10
Dean e Elisa saíram pela porta dos fundos, enquanto Samuel encerrava a conta no hotel.
Esperavam no carro. O caçador sentado no banco do carona. A garota, atrás.
Ambos estavam cansados. Embora, Dean apresentasse maior abatimento. De óculos escuros, cochilava recostado no banco, quando Sam saiu da recepção.
Logo, partiram.
Deitada sobre o banco, Elisa encolhia-se como podia sob a jaqueta de Dean, enquanto passavam em uma das ruas laterais próxima aos restos de sua casa.
O número de pessoas que se aglomeravam sobre o cordão de isolamento dificultava a passagem.
Devagar, Samuel taxiou o carro. Três ruas depois, virou a esquina, estacionava ao lado de uma alta cerca viva.
A rua estava deserta.
- Você ta bem? – perguntou Sam.
Elisa mantinha-se rente ao estofado.
- Tirando o fato que destruí metade de um quarteirão to... ótima! Eu só queria um saco pra colocar na cabeça.
- Bem, pensa pelo lado bom.
- Não dá pra ser pior que isso?
- Pelo menos não é mais virgem - disse Dean.
Disperso, não notou a expressão séria do irmão. Observava a paisagem pelo retrovisor.
- E agora?- perguntou Elisa. Olhos fixos no topo da cerca.
Tinha a face corada.
- Desce do carro, cegue com a vida.
- É fácil falar. Se perguntarem onde passei a noite? O que eu faço?
-Diga que dormiu na casa de uma amiga. De preferência, uma que possa confirmar seu álibi- disse Samuel.
- E se aquela coisa voltar?- respirou fundo- Quais são as chances de...
- É você que deve saber- disse o mais velho dos Winchesters - Como se sente?
Elisa, sentou-se no vão entre os bancos.
- Bem, acho. - fechou os olhos- Só... diferente- sorriu sem conseguir articular mais do que isso.
- Acho que vai ter que descobrir sozinha- falou Samuel, por fim.
Com o queixo apoiado sobre o banco do carona, ela o encarou.
Mordia os lábios com força, quando, repentinamente, roubou-lhe um beijo.
Segurando a cabeça entre suas mãos, ela o beijou demoradamente.
Surpreso, a princípio, o caçador mantinha a boca fechada, enquanto Elisa, carinhosamente, esgueirou-se para o banco da frente.
Sam apoiou as costas entre a poltrona e a porta do carro. Segurava a maçaneta com uma das mãos com força, enquanto com a outra, sem perceber, puxava a garota pela cintura. Instintivamente, retribuía o agrado.
- Sem vestal, sem fumaça- sussurrou Elisa ao afastar-se alguns centímetros do caçador. Apoiava as mãos um pouco abaixo da barriga- Tem razão- disse ao encará-lo.
Girou a maçaneta sob a mão do caçador. Abriu a porta.
- Vai sair ?
Apressado, o Winchester desceu do carro seguido de Elisa.
Como um gato, ela pulou o banco dianteiro. Rápido, saiu do veículo.
Espreguiçou, enquanto Samuel recompunha-se no banco. Compenetrado, segurava firme o volante à frente.
A garota bateu a porta do carro.
- Tchau, Dean, Sam- despediu-se alegre.
O mais velho dos Winchesters estava em choque.
Apenas, quando ela se afastou , recobrou os sentidos. Saiu do Impala.
- Elisa- retirou os óculos.
- Fala- disse ao voltar o corpo.
Com a cabeça, acenou o Winchester para que voltasse.
Sem pressa, Elisa caminhou em sua direção. Os braços presos as costas, deslizou com suavidade até o caçador que lhe entregou um cartão.
- James Stuart?
- O número... Se precisar, é só ligar.
- Acho que vai ta um pouco velha pra minha filha – disse sorrindo ao encará-lo. Mais séria, entretanto, prosseguiu- Obrigada por tudo!
Sussurrou ao abraçá-lo.
Despediram-se finalmente.
Dean retornou ao carro.
Os irmãos ficaram calados por algum tempo. Apenas quando Elisa dobrava a esquina, Samuel quebrou o silêncio.
- Acha que ela vai ficar bem?
- Por que ta perguntando?
- Não sei. Ela não era assim, quando nos encontramos, era? As atitudes, o temperamento...
- Qual o problema?
- Ela me lembra você- disse o mais jovem ao olhar o irmão com uma expressão séria no rosto.
O mais velho dos Winchesters franziu o cenho.
- Acha que ela pode ter absorvido uma parte de mim?- Deixou o olhar vagar pela vizinhança, a mão pousada na lateral externa do veículo.
- Talvez.
Fez-se uma pausa.
Os irmãos se encararam.
- Sammy,...
- O quê?
- Você não faz o meu tipo.
Com os óculos escuros, Dean deitou-se no banco. De lado, voltou a dormir.
O irmão o olhou, por algum tempo, com um sorriso estranho nos lábios. Cruzou o cinto. Sem uma palavra, deu a partida.
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Definitivamente, adorei escrever esta Fic...
Imaginar os irmãos no armário, a bacante e todo o resto foi muito melhor do que eu esperava.
O que mais gosto em Supernatural, além dos Winchesters é claro, é a capacidade que eles tem de reformular alguns mitos antigos. Tentei fazer o máximo disso com a vestal e a bacante.
Espero que gostem!
