Personagens de Stephenie Meyer. Estória de Sarah MacLean.
CAPÍTULO OITO
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"Ela é boa demais para você e você irá destruí-la."
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Caro E,
Apenas uma nota rápida para dizer que estamos todos pensando em você, eu mais do que todos. Perguntei a meu pai se poderíamos ir visitá-lo em Eton, e é claro que ele me disse que não seria apropriado, uma vez que não somos parentes. É uma tolice, na verdade. Você sempre me pareceu tão da minha família como algumas das minhas irmãs. Definitivamente mais da minha família do que minha tia Hester.
Jacob passará as férias de verão aqui. Estou cruzando os dedos para que você se junte a nós.
Sempre sua, I.
Solar Swan, maio de 1816
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Sem resposta.
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Na noite de seu casamento, Cullen saiu de sua residência quase que imediatamente depois de depositar a esposa lá dentro e seguiu para o Anjo Caído.
Estaria mentindo se dissesse que não se sentiu como um cretino ao deixá-la tão sumariamente, em uma nova casa, com uma equipe nova de criados e nada familiar ao redor, mas ele tinha uma única meta imutável; quanto mais rápido a atingisse, melhor seria para todos.
Ele enviaria o anúncio do casamento para a Times, arranjaria casamentos para as damas Swan e obteria sua vingança. Não tinha tempo para sua nova esposa. Certamente não tinha tempo para seus sorrisos silenciosos, sua língua rápida e para a forma como ela o lembrava de tudo o que havia perdido. De tudo para que ele havia virado as costas. Não havia espaço em sua vida para que conversassem, para ficar interessado no que ela tinha a dizer, para considerá-la divertida ou importar-se sequer um pouco sobre como ela se sentia a respeito das irmãs ou sobre como ela havia lidado com o noivado rompido, anos atrás. E definitivamente não havia espaço para ele desejar assassinar o homem que havia rompido aquele noivado e feito com que ela duvidasse de si mesma e de seu valor.
Não importava que ela depositasse flores nos túmulos dos pais dele no Natal. Manter distância dela era fundamental – era a distância que iria estabelecer os parâmetros do casamento dos dois, ou seja, que ele manteria sua vida como estava, e ela construiria sua própria vida. E embora eles fossem tratar do casamento das irmãs dela juntos, seria por seus motivos individuais.
Assim, ele a deixou com seus sonolentos e enrugados olhos da viagem e seguiu para o Anjo Caído, fazendo o máximo para ignorar o fato de que ela estava sozinha em sua noite de núpcias e que ele provavelmente sofreria uma tortura extra no inferno por tê-la deixado lá.
Quatro horas em uma carruagem, e já estava sendo mole demais por ela.
Ele respirou fundo, apreciando a umidade gelada do ar da noite, amarelado com a bruma de janeiro, enquanto percorria a Mayfair até a Regent Street, onde uma porção de ambulantes continuava sob a luz cada vez mais fraca, surgindo em meio à névoa apenas quando ficavam a um braço de distância. Não falavam com ele, instintivamente sabendo que Cullen não andava no mercado para o que estavam vendendo. Em vez disso, desapareciam com a mesma rapidez com que apareciam, e Cullen seguiu até o grande edifício de pedra no alto da St. James's.
O clube ainda não estava aberto, e quando ele passou pela entrada dos proprietários e foi até o salão, agradeceu pelo vazio do ambiente cavernoso.
Havia lanternas acesas ao redor, e uma porção de criadas finalizava o trabalho do dia – esfregando tapetes, polindo castiçais e tirando o pó dos quadros pendurados nas paredes. Cullen atravessou até o centro do salão, parando lá por um longo tempo para observar o lugar – o lugar que vinha sendo seu lar pelos últimos cinco anos.
Na maioria das tardes, ele era o primeiro dos proprietários a chegar ao Anjo Caído e gostava disso. Apreciava o silêncio do salão naquela hora, os momentos silenciosos antes dos crupiês chegarem para conferir o peso dos dados, o óleo nas roletas, o deslizar das cartas, preparando-se para a quantidade de pessoas que apareceria como gafanhotos e encheria o ambiente com gritos, risos e conversa. Ele gostava do clube vazio de tudo, exceto de possibilidades. De tentações.
Enfiou a mão no bolso do colete, em busca do talismã que estava sempre lá, a moeda que o lembrava de que era a tentação e nada mais o que mantinha aquelas mesas cheias. Que era a tentação que arruinava. Que não se arriscava o que não se podia dar o luxo de perder. A moeda não estava lá. Outra lembrança de sua esposa indesejada.
Seguiu para a mesa de roleta, passando os dedos pela pesada alça de metal prateado da roda, girando-a, fazendo as cores correrem juntas, pura velocidade e luxo, enquanto estendia a mão para a bola de marfim na qual tantas esperanças haviam sido depositadas – e perdidas. Com um hábil gesto do pulso, mandou a bola girando para o poço, adorando o som do osso contra o metal, a forma como ele o arrepiava, suavidade e pecado. Vermelho. O sussurro ecoou através dele, espontâneo, irreversível. Nada surpreendente.
Ele se virou de costas antes da roda diminuir a velocidade, antes da gravidade e da providência puxarem a bola para o lugar.
"Você está de volta."
Do outro lado do salão, emoldurado pela porta aberta da contabilidade, estava Carlisle, o quarto sócio do Anjo Caído. Carlisle cuidava das finanças do clube, garantindo que cada centavo que passasse pela porta do clube fosse bem registrado. Ele era um gênio com números, mas não se parecia com, nem vivia como, o homem de finanças sem paralelo que era. Era alto e Cullen raramente o via comer, e se os buracos escuros sob seus olhos eram alguma indicação, fazia um ou dois dias que o homem não dormia.
"Você chegou cedo."
Carlisle passou a mão sobre o queixo mal barbeado.
"Fiquei até tarde, na realidade." Deu um passo para o lado, permitindo que uma bela mulher deixasse a sala atrás dele. Ela deu um sorriso tímido para Cullen antes de puxar o imenso capuz de sua capa sobre o rosto.
Cullen observou a mulher andar apressada até a entrada do clube, saindo sem produzir qualquer som, antes de cruzar o olhar com Carlisle.
"Vejo que andou trabalhando muito duro."
"Ela é boa com os livros."
"Imagino que seja."
"Não o estávamos esperando de volta tão depressa."
Ele não esperava estar de volta tão depressa.
"As coisas meio que sofreram uma virada."
"Para melhor ou para pior?"
O eco dos votos de casamento pronunciados com Isabella deixou Edward tenso.
"Depende do ponto de vista."
"Entendo."
"Duvido que entenda."
"Falconwell?"
"Minha."
"Você se casou com a garota?"
"Sim."
Cross soltou um longo assovio baixinho. Cullen não poderia concordar mais.
"Onde ela está?"
Perto demais.
"Na residência."
"Na sua residência?"
"Não considerei adequado trazê-la aqui."
Carlisle ficou em silêncio por um longo tempo.
"Confesso que estou ansioso por conhecer essa mulher que enfrentou o casamento com o frio e duro Cullen e não fugiu."
Ela não teve escolha. De forma alguma ela teria seguido em frente com o casamento com ele se não tivesse sido levada à força até o vigário da paróquia. Se tivesse tido mais tempo para pensar. Ele era tudo o que ela não era, tosco e raivoso, sem esperança de algum dia retornar ao mundo no qual havia nascido.
Isabella... ela era decente e perfeitamente criada para uma vida naquele mundo. Esse mundo – cheio de jogo, bebidas, sexo e coisas piores – a assustaria à morte. Ele a deixaria apavorada. Mas ela havia pedido para ver e ele mostraria. Porque não podia resistir à tentação de corrompê-la. Era irresistível demais. Doce demais. Ela não sabia o que havia pedido. Pensava que aventura era uma caminhada noturna nos bosques ao redor da casa da sua infância. O salão principal do Anjo Caído em qualquer noite a deixaria histérica.
"A virada?", Carlisle disse, apoiando-se na parede com os braços cruzados sobre o peito. "Você disse que nada ocorreu conforme o planejado."
"Concordei em casar as irmãs dela também."
Carlisle levantou as sobrancelhas.
"Quantas são?"
"Duas. Creio que será bem fácil." Cruzou com o olhar sério de Carlisle.
"Precisa saber que foi um caso de amor. Nós nos casamos esta manhã. Não suportaria passar um instante mais longe dela."
Um segundo se passou para Cross ouvir a mentira e compreender seu significado.
"Uma vez que vocês estão tão apaixonados, suponho."
"Exatamente."
"Esta manhã", Carlisle repetiu. Cullen virou-se de costas e espalmou as mãos sobre a mesa da roleta, pressionando-as firmemente contra o luxuoso tecido verde. Sabendo o que viria antes mesmo das palavras serem pronunciadas. "Você a deixou sozinha na noite de núpcias."
"Sim."
"Ela tem cara de cavalo?"
Não. Quando estava no auge da paixão, ela era estonteante. Ele queria deitá-la em sua cama e torná-la dele. A lembrança dela se contorcendo contra ele no Solar Falconwell ainda o fazia se remexer para acomodar a forma como suas calças ficavam apertadas. Esfregou a mão no rosto ao mentir.
"Preciso de um tempo no ringue com Emmett."
"Ah. Entendo que tem cara de cavalo."
"Não tem."
"Então talvez deva voltar para casa e consumar o casamento com essa mulher a quem ama tão apaixonadamente. Deus sabe que é uma experiência mais prazerosa do que Emmett destruir a sua raça no ringue."
Mesmo que se mereça a surra. Por um instante fugaz, Cullen levou as palavras em consideração. Repassou o que aconteceria caso ele retornasse para casa e procurasse a nova esposa inocente. Imaginou como seria deitá-la em sua cama e reivindicá-la para si, torná-la sua. Mostrar a ela a aventura que sequer sabia que havia pedido. Os cabelos sedosos dela se prenderiam à barba áspera do queixo dele, os lábios carnudos se abririam em um suspiro enquanto ele acariciaria sua pele macia, e ela gritaria com o prazer que ele arrancaria dela. Era uma tentação maravilhosa e cheia de malícia, mas ela não aceitaria a experiência da forma como ela se apresentasse. Ela lhe pediria mais. Mais do que ele estava disposto a dar.
Voltou o olhar para a roda da roleta, atraído, inexoravelmente, para onde a bolinha branca encontrou seu lugar. Preto. Claro. Virou-se de costas.
"Tem mais."
"Sempre tem."
"Concordei em retornar para a sociedade."
"Bom Deus. Por quê?"
"É preciso casar as irmãs."
Carlisle amaldiçoou, expressando seu espanto com uma única palavra infame.
"Swan negociou o seu retorno? Brilhante."
Cullen não contou a verdade – e que havia sido sua esposa a negociar os termos primeiro, e com mais sucesso. Em vez disso, disse:
"Ele possui informações que destruirão Black."
O outro arregalou os olhos.
"Como isso é possível?"
"Não estávamos procurando nos lugares certos."
"Tem certeza de que..."
"As informações o destruirão."
"E Swan as entregará a você quando as filhas estiverem prometidas?"
"Não deverá levar muito tempo. Aparentemente, uma delas está a caminho do altar com Castleton."
Carlisle levantou as sobrancelhas.
"Castleton é um idiota."
Edward levantou um dos ombros em um gesto de indiferença.
"Não será o primeiro aristocrata a casar-se com uma mulher acima de sua inteligência. Tampouco será o último."
"Você deixaria sua irmã solteira casar-se com ele?"
"Não tenho uma irmã solteira."
"A mim, me parece que tem duas agora."
Edward ouviu a censura nas palavras do sócio... sabia o que Carlisle estava querendo dizer. Que o casamento com Castleton condenaria qualquer mulher com um cérebro na cabeça a uma vida de tédio. E Isabella sofreria, sabendo que outra de suas irmãs havia feito um mau casamento. Não engano a mim mesma pensando que elas poderiam encontrar amor. Mas elas poderiam ser felizes, não? Ele ignorou o eco.
"Está praticamente resolvido. Isso me deixa um passo mais perto de Black. Não pretendo impedir. Além disso, a maioria das mulheres da aristocracia precisa suportar seus maridos."
Carlisle levantou uma sobrancelha.
"Precisa admitir que um casamento com Castleton seria uma provação. Especialmente para uma jovem que espera por, digamos, conversa. Precisa apresentá-la a outro. Alguém com algo na cabeça."
Cullen levantou uma sobrancelha.
"Está oferecendo seus serviços?"
"Certamente há alguém."
"Por que procurar por outra pessoa, quando Castleton está aqui, e pronto."
"Você é um cretino frio."
"Faço o que é preciso e talvez você esteja ficando mole."
"E você está mais duro do que nunca." Como Cullen não respondeu, ele continuou: "Talvez consiga alguns dos convites sem ajuda, mas, quanto ao resto, para um verdadeiro retorno à sociedade, vai precisar de Jasper. É a única forma de conseguir abrir todas as portas necessárias".
Cullen assentiu com a cabeça uma vez, endireitando-se, respirando fundo e arrumando as mangas do paletó cuidadosamente.
"Bem, então preciso encontrar Jasper." Cruzou o olhar cinzento de Carlisle.
"Começará dizendo que... Você foi dominado pelo amor."
Houve um instante de hesitação antes de Cullen assentir.
"Você vai ter que se sair melhor do que isso se quiser que alguém acredite na sua história." Edward se virou, ignorando as palavras até que Carlisle o chamou de volta. "E mais uma coisa. Se a sua vingança se baseia no seu casamento e na sua reputação ilibada, é melhor cuidar para garantir a ambos rapidamente."
As sobrancelhas de Edward se juntaram.
"O que você está dizendo?"
Carlisle sorriu.
"Estou apenas sugerindo que você garanta que sua esposa não tenha base para anulação. Leve a mulher para a cama, Cullen. Rápido."
Cullen não teve chance de responder, uma vez que houve súbita comoção na entrada principal do clube, além de uma porta larga de carvalho entreaberta.
"Não dou a mínima que eu não seja membro. Deixe-me vê-lo, ou transformarei a destruição deste lugar no meu objetivo de vida... com você junto."
Edward e Carlisle se encararam, e o mais alto disse casualmente:
"Já percebeu que é sempre a mesma promessa, mas nunca de alguém com poder suficiente para realizá-la?"
"Sua acompanhante por acaso tinha marido?"
Carlisle ficou impassível.
"Eis um jogo em que eu não aposto."
"Então não é para você." Cullen seguiu para a porta, abrindo-a para encontrar Bruno e Asriel, dois dos porteiros do cassino, segurando um homem de altura e porte grande de cara na parede. "Cavalheiros", ele disse com a voz arrastada. "O que têm aí?"
Asriel virou-se para ele.
"Está atrás de você."
Com a informação, o homem começou a se debater de verdade.
"Cullen! Você me verá agora, ou me verá ao amanhecer."
Ele reconheceu a voz. Jacob. Fazia nove anos desde a última vez que tinha visto Jacob Black, desde a noite em que o pai dele tirou, com prazer, tudo o que Cullen tinha. Desde que Jake preferiu sua herança – a herança de Edward – ao amigo. Nove anos, e ainda a traição o abalava pela forma como o amigo havia lhe virado as costas. Pela forma como havia sido cúmplice das ações do pai.
"Não imagine por um instante que eu não me encontraria com você ao amanhecer", ele disse. "Na realidade, eu pensaria muito bem antes de fazer essa oferta, se fosse você."
Black virou a cabeça contra a parede revestida de veludo, olhando para Cullen.
"Chame seus cães de guarda."
Asriel rosnou profundamente, e Bruno empurrou Jacob contra a parede.
"Cuidado. Eles não lidam bem com maus modos."
Com um braço entre os ombros, Jacob se encolheu.
"Esta briga não é deles. É sua."
Swan provavelmente havia alertado Jacob sobre os planos de Cullen e o acordo entre eles. Nada mais levaria o filho de Black ali para encarar Cullen e sua raiva.
"O que busca não está aqui."
"Espero mesmo que ela não esteja."
Ela. E com essa única palavra, tudo fez sentido. Jacob não havia ido até ali atrás do documento de Swan. Provavelmente sequer sabia de sua existência. Ele estava ali por Isabella. Estava ali por Falconwell.
"Soltem-no."
Depois de liberado, Jacob ajeitou o casaco e lançou um olhar de ódio aos dois homens.
"Serei muito claro. Casei-me com Isabella esta manhã e, ao fazer isso, fiz com que Falconwell se tornasse minha. Nem você nem seu pai tocarão em minhas terras. Na verdade, se eu descobrir que algum dos dois sequer pôs os pés lá novamente, mandarei prendê-los por invasão."
Jacob passou uma mão sobre o lábio inchado e riu, um riso oco e sem humor.
"Acha que não sabia que você iria atrás das terras? Sabia que faria o que fosse preciso para reclamá-las no instante em que saíram das mãos do meu pai. Por que acha que tentei me casar com ela primeiro?"
As palavras ecoaram pela saleta, e Cullen sentiu-se grato pela luz fraca que escondeu sua surpresa. Jake era o noivo. Ele deveria ter pensado naquilo, claro. Deveria ter imaginado que Jacob Black ainda estava no mundo de Isabella. Na vida dela. Deveria ter esperado que ele teria tentado recuperar Falconwell no instante em que as terras foram removidas de sua herança. Então, ele a havia pedido em casamento, e ela havia aceitado, garota tola, provavelmente pensando que o amava – o garoto de quem era amiga havia tanto tempo. Não era com isso que sonhava uma garota tola? Casar-se com o garoto que conhecia desde a infância? O companheiro simples e amigável, o amigo seguro que jamais provocou nada além de risadas?
"Ainda sendo manipulado pelo papai, Jake? Precisou sair correndo para se casar com uma garota para conseguir uma propriedade? Minha propriedade?"
"Não é sua há uma década", Jacob disparou. "E você não a merece. Você não merece ela."
Um lampejo de lembrança. Ele, Jacob e Bella em um barquinho no meio do lago em Falconwell, Jacob se equilibrando em pé na proa da embarcação, dizendo ser um grande Capitão do mar, Isabella dando risada, os cabelos castanhos brilhando à luz do sol da tarde, toda a atenção voltada ao outro garoto. Observando-a, Edward agarrou as laterais do barco a remo, balançando-o uma, duas, três vezes. Jacob perdeu o equilíbrio e caiu no lago com um grito. Jake! Isabella havia gritado, correndo até a borda do barco enquanto o garoto ressurgia na superfície, rindo e arfando. Ela olhou para trás, com censura no olhar, totalmente focada em Cullen. Isso não foi gentil.
Ele eliminou a lembrança, voltando a atenção ao presente, para derrubar Jacob uma vez mais. Ele deveria estar satisfeito por ter arrancado mais uma coisa das mãos de Jacob, mas não era prazer que o inundava naquele momento. Era fúria. Fúria por Jacob quase ter ficado com o que era de Edward: Falconwell e Isabella. Ele estreitou o olhar.
"Porém, tanto as terras quanto a dama são minhas. Você e seu pai chegaram tarde demais."
Jacob deu um passo na direção dele, endireitando-se, ficando acima da altura de Edward.
"Isso não tem nada a ver com Billy."
"Não se deixe enganar. Isso tem tudo a ver com Black. Pensa que ele não esperava que eu fosse atrás de Falconwell no instante em que Swan a ganhou? É evidente que sim. E ele também deve saber que eu não irei parar antes de tê-lo arruinado." Fez uma pausa, pensando naquele homem que um dia havia sido seu amigo. "E arruinado você, no processo."
Algo se acendeu no olhar de Jacob, algo parecido com compreensão.
"Você sentirá prazer com isso, não tenho dúvidas. Prazer em destruí-la também."
Cullen cruzou os braços sobre o peito.
"Minhas metas são claras: Falconwell e vingar-me de seu pai. Que você e Isabella estejam no meio dessas coisas é, de fato, uma infelicidade."
"Não deixarei que faça mal a ela."
"Que nobre da sua parte. O que vai fazer, a raptará? Como uma Guinevere ao seu Lancelot? Diga-me, ele também nasceu do lado de fora do lençol?"
Jake paralisou diante das palavras.
"Então é este o seu plano. Você destrói meu pai ao me destruir."
Cullen levantou uma sobrancelha.
"O legado dele pelo meu. O filho dele pelo filho do meu pai."
"Tem uma memória ruim se acha que ele algum dia pensou em mim como filho do coração." As palavras soaram verdadeiras. Durante toda a juventude deles, Billy jamais teve uma palavra gentil para Jacob. Sempre foi um homem frio e duro.
Cullen não se importava mais.
"Não importa o que ele pensava. O que importa é o que o mundo pensa. Sem você, ele não tem nada."
Jacob se balançou em um pé só, o maxilar fixo, um eco silencioso do garoto que havia sido um dia.
"Você é um canalha e eu sou um cavalheiro. Jamais acreditarão em você."
"Acreditarão quando eu exibir a prova."
As sobrancelhas de Jacob se juntaram.
"Não existe prova."
"Você é bem-vindo para testar essa teoria."
O moreno travou o maxilar e deu um passo para frente, sendo lançado pela raiva na direção de Cullen, que desviou do golpe antes que Bruno saísse da escuridão para apartar a briga inevitável.
Os homens desviaram o olhar dos braços imensos do guarda-costas e se encararam.
"O que quer de mim?", Jacob perguntou.
"Você não tem nada que eu queira." Cullen fez uma pausa, deixando o silêncio assombrar o adversário. "Tenho Falconwell, minha vingança e Isabella. E você não tem nada."
"Ela foi minha antes de ser sua", Jacob disse, com raiva na voz. "Todos aqueles anos sem você... ela ainda tinha a mim. E quando vir quem você é... o que se tornou... ela voltará para mim novamente."
Cullen desprezava a ideia de que Jacob e Isabella tivessem continuado amigos, mesmo depois dele ter perdido tudo, mesmo depois de ele ter sido incapaz de retornar a Surrey e recuperar sua casa – o terceiro ponto do triângulo.
"É corajoso de me ameaçar." Olhou para Bruno. "Acompanhe-o para fora."
Jacob puxou o braço da garra do grandalhão.
"Posso sair sozinho." Atravessou a porta que levava para fora, parando lá por alguns segundos antes de se virar novamente para olhar Cullen nos olhos. "Devolva-a para Surrey, Edward. Deixe-a em paz, antes de destruí-la com sua raiva e sua vingança."
Ele queria rejeitar a premissa. Mas não era tolo. Era claro que a destruiria. Ele a destruiria, porque era isso o que fazia.
"Se eu fosse você, me preocuparia menos com proteger a minha esposa e mais com proteger seu nome. Porque quando eu tiver terminado com seu pai, você não poderá mostrar o rosto em Londres."
Quando Jacob respondeu, seu tom foi muito firme – uma convicção que Edward não reconhecia no garoto que ele havia conhecido um dia.
"Não me deixo enganar que eu possa me proteger do escândalo que pretende provocar, mas farei tudo o que puder para lutar contra você... tudo o que puder para proteger Bellsy. Para lembrá-la de que houve um tempo em que os amigos dela teriam feito qualquer coisa para evitar-lhe qualquer mal."
Cullen levantou uma sobrancelha.
"Você parece ter fracassado nisso, não?"
O rosto de Jacob foi atravessado por um lampejo involuntário de arrependimento.
"Sim. Mas esse jamais deveria ter sido meu papel."
Se Cullen permitisse, as palavras o teriam atingido. Em vez disso, ironizou:
"Tranquilize-se, Jake, pelo menos ela não precisará lidar com seu escândalo depois que eu divulgá-lo aos jornais."
Jacob voltou-se para ele novamente, o olhar sagaz cruzando com o de Cullen na escuridão, antes dele falar suas palavras de despedida.
"Não, ela não terá o escândalo sobre ela... mas terá o arrependimento de ter se casado com você. Não duvide disso. Ela é boa demais para você."
Ele não duvidava nem um pouco. A porta pesada fechou-se atrás de Black, e Cullen abstraiu o som, a raiva, a irritação e mais alguma coisa – algo que não desejava definir – que o atravessava.
Elaia...
Como foi o feriado de vocês? O meu foi bom, bem tranquilo, lendo Doctor Past, da nathaliacam. (Ó a propaganda ahahah. Ela nem sabe que estou recomendando, estou fazendo isso porque realmente é uma fic delicinha de ler). Ficaadica!
Beijinhos e até sexta que vem :)
