Disclaimer: Rurouni Kenshin não me pertence, não tenho intenção de lucrar com a obra de Watsuki sensei, somente estou me divertindo, contando essa estória que os personagens não viveriam no manga ou anime.

Reminiscências

Capitulo 10 "Preciso mentir para você"

Katsutoshi caminhou para longe, satisfeito pelo sucesso de seu joguinho mental. Brincar com Kaoru sempre foi tão divertido. A essa altura o céu estava normal novamente. A explosão de cores das borboletas e das flores enfeitou mais uma vez as margens do riacho. Shima não estava mais na outra borda, ninguém estava mais na outra borda.

Palavras desordenadas saíram da boca de Kaoru, assim que a realidade de que pessoas próximas poderiam ser atingidas pela loucura de Katsutoshi atingiu seu cérebro. "Ele está morto...ele...Possui o corpo de outra pessoa?" .../...Tae precisa me ouvir, ela precisa ficar longe desse homem.../...

Kaoru se levantou rapidamente, impetuosamente começou a correr em direção ao Akabeko. "Eu não sei o que fazer, nunca lidei com isso...PAI, me ajude...Otousan…Shima, me ajude." Após uma corrida desenfreada que não durou mais de dez muitos, ela adentrou o Akabeko ainda recuperando o fôlego, procurou por Tae com os olhos, assim que a avistou puxou pelo braço para cozinha do restaurante. A dona do restaurante protestou.

"Kaoru, qual é o problema agora? Por que está toda molhada?" Tae a encarou de um jeito estranho. A última conversa entre as duas não tinha terminado de um jeito agradável.

"Isso não importa agora!!! Tae me escute" Kaoru tinha urgência em sua voz. "Esse Yamazato não é quem você pensa que é."

"De novo?" Tae puxou o braço que Kaoru segurava."Não, ESSE Yamazato é o homem mais gentil que eu já conheci, e vamos nos casar." A dona do restaurante fez um sinal com a mão pedindo para que Kaoru parasse. Depois cruzou os braços em protestando.

"Tae, me ouça" Kaoru estava a um ponto de implorar."Eu sou sua amiga, você precisa confiar em mim."

"Kaoru você esta sendo hipócrita.Se fosse minha amiga me apoiaria." Tae soltou os braços.

Um momento de silencio entre elas, e puderam escutar o som de alguma comida fritando. Kaoru respirou fundo, estava perdendo a paciência.

"Agora. Nesse exato momento. Eu não me importo com o que você pensa de mim. Quer me odiar? Ótimo." Uma pausa. "Mas Yamazato na verdade está possuído pelo espírito de Katsutoshi, você sabe bem de quem estou falando. Eu sei que você tem escutado historias de crianças desaparecendo e sendo mortas por todo Japão.O espírito de Katsutoshi está brincando com os seus sentimentos para me atingir!!!" Kaoru tinha um dedo apontado para Tae. "Hoje eu tive certeza disso. Você precisa abrir os olhos e me ajudar a detê-lo...eu não quero te que ir ao funeral de ninguém"

Tae riu histericamente. "Você perdeu a noção da realidade. Eu sabia que toda a tragédia de Mishima tinha mexido com a sua cabeça. Fantasmas, possessões, o que falta, hein? Kami-sama, você não esta normal, Kaoru." Ela fez sinal com o dedo, indicando que Kaoru estava louca.

"Tae." Kaoru fechou os olhos.

"Nossa, imagino só a felicidade de seu pai quando VOCÊ convidou um hitokiri pra morar na sua casa. Mesmo depois de tudo que aconteceu quando ele trouxe Katsutoshi pro dojo. Viu, quando eu falo que você é uma hipócrita, eu não estou brincando." Tae movimentou-se para a porta da cozinha, e apontou para a saída. "Kaoru você não mais bem vinda aqui, e por favor procure um médico."

"Eu me pergunto o quanto você conhece desse Yamazato. Hã?" Kaoru estava magoada, Tae foi extremamente cruel mencionando a memória de seu pai. "Eu já estou indo, só quero pegar Yahiko. Sei que ele veio pra cá trazer Tsubame, e que ele deveria esperar aqui por Kenshin."

Tae encolheu os ombros duas vezes. "Ele está lá atrás com Tsubame, parece que ALGUÉM teve um chilique e expulsou as crianças do dojo hoje. Francamente Kaoru."

Nesse momento, Kenshin finalmente chegou, ele veio ao encontro de Kaoru assim que sentiu sua presença dentro do restaurante. O espadachim então percebeu a feição desapontada e irritada dela. Sem perguntar , ele fez gestos 'o que foi?'com as mãos . Ela só balançou a cabeça. O ruivo virou-se então para Tae.

"Boa tarde senhorita Tae, desculpe minha indelicadeza." Ela respondeu secamente. "Boa tarde, Kenshin."

O espadachim percebeu que o clima não estava bem entre as duas, preferiu não interfirir. Mudou de assunto quando percebeu algo estranho em Kaoru. "Por que esta com a roupa molhada, senhorita Kaoru?"

"Não foi nada, já estou praticamente seca. Vamos pegar o Yahiko e ir embora por favor." Kaoru pisou no quintal que ficava atrás do restaurante.

"Yahiko? Vamos embora." Ela gritou, só então percebeu um corpo caído ao lado do forno à lenha.

"TSUBAME" Kaoru, Kenshin e Tae correram para acudir a menina. Ela abriu os olhos, colocou a mão na cabeça, um calombo roxo formou-se na testa. Kaoru então perdeu a cor de seu rosto ao olhar para o lado. Sua boca aberta em choque. Ela agarrou o braço de Kenshin pedindo pra ele também olhasse. Ao lado de Tsubame, a shinai de Yahiko, quebrada, e com manchas de sangue.

"YAHIKOOOOOO" Kaoru gritou, virou a cabeça para os lados procurando pelo menino.

Tae trouxe um copo com água para Tsubame, que chorava assustada. Kaoru caminhava impacientemente de um lado para outro, enquanto a garota se recuperava do desmaio. Segundos pareciam horas.

Kaoru olhou para Tae com repreensão e raiva. Nenhuma palavra foi proferida, porém Tae já dava sinais de arrependimento.

Tsubame tirou a mão da testa, agora estava totalmente alerta.

"Senhorita Tsubame, por favor, o que aconteceu?" Ajoelhado, Kenshin tentava transmitir a voz mais calma possível, mas a demora também o estava irritando.

"Eu e o Yahiko estávamos conversando sobre...Kaoru-san e o que aconteceu hoje no dojo." Tsubame olhou magoada para Kaoru, mas continuou. "então... senhor Yamazato apareceu de repente, nós estávamos sentados aqui, e ele ofereceu doces. Yahiko não se fez de rogado, e..." A menina fechou os olhos. " Foi tão rápido. Yamazato agarrou o cabelo de Yahiko, e bateu a cabeça dele no forno a lenha. Yahiko não teve tempo de reagir, ele não esperava...Eu, eu paralisei. Quando ia gritar, Yamazato me deu um soco, cai. Só me lembro de vocês me acordando."

Kenshin se levantou, um raio feroz passou por seus olhos.

" Ya...ma...za...to" Tae escorregou em seus joelhos. Um homem tão gentil, que lhe regalou flores de manhã cedo.../... não é possível.../...

Kaoru tirou as sandálias e as jogou para longe, descalça seria mais veloz. Ela passou freneticamente pelo restaurante, derrubou as bandejas que as garçonetes levavam para os clientes, causando uma enorme confusão no restaurante.

"Kaoru" Kenshin a chamou, mesmo assim ela não parou, não olhou para trás. O espadachim perguntou rapidamente para Tsubame e Tae.

"Esse homem disse alguma? Aonde ele pode ter levado Yahiko?" Nenhuma das duas respondeu.../...inútil, as duas estão em estado de choque.../... Kenshin não esperou mais, ele passou a correr atrás de Kaoru. Em um ritmo tão intenso quanto dela, mas Kaoru estava sobrecarregada de adrenalina, ela se distanciou rapidamente.

Kaoru escancarou as portas do silencioso dojo Kamiya bruscamente, nunca em sua vida havia corrido tão rápido. Seu corpo exigia oxigênio, ela se apoiou na pilastra da entrada retomando o fôlego. Sanosuke estava sentado sozinho na varanda, sua cabeça abaixada. A jovem teve a impressão que ele estivesse cochilando.

Ao se dar conta da presença da jovem mestra, o lutador sorriu, a franja encobrindo seus olhos.

"Jou-chan?" Ele então balançou a cadeira de rodas pra frente e para trás duas vezes. A voz rouca e masculina lhe chamou a atenção. Olhos chocolates e azuis se encontraram. "Sano, você não tem idéia do que..." Ainda um pouco sem fôlego e com o coração acelerado, ela começou a caminhar em direção da varanda.

"Hum, tenho sim...Então, gostou da surpresa?" Um sorriso estranho no canto do lábio do lutador, fez com que Kaoru parasse.

"Que surpresa Sanosuke?" As palavras saíram desconfiadas da boca de Kaoru. Os olhos azuis se espantaram com a cena que se seguiu.

Sanosuke se levantou.

Sozinho, firme de pé. Rapidamente, ele chutou a cadeira de rodas, que rolou finalmente caindo no quintal. "Eu já te disse. Aprendi novos ´truques´ no lugar onde estava.". Um sorriso um tanto perverso estampou o rosto do seu amigo.

Tudo começou a fazer sentindo, ela sentiu a mão tremer. Ela sentiu o corpo todo tremer.

O lutador passou então a descer os degraus da escada, firmemente, sem cambalear.

"Sano..suke." Instintivamente Kaoru deu dois passos para trás,o tempo parecia estar passando em ritmo lento. Kaoru engoliu seco.

"Sanosuke?" Ele gargalhou. "Seu amigo não está no momento, deixe recado, ele retorna assim que possível."

"Katsutoshi?" Kaoru balançou a cabeça realmente irritada. Ela quis correr, mas Sanosuke foi mais rápido, ele agarrou seu cabelo dolorosamente, então a virou, para que ficassem cara a cara.

"É bem mais fácil manipular as marionetes quando estão assustadas, frustradas, infelizes. Sabe, Sanosuke aqui implorava por um pouco de ação." Sanosuke estava a alguns centímetros de Kaoru. Ela podia sentir a respiração quente do seu amigo, mesmo assim estava congelada.

"Difícil odiar quando se trata de alguém que você tem tanto carinho, não é?" Ele levantou a mão, e tratou de acariciar as mechas do longo cabelo negro. A mão de Sanosuke era do tamanho de sua face, ele conseguia segurar os dois lados do rosto dela sem problemas como uma só mão "Tão bonita." Os dedos apertaram firmemente suas bochechas.

Instintivamente as mãos de Kaoru voaram para o pulso do lutador, obviamente ele era forte demais, Ela não conseguia nem ao menos machucá-lo com suas unhas, mesmo assim gritou "VOCÊ É DETESTAVEL, PARE DE ME ATORMENTAR." Em seu peito um turbilhão de sentimentos contraditórios, a cena toda estava tão errada. Era uma tortura, primeiro seu irmão, agora seus amigos. Por que?

"Deixe Sanosuke em paz, deixei Yahiko em paz...por favor. Se é a mim que você quer...Meus amigos não tem culpa." Uma lagrima escorreu do rosto dela, depois fechou os olhos fortemente.

Kenshin entrou no dojo. Na sua frente uma cena inusitada. Sanosuke e Kaoru, a centímetros um do outro. Sano de pé, sua mão segurando o rosto de Kaoru. Em qualquer outra circunstancia ficaria feliz pelo amigo ter se recuperado, mas as mãos de Sanosuke nela , e o sussurro de palavras tão perto da jovem mestra, fizeram com que olhos dourados brilhassem.

"Sanosuke" O ruivo disse baixinho entre os dentes. Sano estava inclinando-se perigosamente pra perto de Kaoru. Ele percebeu lagrimas escorrendo pelo rosto da jovem.

"SANOSUKE" Kenshin gritou. Mas não foi o bastante para quebrar o contato entre os dois.

"Tsc, o assassino chegou. Venha me encontrar sozinha, e eu deixo o garoto ir. Acho um pouco tarde para ´salvá-lo´, mas você sabe... Se me ignorar que posso achar que nunca é tarde para tentar." Sanosuke cheirou o pescoço de Kaoru e sussurrou no ouvido. "Eu estou te esperando, você sabe aonde, no seu lugar preferido na floresta. É bom que venha sozinha, ou eu juro que faço a vida dos seus amigos um inferno. E ainda mando esse assassino pro mundo dos pesadelos, e ele nunca mais vai sair de lá." Com um movimento rápido, Sano apertou dolorosamente as bochechas de Kaoru e a trouxe para um beijo rápido e violento. Logo depois empurrou a jovem mestra para longe, fazendo com que ela perdesse o equilíbrio e caísse no meio do quintal.

"SANOSUKEEE" Kenshin perdeu o controle, ele gritou raivosamente o nome do amigo enquanto sacava a espada, antes que pudesse desferir qualquer golpe, Sano já estava caído inconsciente .

Kaoru ainda no chão, lutava para se recuperar do choque. Ela gritou o nome de Kenshin, pedindo para que ele parasse. Os olhos dourados estavam furiosos. A shihandai engatinhou para perto do corpo inconsciente do amigo, e gaguejou algumas vezes antes de começar a explicar. "Não era o Sano, não era ele...Era Katsutoshi." A jovem se ajoelhou ao lado do amigo, e passou a dar alguns tapas no rosto dele, afim de acordá-lo.

"O QUE?" Kenshin se surpreendeu, os olhos dourados ainda brilhavam de um jeito frio que fazia Kaoru tremer por dentro.

"Sim, e não é Yamazato também. De alguma forma Katsutoshi voltou do inferno, do mundo dos mortos, ou sei lá onde ele estava. E agora está usando as pessoas para cometer crimes. E agora ele está com Yahiko e está usando meus amigos...". Kaoru desviou o olhar.

Sanosuke finalmente acordou. "Jou-chan? Kenshin? Que diabos estou fazendo no chão? Eu estava dormindo lá dentro, e como vim parar aqui?" Sanosuke completamente perdido.

"Viu" Kaoru disse triste para Kenshin. "É minha culpa."

O lutador levou a mão a cabeça. "que dor de cabeça dos infernos." Sentiu o corpo pesado, como se tivesse tomado uma surra homérica.

"Literalmente do inferno." Kaoru suspirou. "Sano. Você está bem agora?"

"Sim, mas eu não entendo." Ele respondeu ainda um pouco atordoado.

Kaoru levantou-se sem responder, rapidamente foi para seu quarto. Sua cabeça ainda assimilando as ameaças de Katsutoshi. Kenshin passou então a ajudar Sanosuke a se levantar, depois o sentou no degrau da escada. O lutador conseguiu caminhar novamente e isso o deixou feliz.

"Cara, que sonho estranho! Parece que eu bebi saque muito ruim. Mas pelo menos estou andando de novo." O jovem sorriu, mas seu sorriso morreu com o olhar que Kenshin lhe aplicava.

"Fico feliz, mas Sanosuke, se você chegar tão perto da Kaoru de novo. Eu juro que..." Olhos dourados.

"EHHH, tá louco? Eu e Jou-chan? Tá todo nervosinho, eu não fiz nada...Acho." Sanosuke ficou tentando lembrar do que aconteceu, mas sua cabeça parecia que explodiria como uma das bombas que seu amigo fabricava. Kenshin não respondeu, colocou a cadeira de rodas novamente na varanda, "Sanosuke, logo senhorita Megumi chega e te ajuda a ir para seu o quarto. Eu tenho um problema pra resolver agora."

O espadachim deu uma última olhada para Sanosuke, que fez o jovem lutador extremamente desconfortável.

"Tá bom, tá bom" Sano acenou com a cabeça .../...que papo é esse de "eu" pra lá, "eu" pra cá...Atacou o Battousai nele? Que sinistro.../...

Kaoru revirava as gavetas do seu quarto, ela jogava as roupas para fora, e do jeito que caiam, ficavam. "Não está aqui, mas que droga." Ela estava extremamente irritada. Katsutoshi era um demônio, usando seus amigos contra ela, ameaçando-os. Ela nem percebeu a presença de Kenshin parado na porta do quarto.

"AONDE ESTAS AS MALDITAS BALAS?" Ela gritou antes de enfiar o rosto entre as duas mãos. A arma que ficava guardada no dojo caiu do seu colo. Ela queria se enfiar em um poço e nunca mais sair.../...mas que pensamento inútil, quando foi que se tornou uma covarde?...e arma? O que diabos eu vou fazer com uma arma? Armas não matam espíritos, e eu nunca conseguiria atirar em alguém mesmo.../... Ela balançou a cabeça, colocando os pensamentos no lugar. Kaoru se deu conta da presença do espadachim em seu quarto.

Com a voz embargada, ela começou a se explicar... "ah...o que eu já desconfiava... estamos lidando com o espírito de Katsutoshi..." .../...Droga, e eu ainda preciso ir encontrá-lo. Sozinha.../...

"Kenshin, nunca pensei que fosse se quer pensar em usar ´isso´. Mas é ridículo. Não estamos lidando com algo do tipo ´Hei, dê com a espada nele que funciona, ou dê um tiro nele, e ele morre´." Kaoru sorriu tristemente, e apontou para a arma em seu colo. "Não é tão fácil assim, não é. Eu realmente pensei na possibilidade de...mais..."

"Kaoru?" Kenshin exclamou realmente surpreso. Kaoru percebeu que seus olhos ainda estavam diferentes. Ele tinha abandonado o "senhorita" e "este servo", as atitudes porém não eram extremas, nem totalmente Battousai, nem Andarilho.

Ela se levantou e apoiou o corpo no móvel. "Quando eu deixei o Akabeko vim atrás dessa pistola. Nem sei o que essa arma está fazendo aqui, nem sei se ainda funciona...Está guardada no dojo há séculos," uma pausa "mas, quando eu vi Katsutoshi em Sanosuke percebi que é inútil. Esse maldito é um espírito, se eu matar Yamazato, ele vai pular em outro...e em outro...e em outro. Pessoas inocentes iriam morrer por causa dele, mais do que já morreram."

"Kami-sama, a idéia de você desejar a morte de alguém, me dá calafrios.E como se o mundo realmente tivesse virado de cabeça pra baixo." Kenshin caminhou para perto e a abraçou, assim como fez naquela noite de vaga-lumes. Kaoru relaxou o corpo, era tão fácil se perder no momento. Ficaram assim um minuto, sem dizer uma palavra. Até que a realidade da situação caiu como um tijolo sobre seus ombros. "Yahiko precisa de ajuda."

"Sim, sim, eu sei" Kenshin beijou o cabelo dela, inalando o gostoso perfume de jasmim. Então se separaram. Os dois sentiram falta daquele calor, mas ninguém comentou nada.

"Kenshin, você nunca lidou com isso? Digo, com esse tipo de situação?" o ruivo escutou a jovem mestra perguntando, sua voz bem mais calma. Kenshin ponderou, e começou a procurar referencias em sua própria memória.

"Na época em que era Hitokiri ocorriam vários encontros sobrenaturais sim. Principalmente à noite, quando tinha que ficar madrugadas de vigília pra cometer os assassinatos. Às vezes as aparições me confundiam com inimigos, mas nunca tive um contato imediato. Toda a cidade emanava uma energia bem mais sombria do que hoje em dia, vultos passavam pelas ruas de Kyoto com freqüência absurda, não saberia te dizer se eram vivos ou mortos... O que está acontecendo aqui, tomou uma proporção totalmente diferente porque ele quer atingir exclusivamente você." Os peculiares olhos dourados penetravam firmemente os azuis.

"O que eu devo fazer? Eu não tenho idéia. Se ao menos Shima pudesse me dissesse" Kaoru lançou os braços para o lado.

"Mestre Hiko Seijuurou tinha um livro antigo." Ele encostou as costas na parede do quarto.

"Livro?" Kaoru interessou-se. Ela quebrou o contato visual se abaixando para recolher as roupas.

"Sim, comecei a ler mas fiquei com medo." Kenshin sorriu nostalgicamente. "Ele disse que eu era baka demais para entender esse mundo, que diria o outro."

"Francamente Kenshin." Kaoru olhou incrédula.

"Era só um menino, mas lembro de ler algumas partes que falavam sobre como acalmar a fúria de um demônio, ou espírito vingativo. Comecei a lembrar desse livro na noite da tempestade que te encontrei no dojo. Tinha uma parte que falava que para anular a energia de espírito revoltado nesse mundo, era preciso jogar sal e queimar seus restos mortais. Mas eu não tenho certeza se é lenda ou se funciona." Kenshin parou de falar ao escutar a voz de Kaoru.

"Restos mortais? Desculpe, mas eu preciso dizer,...QUE NOJO." Ajoelhada, passou a colocar as roupas de novo na gaveta com impaciência. "Ficção ou não, pode dar certo.E nós vamos tentar isso."

"Aonde Katsutoshi foi enterrado?" Kenshin sentou-se no chão, ajudando com algumas peças de roupa.

"Osaka" Ela disse desapontada, lembrando desse pequeno detalhe. "Oh, não."

"Osaka? Não me diga isso." Ele xingou por dentro. Masaka.

"Droga...e eu não lembro exatamente aonde no cemitério ele está enterrado. Kenshin, esse era um assunto proibido dentro de casa, eu não soube dos detalhes até atingir uma certa idade, eu mesma nunca fui para Osaka... De qualquer forma são cinco horas de trem. E ainda tem que procurar a cova. A cova de uma pessoa que morreu há dez anos atrás". Kaoru se irritou, pegou todas as roupas de uma vez só em monte, socou dentro da gaveta, depois deu um chute, sem sucesso, pois a gaveta não fechou. Ela finalmente desistiu. "Quando isso terminar você vai arrumar meu quarto pra mim." Kaoru ordenou, depois passou a mão na testa frustrada.

"ORO"

"Mas antes VOCÊ vai para Osaka. Pegue o trem das dezoito horas, acredito que até a meia noite tudo estará resolvido. Deve haver alguém no cemitério para te informar quem está enterrado aonde. Nem que você tenha que acordar o coveiro, tenho certeza que vai dar certo."

"Não Kaoru." O espadachim que estava ainda abaixado se levantou. Kaoru surpreende-se. "Você acha mesmo que vou te deixar sozinha? Com esse espírito psicopata assassino querendo te pegar? Fora de cogitação."

"Eu não quero discutir com você novamente. Kenshin, você já conhece a cidade. Eu preciso que faça isso por mim. Você vai. Como eu disse você já conhece Osaka, se pegar o trem das dezoito horas, meia noite tudo isso estará resolvido". Kaoru, pegou um vaso, colocou a mão dentro e tirou algumas notas de dinheiro e moedas. "Aqui eu tenho mais do que o suficiente pra ida e pra volta". Ela entregou o dinheiro Kenshin. "Precisamos de pá, sal, e de combustível, e..." A jovem se movimentava de um lado para outro coordenando os pensamentos, até que Kenshin finalmente perguntou o que ela acreditava que ele havia esquecido de perguntar. O que ela não queria que perguntasse.

"O que Sanosuke te disse quando estavam sussurrando um para outro?" Kaoru foi pega de surpresa.../...Droga.../...

"Nada" Ela disse sem pestanejar.

"Você está mentindo. Está tramando algo?" Kenshin chegou mais perto, como se quisesse ler os pensamentos da jovem através de seus olhos.

"Eu...eu..." Ela gaguejou até conseguir ser convincente o suficiente.

"Mesmo que eu tivesse tramando alguma coisa, enquanto nós estamos aqui discutindo, Yahiko está lá com aquele demônio, só Deus sabe o que ele pode estar fazendo com o menino agora. Por favor, você precisa ir. Sanosuke está começando a caminhar agora, e mesmo que ele conseguisse, não saberia andar pelas ruas de Osaka, e ainda tem que procurar a cova...Kenshin...anda logo, ou vai perder o trem das dezoito." Ela implorou

"Certo, mas você tem que me prometer que vai ficar aqui esperando até que eu volte. Vou fazer de tudo para ir lá e resolver o problema, e chegar aqui amanhã cedo." Mesmo contrariado, o espadachim concordou. "E dessa vez eu falo serio Kaoru Kamiya, não deixe esse dojo, por hipótese nenhuma."

Kenshin chegou mais perto dela. "Eu..." Kaoru sentiu a respiração quente dele, seu coração começou a bater mais forte no peito, era como se ela pudesse escutá-lo em seus ouvidos. Seu sangue ferveu, e era recíproco. Ela soltou um suspiro surpreso quando sentiu os lábios quentes dele nos seus. Ele a arrebatou em uma fração de segundos. Instintivamente a jovem abriu os lábios dando acesso a um beijo mais profundo. Kaoru amoleceu. Os braços de Kenshin a agarraram firmemente, as mãos dele em sua coluna lombar, o beijo esquentava seu corpo por dentro.

Com a mesma paixão que o beijo veio, ele se foi. Kaoru ficou sozinha no quarto com a mão no peito, e coração batendo ensandecido "Hã?"

Kenshin tinha partido para Osaka novamente.

E assim que anoitecesse, Kaoru partiria para a mesma floresta aonde Shima foi assassinado.../...seu lugar preferido...Maldito Katsutoshi, essa noite tudo acaba.../... As palavras de Katsutoshi na voz de Sanosuke vieram na sua cabeça para quebrar o momento mágico que havia vivido

.../...Desculpe Kenshin, mas se nosso plano não der certo, eu preciso estar lá por Yahiko, e você precisa estar longe de mim. Não quero que sua alma se perca para sempre em um pesadelo sem fim por minha culpa, e não posso ficar aqui esperando enquanto Yahiko está sofrendo por minha culpa...que Shima me acompanhe.../... Assim que anoitecer...

Kenshin estava longe do dojo, ele ainda podia sentir o gosto de Kaoru em sua boca, ela era doce e apaixonada. Ela esquentava seu corpo, fazia com que seu lado mais selvagem quisesse sair pra fora com excitação. O beijo foi uma ação não programada, mas foi impossível resistir. Os lábios vermelhos dela pediam pra serem beijados.

.../... O momento está chegando, ela será minha.../... Ele refletiu possessivamente.

Por hora o espadachim se aproximava rapidamente da estação de policia, a estação de trem ficava do lado da cidade, ele teria que contar com a ajuda do policial Kobayashi. O policial não se negaria a ajudá-los, indo até Osaka incendiar os restos mortais de Katsutoshi. Era ruim mentir para Kaoru, mas ele foi um hitokiri excepcional pela habilidade de ler as pessoas, e Kaoru ele podia ler como um livro.

.../...Eu sei que você está tramando alguma coisa, Kaoru, dessa vez eu te pego antes que aconteça qualquer coisa.../...

oooo

Continua...

Que beleza, consegui terminar mais um, tá chegando ao ponto explosivo...hehehehe.

Obrigada pelos reviews

Até o próximo

Chibi-Lua