Capitulo 10: Uma canção para você
Aconteça o que acontecer, eu irei lembrar de você por toda a eternidade.
Aconteça o que acontecer, eu irei lembrar dos momentos que passei ao seu lado.
Aconteça o que acontecer, eu irei lembrar de sua doce palavra e de seu ensinamento.
Irei lembrar por toda a eternidade o nosso amor, os momentos de plenitude e alegria que passei ao seu lado, e da primeira vez que você me disse o que por tanto esperei ouvir: eu amo você, e me fez entender o ensinamento de amar.
Seu coração ainda estava acelerado quando saiu do Salão Comunal da Sonserina.
Parecia que uma avalanche de sentimentos e sensações estranhas chocaram-se contra si, de modo que a faziam estremecer a cada lembrança, a cada toque... A cada beijo que havia passado ao lado de Draco, há poucos minutos atrás. Aquele loiro estava começando a mexer consigo duma forma que começava a assustá-la. Maldição! O que era aquele sentimento que estava começando a nascer dentro de seu peito e ansiara por explodir e libertar-se... Libertar algo que ela não compreendia e temia descobrir.
- Que loucura. – murmurou, revirando os olhos e começando a descer as escadas em direção à sala onde deixara Naty e Fred, sozinhos.
Sorriu.
O que será que eles haviam feito por todo aquele tempo, sendo já era hora do almoço.
O sorriso se apagou quando se lembrou de Naty e automaticamente do namorado que ela tinha.
Oh, como ele iria pagar por ter se atrevido a encostar um dedo nela, e principalmente por ter feito Naty passar por aquilo, nos últimos anos.
"Tem coisas que é melhor vocês não saberem... Ainda!" As palavras da amiga ecoaram em sua mente. Ah sim, já estava na hora de ela e Gina descobrirem o passado de Naty. E esse dia chegara, pois não iria permitir nem mais um minuto de mistério.
As amigas sabiam sobre sua vida, sabiam que seu primeiro beijo havia sido com um vampiro – onde tragicamente, ele morreu, quando tentava fugir de seu pai, que fez questão de persegui-lo poucos minutos antes do Sol nascer -, elas sabiam que seu padrinho era o grande Lord das Trevas, sabiam que tinha dois irmãos onde eram trouxas e uma belíssima mãe, carinhosa e atenciosa. Uma verdadeira guerreira onde enfrentou os perigos e as torturas que os Aurores a fizeram passar, tentando tirar-lhe alguma pista de onde estavam os Comensais junto com seu padrinho.
Sorriu. Sentira pena dos pobres Aurores quando seu pai os encontrara, sendo que um deles, ele fez questão de entregar-lhe para se divertir. E assim ela o fez.
E principalmente, elas tinham plena consciência de seu único medo; Dementadores, graça ao seu trauma de infância por ter um dia experimentado o beijo desse ser maléfico e também de sua história com Cedrico. Do amor de ambos, das tantas vezes que ele sussurrara em seu ouvido que a amava acima de tudo. Contou-lhes um dia, que ela e ele haviam feito questão de fazer Chang ficar duas semanas na Ala Hospitalar graças a um ataque de disenteria, pelo simples motivo que a chinesinha não os dava espaço para conversarem, e Cedrico já estava começando a se encher daquilo. E por fim, elas sabiam a cima de tudo a sua dor que fora, quando o seu amigo morrera. A abandonando, a deixando sozinha naquele mundo onde por tantos anos fora protegida contra ele e o seu mal.
Suspirou ao virar o corredor, onde o vazio deste a fez lembrar do buraco em seu coração, o buraco onde aquele Lufo um dia preencheu.
Gina já era diferente. Ela nasceu de uma pobre família. E sendo a sétima filha, de seis homens, possuía grandes poderes, onde estavam começando a se desenvolverem.
Como ela e Naty, Gina também sabia fazer feitiços sem o uso da varinha, ou até mesmo criar um próprio.
Naqueles tempos tinha que se ser original, para se ganhar uma guerra.
Passou a mão pelos cabelos. E o que ela e Gina sabiam de Naty? Que ela veio da Itália, falava varias línguas, era órfã, pois seus pais haviam morrido numa forma desconhecida. Sua mãe chamava-se Liza e o pai John McBride. Franziu o cenho ao reparar que não sabia o sobrenome da mãe. Mas por alguma razão, esta não era uma bruxa como as outras, e sim uma feiticeira, onde fora muito útil para o avanço da medicina de ervas para o Mundo Mágico.
- E depois elas têm a cara de pau de falar que eu sou a misteriosa. – resmungou, fazendo uma engraçada careta, antes de sorrir e colocar-se à frente a porta da sala.
Hesitou por alguns segundos, imaginando como seria a reação de Naty quando a visse naquele estado.
Tentou imaginar a amiga brava.
Impossível, deduziu depois de um longo tempo tentando. Naty era tão alegre, ativa e sempre estava sorrindo, até nas horas mais inoportunas ela estava ali com os olhos azuis brilhando e o sorriso nos lábios. E por alguma razão, May temeu conhecer a explosão da amiga, onde com certeza seria algo que não iria somente a surpreender, mas a todos.
Respirando fundo e relaxando os ombros, abriu a porta da sala e assim entrou, e a cena que viu, a fez soltar um grito de histeria. Naty e Fred estavam dormindo em cima da mesa do professor como jovens namorados.
- Graças ao bom Merlin, esses dois estão começando a se entenderem. – disse a si mesma, se aproximando do casal e colocando a mão no braço de cada um, chamo-os – Ei, casal da felicidade...- eles começaram a abrir os olhos, sonolentos – Bom dia!
Fred sorriu debilmente quando seus olhos repousaram sobre a índia e logo em seguida sobre Naty ao seu lado que se espreguiçou como uma gata manhosa.
- Bom dia. – ele respondeu alegre, sentando-se sobre a mesa e esfregando os olhos, como se estivesse vendo se estava realmente acordado ou aquilo era um sonho. Mas no momento que sentiu os lábios de Naty sobre sua nuca, e um arrepio percorreu o seu corpo, ele soube; estava – muito bem – acordado.
Naty também se ajeitou ao lado do ruivo e sorriu para a amiga, que estava escondida entre as sombras, os olhos azuis brilhando em felicidade.
- Bom dia, May.
A índia também sorriu entre a escuridão densa da sala, temendo que o casal visse o seu estado.
Ela se envolvera tanto com Draco que simplesmente esquecera de pedir para ele fazer um feitiço que a deixasse com um aspecto melhor.
O ferimento latejou a fazendo soltar um leve gemido e ir para trás, onde para o seu azar, havia uma forte claridade vinda da janela que lhe cegou os olhos.
Foi tudo muito rápido, pois quando voltou a erguer a cabeça, Naty e Fred já estavam ao seu lado.
A morena a olhava de cima para baixo, e quando seus olhos se encontraram, May viu algo que realmente chegou a assustou.
Nunca pensou que um dia Naty pudesse ter o poder de conseguir mudar a cor dos olhos, mostrando a sua raiva. Os olhos tão azuis intensos, como as águas plácidas de um oceano em plena manhã de primavera, estavam num tom vivo de violeta, onde continham um brilho mais assassino que ela já vira na vida.
Céus! Nem mesmo o seu padrinho chegara a lhe dar tanto medo com um simples olhar, como Naty estava fazendo.
Fred pareceu perceber a mudança dela, e quando tentou a tocar Naty deu um passo à frente, como se tentasse fugir do toque, e se aproximou da índia.
- Quem... fez... isso... com... você? – as palavras eram como um ruído do vento de uma impetuosa noite de inverno. Onde o gelo tomava conta de tudo, e cortava qualquer coisa corpórea à frente.
May pôde ver que Naty cerrara ainda mais os olhos, junto com a boca, onde falou cada palavra cuidadosamente, frisando-as, para não ter que repeti-las novamente.
Suspirando, passou a mão pelos cabelos. Ela tinha que pensar em alguma desculpa, e rápido.
- Se eu falar que eu cai da escada do dormitório, você ira acreditar? – perguntou num tom inocente.
- Não. – a amiga respondeu, cerrando ainda mais os olhos que começavam a crispar de uma tal forma, que fez até mesmo os animais da floresta proibida se calarem parecendo sentirem o ódio puro da jovem.
Maldição! Aonde se metera a Naty alegre e extrovertida, que ela conhecia? Porque aquela desconhecida que tomara seu corpo estava começando a lhe apavora.
Fred olhava para as duas, quieto, sem interromper o diálogo tenso.
- Naty, se acalme. – May pediu quando a amiga respirou pesadamente pela sexta vez seguida.
- Foi ele, não foi?
A índia engoliu em seco e deu um passo para frente, tentando dar um de seus melhores sorrisos.
Colocou a mão sobre o ombro de Naty e tremeu quando viu que a ela estava completamente gelada.
- Naty você está bem? – perguntou, mas a amiga insistiu num tom mais rude:
- Foi ele, não foi?
Fred estremeceu, quando Naty instintivamente segurou sua mão, e apertou-a de uma forma como se estivesse pedindo uma ajuda para manter a calma, pois naquele estado ela não estava pensando com sensatez e seria capaz de matar alguém.
Um raio pareceu serpentear sua espinha, quando a morena o puxou ainda mais para perto de si, de modo que ele pudesse ver os lábios tremerem em fúria e aqueles olhos violetas o enfeitiçarem ainda mais. Merlin! Ela ficava ainda mais bela quando brava, mas incrivelmente assustadora.
Pôde ver May, pelo canto dos olhos, abaixar a cabeça e simplesmente mexê-la positivamente.
Naty apertou sua mão com força e ele a olhou impressionado com o que acontecia.
Os cabelos dela começaram a flutuar levemente, junto com a fisionomia que se mudava para uma sem vida, sem expressão.
Naty fechou os olhos e ele pôde ver o peito dela subir e descer pesadamente. Como se ela estivesse tentando manter uma calma impossível de existir naquele momento.
E quando ela abriu os olhos bruscamente, e estes se revelarem negros, a janela da sala explodiu junto com a porta que se escancarou.
- Agora sim eu vou fazer uma coisa que esperei por muitos anos. – e dizendo isso, ela saiu andando.
Fred olhou para May, e da índia para a porta, e logo voltou sua atenção para ela.
- O que estamos fazendo aqui parados? – ela falou correndo até a porta – temos que parar aquela louca, antes que ela cometa um assassinato.
Fred riu ironicamente.
- E você por acaso sabe como pará-la? – pelo olhar que May lhe deu, ele soube a resposta e engoliu em seco ao saber que ela era ele.
- Nesse momento ela só ouve você, Fred. – foi a única coisa que ela murmurou, antes de correr em direção a Naty que já virava o corredor.
O sinal tocou e sua barriga roncou.
Abriu os olhos e os esfregou preguiçosamente, enquanto saia da sala de sua última aula pela manhã.
Colocou a mochila no ombro e andou até o Salão Comunal, para guardar suas coisas e jogar uma água no rosto para ver se aquela fisionomia sonolenta melhorava.
Sorriu para o grupo de amigas da Grifinória que passaram por si cantando alegremente.
- Pelo menos alguém está feliz. – murmurou para si mesma, passando pelo retrato da mulher gorda e subindo em direção a seu dormitório.
- Gina, espera. – alguém a chamou, fazendo-a parar no meio da escada e se virar, para encontrar os grandes olhos escuros de Hermione.
A morena sorriu quando a viu parar, e assim correu até ela, subindo os degraus em dois, parecendo querer chegar nela o mais rápido que podia.
- Nossa calma Mione, respira. – Gina pediu sorrindo, divertindo-se com a euforia da amiga.
Hermione assoprou uma mecha crespa de sua cabeça que lhe caia em frente ao rosto e assim lhe entregou um pequeno pergaminho dobrado em quatro partes.
- É para você.
Gina riu.
- Acho que já passamos da idade de bilhetinhos românticos e anônimos. – Mione também riu antes de fazer um gesto negativo com a cabeça.
- Não, isso não é um simples bilhetinho. – Gina franziu o cenho e pegou o papel – Leia-o quando tiver tempo e sozinha, sim? – e lhe dando uma piscadela saiu em direção ao Salão Principal.
Gina olhou para o papel em mãos e deu os ombros.
- Cada gente louca. – murmurou divertida, voltando a subir as escadas, mas novamente parou no meio do caminho, quando sentiu um arrepio na espinha. – Naty. – foi a única coisa que murmurou, antes de colocar o bilhete dentro da mochila e jogá-la num dos sofás do Salão Comunal, e assim começar a correr em direção para alguma parte do castelo onde a amiga estaria.
- Naty, por favor, me ouve, não foi nada de mais, só um arranhão. – sorriu fracamente e olhou para Fred que se mantinha calado ao seu lado – Ou dois, três... Em fim. Não tem importância.
Naty parou de andar e se virou, ficando de frente para ela e a olhando bem no fundo dos olhos, de modo que isso a fez sentir um arrepio.
Num gesto inesperado, a morena ergueu a mão e lhe apertou o ferimento a fazendo soltar um sonoro gemido.
- Natalie! – May exclamou, levando a mão ao ferimento que voltara lateja.
Fred pasmou.
- Está doendo não é mesmo? – Naty falou, indo até a índia e dando-lhe o primeiro sorriso desde a sua mudança radical de humor – Então, May, entenda que também está doendo em mim. – ela levou a mão da índia em direção ao seu coração – A sua dor é a minha, como também é a de Gina. Somos amigas, um trio, onde compartilhamos a dor de outra.
May abaixou a cabeça e assim suspirou profundamente.
Ela estava certa. Eram amigas. Não! Elas eram muito mais que isso... Eram irmãs.
Sorrindo colocou sua outra mão sobre o ombro de Naty e a trouxe para si, a abraçando fortemente.
- Eu amo você Naty. – murmurou, sentindo a amiga corresponder o abraço.
- Eu também te amo, May. – Agora sim, essa é a Naty que eu conheço!, May pensou satisfeita.
- Com licença, mas vocês querem que eu vá embora para dar mais privacidade. – Fred falou, dando o seu primeiro sinal de vida – Não, porque vocês estão num momento tão íntimo, sabe... E eu realmente não quero atrapalhar e muito menos... SOBRAR!
As duas se separaram, e May pôde ver Naty sorrir para si e logo ir até Fred, onde fez o ruivo se calar no mesmo instante.
Sorrindo, ela se aproximou dele e na pontinha dos pés, lhe deu um beijo estralado nos lábios.
May ficou emocionada pela cena.
- Depois eu recompenso você. – Naty sussurrou no ouvido dele, o fazendo estremecer.
Mesmo que ela ficasse linda brava, Fred contestou, preferi-a mil vezes daquela forma, doce, sensual, alegre.
- NATY! – um grito se ouviu do outro lado do corredor. Chamando a atenção de todos.
Gina vinha correndo em direção a eles, como um verdadeiro pomo de ouro, que fugia de seu apanhador.
A ruiva parou de correr quando ficou ao lado do irmão e assim se abaixou e apoiou as mãos nos joelhos, fazendo sinais com a mão pedindo para que esperassem um pouco para ela tomar fôlego.
- Está havendo alguma maratona no colégio e eu não estou sabendo? – May perguntou, fazendo todos rirem.
Gina voltou a se erguer e assim olhou para Naty, vendo se ela estava inteira.
- Não, sua idiota. Eu pressenti alguma coisa vinda da Naty e vim ver o que aconteceu. – Gina olhou para a índia e arregalou os olhos – Cruzes, você esta horrível, o que houve? Passou um rebanho de hipogrifos em cima de você?
May girou os olhos e riu ironicamente. Era tudo o que ela realmente precisava ouvir naquele momento. Como estava acabada! Sim, claro, graças ao seu devaneio com Paul e... Sorriu debilmente, seus amassos com Draco no quarto dele.
Seus olhos brilharam e o sorriso se alargou.
Gina trocou um cúmplice olhar com Naty e assim, disse, num tom baixinho e provocativo:
- O que foi May, parece que viu o seu príncipe encantado.
Oh sim, e ela de certa forma havia visto, havia o tocado, beijado e teria feito muitas outras coisas se não tivesse a cabeça muito boa. Franziu o cenho.
Ela por acaso tinha?
Dando os ombros, suspirou. Draco Malfoy, aquele ser tão idiota e intrigante, onde fazia seu coração acelerar de uma forma como nenhum garoto já fez. Nem mesmo Cedrico fora capaz de deixá-la tão tonta com apenas um beijo.
Balançou a cabeça. Estava ficando louca.
- Eu só estava me lembrando. – ergueu o seu pulso mostrando a pulseira, fazendo as amigas se entreolharem de modo que ela entendeu; elas não haviam acreditado na sua desculpa.
Gina deu os ombros.
- Tudo bem. – olhou para Naty – O que aconteceu? Você me parece...
- Brava, aflita, raivosa, irada, sem controle...- Fred começou, enumerando os substantivos nos dedos. Virou-se para a morena e sorrindo continuou, na medida que a abraçava – Linda, charmosa, sexy, sensual...
Naty sorriu e assim aceitou os lábios oferecidos de Fred, o beijando apaixonadamente.
Gina pasmou e olhou para May onde ergueu os braços.
- Não me pergunte nada. – e por fim pulou no pescoço da ruiva e falou – Finalmente Gina, finalmente esses dois idiotas acordaram e vão ficar juntos.
Gina também abraçou a índia e assim começaram a dançar sobre o corredor em volta do casal, que ria alegremente com a cena.
Naty olhou para Fred e apoiou sua cabeça no ombro dele, enquanto recebia um delicado beijo na testa.
- Quer ver eu acabar com a alegria delas? – ela murmurou ao pé do ouvido dele, o vendo sorrir como resposta.
Clareando a garganta a morena falou:
- E quando vocês vão abrir os olhos e verem que você May deve ficar com o Draco e você Gina com o Harry?
As duas pararam de dançar e fitaram a morena de modo fuzilante onde a fez gargalhar, sendo seguida por Fred.
Gina passou a mão pelos cabelos, enquanto May as colocava na cintura.
- Eu realmente não entendi. – Gina falou, sendo seguida por May que continuou:
- E eu não gostei da brincadeira. – logo, elas também estavam rindo indo em direção ao Salão Principal.
Suspirando, jogou a cabeça para trás, fazendo varias gotas de água espirrarem ao arredor do banheiro.
Pegando uma toalha e a colocando atrás da nuca, ergueu o corpo e começou a secar as revoltas mechas negras, que lhe caiam sobre os olhos.
Gina era estranha!, Foi a primeira coisa que pensou quando entrou no dormitório.
Inferno, por que aquela ruiva tinha de mexer tanto consigo a ponto de enlouquecê-lo e o fazer não conseguir mais viver sem as palavras dela, sem os sorrisos dela, sem as músicas dela.
Andou até a janela, e fitou a grande bola de fogo já no alto do céu límpido.
Gina não era a garota mais bonita do colégio – nem chegava a estar na lista – mas para ele, que a conhecia bem, só de vê-la sorrir, já a fazia ser a garota mais bela que ele já vira. Era como se ele pudesse lhe ver a alma, e quando isso acontecia, quando a via além das aparências, seu coração disparava e seu corpo inteiro se aquecia.
Deus, somente ele poderia dizer como era bom abraçá-la, sentir-lhe o doce perfume, e a testura tão acetinada daquele corpo perfeito, que ele teve o prazer de pressionar contra o céu, quando dançavam em Hogsmeade.
Colocou a testa no vidro da janela e assim respirou fundo, fazendo com que o leve ar que saísse de sua boca embaçasse o vidro.
Ela foi a única que o fez engolir o próprio orgulho, e assim, não conseguindo mais ficar longe dela, não viu outra saída a não lhe escrever um bilhete e marcar um encontro naquele dia mesmo depois do jantar. Era isso ou ele iria enlouquecer.
Precisava dela para conseguir sorrir... Viver!
Ela era a coisa mais importante da sua vida, concluiu depois de algum tempo. Veio até si, como uma ventania de verão, e assim ela cravou-se sobre seu corpo, como se houvessem o abrido e a colocado junto a si.
Suspirou pela última vez e jogou a toalha na cama, balançou a cabeça para os lados e logo em seguida a mão pelos cabelos molhados.
- Está na hora te eu ter uma conversinha com aquela, ruiva. – falou para si mesmo, sorrindo e finalmente saindo do dormitório, indo em direção ao Salão Principal.
Oh sim, aquilo era bem pior que um duelo de titãs. Ou até mesmo Dumbledore e Voldemort.
O silêncio no Salão Principal era completo, onde até mesmo o som de algum murmúrio do vento podia-se ser ouvido, ou alguma rocha sendo jogada no lago.
Os professores se encontravam sentados, somente olhando para o diretor do colégio, abismado por ele não permitir que eles separassem aqueles dois.
Logo, provavelmente, haveria um duelo de magia.
- Alvo, por favor. – Minerva pediu. Mas o bruxo somente lhe sorriu, fazendo os olhos azuis celestes brilharem atrás de seus oclinhos meia-lua.
A diretora da Grifinória se calou em seguida e voltou a sua atenção para os dois alunos que pareciam querer saber se eram capazes de destruir a cabeça um do outro somente com os olhos.
Gina e May estavam lado a lado, olhando abismadas para Naty que sorria cinicamente, por alguma coisa que Paul havia falado.
Merlin, a amiga brava, era pior do que elas imaginavam.
Os olhos azuis celestes dela mudaram para uma púrpura inacreditável, onde soltavam faíscas de puro ódio. E com os punhos cerrados, a morena só dizia que fazia de tudo para não matar de uma vez o namorado.
- Gina, sério mesmo. Você já imaginou que a Naty poderia ficar dessa maneira? – May perguntou ao lado da ruiva que olhava para a amiga com os olhos arregalados.
- Não! – ela respondeu - Merlin, olha só. Até mesmo o próprio Dumbledore está com medo.
May olhou em volta e pôde ver que Fred estava sentado no bando atrás de Paul, onde arrancava suspiro das garotas.
O Trio Maravilha – onde estava com somente dois oponentes - estava como sempre na Grifinória junto a Jorge. Revirou os olhos, a sim claro, a Inacreditável e Surpreendente Hermione Granger não iria permitir que seu amigo e seu namoradinho sentassem em outras mesas.
Bufou, como odiava aquela garota.
Gina, por sua fez, pôde sentir um arrepio pela espinha e assim olhou para trás a tempo de ver um certo moreno entrar no Salão, e como se algo magnético o houvesse atingido, Harry a olhou.
Um arrepio percorreu seu corpo como um trovão.
Ele havia feito algum feitiço? Perguntou ainda olhando Harry ir em direção a mesa da Grifinória, também sem tirar os olhos dela.
Ele estava mais lindo do que nunca, e por alguma razão, seu coração acelerou quando ele lhe sorriu de modo provocante.
Fazendo uma nota mental para a lembrar que eles estavam brigados, suspirou discretamente e mandando um olhar fuzilante para Harry, virou o rosto em direção a discussão de Naty e Paul.
Uma risada fria e cortante cortou o ar tendo do Salão.
- Você tem mesmo certeza, querido, que eu realmente algum dia o amei? – a pergunta de Naty pegou todos de surpresa. Oh sim, aquilo daria uma bela reportagem para a próxima edição do jornal. – Aprenda uma coisa sobre mim Paul...- ela começou, caminhando até o namorado que estava em pé no meio do refeitório – Eu... Nunca... Amaria... Um... Ser... Tão... Re-pug-nan-te... Como... Você! – as palavras foram sibiladas como a de uma verdadeira cobra, que se rastejava até sua vítima antes de devorá-la viva.
Paul arregalou os olhos e deu um passo para trás ao ver a proximidade perigosa da morena.
- Não me venha com suas ladainhas, Natalie. Eu nem sei por que estavam discutindo isso. Você estava tão bem hoje de manhã. – ele sorriu de modo que a fizesse lembrar do que ele lhe fizera. Grande erro. Pois o ódio de Naty pareceu finalmente explodir.
Todos os alunos do Salão estremeceram.
- Oh não? Você realmente não sabe? – ela perguntou, cerrando os olhos e como se fosse um gancho, algo começou a levitar Paul, onde ficou suspenso no ar. – Então eu vou refrescar a sua resposta, mi amore. – ela colocou uma mecha negra atrás da orelha e por alguns segundos encontrou os olhos de Fred, a fazendo sorrir por dentro levemente, mas com um gemido de Paul ela voltou sua atenção a ele – Eu nunca pensei que esse dia algum dia chegaria. – ela falou, tirando a aliança do dedo e jogando para algum grupo de garotas na Corvinal que começaram a se debater para a pegarem – Acabou Paul, o nosso namorado acabou. – Fred arregalou os olhos, sentindo seu coração contra o peito disparar. Céus, ela não havia feito o que acabara de ouvir. Sorriu de orelha a orelha, finalmente Naty, agora poderia ser dele! - Eu lhe deixei bem claro quando você começou a me ameaçar e me obrigar a fazer outras coisas que realmente se eu falar me verei obrigada a cuspir na tua cara. Mas não vou me rebaixar ao seu nível, onde se mostra nesse momento decadente. Pois olhe para você, sempre tão machão e machista, falando que lugar de uma mulher era na cozinha ou na cama...- ela riu – está pendurado no ar como a carcaça de um animal, e é isso que você é Paul...- ela se aproximou de modo que os rostos ficassem milímetros um do outro – um animal, um ser medíocre onde eu tenho tanto prazer de pisar. Você não presta, não merece nem mesmo as jezebel deste colégio. - num gesto inesperado, Naty segurou o moreno pelo pescoço e num impulso e fez cair fortemente no chão, para logo colocar seu joelho sobre as costelas dele num golpe paralisante – Toque novamente em alguma das minhas melhores amigas e eu juro pela morte dos meus pais, onde você sabe muito bem a história e do meu medo que alguém do colégio descobrisse e usou-a para me obrigar a dormi com você, e eu o mato Paul, e tenha certeza que o seu corpo depois de eu acabar com você, irá sair nas primeiras páginas de todos os jornais do mundo, mostrando como uma simples garota de quinze anos pode ser tão cruel. – abaixando-se sussurrou – Cuidado, pois agora eu estou pouco me lichando se todo mundo saber o meu segredo e o meu passado... Mas será como matar dois coelhos numa cachadada só... Contou, ou tocou em algum das minhas amigas, você já sabe o seu fim, e se isso vier acontecer, não se esqueça de mandar lembranças para alguns amiguinhos meus lá no inferno, já que eu sou o próprio...– sorriu pelo canto dos lábios – demônio. – e beijando-lhe levemente os lábios, terminou: – Nos vemos mais tarde, querido, tenha um bom apetite.
Levantando-se, passou a mão pelos ombros, como se estivesse tirando o pó e assim olhou para todos no Salão com um sorriso desdenhoso.
- Ora queridos não precisam ficar com medo de mim depois desse magnífico espetáculo. Eu não sou um bicho de sete cabeças. – e dando a volta nos calcanhares caminhou até as amigas que ainda se encontravam pasmas.
- MALDITA! – o grito de Paul a suas costas pôde ser ouvido como o gruído de um leão feroz.
Naty olhou para trás, sobre os próprios ombros a tempo de ver o ex-namorado avançar perigosamente contra May, onde ao ver a reação dele simplesmente ergueu uma das sobrancelhas.
- FOI VOCÊ! – ele continuou a gritar – VOCÊ QUE FOI CORREDO CONTAR A NATALIE O QUE EU HAVIA FEITO. AGORA, COMO EU ACABO DE PERDER A MINHA NAMORADA, VOCÊ VAI PERDER A SUA VIDA.
Naty sorriu e simplesmente com um estralar de língua fez o moreno ficar paralisado.
May piscou os olhos várias vezes, como se houvesse acabado de sair de um transe profundo. Ela ouvira bem ou estava começando a ficar surda? Definitivamente, beijar Draco Malfoy era prejudicial a sua sanidade.
Virando-se para Gina, perguntou num tom quase infantil de tão inocente:
- Ele quer me matar? – a ruiva deu os ombros e suspirou.
- É o que deu pra entender.
Olharam-se por alguns segundos, antes de caírem na gargalhada e assim voltaram a sua atenção para Naty, que se mantinha no mesmo lugar, com os olhos fixos em Paul.
- Parece que as minhas palavras não foram suficientes. – ela falou, dando os ombros e indo até o moreno com passos delicados – Okay, vou ver com um pouco de "ação" você começa a pensar...- num gesto rápido, Naty girou o corpo acertando num golpe certeiro o membro de Paul. Retirando o feitiço, o garoto voou longe, deslizando as costas pelo chão.
Sentindo uma mão em seu ombro, ergue os olhos a tempo de ver Draco Malfoy sorrindo para ela, com os frios olhos cinzas compenetrados em Paul.
- Relaxe, deixa que agora é comigo. – Naty não entendeu, mas ao ver o rosto de May corar furiosamente, sorriu em plena consciência do que poderia ter acontecido com aqueles dois.
O loiro a afastou do caminho delicadamente e assim começou a caminhar em direção ao Corvinal que já se levantava do chão, gemendo. Paul ergueu os olhos e ao ver a forte e musculosa estrutura de Malfoy, arregalou os olhos e tremeu.
- Eu lhe avisei! – foi a única coisa que Draco murmurou, segurando logo em seguida o moreno pelo pescoço e o jogando sobre a mesa da Corvinal, o fazendo deslizar até o meio desta, derrubando a merenda do café nos alunos.
Seu sangue parecia que a qualquer minuto iria entrar em erupção, tamanha sua raiva.
O que aquele verme estava fazendo na casa da Corvinal? Pelo o que ele sabia, eles eram inteligentes. Mas aquele cara era burro de mais.
Andou até Paul com passos rápidos e firmes, e o pegando pelo colarinho o ergueu novamente, e com o punho estendido fez questão de lhe dar um gancho de direita.
Paul caiu no chão com o nariz sangrando e levou as mãos ao ferimento, enquanto Draco se preparava para um novo golpe certeiro em sua face.
- Draco! – May murmurou de uma forma amável, de modo que não passou despercebido por Gina que simplesmente sorriu de uma maneira enigmática.
Aquela índia tinha alguma coisa escondida, e ela iria descobrir. Tudo bem que May já chamara Draco muitas vezes pelo nome, mas nunca naquele tom como se ela estivesse... Arregalou os olhos. Senhor, o coração dela já estava começando a falar mais alto.
Sorriu e pôde ver pelo canto dos olhos Snape, descer as escadas laterais do palco, onde ficava a mesa dos professores, e andar até o loiro da Sonserina, fazendo a bela capa negra esvoaçar de uma maneira como se ele flutuasse.
Colocando a mão, fria e calejada, sobre o ombro de Draco, falou num tom frio:
- Já basta, Draco!
Draco apertou o punho estendido no ar com força, onde pretendia acertá-lo na boca do Corvinal. Fechou os olhos e respirou pesadamente, uma, duas, três vezes...
Mas que inferno era aquilo que ele estava sentindo? Era algo tão puro, algo que ele seria capaz de matar qualquer infeliz que chegasse a ferir May novamente.
- Draco...- a voz dela chegou em seus ouvidos como uma melodia. Sentiu a mão dela, pequena e delicada, sobre a sua, o fazendo abrir os dedos e segurar-lhe na mão. – Já chega. Você vai matá-lo dessa forma.
Ele abriu os olhos e fez com que suas íris, azuis claras, encontrassem as negras dela, onde continham um brilho diferente.
- Eu avisei, May, eu o avisei que se tentasse tocar um dedo em você eu...
- Mas o que ele fez para você, Draco? – Gina o interrompeu, colocando-se ao lado da índia, que ainda acariciava a mão do loiro.
Draco revirou os olhos.
- Para mim? Sobre minha pessoa? – deu os ombros – Nada! Mas ele chegou a machucar a May e isso é inadmissível. Não vou permitir que um idiota como esse toque nela novamente.
May sorriu carinhosa e se aproximou ainda mais do Sonserino, de modo que o perfume dele chegasse em suas narinas a fazendo estremecer. Céus, malditas imagens que não saiam de sua mente, malditos momentos e sensações que passou minutos atrás com aquele loiro, no quarto dele. Engoliu em seco... Na cama dele.
- Você mataria por mim? – perguntou num murmúrio, fazendo Draco sorrir.
- Por você eu iria até o inferno. – num impulso onde não conseguiu se segurar, May pulou no pescoço do loiro e o abraçou fortemente, sentindo os braços dele, deslizarem por sua cintura, carinhosamente, e corresponder o seu abraço.
- Já chega, Draco, eu não quero que você seja preso. – deslizou os lábios pelo pescoço dele e o olhando nos olhos terminou: - Já basta a minha família, principalmente o meu pai e o meu padrinho que são caçados pelo Ministério para serem presos. Eu não vou suportar se você me deixar.
Foi como se houvessem colocado um tambor em seu peito, onde batidas rítmicas começaram a soar, e aos poucos se tornavam mais fortes que uma hora chegaria a explodir.
Quando foi que aquela índia começou a se preocupar com ele? Pior! Quando foi que ela começou a ser meiga.
- Eu não vou te deixar. Já te falei isso. – respondeu, tentando controlar o impulso avassalador de beija-lá. O rosto dela estava tão perto do seu que era capaz de ouvir as batidas do coração dela, num ritmo harmonioso junto ao seu. Ambos acelerados.
Os professores se mantinham calado, assim como todos os alunos no Salão, somente olhando para Paul, mas Dumbledore tinha seus olhos fixos em Naty que sorria abraçada a Gina.
Seus olhos se encontraram, e os íris azuis da garota brilharam ainda mais para o velhinho, que se levantou do mesmo instante ao ver que Paul iria sair do Salão em direção, provavelmente, ao dormitório da Corvinal.
- Senhor Lawcer. – ele começou, fazendo com que sua voz rouca cortasse o salão, e todos as cabeças de virassem para ele – Gostaria que o senhor fosse ao meu gabinete, tenho certeza que seus pais ficarão desapontados ao saber que terão que encontrar outra escola para o senhor estudar. – e sem mais palavras, Dumbledore desceu as escadas e andou em direção ao moreno – Me acompanhe. – falou simplesmente, passando pela porta do Salão, olhando enigmaticamente para Naty com um sorriso entre as barbas brancas, e sumindo logo em seguida.
Naty suspirou como se o mundo houvesse acabado de sair sobre suas costas, levou os olhos para sua mão e sorriu. O anel não estava ali, nada de namoro, nada de Paul, nada de noites de pura repugnância.
Estava livre.
Ergueu a cabeça e suas íris se encontraram com as de Fred que brilhavam de uma forma como duas estrelas.
Sim, estava livre para viver seu novo e verdadeiro amor.
- Fred! – ela murmurou, correndo até o ruivo, que se levantou e se pôs no meio do corredor, com os braços abertos para a receber neles.
Naty pulou, de modo que seu corpo tombasse fortemente contra o do garoto, que graças ao impacto teve que colocar um pé atrás, para não caírem no chão.
- Eu te amo. – ela voltou a murmurar, agora sentindo as mãos de Fred descerem até sua cintura e com um impulso ele a ergueu do chão e começou a lhe rodopiar no ar antes de beija-lá apaixonadamente, sobre o olhar alegre de todos.
May suspirou, e sorriu pelo canto dos lábios quando seus olhos se encontraram com os de Draco, que se mantinham fixo sobre sua face.
Gina por sua vez, ria alegremente. Colocando uma mecha de seu cabelo atrás da orelha, foi se sentar na mesa da Grifinória para almoçar.
Hermione sorriu para ela também, enquanto se sentava um pouco mais para o lado, para dar lugar à ruiva no banco.
- Belo espetáculo. – Rony falou, colocando um pouco de purê de batata no prato, enquanto agradecia com um gesto de cabeça o suco de abóbora que Mione o servia.
- Já estava na hora de Naty terminar com Paul, e se resolver com Fred, nunca vi um casal tão enrolado. – Gina falou sem pensar, recebendo olhares insinuantes do irmão e da amiga, que logo moveram seus olhos para Harry, que se mantinha calado, olhando para Gina, imune a conversa.
Gina estremeceu ao escutar o suspiro fundo de Harry, sobre a mesa, enquanto ela levava o próprio copo de suco aos lábios.
Senhor, ela definitivamente, não ia conseguir almoçar daquela maneira, com aqueles olhos verdes feiticeiros a fitando com tanto calor e... Ansiedade.
Relaxando os ombro se levantou e assim colocou uma batata na boca.
- Desculpe, mas perdi a fome – lançou um olhar frio para Harry que simplesmente sorriu para ela, de modo que fizesse seu coração disparar – lembrei que tenho uma coisa importante a fazer.
- Que coisa Gina? – Harry perguntou de modo rouco e sensual, mas a ruiva já estava longe de mais para responder, mesmo que tivesse ouvido a pergunta.
Correu pelo corredor, e quando se deu de conta já havia chegado no Salão Comunal da Grifinória.
Por que ele tinha que fazer aquilo com ela? Provocá-la. Ele sabia muito bem que ela não era forte, com certas atitudes que ele tomava.
Como murmurar coisas em seu ouvido, abraçá-la ou simplesmente pedir um insignificante "me desculpe" com aqueles olhos verdes brilhando.
E como era idiota a pondo de desculpá-lo.
Riu nervosamente abrindo a porta do dormitório, para assim pular em sua cama ao lado da janela, de modo que os fortes raios do sol do meio-dia, banhassem seu leito, deixando as cobertas quentes.
Fechou os olhos e respirou fundo, sentindo o próprio perfume no travesseiro.
Harry Potter! Como um único nome era capaz de lhe trazer tantas sensações, e quando estava ao lado dele, era como se o seu mundo já estivesse feito. Sua vida já estava feita!
Mas agora o seu mundo e sua vida não estavam mais prontos, estavam incompletas.
Gina rolou na cama de modo que pudesse fitar o próprio teto. Olhou para a sua mochila que estava ao pé de sua cama e assim esticou o braço, conseguindo segurar a alça desta e trazê-la para perto de si. Abrindo a aba, pegou o seu tão famoso caderno preto, pegou uma pena, e assim começou a escrever uma nova canção, permitindo que seus sentimentos se guiassem como vida própria:
Oh what a feeling I get when I'm with you
(Oh, que sentimento eu tenho quando estou com você)
You take my heart into everything you do
(Você leva meu coração em tudo que faz)
And it makes me sad for the lonely people
(E isso me deixa triste pelas pessoas solitárias)
I walked that road for so long
(Eu andei por aquela estrada durante tanto tempo)
Now I know that I'm one of the lucky people
(Agora eu sei que eu sou uma das pessoas sortudas)
Your love is making me strong
(Seu amor está me fazendo mais forte)
Foram as primeiras linhas.
Releu animada o começo da canção e por fim sorriu satisfeita. Não estava tão ruim assim, para uma garota que se encontrava em uma certa depressão.
Riu alegre com a palavra que havia usado para se descrever; depressão.
Oh não, isso estava muito longe de sentir. Pois não estava chorando pelos cantos, por ter perdido o homem que amava.
- Como a Chang é patética. – murmurou ainda rindo. Senhor, Harry ainda não estava morto, e por ela, iria continuar bem vivo por muitos anos.
Estava pronta para dar continuidade a canção quando algo dentro de sua bolsa lhe chamou sua atenção; era um pergaminho amassado, e estava jogando dentro de sua mochila como se houvesse sido colocado lá às pressas.
O bilhete!, Sua mente lembrou-a. Erguendo uma das sobrancelhas, Gina sentou-se sobre o fofo colchão de sua cama, e com os dedos trêmulos segurou o bilhete.
- Por favor, faça que não seja dele. – pensou, enquanto começava a abri-lo, e quando assim o fez, logo se arrependeu.
As letras tremidas e mal feitas mostravam o nervosismo da pessoa e que era um garoto. Respirou fundo, e pôde sentir aquele perfume cítrico que ela tanto amava se desprender da folha amarela e gasta do pergaminho.
Molhando os lábios com a pontinha da língua, moveu seus olhos para o bilhete e assim o leu.
Eu não sei por onde começar.
Mas só sei que não consigo mais ficar sem a sua companhia, a sua voz que me encanta, e o seu sorriso que me faz me sentir vivo.
Por favor, Gina, me encontre depois do jantar naquela sala do piano. Preciso muito falar com você.
Com amor,
Harry Potter
- O Senhor de todos os Deuses! – foi a única coisa que conseguiu dizer antes de ouvir o sinal do termino do almoço soar sobre todo o castelo, e assim mostrar que as aulas da tarde iriam ser iniciadas.
Com uma rapidez de recorde, molhou a ponta da pena com a língua, e assim escreveu sua resposta atrás do pergaminho:
Como para tudo se tem um começo e um ponto final, que tal fazermos existir um meio para a nossa história?
Como você, Harry, não consigo mais viver assim também. Ver você todos os dias e não poder sequer chegar perto, dói de mais.
Okay, vamos nos encontrar depois do jantar.
Com amor,
Gina Weasley.
Passando a mão pelos cabelos ruivos, releu rapidamente a sua resposta e achando-a básica, simples e direta, guardou tudo de volta a sua mochila, e dando uma olhada para sua imagem no espelho, sorriu.
- Que Seja o que Merlin quiser. – falou para si mesma, dando uma volta em frente ao espelho, e rindo como desde a sua briga com Harry não ria, saiu de seu dormitório sentindo-se, milagrosamente, mais leve.
- Boa Tarde. – a mulher gorda do retrato a cumprimentou, enquanto abria a porta e limpava alguns copos no chão que havia quebrado com a sua voz. Ou pelo menos tentado.
Ainda rindo caminhou pelo corredor até os jardins, onde haveria a aula de Trato de Criaturas Mágicas com Hagrid.
Respirou a brisa fria que entrou pela janela do corredor, chocando-se contra o seu corpo.
Céus, como estava se sentindo bem.
Franziu o cenho quando no outro corredor começou a ouvir varias vozes de meninas e a de um garoto. Pior, ela conhecia aquela voz rouca e arrastada.
Revirou os olhos e fez uma careta. O que aquele idiota estava aprontando?
Colocando a cabeça para dentro do corredor donde vinham às vozes histéricas, a imagem que viu a vez ter vontade de rir e chorar ao mesmo tempo.
Harry estava no meio de um grupo de garotas do quarto ano, onde tentavam a todo custo, beijá-lo. Ele sorria amarelo e tentava se soltar delas educadamente, mas as íris verdes que estavam num tom escuro, mostravam a força que ele fazia para se controlar.
Mordendo a própria língua para segurar a risada, apertou entre os delicados dedos o bilhete e respirando fundo, andou até o moreno, que ainda não havia pressentido a sua presença.
Mas que tapado!, Pensou revirando os olhos e colocando sobre os lábios, o seu melhor sorriso.
- Me desculpem garotas...- ele falou se esquivando do toque de uma garota em seu ombro – Mas agora eu tenho que ir para a minha aula. – delicadamente retirou de seu rosto a mão de outra quartanista – E eu também já estou atrasado e...
- Se vocês não perceberam, ele esta pedindo para que vocês dêem o fora. – uma voz firme, mas carinhosa cortou o ar tenso do corredor.
Todas as cabeças se viraram para trás, e Harry ergueu a sua própria e foi como se visse a imagem de Gina brilhar.
- Oh, o meu anjo chegou. – ele murmurou, fazendo preces de agradecimento aos Deuses.
As garotas largaram Harry imediatamente e se viraram para a ruiva que simplesmente arqueou uma sobrancelha.
Elas por acaso querem que eu desenhe para que entendam que já esta na hora de irem embora?, Gina pensou ainda afônica.
- Olha Weasley nós aqui...- uma loira falou, apontando com o dedo indicador as outras meninas – Sabemos que você e o Harryzinho – suspiraram, fazendo o moreno arregalar os olhos, enjoado – Estão brigados. Então meu bem...
Todas deram um sorriso amarelo, antes de falarem juntas:
- Cai fora!
Gina simplesmente riu e apertou ainda mais o bilhete entre os dedos, como se fosse a qualquer minuto perfurá-lo com suas unhas tamanha a força que estava fazendo para não mandar aquelas Grifinórias a um lugar nada educado.
Oh, elas não sabiam, definitivamente, com quem estavam lidando.
Assoprando uma mecha ruiva que lhe caiu em frente aos olhos. Gina caminhou até elas de uma maneira como se fosse uma felina, pronta para atacar o seu jantar.
As garotas engoliram em seco e deram um passo para trás ao verem a ruiva, perigosamente, se aproximar.
- Eu não sei exatamente em que mundo vocês vivem, queridas...- a ruiva disse irônica, frisando a última palavra de modo irônico – Mas no meu existi uma coisa chamada, perdão, reconciliação, desculpas... Como preferirem chamar.
Harry abriu um largo sorriso. Oh sim, Gina era a sua salvadora.
Respirou fundo e sentiu seu peito se aquecer, no momento que viu a ruiva olhá-lo por alguns segundos, de modo que suas íris se encontrassem, mas ela logo fez questão de quebrar o contado.
Merlin, como sentia falta dela.
- Então... Vocês... Voltaram a serem amigos? – outra garota perguntou, visivelmente desanimada.
Gina deu os ombros e sorriu.
- Ah não, magina...- as meninas ergueram as cabeças e a fitaram de modo ainda esperançoso – Eu e ele somos muitos mais que simples amigos agora. – as quartanista arregalaram ainda mais os olhos quando viu a ruiva andar até Harry e assim fazer com que este se encostasse contra a parede.
Mas o que ela vai fazer?, Harry pensou, vendo Gina sorrir para ele de modo que o fez segurar o próprio fôlego. Pelo canto dos olhos observou as meninas indo embora e fez uma nota mental que ficava devendo uma para a ruiva.
Mas, para a sua surpresa, Gina não o soltou continuou com o corpo colado ao seu, o fazendo sentir certos calores que se Rony o visse daquela forma, o mataria na certa.
- Calma. – Gina murmurou ao pé de seu ouvindo, fazendo os pelos de sua nuca ficarem arrepiados. Instintivamente a abraçou pela cintura de forma carinhosa – Elas ainda estão olhando. – informou, erguendo o braço direito e pousar delicadamente sobre o ombro largo do moreno.
Harry não pôde negar que sua respiração já começava a pesar, junto com as batidas fortes de seu coração.
Okay, parabéns para Gina Weasley pelo seu primeiro lugar no desafio de; como deixar Harry Potter sem atitude.
Os olhos dela brilhavam, e ele pôde se ver refletidos neles. Um tom de azul começava a circular as íris cor de mel, onde graças aos raios de sol, continham leves pontos dourados.
- O que pretende fazer para afastá-las então? – desafiou-a. Nesse pouco tempo que conviveu com Gina, aprendeu algo essencial sobre ela; aquela ruiva amava um bom desafio. E não se enganou.
A garota fez com que o sorriso de seus lábios cor de cereja tão doces fosse sumindo aos poucos, mas o brilho tão encantador dos olhos continuava lá.
Gina se aproximou vagarosamente, o fazendo começar a suar.
Mas o que estava acontecendo com ele? Inferno!
A abraçou com mais força de encontro a si, enquanto sentia a testura fria da parede atravessar suas vestes e tocar-lhe na carne, como uma lamina que atravessava o seu ser.
Seu coração ameaçou parar quando viu a amiga fechar os olhos e com a outra mão, segurar a sua gravata e puxá-lo em direção a ela.
Oh, ela não ia fazer o que ele estava pensando... Ia?
Passou a língua pelos próprios lábios, onde para a sua surpresa, estavam completamente secos, e gritavam para serem umedecidos.
Podia sentir o olhar das garotas ainda sobre eles e assim sorriu. Tudo bem que ser o garoto mais lindo de Hogwarts era uma coisa, mas lidar com assedio era outro completamente diferente.
Respirando fundo fechou seus próprios olhos e inclinou a cabeça de encontro aos lábios da melhor amiga, que também começou a sorrir.
A mão dela em seu ombro deslizou pelo seu braço, de modo que fizesse um caminho de fogo por onde passava.
Então, aconteceu.
Os lábios se encontraram num toque doce e gentil. Pressionaram-se um contra o outro de modo que fizesse Harry sentir o seu arredor girar fortemente, e suas pernas bambearem.
Mas da mesma forma que o beijo começou rápido terminou rápido, de modo que não lhe desse tempo de aprofundá-lo.
Merlin, quando, por raios, iria beijar aquela ruiva de verdade?
Abaixou a cabeça e permaneceu de olhos fechados, tentando recuperar a sua sensatez que ainda teimava em bater asas e voar longe.
Seu corpo tremia como se houvesse sido jogado contra uma avalanche.
Como aquela garota, irmã de seu melhor amigo, podia mexer tanto com suas emoções?
Já não conseguia viver mais sem ela, toda vez que estava ao lado dela o mundo não parecia existir somente ele e ela, um ao lado do outro, juntos para sempre. E quando sentia o perfume dela, tão doce e excitante, parecia perder o rumo da coerência. Mas o que mais o deixava intrigado eram aqueles lábios vermelhos que ele sonhava tanto em experimentar. Passava até mesmo, a noite em claro, somente imaginando como ele Harry Potter, poderia ter se apegado tanto a uma ruiva, que o fazia ir a loucura.
Definitivamente, Gina era o protótipo de garota onde era um verdadeiro problema para a sua mente, seu corpo e seu... Coração.
- Olha Gina, eu...- começou, mas quando abriu os olhos e ergueu a cabeça, para o seu espanto, se viu sozinho no corredor. – Mas onde ela se meteu? – resmungou, chutando a parede com o pé atrás de si. Foi então que sentiu algo em sua mão. Abaixando a cabeça abriu os dedos e pôde ver que em sua palma havia um bilhete.
Seus olhos brilharam e um sorriso se alargou em seu rosto, indo de orelha a orelha, no momento que começava a abrir o pequeno pedaço de pergaminho.
As letras eram delicadas e bem caprichosas, e um aroma do perfume dela se perdia sobre a folha.
Seus olhos brilharam e seu coração disparou.
- Até a noite...- murmurou, pegando sua mochila que estava no chão e começou a andar pelo corredor. Havia ganhado o seu dia! – Minha ruivinha. – e assim, soltou uma sonora gargalhada.
As aulas não foram se arrastando como Harry e Gina, que se esbarraram varias vezes pelo corredor e os olhares ansiosos que trocaram junto com os sorrisos discretos não passaram despercebidos por ninguém, pensavam, e sim rápidas e divertidas.
Snape, milagrosamente, estava de bom humor, e assim tirou somente quinze pontos da Grifinória, e não cinqüenta como estava acostumado.
Gina por sua vez se deu muito bem na aula de Hagrid, onde ganhara trinta pontos por responder perguntas sobre unicórnios; sua especialidade.
E quando eles se deram conta, os alaranjados e calorosos raios de sol já começavam a se esconder atrás das árvores da Floresta Proibida, e sobre o horizonte do lago uma fina linha de fogo parecia cortar este numa forma que fazia a água tão azul, um jogo de cores como o próprio arco-íris que se refletiam no céu, o fazendo ficar colorido, de uma maneira que dava um espetáculo fascinante.
Sorrindo, Gina guardou suas anotações da última aula na mochila, feliz por ter mostrado ao seu amigo gigante o seu conhecimento sobre unicórnios.
Hagrid veio em sua direção com largos passos, e o sorriso nos lábios escondido entre os fios grossos da barba negra, mostrava os dentes um tanto assustador do amigo.
- Parabéns, Gina. – ele disse animado – Nunca pensei que soubesse tanto sobre esses animais tão divinos.
A ruiva passou a mão pelos cabelos e antes de responder, Naty se meteu no meio da conversa:
- Não acredito que você não sabe, Hagrid...- o gigante olhou-a de modo interrogativo, a fazendo continuar: - A Gina é louca por cavalos, por isso, graças as suas ótimas notas do ano passado, como presente de Natal o Tio Arthur, junto com o Guilherme e o Carlinhos, deram um unicórnio para ela. – os olhos azuis brilharam de pura felicidade, junto com os de Gina que abaixou a cabeça sentindo as bochechas coraram.
Okay, que realmente havia ganhado um unicórnio, e graças a isso havia aprofundado seus conhecimentos sobre o animal, já que o amava e o achava fantástico. Mas não gostava de ficar se exibindo por aí sobre isso.
Hagrid pareceu ainda mais divertido sobre o assunto, e as acompanhou até o Salão Principal, onde o jantar seria servido em poucos minutos.
- Por que nunca me falou isso, Gina? – o gigante perguntou – Adoraria conhecê-lo e se puder, depois das férias de verão, peça a Dumbledore permitir a estadia do seu unicórnio aqui em Hogwarts...- a ruiva arregalou os olhos. Mas quem iria cuidar dele, enquanto estivesse estudando?, Pensou, e Hagrid logo respondeu a sua pergunta, como se houvesse lido a sua mente – Eu cuidarei dele com o maior prazer. E também, poderia usá-lo com as minhas aulas para os terceiros e quartos anos. Sem esquecer que seria ótimo fazer umas boas aulas de cavalgada.
Naty abriu um sorriso de orelha a orelha:
- A se for assim também irei trazer o meu unicórnio...- se virou para Gina, quase pulando de alegria – e a May o dela. – piscando o olho se voltou para Hagrid que as olhava de uma forma surpresa, lhe piscou um olho – Eu e a May também temos um unicórnio e mais um montão de animais...- riu – Nossas casas são verdadeiros zoológicos.
Gina sorriu.
- Isso, meu amigo – a ruiva bateu levemente no braço do gigante – não tenha duvidas. São cobras, galinhas, corujas, coelhos, gatos, onças, lobos, raposas, cachorros... E assim por diante, por todos os lados.
Naty deu os ombros.
- Você sabe perfeitamente que eu tenho uma verdadeira tara por animais. – Gina arqueou uma sobrancelha.
- Só você minha cara?
Hagrid passou a mão pela barba que lhe batia no meio do peito, de uma forma pensativa, enquanto viravam o corredor.
- Sabe, meninas...- ele começou, fazendo sua voz rouca ecoar sobre as paredes frias do corredor – Tem um pequeno bosque perto da minha cabana, é um lugar espaçoso e fresco, onde nenhum animal o habita, então...- as bochechas do gigante ficaram vermelhas de modo que fizeram as duas amigas abafarem uma risada.
- Já entendemos. – Naty o interrompeu no meio da frase ajudando-o naquele momento constrangedor. Piscou para Gina que simplesmente sorriu e balançou a cabeça de modo afirmativo, como se houvesse concordado com o que a morena estivesse pensando. – Nos iríamos adorar trazer alguns de nossos animais para Hogwarts, onde você poderia cuidar deles. Tenho certeza que May também não irá se importar. Alem do mais...- entraram no Salão – Eu sinto muita falta dos meus bichinhos no decorrer dos meses que fico aqui no colégio.
Gina riu.
- Eu também, e a May ainda mais.
Os olhos negros do gigante brilharam de uma forma que quase chegava a doer para quem ficasse olhando para as íris dele por muito tempo, de tamanha intensidade.
- Ah, como eu amo vocês, meninas. – ele falou andando mais rápido até a mesa dos professores – Irei falar com o Dumbledore hoje mesmo, e depois falo com vocês.
Naty e Gina se entreolharam e sorriram para o amigo, antes de irem em direção a seus lugares, onde May as esperava.
- Vocês demoraram. – a índia falou com um leve sorriso no canto dos lábios, quando elas se sentaram no banco que ficava ao lado do da amiga.
- Não tivemos culpa...- Naty respondeu, colocando a sua mochila debaixo da mesa, entre seus pés. Gina imitou-a. – o Hagrid que nos segurou um pouquinho.
May franziu o cenho.
- O que ele queria? – Gina, animadoramente, fez um leve resumo sobre a conversa dela e de Naty com o professor e a cada palavra o sorriso da índia se abria cada vez mais. – Mas isso é fantástico. – May disso por fim, dando pulos sobre o banco.
Gina se virou feliz por a morena ter concordado com a idéia dela e de Naty fazendo assim seus olhos se encontrarem com Harry que estava sentado mais à frente, perto de Rony e Hermione, onde pareciam estarem entrando numa nova discussão.
Prendeu o fôlego quando os incríveis olhos verdes começaram a brilhar cada vez mais, como uma verdadeira jóia onde era ilumina pelos raios do sol. Os cabelos despenteados caiam em frente ao rosto de linhas perfeitas, fazendo um contraste ainda mais perfeito com o tom da pele bronzeada – onde realçava os olhos – e o belo sorriso de dentes brancos.
Senhor, se Harry queria fazê-la perder o apetite e ter somente uma fome arrebatadora de desejos por ele... Oh sim, parabéns, ele havia conseguido e com méritos ainda.
Ergueu uma sobrancelha de forma sensual e sorriu pelo canto dos lábios ao vê-lo, piscar os olhos, fazendo uma cara abobalhada.
Com certeza, andar com Naty e May havia lá seus pontos positivos, e um deles era; sensualidade... Claro, quando ela queria.
Colocou uma mecha ruiva atrás da orelha e se virou para o seu prato, e para a comida que acabava aparecer diante de todas as mesas.
Aquele seria um belo jantar, concluiu se servindo um pouco de purê de batata.
Quinto andar, porta ao lado da escada. Nunca iria esquecer aquele andar.
Sorrindo, abriu a porta devagar, a fazendo ranger levemente. Era como da primeira vez, a sala estava escura, e pela janela, a luz da lua já começava a entrar, dando uma luminosidade ao lugar aconchegante e perigosamente excitante.
Mas havia algo errado... Franziu o cenho.
Onde, diachos, estava aquele tapado onde era conhecido como, Harry Potter.
O jantar tinha acabado naquele momento, sendo que ele havia saído do Salão Principal vinte minutos antes, então sendo meio óbvio, ele já deveria estar ali.
Suspirou... Mas não estava.
Fechou a porta atrás de si, e colocou sua mochila sobre o parapeito da janela e fitou o belo azul cheio de estrelas e a tão brilhante lua.
O vento balançava os galhos das árvores e fazia as folhas secas caídas na grama flutuarem sobre o ar, e assim começarem uma dança desajeitada.
Sorrindo, deu a volta nos calcanhares e entre a escuridão pôde ver o famoso piano, onde em cima deste, misteriosamente havia um violão.
Sorriu e coçou a nuca.
- Sinistro. – murmurou, andando até o violão e o pegando nas mãos.
Era realmente algo, style, como May e Naty costumavam a falar. As cordas eram negras brilhantes, e o violão de pura madeira de carvalho, brilhosa, como se houvessem acabado de poli-lo.
Uma idéia ecoou em sua mente, a fazendo morder o lábio de uma forma travessa.
Sorrindo, andou até o parapeito da janela, sentou-se e de dentro de sua mochila tirou o seu caderno de músicas.
Oras, enquanto Harry ainda não chegava, poderia continuar a sua nova música e assim já fazer a melodia.
Abriu-o e colocou na sua frente, posicionou o instrumento em seu colo, com os dedos nas cordas, deslizou-as sobre estas, fazendo o primeiro som, algo sensual e rítmico.
Fechou os olhos e permitiu que seus dedos fizessem o som, e sua voz a letra da canção.
- And I wanna believe you. When you that it'll be okay. Yeah, I try to believe you. But I don't…- começou, num único tom, baixinho e doce, parecendo como um murmúrio da brisa daquela noite cálida. Seus dedos começaram a acelerar a música levemente, mas o ritmo sensual e romântico continuava a cortar o ar sensual da sala escura - When you say that it's gonna be. It always turns out to be a different way. I try to believe you. Not today, today, today, today, today…- sorriu e abaixou a cabeça, abrindo os olhos e olhando para seus delicados dedos tocarem o violão, era como se houvessem os enfeitiçados, da tamanha naturalidade que tocavam. Respirando fundo, uma nova estrofe veio a sua mente, sendo o refrão, aumentou o tom de sua voz, num tom agudo e perfeitamente afinado - I don't know how I'll feel... Tomorrow, Tomorrow. I don't know what to say… Tomorrow, Tomorrow is a different day. Tomorrow.
A porta sala se abriu tão silenciosamente que Gina nem se tocou quando alguém entrou.
Harry estava bem ali, encostado na porta, com os fortes braços cruzados sobre o peito firme e malhado, escondido na escuridão.
Cerrou os olhos e observou a ruiva tocar o violão e cantar, parecendo inerte ao mundo. A luz da lua que entrava pela janela banhava o parapeito com sua luminosidade prateada, fazendo como se uma aura percorrer o corpo de Gina, a abençoando. Os cabelos ruivos estavam presos numa delicada transa que caia sobre o ombro dela, junto com alguns fios que se desprendia do delicado penteado e contornava o alvo rostinho de boneca, que estava contorcido num sorriso carinhoso, e os olhos cor de mel-azulado, brilhavam de uma forma quase feiticeira.
Passou as mãos pelos próprios cabelos, antes de levá-las para dentro do bolso de sua calça, na tentativa de segurar o seu impulso de abraçar a amiga.
Senhor, por que ele não tinha aquele dom de poder entender os sentimentos, pois aí, ele descobriria o que sentia por Gina. Era algo quente e confortante, algo que o excitava e o deixava frustrado ao mesmo tempo ao saber que não podia ter a ruiva da forma que tanto imaginava. Queria amá-la!
Passando a pontinha da língua sobre os próprios lábios secos, começou a andar até a amiga, que ainda continha os olhos fechados, parecendo sentir a música entrar dentro de si.
A voz dela era algo que o confortava. O fazia querer fechar os olhos e viajar por um mundo imaginário. Era o canto mais perfeito que já ouvira... Doce, delicado, afinado e ao mesmo tempo fazia seu sangue correr mais rápido por suas veias, acelerando seu coração.
Como pudera ficar tanto tempo sem a companhia de Gina? Ela era como uma parte dentro de si que o completava. O fazia sentir-se bem consigo mesmo, esquecer seus problemas assim viver, como um garoto normal de dezesseis anos.
Ela era, simplesmente, o seu anjo.
Cerrou os punhos e assim se aproximou da amiga.
- Give me a little time. Leave me alone a little while. Maybe its not too late. Not today, today, today, today, today…- Gina continuou, depois de um tempo somente tocando o violão. Pôde vê-la respirar fundo, e assim erguer a cabeça, ainda com os olhos fechados, e soltar uma sonora nota, onde fez os pelos de seu corpo se arrepiarem. – Ooooooooh!!!
Então ela abriu os olhos e parou de tocar. Um sorriso doce cortou os lábios cor de cereja quando ela virou o rosto e observou a cálida noite.
Okay, por ele, poderia passar a noite inteira somente a observando, contemplando cada traço delicado do rosto dela, sem se cansar.
Relaxando os ombros e fazendo sua coluna ficar ereta, terminou o espaço que tinha entre eles, então, engolindo sem seco se inclinou até o ouvido dela para murmurar o seu nome de forma onde ele percebeu, ela se arrepiou.
- Gina. – a ruiva respirou pesadamente, antes de olhar para o rosto perfeito de Harry através do vidro da janela, atrás de si.
Mordendo a própria língua para segurar um gemido, quando sentiu a mão quente e forte do moreno sobre seu ombro, e assim deslizar pelo seu braço, se virou, ficando de frente para ele.
Sorriu docemente, na tentativa de esconder o seu nervosismo. Por que ele tinha que olhá-la daquela forma? A fazendo se sentir linda, especial... Única.
Os olhos verdes estavam brilhantes e percorriam o seu corpo com tanto cuidado parecendo temerem perder algum detalhe, onde a fazia sentir um rastro de fogo.
E quando as íris cor de esmeralda pousaram sobre seus lábios, fora impossível esconder o seu medo de cair em tentação. Mas por todos os Deuses, ele era um verdadeiro pecado de tamanha beleza.
Harry Potter estava bem ali na sua frente, a desejando de uma forma quase selvagem. As mãos tocavam em sua pele, aquecendo-a... Não! Queimando-a até a alma.
Passando a mão por sua trança num movimento nervoso, se levantou do parapeito da janela colocando o violão encostado na parede, sem tirar os olhos dos dele, ficando assim, frente a frente.
- Precisamos conversar. – Harry falou, no seu famoso tom de voz arrastado e sensual.
Sorrindo respondeu, tentando ignorar os fortes arrepios que percorriam seu corpo como uma chuva violenta de inferno.
- Sim, precisamos. –suspirou e abaixou a cabeça.
Ele havia se atrasado, e tinha até mesmo pensando em algumas frases para o deixar chateado. Mas como, Merlin, poderia magoar o seu melhor amigo. O seu amor.
Aquele que era dono de seu corpo, seu coração e sua alma. Aquele por onde clamava tanto em sentir o toque e o sabor dos lábios. Aquele que somente poderia amar por toda sua vida.
Prendeu a respiração quando sentiu o delicado toque dos dedos de Harry pousarem sobre seu queixo a fazendo ergueu novamente a cabeça para encará-lo, e fazê-la encontrar aquele sorriso perfeito onde fez suas pernas bambearem.
- Você nunca abaixou a cabeça para ninguém, Gina...- oh, ele voltara a chamá-la pelo seu apelido, onde tanto amava escutar ser proferido entre aquela boca firme e naquele tom de voz tão eloqüente, a fazendo desejar que somente ele a chamasse daquela forma. – Então não há por que abaixai-la para mim.
Suspirou. Isso era verdade, teria que engolir o seu orgulho e concordar com ele.
Carinhosamente, ergueu sua mão e a cobriu com a de Harry, que agora repousava sobre sua bochecha.
- Você tem razão. – sorriu sem graça. Maldição, por que seus olhos estavam começando a marejar? – Harry...
Ele sorriu, e respirou fundo. Como havia sentido a falta de ouvir seu nome ser dito naquela voz onde somente ela conseguia fazer e deixá-lo arrepiado.
- Shhh! – murmurou, tampando os lábios dela com o seu dedo indicador, sorrindo, o deslizou pelo lábio dela, sentindo sua maciez. – Deixe-me dizer primeiro, por favor, Gi.
A ruiva simplesmente sorriu e com em gesto pediu para que ele começasse, se não iriam ficar naquela sala até o dia seguinte.
- Eu sou um idiota. – foram às primeiras palavras de Harry, a fazendo ficar surpresa, esperava que ele falasse qualquer coisa, menos aquilo.
- Harry você não é um...- ele a interrompeu delicadamente.
- Sou sim, um idiota por não ter percebido como você é importante para mim. – Harry respirou fundo, soltando o ar com força pela boca, tremula. – Eu passei esse último dia Gi, num verdadeiro inferno. Cada vez que você me olhava eu não conseguia mais ver aquele brilho onde fazia eu me sentir aquecido. Não via mais o seu sorriso que sempre me fazia sentir a vontade de sorrir também...- ele deslizou novamente o dedo pelo lábio da ruiva. O céus, da onde estavam vindo todas aquelas palavras? – E o brilho de seus olhos...- continuou antes de encará-la no fundo dos olhos, parecendo sentir aquele tom de mel-azulado o afogar em suas profundezas tão brilhantes – Que me fazem sentir a vontade de viver, seguir em frente. Você inteira Gi, é a base da minha felicidade, uma parte de mim que me faz ser feliz. – fechou os olhos e encostou sua testa na dela – No momento que eu vi aquela foto no jornal, foi como seu meu coração fosse arrancado de meu peito. – segurou-lhe as delicadas mãos entre as suas, apertando-as. – Eu temi Gina, um medo que eu nunca senti antes, que foi o de eu perder você, para o Malfoy. Eu tive medo que ele tirasse a coisa mais importante de mim, e essa coisa, é você.
Gina sentiu como se seu coração estivesse sendo novamente colocado sobre seu peito.
Fechou os olhos na tentativa de guardar na mente aquelas palavras tão doces e que fizeram seu corpo estremecer.
Abriu a boca levemente e assim respirou fundo por esta, sentindo o oxigênio estufar seus pulmões.
Tinha medo de respirar pelo nariz e sentir o perfume de Harry, e assim agir não com o a razão e sim pelo coração que cada vez batia mais forte.
- Sabe o que eu mais admiro em você, Gi? – ele voltou a murmurar, agora com os lábios encostados em seu ouvido.
A voz parecia ter se perdido em alguma parte de sua garganta, então, ela somente fez um gesto negativo com a cabeça.
- Você foi a primeira pessoa que me viu como um garoto normal. Nada de cicatriz, ou o menino que sobreviveu.
Gina sorriu e assim o abraçou fortemente, não agüentando mais segurar as próprias lagrimas. Elas a sufocavam não permitindo que pudesse respirar normalmente.
- Você sempre será um garoto normal para mim, o meu melhor amigo que me ajuda em tudo, eu te amo Harry. Te amo por você ser essa pessoa maravilhosa, esse garoto lindo que eu sinto tanto orgulho. – olhou-o nos olhos – Não sei como também pude ficar longe de você. Do seu sorriso, da sua voz, do seu calor quando me abraça e desse brilho maravilhoso em seus olhos. Por Merlin, você é tudo para mim. – soluçou e voltou a abraçá-lo com força.
Harry também sorriu e afundou o rosto na alva curva do pescoço da ruiva, e assim também permitiu que silenciosas lágrimas rolassem pelo seu semblante.
Sentiu como se houvesse acabado de sair de um profundo abismo no fundo do mar, aonde o ar chegava em seus pulmões. Sua felicidade voltara.
Rindo animado, segurou Gina em seus braços e a tirando do chão, a rodopiou no ar.
- Gina, Gina, Gina...- disse o nome dela muitas vezes, sentindo aquela alegria de querer sempre sorrir voltar, percorrer por suas veias, como se fosse o seu próprio sangue.
A ruiva ria, com os cabelos que haviam se soltado da trança, caindo em frente ao rosto dela como um véu de chamas, os olhos brilhavam graças às lagrimas, mas o brilho de felicidade era perfeitamente visível.
E aquele som, o som daquela risada que ele tanto amava. Onde, graças a esta, fez com que seus pesadelos com Voldemort sumissem.
- Harry Potter me ponha no chão. – ela pediu entre as gargalhas.
Atendendo o pedido dela, Harry deslizou suas mãos pela lateral da cintura da amiga, deixando um rastro de chamas por onde passavam. Gina ergueu os braços, sentindo as mãos do moreno continuarem deslizando por sua pele, e assim chegarem em suas mãos, para entrelaçar os dedos.
Sorrindo um para o outro, sem desviarem os olhos, começaram a abaixar os braços, lentamente, e assim mexerem seus corpos de um lado para o outro, num mesmo ritmo.
Estranhamente o piano começou a tocar uma melodia romântica onde circulou o ar da sala com brilhantes pontos que dançavam no ar, enquanto o violão o acompanhava numa forma harmoniosa.
Harry e Gina estavam inertes a tudo isso, menos a presença um do outro, onde os englobavam como uma onda.
As respirações agora eram calmas mostrando que tudo ali estava perfeitamente romântico e tranqüilo, sem nenhum motivo para se exaltarem.
Harry levou uma das mãos entrelaçadas ao seu peito, enquanto com a outra circulava a cintura da ruiva, a trazendo para mais perto de si.
Sentiu os quadris dela se moverem descompassados com os seus no ritmo da música.
Num gesto delicado a rodopiou a fazendo rir, e sem querer pisar em seu pé.
- Desculpa. – ela falou, sorrindo sem-graça. Ele balançou a cabeça.
- Tudo bem. – a abraçou, e fechando os olhos respirou fundo – Você sempre cantou tão maravilhosamente bem, que... Se eu cantasse agora, você iria rir da minha cara?
Gina começou a lhe acariciar a nuca com as pontinhas dos dedos, sentindo as mechas negras sedosas entre eles.
- Claro que não. – respondeu carinhosamente. Pôde senti-lo suspirar pesadamente sobre seu pescoço, e assim, ao pé de seu ouvido, Harry cantou. Para sua surpresa, muito bem:
- Se o vento sopra sem sentido... As estrelas podem me guiar. Se eu não te tenho aqui comigo! Quando eu sonho, eu posso encontrar...- a voz não era tão afinada, mas o seu tom rouco parecia enfeitiçar. Seu coração disparou e sua espinha pareceu queimar a cada milímetro que Harry ia deslizando o dedo por esta, no mesmo instante que os lábios dele pousaram sobre a pele de seu pescoço - Por mais que eu tente te dizer... O quanto eu sinto por você... Como é possível não saber...– ele parou de lhe beijar e assim a encarou, com aquelas íris verdes onde a fizeram não conseguir segurar mais o próprio gemido, fazendo-o sorrir satisfeito. Aproximou seu rosto do dela, enquanto com o polegar, lhe acariciava o lábio, e assim continuou num tom baixinho, parecendo quase com uma carícia a seus ouvidos: - Que eu te quero!
Oh senhor, se ele quisesse vê-la ardendo de puro deleite, parabéns! Havia conseguido e com fantásticos méritos.
Abraçando-se ainda mais forte a ele, continuou a canção, repetindo o refrão, na voz mais bela que tinha guardado dentro de si, libertando-a como um feitiço, do fundo de sua alma:
Por mais que eu tente te dizer... O quanto eu sinto por você... Como é possível não saber...– se afastou dele e andou até a janela, pegando assim sua mochila. Colocando-a nas costas, voltou-se para Harry e a olhava de uma forma que não compreendeu, era como se ele estivesse vendo-a pela primeira vez, não como a sua doce e meiga Gininha, a sua melhor amiga ou a irmã de seu melhor amigo, e sim como uma garota. Sorrindo, ficou na pontinha dos pés e deu-lhe um deliciado beijo no rosto antes de terminar a canção: - Que eu te quero!
Harry riu animado e assim se falou:
- Poxa, agora você me humilhou legal.
Gina não disse nada, simplesmente deu-lhe mais um beijo, agora no canto da boca, onde fez o amigo arregalar os olhos surpresos, mas o sorriso bobo não negava que ele havia gostado.
- Até mais Harry. – falou, passando por ele e assim, sorrindo, deu-lhe um forte tapa no traseiro.
- Ei! – Harry protestou, levando a mão ao lugar onde ela lhe dera uma palmada.
Gina gargalhava para valer, e antes de fechar a porta da sala falou olhando-o com os olhos brilhando:
- Lembre-se, Potter... Eu posso. – e piscando-lhe um olho foi embora, deixando para trás um Harry Potter bastante abobalhado.
Suspirou quando a brisa fria da noite percorreu o corredor escuro e vazio do castelo, quando a porta da sala fez o seu famoso "clic", mostrando que estava fechada.
O que havia acontecido ali dentro? Estava sonhando por acaso? Colocando a cabeça sobre a porta de madeira respirou fundo várias vezes para tentar crer que tudo aquilo havia mesmo acontecido. Era bom de mais. Um sonho que havia começado a se tornar realidade.
Riu... Agora sim poderia voltar a deitar sua cabeça no travesseiro e dormir em paz, sem aquele aperto no coração ao saber que quando acordasse de manhã Harry não estaria lá em baixo a esperando para tomarem café, ou ficar acordado até altas horas a esperando voltar da sonserina – onde ela e Naty ficavam fofocando com May – somente para lhe dar um último beijo de boa noite.
Ele era fofo demais!, Pensou, tentando segurar a vontade avassaladora de pular de alegria. Havia conseguido recuperar a amizade de seu melhor amigo. Era bom demais!
Arrumando a alça da mochila em seu ombro, começou a caminhar em direção ao salão comunal da grifinória mas, para a sua surpresa, no momento em que virava o corredor, pôde ver ao longe Naty e May conversando animadas.
Respirou fundo e ergueu a cabeça. Agora era somente mais um assunto que ela teria que resolver e a hora chegara.
Mordendo o lábio inferior correu até as amigas.
- Ei, almas penadas.
As amigas se viraram e sorriam.
- Olá, Gi, onde você esteve? – May perguntou, colocando uma mecha negra de seu cabelo atrás da orelha.
Naty sorriu travessa.
- Provavelmente dentro de uma sala escuta com algum garoto gato. – Gina torceu o nariz.
- Não falem besteira, tenho que falar uma coisa muito séria para vocês. – as amigas se entreolharam antes de cruzarem os barcos, mostrando que era para ela continuar. Suspirou fundo e assim, disse de uma vez. – Acho que é melhor eu não ir ao baile.
Naty gemeu e May revirou os olhos.
- Virginia Weasley – May começou.
- Nos poupe desse assunto de novo. – Naty falou – Por quê isso agora?
Gina passou a mão pelos cabelos e as encarando bem nos olhos disse de uma vez só:
- Eu não sei dançar.
Continua...
