Notas da Autora – Olá, pessoal... o.o É, eu ainda estou viva. xD
Eu sinto muito pela demora, mas estava sem tempo para publicar e nem vontade de escrever. T-T Mas, me deu um surto momentâneo e fiquei com vontade de aparecer aqui para publicar esse capítulo que está pronto há séculos. =)
Ignore todo possível erro que não foi revisado o capítulo, apenas li novamente, mas certamente os erros ficaram. x.x
Acho que é só. o/
Até o próximo capítulo. \o/
Beijos,
Lis
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Vida Bandida
By Palas Lis
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Capítulo 8
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Era um dia típico de fim de Outono.
Nem calor, nem frio – tempo agradável.
Contudo, não para Saori Kido.
Tudo ao seu redor estava sem cor.
Deprimida: era como se sentia.
"Não quero deixá-lo...", ela pensou pelo que devia ser a enésima vez desde seu encontro com a noiva do irmão na madrugada anterior. "Mas não quero colocar meus amigos em risco...".
Sentada no sofá da ampla sala de sua casa, ela puxou as pernas para cima e abraçou os joelhos e pousou o queixo neles. Voltou os olhos verdes para a janela entreaberta e suspirou desanimada. "O que eu faço, meu Deus?"
Não admitiria nem sob tortura, mas sentia uma insuportável vontade de chorar. Um nó se formou em sua garganta e ela sentia os olhos se encherem de lágrimas por várias vezes, mas engolia em seco e segurava o choro, com dificuldade.
O orgulho a impedia de chorar. Isso acontecia desde que era jovem. Prometera a si mesmo que nunca mais choraria, desde a morte trágica dos pais... Assim acontecia até o aquele momento.
- Senhorita Saori? – um senhor apareceu na porta da sala e chamou a atenção da moça.
- O que quer, Tatsume? – ela respondeu, desanimada.
- Telefone para a senhorita. – ele respondeu, caminhando até ela e estendendo o telefone sem fio. – Senhor Abel gostaria de falar com a senhorita.
- Alô... – ela piscou e pegou o fone e fez um aceno com a mão para que o mordomo saísse do recinto e ele o fez após fazer uma reverência.
- Saori, eu...
- Abel – ela o cortou; à vontade de chorar ficou mais forte e, pela primeira vez em sua vida, não tinha intenção de conversar com o irmão mais velho. –, Eiri já me deu o seu recado.
- Ela me contou que você não quer vir para Grécia.
- Eu disse que ainda não sei.– Saori fez uma caretinha.
- Por que não quer vir? – ele estava preocupado. – Aconteceu alguma coisa aí?
- Eiri não te contou? – Saori ficou surpresa.
- Não. Disse que era algo que você mesmo devia me contar. – a mais nova ouviu Abel suspirar. – Estou preocupado com você.
- Eu estou... – Saori comprimiu os lábios, até torná-los como linhas finas. – Namorando.
O silêncio que se seguiu foi incomodo para Saori Kido. O que seu irmão – tão imprevisível – faria?
O ruído característico de riso foi ouvido por Saori e ela ficou de queixo caído, literalmente. Abel... Ria de sua situação?
- Posso saber por que está rindo de mim? – Saori se irritou com o mais velho. Ele se esforçava, mas não conseguia parar de rir. – Abel!
- Desculpe, Saori. – Abel demorou um pouco para conseguir falar. – Eu nunca pensei que alguém que sempre se denominou fria e sem coração algum dia pudesse se apaixonar...
- Não vou comentar isso. – Saori ficou constrangida.
- Atlas vai adorar saber disso... – Abel deu um meio sorriso, zombeteiro.
- Não ouse contar para ele! – Saori gritou em sinal de ameaça.
Abel continuou a rir.
- Parece que você gosta muito desse cara. – Abel proferiu, voltando a ficar sério.
- Acho que nunca conseguirei esconder algo de você. – Saori sorriu e jogou a franja para trás, deixando-a cair novamente na testa.
- Eu entendo que queira ficar com ele, mas quero que volte para Atenas.
- Eu não sei o que fazer, mano. – ela puxou as pernas contra o peito e abraçou-as com um braço. – Não sei...
- Convide-o para morar aqui. – Abel falou após um minuto em silêncio.
- Ele não pode abandonar sua vida para se mudar para Grécia comigo!
- Se ele gostar o suficiente de você, ele virá.
Saori sabia que Abel tinha razão. Se Seiya a amasse, não pensaria duas vezes para deixar tudo em Tóquio e ir morar com ela em Atenas. Contudo, a Kido caçula não queria pedir isso a ele. Ele tinha a vida dele na capital japonesa e não achava certo querer roubar isso dele. Além do mais, e se ele dissesse "não"?
Ela não queria nem pensar nessa possibilidade.
- Tem outro problema, também...
- Ele não sabe de sua "profissão". – Abel terminou a frase.
- Não vou contar isso a ele. – Saori sacudiu a cabeça para os lados. Não queria nem cogitar a idéia. – De maneira alguma.
- Saori, eu preciso saber o que vai fazer. – Abel deu um suspiro. – Para tomar os cuidados necessários.
Saori sabia o que o Abel queria dizer. Caso ela se recusasse a morar em Atenas, o mais velho mandaria muitos seguranças para ela. Viveria cercada de subordinados do irmão. Isso não a atraía em nada. Onde sua liberdade para roubar o que quisesse estaria?
- Preciso de um tempo para pensar... – a resposta de Saori pareceu um lamento.
- Você tem três dias para isso... Até lá se você não decidir, eu mesmo irei buscá-la aí.
- Não fale comigo como fala com um de seus empregados. – Saori falou entre dentes.
Abel riu.
- Tudo bem. – ela suspirou depois de um tempo analisando suas opções, se é que tinha alguma.
- Preciso desligar, Saori. – Abel falou. – Eiri está me chamando.
- Eiri, bah! – Saori fez diversas caretas. – Nem sei por que tinha que voltar com ela.
- Com quem está falando, querido?
Saori rodou os olhos ao ouvir a voz da loira.
- Saori, querida.
- Saori, bah!
- Eu te ligo em três dias. – Abel voltou a falar com a irmã. – Cuide-se. Até lá. Te amo.
Saori desligou o aparelho e encolheu-se ainda mais sobre o sofá. Não sabia o que fazer naquela situação. Era complicado demais escolher entre mente e coração. Ambas queriam coisas diferentes. Talvez seja por isso que ela nunca quis se apaixonar antes... Ela suspirou desanimada.
- Senhorita Kido – a voz de Minu a tirou de seus pensamentos. –, senhor Ogawara quer lhe falar.
- Oh, mande-o entrar. – ela respondeu com um sorriso grande. – Por favor.
Minu se retirou e poucos minutos depois Seiya apareceu na sala. Saori se levantou e correu para os braços dele, quando o moreno os abriu para recebê-la. Abraçou-o fortemente e sentiu-se mais calma presa entre os braços fortes de seu namorado. Agradeceu mentalmente pelos machucados em seu rosto da briga com Eiri estarem bem melhores, pois Seiya não notaria.
- Sentiu tanto assim minha falta? – Seiya perguntou.
Ela balançou a cabeça para cima e para baixo em resposta.
- Vim buscá-la para ir a minha casa comer pizza. – ele sorriu. – O que acha?
- Ótima idéia! – Saori beijou os lábios dele, alegremente. – Vou trocar de roupa. Espere só um pouquinho, sim?
Não queria nem pensar se deixaria ou não Seiya, pelo menos não naquele momento. Queria aproveitar todo tempo que tinha para ficar junto com ele. O resto ela resolveria outra hora.
Ela subiu para seu quarto saltitando de alegria. Parou frente ao closet e olhou as milhares de peças de roupas encontradas ali. Escolheu um vestido de alças finas preto e que passava da altura de seus joelhos. Calçou sandálias de salto e deixou os cabelos soltos. Minutos depois ela voltou para sala, com uma pequena bolsa no ombro.
- Desculpe-me a demora, Seiya. – Saori parou ao lado dele e circulou seu pescoço para abraçá-lo.
- Você está linda. – ele olhou abobalhado para ela, colocando os lábios nos dela. – Podemos ir?
- Sim.
Saori e Seiya entraram no carro dele e seguiram em direção a pizzaria mais conhecida de Tóquio. Fizeram o pedido e foram para o apartamento do rapaz. Vinte e poucos minutos depois eles estavam cruzando a entrada da casa.
A moça olhou cada detalhe, percebendo Seiya em todos eles. Cada coisa da casa havia características dele. Era uma casa simples, mas muito bonita, com sala, suíte e cozinha. Possuía muitos eletrodomésticos de ótima qualidade, inclusive um enorme televisor de plasma na sala, conectado a um videogame.
Na cozinha, arrumaram a mesa para comerem, porém, ao sentarem-se para comer, Saori não levou o garfo nenhuma vez à boca, apenas brincava com ele no queijo derretido sobre a massa de pizza. Não sentia fome. Preocupava-se demais com seu destino para comer. Ela levantou os olhos e encarou os escuros de Seiya.
- O que aconteceu, Saori?
- Nada... – nem ela mesma se convenceu.
- Por que está preocupada? – Seiya insistiu.
- Ah, problemas com meu irmão. – ela respondeu após um longo suspiro e sorriu forçadamente. – Não quero estragar nossa noite, vamos deixar isso para lá.
- Se quiser conversar, eu estou aqui. – ele sorriu e deixou o prato de lado.
- Lembra que uma vez você me disse que me mostraria uma foto de sua família? – Saori recordou-se de um dos encontros deles, quando foram ao cinema.
- Sim.
- Mostre-me agora! – Saori sorriu, parecendo realmente empolgada.
- Claro. – Seiya sorriu e se levantou, Saori o seguiu, segurando em sua mão. – Eu tenho um álbum de retrato que minha mãe fez com nossas fotos.
- Oh! – os olhos de Saori até brilharam ao deixar a bolsa no criado mudo e sentou-se na cama de casal de Seiya, esperando-o voltar com o grosso álbum de família. – Eu vou ver você pequenininho e também sua família!
Seiya sentou ao lado dela com o livro com o sobrenome da família na capa. Começaram a folhear e Seiya mostrando todas as fotos, explicando o que acontecera na ocasião e quem eram as pessoas. Saori se divertiu e riu bastante com as histórias do namorado. Ele tinha uma família muito linda.
- Essa aqui foi tirada no ano passado, na última vez que fui à casa dos meus pais. – Seiya apontou para a última foto do álbum.
- Sua irmã é linda. – Saori passou o dedo pela foto, olhando mais de perto a mulher. – Muito mesmo.
- Obrigado. – ele agradeceu e deixou o álbum de foto na escrivaninha no canto do quarto.
Eles ficaram se encarando, até que Seiya levou a mão ao pescoço dela e a puxou para dar um beijo. Quando ela permitiu que ele aprofundasse o beijo e ficaram quase sem ar pela intensidade, eles deitaram na cama e Seiya aproveitou para deslizar a mão pelas curvas do corpo dela.
- E-espere... – Saori pediu ao se afastar dele e se colocar de pé, arfando com os lábios vermelhos e a face corada.
- Desculpe. – Seiya sorriu sem jeito. – Acho que fui longe demais.
- Não é isso... – ela corou violentamente. – Eu também quero.
Ela se virou e apagou a luz, encarando o namorado com a pouca iluminação do dormitório. Depois Saori tirou a alça do vestido dos ombros e deixou-o escorregar pelo corpo, até alcançar o chão. Ficou totalmente desconcertada, mas agradeceu estar escuro e Seiya não notar seu rosto corado.
Seiya sorriu, tirando a camiseta antes de puxá-la pela cintura e deitá-la na cama.
- Eu... Bem... Você sabe... – Saori gaguejou quando ele deitou sobre ela. – Nunca fiz... Er...
- Tudo bem. – Seiya falou, beijando o pescoço dela. – Apenas fique calma.
- O-ok... – Saori sorriu e estremeceu com os beijos dele. – Eu confio em você.
-o-o-o-
Ápice da madrugada. Silêncio no quarto de Seiya Ogawara, até que um som irritante penetrou nos tímpanos de Saori Kido, fazendo-a cerrar os olhos e abri-los lentamente. Olhou ao seu redor e viu o namorado, dormindo profundamente ao seu lado. Ela deu um pequeno sorriso e beijou a testa dele.
O som irritante aumentou e ela procurou com os olhos o que queria. A claridade a levou até o criado-mudo, onde sua bolsa estava. Saori percebeu que o som era do celular que tocava e vibrava, então esticou o braço e pegou o aparelho o mais rápido que conseguiu. Viu o número e rodou os olhos.
- Posso saber o que quer uma hora dessa, Miro? – Saori falou entre dentes, em tom baixo; a voz ainda mole de sono. Virou-se para o namorado e agradeceu por ele estar dormindo profundamente e não acordar. Olhou o relógio do celular e fez caretas. – Não são nem três da amanhã, inferno!
- Saori? – a voz do companheiro soou estranha.
- Ligou para o meu número, quem queria que tivesse atendido? – ela retrucou, rodando os olhos.
- Por que está sussurrando?
- Não interessa. – ela corou. Seiya mexeu-se na cama e Saori gelou, com medo dele acordar. – Diga logo o que quer.
- Estamos com problemas, Saori. – Miro falou, parecendo muito preocupado.
- Que... Tipo de problema? – ela não gostou do tom dele. – O que aconteceu, Miro?
- Fomos atacados. – Miro não fez rodeios para falar.
- Como?! – Saori quase gritou, mas controlou a voz para não acordar Seiya. – Quem fez isso?
- Julian Solo.
Saori rangeu os dentes de ódio. Então eles estavam mesmo querendo acabar com ela e com seus subordinados. Ah, mais isso não ficaria assim... Ela ia acabar com os dois e depois jogar os restos no mar, para os bichos comerem.
- Vocês estão bem? – Saori perguntou.
- Mú foi atingido. – Miro falou, exasperado.
- Meu Deus! Como ele está?
- Levou um tiro na perna, está sangrando muito. – Miro avisou. – Shaka também foi atingido, mas foi só um tiro de raspão no braço.
- Ele precisa de um médico.
- Por isso mesmo que estou te ligando. Não podemos levá-lo ao hospital de Tóquio. – Miro continuou a falar, nervoso como Saori nunca o viu. – Não temos como explicar esse tiro.
Saori ficou um pouco em silêncio, para pensar o que faria. Só tinha uma solução: levar Mú para a casa de um amigo de sua família. Detestava ter de pedir ajuda a outras pessoas, mas no momento o mais importante era salvar Mú, e para isso engoliria até seu orgulho. Ela respirou fundo.
- Onde vocês estão? – ela quis saber.
- Estamos chegando à sua casa.
- Eu não estou em casa... – Saori ficou sem jeito.
- Se não está em casa, uma hora dessas... – Miro falou maliciosamente. – Onde a senhorita está?
- Isso não te diz respeito. – ela não queria contar que estava na casa de Seiya, mais exatamente dormindo na cama com ele. – Chegarei aí em alguns minutos.
Ela desligou o telefone e olhou para Seiya, dando um sorriso ao vê-lo dormir como um anjo. Beijou os lábios dele e murmurou um pedido de desculpas por não se despedir. Saori tirou o braço dele de cima de sua cintura e levantou-se, procurando o vestido jogado ao chão para vesti-lo.
Depois de vestida e calçada, ela pegou a bolsa e deu outro beijo em Seiya antes de sair do apartamento. Ligou para uma companhia de táxi e chamou um. Em cinco minutos estava dentro do veículo, em direção a sua casa. A preocupação permanecia estampada em seu rosto.
O taxista parou o carro frente à porta central da Mansão Kido e Saori, depois de pagar, desceu de um pulo e correu até os amigos. Chegou até o carro esporte que eles estavam e olhou para Mú, sentado no banco de trás, com a calça cáqui ensopada de sangue, ao lado de Miro. Ela socou a lateral do carro, raivosa.
- Vamos para casa de Shion. – Saori falou, abrindo a porta e entrando no carro.
- Quem é Shion? – Aioria perguntou, no banco do motorista, quando partida no carro.
- É um amigo médico da minha família. – ela falou, olhando para um quase desfalecido Mú ao seu lado. – Ele vai ajudar Mú.
- Para que direção é a casa dele? – Aioria perguntou, próximo ao portão da mansão.
- Zona Leste.
- É muito longe, Saori! – Miro exclamou. – Ele pode não resistir!
- Você tem outra idéia?
Ele ficou calado.
- E como você está, Shaka? – Saori perguntou, olhando o ferimento no braço dele.
- Apenas um arranhão. – Shaka deu de ombros.
Saori ficou mais tranqüila ao conferir que não era nada grave.
- Onde você estava, Saori? – Aioria perguntou.
- Er... Bem... – ela ficou ainda mais sem graça quando os três rapazes olharam para ela. – Ah... Hum... Bah! Isso não interessa a ninguém!
- Aposto que estava na casa do namoradinho... – Miro sorriu de lado e cruzou os braços na frente do tórax.
Saori corou intensamente.
- Mas me conte o que aconteceu. – ela desconversou, querendo acabar com o assunto.
- Eles nos atacaram quando estávamos saindo do bar. – Shaka falou, fechando os olhos e ignorando o ferimento latejar.
Saori ficou em silêncio, mas o ódio estava corroendo-a. O resto do caminho o grupo ficou em silêncio, preocupados com o estado do amigo. Chegaram a uma casa grande, da família Oda. Saori desceu do carro e foi até a porta, para acordar os moradores. Fez isso várias vezes, até ouvir vozes e as luzes da casa se acenderem.
A porta foi aberta em seguida, mostrando um homem alto e forte, de meia idade, vestindo um roupão e com os cabelos desgrenhados por ser acordado de madrugada. A cara de sono ocultava a raiva que ele sentia por ser perturbado.
- Shion, preciso de sua ajuda. – Saori falou, gesticulando.
- Saori? – ele pareceu tremendamente surpreso ao vê-la. Ele viu Mú sendo ajudado a descer do carro e arregalou os olhos. – O que aconteceu com ele?
- As explicações vêem depois. – Saori falou, passando pelo homem e entrando na casa. – Ele precisa ser socorrido.
Eles improvisaram uma cama e Shion pegou as ferramentas de médico. Aplicou uma injeção e rasgou a calça para ver o machucado. Mais de uma hora depois ele tinha tirado a bala e estava fechando o machucado. Depois de deixar Mú na cama de um dos quartos de hospedes, ele voltou para sala, para conversar com a irmã de Abel.
- Como ele está, Shion? – Saori levantou-se do sofá e ficou frente ao homem. – Ele não vai... Morrer, né?
- Eu retirei a bala e o curativo foi feito, mas ele perdeu muito sangue. – Shion explicou. – Precisamos levá-lo para um hospital.
- Você sabe que não podemos. – Saori disse.
- Se ele não receber uma transfusão, vai morrer. – Shion alertou, mas sabia que isso não seria possível, já que conhecia a "profissão" da família Kido. – Deixe-o aqui que amanhã antes de abrir meu consultório eu cuidarei disso.
- Obrigada, Shion. – Saori fez uma reverência. – Seremos sempre gratos por isso.
- Você não tem jeito, né, menina? – Shion falou, divertido. – Ainda continua aprontando pelos bancos...
Saori apenas sorriu.
- Precisamos ir, Shion. Obrigado. – Shaka falou. Os outros o seguiram para a porta da casa, mas pararam quando Saori passou direto por eles e tirou a arma na cintura do loiro, entrando no carro. – O que está fazendo, sua louca?
- Shion, empreste um carro para eles irem embora. – Saori falou, engatando a primeira para arrancar com o carro. – Vou acertar umas coisas com Solo...
Ela saiu em disparada em direção a Mansão Solo. Minutos depois estava lá, frente ao enorme portão e cheio de seguranças. Ela não perdeu tempo, apontou a arma para um guarda e ele, com medo, abriu o portão. Levando uma saraivada de tiros, ela chegou até a casa e atirou na porta para quebrar a fechadura.
Entrou e seguiu em direção ao andar de cima e correu até uma das empregadas que passou por lá. Segurou-a pelo pescoço e mostrou a arma, perguntou qual o quarto de Julian e ela apontou para ele, trêmula.
Saori entrou como um tufão no quarto, chamando atenção de Julian e Tétis. Ele saltou da cama com os olhos arregalados e colocou-se frente mulher, num ato protetor inconsciente. Os olhos verdes de Saori brilharam de raiva, então ela avançou no homem e deu um golpe em suas pernas, derrubando-o.
Julian caiu e Saori subiu sobre ele, desferindo vários socos no rosto dele, deixando cortes nas sobrancelhas e nos lábios, além do nariz começar a sangrar. Ela engatilhou a arma e colocou na boca do homem, vendo nos olhos azuis dele o pavor estampado.
- Nunca mais ouse mexer comigo, seu cretino! – ela gritou, pronta para atirar.
- Athena, por favor, não faça isso! – Tétis tremia no canto do quarto, caindo de joelhos e recostando-se a parede, com medo de perder o marido. – Por favor, não...
Saori olhou-a por um momento. A mulher não percebia o marido que tinha e ficou com dó de deixá-la viúva. Os olhos dela se voltaram para Julian, mas não sentia nada, apenas nojo. Ela levantou-se de cima dele e olhou para Tétis, com os olhos ainda faiscando. As mãos doíam dos golpes que dera.
- Ele ficará vivo por sua causa. – Saori frisou e Tétis olhou para ela.
- Muito obrigada, Athena. – Tétis correu até o Julian para socorrê-lo. – Obrigada, obrigada.
- Fique parada onde está! – os guardas da casa falaram, apontando armas para Saori.
- Deixem-na! – Tétis gritou e eles abaixaram as armas. – Chamem uma ambulância. Julian está ferido!
Saori deu uma última olhada antes de sair do quarto. Antes mesmo de cruzar a porta já tinha se arrependido de não ter atirado e explodido o crânio de Julian Solo, mas preferiu poupar Tétis. Caminhando para fora da casa, Saori chegou ao carro e saiu em alta velocidade pelas ruas de Tóquio.
Ela olhou no relógio do rádio e levantou uma sobrancelha ao ver a hora. Ainda faltavam mais de trinta minutos para o sol nascer. "Será que Seiya ainda está dormindo?", ela pensou. "Acho que sim...". Ela deu meia volta na rua e decidiu voltar para os braços do rapaz, para tomar o café da manhã com ele. "Daqui a pouco estarei com você, Seiya...".
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