Pessoas amadas, eis o décimo capítulo, sentem-se confortavelmente com uma jarra de suco de maracujá bem adoçado do lado e divirtam-se!
Capítulo 10 – Fim de jogo?
Uma grande nuvem de fumaça branca se espalhou sobre a Praça Piccadilly assustando primeiro pela explosão que a desencadeou e depois pelos efeitos que cavou no organismo das pessoas que estavam próximas.
Homens e mulheres corriam em todas as direções no sentido oposto do centro da praça, gritavam aterrorizados, lacrimejavam, sentindo queimação na pele, nos olhos e nas vias respiratórias. Em vários pontos, pessoas caiam engasgando, liberando coriza pelo nariz, babando e tossindo com sensação de asfixia.
Por alguns momentos, Lestrade chegou a duvidar que a bomba deixada na estátua de Eros realmente era a não letal. Mas a lembrança do detetive deixado aos fundos de uma lanchonete perto dali tentando desativar a verdadeira bomba, arrancou o inspetor das suas cogitações assombradas, movendo-o para onde havia deixado os dois amigos minutos atrás.
Quando chegou ao local, encontrou o contêiner de lixo fechado e John sentado ao lado com as costas apoiadas na lataria fria. Lestrade estranhou e correu para perto do médico.
– Onde está o Sherlock?
John respirou fundo fechando os olhos como se tentasse se recuperar de uma forte emoção que ainda abalava seus nervos, suas mãos tremiam e sua pele suava levemente.
– Estou aqui, inspetor. – Sherlock respondeu abrindo a porta dos fundos da lanchonete ao lado do contêiner. – fui buscar água para o John, ele reagiu mal à alta dose de adrenalina que o corpo liberou em sua corrente sanguínea.
– Você bem que podia ter desativado essa bomba mais rápido. – John reclamou recebendo o copo d'água.
– É, tem razão. – Sherlock concordou recebendo um olhar zangado por parte do médico.
– Onde está a bomba? – Lestrade indagou curioso.
– Lacrei dentro de um caixote, levei para o porão da lanchonete e paguei ao dono do estabelecimento para manter a porta trancada até eu voltar. – o moreno respondeu.
Lestrade riu vendo que a primeira etapa do plano havia transcorrido dentro do esperado e todos estavam inteiros.
– E agora nós iremos para onde, Sherlock? – Greg perguntou sentindo-se mais animado.
– Para o London Eye. – o moreno respondeu.
Construída em 1999 e inaugurada em 2000, a grande roda gigante de observação, com seus cento e trinta e cinco metros de altura, é capaz de comportar oitocentas pessoas por vez, recebendo em média quinze mil visitantes por dia oferecendo ampla e desimpedida vista da cidade de Londres às margens do rio Tâmisa. O detetive, o médico e o inspetor chegaram em menos de meia hora na Roda do Milênio, seguindo sem pausas para o ponto de embarque das cabines.
– Onde exatamente iremos procurar o material? – John quis saber.
– Cápsula número catorze. – Sherlock respondeu.
– Mas as coordenadas não indicavam a cápsula treze? – Lestrade questionou.
– Indicavam, mas o London Eye não possui uma cabine treze. A contagem das cápsulas vai de um a trinta e três, mas só há trinta e duas. – o moreno esclareceu.
– Mas por quê? – John inquiriu.
– Superstição, John. Para afastar o azar, eles removeram a cabine treze, mas isso não impediu da má sorte se instalar na cabine catorze. – Sherlock respondeu olhando para o alto. – Ali, aquela é a nossa cabine, iremos embarcar nela.
– Nós iremos passear junto com a bomba, é isso? –Lestrade indagou apreensivo.
– Exatamente, Lestrade. Uma volta completa dura trinta minutos, isso quer dizer que teremos que detonar as bombas falsas enquanto estivermos dentro da cabine, não teremos tempo para terminar a volta antes das quatro da tarde.
Sherlock ganhou dois pares de olhos encarando-o apreensivos.
– Vocês irão sobreviver, tenho certeza. – Sherlock encorajou rindo abertamente da expressão carrancuda que o médico e o inspetor fizeram.
Quando subiram na cápsula catorze, faltava vinte minutos para a detonação da bomba letal instalada na cabine. Sherlock demorou poucos minutos para descobrir que o banco oval localizado no centro da cabine havia sido recheado com um cilindro metálico idêntico ao anterior encontrado na estátua de Eros, contendo agentes biológicos infecciosos. A adulteração do assento era bem sutil, ninguém perceberia se não estivesse procurando por qualquer defeito no lugar.
Dessa vez ele se esforçou por desativar o mais rápido possível, não queria um John zangado em torno dele. Desativada a bomba, Sherlock usou seu canivete para desalojar o material do banco e o colocou cuidadosamente em uma das bolsas que carregavam consigo.
Depois do procedimento, os três sentaram no banco oval, um do lado do outro, olhando para fora em silêncio. Os minutos passavam e a paisagem ia mudando pelas vidraças que começaram a embaçar com uma leve chuva fina que começou a precipitar-se fora da cápsula.
John admirava a vista se dando conta de que nunca havia se dignado a dar uma volta na roda do Milênio e lamentava que sua primeira vez no London Eye fosse motivada por situação tão tensa quanto a que ele estava enfrentando com Sherlock e Lestrade.
– Senhores, preparem-se, está na hora. – o detetive advertiu puxando um detonador do bolso do sobretudo.
Lestrade tirou um lenço do bolso e tapou a boca e o nariz respirando bem fundo antes, ele já tinha passado pela experiência de aspirar lacrimogêneo e odiava a perspectiva de sentir aquele gás irritar suas vias respiratórias uma outra vez.
John e Sherlock também taparam o rosto e os três afastaram-se do centro da cápsula. Quatro horas em ponto e a nuvem branca se espalhou na cabine. Lestrade foi o primeiro a ir em direção a porta vedada, batendo para dar alarme de que algo estava errado na cápsula catorze. Seus olhos ardiam e lacrimejavam, mas ele não removeu o lenço do nariz e boca e continuou batendo.
As pessoas nas cápsulas próximas começaram a se agitar e a chamar atenção das demais, em poucos minutos, o pânico havia se generalizado na roda do milênio e as forças de segurança e socorristas surgiram no lugar.
Os três homens foram removidos da cápsula envolta em névoa branca que espalhou-se pelo ambiente causando desconforto nos presentes. Sherlock permitiu-se ser levado até o posto de atendimento junto com John e Lestrade, mas aproveitou a primeira oportunidade para empreender fuga do local arrastando o médico e o inspetor consigo.
Não precisaram de táxi para chegar rápido à estação de trens Waterloo, pois o local era bem próximo à roda do Milênio.
Ao descer as escadas, Sherlock seguiu direto para a área de manutenção dos tubos de ventilação esbarrando em uma porta fechada com correntes e cadeados.
– Droga! – o detetive reclamou.
– A bomba está na central de ventilação? – Lestrade indagou arqueando as sobrancelhas.
– Está, precisamos substituir antes que ela libere seu material na ventilação e contamine toda a estação. – o moreno respondeu encarando-o de forma urgente.
– Espere um minuto.
Lestrade se afastou por alguns minutos e voltou com um molho de chaves na mão.
– Chave número sete e oito. – o inspetor indicou entregando o molho de chaves para o moreno que o olhou curioso. – Vantagens de um inspetor da Scotland Yard. – Lestrade esclareceu rindo de canto.
Entraram e em pouco tempo encontraram o artefato letal instalado numa tubulação de ar. O detetive o removeu cuidadosamente e desativou acomodando-o na bolsa junto com o outro. Em seguida substituiu por um cilindro de lacrimogêneo.
Os três saíram do local com tempo de sobra, ainda faltava meia hora para a próxima detonação e da estação para o parlamento, não levariam mais que quinze minutos a pé. O complexo de prédios edificados em estilo gótico despontou rapidamente na frente dos homens, John e Lestrade seguiram a passos firmes rumo ao acesso das câmaras, mas Sherlock parou diante do Big Ben.
– Vamos, Sherlock! – John chamou. – quanto antes começarmos a procurar, melhor.
– Certamente. – Sherlock respondeu caminhando em direção ao relógio com sua torre de quase cem metros de altura. – se procurarmos no lugar correto.
– Por que está indo para o relógio, as coordenadas dizem "Parlamento". – John insistiu.
– Elas não dizem "Parlamento", elas indicam a área do Parlamento. Não há sessão hoje neste horário na câmara dos Comuns e nem na Câmara dos Lordes, John, por que detonar um agente infeccioso em um lugar com baixa movimentação?
– Não sei, eles simplesmente não querem colocar a cereja no bolo? Não importa se a cereja for pequena. – o médico respondeu ansioso.
– Importa, sim. Sabe o melhor lugar para explodir uma bomba biológica? – Sherlock indagou parando de frete aos dois homens. – Vamos, John, você foi soldado, sabe dessas coisas.
– Sim, eu sei, bombas biológicas tem alcance mais letal se detonadas em locais altos e em regiões populosas, assim os agentes podem se espalhar melhor no ar e contaminar mais gente. – John respondeu sem piscar.
– Então, qual o melhor lugar? A torre do relógio ou uma sala dentro do parlamento? – o detetive perguntou.
– É, ele venceu. Está bem óbvio que é a torre mesmo. – Lestrade cortou a discussão batendo no ombro de Sherlock e caminhando apressado na frente, teria que apresentar suas credenciais da polícia metropolitana para garantir acesso aos trezentos e trinta e quatro degraus que levam aos sinos do relógio.
Vencidas as formalidades para acesso à torre que estava fechada à visitação, os três homens iniciaram a subida. Sherlock praticamente saltava de dois em dois degraus com uma energia de dar inveja a Lestrade que sentia-se às portas de um infarto depois do centésimo degrau de pedra de calcário. Enquanto vencia degrau por degrau, arfando e suando em profusão, Greg prometeu a si mesmo que iria deixar definitivamente o cigarro, reeducar seus hábitos alimentares e fazer caminhadas no parque sempre que possível.
John ia mais a frente e também sentia o peso do cansaço arrasar seu corpo, o fazendo perceber que deveria levar mais a sério os exercícios no parque, seu condicionamento físico não estava dos melhores.
Após vários minutos seguindo escada acima, o trio chegou ao espaço onde encontrava-se o Big Ben, o grande sino de mais de treze toneladas que soa marcando as horas do relógio na torre e o que os homens procuravam estava logo acima da inscrição em latim cravada no metal: "Domine salvam fac reginam notram Victoriam Primam" – Senhor, mantenha a salvo nossa rainha Victória Primeira.
– Quinze minutos. – John falou olhando para as altas grades que isolavam o sino principal na sala.
Sherlock removeu o cachecol do pescoço e tirou o sobretudo do corpo para ficar mais confortável, afinal ele também suara subindo as centenas de escadas e sentia-se um pouco sufocado. Depois apoiou os pés na grade e impulsionou o corpo para cima. Em dois movimentos de escalada, o detetive pulou do outro lado.
Com cautela, o moreno desativou a bomba e depois a removeu.
– Me passe o cilindro de lacrimogêneo, John. – Sherlock pediu se aproximando da grade para receber o que pediu.
Instalado o dispersor de gás não letal, o detetive passou cuidadosamente a bolsa por cima da grade para que John a pegasse e depois pulou de volta.
– Nove minutos. – Lestrade alertou.
– Está na hora de sair correndo daqui. – Sherlock avisou pegando seu casaco e cachecol antes de sair correndo no sentido das escadas.
Descer se mostrou mais rápido do que subir, a gravidade ajudava na tarefa de chegar ao solo o mais rápido possível, John tinha a impressão de que levaram metade do tempo de subida, para descer.
Já do lado de fora, puderam perceber a nuvem branca se espalhando no céu já escuro de Londres junto com o badalar do grande sino que parecia divulgar a grande anomalia em sua sala. Exatas seis horas da tarde, começo de noite e eles havia conseguido ludibriar os terroristas por tempo suficiente para poder evitar uma tragédia em grande escala. John respirou aliviado e Lestrade parecia muito contente também enquanto olhava a fumaça não letal se espalhar como um fantasma em fuga do alto da torre ao lado do Parlamento.
– Temos que voltar para a lanchonete para pegar a bomba que deixei no porão. – Sherlock alertou depois de normalizar a respiração que ficara irregular pela correria nos degraus.
– Tem razão, vamos pegar um táxi. – Lestrade concordou.
Os três se espremeram no banco de trás de um táxi e rumaram para a praça Piccadilly onde toda a correria daquele dia havia começado. Estavam cansados, mas profundamente satisfeitos com o resultado de seus esforços. Tudo tinha terminado bem.
Ao chegar à lanchonete, Sherlock resgatou seu caixote com a bomba pondo-o na mala do táxi junto com as duas bolsas contendo as demais.
– Para o clube Diógenes, por favor. – Sherlock indicou ao taxista.
– Ei, o que pretende indo ao Diógenes agora? – John perguntou confuso.
– Deixar umas lembrancinhas para meu irmão. – o moreno respondeu rindo de orelha a orelha.
– Não me diga que você vai esfregar a aposta na cara dele.
– Por que não? Vai ser muito divertido.
John não respondeu nada, limitou-se a olhar para frente, enquanto Lestrade fazia cara de confusão no meio daquela conversa sobre aposta. Não imaginava ele que os irmãos Holmes tinham o bizarro hábito de apostar a própria vida em alguns jogos excêntricos de exibição de habilidade intelectual.
– Sr. Holmes, seu irmão está em um táxi a duas quadras daqui. – Anthea informou entrando na sala de Mycroft.
– E com quem ele está? – o homem perguntou sem tirar os olhos dos papéis que estava lendo.
– Está acompanhado do Dr. Watson e do detetive-inspetor Lestrade.
– Pobre irmão... está iludido com uma pequena vitória, mas o mal ainda o ronda. – Mycroft comentou apertando os lábios.
– Devo permitir a visita, Sr. Holmes? – a secretária desejou saber.
– Claro, deixemos o meu irmão mostrar seu pequeno espólio de guerra. – o homem respondeu arqueando as sobrancelhas com uma expressão meio cansada.
Minutos depois as portas da sala de Mycroft foram abertas para deixar a figura alta e esguia de Sherlock entrar seguido por Lestrade e John que carregavam as bolsas com a coleta letal do dia.
– Boa noite, Mycroft. – o detetive cumprimentou parando em frente à mesa do irmão.
– Boa noite, Sherlock. Presumo que veio exibir alguns troféus para mim. – o Holmes mais velho disse apontando para as duas bolsas de viagem que John e Lestrade seguravam.
– Andou me seguindo, Mycroft? – Sherlock franziu as sobrancelhas.
– Nenhum agente meu iria ficar do outro lado da rua encarando a sua janela descaradamente, se é o que está insinuando. – Mycroft respondeu se levantando da sua cadeira atrás da mesa.
– Como sabe que tinha alguém me vigiando do outro lado da calçada do meu apartamento?
– Câmeras de vídeo, irmão, onde houver uma câmera de monitoramento, lá estarão meus olhos.
– Vou lembrar de quebrar as câmeras do meu quarteirão. – Sherlock resmungou caminhando em direção ao sofá no centro da sala se jogando de qualquer jeito nele.
– Vai mostrar ou não os seus troféus? – Mycroft insistiu se aproximando.
– John, Lestrade, abram as bolsas. – o detetive pediu pondo os pés sobre a mesinha de centro.
– Sherlock... os pés! Tenha modos. – Mycroft reclamou ganhando uma careta em resposta.
John e Lestrade colocaram a bolsa que portavam sobre a mesinha de centro e abriram-nas mostrando o conteúdo.
– São todos seus e do seu pessoal, caro irmão. – Sherlock falou catando no bolso o microcard entregando-o para Mycroft. – ganhei a aposta, desvendei o caso e sobrevivi.
– Claro. O MI6 agradece a colaboração. – Holmes mais velho disse rindo de forma azeda, pegando o microcard da mão de Sherlock. – E não se preocupem com o pandemônio que vocês montaram com gás não letal hoje, a inteligência britânica irá apagar qualquer imagem ou informação que vincule a presença de vocês aos eventos.
Lestrade agradeceu intimamente a Deus por isso, explicar por que se envolveu extra-oficialmente naquele caso lhe custaria muita dor de cabeça e provavelmente o cargo na polícia metropolitana.
– Ótimo. – Sherlock disse se levantando. – Já estamos de saída.
– Tome cuidado, irmão. O jogo ainda não acabou.
– Eu sei.
Dito isso, Sherlock saiu da sala sendo seguido por John e Lestrade.
Mycroft sentou-se na escura poltrona perto do sofá onde o irmão esteve sentando e suspirou pesadamente enquanto revirava o pequeno cartão azulado entre os dedos, imaginando que escolhera mal o seu agente duplo. Alexander havia sido descuidado, o MI6 já havia esquematizado tudo para ludibriar os terroristas assim que tivessem acesso às coordenadas, mas no fim, foi seu irmão quem encontrou os planos e executou, de forma bem artesanal, porém eficiente, o trabalho da agência. Se Sherlock não fosse tão avesso a ideia de trabalhar com ele... teria um grande futuro no alto escalão da inteligência britânica.
No caminho para casa, John pediu para que descessem no restaurante do Ângelo para comprarem algo para o jantar, executada a tarefa de pedir, esperar, pagar e receber, seguiram para casa a pé, já que a distância entre o restaurante italiano e o apartamento era de apenas alguns quarteirões.
As ruas estavam com pouca movimentação por conta do frio de 6º C que havia afugentado os transeuntes ao cair da noite. Os poucos pedestres mais corajosos, atopetavam grossos gorros de lã na cabeça e faziam seus pescoços desaparecerem envoltos em largos cachecóis enquanto viam sua respiração morna condensar-se em delicado vapor branco bem diante de seus rostos corados. Sherlock caminhava com as mãos no bolso do sobretudo e a gola levantada para auxiliar a tarefa do cachecol não muito grosso que havia posto na manhã daquele dia, John podia notar um pequeno risinho dançando nos lábios do detetive como se fossem delicadas tramas de seda ao vento da primavera, aquilo aquecia o coração do médico que gostava de ver o companheiro contente.
A poucos metros do 221B, os dois foram apanhados por súbita chuva fazendo-os acelerar os passos para não ficarem encharcados. Entraram correndo no térreo e fecharam a porta atrás de si rindo como dois meninos.
– Vamos trocar essa roupa. – o médico convidou. – Não queremos resfriar, certo?
Sherlock riu e passou na frente vencendo rapidamente o lance de escadas e abrindo a porta para John passar com a sacola de comida. Os dois tiraram os casacos úmidos estendendo-os no cabide disposto no canto da parede perto da porta. John foi imediatamente para a cozinha arrumar a mesa enquanto esquentava o jantar comprado no restaurante do Ângelo. Enquanto isso, Sherlock dedicou alguns minutos acendendo a lareira para trazer um pouco de calor para a sala que estava terrivelmente fria e depois foi para a cozinha no momento exato em que John intencionava chamá-lo para comer.
Os dois jantaram repassando os acontecimentos do dia, por fim, John deixou as louças de molho na pia para lavar no dia seguinte e foi para a sala com Sherlock, sentando um de frente para o outro em suas respectivas poltronas perto da lareira.
– Está cansado John? – o detetive o olhava com um brilho quente nas esferas cristalinas.
– Sim, estou cansado, o dia foi intenso hoje. – o médico respondeu esparramado em sua poltrona de frente para Sherlock.
– Está muito cansado? – o moreno voltou a perguntar esticando a perna para tocar a panturrilha do loiro.
– Bem... acho que não tão cansando para certas coisas... – John respondeu sentindo o corpo arrepiar-se calorosamente.
– Bom. – Sherlock respondeu subindo a ponta do pé para tocar a coxa do companheiro.
John suspirou audivelmente entreabrindo os lábios. Aproveitando a receptividade do companheiro, Sherlock ajeitou-se melhor na sua poltrona para poder esticar sua longa perna mais adiante, mas antes de esticá-la, moveu-a para tirar o sapato e depois voltou a tocar a coxa do médico, tateando o músculo com os dedos do pé direito, deslizando mais para dentro até chegar onde fora seu plano desde o princípio.
– Oh! Céus! – John apertou os olhos agarrando firmemente os braços da sua poltrona para não deslizar do assento ao sentir o pé descalço do namorado tocar a região já bastante animada no meio das suas pernas.
Sherlock riu da reação do outro e começou a massagear o local movendo com precisão enlouquecedora a pontinha dos seus dedos experimentando um calor agradável subir pelo seu corpo enquanto sentia o músculo macio e quente do médico aumentar dentro das calças sob o toque do seu pé.
John abriu mais as pernas para melhorar o acesso às carícias empregadas por Sherlock, proporcionando uma visão bastante erótica para o moreno cuja respiração começou a ficar fortemente entrecortada, tamanho era o nível de excitação sexual que varria seu corpo diante da imagem do médico sentado de olhos fechados, corado e ofegando levemente com as pernas abertas recebendo os toques do seu pé sobre seu pênis notoriamente túrgido.
Sherlock desabotoou dois botões da própria camisa, enquanto lábia os lábios sem desviar seus olhos da figura obscena diante dele, subitamente sentindo-se em chamas. Acelerou mais os movimentos do pé sobre o falo do companheiro vendo-o retorcer-se, bater a cabeça no encosto da poltrona e agarrar com mais força os braços do assento soltando gemidos em meio a respirações sôfregas.
O membro de Sherlock despontava volumoso em suas calças e contorcia-se apertado entre os tecidos a cada tato renovado entre a pele do seu pé e o volume excitado do namorado a sua frente.
John sentia-se ser chicoteado por sensações delirantes que o privavam de qualquer outra percepção que não fosse aquele toque preciso no ponto volumoso entre suas virilhas. Gemia esquecido de tudo, agarrava-se a poltrona como se fosse sua única âncora no plano físico, mas que aos poucos ia se tornando longe, engolfada num mar escaldante de excitação em lava incandescente que nublou todos os seus sentidos fazendo-o estourar em gozo profuso e amolecer em seu assento totalmente exaurido pelo orgasmo.
Respirando pesadamente, John abriu de forma letárgica os olhos bem a tempo de visualizar um Sherlock corado, de olhos fechados, respirando descompassado e também amolecido sobre sua poltrona. Súbita compreensão varreu a consciência do médico: Sherlock havia gozado apenas observando-o usufruir da masturbação. Essa constatação quase renovou a excitação do loiro, mas ele estava muito cansado agora, queria apenas abraçar o detetive e dormir contente de ter o moreno ao seu lado.
– Você foi incrível, Sherlock. – John elogiou com a voz meio arrastada ainda.
– Eu sei. – o detetive respondeu rindo presunçoso abrindo os olhos ainda marejados pelo orgasmo. – E você é uma visão bastante estimulante. – arrematou se ajeitando.
– Vamos tomar um banho, por um bom pijama e dormir. Nós estamos merecendo. – John convidou levantando-se.
Sherlock levantou-se e seguiu o médico, ambos tomaram banho e puseram pijamas. Antes de deitar, John foi ao guarda roupas pegar mais uma manta para complementar o aquecimento na cama, a noite realmente estava muito fria. Enquanto o médico arrumava a cama para que ambos tivessem um descanso merecido, Sherlock voltou à sala para apagar as chamas da lareira e desligar as luzes.
John sentou-se na cama para esperar pelo namorado, mas a espera estava se revelando bastante demorada, olhou o relógio na mesinha do seu lado da cama e constatou que Sherlock havia se ausentado do quarto há mais de dez minutos e aquilo não estava lhe soando normal. Inquieto, o médico pulou do colchão pondo os pés nos chinelos de feltro marrom e foi até a sala verificar por que o detetive estava se demorando tanto a retornar para o quarto.
Ao chegar ao cômodo, seu coração deu um salto. A lareira e as luzes estavam acessas, mas não havia nenhum sinal de Sherlock na sala ou na cozinha.
Sherlock havia sumido.
Continua...
Não atirem nada em mim! (#se protege com o escudo do capitão América#). Deixem seus comentários, pois estou ansiosa por saber da impressão pós-leitura de vocês meus amores!
