Capítulo 10 – Inesperado

- Boa noite, mestre. O senhor deseja comer? – o elfo recolheu a capa de Draco quando o homem aparatou na mansão.

- Sim, pode levar no meu quarto. Scorpius?

- Em seus aposentos, senhor, junto com o convidado.

Draco estranhou aquilo, mas subiu as escadarias sem pressa, tirando o casaco e a gravata no caminho, ficando mais à vontade agora que estava em casa. Deixou a roupa sobre sua cama e se dirigiu ao quarto de Scorpius. Lá o esperava a cena mais inusitada possível.

Scorpius dormia deitado sobre as cobertas na própria cama, mas parecendo confortável. Sentado em uma poltrona ao lado, a cabeça caída molemente contra o encosto e uma coberta e um livro aberto jogados sobre o colo, Potter se encontrava tão adormecido quanto o garoto.

Draco apreciou a cena por alguns minutos, atônito, então diminuiu a luz do ambiente, indo até a cama do filho. Com cuidado para não despertá-lo, removeu as cobertas de sob seu corpo e o cobriu. Sentou-se à beirada da cama e beijou sua testa devagar. Os olhos cinzentos se abriram, sonolentos, e um sorriso suave percorreu a face do garoto ao reconhecer o pai.

- Oi. – ele disse baixinho – Te esperei para jantar.

- Desculpe, eu não consegui voltar antes. Quer comer agora? – o garoto fez uma careta e indicou que não com a cabeça – Volte a dormir, meu anjo. Você está bem?

- Sim. O dia foi bom. O Harry é legal.

Draco piscou, espantado com aquela fala. "O dia foi bom"? "O Harry é legal"? Harry? Olhou para o homem adormecido mais à frente, mas quando voltou para questionar Scorpius, o filho já havia voltado a dormir. Deu a volta na cama em silêncio, indo até a poltrona. Devagar, tocou o ombro do homem, o balançando suavemente e chamando pelo seu nome.

Harry despertou com um gemido baixo que fez Draco rir e então passou a mão no rosto demoradamente antes de encará-lo, ainda desorientado.

- Vem, Potter. Faça silêncio.

Draco o conduziu até sua suíte, onde uma refeição farta já estava servida na mesa para dois perto da janela. Astoria gostava de tomar o café da manhã ali e o chá da tarde no jardim de inverno. O homem sentiu uma tristeza doce inundar seu peito com a lembrança e uma felicidade simples por somente ter uma companhia naquele momento.

- Quer comer, Harry? – perguntou, sentando-se à mesa e indicando a cadeira à frente para o moreno.

- Sim, obrigado. – ele disse baixo, e Draco conjurou mais um jogo de prato e talheres para que ele se servisse, notando como comia pouco.

- Deu tudo certo? – Harry perguntou vagamente, tirando o loiro de sua reflexão.

- Desculpe? - Draco perguntou confuso, sem saber ao que ele se referia.

- Você disse que ia ao Ministério e que voltava cedo, mas já são quase oito horas. Deu algo errado?

- Ah, não. Algumas complicações e imprevistos, mas tudo bem. E vocês, como ficaram?

- Bem. – Harry deu de ombros.

Draco pousou os talheres e afastou o prato, mais interessado na conversa do que na comida.

- Scorpius me disse isso também e faz tempo que ele não se sente "bem". Ele te chamou de Harry.

- Eu pedi, espero que não se importe. – o moreno o encarou – Aqueles "senhor Potter" estavam me deixando... ruim.

Draco sorriu. Ele deveria ter esperado aquela informalidade entre os dois, e isso era bem vindo.

- O que vocês fizeram? – perguntou, curioso sobre a evolução do filho.

- Ele me mostrou toda a casa, cômodo por cômodo, me contando histórias sobre a família. Isso levou a manhã inteira. – Harry riu, recebendo um sorriso incentivador do loiro em resposta – Almoçamos no jardim e passamos a tarde jogando xadrez. Ele quis te esperar para comer, então achei melhor que tomasse banho e viesse para o quarto, porque estava mais quente. Ele me pediu para ler e eu achei estranho, Scorpius não é mais tão criança. No fim, foi bom para nós dois, como você pôde ver.

Harry esperava por qualquer reação simpática àquele cotidiano simples, mas Draco estava sério e pensativo ao fim da sua narrativa. O moreno aguardou em silêncio, pensando se havia feito algo de errado, mas achou melhor esperar que o homem falasse quando lhe desse vontade, voltando a comer enquanto isso.

- Ele que quis comer nos jardins? – Draco perguntou depois de um tempo – No jardim de inverno? – Harry concordou com um gesto de cabeça – Astoria gostava de comer lá e Astoria lia para ele antes de dormir até quando ele foi para o colégio.

- Eu... agi mal? – Harry perguntou, incerto.

Draco o encarou, vendo insegurança infantil em seus olhos, e se lembrou das lembranças que havia visto na mente de Harry. Castigos sem ao menos saber por quê. E agora aquele homem assustado consolava seu filho como ele não havia conseguido fazer.

- Não, Harry. – ele disse, se sentindo mais cansado do que nunca – Eu só não entendo, mas isso definitivamente é bom.

- Eu queria conversar com ele, sabe, sobre a mãe. Mas não sabia se você aprovaria isso. Acho que seria bom você estar junto.

- Podemos fazer isso amanhã. – Draco concordou com a cabeça. Se Scorpius estava se abrindo com Harry, talvez desse certo.

Harry sorriu, concordando, e se ergueu da mesa.

- Acho que você quer descansar. Eu vou para o meu quarto. – ele se dirigiu à porta, se voltando antes de fechá-la – Draco... eu... Obrigado.

E o loiro não soube o que responder ao vê-lo sair.

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As mãos fortes e ásperas batiam suaves contra as costas do garoto, impulsionando seu corpo no ar. Os olhos verdes acompanhavam a trajetória do balanço, seu ranger úmido junto ao som do vento frio que lhe cortava os lábios. E então Scorpius voltava para seus braços e novo impulso se seguia.

Draco se escorou à árvore próxima, observando os dois por um momento. Scorpius sorria e fechava os olhos, sentindo o frio que fazia seu rosto corar enquanto o balanço subia, seus pés soltos no ar durante a decida, em uma liberdade inusitada.

Era bom vê-lo daquela forma. Dava vontade de sorrir e algo quente, que não tinha nada a ver com a xícara de café que segurava entre os dedos, se espalhava pelo peito de Draco.

- Pai! – o som doce da voz o tirou de sua reflexão e ele amparou o filho quando este abandonou o balanço para abraçá-lo.

- Bom dia. – o loiro sussurrou, sorrindo para o garoto, lhe oferecendo a xícara com chocolate quente e arrumando melhor as pesadas vestes sobre seus ombros – Me faz companhia enquanto tomo café?

O garoto concordou com a cabeça e Draco já ia se virar para retornar à mansão quando se lembrou de seu convidado. Potter agora sebalançava, de pé sobre a plataforma do balanço, os olhos verdes fechados contra o vento e os cabelos negros soltos no ar.

Por um momento, imagens daqueles olhos ferozes vieram à mente de Draco. O mesmo corpo esguio, agora mais alto, o peito mais largo, as mãos maiores do que aquelas que buscavam o pomo. Mas a mesma sensação de liberdade com o vento, seja sobre uma vassoura, seja sobre o balanço.

- Tudo bem? – Harry saltou ágil do banquinho para o chão e se aproximou dos dois.

- Sim. – Draco confirmou – Estava me lembrando de quando voávamos juntos. Você já montou uma vassoura desde que voltou?

- Não! – e o verde brilhava de excitação com a idéia fazendo Draco rir.

- Aposto que eu e Corp podemos te mostrar algumas coisinhas sobre a arte do vôo. – ele disse, sugerindo para o filho, que lhe sorriu de volta – Mas podemos fazer isso no pátio interno, depois do café, aqui está muito frio.

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- O dia foi bom. – Harry comentou, suspirando e se deixando cair na cama de Scorpius com os olhos fechados – Estou cansado.

- Sim. – Draco riu, sentando-se ao seu lado enquanto esperavam o garoto sair do banho – Gostou de voar?

O moreno confirmou com um gesto de cabeça e um sorriso sincero no rosto. Draco o observou mais atentamente, rindo ao rever as cenas do dia, de como Harry havia olhado com desconfiança quando dissera que era para sentar sobre a vassoura, e como toda a insegurança havia desaparecido com o primeiro vôo.

- Você voou pela primeira vez aos onze anos. – comentou, ganhando a atenção dos olhos verdes – Eu estava lá. – ele riu, revendo vagamente a discussão daquela aula há tantos anos – Acho que fui seu principal incentivador para se tornar o jogador de quadribol mais jovem do século. – comentou com malícia, mas Harry não tinha mais a percepção daquele tipo de ironia.

- Eu fui o jogador mais jovem do século? – perguntou, excitado com a idéia.

- Sim.

- Eu jogava bem?

- Você era um selvagem, Potter! – ambos riram até se perderem em silêncio novamente, cada um em suas próprias reflexões.

- Por que eu parei de voar? – Harry perguntou de forma quase reflexiva.

- Não sei se parou. Talvez você ainda voasse eventualmente com Weasley ou algo do tipo. Não sei. Mas não te vejo simplesmente abolindo isso da sua vida só porque se casou. É algo muito parte de você para sumir assim. – Harry concordou com um gesto de cabeça – Mas quanto a voar profissionalmente, eu não duvido que você tenha recebido convites, mas seria arriscado demais.

- É estranho. – Harry comentou vagamente.

- O que? – Draco perguntou quando Harry não completou o pensamento.

- Tudo. Ter algo tão meu, como você disse, que eu simplesmente não sabia que tinha. Eu sentia falta de voar, mas não conseguia definir falta do que era porque não me lembrava de ter voado antes. Assim como quando você me diz que seria arriscado, eu me sinto na obrigação de ter medo de algo que eu não sei exatamente porque temer.

- Então não tema. – Draco comentou depois de pensar por alguns segundos – Talvez seja essa uma parte boa de tudo isso. Você esqueceu coisas importantes para você, mas esqueceu também seus traumas, seus medos. Acredite, essa parte você não ia querer de volta.

Harry se voltou para olhá-lo e Draco fechou os olhos e deixou a cabeça pousar contra a cama. Ele não sabia o quanto o moreno poderia lê-lo sem saber sobre o que passou, mas aquilo era parte de sua história também, e ele não havia esquecido.

- Ei, a cama é minha! – a voz suave soou, fazendo os dois homens se voltarem para o garoto que saia do banheiro de pijamas e pantufas.

Harry se alojou na mesma poltrona da noite anterior e Draco se levantou para acomodar Scorpius, sentando-se ao lado dele depois.

- Leia para mim, Harry? – Scorpius pediu, os olhos claros já pesados de sono.

Harry trocou um olhar questionador com Draco, que se voltou para o filho.

- Se você quiser, eu posso ler para você também, meu anjo. Era só ter pedido. – ele disse baixo, acariciando os cabelos loiros do filho, e o garoto concordou com um aceno de cabeça. Mas quando Draco se ergueu para pegar um livro na estante ao lado, Harry fez um gesto para que voltasse a sentar.

- Seu pai pode ler para você toda noite, Corp, mas hoje eu quero te contar uma história. Pode ser?

O garoto concordou com um gesto e se acomodou no colo do pai quando Draco se sentou ao seu lado, acariciando seus cabelos. Harry ficou em silêncio por um tempo, como se pensando na melhor forma de começar a falar, e os olhos cinzas o analisaram demoradamente, sabendo que ele queria falar com Scorpius sobre a perda da mãe, mas sem conseguir imaginar como a criança de onze anos que estava sentada ali, na sua frente, em um corpo de homem, poderia fazer isso.

- Era uma vez um menino que vivia em um armário. – Harry começou devagar, falando baixo e olhando para os dois – Ele vivia na casa dos seus tios, porque seus pais haviam morrido há muito, muito tempo. Mas ele não sabia como ou por quê ou como eles eram ou se isso era verdade. Tudo o que ele sabia era que, por não ter pais, ele tinha que viver com os tios.

- Os tios dele eram maus? – Scorpius perguntou, curioso.

- Não eram maus. – Harry pensou um pouco – Mas também não eram bons. Eram o tipo de gente comum, do tipo que mais tem por aí. Eles não eram ruins, só que não gostavam do menino, então tratavam ele como algo desagradável, forçando ele a fazer trabalhos da casa e trancando ele sem comida no armário quando ele fazia algo de errado, mesmo que não fosse tão errado assim, só algo que eles não queriam que ele fizesse.

- Como o quê? – Corp parecia interessado pela história, mais desperto do que segundos atrás.

- Como sonhar com seus pais. – Harry sorriu com a expressão de surpresa no rosto do garoto – O menino tinha sonhos em que ouvia a voz de sua mãe e via uma explosão e escutava sons de moto e se via voando no céu. Quando ele cresceu, os sonhos ficaram mais reais, mais completos, e ele via seus pais brincando com ele e conversando. E via o homem invadindo sua casa e seu pai o enfrentando e sua mãe implorando e ele via os dois morrendo. – Harry parou sério e fechou os olhos por alguns segundos. Draco achou melhor interromper e tentava pensar em algo para dizer quando Harry continuou – Mas sempre quando ele acordava, ele desejava que aparecesse alguém, qualquer alguém, e tirasse ele dali. Que levasse ele embora para um lugar onde ele pudesse viver melhor do que com seus tios, um lugar que fosse uma casa, sua casa, e não somente um armário. Onde ele pudesse ser feliz.

- E apareceu alguém? – a voz de Scorpius era somente um sussurro ansioso e assustado.

- Sim. Apareceram várias pessoas. Algumas delas conseguiram tirar o menino da casa dos tios, outras conseguiram até dar a sensação de ter alguém que gostasse dele. E então ele cresceu, se casou e teve filhos...

- E foi feliz para sempre?

- Não. – Harry sorriu, triste – Ele saiu do armário, ele entendeu o que era ser pai, o que era ter alguém, mas ele ainda não encontrou um lugar para ser feliz.

- Ele não é feliz por que os pais dele nunca voltaram? – Scorpius perguntou em uma voz baixa e sentiu os braços de Draco o apertarem contra o peito.

- Não. Quando o menino cresceu, ele percebeu que os pais dele sempre estiveram ali. Era por causa do que sua mãe havia feito que sua tia ainda cuidava dele, e os amigos de seu pai o tratavam como um filho e morreram para protegê-lo, como seus pais haviam morrido. E quando ele passou pelo momento mais difícil, em que ele tinha certeza de que iria morrer, podia sentir seus pais andando do seu lado.

Harry suspirou e sorriu.

- Scorpius, eu sei que você está triste porque perdeu sua mãe. Mas ela sempre vai estar com você. Você sempre vai se lembrar dos olhos dela e da forma como ela te tocava, do perfume dela. As coisas que ela te dizia sempre vão ser importantes para você e você sempre vai se lembrar disso como algo a te guiar. Mas para isso, para que tudo o que ela fez por você seja válido, você precisa viver. Precisa curtir sua tristeza e sorrir, mesmo que seja de forma triste, se lembrando dela, e sair de casa e ir para a escola, e crescer e ensinar o que ela te ensinou para os seus filhos. Você vai sentir falta dela pelo resto da sua vida, não adianta esperar que isso simplesmente suma, não vai passar. A única coisa que você pode fazer é fechar os olhos e se lembrar dela e sentir ela do seu lado e continuar.

Uma lágrima correu dos olhos claros e Draco embalou o filho, beijando seu rosto.

- Eu estou aqui por você, Scorpius. – ele sussurrou.

- Você tem seu pai. – Harry continuou, sorrindo com a cena – Você tem a mim e a Albus e mais centenas de pessoas que te amam e não vão te deixar sozinho. Você não precisa ter medo. Você me entende?

O garoto concordou com a cabeça e passou os braços pelos ombros de Draco, escondendo o rosto contra seu peito, e chorou.

Pela última vez.

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Draco esperou que Harry passasse e encostou a porta do quarto de Scorpius algumas horas depois. Demorou para que o garoto adormecesse e mesmo depois ele ainda se permitiu ficar ali, somente o observando, até sentir seu próprio cansaço bater.

Harry permanecera em silêncio ao seu lado e agora, olhando para a face do moreno, via o quanto ele também parecia esgotado.

- Eu nunca imaginei que você visse seus pais dessa forma. – ele confessou, ganhando a atenção dos olhos verdes.

- O que você pensava? – Harry perguntou, curioso.

- Quando nós éramos crianças e ainda éramos rivais, eu me divertia com uma certa crueldade, pensando em você como Scorpius está agora, chorando pelos pais como uma criança assustada. Mas você sempre reagiu de uma forma meio... indiferente com relação a eles. Eles morreram quando você era um bebê, e acho que ver você nunca se referir a eles abertamente me fez pensar que não havia lembranças. Mesmo quando você ainda se lembrava. – se viu obrigado a acrescentar.

- Eu ainda me lembro dos sonhos. Não tão reais, somente luz verde e gritos vagos. Hermione me contou como tudo se tornou mais vívido com o tempo, que eu desmaiava ao enfrentar dementadores revivendo a morte dos meus pais. – os olhos de Draco se arregalaram e Harry sorriu, triste – Não precisa se assustar, todo o resto, minha morte, inclusive, foi só uma história que contaram para mim, assim como eu contei para o Scorpius.

- Harry...

- Talvez essa seja outra parte boa de se esquecer. – Harry suspirou – Acho que eu prefiro não ter lembranças deles do que me lembrar somente deles morrendo... Hermione me disse que eu me alimentei disso por anos, sabe? Pedaços de imagens e gritos e a agonia dos dois era tudo o que eu tinha. – os olhos verdes encararam Draco – Scorpius tem sorte de ter você.

Os olhos verdes queimavam em seu rosto e havia emoção demais naquela frase e Draco estava cansado demais de tudo aquilo para pensar exatamente o que significava. Ele somente puxou o outro pelos ombros e o abraçou, sussurrando um "obrigado" preso há tempo demais em sua garganta.

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O cansaço de Draco permitiu que ele dormisse por quatro horas um sono profundo e revigorante. Depois disso, seguiu-se um sonho contínuo, em que se misturavam cenas perdidas de Astoria morta sobre a cama, seus pais sendo presos, Lucius e Narcissa de mãos dadas sob a mesa enquanto Voldemort os ameaçava, Harry Potter capturando o pomo que tocara seus dedos uma fração de segundo antes no estádio lotado, uma sala em chamas e um cheiro familiar e, por fim, gritos no escuro. Gritos que podiam ser dele, de Potter, de Scorpius, de um estranho qualquer que ele acabara de torturar. Gritos que o acordaram de vez.

Draco se levantou e foi para o quarto de Scorpius, deitando ao seu lado e velando seu sono até amanhecer. Por vezes, seus olhos se prendiam na poltrona vazia do outro lado da cama, imaginando a figura que estivera sentada ali mais cedo.

Talvez a ausência de lembranças do terror tenha permitido que Potter dormisse melhor do que ele. Talvez ele soubesse lidar com tudo aquilo há mais tempo do que Draco imaginara e nada mais soasse como pesadelo depois do que passou na realidade. Talvez ter somente as lembranças de uma criança permitisse que ele dormisse como Scorpius, calmo e inocente.

Mas aquela postura que Harry teve com relação aos seus pais não era característica de uma criança. Talvez ele nunca tivesse sido, de fato, criança, para saber como reagir àquilo. Porém, ele rejeitava mesmo a postura que o Harry de onze anos tivera no passado: o Harry adulto, mesmo sem memória, não queria os pedaços de lembranças mórbidas de seus pais. E Draco acreditava que aquela mudança não se devia somente pelo fato de ele não se lembrar, mas talvez pelo fato de ele ter filhos, de ele ter a vivência com Scorpius e o que ele estava passando.

E isso era a postura de um Harry Potter adulto.

E talvez estivesse na hora de Draco fazer com que o próprio Harry percebesse isso.

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NA: Oi, pessoas.

Desculpe não ter postado semana passada, eu estava meio... alterada. Je T'aime refletiu em parte meu estado. Além disso, eu reli Ma Memórie Sale e, com a ajuda da Malu Chan, consegui perceber onde está o problema com o final dela, que estava me incomodando.

Bem, eu tenho o último capítulo escrito desde que comecei a postar a fic, mas vou reescrevê-lo. Estou postando esse capítulo hoje e não vou postar no próximo sábado porque é natal, nem no outro, porque é ano novo. Volto a postar o fim da fic dia 08 de janeiro. E provavelmente vai haver mais de um capítulo pendente então. Nesse meio tempo, vou refazer o fim.

Obrigada pela paciência e pelos comentários. Fico muito feliz que estejam curtindo a fic.

Desejo a todos muitos presentes, muitas felicidades, muita saúde e muita paz. E que 2011 seja FANTÁSTICO.

Beijos e até ano que vem o/