Para Lola, minha paulissssta favorita.


Queridos, por acaso, vocês já sentiram aquela estranha sensação na boca do estômago, quando estão prestes a dormir antes de uma viagem? Acredito que sim – é bem comum. Digamos que era isso que nosso querido ruivo sentia, ao mirar a parede do quarto escuro, com o cenho franzido. A irritação fazia o coração palpitar mais forte – mais agitado. A conversa retornava a sua cabeça. Mordiscava o lábio inferior, perguntando-se o que deveria fazer. Por que você está aqui? Não ia dormir na casa de Inoue? A sucessão de novas perguntas enchiam cada vez mais a cabeça do pobre shinigami.

Os passinhos de Rukia eram tão ágeis, com pés tão pequenos, que Kurosaki tornou-se incapaz de decifrar em qual canto do quarto Kuchiki estaria. Esta, por sua vez, andava de um lado para o outro depois de ter guardado seu vestido graciosamente em sua bagagem já preparada. A inquietação era perceptível. Depois de cinco voltas no quarto, seguiu até a cama de Ichigo – que instantaneamente fechou os olhos, ao perceber sua súbita aproximação – e, tomando extremo cuidado para não cair bruscamente na cama (para não acordá-lo), inclinou-se até seu rosto e sussurrando algo tão baixo (inaudível), beijou a bochecha dele. Levantou-se e seguiu para o armário. E, então, depois de muito tempo em silêncio dos dois cantos do quarto, ambos caíram no sono.

Eis as palavras de Rukia que nosso querido ruivo não ouviu.

Eu menti.

Às seis horas da manhã.

A sensação que o rapaz teve foi que acabara de adormecer quando despertador tocou. Resmungando algumas palavras de baixo calão que não acrescentariam em nada minha narrativa, ele levantou-se (muito à contragosto) e deu três batidas no armário em que a menina estava.

— Rukia, hora de acordar.

Ele fora para o banheiro tomar uma ducha e fazer a higiene matinal. Vestiu um jeans. Quando voltou, a menina estava saindo de sua cama improvisada. Coçava o olho quando perguntou, com a voz sonolenta.

— Como soube que estava aqui? – O rapaz passava a toalha no cabelo, enquanto muito maliciosa e atentamente a menina observava os músculos, as gotas d'água mal-secas correndo pelo seu corpo...

— Ouvi você entrando ontem. – O sorriso de vitória no rosto dele quebrou totalmente qualquer expressão de displicência que Rukia tentava fazer. Então, ele estava acordado? Pensou, abrindo os olhos pouco a pouco e retomando os sentidos, Kuchiki pegou um vestido amarelo e roupas íntimas, seguindo para o banheiro, passando direto por Kurosaki. Estava envergonhada. Ele apenas continuou com seu sorriso, jogou a toalha na cama e pegou alguma blusa por aí. As malas de ambos já estavam arrumadas desde o dia anterior e postas ao lado da escrivaninha.

Não demorou tanto para a menina tomar banho. Eram seis e quarenta quando Ichigo certificou-se que todos estavam adormecidos, para Rukia descer e tomar café de maneira decente. Não falaram muito durante o café, apenas quando uma das perguntas do rapaz simplesmente escorregou pela língua.

— Por que não dormiu na casa de Inoue? Era isso que faria, certo?

Ela, que estava com a boca cheia, deu de ombros. Quando engoliu a comida, falou.

— Achei melhor não... Seria muito trabalho e Nii-sama estava lá.

Ichigo, que levantara para lavar as louças, quase deixou um prato cair.

— Byakuya está aqui? Aconteceu alguma coisa na Soul Society?

— Não, não aconteceu nada. Ele viajará conosco.

— Hm, que estranho.

— Sim, estou preocupada.

— Me refiro ao fato de você achar que seria muito trabalho para Inoue e não achar que seria muito trabalho para mim.

Desta vez, ela não fez cerimônia de falar de oca cheia. — Idiota!

Ele riu, em resposta.

— Recebeu a mensagem que Urahara mandou? Temos que comprar repelentes...

— Sim, recebi. Temos que ir rápido. O trem sai às 7:30 e ainda temos que comprar as passagens.

Foi bem rápido depois disso. Subiram para pegar as malas, rumaram para a lojinha que tinha perto da estação, compraram os repelentes e as passagens. Às sete e meia, em ponto, o trem saia de Karakura.

Um pouco antes, às sete horas.

Nosso grupo já conhecido encontrava-se esperando seu trem, quando...

— Onde está Rukia? – Perguntou Byakuya.

— Oh... Pedi para que ela e Ichigo comprassem algumas coisas antes de ir. Chegarão mais tarde. — Pôs o leque na frente dos olhos, como de costume.

— Relaxe, Byakuya-bo. Afinal, estamos de férias. — Youruchi apoiou-se nos ombros de Urahara de maneira a fazer com que todos ficassem bem desconfortáveis com aquela situação.

— Aaah, Ishida-Kun! Vai ser tão divertido, não é? — Orihime sorria para todos.

— Ah, é! Principalmente com o meu novo amaciante para cabelo! —Intometeu-se Renji.

— Aquilo se chama gel, Abarai-kun. — Disse Uryuu, cansado e mexendo nos óculos.

— Espero que estejam falando a verdade. — Comentou Kuchiki para Urahara e Shihouin.

— Ah, Byakuya-san... Relaxe. Ah, olhe ! Nosso trem está vindo!

Às oito e meia.

A viagem de Ichigo e Rukia não foi muito emocionante. A menina adormecera no ombro do rapaz, que apenas observava a paisagem do lado de fora, pensando em todos acontecimentos recentes, e em quão bom seria esse tempo com os amigos para espairecer.

O trem parava aos poucos no momento em que o ruivo mexia o ombro para acordar a mais baixa.

— Chegamos.

E não pôde deixar de notar os olhos de Rukia. Era a primeira vez que ele os via abrir após um sono – no instante após um sono, que digo – e eram encantadores. Parecia aquele dia frio que você está na praia e nada poderia dar errado na sua vida. Pareciam olhos de ressaca. Parecia uma imensidão. Parecia o céu e o mar. Parecia tanta coisa que Ichigo desistiu de enumerar mentalmente. Ela ajeitou-se e levantou ao tempo que o rapaz levantava-se para pegar as bagagens. Apenas eles e um casal de gordos haviam saltado ali.

Saíram do trem quando um relógio imenso, bem no centro do tal local que eles ficariam, alertou a todos que eram oito e meia. Tudo era um estilo bem oriental, mesmo. Não parecia haver vilarejos em volta e o local aparentava ser bem pacífico. Seguiram em frente, atrás do casal gordo que aparentavam trocar xingamentos em húngaro. Kuchiki observava o local. Não vira Urahara nem ninguém conhecido. Não havia muito que observar dali, na recepção. Só um amplo jardim lá fora onde, um pouco afastado, havia uma casa com o número três. Deve ser um dos aposentos, pensou Rukia. Aquele lugar era aconchegante. Quando finalmente o casal gordo acabou de falar, o ruivo e a morena postaram-se de fronte a uma mulher magricela, alta e com o coque no topo da cabeleira morena. Os óculos completavam o look secretária rígida.

— Bom dia, em que posso ajudá-los? — A moça se dirigiu ao mais alto.

— Ah, 'dia. Quem fez a reserva não fomos nós, foi uma outra pessoa... Então deve estar no nome de Urahara Kisuke.

A moça checou no computador em sua frente.

— Hum... O senhor Urahara reservou a suíte de lua-de-mel para o casal Leitedegato. Parabéns pelo casamento! Um senhor irá lhes mostrar o seu aposento. — E chamou um ajudante que já carregava as bagagens dos dois.

Ichigo, boquiaberto, não conseguiu achar uma resposta. Rukia inclinou-se sobre o balcão.

— Deve haver um engano. Não somos um casal.

— Não é isso que diz aqui, senhora Rukia Leitedegato.

— Não me chame de Leitedegato, é ridículo! E, cadê o Urahara?

— Mas é o seu sobrenome, senhora! O senhor Urahara disse que a reserva era especialmente para os dois. Ele nem ninguém virão atrapalhar.

— Argh! Pra mim chega! Urahara pregou a maior peça em nós. —Recobrou os sentidos Ichigo.

— Queremos uma passagem de volta! — Protestou Rukia.

— Lamento, senhora Leitedegato, mas o trem só virá novamente após o terceiro dia de fogos de artifício...

— Então quer dizer que... — Continuou Kuchiki.

— ...estamos presos aqui! — Disseram em oníssono.

— E por quatro dias. — Completou a moça, com um sorriso, enquanto entregava a chave do quarto ao suposto casal Leitedegato. Nada mal, Urahara, nada mal mesmo. Então, me confidencie, querido, o que mais anda planejando? Oh, eu nem imagino? Devo esperar? Ah, o suspense me mata.


Bem, espero que tenham gostado do capítulo, de verdade.

Agradeço a todos que continuam lendo e espero comentários sobre críticas.

Antes que me esqueça, gostaria de informar que a partir desses tempos, Agatha não será minha única personagem escritora. Ela terá duas amigas, colegas, acompanhantes, que terão estilos diferentes. A criadora continua a mesma, mas agora, Evan e Sophie farão parte desta conta no fanfiction, assim como Agatha.

Esta história continua sendo escrita por Agatha Cacharrel, que se despede por hoje;

assim como sua criadora.