Ameaça

Respirei fundo ao abrir a porta da casa dos Black. Esperava ansiosamente que Billy não estivesse em casa para ouvir uma possível discussão e meus atendidos foram atendidos. Pude ver a porta do quarto de Jacob entreaberta e ouvi a sua respiração pesada. Entrei em seu quarto e ele não falou nada.

- Oi... - eu sussurrei, me aproximando cautelosamente.

O silêncio permaneceu. Ele estava sentado em sua cama, com a cabeça baixa e apoiada nas mãos. O seu corpo tremia violentamente e pude ouvir que ele estava reprimindo toda a sua raiva. Respirei fundo mais uma vez e decidi começar.

- Jake, eu acho que eu sei a razão de você estar assim. Mas-

- Como você tem coragem de explicar tudo o que você fez? – Ele me interrompeu, sussurrando baixo, a voz controlada.

- Olha, eu e Phillip não fizemos nada! Me ouça, por favor! – Eu implorei, aumentando o tom da minha voz.

Jacob se levantou em um rompante, pegando o celular que estava em cima do criado mudo. Ele discou alguma coisa e depois jogou o celular na minha mão. Na tela, estava uma foto minha e de Phillip se beijando, comigo embaixo dele e com os braços envolta de seu pescoço. É claro que o nojento havia forjado tudo aquilo enquanto eu dormia. Com a foto, uma mensagem: "Viu o que a sua namorada fez na sua ausência? Ela é uma ótima companheira de barraca."

Eu trinquei os dentes e grunhi baixinho. Jacob continuava em silêncio, na minha frente. Eu tentei o abraçar, mas ele se desviou do meu abraço bruscamente.

- Eu não sou nenhum idiota. – Ele grunhiu, a voz se tornando agressiva.

- Isso não é nada! Phillip me deu um sedativo e eu dormi a noite inteira!! Acredite em mim, Jacob!! – Eu gritei, lançando a história em um jato. Ele devia acreditar nas minhas palavras, mesmo que não quisesse ouvir. No mesmo instante, me lembrei de como fui intolerante com ele quando estávamos separados.

- É difícil de acreditar quando eu tenho uma foto, no meu celular, enviada por um panaca, que diz que a minha namorada é uma ótima companheira de barraca!! Você não percebe a gravidade da situação?!

- Deixe eu explicar do meu modo. – Eu murmurei, me aproximando de seu rosto e pousando a mão em sua testa. Ele quis desviar do meu toque, mas o segurei ali. Lhe mostrei as imagens da noite de ontem, começando pelo refrigerante que Phillip me ofereceu e que eu bebi, do sono imediato, da barraca em que eu entrei e da manhã seguinte, em que acordei em uma barraca desconhecida e vi a embalagem de sedativos. Foi tudo como um flashback, mas de forma diferente.

Jacob parou de tremer um pouco e continuou de olhos fechados. Eu o abracei, mas ele não envolveu os braços em mim, ao contrário, ficou como uma estátua. Eu me afastei e ele abriu os olhos lentamente, e me encarou. Eu o olhei nos olhos e pousei minhas mãos em suas bochechas.

- Você ainda não acredita em mim? – Eu sussurrei, magoada.

Jacob ficou parado um minuto, pensando. Depois, ele envolveu os braços em mim e eu o abracei novamente, soltando um suspiro de alívio, de que ele acreditara em mim, finalmente.

- Desculpe, Nessie. Eu nunca mais desconfiarei de você.

- Nunca é uma palavra forte e comprometedora. – Eu sussurrei, baixo.

Jacob beijou o alto de minha cabeça e eu inclinei meu rosto, procurando... Ele sabia o quê. Tocou os lábios levemente nos meus e os separou um pouco, de maneira que a ponta de nossas línguas se encontrasse.

- Obrigada. – Eu murmurei.

Ele se separou de mim e foi até a porta. Eu não sabia o que ele estava fazendo, então o puxei pelo braço.

- O que você vai fazer?

- Parece que eu preciso ter uma conversa com o seu companheiro de barraca. - Ele deu uma rápida piscadela para mim e eu imediatamente soltei o seu braço, satisfeita. Jacob saiu pela porta da sala e eu fui atrás dele, mas planejava voltar para casa. Eu não queria ter um castigo a mais no meu formulário.

Assim que passei pela porta de casa, meu pai estava ao meu lado. Eu suspirei e virei de lado, de maneira que pudesse encará-lo.

- Onde estão as suas coisas? – Ele perguntou, notando que eu estava somente com o casaco dobrado nos braços.

- Ah, é mesmo! – Eu falei, lembrando que deixei minha barraca e meus pertences na praia. Quando me lembrei da barraca, a história do luau veio na minha cabeça, quase como uma torneira aberta de supetão, e meu pai ergueu a sobrancelha, insatisfeito.

- Eu não acredito que você conseguiu se envolver em confusão em um simples luau de humanos. – Ele falou, incrédulo e irritado. Eu virei a cara e dei meia volta.

- Ei, onde você está indo? – Ele perguntou, segurando meu punho.

- Eu vou buscar as minhas coisas. – Eu respondi, tentando puxar o meu punho. Mas não consegui, porque meu pai é dez vezes mais forte que eu. Do nada, estavam todos ao meu lado, inclusive Jasper.

- Nessie só vai buscar as coisas dela, Edward, inclusive, eu vou junto. – Minha mãe falou.

Os vampiros ainda não tinham total liberdade para pisar em La Push, mas como minha mãe é de alguma forma mais ligada aos lobos, ela pode ir e vir. E este era o problema. Jacob se preocupava tanto com a minha segurança que de vez em quando fofocava com a minha mãe sobre mim.

Passamos o caminho inteiro em silêncio. Era agradável para nós duas podermos caminhar em paz, sem ninguém preenchendo o vazio. Pena que na volta, já com a minha barraca e uma sacola nos braços, a primeira pergunta de minha mãe foi:

- O que está havendo?

- Como assim? – Eu perguntei, fazendo de desentendida.

- Você sabe... Todos esses problemas com o tal... Phillip – ela fez uma careta ao dizer o nome – o que está provocando tudo isso?

- Mãe, eu não quero falar sobre isso.

Ela franziu o cenho e assentiu. Pude ver que ela estava perdida em seus pensamentos, como quase sempre estava, e eu não falei mais nada.


Tive o prazer de chegar à escola durante a manhã e ver Phillip descendo de seu carro, usando óculos escuros. Mordi o lábio para não explodir em gargalhadas e não ser vista como louca pelos outros alunos. Sasha olhava curiosamente para ele enquanto se juntava a mim.

- O que houve no acampamento? – Ela perguntou. Eu reprimi um gemido. Acho que eu seria o assunto daquela manhã, embora os óculos escuros do Phillip chamassem mais atenção.

- Bom, eu cai no golpe do "Boa noite Cinderela" e Phillip aproveitou para tirar uma com a minha cara. Ele mandou uma foto minha para o meu namorado, acredita? Ainda bem que o Jake acreditou em mim.

Sasha apenas assentiu, com os olhos arregalados de choque. Eu continuei andando, fingindo que não havia falado nada.

Na aula de Ed. Fisíca, no vestiário feminino, mais especificamente, ouvi duas garotas comentarem sobre alguma fofoca em particular:

- Um garoto esbarrou no Phillip, agora, no almoço, e os óculos dele caíram - a loira que contava o fato, reprimiu um riso.

- E aí, o que tanto ele escondia embaixo daqueles óculos? – perguntou uma ruiva de cabelos cacheados, com a curiosidade ardendo por trás da voz.

- Ele estava com um enorme olho roxo, inchado e esmagado. Os que viram caíram na gargalhada. O coitado não teve onde enfiar a cara. – murmurou a loira, rindo baixinho.

- Hmm... Quem será que bateu nele?

A loira olhou sugestivamente para mim. Desviei o olhar, com raiva, mas continuei ouvindo e me fingindo de morta. As duas não repararam que eu estava olhando.

- A Renesmee? – A ruiva sussurrou, mantendo o tom de voz baixo.

- Não! – A loira guinchou, já olhando em volta para se certificar que não estava sendo ouvida – Aquele namorado grandão dela, que mora em La Push... Como é mesmo o nome? Ah, Jacob Black.

O professor chamou as garotas para começar um jogo de vôlei. Eu suspirei alto, arrancando olhares para mim, inclusive da tal loira e a ruiva fofoqueira. Eu ignorei a todos e fui para a quadra.

O resto da manhã se arrastou diante de mim. E qual foi a minha surpresa ao ver Jake no estacionamento, encostado na lateral de sua moto? Eu sorri e ele devolveu um sorriso mais lindo ainda. Pude ver algumas garotas lançando olhares invejosos em Jacob, mas ele só tinha olhos para mim. E eu só tinha olhos para ele.

- Oi – eu murmurei, dando um selinho em seus lábios.

- Oi. E aí, como foi o seu dia?

- Bom... – depois me lembrei de Phillip – Adorei a conversa que você teve com o cidadão, sabe? Ele teve que usar óculos escuros em plena manhã nublada. – Eu ri.

- Foi bem feito para ele. Esse cara estava me tirando do sério. – Ele falou, e eu já estava colocando o capacete e envolvendo os braços em sua cintura.

Ao arrancar a moto, Jacob lançou um olhar sombrio a Phillip, que nos encarava do outro lado do estacionamento. Eu podia ver os seus olhos adendo de fúria mesmo atrás dos óculos e estremeci, sacudindo a cabeça e arrancando pensamentos nada simpáticos da minha mente.

Não me importei de parar em casa para fazer qualquer tipo de coisa. Jake acelerava feito um louco, e algumas vezes eu ria disso. Meu pai não podia nem sonhar que eu estava na garupa de uma moto a cem por hora, já a minha mãe era um pouco mais tolerante com relação a isso.

- Vamos estacionar a moto na minha garagem e depois correremos até a floresta, tudo bem? – Ele perguntou, enquanto entravamos no limite das terras quileutes.

- Claro, eu queria mesmo ver os garotos. – Eu respondi, mas na verdade eu queria dizer: "Claro, eu quero ver como Leah irá me receber."

Jake praticamente jogou a moto na garagem e depois pegou a minha mão, mas ao invés de me deixar correr com ele, ele me puxou e me colocou em suas costas. Fiquei um pouco irritada e tentei argumentar, mas ele me silenciou com um beijo e não consegui mais falar nada.

Pude ouvir a risada inconfundível de Seth ao longe, enquanto nos aproximávamos da floresta. Ele era o mais humorado da matilha e o que mais gostava da minha família, tornando ele o membro mais especial da matilha para mim.

- Ei, Nessie! Que bom te ver aqui! – Seth falou, me abraçando enquanto eu descia das costas de Jacob.

- Obrigada, Seth. É bom ver você também.

Sam se aproximou de mim e me deu um aperto de mão. Ele era cheio de formalidades e eu não gosto muito disso. Mas Sam é Sam.

- Olá, Renesmee.

- Oi, Sam. Mas pode me chamar de Nessie, certo? – Eu corrigi, dando um sorriso desajeitado. Ele retribuiu o sorriso e se afastou em um passo.

Depois os outros foram me abraçando, um abraço mais sufocante que o outro. Eu ri quando Paul me ergueu no ar e Jacob deu um soco no seu nariz por "quase me deixar cair".

Leah estava encostada em uma árvore, com os olhos encarando o chão. Eu suspirei e deixei aquilo tudo para lá. Ela realmente devia estar desesperada para que eu voltasse com Jacob, porque agora ela nem olha para a minha cara.

Mas eu estava enganada... Enquanto eu a analisava de longe, ela ergueu um pouco o rosto e seus lábios se repuxaram muito levemente nos cantos, a sugestão de um sorriso enquanto seus olhos encaravam os meus. Eu dei um leve sorriso e desviei o rosto, enquanto ela fazia o mesmo.

Eu e Jake passamos a tarde com os rapazes e Leah não deu sugestão de proximidade, mas também não me fuzilou com os olhos como ela fazia antes. O sorriso que ela exibiu para mim no início não se apresentou de novo, apesar das minhas inúmeras tentativas de conversa.

- Nessie, está ficando tarde. Vou te levar para casa, tudo bem? – Jacob sussurrou no meu ouvido, quando o céu escurecia.

- Tudo bem, eu preciso fazer algumas lições de casa para amanhã. – Eu respondi com uma careta ao me lembrar dos estudos.

Jacob riu e nos despedimos rapidamente de todos. Eu encostei a cabeça no ombro de Jacob quando subi em suas costas e em um instante estávamos na frente de minha casa. Eu devia ter cochilado no caminho e ele não deve ter se importado em pegar a moto.

Entrei em casa um pouco grogue e Jake me acompanhou até a sala. Como se fosse um fantasma, Alice apareceu do meu lado e deu um beijo em minha bochecha. Eu me sobressaltei com o movimento repentino e esqueci de me despedir de Jacob, já com Alice me rebocando para o quarto.

- Parece que você nunca dorme. Mal chegam às nove horas e você já esta desmaiando pelos cantos de casa ou encostada no ombro de um lobisomem. – Alice riu.

Eu sorri e sentei na cama. Nossa, eu já estava no meu quarto? Devia ser o efeito do sono. Mas eu não podia dormir, afinal, precisava de um banho e terminar os meus deveres da escola.

Alice estava se virando para sair do quarto quando segurei sua mão.

- Espere – eu murmurei, e ela se virou para mim – Onde estão minha mãe e meu pai?

- No chalé. Tinha mais graça quando sua mãe era humana, você tinha que ver! Ela falava cada coisa quando estava dormindo. E você é uma cópia original dela.– Ela respondeu, rindo.

- Há-há-há, muito engraçado, Alice. E você ainda se presta a ouvir o que eu falo durante a noite. – Eu murmurei, levantando da cama e retirando uma toalha de dentro do guarda-roupa.

- É bem divertido! O que você não fala quando está consciente, solta quando está inconsciente. – Ela falou,mordendo o lábio inferior e se contendo ao máximo para não rir.

- Alice Cullen!! Saia do meu quarto imediatamente!! – Eu não gritei, mas estava falando sério. Eu a empurrei e ela já estava saindo, dessa vez soltando o seu riso de sinos.

Me despi e entrei no banheiro do meu quarto, ligando o chuveiro na água quente. Fiquei ali pelo menos uma meia hora até expulsar o sono e ativar o cérebro.

Quando me sequei e coloquei roupas confortáveis, me preparei para fazer a lição de casa, mas o meu celular tocou imediatamente e o número no visor era desconhecido. Eu atendi mesmo assim.

- Alô?

- Oi, Renesmee. Sua voz é ainda mais agradável no telefone, sabia?

Trinquei os dentes ao reconhecer a voz.

- O que você quer, seu verme? Queria agradecer ao Jake pelo belo olho roxo? Desculpe, ele não está comigo agora.

- Na verdade, não. Mas eu fiquei bonitão de óculos escuros, não é? Deveria fazer mais dias de sol aqui em Forks para eu ter chances de usar meus óculos novos.

- Ah, é claro, você ficou tão bonito que as garotas estavam tirando sarro da sua cara na Educação Física. – Eu rebati.

Ele ficou em silêncio por alguns segundos e quando fui apertar o botão para encerrar a chamada ouvi sua voz no celular.

- Elas estão com inveja de não ter um namorado como eu, é claro. Mas não foi por isso que eu liguei.

- Ah, é mesmo? Conte-me.

- Bom, pra começar, seu namoradinho vai pagar muito caro por isso. E segundo, bom, cuide-se quando andar na rua. Alguém pode pular de uma esquina e gritar "Buuu" pra você. Mas, no meu, caso, vou fazer outra coisa além de gritar "Buuu", você sabe. – Pude ouvir o cinismo na sua voz. Minha vontade foi de jogar o celular longe, mas o coitado não tinha culpa.

- Idiota.

- E terceiro, o mais importante: Sua relação com o "garoto-de-La-Push-cujo-nunca-me-lembro-o-nome" está por um fio, Renesmee. Pense nisso.

- Arghh!! Eu odeio você, Phillip Mark!! – Eu grunhi, entre dentes. Ele estava me irritando, e muito.

- Boa noite e durma bem. – Ele falou, a voz tranqüila e logo em seguida desligou o celular.

Fiquei paralisada. A raiva dominou minha cabeça e tive que me sentar para clarear minhas idéias. Desisti de fazer as lições, amanhã eu acordaria mais cedo para completá-las. O resquício de sono que eu ainda tinha evaporou em um segundo e eu me deitei na cama, colocando os fones de ouvido e ligando o Ipod, sem saber que música estava tocando.

Passei a noite remoendo as palavras de Phillip. Um garoto insignificante, idiota e que quer me separar da essência da minha vida. Bom, veremos.


OMG!

Empolgada com a fic, fato! Tô adorando escrever isso aqui! Quando comecei, pensei em terminar lá pelo chap 10, mas o 10 é esse aqui e confesso q estamos arrecém no meio do fic! Hahshahs, por favoor, me aturem por pelo menos mais 10 chaps! Hahshahs

Respondendo as reviews, amores:

SophiaCullenBlack: Foi só um soco, mas fez o Phillip andar de óculos escuros, fato ahashashaush Vou atender o seu pedido mais pro final da fic, certo? Beijos e continue mandando reviews!

ChunLi Weasley Malfoy: Ódio²!! Acho q agora vc jah sabe, neah? Ahshahsahhshs Talvez incinerem ele lah pelo chap 16, mas isso vc vê mais tarde ahshahsh oh god! Continua mandando suas reviews, adoroo elas *---*

Lunara Tonks Lupin: Bom, nessa chap o Jacob deu um soco no Phillip, então isso deve ser melhor q o tapa da Nessie ahshahsh Fato! Obrigada pela review, amore! Bijiinhus

Ariii: Tah aqui a continuação! Tomara q vc tenha gostado OMG eu acho q ficou legal ahshahsha bjinhus!