..." Pediu manhosa, segurou o rosto dele em suas mãos e olhou-o suplicante. "Foi você quem pediu que eu o trouxesse. Não sei por que pediu, sei que gostei. Então, por favor, temos que respeitar a presença dele." Suplicou séria.

Ele afastou-se, notando a precipitação de seus atos, olhou para os lados, criticando-se pela falta de domínio próprio, suspirou e desencostou-se completamente dela. "Er, desculpe. Eu me descontrolei."

"Não se desculpe." Ela riu carinhosa. "Eu não ligo. Eu gosto dos seus beijos. Só peço um pouco de cuidado quando ele estiver conosco." Disse e lhe deu um selinho. "Fico feliz. Isso é sinal que eu mexo no seu controle. Que eu mexo com você." Disse satisfeita e pôs a cabeça em seu peito.

E como mexe...

Um minuto depois ela olhou no relógio rosa no pulso, tomou uma grande quantidade de ar, preocupada com o que enfrentaria no decorrer da manhã, deu um beijo em seu rosto e caminhou para sala de TV, a fim de falar com Peter antes de sair. Porém, quando passou pela sala lateral deparou-se com a escultura de Flora enfeitando o aparador.

"Pensei que iria jogar fora." Apontou sorridente para o móvel, depois deu uma olhada avaliativa na sala. "Um dia vou pintar aqui tudo de rosa choque, branco e prata."

"Então você acordou." Edward ironizou e abraçou-a por trás, brincalhão.

"Vou sim. Eu não gosto dessa casa sem cores." Fez uma careta.

"Eu gosto assim, Bella." Foi incisivo, afastou seu cabelo e beijou-lhe o pescoço.

"Tá, tudo bem, por enquanto... E minhas plantinhas, como estão?" Soltou-se do abraço e caminhou apressada para a varanda. "Nossa!" Deu um pulinho. "Como as senhoritas estão bonitas!" Inclinou-se e tocou na folha da orquídea. "Eu pensei que aquele homem ali fosse enforcar vocês." Disse sussurrado, com um sorriso arteiro em direção a Edward que a observava encostado à porta de vidro. "Que bom que ele não assassinou vocês de sede. Seria muito desumano. Depois vou trazer mais irmãzinhas para vocês." Acenou para as plantinhas e olhou para Edward. "Você conversou com elas esse mês que eu não vim aqui?"

"Lógico que não!" Balançou a cabeça como se a pergunta fosse absurda.

"Não precisa dar um pulo desses. Existe uma teoria comprovada cientificamente que as plantas crescem mais e tem flores mais saudáveis se conversarmos com elas. Experimente. Elas são ótimas ouvintes." Disse com uma piscada e caminhou rebolando para outra sala, faceira, com o rabo de cavalo balançando de um lado ao outro.

Edward acompanhou-a a certa distância, avaliando nesse tempo o conjunto corporal no conjunto de calça de algodão e blusa de capuz. Linda. Tinha certeza que conhecia cada pedaço frontal daquele corpo, seios, barriga, coxa, afinal ela foi estudada minuciosamente na montanha. Agora precisava conhecer a parte oposta. Morderia cada pedaço e curvinha daquela nádega que tanto o atormentou na operação na festa infantil em que ela ficou deitada de bruços ao chão, usando aquela minúscula saia branca que o deixou tenso a cada segundo que esteve lá. Ela iria pagar por aquilo.

"Filho, Bella já vai." Avisou e se inclinou. Edward teve que virar o rosto para não secá-la descaradamente ao tê-la novamente naquela posição tentadora. Será que ela não sabia que não se botava a bunda na cara de um homem como ele? A resposta física a ela era embaraçosa. Precisava controlar seu desejo.

O garoto assentiu, já distraído com o programa na televisão, recebeu um beijo e voltou sua atenção para a TV. Ela ainda olhou-o hesitante uns segundos, indecisa se era uma boa idéia ou não, Edward pegou sua mão, puxou-a para a sala e abriu a porta.

"Ele vai ficar bem." Avisou ao notar sua preocupação. "Se eu não puder deixar uma criança segura, posso desistir da minha profissão." Brincou tentando deixá-la tranqüila. Ela não entendeu o sentido do comentário e, em estado ausente, ignorou. "Importa-se se descemos um pouco para a praia?" Ele perguntou e fechou a porta atrás de si, ficando de frente com o elevador.

Ela pensou uns segundos antes de responder. "Tudo bem. Mas não o deixe entrar no mar... Tem protetor solar nas sacolas."

"Ok. Posso te beijar agora?" Perguntou e inclinou-se para que os lábios se encostassem.

"Edward, eu..." Iria dizer algo sobre o que tinha que resolver, mas ele foi mais rápido, segurou seu queixo e a beijou, encostando-a a parede do elevador, sem nem mesmo ponderar que seu vizinho poderia aparecer ou não a qualquer hora no hall.

Ela correspondeu, pois era impossível se negar àquilo que sentia por ele. No entanto, algo a atormentava internamente, e ela sabia o que era. Iria machucar hoje alguém por quem tinha muita consideração e amizade, com o único objetivo de investir neste relacionamento com alguém que conhecia muito pouco e que tinha atitudes inexplicáveis. Agora mesmo, tratava-a como se tivessem um romance, mas ontem nem mesmo ligou para saber como passara à tarde, ou o que Emmett dissera. Ele não inspirava confiança e precisava descobrir o porquê. Mas antes precisava dar um fim a essa culpa que carregava desde a manhã do dia anterior. Não podia sentir atração e felicidade com um homem, enquanto mantinha compromisso com outro. Hoje iria dar um basta no namoro.

A manhã arrastou tediosa para Bella no trabalho voluntário, uma vez que seus pensamentos estavam no que deveria fazer mais tarde. Suas funções consistiam basicamente em distribuir alimentos e conversar com viciados carentes. Bella e Daniel preferiam conversar com adolescentes. Ela sempre trazia palavras de motivação para aqueles que julgava precisar. Nesse instante mesmo, conversava com uma jovem que entrou nas drogas logo que foi abruptamente separada do namorado três anos atrás. Ela disse que quando namoravam, os dois fumavam aleatoriamente um baseado. Mas quando a mãe dele descobriu e o mandou embora para a Virginia, ela afundou-se no vício, foi encontrada nas ruas e trazida para o abrigo.

"Seus pais nunca apareceram, Jéssica?" Bella perguntou e pôs a mão da nova amiga entre suas mãos.

"Não." Jéssica olhou com olhos vazio para o horizonte. "Eu preferia que Mike viesse. Eu ainda o amo. Um dia te mostro a foto dele... Queria que tivesse um jeito de encontrá-lo. Você me ajudaria?" Pediu com olhos imploradores. Sua aparência letárgica causava piedade. Por trás dos olhos cinzas encontravam pratas rasas. Ela era dona de uma beleza mal-cuidada, com cabelos despenteados, roupas gastas. Bella se condoeu e abraçou-a ao assentir.

A casa de recuperação era uma lição de vida, Bella soube disso desde o primeiro dia em que a visitou, com Emmett, dois anos atrás. Depois descobriu que a pastoral responsável dava aos jovens da comunidade a oportunidade de maturidade ao poder trabalhar com viciados. Por isso a adolescente se inscreveu nos cursos e programas de aconselhamento. Bella sentia-se adulta em poder ouvir, aconselhar, ajudar.

E Daniel, depois de participar com ela do programa, sentia que a adorava cada dia mais por ela ter lhe devolvido a razão de viver, depois de já ter sido, com apenas quatorze anos, viciado em crack.

"Precisamos conversar." Bella avisou, no instante que atravessaram o portão da casa de recuperação para entrar no carro. Ele aproximou-se e a abraçou, levando seguidamente a boca ao seu pescoço. Imediatamente Bella o deteve e lembrou-se que horas atrás seu pescoço era beijado por outro homem... Tinha que agir rápido.

"Sobre o quê?" Perguntou desentendido. "Você acha que deveríamos descobrir onde anda esse namorado da Jéssica?"

"Não, er..." Nunca teve medo de nada, mas nesse instante tinha medo de machucar o garoto super lindo, fofo e... seu amigo.

"Ih, Florzinha, você nunca fica assim..." Comentou e segurou seu queixo. "Vejo que essa estória da Jéssica te abalou."

"Não é isso, Embry Daniel... É outra coisa." Suspirou e preparou-se para falar, enquanto mexia freneticamente os dedos um no outro.

"Ih, quando você me chama pelos dois nomes é porque as coisas não estão legais." Comentou e afastou-se. "É o Emmett?"

"Não... Somos nós dois... Não está dando certo..." Bella disse depois de um longo momento. "Eu queria te pedir um tempo..."

Bastou isso para que o semblante do garoto ficasse sombrio. Imediatamente ele começou a fazer chantagem emocional, dizendo que não teria forças pra ficar sem ela e que, como conseqüência, voltaria às drogas. Bella teve medo e começou a chorar, pedindo que não, pedindo que continuassem amigos e que ele não se deixasse vencer, porque namoro era namoro, amizade durava para sempre. Ele acusou-a de ter brincado com ele, de ter arranjado outro. Perguntou aos gritos se era o homem mais velho que ela encontrou na rua. Ela não respondeu e chorou mais. Não queria mentir. Era lastimável sentir essa culpa.

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Logo que a adolescente entrou no elevador para descer, Edward foi para a sala e observou por uns instantes Peter. O garoto desviou o olhar da televisão e deu-lhe um sorriso, em seguida levantou os dedos no ar e fez sinais imitando uma arma, perguntando com o gesto cadê a pistola.

"Ih, garotão, como vamos nos comunicar...?" Edward torceu os lábios.

A satisfação nos olhos da criança foi instantânea quando levou os dedinhos ao ar e fez sinal que sabia escrever. Animado, Edward foi ao quarto e voltou com caneta e papel.

A primeira pergunta que lhe veio à mente foi uma curiosidade sobre Bella. Bom, não necessariamente sobre Bella, mas uma curiosidade. "Seu pai gosta muito da sua mãe?" Perguntou meio hesitante, rezando que o garoto não entendesse o teor da pergunta. Peter nem levou a mão a caneta, somente balançou a cabeça que sim. Depois fez um coração bem grandão no ar. Isso significava que muito. E Edward entendeu, logo adotou um sorriso de canto maquiavélico. "E de você?"

O garoto deu um suspiro, desviou os olhos de Edward e fez um coração pequeno no ar, com o semblante mais triste. Edward percebeu confuso e aproximou-se mais do garoto, sentindo um impulso em perguntar por que ele achava isso. No entanto o garoto imediatamente mudou de assunto, perguntando novamente cadê a arma. Sem saída, Edward pegou sua mão, levou-o ao quarto e o sentou na cama. Em seguida, abriu uma gaveta ao lado da cama, pegou a arma e desmuniciou, desmontou e entregou-a desmontada na mão do garoto, que o olhou frustrado, com uma expressão você me enganou. Ao notar o olhar frustrado do garoto, Edward teve uma idéia.

"Com essa arma você não pode brincar, mas um dia podemos brincar de paintball. Hoje podemos brincar lá na praia com suas metralhadoras. O que acha?" Propôs persuasivo. O garoto manteve o olhar fixo na Glock baby que segurava na mão. Edward sabia o que significava aquele olhar. Era aquele olhar curioso de criança que queria fazer arte. Já lera sobre crianças que se envolveu em acidentes ao manusear curiosamente armas de pais e pensou que se Peter queria satisfazer suas necessidades, levaria ao lugar apropriado para isso. "Dane-se. Será nosso segredo." Disse, levantou-se e caminhou para seu guarda-roupa, vestindo lá uma calça jeans e camiseta. Mostraria ao garoto armas de verdade, depois lhe mostraria alguns vídeos do poder letal delas, para então o ensinar a atirar pelo menos com uma 28. Assim, toda a sua curiosidade sobre armas poderia se dissipar.

Vinte minutos depois chegavam a Agência, que estava fechada. Só a Inteligência do plantão funcionava. Atencioso como se Peter fosse um adulto, ele mostrou a sala de armas da divisão, depois mostrou um vídeo no youtube do que um tiro era capaz de fazer com uma criança que descuidasse, em seguida caminharam para o stand. Será que a mãe do garoto iria matá-lo por estar assustando-o? Preferiu não pensar. O que queria era conquistar o garoto.

Depois de mostrar o mecanismo da arma, deu cinco tiros e agachou-se atrás de Peter, segurando suas mãos em cima da do garoto para que este fizesse a mira.

"E aí, garotão, está pronto?" Perguntou e Peter tremia um pouco com a arma na mão. Mas Edward a apoiava, deixando-o mais seguro. "Quando estiver pronto, é só atirar." Avisou, Peter respirou fundo e fez sinal com a cabeça que estava pronto. Edward ajustou o protetor no ouvido do garoto e permaneceu atrás dele protetoramente. "Então prenda o ar e aperte o gatilho devagar." Instruiu, Peter apertou o gatilho e assustou-se com o recuo da arma e com o som. Imediatamente começou a balançar a cabeça frenético, dizendo que não queria mais. Edward sorriu satisfeito com o resultado, travou a arma, guardou no coldre de calcanhar e pegou a criança loura no colo, saindo imediatamente de lá. Bastou satisfazer a curiosidade do garoto para que ele perdesse o interesse.

"O que você quer fazer agora?" Edward perguntou quando subiam de volta o elevador de seu prédio, após terem passado no mercado e comprado alguns itens para o almoço. Ainda era nove e meia da manhã.

Peter fez sinal de que queria descer para a praia. Subiram, vestiram short, puseram boné, ambos passaram protetor, depois desceram com as metralhadoras de brinquedo. Já na praia, encheram as metralhadoras de Peter de água e passaram a brincar de molhar um ao outro com o brinquedo.

Às onze horas, subiram novamente, Edward pegou a mochila de Peter, tirou uma toalha e levou o garoto para o banheiro no quarto de hóspedes. "Você sabe tomar banho sozinho?" Perguntou meio incerto, consciente de que se ele negasse, iria ter que esperar a mãe chegar. Peter assentiu orgulhoso, tirou a sunga cheia de areia e entrou com a toalha no box. Edward abriu a mochilinha cheia de itens de banho, colocou-os no box e esperou ao lado de fora que o menino tomasse banho. Minutos depois Peter saiu do banho com um sorriso contente, secou-se e vestiu a roupa que Bella deixou separada. Após isso, Edward deixou-o na sala e seguiu para o banho.

Quando Bella chegou por volta de onze e quarenta, Edward fazia uma lasanha quatro queijos. Meia hora depois o prato estava pronto e ele ficou meio nervoso ao sentarem-se à mesa e vê-la experimentar seu prato depois de tantos anos sem cozinhar para ninguém. Ela comeu em silêncio, elogiou uma vez, e ele notou ao terminarem que o humor dela mudou desde que saiu mais cedo. E nada tinha a ver com fome. Ela parecia triste.

Seguiram para a sala de som, comeram um pudim de confeitaria que ele comprou sentados sobre o carpete, em seguida ela deitou-se com Peter no sofá, colocando antes uma música ambiente. Aos poucos, Peter foi invadido pelo cansaço de ter acordado cedo, fechou os olhinhos e cochilou, com sua mãe mexendo em seus cabelos.

Após vê-lo dormir, ela arrumou os travesseiros em volta dele e desceu para o carpete, sentando-se indiana em frente a Edward.

"Eu acho interessante seus mimos com ele. "Edward comentou só para introduzir um assunto. "É uma criança cuidando de outra." Sorriu.

"Ele precisa de mim." Resmungou com a voz inanimada.

"Igual a mim?" Disse isso por que sabia que ela aproximou-se dele por julgar que ele precisava de sua ajuda. Logo podia ser que ela nutrisse sentimentos parecidos.

Ela não respondeu nada, programou a música de sempre no som e fechou os olhos para concentrar-se, no mesmo instante que virou a palma para cima, na posição de Ioga flor de lótus. Ele colocou-se de frente a ela e imitou-a, respirando e inspirando por minutos. Fizeram a série de exercícios já exercitados antes em silêncio, ele sentiu o corpo relaxado, depois ela adicionou dois novos exercícios descomplicados: quatro apoios e posição da naja. Ele ficou fascinado enquanto ela o ensinava. As duas posições necessitavam de estar de bruços no chão, ambos deitaram, mas ele não conseguiu tirar os olhos do bumbum da garota, que parecia maior e mais empinado naquela posição. Pior ainda por ela ter tirado a blusa de frio e estar usando um top de ginástica com abdômen de fora e calça baixa. Teve que lutar ao máximo por controle para não ceder a vontade de parar tudo e deslizar os lábios por suas costas e cintura. Heroicamente, tentou concentrar-se e finalizou o exercício.

Após terminarem, Bella continuou alguns minutos fazendo sozinha exercícios avançados, completamente concentrada enquanto expunha o belo corpo em delicadas flexões, ora com abertura, ora com contorção. Ele praticamente despia a adolescente com os olhos, admirando o umbigo pequeno, abdômen trabalhado, coxas firmes. Com o membro duro, não via a hora de provar aquilo tudo que seus olhos exploravam.

Ela terminou o exibicionismo, sentou-se novamente indiana, agora mais relaxada e internamente melhor, olhou-o nos olhos e segurou sua mão, intimamente satisfeita com a decisão que tomou mais cedo. Agora levaria a nova vida adiante. Ao lado de alguém que a fazia sentir viva, mulher e desejada.

"Algum problema lá no abrigo para viciados?" Ele quebrou o silencio e apertou a mão da garota dentro da sua ao notar seu semblante contido.

"Não." Fez um bico e acariciou a palma de sua mão tranquilamente com os dedos, para então resolver falar. "Acho que já te falei dele..." Começou incerta. Sabia que deveria abrir-se. E de um modo sutil, queria muito aproximá-lo da verdade. Por isso obrigou-se a seguir em frente. "O Daniel... Ele é muito possessivo..."

"É seu amigo? O da pastoral?"

"Sim. Mas ele não é só amigo..." Interrompeu sugestivamente, enquanto encarava-o torcendo que ele deduzisse.

Edward compreendeu. Imaginava antes não ser o único amigo, claro, muito menos podia exigir isso. E não havia nada que pudesse fazer para condená-la, uma vez que acreditava que ela foi trazida obrigada para essa vida. A única pessoa que condenava por ela ser assim era a Emmett.

"É um moreno que tem uma moto?" Perguntou tranquilamente ao lembrar-se do dia em que viu o adolescente beijá-la na porta da escola.

"Sim... Como você sabe?" Questionou-o, mas interrompeu-se ao lembrar que ele a estava cercando na escola, logo, provavelmente tivesse visto Daniel por lá. "Ah..." Suspirou em compreensão.

"Você sempre beija seus amigos?" Obrigou-se a se portar indiferente, todavia o mesmo sentimento estranho que sentiu no dia que os viu juntos lhe incomodou novamente. Era infantil não querer que ela beijasse outro, não era?

Ela sorriu pequeno ao sentir a acusação em sua voz, e instantaneamente esperançou-se ao imaginar ser ciúme. "Não..." Olhou-o maliciosamente e ajoelhou-se em sua frente. "Só amigos com benefícios." Disse e acariciou sua bochecha, carinhosamente. Ele pôs a mão em sua cintura e fixou os olhos em seus lábios, no mesmo instante que a aproximava mais.

"Quantos amigos com benefícios você tem?" Sorriu torto, fazendo a pulsação de Bella correr pela eletricidade de seus dedos deslizando na cintura e barriga, o polegar tocando o umbigo.

"Agora só você." Disse num sussurro, Edward puxou-a e beijou-a, separando imediatamente seus lábios. Foi instantânea a realização que a invadiu. Como se, depois de tudo, aquilo fosse o certo. Ele sentou-a, cada perna para um lado, em seu colo, apertou suas costas e ambos esqueceram Peter dormindo no sofá atrás deles, entregando-se ao prazer do beijo.

"Posso tomar um banho aqui, antes de sairmos?" Ela buscou ar, afastando-se do beijo e os lábios dele desceram para seu colo, lambendo o vão entre os seios, enquanto apertava suas costas, fazendo-a friccionar em sua excitação.

"Por que não vai assim?" Ele perguntou e tocou seu seio redondo por cima do top. "Lógico que com o casaco por cima." Completou com um tom cauteloso. Ela sorriu ao sentir o zelo no comentário e levantou de seu colo, deixando-o frustrado pela perda do atrito.

"Porque isso não é roupa de passear." Disse e pegou sua mão, puxando-o seguidamente para o quarto, local onde tinha deixado sua roupa. Ela abriu o armário, tirou as peças de roupa que pôs no cabide mais cedo e estendeu-as em cima da cama, depois se dirigiu ao banheiro. Edward ficou sentado na cama, observando-a.

"Você vai tomar banho mesmo?"

"Sim. Algum problema?" Perguntou, colocou uma toalha em volta do corpo e desfez da calça, protegendo-se com a toalha.

"Não." Disse e esfregou a ponta dos dedos no incômodo sob a bermuda. "Er, vou te deixar sozinha para que fique mais à vontade." Avisou e caminhou rumo à porta.

"Tudo bem." Deu as costas e entrou no box, feliz em ver o desejo em seus olhos, ainda que não agisse intencionalmente para consegui-lo.

Ele saiu e fechou a porta do quarto, então seguiu para a sala de TV. Lá, deitou no sofá e por uns instantes prestou atenção no programa que passava, tempo esse que conseguiu algum domínio sobre seu corpo bem-disposto. Minutos depois, lembrou-se que tinha que se arrumar, levantou e caminhou para o quarto, chegando a tempo de surpreender Bella usando somente uma calcinha adolescente de algodão com elástico na cintura. Ela gritou sobressaltada pelo susto.

"Ow, desculpe." Ele fechou a porta sem jeito. Ainda não tinha acostumado com pessoas em sua casa. Logo, esqueceu-se de bater.

"Espere!" Bella chamou-o, ainda tapando os seios pela surpresa e decidiu naqueles poucos segundos que não iria ter pudores como uma tola ingênua. Iria portar-se naturalmente, já que sabia que em breves dias seriam íntimos.

Ele voltou receoso, sem olhá-la diretamente. Ela sorriu para si, surpresa com sua própria resolução e obrigou-se a adotar uma postura espontânea. "Eu não me importo que fique. Só gritei pelo susto. Vem. Sente aqui." Fez um gesto em direção a cama, matreira, ainda que internamente estivesse envergonhada. Tirou as mãos que cobriam os seios e seguiu tranquilamente para o espelho a fim de pentear os cabelos.

Edward engoliu em seco, entrou e ficou observando-a de costas, enquanto ela passava a escova pelos fios.

"Ainda bem que o Peter já tomou banho. Sabia que até recentemente ele não tomava banho sozinho?" Ela encontrou um assunto que a forçasse naturalidade.

Edward não prestou a mínima atenção no assunto, estava ocupado em apreciar a pele indefectível da garota, uma imagem reluzente da juventude. Analisou a curva da cintura, a sinuosidade encantadora de seu quadril e o conjunto de suas pernas desobstruídas de roupas, de modo que ofegou com o desejo intenso acumulado.

Encontrou seus olhos pelo espelho e contemplou com encanto a aura inocente que emanava daquela imagem, nos cabelos sendo penteados para frente sobre os seios. "Er..." Limpou a garganta, lembrando que ela tinha comentado algo e que precisava manter o diálogo. "Estávamos muito cheio de areia. Por isso eu pedi que ele tomasse banho. Você tem problema com isso?" Perguntou com a voz rouca.

Ela virou-se de frente a ele, com a escova na mão, ainda passando por cima dos longos cabelos que cobriam o monte de seus seios. Edward acompanhou o movimento da escova completamente excitado, mas forçou-se a naturalidade, enquanto engoliu novamente em seco.

"Não tem problema para mim. Só o fato de ter cuidado dele, me deixou muito feliz." Disse com um sorriso, sentindo-se completamente à vontade em estar quase nua em frente àquele homem. Avançou quase desfilando em sua direção e sentiu-se poderosa, bonita, diante daquele olhar explorador. "São poucas pessoas que tem paciência com criança."

"Ele é um ótimo garoto." Pigarreou e apertou os dedos no canto da cama. "Não deu trabalho nenhum."

"Obrigada." Parou em frente a ele e inclinou-se para lhe dar um selinho, depois o abraçou carinhosamente, deixando sua cabeça abaixo de seu queixo.

Aquilo foi testar os limites do homem a frente. Imediatamente ele pôs a mão naquela cintura pequena e afastou o cabelo que cobria o bico rosado, ereto, que parecia desafiá-lo com sua rigidez, e levou imediatamente os lábios a eles. A adolescente sorriu surpresa, gemeu e apertou a cabeça a si por uns segundos, deixando-o sugar possessivamente, com uma mão acariciando enquanto a boca se ocupava em mordiscar, sugar.

"Ai, garota, o que eu faço com você?" Disse e apertou-a mais, alternando nesse tempo as carícias entre um e outro seio.

"O Peter." Lembrou-o ofegante, ao ver a porta aberta.

"Acho que é você que está se esquecendo dele, para brincar comigo assim." Comentou com a voz rouca e permaneceu lhe dando mordiscadas, no mesmo instante que o polegar acariciou as laterais da calcinha, fazendo menção de descer.

"O que eu fiz?" Afastou-se delicadamente, mordendo os lábios, fingindo inocência. Ele permaneceu com uma mão no seio dela, subindo e descendo do seio ao estômago. "Só o abracei em agradecimento." Defendeu-se sonsa.

"Não. Você praticamente colocou os peitos em minha boca." Sorriu torto e puxou-a mais uma vez para beijá-la no seio. Ela balançou a cabeça em negativa, afastou-se de vez, mas o sorrisinho em seu rosto denunciava a presunção e satisfação em sentir-se tentadora e desejada. Isso era novo. Não sabia que tinha esse poder. Até dias atrás, ele só a tratava como uma adolescente inoportuna. Era gratificante sentir o quanto ele a queria.

Vaidosa, encostou-se a borda da cama e pegou a saia curta que iria usar. Depois de vestir sob o olhar de um homem faminto, pôs uma blusa tomara-que-caia branca justa, cheia de florzinhas bordadas no busto, a seguir sentou-se ao lado dele e calçou uma bota cano longo jeans, que combinava com a saia. Após estar vestida, abriu uma bolsa, pegou o estojo de maquiagem e seguiu para o espelho. Edward observou a roupa que ela vestia por longos segundos, então fez uma careta de desagrado. O ato foi imediatamente capturado pela garota através do espelho.

"Você não vai se arrumar?" Ela perguntou enquanto passava rímel.

"Sim." Levantou-se e abriu a porta do armário.

"Você tem alguma blusa branca?" Ela perguntou, fechou um olho e passou uma sombra com glitter.

"Sim." Respondeu desentendido.

"Então vista uma blusa branca e calça jeans."

"Pra que?"

"Depois você vai ver." Disse, pôs um radband branco e rosa no cabelo, combinando com o relógio e florzinhas da blusa, depois caminhou para a sala, a fim de acordar e arrumar o Peter.

Dez minutos depois, Edward estava pronto usando calça jeans, camiseta branca e um tênis branco. Sentiu-se estranho em vestir-se assim. Como cana, geralmente usava roupas pretas. Por precaução, tratou de usar somente uma arma no coldre de perna para emergência, pôs o distintivo na carteira de bolso e encontrou com Bella e Peter na sala, ambos vestindo cores iguais a sua, depois deixaram o prédio no carro do Edward. Ao chegar ao parque, Bella ajudou Peter a tirar o cinto, ele desceu deslumbrado e pegou na mão da garota. Edward acompanhou-os a um passo.

Os olhos do garoto brilhavam diante da animação em ver o movimento dos brinquedos. Compraram os passaportes e o levou ao primeiro brinquedo, um carrossel, o qual Bella animada entrou com ele. Edward esperou encostado à grade, em todo o tempo olhando para os lados, preocupado. Estava sempre em alerta, não só por estar passeando com propriedades de Emmett, mas por ser policial e ter sentidos sempre aguçados para contrariedades.

"Com o que está preocupado, Edward?" Bella abraçou-o na cintura logo que voltou do brinquedo, eufórica. Ele afastou-a sutilmente, com esquiva. "O que foi?" Ela perguntou sem entender. Desde que desceram no parque o tinha percebido meio reservado.

"Nada."

De novo ela percebeu seu olhar passear por sua roupa e olhou para a roupa que vestia."Algum problema?"

"Não." Respondeu sério, pegou na mão de Peter e caminhou, deixando-a confusa. Ela o alcançou e pegou na mão do garoto.

"Você está entediado, tio Edward, em estar fazendo programa com uma criança e uma adolescente?" Perguntou insolente, mas não de mal humor.

"Não."

"Parece." Deu de ombros, deixou-o e foi com Peter no minhocão. Lá eles gritavam, ela jogava a mão para cima e agia alegremente. Tinha facilidades de lidar com imprevistos.

Ele olhou-os uns segundos, ciente de que tinha provocado a percepção da garota, fez uma careta e balançou a cabeça. Não tinha intenção de chateá-la com sua paranóia. Ela era tão linda sorrindo.

Após um tempo, Ângela, a responsável pelo registro de remédios, passeava próxima com seu sobrinho, o avistou parado lá, caminhou até ele e o cumprimentou.

"Oi, chefe!" Disse surpresa em encontrá-lo. Ele não fazia o tipo que se encontrava em locais como aquele. Edward torceu os lábios inconscientemente com desagrado ao vê-la. Encontrá-la lembrou-o mais ainda da situação que estava e imediatamente arrependeu-se por ter saído com a adolescente.

"Boa tarde, Ângela." Cumprimentou-a reservado, paralelamente olhando preocupado em direção ao brinquedo. Para o seu azar, Bella e Peter tinham acabado de descer do brinquedo e já caminhavam eufóricos e saltitantes em sua direção.

"O que faz aqui?" Ângela perguntou e acompanhou seu olhar. Sem saída, o chefe apontou para Bella, que quase os alcançava, e buscou uma desculpa eficaz.

"Vim trazer, er, ela e..."

"Seu filho?" Ângela interrompeu empolgada. "Nossa, ele é a sua cara!" Ofegou deslumbrada, e Bella se pôs ao lado de Edward, esperando ser apresentada. Foi Ângela quem se adiantou, olhando-a da cabeça ao pés. "Eu não sabia que você tinha sobrinha dessa idade." Comentou casualmente. Os três ficaram sem falar uns segundos, Edward notou a tensão e tratou de apresentá-las.

"Bella, essa é a Ângela, uma colega minha." Apontou para Ângela.

"Oi." Bella cumprimentou-a com um sorriso forçado. Por um instante sentiu-se insegura com o olhar avaliativo da alta e elegante mulher à frente, depois ergueu os ombros e arrumou a postura. Não iria se deixar intimidar.

"Oi." Ângela respondeu, e ambas se olharam insistentemente, as duas cientes de que se conheciam de algum lugar. Edward esfregou o cabelo preocupado, receoso que Ângela mencionasse que ele era agente na DEA. "Vamos comer alguma coisa juntos?" Ângela propôs entusiasmada, afinal era um quinhão encontrar o chefe fora do ambiente de trabalho. Isso dava mostra de que ele não era uma máquina inacessível, como sempre o taxavam. "De repente as crianças gostem da companhia uma da outra." Comentou e apontou para seu sobrinho.

"O que você acha, Bella?" Edward propôs e observou a adolescente um pouco, entretanto não conseguiu ler sua expressão. A adolescente estava magoada por notar seu embaraço, logo empinou o nariz, jogou os cabelos louros para trás dos ombros, orgulhosa, e decidiu lhe dar espaço.

"Se você quiser ir, tio, pode ir." Disse com um sorriso tranqüilo e segurou na mão de Peter, já pronta para deixar o local. "Eu e Peter preferimos brincar." Avisou educadamente e levantou a mão no ar para dar um tchau para Ângela. "Até mais."

"Então acho que vai ficar para outra hora, Ângela." Disse e segurou firmemente na mão livre de Peter, impedindo com isso Bella de se afastar. "Estou devendo esse passeio tem tempos." Completou com um sorriso. Ângela pensou que nunca viu o chefe mais lindo, afogou-se por uns instantes nos olhos azuis como o mar atrás dele, depois sorriu, encantada.

"Tudo bem. Deixa para próxima." Despediu-se com sorrisos coquetes e saiu.

Edward, Peter e Bella seguiram para a fila da roda gigante sem comentar o ocorrido. Enquanto esperavam, ele estudou a adolescente distraída, em seguida agachou-se para falar com Peter, ficando da mesma altura do garoto.

"Por que você não quis nem olhar para aquele garotinho?" Quis saber ao lembrar que Peter ficou de costas, abraçado à perna de Bella.

"Ele não se dá bem com crianças." Bella respondeu por ele, enquanto isso aguardavam que a fila andasse.

"Por quê?"

A criança loura fez um gesto com o indicador e a boca, lembrando que não falava.

"Mas nós dois brincamos a manhã todinha e isso não foi impedimento." Argumentou. "Você não tem amiguinhos?"

"Não. E é melhor assim." Bella disse, calma.

Edward olhou-a sem entender e levantou-se. "Por que você acha melhor?"

"Para protegê-lo. Não quero que me filho seja alvo de discriminações." Respondeu séria. A vez de subirem chegou, ela adiantou-se com Peter e o menino não quis soltar a mão de Edward.

"Você não vem?" Perguntou apática. Seu humor fora abalado.

"Não. Não gosto." Edward negou, mas o garoto não quis soltar sua mão, fez carinha de pidão e chamou-o novamente com um gesto na mão.

"Ok." Ele concordou e subiram as escadas. "Vou só uma vez."

Sentaram no banco e Bella colocou Peter no meio, todavia o garoto pediu a Bella por linguagem de sinais que ficasse no canto para ver o mar.

"Não, bebê. Do meio dá para ver tudo." Negou protetora e arrumou o boné do garoto.

Peter balançou a cabeça e apontou para Edward, argumentando por gestos que Edward devia ficar no meio já que ele tinha medo de roda gigante. Bella sorriu do que o garoto deduziu.

"Não. Ele não está com medo. Ele é adulto." Explicou carinhosa. "Você é bebê e tem que ficar no meio."

Peter insistiu com olhar pidão e disse que então era ela que tinha que ficar no meio porque ela era mulher. Bella deu um bufo resignado, sentou-se no meio e deixou Peter e Edward nos cantos. O garoto sorriu e beijou-a bajulador. Minutos depois a roda gigante começou a subir, o garoto gritou e apontou para a cidade e mar, extasiado.

Edward e Bella sorriram diante da alegria do garoto, ele passou o braço em volta do ombro de Bella, afastou o cabelo e encostou o nariz no pescoço da garota, ato que a assustou, pois ela não esperava essa intimidade em público.

"Ele consegue tudo que quer de você?" Sussurrou abaixo da orelha dela, fazendo-a se arrepiar. Sorriu ao perceber o efeito e beijou devagar o local.

"Quase sempre."

"Você é muito protetora." Acusou e plantou beijos suaves no pescoço, depois deu mordiscadas.

"Ele é tudo que eu tenho." Explicou baixinho, enquanto isso o garoto gritava contente em plenos pulmões.

"Por que ficou tensa quando a Ângela chegou?"

"Por que estava na cara que você ficou sem jeito. Parecia que queria me esconder."

Ele desceu os dedos pelo pescoço e acariciou a clavícula, no mesmo instante que desviava beijos para ombro. "Eu não estava embaraçado... Só preocupado."

"Com o quê?"

Ele deu um tempo pensativo, suspirou e continuou beijando-a devagar, agora descendo pelo braço livre.

"Com você, comigo... Você é uma adolescente... Veste-se como uma..."

"É isso que o incomoda." Concluiu chateada. "Te incomoda a minha idade." Não era uma pergunta.

"Não. Não é isso." Adiantou-se ao notar a mágoa em sua voz. "Mas é estranho que eu ande com uma. É novo." Disse e pegou na barra de sua saia. "Talvez, se você não se vestisse assim, sua idade fosse um pouco disfarçada."

Ela balançou a cabeça sorrindo. "Eu não consigo entender os adultos. Emmett faz questão que eu use roupas adolescentes, que use perfumes adolescentes, que eu tenha amigos da minha idade, saia para festas com pessoas da minha idade. Ele tem uma verdadeira obsessão para que eu curta as minhas fases. Já você prefere que eu me comporte como adulta."

"Emmett quer que você seja adolescente?" Questionou com incredulidade, falando com uma familiaridade suspeita. "Como ele quer que você viva a fase adolescente colocando uma responsabilidade dessas nas suas costas?" Acusou e apontou indignado para Peter. Ela entrecerrou os olhos e encarou-o, cética.

"Você está falando de algo que não sabe. Emmett se sente muito culpado por isso." Fez questão de se afastar um pouco, ganhando alguma distância entre os dois. "E só para registrar, eu adoro a responsabilidade que eu tenho. Isso não me impede de curtir minha adolescência." Argumentou e trouxe Peter protetoramente mais para perto de si. "Saiba que eu vivo mais que você. Tenho colegas, me divirto, saio. A única coisa de diferente das outras meninas da minha idade é que minha prioridade é outra." Disse na defensiva e virou-se de costas para ele, dando nesse instante atenção ao Peter que estava completamente alheio ao assunto que abordavam, entretido com o movimento abaixo deles. "Qual o outro brinquedo que você quer ir, filho?" Ela perguntou, pegou uma água em sua bolsa e abriu para que o garoto bebesse.

Ele respondeu por sinais que queria ir no frisbee. Ela balançou a cabeça em negativa. "Não pode. Só quando você tiver onze anos." Lembrou com carinho, inclinou e beijou a bochecha da criança. "Mas que tal a discoteca?" Propôs animada.

O garoto sorriu e levantou o polegar no ar. A roda gigante parou, ela segurou na mão do garoto e desceram com a ajuda do monitor do parque. Em seguida caminharam rumo ao disco. Edward a seguiu logo atrás, observando nesse tempo sua capacidade de lidar contratempos com humor. Pegaram a fila e esperaram a vez. Quando já alcançavam o portão, Peter virou e fez sinal para Edward perguntando se ele ia. Foi Bella quem respondeu.

"Acho que o tio Edward não gosta de programas infantis, Peter." Comentou naturalmente, depois subiu a escada para caminharem em direção ao disco. Surpreendeu-se quando notou uma mão em sua cintura, olhou para trás e Edward também tinha subido.

"Quem disse que eu não gosto?" Ele questionou com uma sobrancelha arqueada, sentaram-se lado a lado, prenderam o cinto e o brinquedo começou a mover-se, enquanto uma música alta passava nas caixas.

"Solta os braços, bebê!" Ela gritou animada, acompanhou a música e seu corpo era jogado de um lado ao outro, juntamente com seus cabelos, que a cada segundo ficava mais esvoaçado. Edward fixou o olhar nela, sorriu do quanto ela se divertia com o filho e surpreendeu-se ao ter vontade de beijá-la ali, enquanto ela cantava animada a música Hot n' cold, da Kate Perry.

"Uau, adorei!" Disse saltitante quando desciam do brinquedo. "Agora vocês vão me esperar por que eu vou no frisbee." Avisou, pegou na mão de Peter e o puxou rumo ao outro brinquedo. Foi interrompida quando uma mão pegou na sua outra mão, seguramente, olhou para trás e era Edward que a segurava. Sorriu para ele, chegaram ao brinquedo em questão e ela subiu, deixando Peter carrancudo por não ter idade suficiente para subir. Antes de se afastar completamente, ela inclinou-se, segurou com as duas mãos no rosto do garoto e adulou-o. "Falta cinco anos e dois meses para você poder brincar nesse. Está perto, bem pertinho."

O garoto continuou emburrado, de braços cruzados, Bella levantou o dedo mindinho no ar, sorriu e disse com a voz fininha. "Você deixa a Bella ir? Você sabe que a Bella adora ir nesse." Pediu manhosamente. O garoto rendido deixou um sorriso invadir seu rosto, levou as mãos ao rosto da garota e cobriu sua bochecha, em seguida assentiu balançando a cabeça. "Obrigada. Eu te amo." Deu um beijo de esquimó. "Cuida do tio Edward." E saiu eufórica.

De onde estava, Edward só ouvia os gritos entusiasmados da garota que era jogada de um lado ao outro do aparelho que a deixava quase solta e girava em uma velocidade tamanha. Edward levantou Peter no colo para visualizar melhor e a observaram boquiabertos. Minutos depois o brinquedo parou, ela voltou ofegante e jogou os braços ao redor de Edward. "Nossa, é demais!" Comentou sorridente. Ele desceu Peter ao chão, pôs a mãos em sua cintura e a abraçou, contaminado por seu entusiasmo, esquecendo-se por um instante de onde estavam. "Esse é o melhor brinquedo que eu já fui. Não existe sensação igual!"

Ele observou suas bochechas vermelhas, testa suada, os cabelos esvoaçados, ela inquieta como uma pulga saltitante e resolveu que nunca a viu mais linda, a não ser o dia anterior em que a teve tão entregue em seus braços. Quanto mais ficava perto dela, mais se sentia contagiado, mais premente era a necessidade de tê-la. Sorriu com a comparação ao dia anterior, sentiu-se eufórico e pôs o rosto sob o cabelo dela, dando mordidinhas furtivas em seu pescoço.

"Tem certeza que é a melhor sensação de sua vida?" Comentou maliciosamente e apertou-a mais. Ela sobressaltou, olhou para os lados surpreendida com sua ação, e automaticamente lembrou-se de Peter, afastando no mesmo instante de Edward.

"Que tal fazermos um lanche agora?" Propôs acanhada com o comentário, pegaram na mão de Peter e seguiram para uma lanchonete. Após lancharem, Peter ainda foi em alguns brinquedos, jogaram tiro ao alvo, brincadeira em que Edward errou propositalmente, e Peter censurou-o com beliscões. Mais tarde, já cansados, seguiram para casa e às seis horas, estavam em frete do prédio de Edward. Antes que ela descesse, ele rodeou o carro, olhou para os lados a fim de ver se o porteiro ou algum vizinho os observava, em seguida segurou a mão da adolescente para que ela descesse. Ela adorou sua atitude cavalheira. Não parecia nem de longe o mesmo de semanas atrás.

"Então até depois. Amei o dia com você." Disse e o abraçou espontânea, pondo a cabeça em seu peito, feliz. Ele hesitou um pouco, depois pôs a mão em sua cintura.

"Eu também gostei. Foi, er, diferente."

"Você vai continuar indo me vigiar na escola todos os dias?" Perguntou com um sorriso de canto.

"Vai ser a única maneira de te ver na semana?"

"Não sei... Você quer ir comigo a igreja amanhã?" Convidou, mas logo se arrependeu ao lembrar que o Daniel estaria lá e isso poderia gerar algum desconforto. "Aliás, melhor que você não vá. Eu tenho que sair com a pastoral para a rua Spring fazer trabalho de resgate de viciados."

"Você ainda faz aquilo?" Perguntou interessado. Não conseguia entender por que Emmett deixava que ela fizesse esse trabalho.

"Sim. Todos os domingos."

Ele afastou-se, pôs a mão sob seu cabelo e acariciou a sua nuca, no mesmo instante em que a brisa suave de fim de tarde na praia esvoaçava o cabelo louro da adolescente. "Que bom que você me encontrou aquele dia. Espero que você não encontre mais ninguém amanhã que precise de seus cuidados pessoais." Comentou brincalhão e um brilho de triunfo cresceu nos olhos da garota.

"Você teria ciúme?" Arqueou uma sobrancelha.

Ele balançou a cabeça e deu um passo atrás. "Não!" Negou energicamente. "De jeito nenhum."

"Ah, que pena." Ela mordeu os lábios fingindo frustração e olhou para o chão.

"Pensei que você não gostasse de relacionamentos possessivos." Defendeu-se com um sorriso. "Inclusive já citou diversas vezes isso se referindo ao seu colega da pastoral."

"Sim. Não gosto." Negou convicta. "Mas se você tivesse ciúme de mim seria sinal de que se importa pelo menos um pouco." Disse naturalmente, depois se encostou a lateral do carro.

"E eu me importo..." Ele revelou, levantou a mão ao rosto dela e acariciou seu lábio inferior com o polegar. "Importo tanto que gostaria de poder te ver mais vezes na semana."

"Mas poderia..."

"Como?"

Ela juntou as sobrancelhas, pensativa. "Hmmm, geralmente estou muito ocupada na semana com estudos e com Peter, então não vejo como sair de casa sem que precise mentir, já que Emmett não gosta que eu saia na semana... Apesar que..." Parou uns segundos. "Ah, não dá... Eu pensei que ele viajaria segunda, mas pelo jeito a viagem dele não deu certo."

Edward ficou tenso e mostrou demasiado interesse. "Por que não deu certo?" Perguntou inquisitivo esquecendo-se momentaneamente de não dar tanta ênfase ao fato. Teria que tentar disfarçar mais seu interesse, porque isso despertou uma análise curiosa da garota antes que ela respondesse.

"Parece que ele tem que fazer mais uma fórmula, não sei. Os estudos dele não ficaram prontos..."

"Ah..." Edward assentiu e inconsciente colocou a mão no bolso, procurando o celular.

Ela continuou. "Então fica super difícil de sair, apesar de que eu já falei de você." Levantou os ombros despreocupada. "A única coisa que ele não gosta é do fato de você ser mais velho."

"Mas ele também é mais velho que você!" Edward retrucou enérgico. Bella não entendeu a acusação em sua frase, só segundos depois se deu conta do que ele se referia. Ele continuava pensando que ela era a menina de Emmett, recordou.

"Sim. Mas ele me conhece desde que eu nasci." Defendeu, tentando aproximá-lo da verdade.

"Ah, tá, o típico lobo mau anjinho da guarda que cria para comer." Criticou num impulso, mas no mesmo instante que disse isso se arrependeu ao ver o horror nos olhos da adolescente.

"Você crê muito pouco nas pessoas!" Ela disse e afastou-se impaciente, já pronta para tirar Peter que dormia no banco de trás.

"Desculpe, Bella." Ele segurou em seu braço. "É que, é difícil aceitar essa situação."

"Que situação?" Desafiou-o, disposta a dar um basta a essa situação. "A que ele me livrou de ser vendida para algum velho gordo aos dez anos de idade? A de que ele terminou de me criar a custo trabalho e me encheu de dignidade? Você não sabe de nada, Edward. É um riquinho mimado, que não sabe o valor de trabalho e dinheiro. Emmett trabalha dia e noite para nos dar uma vida digna. Desde que ele me trouxe eu nunca o vi sem trabalhar um dia, fosse de jardineiro, fosse no laboratório dos outros e agora no laboratório dele. Você não pode falar de alguém que não conhece." Tomou fôlego. "E não se engane. Eu não sou uma serviçal sexual dele." Disse impulsivamente, mas refreou, visto que a confiança dele ela queria ganhar aos poucos, não obrigá-lo a confiar.

"Tá, tudo bem." Rematou insatisfeito com a convicção nos argumentos da garota. O ciúme ferveu em seu sangue, levou possessivamente a mão ao rosto da garota e inclinou-se. "Não quero falar do Emmett." Disse e lhe deu um selinho. Ela travou e virou o rosto sutilmente.

"O porteiro está olhando..." Avisou tensa. Ele desviou os lábios e beijou sua bochecha, afastando-se a seguir.

"Então até segunda." Disse depois abriu a porta traseira do carro, pegou Peter no colo e caminharam rumo ao carro de Bella, estacionado do outro lado da rua. Ele sentou Peter no banco do passageiro, ainda sonolento. "Até mais, amigão. Qualquer dia a gente faz um programa desses de novo." Disse e levou o punho no ar para bater no punho do garoto.

A adolescente, já dentro do carro, deu um sorriso satisfeito e lembrou-se automaticamente que Daniel não era assim com o garoto, pelo contrário, tinha a impressão que o ex-namorado se incomodava por ela sempre levar o garoto aos passeios, e assim, restringir as intimidades deles como casal. Já Edward parecia gostar do garoto. Isso era meio caminho andado. Ele agora só precisava começar a aceitar Emmett. O que parecia ser uma missão difícil, já que tinha uma visão errônea de sua relação.

Depois que Edward desceu, a garota deu partida no carro, e ao vê-la virar a esquina, ele olhou em volta, pegou o celular corporativo no bolso e ligou imediatamente para seu amigo Erick. "Aborta a missão de segunda." Disse no automático.

"Por que, chefe? Está tudo esquematizado!" Erick insistiu.

"Tenho informações de fonte segura de que Emmett não vai viaja."

Houve uma pausa do outro lado da linha.

"Sério?"

"Sim."

"Ok. Então já que agora vou ficar a toa, que tal sairmos?"

"Pode ser. Venha para a beira mar. Estou te esperando no quiosque em frente ao meu prédio." Avisou relaxado e caminhou pela rua beira-mar. "Mas não vamos falar de trabalho. Vamos somente tomar uma água de coco."

"Ok. Vamos ficar bêbados com água de coco." Erick ironizou. "Você parece bem humorado." Comentou desconfiado. "O que aconteceu de ontem para hoje que mudou o seu humor sombrio? Tem alguma coisa a ver com a ave?"

"Me erra, Erick. Vem pra cá e esquece trabalho, esquece Emmett. Eu só quero relaxar."

"Ok. Estou indo."

Continua...

N/A: Em primeiro lugar, obrigada pelas energias positivas que me mandaram. Foi ótimo saber que tinha gente torcendo que eu não desistisse do meu curso que tomou os últimos dois meses e me impediu de escrever.

Desculpem mesmo pela demora.

Grande beijo a todas.