PARTE IX – OF ROBOTS, JEALOUSY AND DINOSAURS

Um raio de sol atingiu as pálpebras de Greg e ele encolheu-se, puxando a colcha sobre o rosto. Tudo o que ele queria era dormir mais cinco minutos... ou mais cinco horas. Ele flutuou por um tempo naquele abençoado estado de madorna, aproveitando o calor das cobertas e o cheiro da colônia de Mycroft emanando do travesseiro. Imagens de seu amante começaram a tomar sua mente, e ele estava deslizando feliz para a Terra dos Sonhos Molhados quando o toque estridente do seu celular interrompeu-o, trazendo-o de volta para a Cidade da Cama Vazia. Grunhindo uma maldição, ele estendeu a mão para a mesa de cabeceira e agarrou o aparelho, sem ver quem estava interrompendo sua pequena excursão mental pelo corpo de Mycroft.

- Lestrade. – ele foi capaz de soar plenamente acordado e razoavelmente polido, mesmo estando de olhos fechados, com as cobertas sobre a cabeça e beirando o homicídio.

- Olá, vovô Gueg. - a voz clara de seu neto teve o efeito de uma xícara de café forte depois de um banho frio, e ele sentou-se ereto na cama.

- Johnny! Como você está, parceiro? – um sorriso largo tomou o resto de Greg. Ele estava sempre morrendo de saudades do pequeno.

- Eu estou bem, vovô. Você está bem? – Johnny era tão educadinho quando conversava no telefone que era quase possível esquecer que essa era a mesma criança que pintara o chão do flat dos pais com tinta de cabelo quando tinha pouco mais de um ano.

- Eu estou bem, amigão. E aí, o que você está fazendo? – ele encostou-se na cabeceira da cama, as cobertas enroscadas cobrindo apenas suas pernas, e espreguiçou-se cuidadosamente.

- Eu estou bincando com meus bocos. Eu vou fazer um Tansfoumel pa você, vovô. Um beeeem gande e escuitadoi. – Greg riu, deliciado. Seu neto era articulado, e tinha um vocabulário muito bom para a idade, mas a dificuldade que ele ainda tinha com alguns fonemas era adorável. – Vovô Gueg, o vovô Mycki está aí? Eu quero falar com ele. – No pouco tempo em que os dois se conheciam, Johnny tornara-se extremamente apegado a Mycroft. Greg nunca achou que o político fosse o tipo de pessoa que se desse bem com crianças (ou mesmo que gostasse delas); mas é claro que seu imprevisível Mycroft tinha que surpreendê-lo, daquela sua maneira Holmesiana, conversando com Johnny como se ele fosse um pequeno adulto, respondendo a todas as intermináveis perguntas do menino, mostrando-lhe livros e objetos interessantes, ensinando-lhe fatos e curiosidades.

- Só um minuto, parceiro, eu vou ver se o vovô Mycki pode atender. – ele ergueu-se com um gemido do ninho quente das cobertas, pegou a bengala encostada ao lado da mesa de cabeceira e mancou para fora do quarto, dando de cara com a porta do escritório fechada. Sem chances. – Desculpe, Johnny, vovô Mycki está trabalhando, agora.

- Aaawwwnn... – foi a exclamação desapontada que veio do outro lado da linha. Ele sorriu de leve, dirigindo-se para o banheiro.

- Vamos fazer assim, quando ele terminar o trabalho, nós ligamos pra você, okay?

- Tá bom, vovô. – Greg ouviu a voz da filha do outro lado da linha, "Dê tchau pro vovô e me passe o telefone, Johnny". – Tchau vovô, eu amo você! – Greg deu um sorriso pequeno.

- Também amo você, Johnny. Agora, passe pra mamãe. – ele esperou alguns segundos, antes de continuar. – Vocês agora gerenciam um serviço de tele-despertar?

- Bom dia pra você também, papa. Também estou com saudades, e já são nove e meia. Johnny não queria ir pra escola sem falar com os vovôs. – Greg sorriu ao ouvir a voz sarcástica, mas carinhosa da filha – Como você está, vieux?

- Oe, já disse pra não me chamar de velho! – ele repreendeu-a, brincando, ligando o chuveiro para aquecer a água – Estou bem, Nad. Começo a fisioterapia em casa hoje, e em duas semanas estou voltando para Londres e para a Yard.

- E como está Mycroft? – um sorriso suave tomou-lhe os lábios, enquanto contorcia-se para tirar a camiseta sem separar-se do telefone, lembrando-se de detalhes do dia anterior.

- My está ótimo. – Nadine riu do outro lado da linha.

- Oowwnn, eu praticamente consigo ouvir o sorriso na sua voz, papa. Eu tenho que ir, tenho uma reunião em Manchester. Mande um abraço pro seu espião, e não se esqueça de pedir pra ele ligar pro Johnny, ele está ansioso pra contar algumas coisas. – era possível ouvir o barulho de louça sendo lavada e a voz do neto falando alguma coisa sobre mamadilhas e escudos.

- Assim que ele terminar de resolver a crise mundial da manhã. Que horas você e Johnny voltam pra casa, hoje?

- Depois das quatro e meia. Espero o telefonema de vocês às cinco, detetive-inspetor Lestrade. – ela debochou – Amo você, papa. Cuide-se.

- Você também. – Greg desligou o telefone e terminou de despir-se com presteza, entrando no chuveiro e soltando um longo gemido ao sentir a água quente nos músculos tensos de seus ombros. Seus pensamentos vagaram para a porta fechada do escritório, e ele perguntou-se desde que horas Mycroft devia estar ali. Provavelmente desde a aurora. Bom, pelo menos Greg sabia que ele dormira um pouco. A sensação dos braços esguios enlaçando seu peito, e as pernas longas, entrelaçadas nas suas, ainda estava presente em sua memória sensorial. Ele apenas desejava que o contato houvesse sido pele contra pele.

O policial suspirou, contrariado. Ele sabia que os problemas de autoimagem de Mycroft eram antigos e profundamente arraigados. Todas as provocações de Sherlock acerca do peso de Mycroft, e sobre as dietas, deixavam-no com os nervos estirados. Ele sabia que o Holmes mais velho fora uma criança gordinha, e que o peso custara a dissolver-se durante a adolescência. Ele já contara para Greg sobre as dietas insanas, as sessões exaustivas de exercícios, e até mesmo sobre um período de vício em remédios para emagrecer. Cortava o coração de Greg que Mycroft não fosse capaz de ver o que ele via; mesmo coberto da cabeça aos pés, Mycroft era de tirar o fôlego. O pouco que Greg conseguia vislumbrar por baixo dos panos quando Mycroft estava em casa – os braços esguios, cobertos de uma penugem avermelhada, as clavículas proeminentes e o caminho de pele pálida que levava ao peito – deixavam-no absolutamente alucinado. O policial usava cada miligrama de autocontrole para não arrancar simplesmente a roupa do outro e usar suas mãos e lábios para fazê-lo esquecer qualquer dúvida sobre o quão maravilhoso ele era. Mas ele e Mycroft haviam concordado em ir devagar; o político sofrera rejeições demais no passado, e ele queria assegurar Mycroft de seus sentimentos antes de prensá-lo contra um colchão e fazer amor com ele até que ele não conseguisse pensar.

Respirando fundo, ele desligou o chuveiro e enxugou-se vigorosamente. Ele ia tomar café da manhã, esperar que Mycroft tivesse uns minutos de folga na hora do almoço e mostrar o quanto ele apreciava seu tolo amante. Com esse pensamento feliz, ele enrolou uma toalha na cintura e inclinou-se para pegar seus apetrechos de barbear.

- Que visão afortunada.- a voz de Mycroft fez Greg pular e quase bater com a cabeça no armário da pia. Ele virou-se e deu de cara com o homem encostado no batente da porta, usando um terno cinza, com camisa verde e gravata grafite, perfeitamente penteado como sempre.

- Jesus, Mycroft, me dê um ataque cardíaco pra combinar com o resto, por que não? – ele apoiou-se na pia, uma mão segurando o peito para conter o coração acelerado. – Você não faz barulho quando anda? – Mycroft deu um sorriso de lado.

- Não quando não estou usando sapatos. – Greg baixou os olhos e viu que Mycroft agitava os dedos dos pés, cobertos por meias listradas escandalosamente coloridas e estranhamente familiares.

- São as minhas meias do Tom Baker? – Mycroft assentiu e aproximou-se de Greg, que começava a preparar a espuma de barbear. Ele abraçou o policial pela cintura e apoiou o queixo no ombro direito dele, segurando-lhe as mãos.

- Não faça a barba, Gregory. – ele murmurou, esfregando o próprio rosto liso na bochecha coberta com uma barba de dois dias. – Eu gosto quando seu rosto está áspero. É muito... viril. – ele ronronou, mordendo o lóbulo da orelha de Greg. Ele gemeu e recostou-se contra a forma esguia do político.

- Você vai ficar todo arranhado. – ele respondeu, enquanto Mycroft beijava-lhe a lateral do pescoço e começava a brincar com a toalha que lhe envolvia os quadris.

- Eu não me importo. – ele virou o rosto de Greg e beijou-lhe, um beijo terno e sem pressa. Quando romperam o beijo em busca de ar, Greg inclinou a cabeça para trás, encostando-a contra o ombro do outro, e olhou para o espelho, observando a imagem dos dois juntos. Seu próprio rosto, coberto pela barba por fazer e emoldurado pelos cabelos arrepiados e grisalhos, um rosto cansado, bronzeado de todo o trabalho nas ruas, com bolsas sob os olhos das noites mal dormidas e rugas franzindo-lhe os cantos; e o rosto de Mycroft, perfeitamente barbeado, a pele de marfim tão suave ao toque, contrastando com os cabelos avermelhados, os olhos azuis argutos, que tantos acreditavam frios e sem vida, repletos de um calor e uma suavidade (que faziam Greg considerar-se afortunado, pois sabia que ele era um dos poucos capazes de ver), as linhas de preocupação que cruzavam o rosto sério e estoico, o rosto de um homem que equilibrava o poder em suas mãos, assumindo os riscos e os erros, mas nunca levando o crédito pelos acertos.

Greg teve que morder a língua para conter-se e não arrastar Mycroft pela gravata para o quarto naquele exato momento.

- Você tem ideia do quão lindo você é? – Greg falou, a voz rouca, e viu um tom rosado tomar as bochechas de Mycroft. Ele ergueu a mão e acariciou-lhe o rosto – Eu queria passar um dia inteiro, uma semana inteira, só olhando pra você, tocando você, e mostrando exatamente o que você significa pra mim, Mycroft Edwin Holmes. – Ele girou no abraço e enterrou o rosto no pescoço de Mycroft, respirando fundo o odor da colônia sofisticada e um cheiro que era apenas Mycroft: uma mistura de couro, chá e alguma coisa essencialmente doce que Greg não conseguia definir. Ele sentiu os lábios do outro em sua têmpora, e as mãos passeando em suas costas nuas. O vapor do banho já dissipara-se, e Greg estremeceu de leve. Mycroft estreitou-o com força mais uma vez antes de soltá-lo.

- É melhor você vestir-se, Gregory, antes que apanhe um resfriado. Espero você na cozinha para o café da manhã. – Greg beijou-lhe a ponta do nariz e foi para o quarto. Ele olhou para baixo ao desenrolar a toalha, e rezou para que o mundo pudesse passar sem Mycroft por um tempo.

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Após um lauto almoço – seguido de uma breve sessão de beijos, interrompida por uma ligação do chefe do MI6 -, Greg achou que era um bom momento para ligar para seus colegas da Yard. Ele não falava com eles desde a véspera de sua saída do hospital, e precisava saber qual o tamanho do prejuízo que sua ausência estava causando no departamento; não eram todos que sabiam lidar com sua sargento geniosa, seu legista irritante e, especialmente, com seu consultor mal-humorado.

- Dimmock. – ele atendeu no primeiro toque, a voz cansada, com um traço de irritação. Greg acomodou-se na poltrona em frente a lareira, esticando a perna com um gemido.

- Hey, Dimmo. Como estão as coisas no front? – Dimmock deu um suspiro, parecendo aliviado.

- Hey, Greg, bom ouvir notícias suas. Como você está se sentindo?

- Melhor do que da última vez que você me viu, com certeza. E a situação por aí? Imagino que o crime não resolveu tirar umas férias junto comigo?

- Quem dera! Houve um tiroteio esta madrugada no East End, e um caso frio foi reaberto depois de surgirem novas evidências. Quem saber quem foi que me deu esse presente?

- Sherlock. – Greg grunhiu… Ele havia deixado uns poucos arquivos de casos antigos com o detetive, mas não esperava que ele fosse realmente trabalhar neles.

- Sherlock. – Dimmock repetiu, afirmativamente. – Mas foi bom, Greg; esse caso em particular envolvia uma criança, e a mãe está sempre ligando e pedindo novas informações. Acho que finalmente teremos um pouco de paz para oferecer a ela.

- Bom. Isso é bom. – Greg sorriu de leve. Casos envolvendo crianças eram os mais difíceis de se lidar; eram eles que o mantinham acordado à noite, muitas vezes. – Mais alguma novidade? Sally matou alguém? Alguém matou Anderson?

- Felizmente, não para o primeiro. Infelizmente, não para o segundo. – Dimmock fez uma pausa. – Escute, Greg... – ele hesitou e respirou fundo – Você se importaria se eu chamasse a Nat pra sair? Sabe, num encontro de verdade. Quero dizer, eu tenho conversado com ela sobre trabalho e coisas assim, e nós almoçamos juntos há uns dias atrás, e ontem ela ligou para contar que brigou com o namorado, e eu estava pensando se...

- Dimmo, parceiro, você está divagando. – Greg cortou, segurando o riso. – Não, eu não me importo que você chame minha filha para sair; muito pelo contrário. Nat já é bem grandinha, e você é um camarada excepcional. Mas eu tenho que fazer a ameaça de praxe.

- Já sei, já sei. Se eu machucar ela, você vai me machucar.

- Ah, não, Dimmock. Se você machucar minha filha, eu vou entregar sua punição nas mãos de Mycroft. – ele ouviu o ofego assustado do outro. – E talvez ele até chame Sherlock para ajudar.

- Recado recebido, Greg. E eu tenho certeza que, sendo sua filha, Natalie sabe se cuidar, também.

- Você pode apostar seu traseiro nisso, amigo. – eles riram – Bom, se Sherlock der muito trabalho, ou se Sally finalmente passar para o outro lado da lei porque alguém provocou-a durante a TPM, me ligue. Até mais, Dimmo.

- Até, Greg. Cuide-se.

Greg desligou o telefone com um sorriso de canto. Dimmo e Nat... ele gostava da ideia. Seu amigo era um homem de caráter, centrado, com uma carreira em ascensão, e Nat sabia bem como era viver com um policial, e não se importaria tanto com os horários malucos de trabalho, os jantares interrompidos e os telefonemas no meio da madrugada. Talvez ela até decidisse, finalmente, aceitar a oferta que recebera de St. Bart's e se mudar de vez para Londres... ele definitivamente gostaria de ter sua caçulinha mais perto de si. Agora era hora de enfrentar o mau humor de Sally. Ele discou o número, torcendo pra que ela estivesse a pelo menos cinco quilômetros de distância de Sherlock.

- Donovan. – ela praticamente latiu no telefone. Okay, definitivamente Sherlock estava por perto.

- Hey, Sally. Sherlock está dando trabalho pra você? – Donovan deu uma risada desanimada ao reconhecer a voz do chefe.

- Antes fosse, senhor. Estou tendo problemas com as testemunhas do tiroteio. Bando de punks adolescentes mal educados. – ela resmungou. – Como o senhor está se sentindo?

- Melhor, obrigada, Sally. Liguei apenas para vocês saberem que eu estou vivo. Volto ao trabalho em duas semanas, então tente não matar ninguém nesse tempo, certo?

- Certo, chefe. Escute... o senhor deu meu telefone para a assistente do senhor Holmes? – Ops. Greg esperou que Sally não tivesse ficado muito furiosa por sua intervenção não-requerida em sua confusa vida amorosa.

- Hum... pois é. Anthea é uma ótima pessoa, Sally, e realmente queria conhecer você melhor. – Sally suspirou.

- Eu imagino que sim. Nós vamos sair pra jantar hoje. – era possível ouvir o sorriso na voz dela. Bom. Sally merecia alguém decente pra variar; ela era como outra filha para ele. – Eu tenho que ir, senhor, o pessoal da promotoria chegou. Nos falamos depois?

- Com certeza. Espero um relatório completo do seu encontro amanhã. – ele brincou, feliz de ouvi-la rir genuinamente do outro lado da linha. – Cuide-se, Sally.

- Com certeza, senhor. Até mais. – Greg desligou o telefone, e estava imerso em pensamentos quando um par de braços enlaçou-lhe por trás, um beijo sendo depositado no topo de sua cabeça.

- Como estão as coisas na Yard?

- Ninguém matou seu irmão, seu irmão não matou ninguém. Eu considero uma vitória. – ele apoiou-se e ergueu-se devagar, puxando Mycroft para seus braços. – E o Serviço Secreto? – Mycroft suspirou e enterrou o rosto no pescoço de Greg, aspirando.

- Eu estou tendo sérios problemas para controlar o impulso de ir até Londres e chutar alguns deles até a morte. – ele começou a salpicar beijos leves no pescoço de Greg, fazendo-o gemer. – Seu fisioterapeuta deve chegar a qualquer minuto. – ele falou, mordiscando o lóbulo da orelha do policial.

- E você acha uma boa ideia me deixar com uma ereção logo agora? – Mycroft começou a empurrar Greg em direção a poltrona, pressionando-lhe os ombros até que ele estivesse sentado.

- E quem disse que eu vou deixar você assim, meu querido? – ele ajoelhou-se diante de Greg, com um sorriso felino nos lábios, e acariciou-lhe as coxas devagar. Com lentidão enlouquecedora, Mycroft alcançou a cintura das calças e passou as pontas dos dedos na nesga de pele que ali aparecia. Greg ergueu os quadris, facilitando-lhe a tarefa de puxar as roupas, o que Mycroft fez sem perder tempo, envolvendo-lhe o membro com os dedos longos em movimentos lentos. Greg fechou os olhos, entregando-se à deliciosa sensação do toque do amante, e desejando que eles tivessem a tarde inteira – não, a semana inteira – apenas para entregarem-se um ao outro. Ele abriu os olhos quando sentiu o calor úmido da boca de Mycroft enrolar-se em torno dele, tomando-o por completo. Sua mão levantou-se quase automaticamente, os dedos entrelaçando-se nas mechas macias, acompanhando o ritmo suave que o outro impunha, subindo devagar, a língua enrolando-se provocativamente em sua glande, e engolindo-o completamente, estimulando-o com os lábios finos. Greg sentiu a capacidade de fala abandoná-lo por completo, erguendo os quadris de encontro a boca que o tantalizava, apertando mais a mão de encontro a nuca do outro. Mycroft acelerou o ritmo, uma das mãos serpenteando por dentro da camisa de Greg, arranhando-lhe o peito delicadamente, enquanto a outra acariciava-lhe os testículos e a pele por trás, fazendo Greg contorcer-se ainda mais na cadeira.

- My... eu vou... – a voz de Greg não era mais que um sussurro rouco, e Mycroft continuou até sentir o corpo do policial retesar-se e o orgasmo tomar-lhe os sentidos. Ele desabou contra a cadeira, e Mycroft sugou-o até a última gota, erguendo a cabeça e lambendo os lábios como um gato satisfeito. Greg estava completamente letárgico, sem força nem mesmo para recompor-se. – Acho que você me quebrou, My. Estou arruinado. – Mycroft riu e ajudou-o a recolocar as roupas, sentando-se com cuidado no braço da poltrona, puxando Greg para um beijo suave.

- Eu sinceramente espero não ter arruinado você, meu querido. Eu esperava que pudéssemos ter uma noite agradável, hoje. – Greg ainda ia descobrir como diabos Mycroft conseguia praticamente ronronar. Ele fora um gato em uma vida anterior, essa era a única explicação.

- O quê? Sem crises, sem guerras, sem diplomatas estrangeiros nos interrompendo a cada dez minutos? – Mycroft assentiu, sorrindo de leve.

- Houve uma... troca de favores. Estarei liberado a partir das seis horas, até as seis horas da manhã de amanhã. – ele beijou o topo da cabeça de Greg, acariciando-lhe os ombros – Sei que doze horas não é muito, Gregory, mas no momento é o que posso oferecer a você.

- Eu sabia exatamente no que estava me metendo quando começamos a sair, My. E estou com você cem por cento. – eles ouviram um ruído de motor no exterior da casa, e Mycroft relanceou os olhos para o relógio de parede.

- Parece que seu compromisso das três horas está aqui, Detetive Inspetor. - ele ergueu-se e ofereceu galantemente o braço a Greg – Me permite? – Greg aceitou a oferta e levantou-se com cuidado, pegando a bengala, e os dois seguiram devagar até a porta, alcançando-a ao mesmo tempo que Anthea a abria.

- Boa tarde, Greg. Boa tarde, senhor Holmes. – ela ergueu os olhos do Blackberry e olhou para trás – Este é o doutor Terrence McAllister.

Atrás de Anthea, avançando pela entrada, vinha um homem extremamente alto e bem constituído. Ele tinha, no mínimo, 1,95m de altura e um peito largo e musculoso de fisiculturista. A pele negra brilhava no sol da tarde, em contraste com o sorriso branco e os olhos espantosamente dourados. Ele caminhou até a porta, carregando uma mochila em um ombro, e estendeu a mão para Mycroft.

- Senhor Holmes, um prazer finalmente conhece-lo. – Mycroft apertou-lhe a mão, forçando um sorriso frio. Ninguém se lembrara de lhe avisar que o Fisioterapeuta Real era um gigante esculpido em ébano, de uma beleza que faria modelos por todo o mundo arrancarem os cabelos de desgosto. Um calor familiar tomou-lhe a boca do estômago, piorando quando os olhos brilhantes do médico voltaram-se para Greg. – E o senhor deve ser o Detetive Inspetor Lestrade, meu paciente. – Greg soltou-se do braço de Mycroft e apertou a mão que lhe era oferecida, sorrindo com facilidade. Mycroft amaldiçoou mentalmente a personalidade expansiva e carinhosa de seu amante.

- Por favor, me chame de Greg, doutor McAllister. Estou de licença no momento.

- Apenas se você me chamar de Terry. – Maldição, o sorriso do homem tinha capacidade suficiente para iluminar uma pequena cidade! Mycroft cerrou os dentes com força e tomou o braço de Anthea.

- Por favor, Doutro McAllister, sinta-se à vontade. Gregory irá lhe mostrar onde fica o cômodo destinado ao seu tratamento. - Mas toque meu parceiro de maneira inapropriada, e você estará num navio para a Sibéria antes de conseguir dizer "desculpe". Vladimir me deve favores. – Se vocês podem me desculpar, tenho assuntos urgentes para tratar com minha assistente. Com licença. – Uma ligação para o Kremlin seria o primeiro item da agenda. Mycroft arrastou Anthea com toda a dignidade que conseguia reunir em seu estado de fúria mal contida, e fechou a porta do escritório atrás deles, contendo o impulso de batê-la com toda a força, abafando as vozes animadas de Greg e do fisioterapeuta.

- O senhor controlou seu temperamento magnificamente. – ela falou, um laivo de ironia na voz. – Se olhares fossem capaz de matar, eu estaria enviando uma coroa de flores e uma nota de condolências para a família do Dr. McAllister neste exato instante. – Mycroft grunhiu e sentou-se na cadeira, afundando o rosto nas mãos.

- Você poderia ter me avisado, Anthea.

- O quê? Que o médico que o senhor contratou, baseado no currículo impressionante dele, também era um homem extremamente atraente?

- Ele vai tocar em Gregory. – ele resmungou, entredentes, sem erguer o rosto da segurança de suas palmas. – Vai mover-se de maneira que os músculos vão ficar todos salientes sob aquela roupa esportiva, e provavelmente vai mostrar um relance do abdômen definido, e vai sorrir e flertar com Gregory, porque é isso que todos que o conhecem fazem; ninguém é capaz de resistir à vontade de flertar com Gregory. – ele suspirou e ergueu um olhar atormentado para a assistente. – Eu sou patético, Anthea, não sou? – ela sorriu de maneira tranquilizadora, batendo no ombro dele. – Eu li o arquivo do homem; eu sei que ele é casado e tem dois filhos; e ainda assim, estou achando que ele vai saltar em cima de Gregory como um homem faminto sobre um banquete de Natal.

- O senhor não é patético; só está agindo de maneira patética e irracional. Bem vindo ao lado feio do amor, senhor Holmes. Parece que não é só Greg que tem uma veia possessiva. – ela provocou, erguendo uma sobrancelha.

- Gregory tem uma veia; eu tenho um maldito sistema circulatório completo de ciúmes correndo dentro de mim neste momento. – ele resmungou, respirando fundo. – Minha insegurança ainda vai ser a minha queda neste relacionamento, Anthea.

- Eu já desisti de tentar ajuda-lo nesse sentido, senhor. O senhor é um homem muito bonito, à sua própria maneira. Greg já falou e demonstrou de centenas de maneiras o quanto acha o senhor atraente. É a sua própria neurose que está ficando em seu caminho, e atrapalhando o desenvolvimento de seu relacionamento. Se eu pudesse me meter...

- Você já está se metendo. – Mycroft resmungou, emburrado como uma criança, apoiando o queixo nas mãos unidas. Anthea lançou-lhe um olhar glacial e prosseguiu.

- ... eu diria que já era hora de o senhor tomar uma injeção de coragem e encarar seus medos em relação ao seu corpo. – Mycroft suspirou e assentiu, arrumando alguns papéis sobre a mesa.

- Racionalmente, eu sei disso, Anthea. Mas quando se cresce ouvindo que seu corpo é inadequado, e quando cada amante que você já teve na vida o forçou a mudar alguma coisa... é natural começar a pensar que o problema está em você, e não nos outros.

- Talvez seja a hora de começar a ouvir o outro lado também, senhor. – ela falou, com suavidade. – Ouvir aqueles que acham que o senhor não precisa mudar. – ele respirou fundo e encarou sua assistente, com um pequeno sorriso nos lábios.

- O que eu seria sem você, minha cara? – Anthea parecia muito cheia de si ao sentar-se diante dele, abrindo seu laptop.

- Não o homem mais poderoso da Grã-Bretanha, com certeza.

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- Então, Greg, você chegou a fazer um pouco de fisioterapia no hospital, correto? – Terry largou a mochila no chão, olhando aprovativamente para o espaço preparado por Mycroft. Colchonetes, barras de apoio, aparelhos de exercício. Tudo o que ele precisaria estava disponível.

- Depois que saí do tratamento intensivo. – Greg concordou. – Eu consigo andar com um pouco de dificuldade, erguer o braço um pouco... mas a dor é bem incômoda, e eu pretendo me esforçar muito para recuperar minha capacidade física plena. Ou o máximo que este velho corpo puder recuperar. – Terry sinalizou para que ele sentasse em um dos colchonetes e sentou-se em frente a ele.

- Bom, eu posso ver que você se mantém em forma por causa do trabalho. Como vamos fazer sessões diárias, eu vou começar devagar hoje, mas já vou pegar pesado a partir de amanhã. – ele tirou um iPod de dentro da mochila e um dock station. – Eu gosto de trabalhar com música, acho que ajuda a entrar no ritmo. Você tem algum problema quanto a isso? – Greg sorriu, balançando a cabeça.

- Nenhum, desde que você não coloque aquelas músicas horríveis de academia. – Terry riu, programando o iPod.

- Só rock clássico aqui. Você tem mais alguma dúvida antes de começarmos?

- Eu... ahn... quando eu sai do hospital, ontem, o médico me pediu que evitasse certas... atividades. – ele olhou para Terry, levemente constrangido. O médico visivelmente segurava-se para não rir. – Por quanto tempo? – Greg nem se importou se estava soando desesperado.

- Se seus pontos cicatrizaram bem, e você já consegue fazer movimentos básicos... desde que você deixe seu namorado bonitão fazer a parte pesada do esforço, eu recomendo que comece no momento que eu sair por aquela porta. – ele falou – Ele estava tentando explodir minha cabeça com a força do pensamento. Ciumento, ele, hein? – Greg coçou a cabeça com um sorriso constrangido.

- Eu também não sou exatamente a pessoa mais desapegada do planeta. – ele murmurou. – Vamos começar?

- Estou pronto se você estiver.

Uma hora e meia depois, Greg estava pingando de suor, e sentindo seu corpo extremamente rígido e dolorido. Terry era excelente no que fazia, mas suas técnicas não eram nada gentis; ele era durão como um daqueles treinadores americanos em filmes sobre times que começavam na segunda divisão e acabavam por ganhar o campeonato. Ele gritava, debochava, incentivava de maneira bruta e usando a linguagem mais chula que Greg já vira em um médico. Mas mesmo com a dor e a rigidez, ele já sentia os efeitos benéficos do tratamento espartano de Terry. E não fizera nada mal passar o tempo do tratamento conversando bandalheiras e ouvindo Iron Maiden.

Terry arrumou-se para ir embora e ficou na sala de estar, esperando Anthea, que fora quem o trouxera até ali. Os dois esperaram por cerca de meia hora antes que a assistente de Mycroft aparecesse na porta, com os braços carregados de arquivos, e acenando positivamente ao ouvir as instruções do chefe, que a seguia de perto.

- ... e certifique-se de que Sir Anthony tenha realmente enviado as diretrizes operacionais para Daniels; Deus sabe que a cabeça do pobre homem não funciona mais de maneira apropriada, e aquele maldito americano está se aproveitando disso. E por favor, não se esqueça de me trazer os relatórios de vigilância; duas semanas são tempo suficiente para meu irmão colocar Londres abaixo. Eu prefiro estar a par do que ele anda aprontando. – eles pararam na porta da sala de estar e viram que já eram aguardados. O sorriso de Mycroft foi bem mais suave desta vez. – Doutor McAllister, Anthea está pronta para leva-lo de volta a Londres. Alguma recomendação em relação aos cuidados com Gregory?

- Eu já passei as instruções para ele, senhor Holmes. Ele certamente vai discuti-las com o senhor. – ele bateu nas costas de Greg a guisa de despedida. – Até amanhã, Greg. Siga todas as minhas recomendações, hein? – Greg ficou vermelho e riu, disfarçando. Mycroft estreitou os olhos, mas deixou passar... por aquele momento. Anthea acenou para Greg e saiu, seguida pelo médico. Mycroft aproximou-se de Greg e acariciou-lhe os cabelos suados.

- Está muito cansado, meu querido? – Greg assentiu, os olhos fechados, encostando-se à mão de Mycroft como um gato. Mycroft riu e cocçou-lhe atrás da orelha de brincadeira. – São cinco horas; por que você não toma um banho enquanto eu preparo alguma coisa para comermos? – Greg abriu os olhos e esfrefgou a testa.

- Cinco horas? Eu tenho que ligar para Nad. Se eu esquecer, ela vai nos rastrear até aqui e nos matar lenta e dolorosamente. – Mycroft encarou-o, com a sobrancelha erguida e um meio sorriso sarcástico.

- Nadine não precisa nos rastrear até aqui, Gregory. Ela tem o endereço. Eu só solicitei a ela que não viesse por motivos de segurança.

- Bom, mas mesmo assim, tenho que ligar pra ela. Ou melhor, temos que ligar pra ela. – Greg ergueu-se devagar, fazendo uma careta de dor. Suas costas estavam em petição de miséria; seria um bom momento para experimentar a grande banheira antiga no canto do banheiro. – Johnny ligou hoje de manhã, e queria muito falar com você.

- Oh, então não podemos deixa-lo esperando, não é? – ele conduziu Greg até o quarto, ajudando-o a sentar-se na cama, e pegou o celular do policial, entregando-lhe. Greg discou o número da casa da filha e colocou no viva voz.

- Alô? – do fundo da ligação, era possível ouvir o som muito alto de um desenho animado, e duas vozes excitadas brincando.

- Hey, Nad. Como foi o dia de vocês?

- Hey, papa. Eric foi buscar o Johnny mais cedo na escola; ele pegou uma infecção de garganta e está com um pouco de febre.

- Você gostaria que eu enviasse um médico até a sua casa, Nadine? – Mycroft falou, preocupado. Ele não suportava a ideia do pequeno sofrendo, mesmo que fosse por alguma coisa tão banal.

- Ah, hey, Mycroft! Não, Eric já o levou no pediatra; mas obrigado pela oferta. Só um pouco que eu vou chamar o pequeno; ele estava morrendo de vontade de falar com você. – eles ouviram o ruído do telefone sendo colocado na base e o viva-voz sendo ativado. – Johnny, o vovô está no telefone! – os passinhos apressados soaram, e ouviu-se Eric gritando "Não corra, filho, o chão está molhado!".

- Vovô Gueg! – a voz animada de Johnny gritou – Eu fui no dotôi e tomei uma injeção. Meu bumbum tá doendo.

- Aguente firme, parceiro, eu sei que você é corajoso. – Greg falou, sem conter um sorriso. – E como foi a escola?

- Nós fomos na biloleca. – ele enrolou-se com a palavra. – Eu peguei um livinho sobre dinosaulos. O vovô Mycki tá aí?

- Eu estou aqui, Johnathan. – Mycroft tinha um sorriso tolo no rosto, e Gretg sentiu uma onda de afeição pelo namorado.

- Vovô, lemba que você disse que ia me levar pra ver os dinossaulos no museu? Eu contei pra minha pofessola e ela disse que eu devia fazer o meu pópio dinossaulo!

- Ora, que inteligente da parte dela! E o que você fez?

- Eu fiz DOIS dinossaulos, vovô! – Pelo tom de voz, Greg sabia que o neto estava mostrando os dedinhos para o telefone. – Eles são gandes e vedes; um é pra mim e o outro é pra você!

- Isso foi muito gentil de sua parte, Johnathan. Obrigado. – Mycroft respondeu, a voz terna. – Quando você entrega-lo a mim, vou me certificar de que ele fique em um lugar de destaque no meu escritório.

- E eu também fiz um robô pro vovô Gueg. Ele é gigaaaaante e vemelho e azul. Que nem um Tansfoumel.

- Tenho certeza que eu vou adorar, Johnny. – Greg respondeu, tomando a mão de Mycroft, com um bocejo mal contido. Mycroft sorriu para ele e desligou o viva-voz, tomando o celular em sua mão.

- Agora, Johnathan, nós precisamos desligar. O vovô Greg fez muitos exercícios e está muito cansado; ele precisa descansar bastante, ou não conseguirá nos acompanhar no passeio para ver os dinossauros, você não concorda.

- Sim, vovô Mycki. Até depois, tchau! – eles ouviram o menino se afastar e gritar "Mamãe, o vovô vai desligar!".

- Cuide do meu pai, Mycroft. – a voz baixa de Nadine veio do outro lado da linha. – Ele é um velho teimoso, mas eu amo ele. – Mycroft soltou uma risada baixa.

- Pode deixar, minha cara. Nós ligamos novamente no decorrer da semana. Boa noite.

- Até outro dia.

Quando Mycroft virou-se, Greg estava recostado à cabeceira, os olhos fechados, ressonando de leve. Ele sorriu e foi cuidadosamente até o banheiro, colocando a banheira para encher. Quando ficou satisfeito, ele acrescentou sais de banho e voltou para acordar o companheiro. Greg piscou sonolentamente quando sentiu os lábios de Mycroft em sua testa.

- Acho que apaguei. – ele murmurou, esfregando os olhos. Mycroft estendeu a mão e ajudou-o a erguer-se.

- Eu preparei um banho para você, meu querido. – ele puxou o policial para um abraço, beijando-o de leve na têmpora.

- Aquela banheira é grande o suficiente para dois. – Greg murmurou, e arrependeu-se ao sentir o corpo de Mycroft enrijecer. – Desculpe, My, estou brincando. Vamos fazer o seguinte: eu tomo um banho pra tentar recuperar algum tipo de sensação nos meus músculos, e você me espera na sala, com uma taça de vinho e um espaço no seu colo. Que tal? – ele afastou-se e encarou Mycroft, que sorriu fracamente e assentiu. Greg deu-lhe um beijo leve nos lábios e dirigiu-se ao banheiro.

Ele ouviu Greg despir-se e entrar na banheira, e lembrou do que Anthea lhe dissera naquela tarde. Já era hora de encarar seus próprios medos; Gregory já dera mostras suficientes de afeto de devoção. Talvez ele devesse confiar em seu coração, e não na parte traiçoeira de sua mente que insistia em admoesta-lo a cada vez que ele se olhava no espelho.

Tomando uma resolução, Mycroft avançou para o roupão de banho que pendia do gancho atrás da porta.