Capítulo – 10

Mais cedo do que imaginava, Draco descobriu que uma guerra não era constituída somente de batalhas e vitórias. Era, principalmente, alianças. E aquela, em particular, foi uma guerra de grandes proporções que envolveu muitos interesses.

Os Lestrange, os Goyle e os Crabbe eram famílias com quem os Malfoy tinham negócios e influências múltiplas, além de laços de sangue já estabelecidos, a ajuda deles na batalha foi negociada com troca de serviços e produtos. O último Black morreu em batalha, deixando tudo o que possuía de herança para Harry, que decidiu prorrogar a decisão de assumir seus direitos por hora, cedendo-os temporariamente a Remus, que simplesmente foi embora, deixando claro para Harry procurá-lo assim que quisesse.

Os Weasley era um caso mais complicado, assim como os Greengrass. No primeiro, a complicação advinha justamente da pouca vontade do Senhor Malfoy em estabelecer vínculos com pessoas que julgava de segunda classe, mas que foram força fundamental para a sua vitória. No segundo, os Greengrass possuíam uma aliança antiga com os Malfoy, mas que estava fragilizada, e requeria mais do que negócios para selar.

E ambas as famílias possuíam filhas únicas, mulheres, solteiras.

E por mais que não se falasse, Harry também estava em dívida com os Malfoy.

E foi assim que Draco se viu envolvido em um acordo de casamento.

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Seu pai organizou a festa de casamento que sempre considerou digna ao único herdeiro dos Malfoy. O único lapso é que ela não foi unicamente sua. De uma forma irônica, Harry e Draco se casaram no mesmo dia, no mesmo local, no mesmo horário, com o mesmo padre. Foi o casamento deles. O lapso deles era que tinham noivas. Não que elas não fossem belas ou dignas, somente eram a formalidade presente. Draco não conhecia Astoria Greengrass, e ela não significava nada para ele além de uma aliança entre seus pais. E ele imaginava que Harry sentisse algo parecido com relação à Weasley, ou pior, já que ele não tinha pai.

Pior para Draco não foi a cerimônia. Foi o que veio depois.

A lógica daquela união não eram eles, os noivos, mas sim os herdeiros que viriam além, firmando a aliança. E, sim, para existirem herdeiros deveria haver, no mínimo, a noite de núpcias.

Draco e Harry nunca chegaram a conversar sobre isso, efetivamente. O moreno nunca havia tocado em uma mulher antes... Nem mesmo sido ativo em qualquer relação, e o loiro imaginava que ele estava muito mais nervoso do que ele. A causa da sua ansiedade era ele.

Astoria Greengrass era bela e delicada ao seu modo, mas nunca uma mulher que chamaria a sua atenção. Educada para agradar, para satisfazer, para se entregar, sua submissão insípida chegou a irritá-lo em certo ponto. Porém, foi rápido.

Depois que ela adormeceu, ele deixou o quarto que agora partilhava com ela. Seria impossível dormir com todos os fantasmas que invadiam sua mente, vindos do quarto ao lado. Como casaram em maio, o tempo estava agradável. Vestiu um robe leve sobre a sua nudez e se dispôs a vagar pelo castelo pelo resto da noite. Mas não foi muito longe. Na varanda no corredor dos quartos, um fantasma entorno em uma camisola longa e branca, com seus cabelos flamejantes, estava parado olhando a noite.

– Boa noite, Senhora.

– Boa noite, Senhor.

Debruçou-se na mureta ao seu lado e observou os jardins à luz da lua. Incontrolavelmente, começou a rir.

– Senhor? – ela o questionou.

– Perdoe-me a intimidade, Senhora, mas espero que o seu marido não a tenha chateado para que optasse por ficar sozinha, olhando a lua, em sua noite de núpcias.

Para seu desespero, ela sorriu.

– Não... Devo confessar, Senhor Malfoy, que cheguei naquele quarto assustada nesta noite. Por mais... Humm... Informada que seja uma dama, é impossível saber exatamente o que a espera nos braços de um homem. E devo dizer que Harry Potter me surpreendeu, pois de tudo o que eu havia pensado de um guerreiro, a delicadeza e a preocupação com o que eu sentia não vinham em primeiro lugar. Meu marido jaz dormindo profundamente depois de me deixar imensamente satisfeita com o meu casamento.

– Ora, fico feliz de ouvir isso. – uma voz ressoou atrás deles, e Harry se aproximou, abraçando a esposa – Mas saiba que eu não gosto de dormir sozinho. – ele cochichou em seu ouvido, de forma que ela não pudesse ver os olhos verdes fitando de forma intensa o loiro à frente, e este se obrigou a ter o bom senso de desviar o olhar antes que se deixasse levar por essa intensidade – Então, o que acha de irmos para o quarto?

Ela concordou com a cabeça e os dois o deixaram abandonado com a lua.

– Ah, Senhora, vá à frente que eu preciso dar uma palavra com o Draco.

– Harry, sou sua esposa! Chame-me pelo primeiro nome!

– Claro, Ginevra. É rápido, sim? Por favor. Vá indo...

Ainda demorou alguns segundos até que Draco pudesse sorrir, sentindo mãos calejadas alisarem sua cintura. Virou-se para o moreno e foi imediatamente arrebatado em um beijo. Um dos melhores beijos da sua vida, seguido por sua voz, que veio aplacar seu coração.

– Eu ainda sou seu, Draco. Só seu.

Ele não pôde deixar de fechar os olhos e abraçá-lo.

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Draco entrou na estrebaria e avistou o moreno penteando o cavalo espanhol negro que ganhara de seu pai. Ele cantarolava alguma cantiga triste qualquer enquanto suas mãos ágeis trançavam a crina do animal, formando uma rede brilhante sobre o pescoço forte.

Draco devia saber que, se Harry queria se esconder em algum lugar, seria ao lado de um cavalo.

– Harry. – chamou baixinho, próximo do pescoço do moreno, pousando as mãos em sua cintura.

Ele se virou, mas não o encarou, baixou os olhos e se desviou de seu abraço, indo guardar a escova que usara, saindo do local sem dizer palavra.

– HARRY!

– Deixe-me, Draco... Por favor.

– Mas que droga, Potter! – Draco o pegou pelo braço, puxando-o de volta, olhando fundo em seus olhos – O que está acontecendo, Harry? Por que você está fugindo de mim?

– Porque eu sou um homem casado, Malfoy. E minha esposa está grávida de um filho meu. E eu não acho certo ficar te encontrando pelos cantos mais escuros desse castelo sabendo que ela precisa de mim neste momento.

– POTTER! – Harry o empurrou e Draco voltou a abraçá-lo, evitando que ele fugisse – Ah, por Deus, Harry, eu não posso... Eu não consigo... – suas mãos corriam pelo rosto e cabelo de Harry e ele encostou sua testa à dele, fechando os olhos – Não faz isso, Harry, por favor...

– Astoria está grávida também. Mesmo tempo que Ginny.

– Eu não a amo.

– Não importa. É sua família, Draco.

– Eu... Merda, eu sei... E eu amo meu filho, Harry, não pense que não... É só que... Não basta... Deus, eu preciso tanto de você...

Seus dedos acariciaram os lábios de Harry antes de beijá-los, devagar, quente, puxando-o para mais perto. Harry não resistiu, aprofundando o beijo, envolvendo sua cintura, suas mãos procurando o vão da blusa de Draco, buscando pele, contato.

Harry o empurrou sem romper o beijo até Draco bater contra a parede, ofegando quando a mão do loiro achou caminho entre suas roupas, entrando em sua calça. Espelhou o movimento, sentindo o corpo do loiro se mover contra o seu no ritmo do beijo, as mãos dando tudo o que tinham ao outro. Harry mordeu os lábios de Draco quando o prazer o encontrou mais rápido do que esperava. Deixou o corpo relaxar contra o do loiro, respirando em seu pescoço.

– Por Deus, não pare agora... – Draco pediu baixinho puxando Harry pelos cabelos, voltando a beijá-lo.

Harry caiu de joelhos aos seus pés, afastando as roupas, tomando o loiro em sua boca. Draco pousou a cabeça contra a parede, não detendo os gemidos, fechando os olhos e aproveitando os poucos momentos em que Harry ainda se permitia ser dele.

Aquilo o estava matando.

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Harry acordou assustado de um sonho agitado quando ouviu o "clic" da porta. Sentou-se rápido na cama e vislumbrou na penumbra do quarto a figura de um Draco só de ceroulas parado, de pé, encostado na madeira, mordendo o lábio, visivelmente apreensivo.

– Draco? – Harry esfregou o rosto, tentando acordar de vez, e voltou a olhar a tempo de ver o loiro se afastar da porta e andar em direção da cama.

O moreno se ajoelhou sobre as cobertas, engatinhando em direção à beira, ao mesmo tempo em que Draco fez o mesmo, os dois se encontrando no meio da cama em um abraço silencioso. O moreno sentiu a urgência daquele abraço. Draco estava ali porque precisava dele.

– O que foi, Draco? – ele perguntou, acariciando os fios loiros.

Draco se afastou, olhando-o, ainda mordendo o lábio enquanto acariciava o seu peito nu. Fez um gesto de negativa com a cabeça e tentou levantar da cama.

– Não. Espera. – Harry segurou a sua mão, o puxando de volta, passando os dedos pelo seu rosto – O que está acontecendo, Draco? Por que você veio aqui? Você sabe... Nós não podemos... Ginny... Astoria... Seu pai...

– Eu sei... Eu sei, Harry... – Draco passou a mão sobre o rosto, nervoso, antes de explodir – Mas é que é tão difícil! Eu passei meses ao seu lado! Dormi com você todas as noites! Fiz amor com você, Harry! Não vai ser de uma hora para outra que eu vou simplesmente te esquecer e conseguir fingir que eu não sinto falta disso... Que eu não quero seu toque... Que eu não quero seu beijo... Que eu não quero você, Harry.

Harry o puxou para o seu abraço e beijou seus cabelos.

– Eu também sinto sua falta, Draco... Você não imagina o quanto.

Draco o envolveu com seus braços, afundando o rosto no pescoço do moreno, sentindo seu cheiro, beijando levemente a pele morena.

– Não, Draco...

– É tão injusto... Eu neguei tanto, Harry... Eu repeti tanto pra mim mesmo que eu não te queria. – suas palavras eram pontuadas por movimentos de suas mãos às costas do moreno e beijos e lambidas em seu pescoço – Que você era só um idiota... Um servo, um padreco, um moleque. Que era só sexo. Que ia acabar quando eu quisesse. Que eu estava te fazendo um favor.

– Você pensava isso? – Harry se afastou dele.

– Não... Eu não pensava. – ele pousou a mão no rosto de Harry – Eram coisas que pessoas já haviam me dito, sobre outras pessoas. E que eu ficava repetindo, tentando me convencer de que acontecia comigo também... Que acontecia com a gente. Mas era tudo mentira. O contrário, até! Eu nunca me importei tanto com ninguém, Harry... Eu nunca desejei tanto algo como eu quero ficar com você!

Harry sumiu com a distância que havia entre eles, selando os seus lábios em um beijo desesperado. Quando se separaram, os olhos se encontraram em uma declaração muda, que nenhum dos dois teria coragem de proferir, mas que ambos viam pulsando nas atitudes do outro.

– Ama-me, Harry. Por favor, faz amor comigo... Mostra-me que esse carinho que a Weasley canta aos sete ventos que você tem por ela é só meu. Que a delicadeza com que você a toca é a mesma com que você me toca...

– Você me ensinou a tocar, Draco. O carinho que eu tenho pela Ginny é só uma sombra, um reflexo do que eu sinto por você.

– Mas você nunca me teve, Harry. E agora, eu quero você...

Os olhos de Harry corriam pelos de Draco enquanto a aflição tomava conta do loiro, à espera da resposta que não vinha, até que a mão de Harry alcançou seus cabelos, afagando, acariciando, puxando-o para um beijo faminto, mas delicado. Breve demais para todo o calor que os envolvia.

– Draco. – Harry parecia assustado com o pedido.

– Por favor. Eu te quero tanto, Harry. Quero tanto sentir você... Você em mim. – Draco o abraçou, puxando-o para mais perto, tomando sua boca – Por favor, Harry. Ama-me. Eu te amo tanto, Harry... Tanto.

– Draco, eu... Eu não quero te machucar. Eu... Eu não...

– Eu te machuco, Harry? – a voz do loiro saiu dura, meio desesperada.

– Não. Você não, Draco, eu já disse. Mas, no começo... Sempre dói, Draco... Sempre.

Draco o puxou para perto pelos cabelos, o beijando profundamente.

– Eu confio em você. – seus lábios ainda encostados nos do moreno – E eu quero. – levou a mão do moreno pra frente da sua calça – Eu sou seu, Harry.

Harry voltou a tomar sua boca, deslizando a mão para dentro da calça do loiro, sentindo seus gemidos em sua boca conforme o tocava. Draco rompeu o contato, puxando as cordinhas que atavam a calça do moreno enquanto ele já abaixava a sua. Os dois completamente nus agora, ajoelhados no centro da cama no quarto escuro, se olharam, trocando carinhos, eventualmente se beijando e sorrindo, um sorriso cúmplice de quem espera por isso há tempo demais.

Devagar, Harry fez Draco se deitar, se sentando ao lado dele, debruçado sobre seu corpo para beijá-lo, primeiro na boca, para em seguida tomar seu mamilo entre os dentes enquanto continuava estimulando-o com a mão. Draco acariciava seus cabelos, gemendo baixinho.

– Ah... Vem cá. – disse, puxando Harry para mais perto – Quero te tocar.

Harry voltou a beijá-lo, se deitando sobre o loiro, deixando uma de suas pernas entre as dele, seus corpos se tocando. Draco desceu a boca para o seu pescoço, correndo a mão pelo seu corpo, ainda gemendo pelo movimento do quadril de Harry sobre o seu. Retomou o beijo, acentuando o movimento, abraçando-o, e ofegou, mordendo seu lábio, conforme a intensidade aumentava, abrindo as pernas para que o moreno se encaixasse entre elas.

– Calma. – Harry se afastou – Vira.

Draco abriu os olhos, assustado.

– Não, Harry. Eu quero olhar para você.

Harry pousou um beijo sobre seus lábios.

– Dói menos de bruços. Quanto mais você ergue o quadril, mais fácil. Depois a gente muda. É só... Sério, Draco, eu não quero...

Draco o calou, o beijando, e se deitou de bruços no meio da cama, sentindo o peso de Harry sobre seu corpo em seguida. O moreno beijou sua nuca e suas costas, correndo a mão pelo seu corpo.

– Dobra uma perna.

Draco obedeceu, sentindo o moreno tocá-lo em seguida, acariciando sua bunda, esfregando os dedos em sua entrada, devagar, até entrar um. O moreno o moveu, devagar, beijando o pescoço do loiro.

– Se doer...

– Eu sei. Não está doendo. – Draco o garantiu – Continua... É bom.

Harry sorriu, acrescentando um segundo dedo ao primeiro, sentindo Draco estremecer conforme entravam mais fundo, e emitir sons baixinho conforme os distanciava, tentando relaxar a musculatura do loiro. Harry se curvou para beijá-lo conforme inseriu um terceiro dedo, prevendo o gritinho que deixou a garganta do loiro quando forçou seu corpo a aceitá-los. Draco, porém, se agarrou aos seus cabelos e aprofundou o beijo, gemendo em sua boca.

– Harry! – o som saiu trêmulo quando o moreno deixou de beijá-lo para se posicionar melhor.

Harry puxou um pouco o seu quadril de forma que Draco teve que dobrar ambos os joelhos, arrebitando o corpo, e começou a penetrá-lo, sentindo o loiro ficar tenso, procurando algo em que se segurar. Parou, acariciando seu quadril e pernas, subindo a mão pelo seu corpo até entrelaçar os dedos nos de Draco, a mão pousada ao lado do travesseiro.

– Relaxa, meu amor...

Harry ouviu o loiro respirar fundo, apoiando a testa na cama, e voltou a se mover, sentindo o corpo deslizar devagar pelo corpo do outro, gemendo baixo frente ao calor e as sensações que o envolviam. Quando sentiu seu quadril encostar-se ao do loiro, deitou o corpo, tocando-o completamente, sussurrando em seu ouvido.

– Tudo bem?

Draco não o encarou, somente concordou com a cabeça, ainda apoiada na cama. Harry começou a beijar seu pescoço e ombros, acariciando-o, trêmulo, se segurando para não se mover. Draco começou a ficar agitado, gemendo baixinho, remexendo o quadril lentamente. Harry grunhiu, chupando a pele perfumada do pescoço do loiro, se movendo devagar também, sentindo o loiro se contorcer e aumentar o aperto em sua mão.

– Espera...

Harry se afastou, com relutância, saindo devagar do corpo do loiro, que grunhiu, e se deixou cair sobre a cama.

– Vira, Draco. Eu também quero olhar pra você. – o loiro se virou, sorrindo, e Harry se deitou sobre ele, dobrando suas pernas e o beijando – Quero te beijar e ver sua expressão de prazer e te ouvir gritar meu nome no final. – completou, tomando a boca de Draco com desejo, pressionando o corpo contra o dele e gemendo em sua boca conforme não encontrou resistência, os unindo plenamente.

Draco tremia em seus braços e tentou falar algo, mas Harry não libertou sua boca, começando a se mover, devagar, mas mais intensamente, ganhando velocidade conforme as mãos de Draco corriam pelo seu corpo, arranhando-o, os dedos entrelaçados em seu cabelo, em suas costas, seus braços, seu quadril, amando-o.

Quando não tinha mais fôlego, interrompeu o beijo, permitindo que um grito deixasse os lábios de Draco quando estocou seguidas vezes, sentindo-o se contorcer em seu abraço, sem ar, apertando-o com força, jogando a cabeça pra trás. Os olhos fechados, a boca aberta, o rosto tenso de prazer. Harry encaixou o rosto no vão de seu pescoço, aspirando seu cheiro, e se deixou levar pelas sensações que o inundavam, se impulsionando mais contra o corpo do loiro até se inebriar naquela insanidade, ouvindo Draco gritar o seu nome ao se derramar entre seus corpos.

O mundo parecia parado. Somente a respiração pesada dos dois. Harry ainda sentia-se trêmulo quando conseguiu se mover o suficiente para olhar para Draco. Ele mantinha os olhos fechados, respirando fundo, estático. Harry levou a mão à face delicada do outro e percorreu seu contorno levemente com os dedos. As íris metálicas se revelaram, sorrindo para ele, e as bocas se procuraram inevitavelmente.

– Eu te amo, Draco. – o sussurro foi acompanhado de um abraço cúmplice, e durante muito tempo ficaram assim, abraçados, sentindo os corações se acalmarem, entrando em um mesmo ritmo.

Harry se apoiou nos braços, se retirando do corpo do loiro, e se deitou ao seu lado. Draco se virou, passando um braço sobre seu peito, aconchegando a cabeça contra seu ombro, passando os dedos de leve pela pele morena enquanto os dedos de Harry corriam pelos seus cabelos até adormecerem.

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Os raios de sol banhavam o quarto através das cortinas abertas, mas isso não incomodava os dois homens deitados na cama, mal cobertos com os lençóis de seda, sujos com a prova do que fizeram durante a noite. Os dois abraçados, os corpos tão juntos quanto possível, entrelaçados como se tivessem medo de se afastar. Dormindo, inocentes.

– Harry, desculpe, mas... AAAAAAAAAAAAAAAAAAAHHHHHHHHHHHHHHH!!

O loiro sentou na cama, assustado, seguido pelo moreno, encarando a mulher parada na porta.

– GINNY! – Harry gritou, identificando os cabelos ruivos da esposa que saía correndo do quarto – Ah, merda! Merda! Merda! Merda!

O moreno levantou correndo, tropeçando nos lençóis, procurando as peças de roupas caídas pelo chão. Draco se levantou devagar, ainda confuso entre o sono e a agitação recente. Aquilo não ia dar boa coisa.

– Harry, espera... – parou o moreno no meio do quarto, coçando a cabeça – O que você vai falar para ela?

Harry o encarou. Abriu a boca, fez um som de engasgo e voltou a fechá-la.

– Certo... Deixa que eu converse com ela.

– O quê?

Harry observou descrente o loiro pegar seu robe e sair do quarto bocejando, indo em direção ao quarto que Ginny agora ocupava sozinha, para ficar mais a vontade devido aos incômodos da gravidez já avançada. O moreno, não encontrando as roupas, enrolou o lençol na cintura, seguindo o loiro.

– E você? O que vai falar para ela?

– A verdade. – Draco respondeu, prático.

– E o que você quer dizer com isso?

Draco balançou a cabeça apoiando as mãos no peito de Harry, depositou um selinho nos seus lábios e olhou fundo nos olhos verdes.

– Confia em mim, está bem? – e continuou andando, entrando no quarto da ruiva sem bater e fechando a porta.

Ginevra Weasley andava de um lado para o outro, segurando o ventre crescido, soluçando. Draco foi até a mesinha no canto do ambiente, encheu um copo com a água da jarra e se dirigiu a ela.

– Beba. Você está muito nervosa...

– E o que você esperava? – ela deu um tapa no copo, que voou longe – Eu acabo de encontrar meu marido nu na cama com outro homem! Com você!

– Eu o amo.

– Você não tinha o direito...

– De amá-lo? Você tinha o direito de se casar com ele e eu não pude fazer nada quanto a isso. Eu tenho o direito de amá-lo.

– Você... Oh, Deus... Desde quando vocês...?

– Desde sempre. Desde que deixamos o mosteiro. Desde que eu olhei nos olhos dele e me perdi, Ginevra. Desde que ele me aceitou.

Ela caiu sentada na cama, chorando. Ele se ajoelhou ao lado dela.

– Por favor, acalme-se, você está grávida...

– Vá pro inferno! O que você fez com ele? Ele não pode...

– Me querer? Você não o conhece.

– E VOCÊ CONHECE?

– Você não foi capaz de ver do que ele precisava, não foi capaz de se doar, de lhe doar a única coisa que Harry pede em troca de todo o amor do mundo, Ginevra.

– Ele nunca me pediu nada!

– Não, ele não pediria. – Draco comentou, triste – Escute, Ginny. Harry perdeu os pais e cresceu sozinho em um mosteiro, isolado de tudo. Quando eu o conheci, o Harry era violentado diariamente, e era incapaz de fazer isso parar ou sequer de chorar. Era o único contato que ele tinha e julgava que isso era amor. – os olhos de Ginny se arregalaram e as lágrimas corriam com mais intensidade – Quando ele se viu livre disso, eu já o via como ele era, livre e alegre e belo... Ginny, eu o amei em toda a delicadeza que ele conseguiu me mostrar. Você só conhece o Harry guerreiro, que conquistou o direito de te desposar na guerra e te fez mulher por obrigação. A mim, ele se entregou contra tudo, e nessa noite eu me entreguei a ele, Ginny, porque ele é tudo o que eu preciso, mais nada. E sei que posso dar isso para ele também.

Ela o olhou com raiva. Ele suspirou e se levantou.

– Se você deseja a infelicidade do Harry, ela está em suas mãos agora. Separe-nos, conte o que viu para todos e nos condene. As provas do que fizemos está em nossos corpos, está naquela cama. E então você terá perdido não só o Harry como seu marido e pai do seu filho, mas também qualquer coisa que ele ainda sinta por você. E ele sente, por você e por essa criança. Mas são coisas diferentes do que o que ele sente por mim.

Draco engoliu a saliva com dificuldade, a encarando.

– Ou você pode nos deixar livres. – disse em um suspiro.

Ela respirou fundo, se levantando, trêmula.

– Eu quero falar com ele.

Draco abriu a porta e deu passagem para ela. Harry estava parado no corredor, encostado na parede oposta, ainda envolto somente no lençol. Ginny aproximou-se, as mãos trêmulas e delicadas tocando de leve o peito nu marcado por cicatrizes. Ele as pegou entre as suas e as beijou, e ela não recuou, somente o encarou.

– O que você sente por ele?

– Ele tem a minha vida.

– E... – as lágrimas corriam pelo seu rosto – E o que você sente por mim?

– Você tem meu filho, e a minha lealdade.

– Você não me parece leal no momento. – ela disse com a voz rouca de choro.

– Lealdade é diferente de fidelidade. Eu tenho um compromisso com você, e pretendo cumpri-lo, só não me peça que deixe de sentir.

Ela estremeceu e respirou fundo várias vezes. Ele fez menção de abraçá-la, mas ela o impediu, pousando sua testa contra a dele.

– Oh, Deus, como eu queria conseguir te ferir. – ela deu um passo para trás, se afastando dele, e o encarou, enxugando as lágrimas – Você não me deve nada, Harry. Está livre para fazer o que quiser. Eu só peço duas coisas: não esqueça o seu filho, e não me obrigue a ficar sob o mesmo teto que ele.

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Draco deu um último beijo no filho, embalando-o antes de devolvê-lo ao colo da mãe, na qual deu um beijo na testa e um abraço. Ao longe, via Harry e Ginny conversando entre sussurros, sérios, o bebê nos braços de Harry, que beijava sua testa a intervalos.

Draco se despediu de sua mãe, que lhe sorria, e montou o cavalo. Lucius se aproximou.

– Você tem certeza do que está fazendo?

– Nunca tive tanta certeza na vida, pai.

– Você está deixando seu filho para trás.

– Eu não estou abandonado minha família. Voltamos em seis meses. Harry vai precisar de ajuda para administrar toda a herança e reaver as propriedades dos Potter.

– Nós dois sabemos que não é por isso que está indo.

– Não importa. Eu estou indo atrás da minha paz e da minha felicidade. E tenho certeza que minha família estará bem.

– Você pode ser feliz com uma vida dividida?

– Eu sou feliz com ele.

Lucius se afastou do filho quando Harry montou no cavalo ao seu lado.

– Tudo bem, Draco?

O loiro confirmou com a cabeça, fazendo um sinal à comitiva que os acompanhava. Os dois desceram o caminho em direção aos portões do feudo, trotando devagar, acenando para a família.

Quando chegaram à estrada, Harry emparelhou o cavalo com o de Draco, suspirando.

– Tudo bem? – Draco perguntou, incerto.

Harry sorriu e confirmou com a cabeça, enlaçando seus dedos ao dele.

Era um caminho para uma nova vida.

FIM

N/A: E "Pelos olhos teus" chega ao fim depois de quase um ano do surgimento do seu plot. Eu amei escrever essa fic, acho que ela tinha inicialmente uma tendência a ser muito mais triste e sombria (sim, mais) e um pouco mais detalhista no que se refere a fatos que fariam referência ao Canon, como o processo de derrota de Voldemort e a participação da Cissy, que acabou meramente citada.

O motivo pelo qual ela acabou não se desenvolvendo assim é o mesmo, talvez, pelo qual eu tenha demorado tanto para escrevê-la: a primeira parte dela é muito forte, e ela mexeu emocionalmente comigo a ponto de eu precisar parar e dar um longo tempo antes de voltar a escrever em dois pontos: o estupro em que o Draco percebe o que está acontecendo com o Harry e a morte do Snape. O que mostra o meu grande envolvimento com a fic.

Acho que ela tem dois pequenos defeitos que eu não consegui corrigir: a caracterização de alguns personagens, como o Snape, e a má divisão dos capítulos. Quanto à primeira, eu me perdôo dizendo que é uma UA.

Fiquei triste por não poder dar tanta atenção aos leitores durante a postagem, mas agradeço muito a atenção que vocês deram para mim. Pretendo responder todas as reviews no sábado, em algum momento que eu consiga parar. Gostei muito da recepção de vocês, temia que a fic pudesse gerar algum tipo de conflito devido à questão religiosa, mas a leitura da maioria foi muito interessante.

Queria agradecer especialmente à Lauh Malfoy e à Eyre Potter, que não sei se estão acompanhando a postagem, mas acompanharam basicamente toda o processo de fabricação da fic, me dando um apoio importante.

Agradecimentos muito, muito do fundo do coração à minha Twin, DarkAngel, por tudo, desde o apoio, a preocupação, os puxões de orelha, o mimimi, o chall, etc. Te amo, linda.

E um beijão a todos. Espero que gostem do fim.

Agy