Nota: Quase um ano sem atualizações... Culpa do último semestre de uma faculdade de Direito e Prova da OAB! Agora, já formado e a meio caminho da carteira da OAB, sou oficialmente, um desempregado! Kkk Tempo para escrever fanfics! rs...
Capítulo X – Do gelo e neve
Quando Neville Longbottom avistou pela primeira vez a Escola de Magia e Bruxaria de Hogwarts naquele 1º de setembro de 1991 ele não fazia a menor ideia de que se formaria sete anos depois como herói da batalha que culminaria n'A Queda de Voldemort.
Dos prêmios que ganhou por seu papel único na resistência contra Aquele-Que-Caiu incluem-se a Medalha Alvo Dumbledore de Serviços Especiais prestados à Escola de Magia e Bruxaria de Hogwarts, prêmio criado especialmente para os poucos que lutaram naquele dia fatídico, uma Órdem de Merlim, 1ª Classe do Ministério da Magia inglês, além de uma Placa de Honra ao Mérito, concedida pelo Conselho Internacional de Bruxos.
Não é preciso que se diga quão orgulhosa Augusta Longbottom ficou.
Mesmo assim, Neville teve mais com o que se preocupar após a Batalha de Hogwarts do que os preparativos para uma formatura que ocorreria dentro de um castelo destruído.
Por pouco mais de dois anos, Neville trabalhou incessantemente ao lado de Harry, Rony, bem como de Quim Shacklebolt e outros aurores, caçando os remanescentes Comensais da Morte. Eles invadiram cavernas, subjugaram gigantes à solta no mundo dos trouxas, participaram de um longo trabalho de recolhimento e transferência de todos os dementadores da Inglaterra para uma ilha coberta de encantamentos ao norte do país, testemunhou e votou pela condenação de diversos bruxos que auxiliaram de alguma forma com os esquemas de Voldemort, enfim, teve dois anos bem agitados.
Mas ele não podia negar que sua paixão eram suas plantas mágicas.
Quando a Professora Minerva McGonagall, nova diretora de Hogwarts, convidou-o para se tornar o novo professor de Herbologia com a aposentadoria da Professora Sprout, Neville deixou o grupo de Aurores, porém certo de que seu trabalho estava mais do que cumprido. Ainda havia Magia das Trevas escondida na Inglaterra, é claro, mas ou estava subjugada, ou escondida, com medo de dar as caras.
Àquela noite, Neville precisava assumir que voltara a se preocupar, quase tanto quanto na época da Segunda Guerra dos Bruxos. Harry, Rony e Vítor Krum haviam engajado em uma viagem complicada, atrás de pistas do assassino do Sr. Diggory e não deviam fazer a mínima ideia do que ocorrera dentro do Ministério da Magia há poucas horas. O escândalo fora geral. Neville sentiu um arrepio na nuca só de lembrar. Tomara que Harry e Rony resolvam logo esse caso, pensou.
Quando a notícia chegou à Hogwarts, a professora McGonagall anunciou que não haveria aula no dia seguinte, para manter luto, é claro. Afinal, a vítima havia sido aluna da escola. Coitada...
Mas ser professor de Herbologia significava nunca poder descansar. Mesmo que não houvesse aula no dia seguinte, algumas plantas da estufa três precisavam de cuidados, ou, do contrário, acordariam murchas no dia seguinte.
E foi de uma das janelas abertas para o luar da estufa três que Neville visualizou a sombra daquele homem que se aproximava a passos largos, claramente se movendo o mais rápido que podia, já que carregava algum peso nos braços.
Neville levou a mão à sua varinha sobre a mesinha ao lado e se agachou para se esconder. Quem seria o invasor e como conseguira adentrar nos terrenos de Hogwarts?
Foi quando o indivíduo saiu da sombra das árvores e passou sob a forte luz da lua cheia daquela noite. Seus cabelos negros despenteados eram inconfundíveis, assim como os cabelos cor de fogo da mulher que carregava nos braços.
- Harry! – gritou Neville, correndo para fora da estufa três e indo de encontro ao amigo. – Harry! O que aconteceu?
- Neville! – Harry pareceu aliviado em vê-lo. – Graças a Deus você está acordado! Preciso de mandrágoras!
- Mandrágoras? Mas pra que você... – Foi então que ele olhou melhor para o corpo inerte de Gina nos braços de Harry e percebeu porque seu amigo parecia estar carregando algo tão pesado. A barriga de Gina, e somente sua barriga, estava dura como uma pedra. Os braços, suas pernas e a cabeça pendiam molemente do colo de Harry.
- O que aconteceu? – perguntou Neville.
- Não há tempo! Precisamos curá-la! – Era inconfundível o tom de pânico na voz de Harry.
- O que está acontecendo aqui?
Era a Professora McGonagall. Ela devia ter avistado Harry entrando nos terrenos da escola da janela de seu escritório e se apressara para ir ao seu encontro.
- A barriga de Gina foi petrificada. - Explicou Harry.
A expressão no rosto da diretora ficou meio segundo na de completa perplexidade, mas não mais que isso, porque logo passou a ostentar um olhar de puro alerta. Sacou a varinha de um bolso interno das vestes e conjurou um gato prateado, que deslizou na direção do castelo a uma velocidade inacreditável.
- Pedi a Madame Pomfrey que acordasse e apanhasse em seu estoque o restante da poção que usamos para restaurar os petrificados no ano que a Câmara Secreta foi reaberta. Ela estará nos aguardando. Vamos, Potter.
Assim saíram os três correndo destrambelhados pelos terrenos de Hogwarts, na direção do Salão de Entrada. A diretora à frente, ágil como seu patrono, Harry atrás, fazendo um esforço descomunal para carregar Gina no colo, e Neville por último, sem saber ao certo o que fazer.
Harry não sabia por que não carregava Gina através de magia. Seria simples conjurar um feitiço locomotor para transportar a esposa sem sofrimento. Por alguma estranha razão, ele queria carregá-la com os próprios braços, quase como se, mantendo-a junto ao seu corpo, ele pudesse evitar que algo pior lhe acontecesse. Além do mais, a dor e o cansaço lhe pareciam merecidos. Era sua culpa que Gina fora amaldiçoada. Toda sua.
Ninguém falou nada até chegarem a Ala Hospitalar, cuja porta já estava aberta à espera deles, com uma Madame Pomfrey aflita lá dentro. Ela tinha nas mãos um estranho frasco contendo um estranho líquido amarelado.
- Meu Deus! – exclamou a funcionária da escola. – Mas o que aconteceu? Aqui, Potter, coloque-a aqui! Você tem sorte de ter sobrado um pouco de Poção Restauradora de mandrágoras daquele ataque de basilisco!
- Foi justamente o que imaginei.
Harry depositou Gina sobre o leito apontado por Madame Pomfrey.
- Agora esperem lá fora. Aqui só vão me atrapalhar.
A professora McGonagall deixou Neville e Harry passarem primeiro, depois, seguindo-os, fechou a porta às suas costas.
Harry caminhava de um lado a outro do corredor, enquanto Neville olhava espantado para uma armadura próxima.
- Tenho certeza de que ela ficará bem, Harry. – consolou-o a diretora. – Enquanto isso, por que não nos conta o que aconteceu? E, afinal, por que você a trouxe aqui e não ao St. Mungus? Tenho certeza de que Papoula é capaz de curá-la, mas não me venha com essa história de que você imaginava que havia sobrado um pouco de Poção Restauradora daquele ano em que a Câmara Secreta foi reaberta!
Harry não conseguia encarar a diretora.
- É culpa minha que Gina esteja assim. Se eu não tivesse... Se tivesse sido mais prudente...
Ele tomou coragem e olhou dentro dos olhos da diretora. A expressão dela era reconfortante, quase como um encontro com Dumbledore após uma longa confusão, sabendo que tudo acabaria bem agora.
Juntando todas as forças que ainda lhe sobravam, o jovem Potter começou a elucidar os eventos daquela noite.
- Vítor Krum nos levou à Durmstrang. Bem, acho que o resultado da missão não foi exatamente o que eu esperava...
07 horas atrás
Harry e Rony aparataram dentro do Salão Principal do Estádio dos Abutres de Vratsa, onde haviam combinado de se encontrarem com Vítor Krum. Os dois já usavam pesados casacos e tinham vassouras em mãos. Harry precisara pegar emprestado a Firebolt 2.0 de Gina. Sua esposa fora extremamente relutante em deixá-lo levar sua preciosa vassoura, mas acabou por ceder.
- Se quebrá-la, como fez com sua Nimbus 3000, ou perdê-la, vai se virar para arrumar outra! – disse, colocando sua preciosa vassoura nas mãos do marido, pouco antes dele desaparatar. – As Harpias que me deram essa vassoura, como parte do meu contrato de jogadora e, se eu aparecer para o treino na próxima semana sem ela, estarei ferrada!
Já no estádio ao lado de Rony, talvez em um dia comum os dois fossem alvos de olhares curiosos, mas não àquela noite. Os Abutres ainda estavam em ritmo de comemoração pelo título conquistado na noite anterior e, como sempre faziam após serem campeões em algum torneio, abriam o estádio para torcedores trazerem suas vassouras e comemorarem dentro do campo, soltando rojões e bebendo cerveja amanteigada. Não era uma comemoração muito segura, mas era um sucesso de audiência.
No entanto, era perfeito para Harry e Rony permanecerem despercebidos no meio da multidão que se dirigia para o campo.
- Onde foi mesmo que ele falou para agente ficar? – perguntou Rony.
- Perto daquela lanchonete. – Harry apontou para um pequeno restaurante mais à frente. Não era o mesmo que Krum havia convidado Hermione para jantar. Era um estabelecimento menor, somente com balcão e bancos que parecia vender comida do tipo fast-food.
Enquanto esperavam, vários torcedores passaram por eles, uns mais bêbados que os outros, cantando hinos do time, tomando bebidas bem mais fortes que cerveja amanteigada e dando vassouradas uns nas cabeças dos outros, mas ninguém parecia se incomodar muito com isso.
- Oi. – disse uma voz rouca atrás deles.
- Viva os Abutres! Ah... É você. – dissera Rony. Ele tentara disfarçar, pensando que um torcedor fanático se aproximara, mas quando viu quem era deixou a cautela de lado. Sua confusão se deu pela forma com que Krum se disfarçara. Estava usando um casaco cinza com um largo capuz que cobria seu rosto com uma sombra, deixando apenas seu troncudo nariz à mostra.
De fato, ele era provavelmente o único que seria capaz de atrair atenção no meio daquela confusão, tendo sido o herói da vitória na noite anterior. Além do mais, os jogadores nunca se juntavam aos torcedores para comemorar um título daquela forma. Se Krum fosse visto, provavelmente todos ali pulariam em cima dele e seria impossível seguirem com seus planos para aquela noite.
- Vamos logo, antes que me vejam... Vamos entrrar escondidos nos vestiárrios.
Os três pegaram o caminho para os vestiários, desviando-se dos jogadores que iam em direção ao campo de jogo, que gritavam os nomes dos jogadores dos Abutres, principalmente o de Krum, sem desconfiarem que estavam esbarrando no próprio.
A entrada para os vestiários estava trancada e havia um guarda prostrado diante da grade que impedia os torcedores de entrarem. Krum levantou o rosto parcialmente, só o suficiente para a luz revelar seu rosto apenas para o guarda, que fez cara de espanto e soltou uma exclamação que se misturou com os gritos dos torcedores.
Krum falou alguma coisa em búlgaro para o homem que, por fim, conteve a sua excitação sem chamar mais atenção, abrindo a grade de segurança para os três passarem e fechando-a logo atrás de Rony, que vinha por último.
- Disse a ele parra non deixarr ninguém mais entrrarr... – explicou Krum.
Quando chegaram aos vestiários do time, Harry pode ver um brilho de excitação percorrer os olhos de Rony. Ele era um grande fã de quadribol afinal, e entrar nos vestiários do atual campeão europeu era uma regalia que nem mesmo os maiores torcedores dos Abutres jamais tiveram.
- Então Krum, onde fica o castelo de Durmstrang? – perguntou Harry.
- Pom, - começou Krum, indo até seu armário e retirando sua vassoura lá de dentro. Novamente Harry pôde perceber um olhar cobiçoso em Rony ao avistar a vassoura de Krum. – non é fácil chegarr lá. Vou levá-los por aparrataçon acompanhada.
Harry prontamente segurou um dos braços de Krum. Rony pareceu mais hesitante. Não parecia querer confiar no búlgaro, mas por fim, segurou no mesmo braço que Harry segurava.
Um instante depois os dois estavam rodopiando, sendo puxados pelo braço de Krum até que caíram no chão gelado coberto de neve.
Enquanto se levantava, batendo em seu casaco para limpá-lo da neve, Harry pensava que deveria ter arrumado roupas ainda mais grossas porque, apesar do céu ensolarado, o frio era intenso.
- Onde estamos? – perguntou Rony, tremendo.
- Ostrov Zapadnyy Kamenyy. Uma ilhe no norrte da Russia.
Harry olhou à sua volta, analisando o local onde haviam aparatado. Havia uma construção de estacas de madeira de aproximadamente quinze metros, com uma escada bem suspeita também de madeira que levava a um farol rudimentar no topo. Reparou também que estavam em uma praia, mas ao invés de areia, a costa era coberta de neve. Havia também um porto em condições ligeiramente melhores do que o farol. Ele se estendia uns 30 metros para dentro do mar. Não havia barcos ancorados por perto, mas uma bóia era visível à distância, quase a duzentos metros para o meio do oceano.
- É aqui que os alunes de Durmstrang se reúnem parra irrem a escola.
- Como chegam aqui? E como vão para a escola? – perguntou Harry, curioso, lembrando-se do Expresso de Hogwarts.
- Chave de Porrtal. Cada alune de Durmstrang recebe um tíquete dourrado quando começamos. Esse tíquete se transforrma em uma Chave de Porrtal quando este farrol se acende e nos trrás aqui. Enton vamos até aquele porto e pegamos várrios barrcos menorres até aquele navio que vocês virram no Torrneio Trribrruxo, que fica ancorrado mais no fundo.
- Interessante. – comentou Harry. – Mas afinal, onde fica o castelo?
- Mais parra o norrte. E como as aulas já começarram, o navio já está atrracado lá. Agorra vamos. Ainda está de dia, mas quando o sol se porr vai ficarr muito frrio.
- E já não está muito frio? – perguntou Rony, com os braços cruzados, tremendo devido à baixa temperatura.
O problema com o horário era um empecilho. Eles não podiam voar muito de noite porque morreriam congelados, mas também não podiam chegar muito cedo à escola, já que os alunos ainda estariam andando pelo castelo. O melhor seria chegar logo depois do toque de recolher, e aguardar um pouco até que os corredores ficassem vazios para entrarem.
Os três montaram em suas vassouras e decolaram. Só de respirar aquele ar frio já fazia os pulmões arderem. Quando alcançaram uma altitude bem elevada, Harry pensou que não sentia um frio daqueles desde que tivera que mergulhar em um lago congelado para apanhar a espada de Godric Griffyndor.
Nada foi dito durante a viagem. Harry achava que não conseguiria mover um músculo sequer. Toda sua força estava em manter-se agarrado em sua vassoura. Pelo canto do olho, ele pode ver Rony na mesma situação que ele. À frente, Krum parecia mais tranquilo. Às vezes apontava para determinadas direções, a fim de corrigir o curso do vôo.
Mais de cem metros para baixo, Harry podia ver que o número de blocos de gelo aumentava quanto mais iam para o norte. Uma hora depois, quando o sol estava quase se pondo, eles avistaram uma ilha à frente. Parecia uma grande geleira, mas era possível ver um pouco de verde dos pinheiros que formavam uma pequena floresta na parte sul da ilha. Além dela, tudo que Harry via era uma longa extensão de neve com poucos relevos, rodeada por pequenas montanhas congeladas.
Entre a floresta e a primeira montanha do lado leste havia um porto tal qual o anterior, provavelmente por onde os alunos desembarcavam. Ancorado há uns 100 metros do porto, estava o navio que levara os alunos de Durmstrang à Hogwarts para o Torneio Tribruxo.
- Vamos pousarr! – gritou Krum. Harry e Rony mal puderam ouvi-lo com o zumbido do vento.
Eles baixaram a altitude e pousaram na costa sul da ilha. À frente deles, logo depois da pequena praia de neve, era o início da floresta de pinheiros. O porto que Harry avistara anteriormente ficava a uns quinhentos metros a leste dali.
- Eu não vi castelo nenhum nesta ilha. – comentou Rony, descendo de sua vassoura.
- Como eu disse, eu tenho que mostrrar... Agorra vamos. Mantenham suas varrinhas em maons.
Os três entraram na floresta com suas vassouras na mão esquerda, e a varinha na direita. Krum ia à frente, brandindo sua varinha, vez ou outra, para cortar plantações do caminho.
- Essa florresta non é como a de Hogwarts, mas tambám non é muito segurra.
- Não há aranhas, há? – perguntou Rony, percorrendo o chão com os olhos, ligeiramente exaltado.
- Clarro que há arranhas. Mas non son acrromântulas.
- E por que não podemos passar por aquele caminho que sai do porto? – perguntou Rony, referindo-se a uma ruela que levava até o centro da ilha que passava ao lado direito da floresta.
- Porrque é vigiada... – respondeu Krum.
Eles caminharam floresta adentro por pouco menos que meia hora. De fato, era uma floresta bem menor que a dos terrenos de Hogwarts e o maior perigo que encontraram, além de uma serpente que Krum jogou longe com um movimento da varinha, foi uma aranha caranguejeira que quase fez Rony gritar.
Quando chegaram à orla do outro lado da floresta, Harry avistou pela segunda vez a área aberta coberta de neve, mas sem nenhuma construção. Havia uma pequena montanha do lado leste da ilha, e outra ligeiramente maior do lado oeste. Ao norte e bem ao longe, era possível avistar uma praia que devia ter quase um quilômetro de extensão.
- Aqui está, o castele de Durmstrang. – Disse Krum, apontando para o meio da ilha.
Mais preparado para os efeitos produzidos pela quebra daquele encantamento, dessa vez Harry não se espantou tanto quanto com o castelo dos Ivanovi. Do puro gelo e neve, uma construção de pedra, que segundos atrás lhe era invisível, começou a surgir na paisagem, tapando a vista para a praia ao norte. Ao seu lado, Rony soltou uma exclamação, deu um passo atrás e tropeçou em uma pedra.
Krum não conseguiu conter uma curta risada.
